Quilombolas denunciam governo brasileiro por descaso a suas comunidades


Segundo o documento entregue à Organização Internacional do Trabalho (OIT), o estado brasileiro não tem cumprido a Convenção 169, na qual diz respeito aos Povos Indígenas e Tribais e a garantia de seus direitos

Segundo o documento entregue à Organização Internacional do Trabalho (OIT), o estado brasileiro não tem cumprido a Convenção 169, na qual diz respeito aos Povos Indígenas e Tribais e a garantia de seus direitos

Adital


Na última segunda (01), foi registrado por 10 organizações quilombolas e 12 organizações não-governamentais na Organização Internacional do Trabalho (OIT) o comunicado que avalia o governo brasileiro na aplicação da Convenção 169. A comunicação foi entregue pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) com o apoio da Confederação Sindical das Américas.


A Convenção 169 vigora desde 2003 no Brasil. Segundo o documento o estado brasileiro não vem promovendo a aplicação integral da Convenção nº 169, na qual diz respeito aos Povos Indígenas e Tribais da OIT e que garante os direitos das comunidades quilombolas. O documento será analisado pelo Comitê de Especialistas da OIT, composto por 20 especialistas independentes, ainda esse ano.


Preparado por organizações indígenas, o relatório aponta alguns problemas que as comunidades quilombolas ainda vêm enfrentando. A falta de mecanismo que garanta a consulta prévia aos povos interessados sempre baseado nas medidas legislativas ou administrativas quando afetar os povos quilombolas diretamente, é um dos problemas apontados no documento.


Apenas 12% do total das comunidades, até junho de 2008, foram catalogadas pela Fundação Cultural Palmares, representando apenas 143 comunidades quilombolas. Este número mostra a falha do governo brasileiro na garantia dos direitos territoriais, como assegura a Constituição Brasileira (artigo 68 da ADCT) e nos artigos 13 e 14 da C 169.


O comunicado também apresenta uma série de recomendações onde garante a completa aplicação da Convenção 169 no Brasil. Entre elas estão: que o Estado Brasileiro aplique plenamente os artigos 1.2, 6º e 15 da C 169 da OIT; a providência dos processos de titulação dos territórios das comunidades quilombolas e a adoção de medidas para proteger a integridade dos seus territórios, antes e depois da titulação.

Personal Che: a diluição de um mito



por Cloves Geraldo*

Diretores Douglas Duarte e Adriana Mariño percorrem três continentes para analisar a transformação do líder revolucionário cubano-argentino, Ernesto Che Guevara, em mito e ídolo pop e o esvaziamento de suas idéias através dessa apropriação pelo mercado de produtos simbólicos.


Diluição é a melhor definição para se entender o mito Che Guevara (1928/1967), tematizado pelos diretores Douglas Duarte, brasileiro, e Adriana Mariño, colombiana, em seu documentário “Personal Che”. Morto há 40 anos, em 08 de outubro de 1967, o médico argentino, um dos líderes da Revolução Cubana, ao lado de Fidel Castro, transformou-se de ideólogo, pensador e revolucionário em ícone pop, com toda a controvérsia que isto significa. O que implica em retirar deste mito seu significado simbólico e emblemático, no caso de Che Guevara, político-ideológico, destituindo-o de todo o seu vigor revolucionário, e transformar sua persona num ícone, dotado de valor de mercado. Sua imagem passa, então, a ser utilizada como adorno, adereço fashion, invólucro publicitário, sem que este uso traga embutido em si qualquer compromisso com as idéias ou ações do apropriado. Sua imagem, assim, não causa frisson, controvérsia, pois quem usa uma camiseta, boné ou broche seu pode não ter a mínima idéia de quem ele foi ou quanta polêmica causou nos ebulitivos anos 60.

Esta diluição não se restringe apenas aos citados ícones, se presta também às apropriações desbaratadas de neonazistas, de movimentos direitistas, travestidos de neo-marxistas, de peças teatrais, que tentam fazer uma ponte entre suas idéias e as de Mahatma Gandhi (1869/1948), e supremo sacrilégio; transformar seu martírio em corrente religiosa, na Bolívia, onde foi executado pela CIA, o serviço secreto estadunidense, com ajuda do Exército boliviano. Duarte e Mariño não se furtam em mostrar como isto se dá, indagando as razões de como isto se deu, em entrevistas diretas com os envolvidos. Num dado momento a boliviana, devota de Che, vai à igreja ofertar-lhe flores e tenta, com fervor, acender uma vela em penitência. Noutra seqüência, outra boliviana relata o milagre que se deu com ela. Cada uma delas tem uma história para contar, tornando Che um santo a quem se deve oferecer uma prece.

Adeptos comparam Che a Jesus Cristo

Ainda que os diretores tentem contornar a polêmica, com depoimentos de professores e pessoas que não vêm nenhuma ligação entre Che e religião, não são poucos que o ligam a Jesus Cristo. Uma demonstração de que, por mais equivocada que seja a mutação de Che em mártir, e daí num santo, suas idéias se entranharam no seio do povo boliviano. Este, na falta de um forte movimento político que os tire do atraso, da penúria e da falta de perspectivas, se vale de sua luta para entronizá-lo no panteão das divindades. Fato que perdura mesmo nestes tempos de Evo Morales e suas dificuldades para mudar seu país e torná-lo cada vez mais independente. Uma questão de independência nacional que os jovens neonazistas identificam com a luta empreendida por Che quando da Revolução Cubana, depois no Congo, com Patrice Lumumba (1925/1961), e por último na Bolívia. E, na visão equivocada deles, tanto Che quanto Hitler era nacionalista. E percorrem as ruas de Berlim enfiados em camisetas com a face do líder cubano estampada, diante de jovens de esquerda que protestam contra sua presença.

Não menos desbarata é a apropriação que o parlamentar chinês, de Hong Kong, faz de Che. Usa sua camiseta para identificar o líder revolucionário com a oposição que faz ao governo chinês continental. E não se importa muito com o uso que os jovens chineses fazem dos mesmos ícones que ele. Confunde sem dúvida aqueles que buscam uma via adversa à que ele defende. Em dado momento do filme, os diretores Duarte e Mariño, também roteiristas e produtores, embaralham ainda mais a diluição do mito Che, com a entrada em cena dos latino-americanos. São eles que irão recolocá-lo nos devidos lugares. A começar pelo salvadorenho, Carlos, que tem verdadeira adoração por Che, sem que isto implique em envolvimento político-ideológico. Diferente do cubano, morador de Havana, tomado de admiração e encantamento pelas idéias (“A Guerra de Guerrilhas” e “O Socialismo e o Homem em Cuba”) e feitos do líder revolucionário. Mas não só ele; há nas escolas toda uma didática histórica sobre o papel que ele jogou na Revolução Cubana ao lado de Fidel Castro.


Mídia o transformou em ídolo pop

Destoante é a pressão exercida pelos cubanos anticastristas, radicados em Miami, Estados Unidos. Como não poderia deixar de ser, pintam-no de todas as cores, seguidas de xingamento e pregação anticomunista. É hilariante a cena em que eles discutem com Carlos e uma cubana intervém. Sobram impropérios para todos os lados. A razão, embora desencontrada, chega com as análises feitas pelos biógrafos de Che, o estadunidense Jon Lee Anderson e o mexicano Jorge G. Castañeda, o cientista político e franco-atirador Christopher Hitchens e o fotografo e marqueteiro da Benetton, Oliviero Toscanini. Cada um deles envereda pelo campo simbólico da transformação do revolucionário em grande mito, pop-star e ícone do Século 20. Nenhum deles, entretanto, discute a importância do revolucionário Che Guevara, ficam na superfície, como se estivessem avaliando uma estrela midiática, apenas.

