| Sérgio Rodrigo Reis |
| ||||||||
Um blog para discussão de temas pertinentes a Cena do Hip Hop em toda a sua abrangência como forma de Cultura e instrumento de luta e afirmação.
| Sérgio Rodrigo Reis |
| ||||||||
| Ana Maria Magalhães Pinto, Associação dos Usuários, Familiares e Amigos da Saúde Mental do Ipsemg (Assusam-MG) |
| |||
| |||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional o projeto de lei que cria a Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira (Unilab). Pela proposta do governo, a universidade ficará sediada na cidade de Redenção (CE) e terá como principal foco a integração do Brasil com os países da África, especialmente com os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com vistas ao desenvolvimento regional e ao intercâmbio.
De acordo com o projeto, a Unilab terá por base a cooperação internacional, com intercâmbio de profissionais e estabelecimento de convênios com instituições da CPLP. Os cursos terão ênfase em áreas de interesse mútuo, tais como a formação de professores, desenvolvimento agrário, gestão, saúde pública, entre outras.
Para o deputado Iran Barbosa (PT-SE), essa iniciativa do governo mostra o compromisso sério com a população brasileira. "É positivo o que o presidente Lula vem fazendo em prol da educação e em beneficio do povo brasileiro. Essa é uma iniciativa louvável de grande exemplo", disse. Ele acrescentou que o presidente Lula demonstra preocupação em banir a desigualdade: "O primeiro passo sem dúvida é viabilizar a educação a todos", afirmou ele.
Na avaliação do deputado petista Reginaldo Lopes (MG), a integração dos países de língua portuguesa é valiosa. "Essa integração do Brasil com os demais países de língua portuguesa é fantástica, principalmente por ter começado aqui. Acredito no resultado positivo desse projeto que, além da educação, ampliará os laços de amizade e buscará um melhor convívio entre o países", ressaltou.
Lula participa em, Lisboa, nesta sexta e e sábado, da 7ª Conferência de Chefes de Estado e Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Ele apresentará o modelo da universidade, que destinará metade das vagas a alunos africanos.
De acordo com o MEC, serão oferecidos cursos de saúde, física, biologia, tecnologia, engenharia, administração e agronomia, áreas de interesse dos países africanos. Os estrangeiros estudarão no Brasil e também em pólos instalados nas nações da CPLP (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste).
Os recursos da universidade serão provenientes de dotações da União, auxílio de entidades públicas ou particulares, remuneração por serviços prestados e convênios com órgãos nacionais ou internacionais. O projeto de lei também propõe a criação dos cargos de reitor e vice-reitor, 150 de professor e 208 de técnico-administrativo.
Para garantir os objetivos da Unilab, o quadro de professores deverá ser formado por meio de seleção aberta a todos os países da região. A seleção dos alunos também seguirá essa regra. A expectativa é que o primeiro vestibular ocorra no segundo semestre de 2009. Mas, antes, o projeto de criação da Unilab precisa da aprovação do Legislativo.
Fonte: Agência Informes
Equipe Informes
Salve rapa, está em minhas emocionadas mãos a Edição Maravilhosa, volume extra dedicada a Lima Barreto, publicada pela Ebal (editora Brasil América) que publicou mais 199 revistas sobre literatura de 1948 a 1960. todas editadas por Adolfo Aizen, um editor que tinha visão naquela época, enquanto Roberto Marinho publicava todo tipo de lixo pela RGE, a Ebal fez história.
Por Ferréz, em seu blog
Como escritor negro e militante que era, Lima Barreto hoje com certeza não ganharia uma edição dessas, porque a ditadura caiu, mas a opressão continua na cara dura.
O homem foi um marco tanto pra literatura como pra sociedade ultra conservadora, que ainda tenta manter seu padrão "pseudo europeu".
Barreto sempre fez crônicas, no jornalismo era sempre em defesa aos menos favorecidos, tudo isso além dos seus já conhecidos romances.
A fita é essa, entre tudo isso, é melhor ler algo que presta. tá dado a dica.
Pra quem tiver afim de se aprofundar mais, o João Antônio também fez um livro sobre o Lima Barreto, é uma edição única e já esgotada, uma boa garimpada nos sebos pode dar resultado,mais fácil é achar o que saiu pela Ediouro/Ágir, uma coletânia definitiva sobre Lima Barreto, Toda a Crônica, organização de Beatriz Resende e Rachel Valença. são dois volumes com mais de 1.100 páginas de puro lirismo.
