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Dados de uma pesquisa de 2003 do antropólogo José Jorge de Carvalho, da Universidade de Brasília (UnB), mostram que o percentual de alunos e docentes negros nas universidades públicas brasileiras girava até então em torno de 0,5%. Mantidas as condições sociais de hoje, a projeção de Carvalho para os próximos 170 anos indica que esse índice não ultrapassará 1% do total. Tristes informações como essas preocupam uma das maiores instituições científicas brasileiras, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A atenção se traduziu em debates sobre o tema durante a 60ª Reunião Anual, realizada em julho, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Dentre as metas figurou a possibilidade de incentivar o ingresso dos negros e pardos no meio científico. O consenso maior entre os palestrantes ficou a cargo da defesa do sistema de cotas, algo que vem sendo amplamente discutido. Para Sonia Guimarães, pesquisadora do Centro Técnico Aeroespacial (CTA) e palestrante da conferência, para falar do negro na ciência é preciso tratar sobre a entrada dele na universidade. “Como é que os negros vão adentrar no meio científico se só 3% da população universitária brasileira alunos é negra?”, questiona a pesquisadora. As cotas, para Guimarães, são medidas que visam diminuir o impacto da desigualdade social entre brancos e negros visualizados nos dados estatísticos. Por isso, ela criticou o manifesto "113 cidadãos anti-racistas contra as leis raciais” entregue em abril deste ano ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. Tal documento foi assinado por artistas e intelectuais, entre eles Caetano Veloso e Ruth Cardoso, falecida recentemente. A função principal do documento é mostrar que a Lei de Cotas é inconstitucional e geradora de segregação racial, citando, por exemplo, artigos da Constituição brasileira como o 19 que diz: "é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”. De acordo com a pesquisadora do CTA, as estatísticas apontam que essa distinção já ocorre na prática. Dados divulgados pelo Portal UOL e jornal Folha de S. Paulo, em maio deste ano, mostram que mulheres negras ganham 51% do salário das brancas na cidade de São Paulo e que negros ocupam apenas 3,5% dos cargos de chefia. Sonia Guimarães ressalta que os negros dificilmente conseguirão reverter este quadro se não conseguirem cursar uma universidade. “O manifesto contra as cotas conclui que, basicamente, são as diferenças de renda e tudo que vem associado a elas, e não de cor, que limitam o acesso ao ensino superior. Se a cor não tem nada a ver com isso, porque será que entre os mais pobres só 30% são brancos e 69% são pardos e negros?”, questiona Guimarães. Unipalmares e ações afirmativas Para a química Denise Alves Fungaro, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), as ações afirmativas, como a Lei de Cotas, são medidas importantes contra os fatores negativos que impedem a entrada do negro no meio acadêmico. Entre tais fatores ela cita principalmente o ensino público básico de baixa qualidade, a baixa renda familiar da população negra e a falta de bolsas de pós-graduação. Em seu relato pessoal, a pesquisadora explica que a ausência desses fatores foi determinante para o seu sucesso acadêmico e profissional na área de química ambiental. Apesar dos problemas, o número de negros nas universidades públicas brasileiras tem aumentado nos últimos anos graças, segundo Fungaro, as ações afirmativas. Além das cotas, ela destaca outros acontecimentos que contribuem tal aumento. O primeiro foi a proliferação dos cursos pré-vestibulares comunitários na década de 1990 que passaram a preparar estudantes de baixa renda para o vestibular. O segundo trata sobre idéias inovadoras nessa área, como a criação da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares em 2000 na cidade de São Paulo. A Unipalmares é uma instituição sem fins lucrativos focada na formação de afrodescendentes. Graças a parcerias feitas com diversas empresas do setor privado, os dois mil alunos que atualmente cursam os três cursos oferecidos - direito, administração de empresas e tecnologia de transportes - pagam mensalidades abaixo de um salário mínimo. Em março desse ano a primeira turma de graduação se formou. “Oitenta e nove porcento deles eram negros”, diz Sonia Guimarães. A idéia principal trabalhada nessa conferência é que medidas especiais precisam ser tomadas para assegurar que o negro, historicamente desfavorecido socialmente, consiga cursar uma graduação e, posteriormente, receba apoio para se especializar ao ponto de ter condições de trabalhar com ciência e tecnologia. Para Sonia Guimarães, o sistema de cotas é uma oportunidade capaz de gerar um futuro melhor a muitos afrodescedentes talentosos. “Se ficarmos podando essa chance da maioria das pessoas negras vamos ficar outros 170 anos nas mesmas condições. Precisamos agir diferentemente”. |
Um blog para discussão de temas pertinentes a Cena do Hip Hop em toda a sua abrangência como forma de Cultura e instrumento de luta e afirmação.
Faltam alunos e docentes negros nas universidades
João Cândido Ganha Monumento no Dia da Consciência Negra
Para marcar o Dia da Consciência Negra, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) vai promover em 20 de novembro uma atividade cultural na Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro, palco da Revolta da Chibata de 1910. O ponto alto do evento será a instalação de monumento em homenagem a João Cândido. O presidente Lula confirmou presença no evento, que contará com shows de João Bosco e Martinho da Vila, entre outras manifestações artísticas.
O Almirante Negro liderou revolta dos marinheiros
João Cândido, conhecido como o “Almirante Negro”, liderou a revolta dos marinheiros – negros em sua maioria – contra os castigos físicos a que ainda eram submetidos 22 anos após a Abolição da escravidão.
Cândido foi anistiado apenas agora em 2008, após sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a projeto de iniciativa da senadora Marina Silva (PT-AC), atendendo a uma antiga reivindicação dos movimentos negros brasileiros.
