Amamentar Não Custa Nada

Amamentar não custa nada precisa apenas de paciência.

E você terá grandes benefícios para você e ao seu bebe.
Considerado o melhor alimento para o bebe, o leite humano e rico em minerais e vitaminas indo muito alem,diminui as possibilidades de contrair infecções e alergias.

Marcelo D2 quer apresentar Bezerra da Silva à ‘molecada’


Créditos: Divulgação
Se tem um artista em que o rapper e ex-vocalista do Planet Hemp, Marcelo D2, pode se considerar especialista é o sambista Bezerra da Silva. Tanto que trocou o flow do hip hop pelo partido alto em seu novo álbum, uma homenagem ao cantor pernambucano que se transformou em ícone da malandragem carioca.

Carnaval: família preserva arte de criar tambor


Cezar Romero, do A TARDE

Quando o Filhos de Gandhy passa pela avenida, o cheiro de alfazema deixado no ar, o som do agogô e o toque da percussão fazem o coração do público vibrar no ritmo dos tambores e atabaques do afoxé. No meio daquele tapete azul e branco, o coração de dois associados bate ainda de forma mais especial: Jailson de Jesus e seu filho, Jailson Júnior, sentem-se orgulhosos por produzirem, artesanalmente, muitos daqueles instrumentos percussivos.

Em casa, na Baixa do Fiscal, Antônio de Jesus, 85 anos, orgulha-se mais ainda. Foi ele quem ensinou ao seu filho e ao seu neto a profissão de tanoeiro, nome que se dá à arte que permite a fabricação das peças musicais.



Há 71 anos nesta labuta, a batida que ele vem ensinando não tem preocupação com a melodia. “Aqui todos sabem fazer, mas nenhum sabe tocar”, diz seu Antônio. O som que importa vem dos martelos, dos tornos e das ferramentas utilizadas na confecção dos instrumentos.
Hoje, são três gerações no mesmo toque: seu Antônio; Jailton, 40; Júnior, 15; e Jailson de Jesus, 41, outro filho da marcenaria. “Desde a barriga de minha mãe eu conheço isso aqui”, brinca Jailton, que é mais conhecido como Jau.

Herança - No que depender desta família, a herança percussiva está garantida. Além deles, quatro das cinco marcenarias da rua têm origem associada ao velho tanoeiro. “Ele é o pai dos mestres”, salienta Adelson Santana, 36, há 14 anos no ofício.

Para o coordenador de bateria do Filhos de Gandhy, João Paulo dos Santos, 26, os instrumentos feitos pela família de seu Antônio dão um banho nos industrializados. “Tenho atabaques feitos na oficina dele que já têm 20 anos na bateria da gente. A madeira é de qualidade superior e o ferro é maciço. Não se compara aos outros”, analisa o percussionista.

Além da magia que sentem por produzirem o som que muitos bandas e blocos executam no Carnaval, a família vibrou quando o menino Kainã Vinicius, baiano, encantou o Maracanã regendo mais de mil ritmistas das escolas de samba cariocas, na abertura do Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007. O atabaque tocado por ele foi produzido na marcenaria. “Foi a maior alegria de minha vida. Nunca senti tanto orgulho dos atabaques que eu produzo. Pense aí como é massa saber que seu trabalho está sendo transmitido pela TV e visto, praticamente, pelo mundo todo”, destaca Jau.

Apesar de muitos anos nesta lida, a marcenaria ainda tem uma administração que precisa ser mais rentável . Sem querer revelar o total dos produtos vendidos, afirmando que realmente não têm noção desse número, os artistas afirmam que é a partir do verão que as vendas são ampliadas de uma forma mais significativa.

“Vendemos também para terreiros de candomblé, para outros grupos de afoxé e para muitas pessoas que gostam de fazer um som legal”, frisou Jailson, garantido que, se depender da família, o coração do Carnaval de Salvador baterá para sempre.

ALTERNATIVO E ARTESANAL

FOTO: ARQUIVO PESSOAL
Em tempos de crise da indústria fonográfica, o mineiro Em tempos de crise da indústria fonográfica, o mineiro Oldair Costa, de 46 anos, aliou-se ao meio ambiente para divulgar seu trabalho de forma alternativa. Além de gravar seus CDs em casa, o músico confecciona à mão as capas de seus discos. O material usado é simples: papelão que ele recolhe na rua, cola, canetas de desenho e imaginação solta. Além disso, o músico ainda reforça a bandeira ecológica distribuindo sementes de pau-brasil no seu cartão de visitas. Conheça mais no site: www.oldaircosta.com.

Notificar violência doméstica e sexual passa a ser obrigatório



DA AGÊNCIA BRASIL

A partir desta quarta-feira, os profissionais de saúde e de estabelecimentos públicos de ensino estão obrigados a notificar as secretarias municipais ou estaduais de Saúde sobre qualquer caso de violência doméstica ou sexual que atenderem ou identificarem.


A obrigatoriedade consta da Portaria nº 104 do Ministério da Saúde, publicada hoje, no "Diário Oficial da União" --texto legal com o qual o ministério amplia a relação de doenças e agravos de notificação obrigatória.

Atualizada pela última vez em setembro de 2010, a LNC (Lista de Notificação Compulsória) é composta por doenças, agravos e eventos selecionados de acordo com critérios de magnitude, potencial de disseminação, transcendência, vulnerabilidade, disponibilidade de medidas de controle e compromissos internacionais com programas de erradicação, entre outros fatores.

Com a inclusão dos casos de violência doméstica, sexual e outras formas de violência, a relação passa a contar com 45 itens. Embora não trate especificamente da violência contra as mulheres, o texto automaticamente remete a casos de estupro e agressão física, dos quais elas são as maiores vítimas. A Lei 10.778, de 2003, no entanto, já estabelecia a obrigatoriedade de notificação de casos de violência contra mulheres atendidas em serviços de saúde públicos ou privados.

Segundo o Ministério da Saúde, a atualização da lista ocorre por causa de mudanças no perfil epidemiológico e do surgimento de novas doenças e também da descoberta de novas técnicas para monitoramento das já existentes, cujo registro adequado permite um melhor controle epidemiológico. Na última atualização haviam sido acrescentados à lista os acidentes com animais peçonhentos, atendimento antirrábico, intoxicações por substâncias químicas e síndrome do corrimento uretral masculino.


PRIVACIDADE

O presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal, Marcos Gutemberg Fialho da Costa, destaca que as notificações de doenças e agravos sempre incluem o nome do paciente e que a responsabilidade pela preservação da privacidade das vítimas de violência será das secretarias de Saúde e dos responsáveis pelo Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).

Ginecologista, Fialho confirma que, até hoje, os médicos e profissionais de saúde só denunciavam os casos de violência com a concordância dos pacientes, a não ser em casos envolvendo crianças e adolescentes, quando, na maioria das vezes, o Conselho Tutelar era acionado.

Para o médico, a inclusão da agressão à integridade física na lista de notificações obrigatórias é um avanço, mas o texto terá que ficar muito claro, já que o tema violência contra a mulher ainda suscita muita polêmica, e cada profissional terá que usar de bom senso, analisando caso a caso, para não cometer injustiças e também não se sujeitar a sofrer processos administrativo e disciplinar.

Responsável pelas delegacias da Mulher de todo o estado de São Paulo, a delegada Márcia Salgado acredita que a notificação obrigatória dos casos de violência, principalmente sexual, vai possibilitar o acesso das autoridades responsáveis por ações de combate à violência contra a mulher a números mais realistas do problema. De acordo com ela, os casos de agressão contra a mulher não tinham que ser obrigatoriamente notificados à autoridade policial.

"A lei determina que cabe à vítima ou ao seu representante legal tomar a iniciativa de comunicar a polícia. No momento em que isso passa a ser de notificação compulsória e a equipe médica tem que informar a autoridade de Saúde, fica mais fácil termos um número mais próximo da realidade", disse a delegada à Agência Brasil, destacando a importância de que a privacidade das vítimas de violência, principalmente sexual, seja preservada.

