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Um blog para discussão de temas pertinentes a Cena do Hip Hop em toda a sua abrangência como forma de Cultura e instrumento de luta e afirmação.
Reação é diferente entre meninas e meninos
Cresce proporção de jovens grávidas
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Da adolescência para a vida adulta
| Márcia Maria Cruz |
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Vou ser pai. E agora?
| Márcia Maria Cruz |
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Da picape à partitura
| Janaina Cunha Melo |
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Capitalismo castiga jovens brasileiros
Baixa escolaridade, desemprego e violência empurram juventude para uma existência vazia, marcada pela mercantilização
Jonathan Constantino
de Niterói (RJ)
Ao lado da organização política, o outro eixo principal do 1º Encontro Nacional da Juventude do Campo e da Cidade (ENJCC) foi analisar a diminuição das perspectivas dos jovens dentro da sociedade capitalista. Segundo as discussões realizadas, isso pode ser verificado através de dados referentes à educação, emprego e criminalidade, além de uma compreensão de mercantilização da vida.
De acordo com estudo publicado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), em abril, o Brasil possui cerca de 51 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos. Dos jovens entre 15 e 17, apenas 48% estão cursando o ensino médio e 18% estão fora da escola. Dentre aqueles com 18 a 24 anos, a situação é ainda mais alarmante, pois apenas 13% estão no ensino superior e 66% não estudam.
Porém, no encontro, foi salientado que tais fatos não podem ser analisados de modo isolado. A renda familiar, a etnia e o local em que habita interferem no acesso do jovem à educação e na maneira como adquire informação. Esse acesso, por sua vez, influencia no modo como esses indivíduos serão inseridos no mercado de trabalho e atuarão no seu contexto social.
Com relação ao emprego, o Datafolha publicou, em julho, uma pesquisa apontando que 33% dos jovens entre 16 e 25 anos possuem anseios de realização profissional. No entanto, o número contrasta com a realidade do desemprego que, entre os jovens, é de 46%, segundo o Ipea. A pesquisa ainda aponta que 31% dos jovens são pobres e, destes, 70% são negros.
Violência
No que diz respeito à criminalidade, nas atividades do ENJCC chamou-se a atenção para o fato de que a juventude tem sido a principal vítima da violência. “A ONU declara que um país está em guerra civil quando 15 mil jovens por ano morrem violentamente. No Brasil, morrem cerca de 60 mil”, disse Tatiana Oliveira, da Escola Nacional Florestan Fernandes.
As maiores vítimas são os pobres e negros. As intervenções feitas durante o encontro revelaram tratar-se de um processo de criminalização da pobreza, que pode ser ilustrado com o trágico episódio que vitimou três jovens do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, em junho.
A violência atinge em média 50% mais os jovens negros e estes são, ainda mais que os brancos, vitimizados por um contexto social que gera profundos impactos em seu cotidiano, visão de mundo e possibilidades concretas de construção de futuro, denuncia o Ipea.
Rafael Vilas-Boas, do setor de cultura do MST, lembra que o Brasil possui a segunda maior população negra do mundo, atrás apenas da Nigéria e acrescentou que “a teoria de esquerda no Brasil precisa rever certas pautas, como a questão racial. Se os movimentos sociais e partidos não atentarem para a questão do negro, perderão a sua legitimidade”.
Mercantilização da vida
Por fim, Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, observa que a juventude, massificada por um conglomerado midiático que reproduz um pensamento autocrático burguês e consumista, tem sido atingida por um fenômeno de mercantilização da vida. “As nossas relações têm sido intermediadas por coisas”, completa.
Nesse sentido, não só o modo como as pessoas se relacionam, mas seus próprios anseios estão relacionados a coisas. Ao menos é o que aponta a pesquisa do Datafolha, na qual grande parte dos jovens anseia possuir um veículo próprio (40%), casa (36%), investe principalmente em vestuário e calçado (61%) e consideram-se muito consumistas (26%).
