| Janaina Cunha Melo |
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Um blog para discussão de temas pertinentes a Cena do Hip Hop em toda a sua abrangência como forma de Cultura e instrumento de luta e afirmação.
| Janaina Cunha Melo |
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As regras ideológicas entre grafiteiros e pixadores foram quebradas a partir do momento que grafiteiros passaram a comercializar suas obras em ambientes formais, negando o que seria então uma arte “subversiva”, marginal, e verdadeiramente democrática, daí se deu à revolta. Porém uma coisa me tem chamado a atenção, a forma como os olhares da mídia vem tratando o assunto, muitas vezes simplista e sem profundidade no tema, deturpando conceitos implícitos nesses movimentos culturais artísticos e de classe, desconsiderando fatores sociais ao tema e resumindo-o simplesmente a questões estéticas, principalmente no que diz respeito ao “pixo”.
Primeiramente é preciso construir parâmetros e distinguir os grupos analisados, antes de lhes agregar valores. O sincretismo de culturas sempre antes hostilizadas pode não ser uma tarefa fácil. É preciso esmiuçar muito bem as coisas.
Pois bem, é impossível dissociar uma coisa da outra, já que os dois movimentos fazem parte de um mesmo “rool” de interventores urbanos, que se diferenciam entre outras coisas pelos fatores estéticos de suas garatujas, mas que em comum retiram do caos suas fontes de inspiração. Além do mais, o graffiti (com dois éfes e “i” pela gramática italiana), apontado como uma forma de acabar, inibir e até reeducar pixadores, ainda é uma arte ilegal do ponto de vista jurídico, atentado contra o patrimônio público e crime ambiental, assim como a pixação, ou seja, grafitar, apesar de “belo” e na “moda”, ainda é crime em boa parte do mundo. Justamente por isso, por ser ilegal e questionar a propriedade privada e o patrimônio público, que o graffiti e a estética casual e representativa do “pixo” vêm conquistando as grandes galerias do mundo, talvez por estarem enfastiados com a arte formal, que hoje pode ser a busca pelo “não formal”. Uma coisa é certa, os dois tipos de manifestação visual se constituem e se baseiam num tipo de texto imagético verdadeiramente democrático, onde qualquer transeunte pode interagir com os arabescos de um pseudônimo, apreciar, ou repudiar, interagir.
Apesar de o graffiti estar em ascensão e participando do seleto grupo de museus e galerias de arte de todo o mundo, grafiteiros concordam que “graffiti” é democrático, portanto só pode ser caracterizado graffiti a pintura inserida nas ruas, independente do material utilizado pelo intervencionista desde que obedeça a calculada desordem estética característica. Portanto, o que está em galerias de arte, fechado em quatro paredes, não pode ser considerado graffiti, por estar limitando e selecionando classes de espectadores, essas se misturam as demais pinturas de outros artistas, obras que estão à venda para o próprio sustento, preços salgados ou não, o grafiteiro que expõe em galerias e vende seu trabalho e sua criatividade é o mesmo que muda a paisagem cinza dos grandes centros de forma totalmente voluntária e com altos gastos em material, a troco de ver num espaço não cedido, a releitura e construção do contemporâneo misturado à população, muitas vezes sem nenhum tipo de autorização, e ajudando a difundir os valores aprendidos na rua. O “pixo” parte de anônimos que arriscam a vida entre pontes e viadutos, desafia as leis da boa vizinhança, a “boa educação”, e não pedem licença pra deixarem suas marcas nas paredes, “quanto mais alto o pico melhor”, quanto mais arriscado, mais respeitada será a posse. Muitas vezes correndo de cães, da polícia, tudo para se fazer respeitado, para ser notado, para chamar a atenção com letras e símbolos que muitas vezes nem passou pela grade curricular de artistas plásticos bem conceituados, códigos entendidos somente por aqueles que promovem este tipo de interação com a cidade, uma visão contestadora e crítica dos modos de se enxergar a sociedade contemporânea, e que tem seus primeiros indícios na Grécia antiga em situações de euforia da população, passando pela idade média, padres usavam uma espécie de líquido betuminoso para desmoralizar outros padres de outros mosteiros. O quão famoso ficaram os pixos do lado ocidental do muro de Berlim, e quantas idéias ficaram cravadas na história pelas mãos de anônimos.