Intolerância religiosa
Na solenidade, representantes da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa vão entregar oficialmente ao presidente Lula, propostas para a redação de um programa nacional sobre intolerância religiosa. Esta será a primeira vez que um presidente da República recebe a comissão para discutir a matéria.
O anúncio foi feito durante encontro de representantes de diversas religiões no Rio de janeiro, na semana passada, quando foram discutidos, entre outros pontos, o mapeamento de centros religiosos no país e a aplicação da lei que determina o ensino de História da África e Cultura Negra nas escolas.
Fonte: SEPPIR
Drogas na vagina e fraudes na Saúde
Por que não condenar os parasitas, como é feito com as moças presas nas portas dos presídios? |
HÁ ANOS vejo mulheres sendo presas por tráfico de drogas ao visitar maridos e namorados nas cadeias.
Quase sempre são jovens com pouca escolaridade, mães de mais de um filho, moradoras da periferia das cidades, apaixonadas por bandidos que nunca mais se lembrarão delas quando estiverem atrás das grades.
Essas moças geralmente são surpreendidas pelas funcionárias ao passar pela revista, em dia de visita, tentando levar cocaína ou maconha escondida em sacos plásticos introduzidos na vagina.
Encaminhadas à delegacia, são autuadas em flagrante e trancadas. Não voltam mais para casa; os filhos ficarão sob os cuidados sabe lá Deus de quem.
Meses mais tarde, serão condenadas a cumprir penas que podem chegar a quatro ou cinco anos. As novatas entrarão em contato com criminosas de carreira e aprenderão a obedecer a leis impostas pelas quadrilhas que dominam os presídios paulistas; as mais experientes farão pós-graduação no mundo do crime.
Primárias e reincidentes, quando libertadas, estarão na mesma condição: ex-presidiárias sem dinheiro nem emprego, com filhos para acabar de criar e com a folha de antecedentes marcada. Dos anos no cárcere, carregarão as cicatrizes do aprisionamento e as ligações com as parceiras de infortúnio. Voltar a delinqüir é a saída natural.
Sem a pretensão de analisar o rigor das leis contra o tráfico, muito menos a de defender quem as infringe, confesso que no caso dessas moças fico confuso.
Quantos gramas de maconha cabem na vagina de uma mulher? Essa quantidade apreendida é relevante no combate ao tráfico? Será que uma simples medida administrativa, como cassar definitivamente o direito de visitar qualquer presidiário, não seria castigo suficiente para essas contraventoras e não reduziria a superpopulação nas cadeias femininas?
Semana passada, a Operação Parasitas, da Polícia de São Paulo, prendeu cinco acusados de comandar uma quadrilha que fraudou centenas de licitações nos principais hospitais públicos da cidade, além de outros no interior do Estado, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
O golpe era o de sempre: empresários subornam funcionários públicos para ganhar licitações superfaturadas, realizar vendas de artigos desnecessários e entregar produtos de qualidade inferior à estipulada nos contratos (ou nem entregá-los).
Os policiais encontraram compras efetuadas a preços 400% mais altos do que os encontrados no mercado, cateteres contrabandeados da China vendidos como material de primeira e até fraudes em leilões eletrônicos, com provável participação de pregoeiros e de funcionários dos hospitais.
No período de dois anos, o volume dos negócios teria chegado a R$ 100 milhões. A lavagem do dinheiro era feita em offshores abertas no exterior em nome de pessoas humildes, como sempre.
Por meio de doações a campanhas políticas, os chefes exerciam influência nos municípios em que atuavam. Num deles, chegaram a "comprar" o cargo de secretário da Saúde por R$ 200 mil, doados ao caixa de campanha de um candidato a prefeito nas últimas eleições.
O que mais me chamou a atenção, entretanto, foi o fato de que algumas das empresas investigadas e alguns dos suspeitos estavam envolvidos em outras falcatruas perpetradas contra o sistema de saúde: a máfia dos sanguessugas e as fraudes do antigo PAS da Prefeitura de São Paulo. Outros, ainda, haviam sido investigados pela CPI do Banestado e pela Operação Farol da Colina, da Polícia Federal.
Quer dizer, esses senhores não haviam apenas escapado da cadeia como suas empresas tinham toda liberdade para negociar com hospitais públicos e secretarias de Saúde.
Os escândalos que se repetem em ciclos na área da Saúde desde que me conheço por gente são frutos da impunidade. Quem rouba dinheiro destinado ao tratamento de doentes pobres deveria responder por crime hediondo e cumprir pena em regime fechado, sem nenhuma regalia, naquelas celas de CDP com mais de vinte ladrões.
Não sou ingênuo, leitor, sei que os acusados estarão na rua em uma semana. No Brasil, cadeia foi feita exclusivamente para bandido pobre.
Apesar disso, tomo a liberdade de fazer uma sugestão: por que não condenar esses parasitas, predadores da pior espécie, a quatro ou cinco anos, como é feito com as moças presas nas portas dos presídios?
É pouco, dirá você. Também acho, mas é melhor do que nada.
Ministro defende criação de delegacias étnico-raciais
Em entrevista ao Bom Dia Ministro, produzida pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República e transmitida via satélite para rádios de todo o País na última quinta-feira (6), o ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, falou sobre a proposta de criação das delegacias especializadas em crimes étnico-raciais.
Também foram abordados temas como a Semana da Consciência Negra, celebrada de 17 a 23 de novembro, e a política de cotas nas universidades.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
Delegacias especializadas - "Buscamos a nacionalização das iniciativas de criação de secretarias e delegacias contra crimes raciais. Não entendi a reação de alguns setores contra a proposta. Queremos dar conseqüência a um princípio constitucional, que tipifica o racismo como crime inafiançável e imprescritível.