São dados importantes a serem analisados, porém Vilas-Boas alerta que “o gosto é uma construção ideológica”. Dessa forma, não há como transformar a situação da juventude sem modificar a estrutura social, enfrentar o neoliberalismo e modificar o modelo de desenvolvimento econômico. “Nossa luta tem de ser anti-sistêmica. Ou superamos o capital ou a humanidade não sobreviverá por muito tempo”, acrescentou Gilmar Mauro.
Deus no palanque
Alberto Dines
A disputa religiosa é a segunda maior causa de guerras na história da humanidade. A primeira é, obviamente, a conquista territorial para garantir a subsistência e a sobrevivência. Nesta questão primordial, o ser humano não se distingue das outras espécies animais que se engalfinham em busca do espaço vital para produzir alimento, agasalho e a preservação do grupo. Asseguradas as necessidades biológicas, os animais ditos racionais passam a guerrear-se para impor suas crenças.
Lamentável: a vantagem competitiva oferecida pela racionalidade em vez de pacificar os instintos só os exacerba. Em termos concretos significa que a busca da paz genuína compreende um esforço ostensivo dos envolvidos para retirar da pauta dos contenciosos todos os ingredientes capazes de fomentar o fervor religioso ou a ferocidade confessional.
Em outras palavras: é preciso tirar Deus da arena política. Há indícios de que isto está acontecendo na Europa - prova de que o Velho Mundo ainda é uma referência - porém na Ásia e na África religião é dinamite pura. No mitológico Novo Mundo, sempre associado à imagem de liberdade, a religião foi imposta a ferro e fogo. Na parte setentrional do continente, mais de cinco séculos depois da chegada de Colombo, encontramos uma situação não muito diferente daquela que existia em 1492, quando a Espanha expulsava os mouros e os judeus do seu território.
Hoje, nos EUA (segundo a “Economist” de 16/8, p.35) cerca de 90% dos cidadãos declaram-se religiosos, 63% acreditam que a Bíblia é a palavra divina e que religiosidade é prova de bom caráter. Apenas 42% dos norte-americanos afirmam que votariam num agnóstico ou ateu para a presidência enquanto 56% votariam num homossexual e 93% aceitariam um negro.
Esta exótica religiosidade numa comunidade tão diversificada e numa civilização tão materialista produz situações singulares como o primeiro encontro dos dois candidatos à Casa Branca, Barack Obama e John McCain, realizado no megatemplo do poderosíssimo pastor Rick Warren na Califórnia, semana passada. Obama veio para mudar, conseguiu ser pós-racial, pós-ideológico, mas não conseguiu ser pós-religioso. Sequer tentou.
Na Íbero-América, a conversão forçada dos nativos e a presença da onipotente, onisciente e implacável Inquisição criou um paraíso monolítico católico que agora começa a ruir diante do formidável avanço das seitas protestantes de variadas filiações. Sem o apoio das massas, certos grupos e ordens ligados ao Vaticano (como a Opus Dei), tentam barrar este avanço evangélico através de um grande empenho na área da comunicação social onde os evangélicos estão poderosamente inseridos.
As eleições de Outubro têm tudo para transformar-se no primeiro round de um confronto formal e ostensivo entre evangélicos e não-evangélicos graças à presença de Marcelo Crivella (PRB) como candidato à prefeitura carioca. Sua eleição anterior para o Senado foi apenas um ensaio: sua postulação a um cargo majoritário, numa cidade-vitrine como o Rio de Janeiro, dá outra dimensão a uma disputa que em outras circunstâncias seria no máximo partidária. Agora é mediática, aos pés do Redentor, portanto religiosa.
Na antiga Cidade Maravilhosa está a sede do poderoso Grupo Globo, cujo maior competidor é a TV Record, carro-chefe da Igreja Universal, de propriedade do bispo-empresário Edir Macedo, tio do candidato Crivella, por enquanto líder nas pesquisas.
Crivella tem o apoio do governo federal, seu partido é o mesmo do vice-presidente da República e do ministro Mangabeira Unger, que aposta numa reedição da história de sucesso da Coréia do Sul onde a opção pelo protestantismo foi estratégica.