Por todas essas considerações, submeter o tema dessas manifestações culturais contemporâneas, e lançar raízes com base puramente nas questões estéticas e comparativas a outras formas de representação gráfica, resumindo todo um movimento artístico baseado em preceitos sociais, e limitando-os ao que consideramos “belo”, é negar toda uma gama de transformações que estão acontecendo na sociedade, e nas artes pelas mãos de pessoas que se dedicam ao sentimento de honra implícito em forma de uma arte subversiva e subjugada, que não tem o pictórico como elemento de criação, mas sim as transformações sócias principalmente, deturpada capilarmente sem reconhecer a importância e complexidade desses grupos. “o graffiti só é perigoso para três tipos de gente: os políticos, os publicitários e os grafiteiros”, tanto o pixo quanto o graffiti, estão aparecendo para quebrar paradigmas, para fazer refletir e incomodar na sua essência, para forçar pessoas a interagirem umas com as outras, para puxá-las pelo braço e forçá-las a ver uma mancha incolor, porém indelével no tecido social, fazer com que não seja tedioso esperar um ônibus, ou enxergar uma paisagem no fundo de um terreno baldio, quebrar a rotina, e acima de tudo, surpreender. Não encoste aí, a tinta está fresca.
Thiago Costa, graffiteiro,membro da coordenação municipal da Nação Hip-Hop Brasil de Marília
*Especial Hip-Hop, Espaço para convidados especiais do Hip-Hop a lápis.
| Thiago Herdy |
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| José Raimundo da Silva Lippi, Professor sênior do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina da UFMG, integrante da Academia Mineira de Medicina |
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Os artistas de rua não param de inovar. Há alguns anos, o Graffiti Research Lab – grupo formado por grafiteiros que pesquisam novas tendências e formas de expressão – criou o light grafite. Mesmo não utilizando tintas, o light grafite não deixa de lado a contestação. A ideia surgiu dos conceitos de luz e fotografia sendo baseado na técnica para capturar as imagens.
No light grafite, o artista utiliza projeções de luz e registra as imagens em fotografia, formando assim um grafite de luzes. No entanto, para se produzir da maneira correta o light grafite o custo é bem maior do que o do grafite tradicional, fator que dificulta a popularização da nova tendência.
Para se fazer o light grafite é preciso ter um projetor, ou um jogo de luzes para desenhar no objeto ou muro. O produto final poderá ser em várias cores, de acordo com as cores das luzes usadas nos desenhos.
Para captar a imagem, o artista também precisa de uma câmera com sistema de velocidade e programá-la para fotografar com um maior tempo de exposição (velocidade lenta). Desta forma, as luzes irão incidir na fotografia e resultar no efeito desejado. O tempo ideal de exposição é de 10 a 30 segundos. Para tanto, é necessário utilizar um tripé, ou fixar a câmera em um local, evitando que a imagem fique tremida. Em outros casos, o artista pode criar pequenos filmes com o light grafite – sempre utilizando as técnicas de exposição das luzes.
Com tantos recursos tecnológicos (luzes e câmeras adequadas), o light grafite é ainda pouco utilizado no Brasil. Em agosto, foram apresentadas algumas técnicas no Sesi e na Avenida Paulista, no Festival Internacional de Linguagem Eletrônica.
Convidados pela ONG Oficina de Imagens, os integrantes do Graffiti Research Lab também ensinaram a técnica e desenharam com laser em Diamantina, Minas Gerais. Na ausência de um prédio ou paredão, eles projetaram em uma pequena casa. Logo, as crianças se interessaram e formaram grandes filas para desenhar com a caneta laser verde.
Outra forma de se fazer o light grafite é utilizando leds (pequenos pontos de luzes). No caso, são fixados os pontos de leds na forma de um desenho e quando acesos criam o efeito desejado. Com os leds, o custo é menor. O resultado final, porém, é bem diferente do light grafite projetado.