Prestam-se a sustentar a tese da diluição feita pelos diretores Duarte e Mariño. E equilibram, desta forma, o propósito deles, diretores, de atestar com seqüências brilhantes, iguais às da impressão de camisetas e sua reprodução em série, ampliadas para dezenas delas, numa representação pop das telas de Andy Warhol. Che surge sem sua dimensão político-ideológica, isento de qualquer traço revolucionário. Ali ele é tão só o ídolo pop vendável em qualquer loja da moda ou banca de rua, estampado em roupas, gadgets, brincos, broches e bandeiras. Uma representação de que o sistema capitalista o absorveu enquanto produto e o expeliu enquanto líder comunista. E destuído deste traço pode circular pelo planeta. Ainda que em certo momento, Duarte e Mariño o mostre estendido numa espécie de masrmorra; os cabelos desgrenhados e os olhos vítrios, sua morte o transfigure. Principalmente quando o ex-agente da CIA conta como foi tramada sua execução, é que o filme deixa a análise do simbólico e entra na controvérsia histórica.

Jovens e trabalhadores devem recuperar suas idéias políticas

Mas é nos momentos de desencontros de informações, opiniões eivadas de emoção e de checagem de sua mutação em produto que seu mito é reforçado. Se o sistema capitalista temeu pelo que ele podia fazer enquanto líder revolucionário nos anos 60, e o executou, a tentativa agora de esvaziar o que restou de suas idéias é ainda mais emblemático. Oliviero Toscanini reforça esta crença ao dizer que Che viveu para se transformar numa foto; a que o grande fotógrafo cubano, Alberto Córdoba o eternizou com o semblante contraído, ao flagrá-lo na solenidade que reverenciava os 100 marinheiros mortos na sabotagem de um navio cubano, pela CIA, com o semblante contraído.

Uma opinião digna de quem adora controvérsia. Toscanini sabe do que está falando. Ele mesmo usou as campanhas da Benetton para chamar atenção de tragédias como a da AIDS, enquanto vendia as criações da multinacional fashion italiana. Aos herdeiros de Che, espalhados pelo mundo, cabe se apropriar desta sua mutação em superstar, dotá-lo de suas idéias revolucionárias e colocá-las a favor das reais transformações no planeta. Che é, em suma, o único mito dos anos 60 realmente planetário, o que ajuda a juventude e os trabalhadores nessa tarefa. O filme, no entanto, tenta equilibrar posições, ouvindo vários lados, às vezes com humor. Muitas vezes, os diretores-entrevistadores se contrapõem aos adeptos do Che/Santo, e estes os questionam, também. Sem se tornarem Michael Moore (“Sincko/Fahrenheit”), eles acabam por virar personagens, tirando o caráter de suposta isenção do cineasta. Resta no final, a impressão de que quanto mais controvérsia houver sobre o Che/homem/revolucionário, mais seu mito cresce e sua imagem se presta ao mercado de bens simbólicos, em completa contradição com o que ele pretendia.

“Personal Che” (“Personal Che”). Documentário. Colômbia/EUA/Brasil. 2007. 87 minutos. Direção/roteiro/produção/fotografia: Doulglas Duarte/Adriana Marino.

Trailer no Youtube

http://www.youtube.com/watch?v=1nyBxg32Wd0




*Cloves Geraldo, Jornalista

1839 - Dia do Manuel Congo

Enforcado em Vassouras, RJ, o chefe quilombola Manuel Congo. A prisão de Manuel e a destruição de seu quilombo, nos contrafortes da serra do Mar, foi tarefa do futuro duque de Caxias, na época capitão.

Manuel
Congo

Alegria dos pobres


"Quando o chefe da Nação diz que governa para todos, porém com atenção especial aos carentes ele convence de que não é da boca para fora. Ainda bem!"
Maria Tereza Correia/D.A Press - 30/06/08
Presidente Lula sabe como falar direto ao coração do povo

Pode-se falar o que cada um de nós quiser a respeito do presidente da República, mas uma coisa ninguém consegue contestar: Lula tem uma rara capacidade de comunicar-se com os pobres e passa a sensação de que, de fato, é no meio deles que se sente à vontade. E quando o chefe da Nação diz que governa para todos, porém com atenção especial aos carentes ele convence de que não é da boca para fora. Ainda bem!

Participando do Festival de Lixo e Cidadania o presidente já exibia aquela alegria que obrigou os demais oradores a acelerarem os discursos. Com o microfone, arrancou aplausos o tempo todo; afinal, disse um monte de coisas que todos sentimos, mas um presidente da Republica não costuma dizer, como comparar o passo das modelos na passarela ao trocar de pernas de um bêbado e dizer que as roupas comumente usadas em desfile ninguém jamais irá usar porque são incompatíveis com o dia-a-dia das ruas.

Mas é no recado político que ele contagia: disse, entre outras coisas, que quando o filho de um catador de papéis se tornar doutor em uma universidade pública brasileira ele vai tomar um porre. E aquela gente mais que humilde (muitos dos homens estavam embriagados) foi ao delírio.

E, convenhamos, nunca foram tão bem tratados antes como nos últimos anos. Não me venham os pessimistas de plantão perguntar de que vale uma noite só ou dizer que alegria de pobre dura pouco. Belo Horizonte construiu, graças a Patrus Ananias, Célio de Castro e Fernando Pimentel, um relacionamento respeitoso com os catadores que ganharam dignidade. Agora, terão até carrinho elétrico. E merecem. Antes, não eram sequer percebidos na paisagem das grandes cidades.

Festival de esperança : 7ª edição do Festival Lixo e Cidadania

Pensando a justiça, cabe ao Estado a tarefa inadiável de trabalhar por uma ordem justa na sociedade, como dever central da política
Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
A 7ª edição do Festival Lixo e Cidadania, em Belo Horizonte, nesta Semana da Pátria, recoloca no horizonte da sociedade a situação dos mais pobres, os catadores, com o desafio de colocá-los como prioridade da pauta de ações sociais e encaminhamentos políticos urgentes. Consolida-se o compromisso do poder público de cultivar um entendimento da atividade dos catadores de material reciclável, pelas ruas das cidades, como um serviço prestado à sociedade, como oportunidade de trabalho digno, com o compromisso em sancionar leis que lhes dêem as necessárias condições de trabalho sem serem engolidos por projetos milionários terceirizados. No horizonte está o projeto de conquistar a legislação que garanta uma organização social respeitando os catadores na sua condição pobre sem macular o direito intocável de sua dignidade. Estas perspectivas que configuram os cenários de grandes ações, gestos e de presenças políticas significativas não podem deixar de evocar o sentido, a motivação, o ponto de partida e o alcance deste trabalho magnífico, como é o caso da Asmare e outras organizações do gênero.

Não é possível esquecer, sob pena de injustiça, as razões fortes e a generosidade da doação de pessoas que, silenciosamente, sustentadas pela convicção da fé e do amor, incentivam estes processos e lutam pela concretização destas conquistas. São admiráveis as pessoas comprometidas com a causa. Quanto maior é o comprometimento, mais discreta é a presença, constituindo uma lição de amor verdadeiro, sem tirar proveito algum para si a não ser o bem da causa, dos mais pobres. Ainda que no cenário das discussões estejam figuras e vozes políticas, com a importância do seu compromisso e a sua indispensável autoridade para concretizar as políticas públicas significativas neste âmbito, o pano de fundo deste mesmo cenário é, incontestavelmente, a Igreja Católica na sua condição, com suas pastorais sociais, referência especial à Pastoral de Rua, confirmando o que diz o papa Bento XVI, no seu discurso inaugural da 5ª Conferência dos Bispos da América Latina e do Caribe: “A Igreja é advogada da justiça e defensora dos pobres”.