Na medida em que não há agentes públicos qualificados e treinados para acolher as denúncias de racismo, acaba não havendo punição para os autores dessa agressão. São Paulo e Piauí já têm uma delegacia com essas características. Não será uma delegacia de negros. No Brasil, temos judeus, ciganos, indígenas, que também são vítimas de agressões étnicas e raciais. É uma delegacia para cuidar dessas questões."
Treinamento - "Sugerimos que a própria delegacia tenha especialista no âmbito da antropologia, psicologi a, do serviço social, porque a agressão racista atinge a alma da pessoa, a auto-estima do cidadão. Tanto o agressor quanto a vítima precisam passar por um tratamento, porque o racismo é uma doença. Por isso precisamos dotar as delegacias com esses profissionais, que atuariam no sentido de orientar as pessoas. Nosso propósito é não ter apenas um órgão que acolha o crime e puna o agressor, mas que também trabalhe no sentido da prevenção e educação."
Impunidade - "Uma denúncia de agressão racista ser qualificada como calúnia, que resulta em uma pena leve, acaba por estimular as pessoas a continuarem a cometer este ato. Na medida em que for tipificado enquanto crime inafiançável, isso vai desencorajar as pessoas a terem reações que busquem desqualificar o seu próximo com agressões racistas."
Implantação - "Nosso objetivo é estimular essa discussão e solicitar a adesão das secretarias de seg urança dos estados, que têm competência efetiva para criar delegacias com essa característica. É um programa que pressupõe a adesão dos governadores e secretários de segurança. Na verdade, nosso papel é exatamente estimulá-los para tomar esse tipo de iniciativa."
Consciência Negra - "Nosso foco na comemoração do dia 20 de novembro, que vai ser no Rio de Janeiro, será o resgate histórico da figura de João Cândido. Colocaremos uma estátua de João Cândido na Praça XV, onde ocorreu a Revolta da Chibata. A cerimônia contará com a presença do presidente da República, que irá descerrar a placa da estátua."
Política de cotas - "A política de cotas não tem racializado as relações dos jovens nas universidades. O quadro existente é o de convívio. Não há separação entre os jovens cotistas e os não-cotistas. As relações são as melhores possíveis. Além dis so, o rendimento desses jovens cotistas tem sido comprovadamente superior à média da universidade.
Temos a preocupação de não estabelecer um ambiente de conflito e disputa racial. A criação dessas delegacias é para proteger pessoas que sofrem algum tipo de agressão racial, porque o Estado não tem tido a capacidade de defendê-las. O que se propõe com a criação de delegacias é qualificar o agente público para que ele possa efetivamente recepcionar e dar conseqüência a essas denúncias.
E que as pessoas que incorrem nesse delito sejam punidas, de acordo com a Constituição. Há uma certa tendência de pensamento no Brasil de evitar discutir as relações raciais. Acho que é preciso refletir sobre isso e discutir essa questão para que esse mal seja curado.
Nos Estados Unidos, a questão do racismo assumiu a forma da segregação racial. Isso levou a sociedade americana a refletir e se mobilizar no sentido de oferecer espaço para a população negra. O resultado que se tem, ao longo de meno s de 50 anos, é a eleição de um presidente negro no Estados Unidos."
Eleição Barack Obama - "A eleição de Obama é algo que vai ser objeto de discussão no Brasil durante algum tempo, mas acredito que ainda estamos longe de chegar a esse ponto no Brasil. Somos 49,5% da população brasileira, mas isso não se remete a nossa representação institucional. Hoje, no Congresso Nacional, não temos 10% de deputados negros.
Há ainda um longo caminho a ser percorrido no sentido da projeção de líderes negros comprometidos com o Brasil. A vitória dele deve-se ao fato de ele ter sintetizado o sentimento da maioria da população americana. É um país que vive uma crise comparável à da década de 1930.
O discurso dele levou esperança à população dos Estados Unidos. Por essa razão, essa eleição teve o maior quorum da história recente americana. O Obama foi o candidato que melhor conseguiu interpretar o sentimento do povo americano. Ele é produto de um processo histórico vivido pela população americana.
Até a metade do século passado, os negros eram segregados e não tinham direito a voto em vários locais. A luta pelos direitos civis contou com mártires como Malcolm X e Martin Luther King. Ao longo desse processo, houve também o lançamento da primeira candidatura de um negro para a presidência dos EUA, que foi o pastor Jesse Jackson. Entendo que Obama também é um tributo a esse movimento. Não imagino que os EUA pudessem hoje eleger um presidente negro sem ter passado pela experiência da luta pelos direitos civis."
Mercado de trabalho - "Temos dialogado com o setor privado sobre essa questão. No início do ano, estive em uma reunião com o presidente da República, que contou com a participação das 500 maiores empresas que atuam no Brasil. Tivemos a oportunidade de tratar do tema da discriminação racial no ambiente de trabalho. Tem havido progresso não só nas relações no ambiente de trabalho, como também o ingresso no mercado de trabalho para o jovem negro.
Estive em São Paulo com representantes da Febraban, que qualificaram jovens para assumir funções mais qualificadas no sistema bancário. Acredito que com a formação de jovens pelo sistema de cotas e pelo ProUni, eles vão buscar o mercado de trabalho e teremos condições de ter um debate massificado no que se refere às relações de trabalho. Evidentemente, um jovem que se forma engenheiro, advogado ou médico vai ingressar no mercado e não vai aceitar uma diferenciação salarial pelo fato de ser negro."