Aconselho a todos, afinal ele é a nossa raiz, o cara que veio antes de tudo isso que está nas livrarias ou nos becos das quebradas do mundaréu, hoje e sempre o nosso Pingente.
| Henrique Costa - Observatório do Direito à Comunicação 23.07.2008 |
| | |
| Divulgado no final do ano passado, o Aviso de Habilitação 06/2007 para inscrição de entidades interessadas em executar serviço de radiodifusão comunitária em 950 localidades encerrou-se no dia 3 de março. O prazo de inscrição, estendido por duas vezes, completou noventa dias e teve a adesão de 751 entidades em 25 estados do país. Uma observação atenta dos números divulgados pelo Ministério das Comunicações revela, contudo, não apenas o mapa de distribuição da demanda por emissoras comunitárias pelo Brasil, mas também e especialmente a lentidão dos processos. | |
| |
| |||
| Geraldo Magela Teixeira - Reitor do Centro Universitário UNA |
| |||
| | |
| Os protestos ainda são tabu na China |
A foto mostra homens feridos na parte de trás de um triciclo e foi publicada nas páginas internas do Beijing News sob o título "Os Feridos", para ilustrar uma entrevista com o fotógrafo Liu Xiangcheng, autor da fotografia.
O jornal foi retirado das bancas, e parte do seu website foi bloqueada depois que a foto foi publicada.
Os protestos de estudantes da Praça da Paz Celestial e a reação violenta das autoridades contra os manifestantes ainda são um tabu na China continental.
Os livros escolares não mencionam o evento, e a imprensa nacional está proibida de publicar artigos sobre o assunto. Buscas nos principais sites por “Tiananmen”, que quer dizer “Paz Celestial” em chinês, resulta em links bloqueados.
Em 4 de junho de 1989, a liderança chinesa permitiu o uso da força para dispersar milhares de manifestantes que estavam acampados há várias semanas em frente à sede do governo, na Praça da Paz Celestial de Pequim, pressionando por mais mudanças democráticas.
A ação militar expulsou os manifestantes que se recusaram a sair, matando centenas ou até milhares de pessoas. Não há um número preciso de mortes, mas estimativas variam entre trezentos e quatro mil.
O governo comunista oficialmente classifica as demonstrações de 89 como “contra-revolucionárias” e nunca divulgou detalhes sobre o evento. Em 2005, Pequim rejeitou pedidos de dissidentes para rever a questão de Tiananmen e dar maior abertura ao debate.
O governo chinês também mantém um controle rígido sobre a mídia.
Em maio deste ano, o governo fechou uma revista que publicou um ensaio de fotos de modelos seminuas em meio aos destroços do terremoto que atingiu a província de Sichuan e deixou mais de 65 mil mortos.
Quando se trata de candidato a presidente, governador ou prefeito o discurso se faz naturalmente abrangente. É o país, o estado ou o município a referência dos compromissos a serem assumidos perante o povo.
E quando se trata de uma candidatura a vereador? É óbvio, dirão os mais
apressados; cabe enumerar duas ou três bandeiras de luta e ganhar as ruas. Óbvio, porém equivocado. Pois não basta agitar o nome e o número do candidato.
Começa que o vereador, mesmo quando eleito por uma fatia do eleitorado
identificável social e geograficamente, estará na Câmara como representante de todos os munícipes – ou do povo, dos que vivem do seu trabalho. Isto significa que no exercício do mandato não poderá se negar a debater nenhum tema relativo à vida na cidade. Isso exige conhecimento dos problemas, preparação prévia.
Entretanto, não significa que o candidato se exima de apresentar uma plataforma, na qual estejam elencadas algumas bandeiras de luta, dentre as que considera mais importantes na atualidade, com as quais se identifique e que estejam em sintonia com as parcelas da população que prioritariamente deseja sensibilizar na busca do voto.