A Igreja está sempre mais consciente do cuidado especial e da atenção e trabalho em prol da promoção humana como seu compromisso inalienável, que define a reafirmação cotidiana da opção preferencial pelos pobres como documento comprobatório da autenticidade da Igreja como verdadeira esposa de Cristo. Quando se chega a mais um Festival Lixo e Cidadania, já foi percorrida uma longa distância, com o enfrentamento de batalhas e dificuldades, entendimentos não favoráveis, tantas vezes, da causa dos catadores. Neste caminho a Igreja se faz companheira dos irmãos mais pobres, inspirando e dando sustento a estes projetos. E a Igreja se faz companheira dos irmãos mais pobres nesta rota, sem nenhum outro interesse. Esta é a sua missão no mundo. Esta é uma resposta de fé, fecundando a cidadania, com o anúncio e concretização do propósito de ajudar cada ser humano a descobrir em Deus o significado último de sua existência.

A Igreja se sustenta desta convicção de que ela pode responder às aspirações profundíssimas do coração humano. A capacidade de resposta que a Igreja nutre entre os seus vem do fato de que sua fé é a partir de Cristo. O Compêndio de doutrina social da Igreja, 578, recorda que a Igreja ensina ao homem que “Deus lhe oferece a real possibilidade de superar o mal e alcançar o bem”. Isto é possível porque a “esperança cristã imprime um grande impulso ao compromisso no campo social, infundindo confiança na possibilidade de construir um mundo melhor”. De um lado é dever do Estado conseguir criar uma política inclusiva. Por outro lado, a Igreja participa destes processos sinalizando o horizonte de sua esperança, convocando a todos para que se empenhem de tal maneira que a luz dos valores do evangelho vá permeando e fecundando uma compreensão nova da vida e dos compromissos sociais e políticos.

A realidade da vida dos catadores delineia um horizonte que exige empenho em prol da justiça e a audácia generosa do serviço da caridade. Pensando a justiça, cabe ao Estado a tarefa inadiável de trabalhar por uma ordem justa na sociedade, como dever central da política. O serviço da caridade é a presença profética e amorosa da Igreja inspirando e se comprometendo, permanentemente, com a vida digna de todos. Esta mesma realidade, bafejando estas duas importantes instituições, o Estado e a Igreja Católica, faz com que se toquem fé e política. Ora é a fé inspirando, por sua profecia, caminhos mais comprometidos do Estado na sua obrigação política de garantir a justiça. Ora é o Estado recebendo o suporte fecundo da fé por sua força única. Assim se realiza um festival de esperança.

INFLAÇÃO


Alívio na baixa renda


Agosto fechou com uma boa notícia para a população de baixa renda. Segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a variação de preços para famílias com renda entre um e 2,5 salários mínimos ficou negativa em 0,32% no mês, enquanto a taxa para o conjunto da população (calculada pelo IPC-BR) verificou alta de 0,14% no mesmo período. A deflação registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1) foi puxada pela queda média de 1,35% nos preços dos alimentos, que têm maior peso sobre este indicador do que sobre o IPC-BR. Segundo a FGV, a taxa do IPC-C1 de agosto é a menor desde junho de 2006, quando ficou negativa em 0,57%.

Programa incentiva formação de leitores

Carlos Herculano Lopes
Beto Novaes/EM/D.A Press
No lançamento, a atriz Cássia Kiss leu livro de Bartolomeu Queirós
Como parte da programação da 7ª edição do Projeto TIM Estado de Minas Grandes escritores – que, este ano, beneficiará 25 cidades mineiras, além de municípios da Bahia e do Espírito Santo –, foi lançada ontem, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, em Belo Horizonte, a segunda edição do programa Forma Leitores. No evento, a atriz Cássia Kiss leu trechos do livro Até passarinho passa, do escritor Bartolomeu Campos Queirós, e os contadores de história Francisco Gregório e Sandra Bittencourt encantaram as crianças presentes. Representantes das cidades contempladas no projeto receberam 2,5 mil livros.

Marcelo Andrade, coordenador do programa, lembra que o homenageado especial deste ano é o jornalista Zuenir Ventura, autor de 1968 – o que fizemos de nós. A idéia do Grandes Escritores começou em Viçosa, quando ele era secretário municipal de Cultura. “Lá foi o início do sonho. Desde então, temos levado a várias cidades os grandes autores deste país para falar de suas obras, além de doar milhares de livros. Nosso maior objetivo é ajudar a formar leitores e a divulgar a literatura brasileira”, diz Marcelo.

Para Maria José de Souza Carmo, gerente executiva de comunicação e marketing do Estado de Minas, o jornal trabalha com palavras, pois elas ajudam a mudar vidas. “O projeto também é assim. Por isso, nós o apoiamos com o maior entusiasmo”, afirma. Maurício Bianco, gerente de assuntos corporativos da TIM, credita o sucesso da iniciativa à política cultural envolvida. “São ações como esta, realizadas com paixão e profissionalismo, que garantem o sucesso do programa”, diz Maurício.

Pesquisa mostra dificuldade de acesso a programas sociais pelos moradores de rua

Benefício negado

Glória Tupinambás
Sidney Lopes/EM/D.A Press
Salim de Sá ensinou os participantes da oficina O mundo real como fazer e tocar instrumentos produzidos com material reciclável

Quase 90% dos moradores de rua do país não recebem qualquer benefício de programas sociais do governo, como Bolsa-Família ou aposentadoria. Dados da Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua, feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), deixam claro o retrato perverso da exclusão, que ocorre até em projetos de assistência pública. O levantamento, em 71 municípios brasileiros, foi apresentado ontem, em Belo Horizonte, durante o Festival Lixo e Cidadania. Em Minas, cinco cidades foram analisadas: Betim e Contagem (na região metropolitana), Juiz de Fora (na Zona da Mata), Uberlândia (no Triângulo Mineiro) e Montes Claros (no Norte do estado).

A pesquisa identificou 31.992 pessoas com 18 anos ou mais morando nas ruas dessas 71 cidades. Dessa população, apenas 11,5% são atendidos por programas sociais, sendo que 3,2% recebem aposentadoria, 2,3% são contemplados com Bolsa-Família e 1,3% ganham Benefício de Prestação Continuada de Assistência Social (BPC). O levantamento foi feito, entre outubro de 2007 e janeiro deste ano, em 23 capitais e 48 municípios com mais de 300 mil habitantes. Belo Horizonte, São Paulo (SP), Recife (PE) e Porto Alegre (RS) não participaram por já terem estudos semelhantes. Em BH, o Censo de População de Rua, feito em 2005, constatou a existência de 1.164 adultos nessa condição.

Os moradores de rua representam menos de 1% (0,061%) da população das cidades analisadas. A pesquisa ouviu pessoas em situação de rua que vivem em calçadas, praças, rodovias, parques, viadutos, postos de gasolina, túneis, depósitos, prédios abandonados, lixões ou passam a noite em instituições de passagem e apoio, como albergues, abrigos e igrejas. Foi identificada uma maioria masculina, que representa 82% do público total. Pouco mais de 50% deles têm entre 25 e 44 anos e 30% se declararam negros.

Os resultados serão usados pelo governo federal para desenvolver uma política nacional de inclusão dessa população. “A proposta é construir um plano de ações que envolva todas as esferas: cultura, segurança alimentar, moradia, saúde, educação e direitos humanos. O MDS está incluindo essas pessoas no cadastro único para programas do governo federal, pois a pesquisa mostra que há uma sinergia perversa da exclusão. Apenas 11,5% dessas pessoas têm acesso a benefícios da assistência social, apesar de serem o público mais necessitado. O problema pode estar no desenho dos programas, que tem base de cadastro domiciliar. O mesmo ocorre com serviços de saúde e educação, o que caracteriza uma vulnerabilidade composta de várias facetas”, afirma a coordenadora-geral de Avaliação e Monitoramento do MDS, Júnia Quiroga.