Os desdobramentos de um eventual confronto são preocupantes. Embora administrada como empresa multinacional, a Igreja Universal adota um proselitismo agressivo. Seu poderio eleitoral, sobretudo nos segmentos menos favorecidos, pode potencializar conflitos subjacentes. Nas comunidades carentes do Rio onde atua, até a panfletagem precisa ser aprovada pela bandidagem ou pela mílicia (o que vem dar no mesmo).
Deus nos palanques tira Marx da jogada. Religião deixou de ser o “ópio do povo”, porém nada impede que se converta em “coração de um mundo sem coração e alma da condição desalmada”. Guerras religiosas são insaciáveis. Mais nocivas do que as produzidas pela fome.
Sob o olhar de Brás Cubas
| Virgílio Fernandes Almeida |
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ESPANCAMENTO
| Ingrid Furtado |
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Retrato Radical
Retrato Radical lança CD domingo no Reciclo
Janaína Cunha Melo - EM Cultura
Produzido pela Xeque Mate Produções, o disco começou a ser trabalhado em 2005. O Retrato Radical preserva a referência da soul music, que influencia os MCs desde a estréia no hip hop, mas marca o diálogo do grupo com vertentes da música popular brasileira. “James Brown é nosso ícone, a fonte mais importante para todo mundo do rap, mas descobrimos muita identificação com a nossa música, que é muito rica”, comenta Marcelo Luiz de Paula, o rapper Canela. Martinha, Roberto Carlos, Aguinaldo Timóteo, Nelson Ned, Tim Maia e Ney Matogrosso passaram a fazer parte da discoteca dos MCs. “Não tínhamos noção de como esse acervo musical é grande. Começamos a escutar e não paramos mais. Tem muito a ver com a gente”, diz. Homem bomba, ele explica, trata do limite de cada um. Relata situações extremas, do cotidiano na periferia. Criminalidade, pobreza, desemprego, crítica social estão entre os temas, convertidos em rimas poéticas. “O menino que vende bala na rua e não consegue estudar, está no limite. A molecada que entra para o crime sem saber o que está fazendo, também”. Bike avião fala da iniciação das crianças no tráfico de drogas; 78 mostra o contraste, da infância que no passado desfrutava das brincadeiras de rua. “É uma homenagem a essa década, quando os meninos se divertiam com carrinho de rolimã, amarelinha, pique-esconde”, comenta Canela. A festa, que conta ainda com lançamento dos clipes 78 (Retrato Radical), Mó sufoco (A Profecia) e participação do coletivo Nospegaefaz com a música Pra Maloca Pirar, presta homenagem ao rapper D.U.K.E., morto no Morro Alto no início do ano. O artista, que passou pelo Artigo 607 antes de se integrar ao Retrato Radical, tinha 29 anos de idade e era considerado referência de superação, que descobriu alternativa no hip hop. “Ele era exemplo pra muita gente. Tinha estilo, boa levada, expressão. Como artista, ele era testemunha dos relatos da periferia, e passou a ser réu da história que narrava. Foi uma grande perda”, lamenta. Canela conta que o grupo investiu cerca de R$ 12 mil para a realização do novo disco, que chega ao mercado em tiragem de mil cópias. Apesar das dificuldades para captar recursos, o rapper acredita que o talento desta geração tem sido capaz de demonstrar o potencial do movimento. “O rap hoje é uma indústria. Apesar das dificuldades, temos cena forte, com grupos de expressão na música e também no grafite, além dos DJs e b.boys. Estamos passando por uma ótima situação, de amadurecimento”, afirma. RETRATO RADICAL Reciclo Asmare Cultural, Av. do Contorno, 10.564, Barro Preto, (31) 8442-5686. Domingo, 16h. Lançamento do CD Homem bomba. R$ 5. |
Duelo do bem
| Janaina Cunha Melo |
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PRISÕES
Polêmica sobre uso de algemas continua viva
Hélio Mantini da Cunha - Belo Horizonte
“Ao proibir o uso de algemas (ferramenta de trabalho) aos policiais no cumprimento de suas árduas tarefas profissionais, a meu ver, não foi decisão infeliz do Supremo Tribunal Federal (STF). Certamente, essa regra está sendo implantada para proteger a imagem dos ‘bandidos de colarinho branco’, pois, com certeza, pessoas comuns jamais teriam influenciado a medida. Cabe aos políticos, antes de aprovar tal decisão, lembrarem-se de que o policial, quando efetua uma prisão ou transporta algum preso para ser ouvido, não tem condições de avaliar naquele momento o ‘estado de espírito’ e possíveis reações do conduzido e, portanto, sem algemas, estará arriscando sua integridade física e também de outras pessoas. A lei foi feita para todos, ricos e pobres, famosos e desconhecidos. Portanto, quem não quer ser algemado que não cometa delitos.”