Recentemente, os filmes de light grafite ganharam ainda mais força após a utilização da técnica em uma campanha publicitária de uma companhia telefônica norte-americana.
Para conhecer um pouco mais sobre light grafite:
Graffite Research Lab
O primeiro dia de palestras no I Colóquio África e Diáspora teve início às 10h30, com Edna Roland, que agradeceu o convite e saudou iniciativa da Unegro: “Tenho certeza de que a tarefa da nossa geração foi cumprida enquanto movimento das mulheres negras”, festejou ela, que acumula 20 anos de engajamento e luta. Sobre Beijim, Edna destacou a forte representação de mulheres negras na China como marco até então inédito; resultado do cumprimento do critério pré-estabelecido, de que metade da representação teria que ser de mulheres negras. O saldo do encontro realizado em 1995 foi apontado pela palestrante como positivo, devido a uma plataforma e declaração que incorporaram, em muitos itens, a perspectiva das mulheres negras e as temáticas ligadas à questão da etnia.
Neste sentido, a Conferência de Durban, realizada em 2001, foi ainda mais adiante, segundo apontou Jeannine Scott. “Durban representou um marco na luta para erradicar todas as formas de racismo, resultando em um programa de ação para afro-descendentes, que inclui a participação ativa em todos os aspectos sócio-culturais e econômicos”, ressaltou. Entre as diretrizes apontadas na plataforma direcionada especificamente para o continente africano, consta a questão da pobreza, alimentação, saúde, educação, segurança, tecnologia, meio-ambiente, cidadania e a promoção da imagem da mulher na mídia e da criança negra do sexo feminino.
“Houve uma defesa e ativismo maior em determinados países, como Ruanda, onde esses princípios foram aplicados e, hoje, 50% do Congresso é composto por membros femininos; o que represente o maior índice do mundo”, pontuou. Jeannine também citou o exemplo de Gana, onde foi criado um Ministério de crianças e mulheres, além de um fundo financeiro para oferecer micro-crédito aos dois segmentos; e um eficiente serviço de planejamento de saúde comunitário.
Com relação ao Brasil, o grande trunfo foi a criação do Plano Nacional de Políticas para Mulheres, apontado na explanação de Edna Roland. “É o reconhecimento de que o racismo se personifica de forma diferenciada para homens e mulheres e, portanto, faz-se necessário um recorte de raça e etnia na implementação das políticas públicas”, afirmou. Edna ainda elogiou o protagonismo brasileiro durante a Conferência, que teve a iniciativa de indicar – e, posteriormente, conseguir a aprovação de - uma mulher negra para ser a relatora geral do encontro.
Mudanças?!
Mais uma vez, a histórica vitória de Barack Obama foi saudada durante o Colóquio. “Um novo dia nasceu, minhas irmãs. Nós, de Washington a Salvador, de Paris a Londres, de Durban a Dakar, também sobreviveremos”, declarou Jeannine, que trabalhou como membro do comitê de políticas para a África, na campanha do democrata. “Estou inspirada por suas ações e tenho grande esperança de que tenhamos políticas que nos ajudem a continuar no processo de melhoria das condições de vida dos africanos e afro-descendentes; em especial das mulheres”, afirmou.
Apesar de também aplaudir a eleição do primeiro negro para o mais alto posto da Casa branca, Lily Golden mostrou-se um pouco mais precavida: “Isto certamente mudará a nossa consciência. Simplesmente, precisamos entender que podemos fazer tudo, mas tudo depende só de nós”.
Em sua explanação, Lily deixou o protocolo oficial um pouco de lado e, ao invés de seguir à risca o tema proposta na mesa de abertura do Colóquio, utilizou os seus cerca de 30 minutos para uma breve apresentação da situação dos africanos e afro-descendentes na Europa. “Eu vim aqui para dizer que o tempo mudou, mas não nós não mudamos tanto”, afirmou. Segundo a sua pesquisa, morrem em média 50 africanos por mês no continente europeu. “Precisamos começar a agir; tentar unir os negros da Europa, Brasil e todos os lugares do mundo para desenvolver algum tipo de atividade de assistência e socorro aos africanos e afro-descendentes radicados no velho continente”, conclamou.