DIREITOS HUMANOS O Festival Lixo e Cidadania promete debater temas sociais e agitar a programação cultural de BH até sábado. A sétima edição do evento, que este ano traz como tema os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, conta com apresentações teatrais, exposições e feiras de produtos reciclados. Uma das principais atrações é a Central de Idéias, que reúne trabalhos de 20 artistas, comSalim de Sá, de 39 anos, coordenador da oficina O mundo real melhor. Em suas mãos habilidosas, tampinhas de garrafa, chaves velhas, filmes fotográficos usados, tubos de PVC, garrafas PET e embalagens descartáveis viram instrumentos musicais e ajudam a mudar a realidade de 50 jovens carentes de Contagem.

Da flauta de três notas, do apito de êmbolo ou dos tambores de sacos de cimento e radiografias antigas Salim tira os sons que encantam a juventude. “Construímos instrumentos de sopro, de corda e de percussão e ensinamos os garotos a tocar. Mas também vamos mais longe e contamos a história dos objetos, como eles chegaram ao Brasil e como foram apropriados na nossa cultura. Além da importância social, ajudamos a preservar o meio ambiente e aproveitamos tudo o que seria descartado no lixo”, diz Salim. Um outro destaque do evento é o artista Wilson Passos, que ensinou a produzir aviões feitos com material recicláveis e encantou os presentes com uma miniexposição com as peças mais bonitas.

Para hoje estão previstos dois painéis: Domínio de cadeias produtivas e de energias renováveis e Os condenados da cidade: as multifaces da pobreza e das desigualdades sociais na contemporaneidade. Os debates serão na área principal do festival, no Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), na Rua Belém, 40, no Bairro Esplanada, na Região Leste de BH. À noite, haverá shows de Zé da Guiomar e Mundo Livre S/A, no Lapa Multishow.

Cesariana prejudica relação afetiva entre mãe e bebê, diz estudo

Mãe e filho
Para cientistas, hormônios do parto natural explicam diferença
Mães que dão à luz naturalmente respondem mais ao choro dos filhos do que as que fazem parto por cesariana, sugere uma pesquisa americana.

Tomografias dos cérebros de 12 mães realizadas poucas semanas depois de elas darem à luz mostraram mais atividade em áreas ligadas à motivação e emoções nas que escolheram o método natural de nascimento.

A equipe da Universidade de Yale afirma que as diferenças nos hormônios gerados no nascimento podem ser a peça-chave para explicar o fenômeno.

As contrações, principal característica do nascimento natural, provocam a liberação da oxitocina, um hormônio que os cientistas acreditam que desempenha um papel fundamental no comportamento das mães.

O parto por cesariana não libera o mesmo hormônio.

Depressão

O estudo mostrou que além das diferenças de atividade em áreas do cérebro responsáveis pela resposta aos filhos, a região do cérebro que regula o humor também foi afetada de forma diferente.

Por isso, os cientistas acreditam que o parto por cesariana pode aumentar o risco de depressão pós-parto.

O pesquisador James Swain, que liderou a equipe de Yale, disse que a pesquisa ajuda a explicar as reações químicas que envolvem a ligação afetiva entre mães e filhos.

"Nossos resultados apóiam a teoria de que as variações de condições de parto como as que ocorrem na cesariana, que alteram experiências neuro-hormonais no nascimento, podem diminuir a resposta do cérebro da mãe no começo do período pós-parto", afirma o estudo.

Para o professor James Walker, da faculdade britânica Royal College of Obstetricians and Gynaecologists, já se observou que mães que fizeram cesariana às vezes têm problemas de se relacionar com seus filhos.

No entanto, Walker afirma que os motivos por trás dessa diferença de comportamento ainda não são conhecidos.

Walker ressalta que diferenças de personalidades – e não apenas a diferença no método dos partos – poderiam explicar a diferença na reação das mães analisadas pela pesquisa da equipe de Yale.

Ele também afirma que não há estudos de longo prazo que comprovam que mães que deram à luz por cesariana mantém problemas de relação com o filho no longo prazo.

"Não há dúvida de que muitas mães que fizeram cesariana se tornaram ótimas mães", diz.

Papanicolau deve ser feito anualmente desde o início da vida sexual


FÁBIO GRELLET
do Agora

O câncer de colo do útero --a parte mais estreita e inferior desse órgão-- é o mais comum entre as mulheres brasileiras: corresponde a cerca de 25% dos casos da doença.

Embora possa matar, esse tipo de câncer é totalmente curável quando diagnosticado precocemente. E a principal forma de detectar a doença é por meio do papanicolaou, exame que também permite detectar infecções e doenças sexualmente transmissíveis.

Quase toda mulher já ouviu falar em papanicolau, mas nem todas seguem a recomendação médica: esse exame deve ser feito todo ano, desde o início da vida sexual --ou no mais tardar a partir dos 21 anos-- até pelo menos os 30 anos.

"O exame é recomendado para todas as mulheres no máximo a partir dos 21 anos", recomenda a médica Cláudia Bortoletto, ginecologista do Hospital Estadual Pérola Byington. Ao contrário do que muitos pensam, o exame também pode ser feito em mulheres virgens.

O papanicolaou é feito no consultório. A paciente deita-se em uma cama especial de exame ginecológico que mantêm as pernas dela erguidas para que o médico possa introduzir um espéculo na vagina e colher amostras de secreção das partes interna e externa do colo do útero.

O material coletado é colocado sobre uma lâmina de vidro e enviado a um laboratório para ser analisado. Durante o exame, é comum a mulher sentir um ligeiro desconforto, que poderá ser amenizado se ela relaxar e não tensionar a região pélvica. O procedimento demora poucos minutos.

A análise das células em laboratório investiga indícios de câncer e outras doenças.

Um exame anormal pode indicar que a região cervical está inflamada ou irritada, o que pode ser resultado de uma infecção; que a região cervical apresenta alterações chamadas displasias, isto é, células alteradas ou lesões escamosas que podem desaparecer ou aumentar, mas não são câncer; que a região cervical apresenta sinais de câncer. Nesses casos será necessário fazer outros exames para orientar o tratamento.

"É importante ressaltar que o papanicolaou não é um exame infalível. A paciente pode ter lesões não identificadas pelo teste. Daí a importância de se repetir o exame todo ano", explica a médica.

Mulheres com maior risco de desenvolver câncer de colo do útero podem ser orientadas pelo médico a fazer exames semestrais. Isso é mais comum para as pacientes que apresentaram alguma anormalidade em exame anterior, têm freqüentes infecções vaginais, estão entrando na menopausa ou já fizeram cirurgia de retirada do útero com permanência do colo.

Após os 30 anos, caso dois exames consecutivos dêem resultado normal, ele pode passar a ser realizado a cada dois anos.

Política?

Entenda o que você tem a ver com isso
Por Thaís Pacheco

Como sociedade democrática, aqui no Brasil, as pessoas têm o direito de pensar e dizer o que querem, logo, é possível dizer “não me interesso por política”. Mas essa afirmação precisa ser dita de forma consciente, sabendo-se que, a partir do momento em que você deixa de se interessar pelo que acontece no governo, abandona todos os seus direitos e deveres, pois eles são definidos única e exclusivamente por esse governo no qual você não está interessado.

Estamos falando aqui de impostos, segurança, saúde, educação etc. Vale lembrar também que, apesar da democracia, no Brasil, quem tem entre 18 e 60 anos é obrigado a votar. Aí já mora um exemplo: Se você é contra a obrigatoriedade do voto, vote em alguém que vá lutar contra isso. Quem tem entre 16 e 18 anos ou mais de 60 tem direito a voto facultativo, o que significa que a pessoa é quem decide se quer ou não votar.

Para votar, também é preciso entender alguns detalhes como, quem é quem e faz o que na política, os assuntos que andam na pauta do dia e pra onde vai seu dinheiro. Por isso, de hoje até as eleições, o Ragga Drops traz informações sobre o funcionamento do governo pra tentar te ajudar a se nortear nessa história toda. Se você tem qualquer dúvida, por favor, fale pra gente no raggadrops@hotmail.com.