Racismo e preconceito - "Acho que o País está mudando. Até a polêmica em cima do tema é saudável. Todo debate relacionado às questões raciais no Brasil tem sido objeto de polêmica. Até porque alguns defendem que as políticas públicas universais darão conta de termos um país onde as diferenças entre negros e brancos serão sanadas ao lo ngo do período de implantação dessas políticas.
Quem defende isso se esquece de que tratar os desiguais como iguais manterá a desigualdade durante todo esse período. É fundamental a atuação do Estado no sentido de dar mais a quem tem menos possibilidades de ascender na sociedade. Felizmente, hoje temos um governo que tem buscado investir na promoção social da nossa população.
Temos dados de vários institutos de pesquisas que nos mostram um número cada vez maior de brasileiros na classe C. Isso se deve à política de desenvolvimento implementada pelo governo do presidente Lula, que tem propiciado à população essa ascensão social.
Há uma dívida histórica do nosso País com a população negra. Tivemos a abolição da escravidão em 1888, que não veio acompanhada de medidas de inserção do negro nas atividades econômicas. Nosso País era essencialmente agrário e não foram oferecidas terras para o negro se fixar. Entendo que, neste governo, estamos tomando iniciativas que terão impacto a o longo de algumas gerações.?
Agenda social quilombola - "Nosso objetivo é instalar 22 comitês gestores até 2010. Será nesse comitê gestor que serão definidas as ações a serem desenvolvidas junto às comunidades quilombolas, sejam ações no âmbito do saneamento, saúde, habitação ou do fornecimento de energia elétrica. A agenda social quilombola tem a participação de vários ministérios e órgãos públicos comprometidos com investimentos para a melhoria das condições de vida das comunidades remanescentes dos quilombos. Evidentemente, a instalação do comitê gestor e as definições tomadas por ele vão contribuir de forma significativa para a melhoria das condições de vida das comunidades quilombolas. É importante informar que no comitê gestor pressupomos a participação de lideranças indicadas pelos quilombolas para que eles possam também assumir a responsabilidade da discussão da locação de recursos voltadas para a melhoria das condições d e vida dessas comunidades."
Demarcação quilombola - "O primeiro passo no processo de reconhecimento das comunidades quilombolas é a certificação dessa comunidade a partir da sua auto-definição, realizado pela Fundação Cultural Palmares. O segundo é a demarcação da terra, um desafio secular e que evidentemente causa reações. Temos uma ação de declaração de inconstitucionalidade do decreto que regulamenta a ação do governo junto às comunidades quilombolas. Essa ação tramita no Supremo Tribunal Federal e consideramos que há condições de manutenção do decreto."
Boletim Em Questão
Raça e racismo
| João Paulo |
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DEBOCHE : Ladrão processa vítima por lesões corporais
| Ingrid Furtado |
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De líderes e de liderança
| Haroldo Vinagre Brasil, Engenheiro, professor universitário |
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Tambor cidadão
O Tambolelê e Maurício Tizumba, faz turnê por nove escolas e 11 entidades sociais de Belo Horizonte. Os tamborzeiros, além de tocar, vão participar de oficinas, palestras e bate-papos com a garotada. Cerca de 9 mil pessoas poderão ter acesso ao projeto. A estréia está marcada para amanhã, na Escola Municipal Padre Massote, no Bairro Coqueiros, Região Noroeste.
Vinte e dois profissionais se revezarão para visitar as escolas, instituições e projetos, como Centro de Recuperação de Menores Infratores, Terreiro Ilê Wopo Olojukam, Querubins, Meninos do Morro e Grupo Luna de Capoeira Angola. As visitas serão registradas por videomaker, que entregará documentário ao final da turnê.
Entre Santos e Orixás
| Ailton Magioli |
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Conteúdo sensual na TV estimula gravidez entre adolescentes
Pesquisadores da organização Rand disseram que seu estudo é o primeiro a vincular a programação sensual de canais de TV a comportamentos sexuais de risco entre adolescentes. ''Nossas descobertas sugerem que a televisão pode exercer um papel significativo nos altos índices de gravidez adolescente nos Estados Unidos'', disse a cientista comportamental Anita Chandra, que chefiou o levantamento da Rand — uma organização de pesquisas sem fins lucrativos.
Os pesquisadores recrutaram adolescentes de 12 a 17 anos e os pesquisaram três vezes entre 2001 e 2004. A eles, perguntaram sobre seus hábitos como telespectadores, seu comportamento sexual e gravidez.
Os resultados abrangem 718 adolescentes, entre os quais houve 91 gravidezes. Os 10% dos adolescentes que assistiram aos programas com mais sexo apresentaram o dobro do risco de engravidar ou causar uma gravidez, comparados aos 10% que assistiram a menos programas desse tipo, segundo o estudo publicado no periódico Pediatrics.
O estudo focou 23 programas de TV aberta e a cabo populares entre adolescentes, incluindo sitcoms, dramas, programas de realidade e desenhos animados. As comédias tinham o maior teor sexual, e os programas de realidade, o menor.
''O conteúdo de TV que vemos raramente destaca os aspectos negativos do sexo, seus riscos e responsabilidades'', disse Chandra. ''Portanto, se os adolescentes estão recebendo informações sobre sexo, raramente recebem informações sobre gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis.''
Os índices de gravidez na adolescência caíram nos Estados Unidos desde 1991, mas ainda são altos comparados a outros países industrializados. As mães adolescentes têm probabilidades maiores de abandonar a escola, precisar de assistência pública e viver na pobreza.
Além da TV
De acordo com Chandra, a televisão é apenas uma das influências da mídia sobre o comportamento dos adolescentes. ''Devemos analisar também o papel das revistas, da internet e da música na saúde reprodutiva dos jovens.''