É o caso de nossa candidatura no Recife. O candidato compartilha com o
prefeito (como seu vice) a gestão da cidade há quase oito anos. Tem a obrigação de discutir tudo o que lhe seja apresentado. No entanto constrói a sua plataforma seguindo os três critérios acima mencionados. Assim, tende a priorizar, de forma compactada, questões como mobilidade urbana-transporte e trânsito; desenvolvimento econômico-emprego-educação para o trabalho; cultura; segurança-direitos humanos-espaços urbanos seguros; saúde-meio ambiente-habitação. Com um adendo: o compromisso de exercer o mandato de modo participativo, submetido a prestação de contas e avaliações críticas regulares. Ou seja: um debate permeado por amplo debate de idéias.
O cronograma de campanha prevê a realização de encontros com técnicos,
pesquisadores, gestores públicos, lideranças populares, empresários, gente
do mundo da cultura para o debate e síntese desses conteúdos. Para que o
discurso do candidato possa ganhar lastro mais consiste e seus compromissos
fundamentais sejam compartilhados com apoiadores mais ativos e influentes.
Não é uma fórmula. Mas talvez seja um bom exemplo.
*Luciano Siqueira, Médico
O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), alerta os eleitores brasileiros para a campanha que pretende coletar um milhão e trezentas mil assinaturas para o Projeto de lei de Iniciativa Popular: Ficha Limpa, que impede a candidatura de políticos condenados pelo menos em 1ª instância do sistema judicial.
Em novembro de 2007, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) lançou em Brasília, para todos os Estados brasileiros, a campanha Eleições Municipais 2008 - Voto não tem preço, tem conseqüências.
As eleições de 2008, a exemplo das demais, correm sério risco de darem mandato a candidatos/as condenados/as por crime comum ou de corrupção; ou ainda para aqueles/as que se utilizando do foro privilegiado ficam impunes.
Ainda que tenha a possibilidade do TSE interpretar a legislação eleitoral já existente de maneira a vetar a candidatura destas pessoas, a sociedade civil e os/as eleitores/as brasileiros/as precisam pressionar o Congresso Nacional para que tome medidas definitivas para excluir de vez da vida política os/as postulantes a cargos eletivos que tenham condenações judiciais em virtude de fatos graves, tais como: racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas e desvio de verbas públicas.
A coleta de assinaturas deve ser realizada unicamente por meio do modelo de formulário disponível, pois assim será possível comprovar que as assinaturas se referem a este projeto de lei. As assinaturas já coletadas devem ser enviadas à Secretaria Executiva do Comitê Nacional do MCCE SAS Quadra 5, lote 2, Bloco N – 1º andar – Brasília–DF, CEP 70.438-900, fone (61) 2193-9746 a fim de serem anexadas ao projeto de lei final.
Na Semana da Pátria, de 1º a 7 de setembro, o MCCE promoverá a 1ª Mobilização Nacional. O Movimento quer incentivar a participação de eleitores e eleitoras na Campanha Ficha Limpa, coletando o máximo possível de assinaturas nas cinco regiões brasileiras. Os membros dos Comitês 9840 deverão promover ações de mobilização em seus estados e municípios. Ao final da Mobilização, todos deverão enviar seus formulários para o MCCE, que fará a primeira contagem oficial das assinaturas coletadas para o Projeto de Lei Vida Pregressa dos Candidatos.
O povo brasileiro está vivendo momentos muito difíceis em sua historia política. O Estado brasileiro através de diversas instituições se mantém a serviço apenas da manutenção dos interesses de poder econômico e de seus privilégios. Muitos direitos sociais, conquistados na mobilização popular e consagrados pela constituinte de 1988, estão sendo ameaçados ou sistematicamente desrespeitados.
Diante disso, movimentos sociais, militantes sociais, sindicatos, pastorais, intelectuais e artistas, nos dirigimos a vossas senhorias para colocar nossas preocupações e propostas.
Apesar de vivermos numa democracia, pela qual tanto lutamos no passado e à custa de tantas vidas sacrificadas de nosso povo, as reações que temos visto hoje das elites frente as nossas mobilizações pacíficas estão marcadas pela violência, preconceito, ódio de classe e discriminação. Os meios de comunicação, ao invés de atuarem como serviço público, informando a sociedade brasileira acerca das propostas dos setores populares e dos povos indígenas, mais desinforma, dissemina o desprezo e aprofunda o preconceito contra nossos movimentos.