VERBA DE GABINETE

Toda prefeitura deve entregar um percentual da arrecadação à câmara de vereadores do município. Esse dinheiro é usado para pagar os funcionários do gabinete de cada vereador, o salário dos vereadores e a verba de gabinete, que serve para custear gastos normais de uma empresa, como transporte e material de escritório, por exemplo. Em Belo Horizonte, o salário de um vereador é R$ 9.288, a verba de gabinete é R$ 15 mil e a verba pra contratação de até 15 funcionários pode chegar a R$ 30 mil.

>>Vale saber: Os vereadores não são obrigados por lei a prestar contas à sociedade, porém, alguns o fazem. Em Belo Horizonte, dos 41 vereadores, apenas três publicam seus gastos na internet. São eles: Neila Batista, Carlão e Arnaldo Godoy. A prestação é divulgada através do boletim eletrônico da câmara, um mailing que pode ser assinado no site. Aliás, os três apresentaram o projeto de lei Pela transparência na câmara, que visa fazer com que todos os vereadores prestem contas.

NEPOTISMO



Nepotismo é quando alguém, eleito por você, contrata um parente pra trabalhar - ser seu funcionário. Por exemplo, se o prefeito contrata o filho pra ser secretário, é nepotismo. Isso é considerado antiético porque, teoricamente, os cargos públicos deveriam ser preenchidos por pessoas preparadas e não indicadas, o que garantiria que a verba pra pagamento de funcionários - arrecadada com o imposto pago pelo povo - seria aplicada na pessoa mais preparada para o cargo.

>>Vale saber: No dia 20, por decisão do Supremo Tribunal Federal, nepotismo foi proibido nos três poderes (executivo, legislativo e judiciário) e isso inclui prefeituras e câmaras de vereadores. Agora, chefes, diretores e servidores de órgãos públicos estão proibidos de contratar parentes até 3º grau.

Quatro Elementos

Por Bernardo Biagioni
Família de Rua/Divulgação

Os movimentos do break são conduzidos numa velocidade que se perde no ar. As palavras do MC percorrem a atmosfera até serem absorvidas pelo grafite desenhado na parede, no teto e na terra. O suor corre pela testa como água torrencial. O DJ acelera e tranqüiliza, seus dedos deslizam sobre o disco e criam faíscas, fogo. Misture tudo. Coloque aí: break, MCs, DJs e o grafite. Misture o poder da água, a pureza do ar, a firmeza da terra e o descontrole do fogo. O resultado é seu, mas também é pra todos: Ritmo e Poesia, Rithym and Poetry, ou se preferir: Rap.
“É um estilo musical, uma manifestação artística. O cara que canta rap é aquele que se identifica com o estilo e o toma como trabalho ou diversão. Pode ser uma pessoa que nasceu com esse dom e, de uma hora pra hora, se descobre fazendo rap”, define o MC Pdr, nome de trabalho de Pedro Valentim, de 24 anos. Nas palavras de quem encara um microfone, vale tudo: “Preza-se pela poesia, pelas rimas. Mas os assuntos são os mais diversos possíveis. Eu posso falar sobre vida cristã, criticar a sociedade ou homenagear minha mãe. Há liberdade pra isso”, explica Pdr.

Para o corretor de imóveis e MC Pedro Vukf, de 20 anos, o rap é mais que um estilo de vida: “É a forma como eu observo a cidade, como vejo as pessoas. Rap é o meu ciclo de amizades, é a maneira como penso”, conta. Alexandre Durante, ou MC Dante, de 16, faz coro: “Apesar de ter começado a rimar há pouco tempo, o rap foi algo que nasceu comigo. Não consigo imaginar minha vida sem a idéia de cantar e fazer rimas”, confessa o estudante.

Em Belo Horizonte, o movimento vem ganhando corpo: “A cultura hip hop tem se fortalecido bastante, sobretudo por estarmos voltando às nossas origens, que é a rua”, conta Pedro Vukf. “Há diferenciações de estilo e preferências, entre outras coisas, mas existe um respeito bacana. Eu percebo que a galera tenta se ajudar, fortalecendo com trabalho dos outros e indo aos shows”, completa Pedro Valentim.

Se depender de Vukf, a brincadeira ainda vai longe: “Rap é um lado diferente da música. É onde me expresso, coloco os meus sentimentos. O rap pode ser qualquer coisa. Mas antes de tudo ele é sincero”, conclui.

GÍRIAS:
• Flow: fazer rima em cima de uma batida.
• Beat: bases instrumentais usadas pelos MC´s
• Sample: trechos musicais retirados de canções

SITES:
duelodemcs.blogspot.com
bocadaforte.com.br
sopedrada.blogspot.com

QUADRINHOS : Crescer é Dureza

Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali viram adolescentes e entram na onda dos mangás
Marcello Castilho Avellar
Fotos: Maurício De Souza/Divulgação
Os personagens Mônica e Cebolinha ganharam novo visual

Maurício de Sousa prometeu, Maurício de Sousa cumpriu: os fãs da turma da Mônica já podem encontrar, nas bancas, a versão adolescente dos mais amados heróis dos quadrinhos brasileiros. O primeiro volume de Turma da Mônica jovem foi lançado com preço promocional (R$ 5,90, R$ 0,50 a menos do que será cobrado pelas próximas edições) e mostra Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali, Franjinha e o Anjinho – muitas vezes com novos nomes ou apelidos – às voltas com um antigo inimigo, o Capitão Feio.

Turma da Mônica jovem busca solução para dois problemas levantados por sua própria proposta. Primeiro, como produzir a identidade entre as versões adolescentes das personagens e as crianças que conhecemos há décadas. Segundo, como produzir interesse no público adolescente, obviamente o mercado consumidor cobiçado pela nova série. Entre as respostas que Maurício de Sousa e sua equipe estão investigando, há as que solucionam tais questões, enquanto outras apenas empurram os problemas para mais adiante.

Maurício de Souza busca novos mercados

Em relação à primeira questão, Maurício joga com a possibilidade de choque entre identidades visuais e transformações: algo permanece em relação à personagem, algo muda, as duas coisas intimamente ligadas. Tomemos como exemplo os cabelos do Cebolinha. Eles cresceram, o que é uma transformação significativa em nosso olhar sobre a personagem. Mas cresceram em tufos que evocam as cinco pontas que sempre associamos a ela. Mônica é uma jovem moderninha – mas guarda, como lembrança, um dos vestidinhos vermelhos que usava quando menina.

Para a conquista do público, a estratégia mais ostensiva é a aproximação com a atual coqueluche dos quadrinhos internacionais, o mangá. A capa de Turma da Mônica jovem traz um selo que diz “em estilo mangá”.

É meia-verdade apenas. A revista se apropria de elementos que associamos ao mangá, como as imagens boquiabertas e de olhos arregalados quando as personagens ficam furiosas ou perplexas. Mas, essencialmente, tem a lógica das revistas de Maurício de Sousa, tanto na narrativa quanto na concepção das imagens.

STEREOTECA : Celebrando a Tradição



Dona Maria do Batuque faz show esta noite na Biblioteca Pública
Janaina Cunha Melo
Francilins/Divulgação
Dona Maria do Batuque se prepara para lançar o primeiro disco

A artista Dona Maria do Batuque participa hoje do projeto Stereoteca, às 20h30, no Teatro da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, com ingressos a preços populares. Aos 77 anos, ela lembra que começou a cantar há sete décadas. Da informalidade do interior, na cidade de São Romão, onde nasceu, aos palcos tradicionais da capital, ela comemora apresentação em Belo Horizonte.

“Comecei acompanhando meus pais e meus avós, nas festas que aconteciam em casa”, conta. “Agora, canto com outras pessoas da minha família, netos e sobrinhos”, acrescenta, lembrando o aprendizado que atravessa gerações. “Na nossa casa, todo mundo já nasce gostando de cantar e dançar.”