Algemas do retrocesso
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Ditadura da beleza
Exigência de que atores e cantores se enquadrem em padrões estéticos é cada vez maior. Não é privilégio da China, onde a intérprete mirim emprestou sua linda voz à garota bonita
| Gracie Santos |
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Aluno de baixa renda ganha espaço nas universidades
Puxada pelo ProUni, pelo aumento de vagas e pelo alargamento da classe média, a participação de alunos de baixa renda no ensino superior do Brasil cresceu nos últimos anos.
De 2004 a 2006, a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) registrou um aumento de 49% na proporção de universitários com renda familiar mensal de até três salários mínimos -de 10,1% para 15,1%, segundo dados tabulados pelo pesquisador Simon Schwartzman, do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade).
Na população em geral, a proporção de pessoas com essa faixa de renda subiu apenas 8%.
Embora tenha ganhado mais espaço, esse segmento ainda está subrepresentado no ensino superior, já que, em 2006, o total de brasileiros com renda de até três salários mínimos era muito maior -55,2%.
Considerando a baixa base de comparação, especialistas apontam que o ProUni tem impacto significativo no movimento de ingresso de alunos mais pobres no ensino superior: em 2006, entraram 360 mil alunos de baixa renda a mais do que em 2004; o programa do governo federal, que começou em 2005, ofereceu 204 mil bolsas no período.
Regina Vinhaes, da UnB (Universidade de Brasília) acrescenta que, nos últimos dez anos, a oferta de vagas no ensino superior mais do que quadruplicou, puxada principalmente pela rede particular.
Ryon Braga, da Hoper Consultoria, aponta ainda a ampliação do financiamento educacional e a queda dos preços cobrados por instituições privadas como explicações. Estudo feito por ele mostra que, em 1996, o valor médio da mensalidade era de R$ 840, em valores corrigidos. Hoje, é de R$ 427.
A médio e a longo prazo, porém, a sustentabilidade desse movimento de abertura do ensino superior à população de baixa renda ainda é incerta.
''Uma dificuldade para a expansão é que o ensino médio não está formando gente suficiente, e o ProUni já tem dificuldade de encontrar candidatos'', aponta Schwartzman. ''Além disso, vai depender da capacidade das pessoas de pagarem, o que vai depender, também, da economia'', afirma.
Desde 2000, o patamar de alunos que concluem o ensino médio está estacionado em cerca de 2 milhões. Já o ProUni tem alto índice de bolsas ociosas -39% na última seleção.
Responsável pelo programa, o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Ronaldo Mota, argumenta que os jovens egressos do ensino médio são apenas parte do público que passou a entrar na universidade. ''Mais de 40% dos ingressantes vêm do mundo do trabalho, já se formaram há muito tempo e não tiveram oportunidade na época'', diz.
Líder de uma associação que reúne bolsistas do ProUni, Adriana Ferreira, 42, é um exemplo tanto do quadro traçado pelo secretário como das limitações do programa.
Ex-assistente administrativa em Minas, ela entrou na universidade 22 anos após se formar no ensino médio. Separada, mãe de três filhos e com renda de um salário mínimo, ela diz que, sem o ProUni, não conseguiria se manter por três semestres no curso de letras.