Ato de ministra da Cultura provoca polêmica na internet


A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, provocou sua primeira polêmica pública, que se tornou visível no Twitter e em vários blogs. As manifestações decorrem da decisão da ministra de retirar do site do Ministério da Cultura as licenças Creative Commons (CC). A medida foi interpretada por militantes do compartilhamento digital como uma adesão às teses mais conservadoras do direito autoral no país.

O Creative Commons --iniciativa de uma fundação norte-americana-- é um sistema de gestão de direitos autorais alternativo ao tradicional copyright. O MinC havia aderido a esse sistema na gestão Lula, quando a pasta foi comandada por Gilberto Gil (2003-2008) e, em seguida, por Juca Ferreira.

Historicamente, Ana é defensora do modo de arrecadação por meio do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), o que a opõe frontalmente ao projeto de renovação do marco legal do setor que está no Congresso.

No sábado, o Ministério da Cultura emitiu uma nota lacônica de esclarecimento, na qual limita-se a dizer que "a retirada da referência ao Creative Commons da página principal do Ministério da Cultura se deu porque a legislação brasileira permite a liberação de conteúdo". A seguir, o texto dizia que isso não impedia que o Creative Commons ou outras formas de licenciamento sejam utilizados pelos interessados: "Não há necessidade de o ministério dar destaque a uma iniciativa específica".

A própria ministra, questionada sobre a decisão, reafirmou o conteúdo da nota. "A Constituição permite que o autor libere seus direitos. Só achei inadequado que tivesse esse logo no site", afirmou Hollanda em breve conversa com jornalistas ontem à tarde, enquanto acompanhava a reinauguração da Biblioteca Mário de Andrade, na capital paulista.

Ela garantiu que quem utilizava conteúdo ligado ao Ministério através do Creative Commons pode continuar utilizando. "O dono da obra, o autor, escolhe qual a forma para ceder ou não sua obra. Pode liberar sem custos, permitir para um uso específico. Isso depende do autor e ninguém vai ser impedido de usar. Quem usava vai continuar usando, sem problema nenhum."

Perguntada se ela representa interesses do Ecad, a ministra negou. "Eu não represento interesses do Ecad. O Ecad existe, existe uma representação nele que passa pelo Gilberto Gil, por mim, Caetano, Chico, Pixinguinha, Cartola. Todo mundo tem que entrar em alguma associação para poder receber, e essas associações juntas formam o escritório central. Pessoalmente eu sou uma cantora e compositora e obrigatoriamente tenho que estar em alguma associação."

Visão comercial

Para alguns, as declarações da ministra não afastam de sua decisão a sinalização política que pode fortalecer os setores que enxergam a internet apenas como mais um veículo de comunicação e fonte de lucros e resistem a aderir à nova visão de democratização dos conteúdos publicados na rede.

Diversos sites de direitos livres, do Brasil e do Exterior, organizaram protestos. Endereçaram mensagens para a ministra Ana de Hollanda e seu principal colaborador, Antonio Grassi, presidente da Fundação Nacional de Artes. Muitos demonstravam desapontamento com a decisão, que consideram que faz regredir a discussão sobre o software livre e os direitos de reprodução na rede.

Os manifestantes lembram que a própria ministra, em seu site pessoal, disponibiliza vídeos de músicas para as quais não tem autorização, de forma não comercial.

Em 2004, Gil se tornou o primeiro compositor brasileiro a ceder direitos de uma canção à licença. O governo federal passou a utilizar maciçamente as licenças – o próprio Blog do Planalto é licenciado dessa forma.

Protestos na rede

No Twitter Creative Commons, o advogado americano Lawrence Lessig lembrou que, há um ano, a então candidata a presidente Dilma Rousseff esteve com ele durante a Campus Party e manifestou simpatia pela causa do copyleft.

Ronaldo Lemos, diretor do centro que gerencia o Creative Commons, da Fundação Getúlio Vargas, viu uma decisão "política" no caso. "A visão da ministra, pela remoção do Creative Commons, e pelo que disse em seu discurso de posse, é a visão das entidades arrecadadoras, é a visão do Ecad", afirmou.

O sociólogo Sergio Amadeu, conhecido pela defesa do software livre, também publicou artigo questionando a decisão do MinC. Segundo ele, no mesmo dia que a ministra Ana de Hollanda atacou o Creative Commons retirando a licença do site, a ministra do Planejamento, Miriam Belquior, publicou a normativa que consolida o software livre como a essência do software público que deve ser usada pelo governo. "É indiscutível o descompasso que a ministra da Cultura tem em relação à política de compartilhamento do governo Dilma", afirmou Amadeu em artigo publicado no site Carta Maior.

No texto, ele diz ainda que "os defensores da indústria de intermediação e advogados do Ecad lançam um ataque à política de compartilhamento de conhecimento e bens culturais lançada pelo presidente Lula. Na sua jornada contra a criatividade e em defesa dos velhos esquemas de controle da cultura, chegam aos absurdos da desinformação ou da mentira".

O jornalista Renato Rovai, editor da revista Fórum, foi na mesma linha. Acusou a ministra de lançar "uma ofensiva contra a liberdade do conhecimento". "A decisao da ministra é pavorosa porque, entre outras coisas, rasga um compromisso de campanha da candidata Dilma Roussef. O site de sua campanha foi publicado em Creative Commons o que denotava compromisso com esse formato", lembra Rovai em artigo publicado no site Novae.

Para ele, o fato de o MinC deixar de licenciar o seu site em Creative Commons foi um ato político. "Uma declaração de que há uma nova postura no ministério em relação ao debate dos direitos autorais".

Já o jornalista Luis Nassif preferiu adotar um tom mais moderado. E em artigo no site Brasilianas ponderou: "No fundo, a discussão revelou um enorme desencontro de informações. Tanto no MinC quanto nos defensores do Creative Commons há a preocupação de preservar o direito do autor, seja escritor, compositor, instrumentista, cantor. Mas há uma realidade mais forte que se impõe, que é a maneira como a indústria cultural irá se desenvolver no novo ambiente virtual. Esse é o grande desafio deste e dos próximos governos".

"Ato soberano"

Um dos poucos que saiu em defesa da ministra foi o jornalista Pedro Ayres, do blog Crônicas e Críticas da América Latina. Ele argumenta que "romper com o CC foi um ato soberano e de profunda autonomia ante o servilismo do colonizado de alguns, principalmente porque em nada afeta a liberdade de criação dos autores brasileiros". Segundo Ayres, "só mesmo um ridículo pequeno-burguês pode ver ameaça onde apenas existe o resguardo dos legítimos direitos dos autores nacionais".

Da redação,
com agências

Catador retratado no filme que disputa Oscar é parceiro do MDS


Vik Muniz
Sebastião Carlos dos Santos

O catador Sebastião Carlos dos Santos serviu de modelo para a fotografia que depois foi transformada em obra de Vik Muniz e que ilustra o cartaz do filme "Lixo Extraordinário"




Um dos protagonistas de Lixo Extraordinário, que disputa o prêmio de melhor documentário no Oscar, é Sebastião dos Santos. “Posso dizer com muita alegria que o MDS faz parte de todos os aspectos da minha vida”, garante Tião, que, além de beneficiário do Bolsa Família e presidente da Cooperativa de Catadores de Gramacho, representa o Rio de Janeiro no Movimento Nacional dos Catadores e no Comitê Interministerial criado pelo Governo Federal para dar atenção a quem trabalha com a reciclagem.

Tão extraordinário quanto o lixo é o trabalho de mais de 800 mil catadores em todo o Brasil. Foi pensando nas comoventes trajetórias de vida de uma classe considerada por muitos como “invisível” que o artista plástico Vik Muniz inspirou o filme Lixo extraordinário, que concorre, em 27 de fevereiro, ao Oscar de melhor documentário.

Ao recontar diversas histórias de vida por meio de painéis montados com lixo, o artista apresenta Sebastião Carlos dos Santos, o Tião, protagonista do filme. Representante da bancada fluminense no Movimento Nacional dos Catadores, Tião ocupa atualmente o posto de presidente da Cooperativa de Catadores de Gramacho, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, considerado um dos maiores lixões do planeta e onde foi rodado o filme.