No palco, ela faz show com 20 músicos convidados, que mostram repertório inspirado na tradição do batuque do interior mineiro, preservada em rituais da cultura popular celebrados há séculos pela família de Dona Maria na Região Noroeste do estado.

A artista se prepara para lançamento do CD de estréia, no Festival Internacional de Cultura Popular, dia 12. O álbum duplo O batuque vai abaixo? Ele não vai não!, com 80 faixas, tem repertório voltado aos ritmos dos tambores e canções populares. Antes da apresentação de hoje, o compositor Vandder Lima faz show pelo projeto Pão e Poesia.

DONA MARIA DO BATUQUE
Hoje, às 20h30, no Teatro da Biblioteca Pública Luiz de Bessa (Praça da Liberdade, 21, Funcionários). Ingressos a R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia-entrada). Informações: (31) 3222-3242.

I - Bienal de Grafite de BH

Ontem, ao som do Dj Fmx, enquanto aguardava o início do seminário - que se deu com um pequeno atraso por conta de problemas com um dos palestrantes, que foi prontamente substitído por Rui Santana -, resolvi conversar com algumas pessoas que apreciavam as exposições.

Desde o primeiro dia de Bienal, a diversidade do público me saltou aos olhos. Achei curioso, pois não sabia que o graffiti, essa provocativa arte comtemporânea, consegue agradar públicos tão distintos.

Erik Alves, 21, estudante de Engenharia Ambiental, estava impressionado em ver como a arte do graffiti consegue expressar perfeitamente a voz de um povo. “Não digo que são pinturas engajadas, mas elas refletem uma realidade. Os artistas fazem críticas, apelos, dão conselhos, pregam a paz. Muito bacana isso. Nunca tinha visto obras como essas daqui. Aliás, o único contato que eu já tinha tido com o graffiti foi através das ruas mesmo”.

Inclusive, não é difícil encontrar leigos, nos que diz respeito ao graffiti, conferindo a Bienal. E disso se faz valer o objetivo de disseminar a arte para o maior número de pessoas possível. “A idéia de uma Bienal, gratuita ainda por cima, foi excelente. É só ver o meu caso: entrei sem nem saber onde estava pisando e agora estou saindo com uma visão totalmente diferente a respeito do graffiti” - completa Erik.

Em outra parte do galpão da Serraria, um grupo de amigos se divertia com as obras. Rafael Silveira, 23, estudante de Design e aspirante a grafiteiro, disse que nunca viu uma coisa igual. “O trabalho desses artistas ficou espetacular. Quase não acreditei quando fiquei sabendo como isso tudo aqui foi feito!” As exposições foram erguidas em apenas três dias. Foram 134 artistas trabalhando sem parar, em condições que poderiam ser melhores. “Isso aqui tá incrível” - emendou Rafael.

Percebi que o som do Dj tinha parado. Satisfeito com as breves conversas que tive, fui me sentar para acompanhar o seminário. Algumas cadeiras ao lado, uma senhora também esperava. Me sentei ao lado dela e perguntei o que ela tinha achado das exposições. Sebastiana Fialho, 63, artista plástica desde os 27, me respondeu que tinha gostado muito. “Ainda não terminei de ver todos os corredores, mas até agora gostei muito do que vi”. A ocorrência de pessoas mais velhas visitando à Bienal é também uma constante. “Vai começar! Vamos ver o que essa galera mais nova tem pra falar” - finalizou Dona Sebastiana.

Enviado por: Redação Street -

Estudantes Surfam nas Ondas do Rádio

Parceria da UFMG e da Secretaria de Estado da Educação ensina alunos de escolas públicas a levar ao ar programas radiofônicos
Paulo Henrique Lobato
Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Inauguração do estúdio na Escola Nossa Senhora do Belo Ramo entusiasma estudantes e professores

O recreio em 14 escolas públicas de Belo Horizonte ficará mais alegre: caixas de som espalhadas pelas instituições vão divulgar, nos intervalos das aulas, programas de rádio feitos pelos alunos. É o projeto Rádio Educativo, desenvolvido pela UFMG e levado aos estudantes em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SEE). O programa ajuda na formação soecioeducativa dos jovens e é visto como importante ferramenta para evitar o contato com o mundo do crime.

O primeiro estúdio foi inaugurado ontem, na Escola Estadual Nossa Senhora do Belo Ramo, no Bairro Nova Granada, Região Oeste da capital. É lá que os estudantes da instituição e das outras 13 escolas vão aprender a lidar com os equipamentos. O projeto prevê que 10 alunos de cada unidade sejam treinados para ensinar os colegas como preparar os programas e colocá-los no ar. O programa-piloto foi desenvolvido pelos adolescentes Wagner Júnior Esteves Xavier, de 13 anos, e Walif Vítor Pereira de Lima, de 14, que ficaram emocionados com o resultado final.

A dupla mostrou a alegria e importância do hip-hop. “As letras pregam mensagens de paz. Agora, vamos ensinar outros amigos”, diz Wagner. No programa, com duração de cinco minutos, ele e Walif encenam um diálogo sobre esse ritmo e sua contribuição para um mundo melhor. “Instrumento de largo alcance de fácil acesso, considerando o seu baixo custo, o rádio tem sido usado com mais freqüência como um recurso didático para a educação”, explica Fábio Martins, professor da UFMG e coordenador do projeto.

As escolas que integram o programa fazem parte do Projeto Educação Afetivo-Sexual (Peas) da SEE. Serão capacitados alunos de duas escolas por vez. As aulas terão duração de 20 dias úteis e vão abordar temas como história do rádio, a chegada do primeiro veículo eletrônico de comunicação de massa ao Brasil, os anos dourados das emissoras brasileiras, redes via satélite, variação lingüística, textos orais e texto oralizado etc.

A intenção é que os programas produzidos pelos estudantes sejam enviados a todas as instituições da rede estadual da Grande BH por meio do e-mail de cada unidade. A experiência na Nossa Senhora do Belo Ramo deixou os jovens entusiasmado. Alguns, como Wagner e Walif, já pensam em levar a brincadeira mais a sério. “Quero ser locutor e cursar faculdade de jornalismo”, deseja o mais velho.

A diretora da unidade, Rosely Tavares Alves Pardini, afirma que a novidade veio para ajudar não só na formação das crianças e adolescentes, mas também na dos professores. Participam também do projeto as escolas estaduais Padre João Bosco Penido Burnier, Henrique Diniz, Geraldina Soares, Silviano Brandão, Flávio dos Santos, Professor José Mesquita de Carvalho, Professor Fontes, Sagrada Família, Getúlio Vargas, Ari Franca, Cândido Portinari, Presidente Dutra e o Instituto de Educação de Minas Gerais.

Violência Doméstica

Fale sem medo: “Não à violência doméstica”
A cada 15 segundos pelo menos uma mulher é espancada no Brasil. Mas a minoria recorre ao Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). Entenda o que pode ser considerada “violência doméstica” e a quem recorrer neste caso

Glycia Emrich

O que é?

A Lei Maria da Penha (que acaba de comemorar seu segundo aniversário) especifica que a violência contra a mulher pode ocorrer em três esferas:

- Doméstica: Na residência onde convivem parentes ou não, incluindo pessoas que a freqüentam ou são agregadas;
- Familiar: Indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade;
- De qualquer relação íntima de afeto: Aqui o agressor pode conviver ou ter convivido com a vítima, independentemente se vivem debaixo do mesmo teto e se são hetero ou homossexuais.

Tipos de violência

Psicológica: Atitudes que atingem a auto-estima da mulher, exemplo: que a manipulem, intimidem ou que a façam sofrer ameaças, agressões verbais, humilhação e isolamento.

Física: Nada de dizer que “um tapinha não dói”. Aqui se enquadram os atos que ofendem a integridade física da mulher, como: tapas, socos, pontapés, beliscões, empurrões, puxões de cabelo e arranhões.