Mais ainda, presenciamos setores do Exército, da ABIN (Agência Brasileira de Informação), das Policias Militares estaduais, algumas articuladas até com milícias privadas serem utilizados para monitorar, espionar, reprimir com violência e prender nossas lideranças, atuando não em busca da paz social, mas da implantação do terror em nossa população mais pobre. Exemplos disso são os lamentáveis casos da atuação da Brigada Militar no Rio Grande do Sul e em Roraima, com os povos indígenas de Raposa Serra do Sol.
A prática da infiltração, escuta telefônica, seguimento e perseguição em nossos movimentos sociais e indígenas através de diversas formas e da P-2 (serviço secreto das Policias militares), com objetivo de realizar provocações para justificar o emprego da violência do Estado e com objetivo de espionagem de nossas organizações, entidades solidárias e parlamentares aliados já se tornaram corriqueiras. Tais atividades ilegais servem ainda de suporte para a elaboração de “relatórios” eivados de mentiras a respeito de nossas atividades, métodos, objetivos e lideranças, enviados para instâncias do Estado e “vazados” para a mídia com o propósito de reprimir-nos sem razão e de atacar-nos com ferocidade.
A violência do Exército e das Polícias Militares estaduais, como a Brigada Militar do Rio Grande do Sul, tem nos lembrado dos tempos da ditadura militar, pois se utiliza dos mesmos métodos, incluindo o espancamento e a tortura de militantes sociais em manifestações legítimas e pacíficas.
Esta situação tem se caracterizado como de abuso de poder, por parte do Estado como por parte das elites, que criam cada vez mais milícias privadas, nas cidades, no campo e nas áreas indígenas, para repressão e violência contra nossos movimentos e comunidades.
Esta volta ao passado tem sido completada com a retomada da própria Lei de Segurança Nacional por parte de uma promotora do Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, numa estratégia de cunho fascista que tem por fim declarado a eliminação dos movimentos populares do campo, de nossas organizações sociais e a cassação de nossos direitos políticos.
No estado de Roraima vemos a retomada das concepções de Segurança Nacional no sentido de eliminar os povos indígenas de Raposa Serra do Sol em suas lutas legítimas em defesa de direitos constitucionais e de suas terras, já plenamente demarcadas e homologadas pelo próprio Estado brasileiro.
Tais agressões aos povos indígenas e aos setores populares com base em concepções e legislação da época da ditadura militar têm por fim fortalecer e viabilizar os interesses do latifúndio, do agronegócio e das grandes empresas nacionais e estrangeiras.
Nós, movimentos sociais, entidades e povos indígenas vimos a público exigir com arrimo nos direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988 e nos tratados, pactos e convenções internacionais de garantia de direitos civis e políticos ratificados pelo Brasil: A garantia dos Direitos Humanos fundamentais, do direito à livre organização e à legítima e pacífica manifestação popular e dos povos indígenas em todo o país; O direito amplo à liberdade de expressão, de pensamento, de movimentação e circulação de pessoas, grupos e comunidades populares e povos indígenas em todo o território nacional; Punição das práticas repressoras, violentas e autoritárias, heranças da ditadura militar e que atentam contra o Estado Democrático de Direito; Extinção da Lei de Segurança Nacional, que sempre oprimiu nossa sociedade e que faz mais de 20 anos, com a volta plena da democracia política, se tornou totalmente extemporânea em nosso país; Que a Abin, as forças armadas e suas instituições, se mantenham dentro de suas atribuições constitucionais, legalmente impedidos de agredir a cidadania, os movimentos sociais do campo; Que a Polícia Federal e as Polícias Militares estaduais, assim como o Ministério Público atuem sempre dentro de seus limites legais, no sentido de assegurar em primeiro lugar os direitos do povo, o bem-estar e a segurança da população brasileira e não na defesa cega dos interesses do Capital.
| Dom Walmor Oliveira de Azevedo - Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte |
| ||||
| | Religião e eleições municipais |
Maria Clara Lucchetti Bingemer
Tudo isso demonstra que na verdade, ainda que se insista em separá-las, religião e política estão profundamente interligadas e uma influencia a outra quer queiramos quer não. Além disso, este estado de coisas faz patente que pretender neutralidade tanto em religião como em política nunca resulta em saída fértil e consistente.