A história de Tião se cruza com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) muito antes dos minutos de fama nas telas de cinema. Em 2005, aos 26 anos, Tião conheceu o Comitê Interministerial de Inclusão Social dos Catadores de Materiais Recicláveis (Ciisc), orquestrado e monitorado pelo MDS. No Ciisc, o jovem catador aprendeu a importância da reciclagem e do trabalho da classe.

“Devo muito ao MDS. Assim que comecei a me informar sobre as ações do ministério com os catadores, soube que tinha ganhado um grande parceiro nessa luta. Logo tratei de me capacitar e meses depois já era um capacitador. Até hoje trabalho ensinando aos outros o que posso chamar com muito orgulho de ‘profissão’”, comemora.

Além de catador e personagem principal do documentário, Tião também conta com a ajuda do MDS em casa, ao receber mensalmente o Bolsa Família. “Minha mulher recebe todo mês um dinheirinho que ajuda bastante a gente. Posso dizer com muita alegria que o MDS faz parte de todos os aspectos da minha vida.” Tião enfatiza a importância da visibilidade do filme na vida dos trabalhadores de Gramacho. “Com essa mídia toda, podemos mostrar para o Brasil a necessidade de promover a inclusão social e a discussão das diversas políticas para a área”, argumenta.

“Desde os 9 anos de idade eu já frequentava o lixão de Gramacho. Meus pais e meus irmãos trabalhavam aqui e eu vinha trazer comida. Às vezes acabava ficando para ajudar e aos poucos fui me envolvendo”, conta. “Aos 15, já dependia do dinheiro do lixão para ajudar nas contas da casa. Hoje, aos 39, o lixão é minha vida”, explica.

Retrato fiel

Chefe da divisão da Secretaria Executiva do Ciisc no MDS, Francisco Nascimento celebra a indicação ao prêmio e acredita que Lixo extraordinário retratou de maneira fiel a situação dos catadores. “O mais importante é que, com essa produção, toda uma discussão sobre a classe dos catadores foi provocada no mundo inteiro. O que batalhamos há anos para conseguir o filme conseguiu em meses”, comemora.

“De maneira respeitosa e fiel, o Vik conseguiu extrair o cotidiano do universo da catação e retratá-lo em sentido estético, mostrando que o lixo também é arte, é vida”, afirma. “Com o regulamento da Política Nacional dos Resíduos Sólidos em agosto de 2010 e diversas iniciativas na esfera dos catadores, conseguimos coroar o trabalho executado pelo Governo Federal.”

Responsável pelo documentário, o artista plástico Vik Muniz se preocupa com a situação dos trabalhadores dos lixões. Segundo ele, a indicação ao Oscar surge em momento importante da história da classe, uma vez que a nomeação promove visibilidade às questões dos catadores.

Sobre o documentário

Gravado ao longo de três anos, Lixo extraordinário retrata o projeto social de Vik Muniz junto aos catadores do lixão de Gramacho (RJ). Com mais de dez prêmios em festivais nacionais e internacionais, o documentário é uma coprodução entre a Inglaterra e o Brasil, dirigida pela inglesa Lucy Walker e codirigida pelos brasileiros Karen Haley e João Jardim.

Sobre o Comitê

O Comitê Interministerial de Inclusão Social de Catadores de Materiais Recicláveis (Ciisc) foi criado por decreto de 11 de setembro de 2003 para tratar da inclusão social dos catadores de materiais recicláveis. O órgão acompanha, avalia e monitora semestralmente o processo de coleta seletiva solidária, por meio do qual os resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal, direta e indireta, são separados e destinados às associações e cooperativas de catadores.

A instância é coordenada pelos ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e das Cidades e tem ainda os do Meio Ambiente, do Trabalho e Emprego, da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Fazenda, da Educação e da Saúde, além da Casa Civil, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

Fonte: MDS

Itamaraty abre concurso para diplomata com cotas para negros


Cristiane Bonfanti


O Instituto Rio Branco lançou edital com 26 vagas para a carreira de diplomata, que exige curso superior em qualquer área de conhecimento. Com salário inicial de R$ 12.962,12, a seleção traz uma novidade polêmica: pela primeira vez, valerá a política de cotas para negros do Itamaraty. Candidatos que se declararem afrodescendentes terão reservadas, somente na primeira fase do concurso, 30 vagas -eles serão convocados além dos 300 aprovados nessa etapa.

Saiba mais...
Organizado pelo Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB), o certame receberá inscrições entre 24 de janeiro e 22 de fevereiro. Os interessados poderão se cadastrar por meio da página na internet www.cespe.unb.br/concursos/diplomacia2011. Do total de oportunidades, duas ainda constituem a cota reservada aos portadores de deficiência.

A carreira de diplomata tem atraído cada vez mais jovens interessados em uma vida dinâmica, de viagens ao exterior e contato diário com culturas diferentes. Desta vez, porém, a concorrência será mais acirrada, pois o número de chances é bem inferior à média de 107 aprovados nos últimos 5 concursos realizados pelo Rio Branco. No ano passado, 8.869 pessoas se candidataram a 108 oportunidades, uma média de 82,12 candidatos por vaga.

Ingressar na carreira não é tarefa fácil. Os candidatos passam por quatro etapas de seleção. A primeira é a prova objetiva, com questões de português, história do Brasil, história mundial, geografia, política internacional, inglês, noções de economia e de direito, e direito internacional público. Na segunda fase, eles fazem uma avaliação escrita de português. Na terceira, voltam a responder a questões da primeira. O quarto estágio, por sua vez, inclui provas escritas de espanhol e francês. A primeira prova está marcada para 10 de abril.

Bolsa Prêmio

A portaria que garantiu a reserva aos afrodescendentes foi assinada em dezembro. Para o Itamaraty, a medida está ''em consonância'' com o previsto pelo Estatuto da Igualdade Racial, sancionado em julho do ano passado pelo então presidente Lula, depois de tramitar por 10 anos no Congresso Nacional. Até então, o programa de ação afirmativa no ministério limitava-se à chamada ''Bolsa Prêmio de Vocação para a Diplomacia'', lançada em março de 2002, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso.
De lá para cá, 309 benefícios de R$ 25 mil anuais foram concedidos a 198 bolsistas para o pagamento de cursos preparatórios ou a professores particulares, para compra de livros e material de estudo. Do total de contemplados pelo projeto, 16 foram aprovados no concurso.

Fumar causa danos genéticos minutos após inalação, diz estudo





Um estudo realizado por cientistas americanos concluiu que a fumaça do cigarro começa a provocar danos genéticos minutos - e não anos - após chegar aos pulmões. Os pesquisadores envolvidos no estudo de pequeno porte descreveram os resultados como um alerta para pessoas tentadas a começar a fumar.

A pesquisa é a primeira feita em humanos detalhando a forma como certas substâncias presentes no tabaco provocam danos ao DNA associados ao câncer e foi publicada na revista científica Chemical Research in Toxicology. A publicação, cujos artigos são aprovados por cientistas, é uma entre 38 revistas publicadas pela American Chemical Society.

Danos ao DNA

O cientista Stephen S. Hecht e sua equipe comentam no artigo que o câncer de pulmão mata três mil pessoas por dia, a grande maioria delas, em consequência do fumo. O fumo também está associado a pelo menos 18 outros tipos de câncer.

Há evidências de que substâncias nocivas presentes na fumaça do cigarro, chamadas hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (ou HPAs), seriam responsáveis pelo câncer de pulmão. Até hoje, no entanto, os cientistas não tinham informações sobre a forma específica como os HPAs presentes na fumaça do cigarro danificavam o DNA humano.

Como parte do estudo, financiado pelo Instituto Nacional do Câncer, os cientistas adicionaram um HPA específico, o fenantreno, a cigarros, e depois monitoraram o progresso da substância nos organismos de 12 voluntários que fumaram os cigarros.

Substâncias tóxicas


Os cientistas dizem ter verificado que o fenantreno rapidamente formou substâncias tóxicas no sangue dos voluntários, provocando mutações que podem causar câncer. Os fumantes desenvolveram níveis máximos da substância em um intervalo de tempo que surpreendeu os próprios pesquisadores: entre 15 e 30 minutos após os voluntários terminarem de fumar.