Sexual: Ninguém é obrigada a manter relações sexuais contra a sua vontade.

Moral: Qualquer ato que configure calúnia, difamação ou injúria.

Patrimonial: Destruição de objetos pessoais (instrumentos, documentos e outros pertences) ou transferência de bens à força.

Ligue 180

Em qualquer um dos casos acima, você deve recorrer ao Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher). “Cada atendimento muitas vezes pode significar uma vida salva”, sinalizou a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, durante a coletiva de imprensa da campanha “Fale sem Medo – Não à Violência Doméstica”, promovida pelo Instituto Avon, em São Paulo.

Basta um telefonema: “Tivemos casos em que as mulheres que estavam sendo agredidas naquele momento conseguiram se trancar em um banheiro e, através de um celular, ligar na Central, que acionou a polícia e fez a prisão em flagrante”, relata a ministra.

Neste ano já foram registrados mais de 200 mil atendimentos na Central. Mas isso ainda é pouco diante da realidade. “Somente 1% dos entrevistados diz conhecer ou achar que as mulheres que vivenciam a violência recorrem ao número 180. Mas se ampliarmos o conhecimento sobre ele (Ligue 180), imagine quantas mulheres poderemos ajudar e quantas vidas poderemos salvar?”, comenta Nilcéa.

Avon Foundation

A atriz hollywoodiana Reese Whiterspoon, 32 anos, é embaixadora Global da Avon desde 2007. Ela veio ao Brasil recentemente para ajudar a divulgar o lançamento da campanha (“Fale sem Medo – Não à Violência Doméstica”).

“Como sou famosa e a mídia se interessa pela minha vida, acho importante falar sobre essas questões. A violência doméstica é um tema sem barreiras que afeta todo mundo, independente da situação financeira”, diz a norte-americana protagonista da comédia “Legalmente Loira”

“É perturbador saber que uma em cada três mulheres no mundo inteiro é afetada por algum tipo de violência. Entre todas as mulheres da América Latina, cerca de 30% a 40% já passaram por isso. E bem mais da metade não denuncia!”, aponta Reese. “Apesar de não ter sofrido pessoalmente nenhum tipo de violência, as estatísticas mostram que não existe uma mulher no mundo que não conheça uma amiga ou um parente que esteja sofrendo violência!”, declara ela.

Clube da Luluzinha, nada!

Esse NÃO é um assunto só para elas. A diretora regional do UNIFEM (Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento das Mulheres) para o Brasil e Cone Sul, Ana Falú, chama a atenção: “Precisamos contar também com os homens. E é nesse sentido que o Secretário Geral da ONU, o senhor Ban Ki-Moon, promove uma campanha mundial de conscientização dos homens. E já sabemos que o presidente Lula irá aderir a essa campanha...”, adianta ela.



O Recado das Ruas

Grafites invadem galerias de Belo Horizonte, comprovando a importância da arte urbana para o homem contemporâneo. As exposições Lote 999 e Rua paralela retratam este fato
Walter Sebastião
Rachel Schembri/Acervo pessoal
Bichos inspiram obras de Rachel Schembri

A 1ª Bienal Internacional de Grafite de Belo Horizonte, que tem deslumbrado os visitantes na Serraria Souza Pinto, ganha adesões. Além da programação oficial, duas mostras voltadas para a arte de rua estão em cartaz na capital. São elas: Lote 999, na Belizário Galeria de Arte, e Rua paralela, na Gesto Gráfico. Ambas até trazem grafites, mas enfatizam a diversidade do gênero e mostram outras inovadoras possibilidades da arte de rua.

O uso de adesivos e intervenções urbanas pontua, indiretamente, o flerte dos autores com práticas vindas da arte conceitual e da experimentação. Rachel Schembri tem 24 anos, é formada pela Escola Guignard, grafita há cinco anos e está na mostra Lote 999. Ela gosta de trabalhos que tenham relação com o espaço onde estão inseridos. Vem daí a prática de criar imagens em locais abandonados, em vias de demolição, fazendo com que funcionem a favor desses trabalhos as paredes sujas, “com sua carga de tempo e história”, como explica Rachel. Os bichos (peixes, lobos e cachorros) estão presentes em várias obras dela. A artista conta que, só com o passar do tempo, percebeu que essas eram personagens recorrentes. E, por isso mesmo, prefere deixar para o espectador a questão do significado das imagens.

Maria Clara Xavier/Divulgação
Obra de Alex Valauri integra mostra da Galeria Gesto Gráfico

“Lote 999 reúne obras com visualidades variadas, é mostra jovem e bem contemporânea. Os trabalhos dialogam entre si, mas também deixam ver a personalidade de cada artista”, observa Rachel, creditando esse aspecto ao perfil etário e estético dos participantes. “Não se trata, simplesmente, de trazer a rua para dentro da galeria, mas de fazer o grafite circular por outros espaços”, completa.

Para ela, a troca de ambientes desperta as pessoas para a valorização e a aceitação do grafite. Na exposição, Rachel apresenta pintura criada na área externa da galeria, com lobos uivando e fazendo com que a iluminação ganhe ares noturnos.

Dereco/Acervo pessoal
Trabalho do artista plástico Dereco, exposto na mostra Rua paralela
ADESIVOS
Dereco tem 21 anos, é estudante de filosofia e expõe na mostra Rua paralela. Ele também considera importante a troca de contexto: “A exposição tira as imagens da rua, onde elas podem passar despercebidas e consideradas sem importância, e as leva para lugar asséptico, limpo, de contemplação. Isso faz com que recebam atenção e permite que se perceba que há algo sendo falado nas ruas”, explica. Ele apresenta adesivos com rostos de pessoas com bigodes na série Cidadão comum.

“O título já indica o que é a obra: o trabalho de um cidadão comum querendo o olhar de outro cidadão comum”, afirma Dereco. “Ninguém está reivindicando autoria, privilégio de um suporte, nem contemplação, mas a busca de cumplicidade”, acrescenta. “A arte de rua lida com a realidade, é mais sincera e tem verdade”. Na opinião dele, a soma de todos esses elementos faz a força da arte de rua.

O QUE VER

• RUA PARALELA
Obras de Alex Valauri, Dereco, João Maciel, João Teodoro, Ricardo Tatoo e grupo Colundria Armada. Galeria Gesto Gráfico, Rua Orange, 43, São Pedro, (31) 3225-7628. De segunda a sexta-feira, das 14h às 20h. Até dia 26.

• LOTE 999
Obras de Daniel Ovlha, João Teodoro, Tatoo, Gton, João Maciel, Manoel Carvalho, Rachel Schembri. Belizário Galeria de Arte, Rua Ceará, 999, Funcionários, (31) 3224-5634. De segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 14h. Até dia 13.

• 1ª BIENAL INTERNACIONAL DE GRAFITE DE BH
Vários artistas. Serraria Souza Pinto, Avenida Assis Chateaubriand, 809, Floresta. Diariamente, das 9h à meia-noite. Até domingo. Entrada franca.

PALESTRA

Hoje, às 16h, na Bienal do Grafite, na Serraria Souza Pinto, Roberto Carlos Madalena, coordenador do programa Educação para o mundo do trabalho, do Projeto Quixote, fará palestra sobre o tema Criatividade e cidadania. Ele vai abordar o grafite a partir da experiência desenvolvida na Agência Quixote Spray Arte, voltada para o trabalho e desenvolvimento da cidadania junto a jovens em situação de risco.

A maioridade civil e o direito aos alimentos

O simples alcance da maioridade civil não gera a exoneração imediata da prestação de alimentos, sendo necessária a existência de decisão judicial dispensando a pensão
Paulo Márcio Reis Santos, Advogado, professor universitário, assessor da Comissão de Ensino Jurídico da OAB/MG e mestrando em Direito pela UFMG

Em 13 de agosto de 2008, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 358, enunciando que “o cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos.” A redação da súmula foi proposta pelo ministro Ari Pargendler. Segundo o ministro Antônio de Pádua Ribeiro, ao julgar recurso em que um pai requereu a exoneração do pagamento de pensão ao filho maior de 18 anos, “às vezes, o filho continua dependendo do pai em razão do estudo, trabalho ou doença”.