Lily, que lidera o movimento Europa Negra, confessou uma grande expectativa com a realização do I Colóquio África e Diáspora, “por saber que Brasil está exercendo um papel de protagonista na África”, e propôs a criação de um censo, reunindo todas as informações disponíveis relativas ao povo negro, de diferentes localidades, credos e origens. “Essas informações precisam ser disseminadas e compartilhadas em todo o mundo, como os dados alarmantes de morte, chacinas e extermínios”, defendeu. “Chegou o momento de parar de falar, de interromper as discussões e fazer alguma coisa”, encerrou sob fortes aplausos da platéia.
De Salvador,
Camila Jasmin
Acesso a educação é o melhor caminho para combater o racismo e a discriminação. Esta foi a principal conclusão da conferência “A inserção da mulher negra na produção científica e tecnológica e na agenda do trabalho decente”, que fechou esta sexta-feira (7/11), o primeiro dia de debates do Colóquio África e Diáspora. O evento que acontece até domingo na Reitoria da Universidade Federal da Bahia, em Salvador, reúne mulheres de diversos países para debater o lugar da mulher negra na geopolítica. As conferencistas foram Sylviane Anna Diouf – Senegal/EUA, Dolores Mohammed – Nigéria-EUA e as brasileiras Maria Inês Barbosa e Mônica Custódio.
Pautada pela troca de informações, a conferência foi iniciada por Sylviane Diouf, que falou da falta de acesso das negras africanas ao ensino superior. “Por um fator cultural, em muitos países da África as meninas casam-se logo após a conclusão do ensino secundário, o que impossibilita a continuação dos estudos”. Ela credita parte deste desinteresse pela universidade à falta de estímulo da sociedade, que não oferece oportunidades de estágios, trabalho ou outras perspectivas de futura para estas mulheres. “Elas não têm modelos a seguir e acabam acreditando que não há necessidade de buscar mais conhecimentos científicos e tecnológicos, uma vez que não têm onde aplica-los”, afirmou Sylviane. Para a historiadora, escritora e diretora do Instituto Schomburg-Mellon do Schomburg Center for Research in Black Culture em Nova Iorque, esta realidade só mudará quando as sociedades africanas perceberem que o acesso das mulheres a educação científica e tecnológica é o caminho mais curto para o desenvolvimento.
Dolores Muhammed, da Nigéria, criticou a falta de acesso a condições mínimas de educação e saúde da mulher de origem africana. Em uma fala cheia de simbolismo, Dolores contou em poucas palavras a vida sofrida das africanas. “A vida não é nada fácil para as nossas irmãs da África. São elas as grandes responsáveis pela geração e criação dos filhos e pela absorção de toda violência dentro dos seus lares. Em muitas comunidades, as mulheres negras são as maiores vítimas de abusos e atrocidades dos conflitos civis e militares. São elas que mais sofrem com as guerras, que resultam em seqüestros, mortes e até em escravidão sexual. Devemos usar este fórum como voz destas mulheres, antes que elas se tornem apenas um número nas estatísticas da fome e da miséria”, ressaltou Dolores, que é diretora da Essence International School e fundadora da The African Heritage Village em Kaduna –Nigéria, além de vice-presidente da Comissão de Imigrantes Africanos e Caribenhos da Municipalidade de Philadelphia, EUA.
Mulher brasileira
Depois das explanações sobre a situação das mulheres em outros países, a coordenadora de trabalho e renda da Unegro, Mônica Custódio, fez um breve relato a participação feminina no mercado de trabalho no Brasil. “É preciso refletir sobre o papel da mulher negra na cadeia produtiva e na sociedade brasileira. Hoje, 120 anos após à abolição legal da escravatura, ainda somos vítimas de muitas concepções talhadas naquela época, como o fato de que as mulheres negras devem fazer os serviços que as brancas não querem. Vemos muito isso no serviço doméstico. Não podemos mais aceitar este tipo de diferenciação. E a única forma de acabar com isso é através da educação. A capacitação profissional é essencial para mudar esta situação”, afirmou Mônica.