Os pesquisadores disseram que o efeito foi tão rápido que foi equivalente a injetar a substância diretamente na corrente sanguínea. "Este estudo é único", escreveu Hecht, um renomado especialista em substâncias causadoras do câncer encontradas na fumaça do cigarro e no tabaco sem fumaça.

"Ele é o primeiro a investigar o metabolismo humano de um HPA adquirido por meio de inalação de fumaça de cigarro, sem interferência de outras fontes de exposição como a poluição do ar ou a dieta. "Os resultados relatados aqui devem servir como um aviso aos que consideram começar a fumar."

Sobreviventes do tremor enfrentam aumento de casos de estupro no Haiti


Foto: Alessandra Corrêa/BBC Brasil

Sherlie Christoph foi vítima de violência sexual em Porto Príncipe

Em fevereiro do ano passado, um mês depois do terremoto que destruiu o Haiti e a deixou desabrigada, a adolescente Sherlie Christoph, 19 anos, tinha saído de sua barraca para comprar água quando começou a chover.

Ela correu de volta para a tenda, no acampamento de Champs de Mars, no centro de Porto Príncipe, onde morava sozinha desde o terremoto de 12 de janeiro de 2010.

A mãe de Sherlie morreu no tremor, soterrada na casa em que viviam. A garota sobreviveu, mas ficou sozinha.

“Logo depois que entrei na barraca, um homem veio atrás de mim, pedindo abrigo da chuva. Eu disse que não e menti que morava com outras pessoas que logo iriam chegar”, diz.

“Ele entrou mesmo assim, apontou uma arma para mim e me estuprou. Me bateu antes e depois. Sofri de hemorragia durante dois meses”, afirma.

Hoje, quase um ano depois, ela continua vivendo sozinha em uma barraca em Champs de Mars. Sem emprego, sem dinheiro e sem família, passou a trabalhar como prostituta depois do estupro.

Quando questionada sobre o que espera do futuro, ela começa a chorar.

“Quando penso no que aconteceu, em como tudo mudou desde o terremoto, fico imaginando que se minha mãe não tivesse morrido, eu não estaria nessa situação”, diz.

“Talvez se eu tivesse alguém que cuidasse de mim, o estuprador não teria me atacado, e hoje eu não estaria assim.”

“Aumento dramático”

A história de Sherlie Christoph é um exemplo do aumento da violência sexual no Haiti registrado após o terremoto.

Segundo um relatório da Anistia Internacional, o risco de estupro e outras formas de violência sexual aumentou “dramaticamente” desde o tremor, que destruiu os poucos mecanismos de proteção existentes no Haiti.

Não há dados precisos sobre o número de casos. Uma das organizações locais de apoio às vítimas, a Kofaviv (Comissão de Mulheres Vítimas para Vítimas), calcula que recebeu mais de 250 casos de estupro nos primeiros cinco meses após o terremoto.

“De julho até dezembro, registramos outros 178 casos”, disse à BBC Brasil a coordenadora da Kofaviv, Malya Villard-Apollon, 50 anos, ela própria vítima de estupro três vezes.

Acampamentos

Villard-Apollon, assim como muitas das voluntárias da Kofaviv, foi forçada a morar em um acampamento após o terremoto, e diz que as condições nesses locais facilitam a ocorrência dos crimes.

“As mulheres ficaram mais vulneráveis. Antes viviam em uma casa. Agora, é fácil rasgar a lona das barracas com uma faca ou canivete. Qualquer um pode entrar”, afirma.

Ela diz que cerca de metade dos casos de estupro registrados pela Kofaviv em 2010 foram contra crianças. “Muitas crianças ficam sozinhas nas barracas”, afirma.

Villard-Apollon já havia sido estuprada em 1992 e em 2004. Em maio do ano passado, foi estuprada novamente, por um homem armado dentro da barraca em que vive no acampamento de Champs de Mars, em frente a outras pessoas que moram com ela.

Segundo a Anistia Internacional, a falta de policiamento e de iluminação e a superlotação nos acampamentos são fatores que facilitam a ação dos criminosos, geralmente membros de gangues.

Cicatriz

A Anistia Internacional diz ainda que o terremoto destruiu tribunais e delegacias de polícia, além do Ministério de Direitos das Mulheres, tornando mais difícil para as vítimas denunciar a agressão.

A maioria das mulheres entrevistadas para o relatório não reportou o crime, e as poucas que o fizeram não tiveram seus casos levados adiante pela polícia.

“O estupro deixa uma cicatriz moral. Ainda tenho pesadelos. O trabalho na Kofaviv me ajuda a suportar”, diz Villard-Apollon.

A entidade, criada em 2004, é formada por vítimas de violência sexual que promovem ações de apoio a outras vítimas e oferece atendimento médico e psicológico.

"Acompanhamos as vítimas ao hospital e, se quiserem denunciar o agressor, à delegacia", diz a voluntária Helia Sajeunesse, 50 anos.

Ela foi estuprada dentro de casa, em 2004, junto com a filha mais velha, então com 17 anos. Ambas ficaram grávidas do estuprador, e hoje têm duas filhas da mesma idade, seis anos.

No início deste ano, após o terremoto, a neta de Helia também foi vítima de estupro.

"Quando acontece algo assim, você pensa em suicídio. Se não fosse pelo meu trabalho aqui, estaria morta", diz.

Promotora trava guerra judicial para obrigar prefeitura a tratar adolescentes viciados



A Promotoria da Infância e Juventude de Vitória salienta que a situação desses garotos é crítica e eles correm risco de morte devido a alta dependência


Letícia Cardoso - Gazeta Online

A Promotoria da Infância e Juventude de Vitória trava uma batalha na Justiça com a Prefeitura para conseguir o custeio do tratamento químico de sete adolescentes viciados em crack. Os meninos têm idade entre 14 e 17 anos e já não conseguem mais se livrar do vício sem ajuda médica. A prefeitura recorre a Justiça alegando que não é competência do município pagar pelo tratamento desses menores, mas apenas acompanhá-los.

Enquanto aguarda a 'guerra' travada nos tribunais, um dos meninos está em um abrigo da Capital, e os demais pelas ruas. A promotora da Infância e Juventude de Vitória, Jane Maria Vello Correira, contou que a situação desses garotos já chegou em um estado crítico. Segundo ela, eles correm risco de morte devido a alta dependência da droga.

"Nós já tentamos vários caminhos para ajudar esses meninos. Eles já foram para abrigos, já receberam tratamento ambulatorial, mas não houve resultado. O caso deles é grave. Por isso entramos com uma ação na Justiça para que eles sejam obrigados a se internarem e a prefeitura fazer o custeio desse tratamento", afirmou.



Segundo a promotora, a prefeitura chegou a recorrer ao Tribunal de Justiça da decisão de primeira instância, mas o recurso foi indeferido. Jane Maria Vello explicou que esses sete adolescentes já foram colocados inúmeras vezes em abrigos públicos. Mas, quando sofrem com a abstinência da droga, eles acabam fugindo e voltando para as ruas.

A Prefeitura de Vitória informou, por meio de nota, que recorreu da decisão por acreditar - baseada em parecer de profissionais das áreas de Saúde e Assistência Social do município que acompanham a situação dessas sete crianças - que a internação clínica, neste caso específico, não é o tratamento adequado.