Com a edição da Súmula 358, a Corte entendeu que não basta o filho completar 18 anos para a cessação do direito aos alimentos. Além disso, compete ao prestador dos alimentos comprovar as condições ou capacidade para a exoneração da pensão, pois “o dever de alimentar não cessa nunca, apenas se transforma com o tempo.”

Apesar de o texto não apresentar efeito vinculante, a consolidação do entendimento pelo Superior Tribunal de Justiça já está provocando críticas e elogios na sociedade. No Congresso Nacional, a aprovação da súmula foi congratulada pelo senador Geovani Borges, do PMDB do Amapá. Segundo o parlamentar, o STJ acertou ao sumular o entendimento majoritário de que a prestação de alimentos não deve ser encerrada após os 18 anos do beneficiário.

As críticas ao posicionamento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça decorrem do fato de a Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), ter reduzido a maioridade civil de 21 para 18 anos. Deve-se frisar que a adoção da súmula não é um entendimento inovador da Corte, mas uma orientação decorrente do posicionamento majoritário do Superior Tribunal de Justiça.

A súmula tem por objetivo garantir o exercício do contraditório pelo beneficiário de pensão após completar 18 anos. Portanto, o simples alcance da maioridade civil não gera a exoneração imediata da prestação de alimentos, sendo necessária a existência de decisão judicial dispensando a pensão. Tanto a jurisprudência como a doutrina admitem o direito ao recebimento de pensão alimentícia àquele que, embora tenha atingido a maioridade, esteja cursando ou em vias de cursar estudos universitários.

Para a pretendida exoneração da obrigação alimentícia, além da maioridade do beneficiário, é indispensável a presença dos requisitos previstos no artigo 1.699 do Código Civil, quais sejam: a ocorrência de mudança superveniente na situação financeira de quem a supre, ou na de quem a recebe. Caso o beneficiário manifeste a imprescindibilidade dos alimentos, descabe a exoneração, pois a obrigação alimentar não se condiciona ao poder familiar, que cessa com a maioridade civil, mas ao binômio “necessidade e possibilidade”.

Para o julgador decretar a exoneração da prestação de alimentos, além da maioridade do filho, os pais devem comprovar a completa impossibilidade de pagar a pensão ou a desnecessidade do beneficiário em recebê-la. De todo modo, a Súmula 358 do STJ estatui a necessidade de assegurar ao beneficiário o direito de esclarecer se possui condições ou não de prover o próprio sustento.

O atual contexto sócio-econômico revela o crescente número de jovens desempregados e sem formação, comprometendo, sem dúvida alguma, a possibilidade de inserção no mercado de trabalho. Ainda que o beneficiário da pensão alimentícia tenha atingido a maioridade, é inequívoca a dificuldade de se conseguir uma colocação no mercado de trabalho sem um curso universitário ou profissionalizante.

Os alimentos são indispensáveis para proporcionar ao jovem o custeio das despesas necessárias ao seu sustento, como alimentação, moradia, saúde, vestuário, lazer e com a própria educação, essencial para atingir a independência financeira.

É importante destacar que o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça está em sintonia ao artigo 1.694 do Código Civil, que não limita a prestação de alimentos entre parentes à idade do beneficiário. Conforme o dispositivo: “podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros alimentos de que necessitam para viver de modo compatível com sua condição social, inclusive para atender às suas necessidades de sua educação”.

Nos termos da lei, existem três pressupostos para a prestação de alimentos, quais sejam: o vínculo de parentesco entre o reclamante e o obrigado, a necessidade do reclamante e a possibilidade de fornecer alimentos por parte do obrigado.

Todos esses requisitos foram observados pelo STJ quando da edição da súmula. Em respeito ao princípio da “necessidade dos alimentos”, antes do cancelamento da prestação alimentícia não se pode subtrair o direito do filho se manifestar sobre a possibilidade de prover a própria manutenção. Portanto, para os pais que pagam alimentos aos filhos maiores de 18 anos se isentarem da obrigação será indispensável a existência de decisão judicial, mediante o contraditório exercido pelo beneficiário.

Consoante a orientação do Superior Tribunal de Justiça, a exoneração da pensão será julgada pelo juiz no mesmo processo em que a obrigação foi determinada ou em ação autônoma de revisão ou exoneração, sempre com a garantia do exercício ao contraditório pelo filho.

Não basta ser jovem, é preciso participar da política



por Ricardo Abreu - Alemão*

Em pesquisas recentes do Instituto Cidadania, da Unesco e do Ibase, a maioria dos jovens brasileiros rejeita a política “como ela é” e os “políticos”. Ao mesmo tempo, consideram a política imprescindível para a conquista de uma vida melhor, e uma grande parte se dispõe a participar da vida política, como ela deve ser.


A política “como ela é” aparece escandalosamente na mídia e os jovens são torpedeados com denúncias de corrupção e de todo o tipo de prática oportunista e carreirista. Em contraste, o mais fascinante da política – a luta de idéias e propostas programáticas, a atividade militante e a participação popular – não aparece no noticiário e nas reportagens. O que se destaca é somente o que há de podre no sistema político. Por que será?

A resposta é simples. As classes dominantes, que controlam os principais meios de comunicação, procuram desestimular a participação política do povo, especialmente das jovens e dos jovens, para que a política seja uma atividade dominada por essas mesmas classes, para que a política continue sendo podre e conservadora. Para isso fazem uma campanha para negar a política, e principalmente a representação parlamentar. Em outras palavras, querem ficar sós cuidando da “podridão” do poder. E o povo fica de fora, sem mandar nada.

Os magnatas do capitalismo contemporâneo fazem uma falsa campanha ideológica contra o Estado, a política e os “políticos”, enquanto na prática só fortalecem o seu poder e o Estado capitalista e procuram enganar a juventude, afastando-a do único caminho que pode garantir mudanças profundas, justamente o caminho da política.

A juventude tem razão. É preciso dizer não à política “como ela é”, e para fazer isso de fato - e não apenas no discurso – é necessário participar efetivamente da política. Não para conservar a política “como ela é”, e sim para mudá-la radicalmente. As jovens e os jovens precisam fazer outra política, uma política verdadeiramente transformadora, revolucionária.

A política revolucionária, para Karl Marx e Friedrich Engels, deve ser feita para acabar com a política alienada da época do Estado burguês, para emancipar verdadeiramente a humanidade e superar a política da “pré-história” capitalista. Os fundadores do marxismo defendem não a “abolição” imediata do Estado (proposta anarquista), o que não seria viável, mas o desaparecimento gradativo do Estado e da política burguesas.

Para Marx e Engels, os trabalhadores precisam fazer política para conquistar o poder político e a partir daí modificar o Estado tornando-o um Estado socialista. O socialismo é a grande transição histórica do capitalismo para a sociedade comunista.

Ou seja, cria-se uma nova política, verdadeiramente democrática e revolucionária, que supera a política que conhecemos hoje e que é rejeitada, com razão, por nossa sábia juventude.

E há muito a ser feito no aqui e agora. Estamos em campanha eleitoral. Além de votar em candidatas e candidatos a prefeita, prefeito, vereadora e vereador de esquerda e democráticos, as jovens e os jovens precisam participar da campanha eleitoral, dos movimentos e das organizações juvenis, e da vida partidária de partidos de esquerda e populares.

Desta maneira a juventude faz a sua parte para acumularmos forças visando o nosso objetivo estratégico: o socialismo com a cara e o jeito do Brasil.




*Ricardo Abreu - Alemão, Economista, Secretário de Juventude e de Movimentos Sociais do Comitê Central do PCdo