Um segundo estudo publicado no periódico acrescentou novas provas às evidências já existentes de que os videogames violentos favorecem o comportamento físico agressivo de seus jogadores adolescentes. Pesquisadores dos Estados Unidos e Japão avaliaram mais de 1.200 japoneses e 364 norte-americanos, de 9 a 18 anos. Constataram ''um risco significativo de comportamento físico agressivo posterior em culturas muito diferentes''.
Da Redação, com informações da Reuters
Trabalho e desigualdade
| Flávio Constantino - Professor de economia da PUC Minas |
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PRECONCEITO CONTRA OS NORDESTINOS
Por Berenice Agra
Um período difícil de minha vida foi quando vim para São Paulo na década de 1970, migrante nordestina, (de Campina Grande-PB, com rápida passagem e estada em Recife-PE). Vim de "Fuscão" modelo 1967, com dois filhos pequenos, a menor no meu colo, com apenas seis meses de vida, rasgando os três mil quilômetros que separam mais do que dois estados distantes, separam dois estilos de vida completamente diferentes. Separam duas perspectivas de passado e de futuro quase que antagônicas.
Viajei com a filha no colo para dar mais espaço para o filho de três anos poder dormir e descansar. E não é preciso dizer da péssima qualidade das estradas e dos hotéis (naquele tempo, não havia as famosas churrascarias gaúchas, hoje tão comuns ao longo das rodovias). A BR-116 era muito esburacada e a Bahia, que tem 800 quilômetros de extensão nordeste-sul, parecia ter dois mil quilômetros.
Quando cheguei, fui morar no Parque Continental (bolsão de classe média alta metida a classe alta). Os olhares eram insinuantes de reprovação ao nosso linguajar, aos nossos trajes e até de um ranço de preconceito interessante e maquiado: como estes nordestinos têm dinheiro para vir morar aqui?
No CEAGESP, logo nos primeiros dias, quando eu falava era tratada por baiana (até por outros nordestinos radicados há mais tempo aqui). Havia um ar de espanto, de indignação e de ironia quando eu pedia jerimum (em vez de abóbora) ou macaxeira (em vez de mandioca) etc. Era motivo de riso, mas jamais me deixei abater. Fazia uma pequena guerrilha para ir vencendo o preconceito e o preconceito indevido daqueles nordestinos aqui radicados há mais tempo.
Ao dirigir o "Fuscão" com a placa de Recife, vinham os gritos e as gozações, era um tormento.
Depois de um ano, comecei a lecionar no SESI: mudou o cenário, mudaram apenas as gozações e o estilo das mesmas. Uma colega me perguntou, para meu espanto: "Como você pode ensinar aqui com a formação na Paraíba? Como foi que eles deixaram? A Delegacia de Ensino sabe disso?"
Se isto acontecia com colegas, podem imaginar como era com os alunos e seu fogo da juventude, sua irreverência e sua vontade de bagunçar. O meu "Boa Tarde" já era motivo de muita gozação e se tornava até empecilho segurar a disciplina da classe. A música "Paraíba, mulher-macho" [Paraíba Masculina], de Luiz Gonzaga, chegava a ser solfejada, e foi difícil (não foi impossível) me impor perante eles.
Estas dificuldades foram sendo superadas uma a uma, cada vez deixando mais em mim um sabor de vitória, de passo dado, conquistado. De vez em quando, ecoava no meu íntimo a sensação de uma mulher vitoriosa e de uma vitória em constante progresso.
Eu, que estudara na fazenda com professoras leigas, que só fiz a 4ª Série com 15 anos, estava lecionando em São Paulo, a locomotiva que arrasta o meu país.
Já casada, entre 1973 e 1975, fiz o Curso de Estudos Sociais, com a responsabilidade de mãe e todas as outras responsabilidades domésticas. Meu marido viajava demais.
Depois, na década de 1980, fiz outra faculdade. Fiz concurso para professora do Estado e da prefeitura, e, em todos eles, minha classificação superou minha expectativa (e a de muitas colegas). Nessa época, eu lecionava na Escola Estadual João Baptista de Brito, em Osasco (SP), e fui a única da escola aprovada no concurso.
Mas, a guerra ou, mais apropriadamente, a batalha do preconceito, continuava, no Parque Continental, nas ruas, nas lojas, nas escolas, etc...
Um dia, fui visitar, com minhas filhas (já havia nascido a segunda filha) o Shopping Center West Plaza. Minhas filhas começaram a experimentar casacos, vários, como é comum entre as meninas. A atendente da loja comentou com a colega: "Odeio baianos". Chamei minhas filhas e fomos embora sem comprar nada...
Devo reiterar, antes de concluir, que nem as piadas, nem as brincadeiras (algumas de mau gosto), nem as anedotas, nem as muitas indiretas, nada disto atrapalha meu sentimento. Nada disto tem me abatido. Pelo contrário, é uma espécie de cimento valioso, um amálgama diferenciado de melhor quilate em duas pilastras mestras que estão a nortear minha vida: minha auto-estima e meu amor por este estado brasileiro. Estes percalços são fertilizantes de uma árvore que plantei e rego, a árvore de ternura e apreço por esta gente paulistana.
Interessante e digno de nota: a recíproca não é verdadeira. Qualquer paulista ou paulistano que for ao nordeste será bem tratado. Com uma dose mística de respeito, carinho, admiração e até inveja. Mas, não há traumas nem desejos de revanche, nem lamentos, porque é esta miscelânea de coisas, conceitos e preconceitos que faz e sustenta este país harmônico na sua diversidade e chamado Brasil.