Adolescentes podem perder os testículos se ignorarem dores no saco e náuseas

SONHOS DE UMA NOITE DE TORÇÃO



DIOGO BERCITO
Willian Silva de Lima, 21, acordou de madrugada com o pênis duro e com dores entre a perna direita e o saco.
Ereção durante o sono é comum. O sofrimento, não. Preocupado, o rapaz partiu para o Hospital das Clínicas.
No pronto-socorro, ele descobriu que o cordão que ligava seu testículo ao abdome tinha se torcido, devido a uma ereção. Em poucas horas, ele poderia ter de amputar a testículo direito.
Willian foi operado ainda durante aquela manhã. Ele conversou com o Folhateen no dia seguinte, antes de receber alta, e comemorava a salvação do testículo torcido.
"Eu não sabia que isso podia acontecer, fiquei muito ansioso", afirma Willian.
A desinformação é inimiga dos testículos, nesses casos.
"Às vezes, o jovem acorda os pais, sentindo dor, mas os adultos dão uma gota de analgésico para ele e pedem que durma", afirma José Cury, chefe do ambulatório de sexualidade do Hospital das Clínicas -cujo pronto-socorro recebe três adolescentes com torção, precisando de cirurgia, por semana.
O problema, que atinge 1 a cada 4.000 homens abaixo de 25 anos, é mais frequente entre adolescentes. Muitas vezes, a torção acompanha um sonho erótico.
"Já vi pacientes chegarem ao hospital após dois ou três dias da torção. Nesses casos, não há muito o que fazer além de retirar o testículo."
A bola ausente é substituída por uma prótese de silicone. Se ambos os testículos forem perdidos, o homem fica estéril e tem de tomar hormônios por toda a vida.
Cássio Andreoni, urologista do Hospital Israelita Albert Einstein, reforça a recomendação de que todo jovem procure ajuda caso sinta dor no saco. "É melhor abrir o escroto e descobrir que não é uma torção do que o garoto perder um testículo", afirma.

Editoria de arte/Folhapress


Editoria de arte/Folhapress
SONHOS DE UMA NOITE DE TORÇÃO

Editoria de arte/Folhapress
Sonhos de uma noite de torção
MOTIVO DA TORÇÃO
- Quando o cremaster se contrai em homens com a túnica vaginal frouxa, o cordão espermático pode ser torcido em até 720º
- Outra causa da torção do cordão espermático são os traumatismos, como pancadas na região do saco
CONSEQUÊNCIAS
- Com a torção, a irrigação de sangue fica comprometida, e o testículo incha
- Os sintomas da torção são: dor, náuseas e vômitos
- Conforme o tempo passa, o testículo sofre infarto hemorrágico; se passarem mais de seis horas, a bola pode se degenerar
CUIDADOS
- O doente tem de ser encaminhado o mais rápido possível para um pronto-socorro
- O médico diagnostica a partir dos sintomas, do ultrassom e do teste do reflexo cremastérico: ele belisca a face interna da coxa e, se o saco não for contraído, é um indício de que houve torção
TRATAMENTO
- A cirurgia é simples: anestesia, abertura do escroto, distorção e fixação do testículo para evitar novas peripécias. O outro testículo é fixado, também, por precaução. Em geral, o procedimento leva até 30 minutos
- Caso seja tarde demais para salvar o testículo torcido, uma prótese de silicone é colocada no lugar dele, para evitar que o paciente passe vergonha; há próteses pequenas, médias e grandes, dependendo do tamanho da bola perdida
SEQUELAS
- Quem retirar os dois testículos tem de tomar testosterona pelo resto da vida, para desenvolver as características sexuais secundárias; se o jovem ainda estiver em fase de desenvolvimento, haverá prejuízo do seu crescimento
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LEIA CELTON

LEIA CELTON - em primeira pessoa

Filipe Isensee

Eu gosto muito daquela frase típica dos aprendizados, que falam assim: “Para você se tornar um mestre em alguma coisa, você tem que mexer com essa mesma coisa durante dez mil horas”. Você já ouviu essa conversa? Dez mil horas para você ficar a vontade. Eu gosto muito desse tipo de conversa. Uma atitude que você toma, se for isolada, não é nada. Eu acredito nesse tipo de pensamento, de atitude, de ação. Ideias maravilhosas sem ação, não chegam a lugar nenhum.


Meu nome é Lacarmélio Alfêo de Araújo, mas as pessoas me conhecem como Celton. Quando alguém pede um autógrafo, a pessoa fala: não coloca Lacarmélio, não. Coloca Celton. Me lembro que com seis anos de idade eu lia quadrinhos e gostava de rabiscar e já falava: eu vou fazer quadrinhos. Eu nunca tive dúvida disso. Não cheguei a conhecer o meu pai, mas não tenho trauma disso não, viu? Sou um cara resolvido.


Nasci em Inhapim e passei a minha infância em Itabirinha de Matena. Quando tinha 13 anos, vim para Belo Horizonte tentar conseguir melhores oportunidades para batalhar a vida. Meu irmão, João, veio um ano antes. A minha família veio numa ambulância. A gente veio como doente, porque não tínhamos dinheiro. Foi um combinando da minha mãe com o prefeito. Quando chegamos aqui, fomos morar num barracão no Alto Vera Cruz e eu tinha que buscar água, todo dia, numa mina.

Uma ideia nas ruas


A primeira vez que publiquei a revista foi em 1981. Fui atrás de editoras no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas não consegui nenhuma oportunidade. Fiz minha mãe pedir um empréstimo e coloquei as revistas na banca. Deu tudo errado. Não vendeu nada. O empréstimo estava vencendo, aí eu fui vender a revista na rua para tentar pagar as contas. O Celton era influência dos quadrinhos que gostava, dos super-herois da Marvel.


Houve um período que parei de fazer a revista, entre 92 e 98, porque estava tendo muita encrenca financeira. Mas senti que não era possível viver sem publicar quadrinhos. Eu tinha que voltar a mexer com isso. Então, eu fiz um estudo com o que tinha dado de errado com a revista. Passei mais de dez anos escrevendo quadrinhos para mim. Não estava escrevendo para as pessoas. Eu queria ganhar as meninas, mas eu não tocava as músicas que as meninas gostavam, tocava as músicas que eu gostava. Era tudo em cima do meu eu.

Novo Celton


Comecei a revista do zero de novo. Tirei os nomes em inglês, que antes era em inglês, né? O Celton passou a morar em BH. Era ajudante de cientistas, passou a ser mecânico, o que não deixava de ser curioso... Mas passei a colocar ele mais eu, mais você. O lance de vender no trânsito, já de cara, foi muito bom. A revista foi emplacando... O bicho, é difícil explicar isso. Eu estou tentando explicar para você, mas se você não tiver comigo na rua, você não vai entender nada do que eu estou falando. Eu fui aprendendo. Eu mudo em função do engarrafamento. Eu vou de moto, desmonto a placa, coloco num canudo de PVC, e vou atrás de onde tem engarrafamento.


Eu evito encrenca, bicho. Eu acho ambição uma palavra muito esquisita. Dentro do que eu acho que é ambição, eu não tenho ambição. Meu objetivo é cuidar da segurança do meu filho, Pedro, e a arma que eu tenho para isso é minha revista. Eu quero conquistar agora o mercado das bancas de revista. Eu acho que existe espaço para isso hoje. Se eu não tentar ocupar esse espaço, eu sou muito bobo. Celton é a revista em quadrinhos mais lida de Minas Gerais. Isso eu não tenho dúvida. Qual revista você conhece nessas condições? Então, eu tô no caminho certo. Vender... Existe uma mágica que felizmente eu tenho e que eu não sei explicar. Tentei explicar para você. Eu vou falar uma verdade, se eu não tivesse a mulher que eu tenho, a Cássia, eu não conseguiria muitas coisas, viu?


Deixa eu te explicar. Eu sou assim: eu corto de cabelo com o mesmo cara. Outro dia eu tava no barbeiro - outro dia eu falo “agora”, tá? Eu tava no barbeiro lá e a gente tava conversando sobre esses lances de vir do interior. Quando eu vim – isso ele contando - eu trouxe todas as minhas coisas no bornal e tudo que eu tinha cabia nesse bornal. Hoje, as coisas que eu tenho não cabem no meu bornal. Eu achei bacana, sabe?

Confira a galeria de fotos

Cientistas chilenos desenvolvem vacina contra alcoolismo


AFP - Agence France-Presse


SANTIAGO - Cientistas chilenos trabalham no desenvolvimento da primeira vacina contra o alcoolismo, baseada em uma mutação genética presente em 20% da população asiática que, de forma natural, sofre consequências tão severas ao consumir álcool que isto inibe seu vício, explicou o médico coordenador do projeto.

Estas populações não têm um gene que produz a enzina "aldeído desidrogenase", que metaboliza o álcool no organismo. Sem essa enzina, ao beber "ocorre uma reação tão forte que as pessoas não tomam o álcool", explicou o médico da Universidade do Chile, Juan Asenjo, chefe dos pesquisadores, à rádio Cooperativa.