A coordenadora executiva do Programa Regional Gênero, Raça, Etnia e Pobreza da UNIFEM – Cone Sul, Maria Inês Barbosa, concordou com as afirmações de Mônica. Ela reafirmou a importância da universalização do acesso aos serviços para melhorar as condições de vida da população, citando o caso do Sistema Único de Saúde no Brasil. “O SUS tem suas falhas, mas garante que todos tenham o direito de receber tratamento médico, independentemente do custo que este tratamento tenha. Infelizmente as coisas não acontecem como deveriam e muitas vezes é preciso recorrer á Justiça para que este acesso seja assegurado. Não estamos satisfeito com que esta aí, mas a situação já foi pior. Este sistema, mesmo precário, que temos já melhorou a qualidade de vida de muitos brasileiros.” Maria Inês falou ainda da necessidade de conscientização da população sobre os direitos de acesso á educação, saúde e moradia digna assegurados pela Constituição.
O colóquio prossegue neste sábado com debates sobre direitos sexuais e reprodutivos, o tráfico internacional de mulheres e os desafios da luta contra a pobreza e a descriminação. O ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, também deve participar do evento e falar das ações do governo federal para as mulheres e os negros. O colóquio será encerrado no domingo com uma caminhada até o Campo Grande, onde está acontecendo uma feira de artesanato feito por mulheres de Salvador.
De Salvador,
Eliane Costa
Edson Santos falou ainda das ações afirmativas desenvolvidas pela Sepir como a políticas de cotas nas universidades públicas, o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o trabalho desenvolvido com comunidades remanescentes de quilombos. “Nós enfrentamos muitas críticas daqueles que acham que as políticas universais são suficientes para resolver a questão, mas nós que sofremos na pele os efeitos de 120 anos de invisibilidade e discriminação social sabemos que é preciso muito mais. Por isso, a Sepir e o governo Lula estarão ao lado de todas as entidades aqui presentes na luta para que, um dia, o racismo seja erradicado do nosso país”, reafirmou.
Senegal
“A África será a maior potência econômica do mundo”. A afirmação é do ministro da Diáspora do Senegal, Amadou Lamine Faye, durante sua explanação no Colóquio África e Diáspora, em Salvador. Em um discurso que enalteceu as potencialidades do continente africano, o ministro falou das riquezas da África e dos males que a colonização causou ao seu povo. “Fomos esquecidos durante muito tempo e agora o mundo está querendo se organizar sem a nossa participação. Atentos a estas manobras, 20 países estão se organizando para formar a União Africana, que tem tudo para ser a maior potencia do mundo. Afinal, o nosso continente tem muitas riquezas, como petróleo, ouro e o diamante, temos um grande território propício para o cultivo de alimentos e ainda, temos a maior população de jovens do mundo. Só nos falta a união das nossas forças, mas já estamos conversando sobre isso”.
Amadou Faye exaltou ainda a força da mulher senagaleza, que é a principal responsável pela atividade agrícola no país. “A colonização de nosso país nos deixou como herança um modelo que concentra as atividades econômicas na capital Dakar. Por isso, os homens são obrigados a buscar trabalho na cidade, deixando as mulheres no campo com a responsabilidade de cuidar da terra e da plantação. A partir desta constatação, o governo do Senegal criou um Ministério do Empreendedorismo, que trabalha com as mulheres e tem conseguido grandes avanços no país. As mulheres vêm revelando grande talento para os negócios, o que melhorou a qualidade de vida de grande parte da população”, concluiu.
de Salvador,
Eliane Costa
| Janaina Cunha Melo |
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O babalaô baiano teve mais sorte que o tataravô de Michelle Obama, pois ganhou túmulo conhecido |
O babalaô baiano teve mais sorte que o tataravô de Michelle Obama, pois ganhou túmulo conhecido |
O babalaô baiano teve mais sorte que o tataravô de Michelle Obama, pois ganhou túmulo conhecido |
| Arthur H. Herdy - Especial para o EM |
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| Gracie Santos |
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A referência a Martin Luther King no texto anterior deste blog fez-me recordar uma crónica publicada em 1968 ou 1969 com o título de “Receita para matar um homem”. Aqui a deixo outra vez como sentida homenagem a um verdadeiro revolucionário que abriu o caminho que levará ao fim próximo e definitivo da segregação racial nos Estados Unidos.