(História enviada em agosto de 2008)
A legítima defesa da honra conjugal
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O fascínio do jornalismo
| Carlos Alberto Di Franco - Professor de ética, doutor em comunicação pela Universidade de Navarra (Espanha) |
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Clientes de bares farão teste de drogas na Escócia
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| O 'Itemiser' detecta traços de drogas nas mãos dos usuários |
O teste vai ser feito com um aparelho - chamado de Itemiser - que detecta traços de drogas ilícitas nas mãos dos usuários em segundos, entre elas cocaína, maconha, heroína e ecstasy.
A participação é voluntária, mas quem se recusar a fazer o teste não poderá entrar nos bares. No caso de resultado positivo, os clientes podem passar por uma revista e até acabar a noite na prisão.
O objetivo da medida, segundo a polícia, é afastar traficantes de drogas dos bares.
“O projeto oferece a oportunidade de implementar um tipo de intervenção alternativa que vai ajudar a mudar atitudes e a reduzir a demanda por drogas ilícitas”, disse o coordenador nacional antidrogas da Escócia, Willie MacColl.
“Esperamos que, com o tempo, o modelo possa ser desenvolvido e usado em parcerias com a comunidade em outras cidades da Escócia para diminuir os efeitos nocivos causados pelas drogas.”
O Itemiser já está sendo usado em bares na Inglaterra, onde a ação foi questionada pela possibilidade de os clientes receberem a luz vermelha simplesmente por terem tocado uma superfície com traços de drogas. Mas a polícia afirma que o aparelho consegue detectar a diferença entre este tipo de contaminação e o uso de drogas.MÃES PRECOCES
Joana Vieira - Juiz de Fora-MG
“Uma em quatro mulheres na América Latina é mãe antes dos 20 anos, segundo estudo divulgado pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O número é considerado alto pelos especialistas e foi influenciado, principalmente, pelos altos índices de gravidez na adolescência no Brasil e na Colômbia. A situação aqui teve uma leve melhora entre 1996 e 2006, mas os números ainda são altos. De acordo com um levantamento da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde, do Ministério da Saúde, a cifra de mulheres que têm filhos antes dos 20 anos é de 32,8% – bem acima dos 25% da média regional. A pesquisa mostra que na América Latina há 76,2 nascimentos para cada 1 mil adolescentes com idades entre 15 e 19 anos, enquanto no resto do mundo a média é de 52,6 nascimentos por mil. No Brasil, ela é de 83 nascimentos para 1 mil adolescentes, uma melhora em relação a 1996, quando a cifra era de 86 filhos para cada 1 mil. Mas a situação no Brasil continua mais delicada do que em alguns dos países vizinhos. No Paraguai, a média é de 63 nascimentos para 1 mil jovens. No Chile, onde a média era de 80 nascimentos a cada 1 mil entre 1986 e 1996, este número caiu para 50 nascimentos a cada 1 mil adolescentes – apesar de este ter sido um dos últimos países da região a permitir campanha pelo uso de preservativo. A situação é mais crítica nos países da América Central, como Guatemala (114 nascimentos por mil) e República Dominicana, que registra o percentual mais alto – 116 a cada mil. Certo é que, se as famílias não mudarem de comportamento, educando seus filhos para a importância de viver as primeiras fases da vida discernindo direitos e deveres, para que não atropelem o tempo de estudos e dar início à fase adulta com responsabilidade, pensando em filhos apenas depois dos primeiros passos na vida profissional. Na verdade, a razão maior disso tudo há hipocrisia que campeia no país: não há educação sexual nas escolas; a maioria dos país não conversa com os filhos assuntos pertinentes à sexualidade; e o poder público não atua incisivamente na questão da paternidade responsável.”
UNE critica senador tucano que quer proibir meia-entrada
Entre outras coisas, o texto estabelece que a meia-entrada não valerá nos cinemas em finais de semana e feriados locais ou nacionais. Para todos os outros eventos, como peças teatrais e shows, a meia-entrada não valerá de quinta-feira a sábado, se o projeto for aprovado.
O projeto também tenta coibir a emissão de carteiras de estudante falsificadas, criando um documento único, padronizado, de validade nacional: a Carteira de Identificação Estudantil. Cria ainda um Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da meia-entrada e da identidade estudantil.
A proposta está pronta para ser votada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), mas a data da votação ainda não foi definida. Se passar pelo Senado, ainda será analisada pela Câmara dos Deputados.
No Senado, antes de chegar à Comissão de Educação, a matéria foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com alterações ao texto original. Na Comissão de Educação sofreu mais mudanças, após a realização de várias audiências públicas com representantes dos estudantes e dos produtores culturais.
A relatora do projeto na Comissão de Educação é a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que apresentou um substitutivo à matéria original, do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). "Chegou-se a um acordo com a UNE, Ubes, representantes da área de cinema, teatro, e eu acatei esse acordo", justifica a senadora Marisa, que incluiu a limitação dos dias em que a meia-entrada estará em vigor.
A UNE (União Nacional dos Estudantes) é favorável ao documento único de identificação, mas é contra as restrições ao uso da carteirinha, como explica Lúcia Stumpf, presidente da entidade. "Esses pontos vão enfrentar a resistência da UNE, que é a favor do direito amplo e irrestrito conquistado pelos estudantes. Os senadores resolveram encaminhar dessa forma, mas vamos lutar para mudar isso."
Fasificação
O representante dos produtores de eventos defende a medida. Para Ricardo Chantilly, diretor da Abeart (Associação Brasileira de Empresários Artísticos), se aprovado, o projeto terá como resultado uma queda nos preços dos ingressos. "No dia de maior fluxo de pessoas e que o faturamento é maior, deixa o produtor cobrar o preço normal. Aí, não tem meia nem inteira", diz. "O que vai acontecer é que, no sábado, o preço de um show pode ser R$ 45, e no domingo, o estudante paga R$ 22,50. É melhor do que o que acontece hoje, quando a gente tem que colocar o ingresso a R$ 80 com meia a R$ 40", exemplifica.