A vacina, portanto, aumentaria os enjoos, a sensação de náusea e a vasodilatação nos viciados. "Com a vacina, a vontade de beber será muito pequena devido às reações que terá", disse o médico.

O princípio já foi testado com sucesso em ratos alcoólatras, nos quais o consumo do álcool diminuiu em 50%. "A ideia é que nos seres humanos o consumo de álcool diminua entre 90 e 95%", acrescentou.

A vacina consiste em induzir a mutação nas células do fígado através de um vírus que transmite esta informação genética.

Atua sob o mesmo princípio sobre o qual são elaborados os parches e remédios utilizados para controlar o vício em álcool, mas sua eficácia seria maior porque, diferentemente das fórmulas anteriores, não depende da vontade imediata do paciente e tem menos efeitos colaterais.

"A vacina é específica para as células do fígado. Os emplastros (parches) afetam todas as células e têm muitos efeitos colaterais", explicou Asenjo.

Após demonstrar seu princípio ativo, os cientistas trabalham agora para cultivar as células necessárias para produzir o vírus em reatores e em grandes quantidades. Depois vem a fase de otimizar a produção, purificar o vírus e a aprovação por parte de diferentes comitês de ética e institutos de saúde pública.

"Durante este ano será feita a produção em grande escala e depois serão realizados testes pré-químicos em animais para determinar a dose. Posteriormente, em 2012, serão realizados testes químicos na fase 1 em humanos", explicou Asanjo.

Se os resultados em humanos forem bem-sucedidos, bastaria que o paciente tomasse a vacima uma vez por mês para começar a sentir os sintomas por um período prolongado, o que desestimularia o vício.

O alcoolismo é o principal fator de risco de doenças entre os chilenos e gera acidentes de trânsito, cirrose e depressões, que são as principais causas de morte no Chile, segundo um estudo oficial divulgado em setembro de 2008.

Leite materno: além de nutrir o bêbê protege a mamãe

Por:
Monise Viana Abranches

Que o leite materno é importante para a saúde do bebê, principalmente quando oferecido de forma exclusiva até os seis meses de vida nós já sabemos, mas este recado é destinado especialmente às mamães...

Estudo publicado na Revista Nutrición Hospitalaria revelou que o aleitamento por um período superior a seis meses pode contribuir para a redução do risco de desenvolvimento do câncer de mama.

Assim, nós mulheres temos motivos de sobra para optarmos pela amamentação!!! Confira alguns benefícios do aleitamento materno!

1. O leite materno é fonte de todos os nutrientes que a criança necessita até o seis meses de vida;

2. É gratuito;

3. Está na temperatura adequada para ser oferecido ao bebê;

4. Aumenta o vínculo mãe-filho;

5. Contém as primeira defesas que o bebê necessita, os chamados anticorpos;

6. Ajuda a perder os "quilinhos" adquiridos durante a gravidez;

7. Protege contra o câncer de mama.

Eu não poderia deixar de desejar um Feliz Ano Novo a todos!

Atenção: dividir comprimidos pode alterar a dose do remédio


Muitas vezes não se tem duas partes iguais, o que pode ser prejudicial à saúde

Medicação

Alerta: dividir comprimidos para fracionar a medicação pode resultar em intoxicação ou ingestão de dosagem errada (BananaStock/Thinkstock)

"Esses remédios são geralmente divididos em tamanhos desiguais e uma quantidade substancial se perde durante a divisão"

Charlotte Verrue, pesquisadora

Dividir comprimidos ao meio pensando em ingerir apenas metade do remédio pode trazer sérias consequências à saúde do paciente, pois os riscos de dosagem errada são grandes. Segundo pesquisa publicada no periódico Journal of Advanced Nursing da Universidade de Ghent, na Bélgica, há uma margem muito pequena entre a dosagem terapêutica e a tóxica.

Durante testes clínicos, os pesquisadores descobriram que 31% dos comprimidos que foram divididos tinham uma dosagem diferente da esperada. Isso significa que partir um comprimido de 150mg em duas partes não é o mesmo que ter em mãos dois pedaços com 75mg. Até mesmo as pílulas cortadas por aparelhos específicos apresentam grande margem de erro - em 13% dos casos, a dosagem era diferente.

“Os comprimidos costumam ser divididos por uma série de fatores, como para aumentar a flexibilidade da dose, facilitar a ingestão e economizar na compra da medicação. No entanto, esses remédios são geralmente divididos em tamanhos desiguais e uma quantidade substancial se perde durante a divisão”, alerta Charlotte Verrue, coordenadora do estudo.

Dose certa - Para Charlotte, a pesquisa serve de alerta à saúde pública. A pesquisadora afirma que o melhor caminho para se evitar a prática é aumentar a variedade de dosagens à venda nas farmácias. “Há também a possibilidade de venda de formulações líquidas, que fariam da divisão de comprimidos algo desnecessário”, sugere.

Escolas públicas de BH terão regras para combater bullying


Capital mineira é a segunda do país em número de casos, de acordo com IBGE



CAROLINA COUTINHO

FOTO: MAÍRA VIEIRA - 24.9.2010
Mudanças. Regimento interno nas escolas foi feito há 20 anos; abordagem ao bullying será contemplada nas novas regras que deverão entrar em vigor no ano que vem
MAÍRA VIEIRA - 24.9.2010
Mudanças. Regimento interno nas escolas foi feito há 20 anos; abordagem ao bullying será contemplada nas novas regras que deverão entrar em vigor no ano que vem
Belo Horizonte ocupa o segundo lugar no ranking das capitais brasileiras que mais registram casos de bullying nas escolas, conforme apontou uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante disso, a Prefeitura de Belo Horizonte resolveu combater o problema na rede municipal de ensino com a elaboração de um novo regimento escolar que tratará de medidas para combater o bullying.

A intenção é que o documento funcione como uma espécie de manual para orientar e determinar como os educadores, pais e alunos devem agir diante de uma situação desse tipo. Segundo o gerente de projetos especiais da Secretaria Municipal de Educação, Ismayr Sérgio Cláudio, o atual regimento escolar da rede pública foi feito há 20 anos e está desatualizado e, por isso, a necessidade de um novo, em que a identificação e abordagem ao bullying sejam padronizadas. A previsão é que o novo regimento entre em vigor a partir de 2012.

"O atual regimento não atende mais às demandas das escolas hoje, que são mais dinâmicas. Além disso, com o passar dos anos, os problemas de convivência aumentaram, o que nos motivou a priorizar o tema bullying. Começamos a elaborar o regimento no início de 2010 e o finalizaremos no fim deste ano. Enquanto isso, questões já determinadas no documento poderão ser implantadas nas escolas".

A proposta será de capacitar melhor os professores, diretores e coordenadores, assim como guardas municipais que atuam nas escolas, para lidar com o bullying. O atendimento de qualquer caso do tipo será ainda acompanhado por colegiados ligados diretamente a assistentes sociais e ao Juizado da Infância e Juventude. "No novo regimento, vamos fortalecer e dar mais poder aos conselhos e colegiados, que vão mediar os conflitos, monitorar a convivência escolar e as brigas que possam advir dessa convivência. A intenção é, tão logo os sinais de bullying apareçam, que eles sejam tratados e solucionados por esses colegiados", afirmou.

Já para a rede estadual de ensino, não está prevista nenhuma manifestação nesse sentido. Segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Educação (SEE), o bullying é tratado como um tema pontual nas instituições, onde "cada professor lida com o caso da maneira que achar mais adequada".

Ranking. Uma pesquisa do IBGE, divulgada em junho de 2010, mostrou que Brasília é a capital nacional do bullying. Ao todo, 35,6% dos estudantes entrevistados disseram ter sido vítimas desse tipo de assédio. Belo Horizonte está em segundo lugar, com 35,3%, e Curitiba, em terceiro lugar, com 35,2 %.

Hip-Hop é a Cultura Juvenil de massa mais Politizada do Brasil


Mano Oxi *

Ouvi esse comentário na 23 ° Reunião do Conselho Nacional de Juventude que ocorreu entre os dias 14 e 15 de Dezembro em Brasília.