O processo que leva da adesão religiosa ao exercício de uma dada modalidade de cidadania democrática, ou inversamente, da afirmação de uma dada identidade democrática a exigências de abertura do campo religioso à lógica da política não é unilinear, nem assegurada por critérios de compatibilidade e coerência. [1] Tudo isso já era percebido por um dos maiores teóricos da religião, Max Weber, que afirmava: "Nem as religiões, nem os homens, são livros abertos. Foram antes construções históricas do que construções lógicas ou mesmo psicológicas sem contradição. Com freqüência, encerraram uma série de motivos, e cada qual, se seguido isolada e coerentemente, teria obstruído o caminho dos outros ou se chocado contra eles frontalmente. Nas questões religiosas, a ‘coerência’ foi a exceção, e não a regra".
Portanto, a comunhão de interesses e propósitos entre atores religiosos e atores políticos, ou mais abstratamente, entre vivência religiosa e cultura democrática, quando se estabelece, não se dá por mera confluência ou "conversão". As articulações entre uma e outra dimensão vital em geral se dão por referência a adversários ou conflitos e controvérsias que produzem polarizações parciais no espaço social, levando à agregação de campos heterogêneos. Assim é a relação entre religião e política. É preciso sempre analisá-la em seu contexto, pois ela não se presta a generalizações estáveis ou categóricas.
Os valores políticos dos atores religiosos brasileiros contemporâneos se desenvolveram já num espaço politizado, desde os anos da ditadura, em que não somente uma série de espaços "privados" (como as igrejas) se convertiam em lugares de resistência ao arbítrio, à censura, à violência, desempenhando, no dizer de Roberto Romano, uma função “tribunícia”; ou enfrentavam internamente pressões pela tradução das demandas democratizantes em termos religiosos e vice-versa. Também ao funcionar - principalmente no caso católico - como espaço articulador de um conjunto de demandas populares ou como proteção aos perseguidos pelo regime, o campo religioso inseriu-se num processo de interação com o campo político, e elementos de cada um passaram a se inscrever no outro. A partir da redemocratização, manteve-se o contexto politizado, pela contínua exposição dos fiéis ao debate público - especialmente no período de
Com base nesta "permeabilização" de fronteiras entre o campo religioso e o político, os processos de formação de identidades e agendas nos dois campos forjam valores na nova geração de atores religiosos que simultaneamente mantêm e alteram referências tradicionais da religião e da política no país. Um debate que, no protestantismo, começa pelo problema da legitimidade da política e se amplia para implicações missiológicas (como a relação entre protestantismo e cultura brasileira, protestantismo e pluralismo ideológico, protestantismo e o lugar da mulher no ministério ordenado e na vida social). No catolicismo, se caracteriza inicialmente por uma tentativa de reforma social ligada a uma experiência de "reinvenção" eclesial – com a Teologia da Libertação e das Comunidades Eclesiais de base - e, nos últimos dez anos, por uma reafirmação de posturas tradicionais da Igreja face ao que a hierarquia entende ser um afrouxamento relativista dos valores e uma prevalência pouco altruísta do comportamento de mercado.
Desta forma, os valores não são a expressão de subjetividades pré-políticas, nem emergem de uma esfera pré-política para "chegar" à política. São antes o resultado da interação entre religião e democratização. De um lado, esses valores são integralmente religiosos, no sentido de que não decorrem logicamente de valores políticos, nem são reflexo de forças econômicas ou posições de classe. De outro lado, não são valores expressivos de uma vida social ao abrigo da política (quer no sentido institucional, quer no de uma dimensão estruturante do social).
Efetivamente, a presença do bispo Crivella nas eleições municipais do Rio de Janeiro configura exemplarmente este estado de coisas na medida em que se apresenta diante das autoridades eclesiásticas católicas e protestantes históricas insistindo em não se identificar como bispo da Igreja Universal do Reino de Deus. Conhecido pela oposição cerrada que fez à Igreja Católica, e sendo uma pessoa de peso protagonico em sua agremiação religiosa, Crivella pretende uma neutralidade que não tem nem pode ter.
Pode até ser que consiga ganhar a prefeitura do Rio de Janeiro, mas terá que fazê-lo carregando sobre os ombros o fardo do que foi e é em termos religiosos. E seus eleitores não conseguirão dissociá-lo daquela que foi sua carteira de identidade. Se religião e política interferem uma na outra respectivamente, certamente as eleições municipais de 2008, muito especialmente no Rio de Janeiro, são um claro exemplo disso.