Para ele, com a disseminação das carteirinhas falsificadas, os produtores foram levados a cobrar um preço maior, para evitar prejuízos. Assim, o diretor da Abeart também defende um limite na quantidade de ingressos destinados aos estudantes e idosos, como já ocorre em alguns lugares, como São Paulo - a meia-entrada é regulamentada por leis estaduais e municipais.
"A média hoje é de 70%, 80%, até 90% de meia-entrada nos eventos. Eu defendo uma limitação da venda de meia-entrada a 30% do total. Assim, a gente saberia que, em um evento para mil pessoas, teria 700 pagando inteira e 300 pagando meia. Seria possível uma redução de, no mínimo, 30% nos preços, porque conseguiríamos o mesmo faturamento de agora, com um ingresso mais barato", argumenta.
O que garantiria a queda nos preços? Segundo Chantilly, o mercado. "Se eu fizer um show do Nelson Ned e colocar a R$ 80, não vai ninguém. Se eu colocar um show da Ivete Sangalo a R$ 300, também não vai ninguém. Uma vez por ano tem uma Madonna, que pode cobrar R$ 500, R$ 800, que lota um Maracanã. Mas quem regula os preços é o bom e velho mercado", afirma.
Autor do projeto original, o senador Azeredo também diz que a expectativa é que os preços caiam. "O que se espera é que haja uma redução do preço dos ingressos; essa é informação dos produtores", afirma. Sobre a limitação dos dias de validade da meia-entrada, ele tem posição contrária. "O ideal era que pudesse valer para todos os dias, mas esse foi o acordo. O mais importante, sem dúvida, vai ser a padronização da carteira em todo o Brasil", destaca.
O projeto em análise no Senado também revoga a Medida Provisória 2.208, editada em 2001, que acabou com a exclusividade das entidades estudantis na emissão da identidade estudantil. O relatório da senadora Marisa Serrano afirma que a medida "provocou descontrole na concessão desses documentos" e levou "na prática, à perda do benefício do pagamento de meia-entrada por parte dos estudantes e idosos."
Padronização
A presidente da UNE diz que a padronização do documento não resultará em aumento do preço de emissão. "Não deve aumentar exatamente porque não vai mais ser regido pela disputa de mercado", diz Lúcia Stumpf. "Hoje, existem até cursinhos de línguas e pré-vestibulares fantasmas, criados só para emitir a carteira", critica.
A UNE cobra preços diferenciados para emissão da identidade estudantil nas diferentes regiões do país. Em São Paulo, o preço é R$ 25, no Centro-Oeste, R$ 15, e nas regiões Norte e Nordeste, a taxa varia de R$ 8 a R$ 10, segundo a presidente da entidade.
Lúcia Stumpf é contrária ao sistema de cotas para a venda de meia-entrada por achar impossível a fiscalização. "Nem mesmo os produtores apresentaram uma alternativa eficiente para controlar a venda dos ingressos para estudantes. Sem isso, podem vender apenas os cinco primeiros e dizer que já venderam toda a cota", afirma.
Além de defender a limitação à meia-entrada, os produtores também cobram uma compensação do governo pelo benefício concedido. "Os taxistas compram carro 30% mais barato, mas não são as empresas que arcam com isso, o desconto vem dos impostos. Nos ônibus, os idosos têm passe livre, mas as empresas recebem por isso. A gente não é o 'lobo mau' da história, o governo é que não deu a contrapartida necessária", ressalta.
O ressarcimento está previsto na análise da relatora, e seria feito com recursos do Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura), da Lei Rouanet.
Pelo projeto do Senado, o direito à meia-entrada fica assegurado aos estudantes e às pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos, em cinemas, cineclubes, teatros, espetáculos musicais, circenses, eventos educativos, esportivos, de lazer e entretenimento, em todo o território nacional, promovidos por quaisquer entidades e realizados em estabelecimentos públicos ou particulares.
O benefício não é cumulativo com quaisquer outras promoções e convênios e também não se aplica ao valor dos serviços adicionais eventualmente oferecidos em camarotes, áreas e cadeiras especiais.
Fonte: da redação, con informações da UOL
Valeu a pena?
por Toni C.*
- E ai, cadê o hip-hop?
- Seis num eram us pá?
- Cadê os manos? Onde estão us Vida Loka agora?
Hahahahaha!
Coloco um CD novo no leitor do computador. Abretesesamo é a palavra mágica que abre portais invisíveis e move rochas gigantes com passagens secretas para novos espaços. A música de abertura do grupo Inquerito toca a milhão no barraco.
Enquanto ouço tento rascunhar uns baratos...
Fico pensando no cara que mora em Diadema, saiu de casa no domingo dia 6 passado foi até a escola para votar no Nelsão...
Ou na mina que mora no Jardim Jaqueline na zona oeste de São Paulo que não só votou, mas conseguiu uma par de votos para o Nuno Mendes.
Nos malucos de Hortolândia que fizeram de tudo para ter como prefeito Aliado G.
E poderia falar de cada um dos eleitores, dos mais de 30 candidatos que o movimento hip-hop lançou pelo país.
Grande parte destes talvez se perguntando:
- Valeu a pena?
Renan líder do grupo Inquérito é estudante da Unicamp, conquistou seu espaço num dos grandes centros de excelência de educação do país. Não sofre de ejaculação precoce nas palavras bem colocadas de suas músicas “... queria cantar com o Tim, tocar como o Ton, jogar que nem Pelé escrever igual Drumond” Inquerito
- E ai tiu firmeza? – Renan me salva pelo MSN.