Me senti lisonjeado por fazer parte desta cultura há mais de quinze anos. Nesse período todo tenho de admitir que o Hip Hop vem alcançando cada vez mais espaço de visibilidade e principalmente espaço de decisão.

Atualmente no Brasil, temos mais de três vereadores eleitos pelas candidaturas do hip-hop e mais de trinta nomes que concorreram resultando em ótimas votações, além de inúmeros jovens do movimento que ocupam cargos de confiança como: assessores parlamentares, secretários de cultura, coordenadorias de Políticas Raciais, entres outros.

O Governo Federal, representado pelo Excelentíssimo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no ano de 2010 reconheceu o Movimento Hip-Hop oficialmente, criando o Prêmio Nacional da Cultura Hip-Hop que ficou conhecido como “Prêmio Preto Ghóez” (Ghóez foi um importante ativista do Hip Hop brasileiro). Este prêmio tem como objetivo principal reconhecer o Hip Hop como cultura popular da juventude historicamente excluída em nosso País.

O Hip Hop vem se organizando também no terceiro setor; são inúmeras as organizações de hip-hop que já possuem o seu CNPJ e muitas já participam de licitações, disputando verba pública para financiarem suas ações culturais nas comunidades desassistidas pelo Poder Público em âmbito Municipal, Estadual e Federal.

Há mais de dez anos, o hip-hop criou os seus próprios veículos de comunicação, seja nos canais públicos ou independentes, Jornais expressos ou pela grande teia digital conhecida mundialmente como Internet. São muitos os sites, blogs e rede sociais para informar o público sobre os acontecimentos que envolvem nossa cultura.

Aqui no Rio Grande do Sul, os últimos dois anos foram muito significativos para a valorização e reconhecimento do Hip Hop nas esferas institucionais. Por exemplo, tivemos uma boa articulação para criar a Lei Municipal e Estadual do Hip Hop (10.378 Municipal e 13.043 Estadual), instituindo nossa cultura dentro do calendário da Cidade de Porto Alegre e do Estado do Rio Grande do Sul.

Em seguida, realizamos o 1º Encontro Estadual de Hip Hop que ocorreu no mês de Maio de 2009, reunindo mais de mil jovens do movimento, vindos das diferentes partes do Rio Grande do Sul no Teatro Dante Barone, na Assembléia Legislativa do Estado.

Realizamos o 1º Seminário Regional de hip-hop também em parceira com a ALERGS, onde tiramos alguns encaminhamentos dos quais irão nortear o movimento nos os próximos anos. Atualmente tramita na ALERGS o PL.124 que instituirá, quando for aprovada, uma Política Estadual do Hip Hop garantindo ações conjuntamente com o Governo do Estado.

Não posso deixar de citar o 3° Congresso de Hip-Hop que ocorreu na cidade de Santos, São Paulo, no mês de Janeiro de 2010, reunindo mais de cinco mil jovens de todos os cantos do Brasil para fazer um momento de reflexão sobre os avanços do movimento em nosso País.

Por fim, durante o mês de Outubro de 2010, foi criado o Fórum Estadual de Diálogo Permanente do Hip-Hop, instância máxima do Hip-Hop Gaúcho perante as esferas Institucionais do Estado.

Por tudo isso, acredito também que o hip-hop é a cultura juvenil de massa mais politizada do Brasil. Pode acreditá, é o Hip-Hop contribuindo para as transformações de nossa sociedade. Assim que é, um forte abraço a todos e todas.


* Rapper do grupo DNA MC's, Vice-Presidente Nacional e Presidente Estadual da Nação Hip-Hop Brasil-RS. Editor do Jornal Salve! Suplente de Vereador na Câmera de Porto Alegre.

Índios do Grupo de Rap Brô MC’s é Destaque em Dourados – MS

Após participação em Oficina do Ponto de Cultura Todas as Idades, localizado em Dourados – MS, Índios da etnia Guarani Kaiowá formam Grupo de Rap pra mandar suas ideias.


Brô MC's
O CD do grupo musical da etnia Guarani Kaiowá, de Dourados (MS), foi gravado depois que os jovens, membros do grupo, participaram de uma oficina de Rap realizada em 2009, na aldeia Jaguapirú Bororó, onde vivem.
A oficina é um projeto do Ponto de Cultura Todas as Idades, realizado pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) em parceria com o Instituto para o Desenvolvimento da Arte e da Cultura (IDAC), que promove nas aldeias os pontos de Literatura, de Tecelagem Indígena e de Hip-Hop.
A gravação do CD Demo do grupo, cantado na língua falada pela etnia, é um projeto experimental e visa dar voz aos anseios e luta dos povos indígenas. Por meio do Rap, os jovens buscam retratar a realidade vivida pelas comunidades indígenas e divulgar sua cultura. O Coletivo Hip Hop da MTV divulga o Disco em seu Blog, confira!
Link Blog: Coletivo Hip Hop MTV

Fonte: cultura.gov.br

B.Boy Brasileiro Neguin é o Melhor do Mundo


Em Batalha contra o B.Boy Holandes Just do It, Neguin sagrou-se campeão do Red Bull BC One 2010, no utimo fim de semana no Japão.

B.Boy

B.Boy Neguin

O melhor B.Boy do mundo é brasileiro. O paranaense Neguin foi o vencedor da batalha internacional de b-boys , realizada neste final de semana em Tóquio. O brasileiro conquistou quatro dos cinco votos dos juízes e bateu o holandês Just do It. A final aconteceu no estádio Yoyogi, originalmente utilizado para a Olimpíada de 1964, e foi acompanhada por cerca de três mil pessoas. A batalha internacional de b-boys é realizada desde 2004, sempre em uma cidade diferente. Em 2006, ela ocorreu em São Paulo.
Atualmente vivendo entre Nova York e Londres, Neguin iniciou sua carreira em Cascavel, sua cidade natal, aos 14 anos de idade. A carreira seguiu para Itajaí, em Santa Catarina, cidade em que morava quando participou pela primeira vez do Red Bull BC One - 2009 em Nova York.
Veja vídeo da batalha no Japão.

Fonte: Ig.com

Marca criada para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro tem 'irmã próxima' nos Estados Unidos


Entidade filantrópica norte-americana tem logotipo com conceito e cores próximos do desenho do brasileiro Fred Gelli para a competição de 2016

Leo Pinheiro, do Rio de Janeiro
Espetáculo no lançamento: a logomarca dos jogos foi apresentada no réveillon de Copacabana

Espetáculo no lançamento: a logomarca dos jogos foi apresentada no réveillon de Copacabana (Divulgação)

Chamar de imitação é exagero, mas não dá para negar que a marca dos Jogos Olímpicos de 2016 tem, no mínimo, um parentesco próximo com a da Telluride Foudantion, entidade filantrópica norte-americana. Criador da marca daqui, o designer brasileiro Fred Gelli já negou qualquer imitação ou mesmo inspiração no símbolo da organização de caridade para conceber o logotipo que, espera-se, renderá milhões de dólares com concessões de uso para a competição no Rio de Janeiro, ao longo dos próximos seis anos.

Reprodução

Semelhança inegável: braços dados e cores aproximam os dois logotipos

A grande diferença entre as duas marcas é que a do brasileiro tem três pessoas de braços dados. A da Telluride, quatro. A partir daí começam muitas semelhanças. A posição das cores, distribuídas no desenho, é muito próxima. E até as tonalidades escolhidas parecem ser as mesmas. Um dos diferenciais – explicou o artista brasileiro, no lançamento do logotipo, na noite do dia 31 – é que a marca da Olimpíada brasileira é tridimensional, para dar a sensação de que se pode entrar no desenho.

Buscar inspiração – ou referências – quando o assunto é design não é algo proibido. Pelo contrário. É comum, em criações gráficas e ensaios de moda, por exemplo, recorrer a ideias bem-sucedidas do passado para causar alguma identificação, suscitar sentimentos no público ou até fazer menção explícita. Como citou a presidente Dilma Rousseff no dia da posse, em Brasília, “um governo se alicerça no acúmulo de conquistas da história; é mudança e continuidade”. Pelo jeito, no design a coisa não é muito diferente.