Por problemas de saúde, porém, parou de trabalhar, ficou inadimplente e perdeu a sua bolsa, que era parcial. Adriana lamenta -''eu ia ser a primeira pessoa a ter nível superior na minha família''-, mas diz que só tentará voltar à universidade se conseguir um salário melhor. ''Mesmo se eu tivesse bolsa integral, teria problemas para pagar a locomoção e a compra do material.''
Enade
O aumento do total de pessoas de baixa renda no ensino superior é corroborado pela comparação entre os questionários socioeconômicos respondidos nas edições de 2004 e de 2007 do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), que avaliou as áreas de saúde, ciências agrárias e serviço social -USP e Unicamp não participam.
Nesses cursos, a proporção de calouros com renda de até três salários mínimos cresceu de 24% para 40%. O percentual é maior na rede privada do que na rede pública -37% contra 31%, respectivamente.
Se forem consideradas as áreas examinadas, medicina tem a maior proporção de alunos que cursaram todo o ensino médio na rede privada -80,9%.
Já no curso de serviço social, os estudantes oriundos da escola particular são minoria -apenas 15,4%.
''Em medicina, as universidades públicas oferecem muito poucas vagas, e as particulares são muito caras'', afirma Ryon Braga.
Fonte: Folha de S. Paulo
Conexão histórica
Acervo do escultor e colecionador português Acácio Videira, com importantes peças do povo lunda quioco, aguarda catalogação e interesse de museus ligados à arte e cultura africanas
| Walter Sebastião |
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DELINQÜÊNCIA
Idéias para combater formação de gangues
Lélio Braga Calhau - Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado de Minas Gerais - Belo Horizonte
“O Brasil tem vivido sérios problemas na área de segurança urbana. O avanço da criminalidade violenta gerada pelos confrontos entre gangues e dessas com a força pública tem sido cada vez mais evidente. O que se vê, cada vez mais, são gangues ousadas e violentas na ‘defesa’ de seu território e na violência de seus ataques (ex: chacinas). Estudos criminológicos revelam a dificuldade de se diagnosticar e reprimir efetivamente as ações das gangues. O problema supera o enfoque da segurança pública, pois se inicia no seio das comunidades carentes. No Brasil, estudos criminológicos sobre o tema têm sido feitos, demonstrando que ainda temos muito que aprender sobre o tema. Cathy Ward, especialista-chefe de Pesquisa do Grupo de Desenvolvimento da Criança e da Família do Conselho de Pesquisa em Ciências Humanas da África do Sul, fez um recente alerta no site Comunidade Segura: ‘Não há nenhuma maneira cientificamente comprovada de resolver o problema das gangues. É mais fácil estudar uma, ou mesmo uma centena de crianças, do que estudar uma gangue’. No sistema de defesa social, trabalhamos com a expressão ‘monitorar a ação das gangues’, aliás, recorrente na mídia e utilizada por diversas autoridades. O problema de se monitorar a ação das gangues faz com ele seja atacado quando já existe, criando um abismo no diálogo entre os envolvidos. Precisamos, então, antecipar essa intervenção. O programa Fica Vivo busca romper, em várias cidades do estado, esses paradigmas unicamente repressivos. Quais são as origens dessas gangues? Como elas surgem no meio social e quais são os seus mecanismos de recrutamento? Como são substituídos os seus membros? Até que ponto a participação de uma pessoa numa gangue deixa de ser um ato anti-social para se tornar um crime? Temos muitas perguntas e queremos, todos, respostas. Muitas pessoas mantêm posturas claramente pessimistas quando afirmam que não há solução para as gangues. Talvez não exista quando pensamos apenas no foco da repressão penal. Ações como o Fica Vivo e centenas de outras em diversos países têm demonstrado que o resgate dessas pessoas é possível, provando que o problema das gangues pode ser equacionado.”
Violência doméstica
| Vera Lúcia Nascimento Moreira - Psicóloga, mestranda em psicologia social (PUC Minas) |
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