- E ai rapaz, firmão, tava ouvindo seu som.
- O Toni conseguimos eleger alguns manos?
Me perguntou antes de trocarmos idéias sobre literatura “A saudade é a presença de uma ausência!” ele fala atribuindo a frase a Rubem Alves quando disse que estava lendo um livro deste autor.
Me lembro de um sábado quente em que acompanhei Nuno Mendes a uma atividade de campanha numa favela. A recepção calorosa da comunidade é rotina, troca de idéias, comprimentos, visitas às casas, enquanto andávamos pelas vielas estreitas, vejo um homem abaixando e pegando algo dum bueiro. Sabe o que significa?
Que havia acabado de descobrir onde o cara mocava a droga que vendia.
O cara ficou arisco. Que eu estava fazendo ali? Com quem? Autorizado por quem? Perguntou para um parceiro nosso que mora na comunidade. Ao saber que estava acompanhando o Nuno, em campanha política, a convite dos próprios moradores, ficou um pouco mais aliviado. Mas que naquele dia atrapalhamos o comercio, atrapalhamos, de tanta gente que vinha pra falar com o locutor do Espaço Rap.
Anderson 4P foi reeleito em Francisco Morato num segundo mandato. Mas como diz o nome do CD do Inquérito: Um Segundo é pouco.
O movimento sacou isso teve mais de 30 candidaturas, milhares de votos, muitos foram os mais votados do partido, outros assumiram suplências e se elegeram além do Anderson a Eva em Sumaré, Alceu em Coordeirópolis e o Raissuli em Salto. Não foi em vão.
Aliado G teve 3.816 votos, Nuno Mendes 1.368, Nelson Triunfo teve 1.277. Será que valeu a pena tanto esforço? Lançar candidatos de expressão e depois não eleger, isso não tira a credibilidade do movimento?
Bom vale lembrar que o Lula teve de se candidatar por 4 vezes para se tornar presidente da república. E se o movimento tivesse de ter certeza que elegeria para lançar a candidatura nunca teríamos nenhum representante.
- Mas o que adianta eleger um cara que é do hip-hop? Ele pode ser do movimento e fazer pilantragem, né? – Pode continuar questionando algum mano mais incrédulo.
Estamos as vésperas de mais uma edição do prêmio Hutúz. Como é possível acreditar que ser indicado, fazer campanha, ser votado e receber o prêmio é em pró do hip-hop e se eleger vereador para lutar pela periferia não é?
Renan fala com saudades dos tempos que produzia fanzines, das aulas que dava no assentamento do MST, e da descontinuidades destes projetos por falta de apoio. Conquistar espaços na administração pública deve servir para valorizar, enriquecer, resgatar e desenvolver boas iniciativas que dão certo nas comunidades. Ou eu estou louco?
“Todo homem será condenado pelos bem que ele não fez” Inquérito
Um “jornalista” do UOL preparando uma matéria para o portal, há 4 dias das eleições lança a pergunta ao Nuno Mendes:
- Mano Brown diz em seu disco: “Apoiado por 50 mil manos.” O movimento não é muito pequeno para ter tantos candidatos?
Eu pensei se essa lógica fizesse sentido FHC jamais seria presidente, afinal quantos sociólogos existe no país?
- Esta música dos Racionais do qual se refere - respondeu Nuno - saiu num disco que vendeu mais de um milhão de cópias – é claro que esta parte não foi para o ar.
- Ridículo! Agora qualquer um quer ser candidato, era só o que me faltava. Haahaha! Debocha uma patricinha ao ler a matéria sacana no UOL.
Pode rir, mas desacredita não!
- Não! Eu já acreditei nisso, mas não será por esta via que a coisa acontecerá. - Me diz um bom malandro.
- E verdade professor, mas Malcom X já ensinava que devemos guerrear por todos os meios necessários, né não?
Nelson Mandela, por exemplo, liderou e venceu o apartheid mesmo encarcerado. Poderia acreditar que cumpriu seu papel, mas ao sair da prisão se tornou presidente da África do Sul pela via eleitoral. Pablo Neruda poderia se contentar em ser um dos maiores poetas da humanidade, e se tornou também senador no Chile.
Lendo o relato de Bob PTG me emociono, você viu o que os manos do rap aprontaram? Fundaram o Partido Comunista numa cidadezinha no interior do Ceará chamada Potengi, elegeram três vereadores e o prefeito da cidade. (leia)
Tenho lido muitos relatos sobre a campanha por gente do rap. Peqnoh fala sobre as eleições em artigo no Rap Nacional (Leia). DJ Sadam candidato no Rio de Janeiro, também problematiza sobre se vale a pena, em seu espaço no Bocada Forte (Leia). Kim Isac denúnciou repressão a sua campanha... (Leia)
Na noite havia chuva torrencial, numa terça-feira de transito monstro. Chegamos em Varginha extremo sul da cidade por volta das 21 horas, duas horas de atraso. Haviam mais de 30 pessoas passientemente nos aguardando. Corremos para a casa de um parceiro ali perto.
Formamos um circulo, um por um foi se apresentando, crianças, idosos, senhoras, manos... por mais de uma hora, todos ali discutiram política, como fazer para elegermos nosso candidato, Nuno Mendes...
É a alma de nosso povo não é pequena.
E a pergunta qual era mesmo?
Há! Se vale a pena?
Como diria o poeta
Neste caso... “Tudo vale a pena...”
*Toni C., DJ e produtor. Autor do vídeo documentario "É Tudo Nosso! O Hip-Hop Fazendo História", organizador do livro "Hip-Hop a Lápis" e membro da Nação Hip-Hop Brasil e da equipe do Portal Vermelho.