Receita para matar um homem
Tomam-se umas dezenas de quilos de carne, ossos e sangue, segundo os padrões adequados. Dispõem-se harmoniosamente em cabeça, tronco e membros, recheiam-se de vísceras e de uma rede de veias e nervos, tendo o cuidado de evitar erros de fabrico que dêem pretexto ao aparecimento de fenómenos teratológicos. A cor da pele não tem importância nenhuma.
Ao produto deste trabalho melindroso dá-se o nome de homem. Serve-se quente ou frio, conforme a latitude, a estação do ano, a idade e o temperamento. Quando se pretende lançar protótipos no mercado, infundem-se-lhes algumas qualidades que os vão distinguir do comum: coragem, inteligência, sensibilidade, carácter, amor da justiça, bondade activa, respeito pelo próximo e pelo distante. Os produtos de segunda escolha terão, em maior ou menos grau, um ou outro destes atributos positivos, a par dos opostos, em geral predominantes. Manda a modéstia não considerar viáveis os produtos integralmente positivos ou negativos. De qualquer modo, sabe-se que também nestes casos a cor da pele não tem importância nenhuma.
O homem, entretanto classificado por um rótulo pessoal que o distinguirá dos seus parceiros, saídos como ele da linha de montagem, é posto a viver num edifício a que se dá, por sua vez, o nome de Sociedade. Ocupará um dos andares desse edifício, mas raramente lhe será consentido subir a escada. Descer é permitido e por vezes facilitado. Nos andares do edifício há muitas moradas, designadas umas vezes por camadas sociais, outras vezes por profissões. A circulação faz-se por canais chamados hábito, costume e preconceito. É perigoso andar contra a corrente dos canais, embora certos homens o façam durante toda a sua vida. Esses homens, em cuja massa carnal estão fundidas as qualidades que roçam a perfeição, ou que por essas qualidades optaram deliberadamente, não se distinguem pela cor da pele. Há-os brancos e negros, amarelos e pardos. São poucos os acobreados por se tratar de uma série quase extinta.
O destino final do homem é, como se sabe desde o princípio do mundo, a morte. A morte, no seu momento preciso, é igual para todos. Não o que a precede imediatamente. Pode-se morrer com simplicidade, como quem adormece; pode-se morrer entre as tenazes de uma dessas doenças de que eufemisticamente se diz que “não perdoam”; pode-se morrer sob a tortura, num campo de concentração; pode-se morrer volatilizado no interior de um sol atómico; pode-se morrer ao volante de um Jaguar ou atropelado por ele; pode-se morrer de fome ou de indigestão; pode-se morrer também de um tiro de espingarda, ao fim da tarde, quando ainda hà luz de dia e não se acredita que a morte esteja perto. Mas a cor da pele não tem importância nenhuma.
Martin Luther King era um homem como qualquer de nós. Tinha as virtudes que sabemos, certamente alguns defeitos que não lhe diminuíam as virtudes. Tinha um trabalho a fazer – e fazia-o. Lutava contra as correntes do costume, do hábito e do preconceito, mergulhado nelas até ao pescoço. Até que veio o tiro de espingarda lembrar aos distraídos que nós somos que a cor da pele tem muita importância.
| Sérgio Rodrigo Reis |
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Ciúme demais pode fazer namoro virar escravidão; jovens contam rotina de proibições, isolamento e agressões físicas
DÉBORA YURI
PATRÍCIA PEREIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
| Walison Jander Gonçalves Coelho, 10º período de Direito PUC Minas |
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| Luis Felipe Silva Freire, Advogado, sócio da Silva Freire Advogados e vice-presidente da Comissão de Informática da OAB-MG |
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