[1] Cf. Joanildo A. Burity, Religião e cultura cívica: onde os caminhos se cruzam?, INPSO, Instituto de Pesquisas Sociais, FUNDAJ, Fundacao Joaquim Nabuco, Recife, Pernambuco, Brasil. Seguimos esse texto de perto na reflexão mais teórica.
| Rodrigo Bernardes Braga - Advogado |
| |||
Esta é uma decisão inédita na categoria, mas que pode se repetir daqui para frente pois, apesar das empresas instruírem seus funcionários de cargos de liderança contra essa prática, infelizmente ainda há pessoas com esse tipo de comportamento.
"Lamentavelmente a mídia, por exemplo, apresenta o negro em cargos inexpressíveis. Os desenhos animados não tem heróis negros. E, nas empresas, o numero de chefes negros é totalmente insignificante", lembra Daniel Calazans, diretor do sindicato e membro da Comissão de Combate ao Racismo dos Metalúrgicos do ABC.
Preconceito disfarçado
Calazans garante que essa prática dos trabalhadores sofrem com preconceito no chão de fábrica é mais comum do que se imagina são atitudes sutis, além de situações mais constrangedoras, como a sofrida pelo companheiro Carlos. "O que nos resta é seguir esse exemplo de denunciar esse tipo de atitude odiosa."
Quando perguntado qual conselho daria para um companheiro que passasse pelo mesmo problema, Carlos Roberto Santos não hesita. "Ter a coragem que eu tive de enfrentar. Não vale a pena aguentar as ofensas por medo de perder o emprego. Eu mesmo, se soubesse dessa possibilidade antes, não teria esperado tanto tempo", aconselha, ao garantir que faria tudo novamente.
Recente estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que a população negra será maioria no Brasil ainda este ano e em 2010 superará a soma de brancos, indígenas e amarelos no País. "Por isso nós reivindicamos cada vez mais ações afirmativas e políticas públicas de inclusão e respeito porque sua maioria absoluta da população é negra", afirma Daniel Calazans.
O diretor do Sindicato lembra ainda que no atual governo a população afrodescendente tem conseguido o reconhecimento de seus direitos. "Mas, ainda falta muito para superar esse abismo de 502 anos de exclusão absoluta", finaliza o dirigente.
Fonte: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
| Walter Sebastião |
| ||||||
| |||||
Quarta-feira passada o programa de televisão Observatório da Imprensa, onde jornalistas fazem um balanço da semana, debateu exaustivamente os fatos sob o ângulo da mídia. A polêmica que sacode o Supremo Tribunal Federal e outras instâncias da justiça é acompanhada atentamente pela opinião pública e como há muito não se via.
As ações da Polícia Federal são recebidas com aplausos pela população, ao mesmo tempo em que surge a preocupação com o que se define como circunstâncias que ferem o Estado de Direito Democrático.
O lúcido economista Luis Gonzaga Belluzzo, tece algumas excelentes considerações sobre o assunto na revista Carta Capital, e diz que o estado de coisas que envolvem o senhor Daniel Dantas reflete fenômenos típicos do capitalismo, mas não só, em todos os países do mundo.
Afirma Belluzzo que devemos tomar cuidado contra dois tipos de argumentos antiéticos, mas que possuem a mesma origem.
O primeiro é dos espertalhões: já que todos são corruptos, diante da geléia geral, é melhor deixar tudo como está. O segundo, parte da visão de que todos são culpados até prova em contrário.
Existe outro ponto de vista, complacente para com os excessos cometidos, que se ampara no tratamento desigual que sofre a grande maioria da sociedade brasileira, deserdada dos seus mais elementares direitos constitucionais e agredida pela violência de maus policiais.
Nesse caso, a visão é equivocada porque busca nivelar a nação através da exclusão das garantias constitucionais. Devemos lutar para que sejam assegurados os direitos constitucionais de todos os brasileiros, nunca a ausência destes.
O país apóia a eficiência dos órgãos policiais, federais ou estaduais, inclusive junto aos delitos cometidos pelos poderosos, tanto quanto a eficácia da justiça na garantia das prerrogativas de todos os cidadãos.
As autoridades e instituições republicanas, saídas do arbítrio, estão sendo testadas pelos acontecimentos e observadas, com vivo interesse e atenção, pela sabedoria do calejado povo brasileiro. Na verdade, se há uma crise, ela é de natureza benéfica e do aperfeiçoamento do Estado.