Escola que comunica, não se trumbica

FOTO1RADIOEscola que comunica, não se trumbica
Rodrigo Correa, Colaborador da ONG Oficina de Imagens
Imagine a cena: um grupo de crianças e adolescentes conduzindo um veículo de comunicação, uma rádio, dentro de uma escola da rede pública. A cena é real e a experiência vem sendo desenvolvida em duas instituições de ensino municipal de Belo Horizonte, integrantes do projeto Comunic@ Escola: as escolas municipais Professora Alcida Torres, no bairro Taquaril e São Rafael, no Pompeia, ambos na região Leste da cidade. Quarenta crianças e adolescentes – vinte em cada escola – participam atualmente do projeto, realizado pela ONG Oficina de Imagens em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a empresa British Telecom e a Prefeitura de Belo Horizonte por meio da Secretaria Municipal de Educação. O Comunic@ Escola! desenvolve atividades educativas, a partir de técnicas e ferramentas de comunicação e já realizou, em dois anos de atuação, oficinas de fotografia, vídeo e jornal mural, que culminaram na implantação de rádios escolares.
As atividades do Comunic@ Escola acontecem duas vezes por semana nas escolas participantes e priorizam dinâmicas e brincadeiras que fortaleçam o relacionamento entres os estudantes. Durante as oficinas, de forma transversal, o alunos trabalham temas como os direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, a participação estudantil, o combate à discriminação e a melhora da convivência no ambiente escolar. Para a coordenadora do Comunic@ Escola!, Paula Kimo, com a implantação da rádio escolar, o projeto espera contribuir para criar, no ambiente escolar, um espaço de circulação da informação de forma mais livre. “A rádio possibilita momentos de interação, troca de informação e entretenimento, além de servir como uma poderosa ferramenta pedagógica”, afirma o jornalista e educador do projeto, Carlos Jáuregui. De acordo com ele, a rádio pode dialogar tanto com os conteúdos trabalhados em sala de aula, quanto com temáticas que não estão incluídas de forma sistemática nos currículos. “É o caso de discussões muito importantes como cidadania e direitos humanos”, informa.
Rádios Escola e jovem sintonizado
Em agosto próximo, será a vez da Escola Municipal São Rafael, no bairro Pompeia, lançar oficialmente a “Rádio Escola – a rádio do São Rafael”. De acordo com a professora comunitária, Orquídea de Deus, o Comunic@ Escola! tem contribuído para melhorar as relações na escola, inclusive no que diz respeito à disciplina e ao estímulo a uma cultura da não-violência. “Vai contribuir muito para a conscientização dos estudantes sobre os problemas que enfrentamos e também, na interlocução com as famílias e a comunidade”, acredita. Inaugurada no último dia 22 de junho, a rádio Jovem Sintonizado – a rádio que todo jovem quer” – vem se inserindo gradativamente no dia a dia da Escola Municipal Professora Alcida Torres. Atualmente a rádio vai ao ar às terças e quintas-feiras, nos horários da entrada e recreio dos alunos e do almoço e, após um período de adaptação, espera-se que funcione diariamente. De acordo com o estudante de 16 anos, Mateus Eliardo Santigo, no projeto desde o início, a rádio facilita a troca de informações, além de deixar a escola mais divertida. “Podemos passar as músicas prediletas dos alunos, fazer e mobilizar para campanhas solidárias, como para a doação de agasalhos e informar sobre os direitos dos estudantes e as ações do grêmio estudantil”, diz.
JORNALISMO CIDADÃO: projeto do caderno EU ACREDITO!, em parceria com organizações sociais, promove o acesso efetivo à grande mídia, através da publicação de material jornalístico do interesse das comunidades atendidas, produzido sob a orientação de profissionais de Comunicação. PARTICIPE! Mais informações: ppclitzamattos@gmail.com

Poesia e política “dão voz” à comunidade

Foto 2Fomentar e fortalecer a cultura, especialmente a diversidade cultural da periferia. Essa é a proposta do Coletivoz, grupo formado por artistas, escritores e poetas, surgido em 2008 no bairro Independência, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Com a realização de saraus e intervenções culturais diversificadas, o grupo estimula a reflexão política pelas vias da arte e da literatura. Segundo a articuladora do Coletivoz, Kaká Pimenta, embora marginalizado e alvo de preconceito, o rap, estilo musical que explora o ritmo e a poesia, na construção de uma arte com fortes raízes popular, local e de protesto, é um das manifestações culturais mais presentes na região. E é no universo da periferia, marcado por desigualdades socioeconômicas, mas também pela diversidade cultural, que a discussão política se torna a base da ação do Coletivoz. Nosso discurso é de resistência, levando o discurso político, onde ele seja necessário. Não vendemos um produto, mas falamos sobre a miséria humana e trabalhamos para desalienar as pessoas”, afirma Kaká.

Em Belo Horizonte, as apresentações do Coletivoz são performáticas e acontecem há dois anos, toda quarta-feira, no bar Zé Herculano, no bairro Independência . Nesses momentos, a sinuca é transformada em uma mesa, coberta por painéis de grafites e livros, disponibilizados ao público. Incorporado à realidade do lugar onde o grupo nasceu, esse trabalho é resultado da inspiração e da apropriação das iniciativas da Cooperativa de Poetas da Periferia (Cooperifa), de São Paulo (capital), promotora de saraus semanais, que chegam a reunir até 500 pessoas por edição, ávidos por ouvir e declamar poemas próprios ou de outros autores, textos que articulam indignação e denúncia, com o apelo estético da poesia. Segundo Kaká, a delicadeza da linguagem poética é importante para tornar o discurso do Coletivoz menos duro e mais atraente e acessível.

O Barreiro, onde nasceu o Coletivoz, a 15 km do centro de BH, é a segunda região mais movimentada, após o centro comercial da capital mineira. Com154anosdeidade, completados em 2009, é mais antiga que a própria capital de Minas. A arrecadação do Distrito do Barreiro gera em cerca de 40%do Valor Adicional Fiscal (VAF) de Belo Horizonte, comprovando a importância dessa região a capital. Comcercade300milhabitantes, 90 mil domicílios, 54 bairros, caso fosse emancipado, estaria entre as 8 maiores cidades de Minas Gerais.

Matéria produzida por: VANESSAVEIGA e ROBERTOALMEIDA – COLABORADORES-ASSOCIAÇÃO IMAGEMCOMUNITÁRIA

JORNALISMO CIDADÃO, um projeto EU ACREDITO!HOJEEMDIA, em parceria com organizações sociais, promove o acesso à grande mídia, através da publicação de material jornalístico do interesse das comunidades atendidas, produzido sob a orientação de profissionais de Comunicação. PARTICIPE! Mais informações: ppclitzamattos@gmail.com

Esquema novo - Retrospectiva do ano que vem



Rodrigo James - Estado de Minas
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Fernando Laszlo/Divulgação
Arnaldo Antunes profetizou a revolução da arte no nosso cotidiano com a canção Música para ouvir
Se o ano musical de 2011 pudesse ser definido em uma palavra, ela seria “mobilidade”. E não estou falando da proliferação dos smartphones conectados à internet que acabaram com os downloads legais e ilegais, abrindo espaço para que a música finalmente pudesse ser ouvida em real time usando apenas as lentas conexões 4G. Me refiro ao ano em que todos perceberam que é muito fácil compor, gravar e disponibilizar música usando estes aparelhos. Quem diria que há apenas um ano estaríamos todos exaltando o feito de Damon Albarn que gravou um disco inteiro de seu projeto Gorillaz usando um Ipad…

“Música para ouvir no trabalho/ Música para jogar baralho/ Música para arrastar corrente/ Música para subir serpente”. Seguramente, quando compôs Música para ouvir, Arnaldo Antunes não imaginava que sua letra passaria de crítica à presença da música em todos os momentos de nossas vidas a profecia. Se por um lado uma infinidade de novos artistas surgiram no cada vez mais pulverizado mercado fotográfico, o ano não foi bom para quem já estava estabelecido. Bandas como Strokes, R.E.M, Radiohead e Rolling Stones lançaram novos trabalhos, mas não atingiram nem um quinto da repercussão de outrora. Nomes obscuros como The Shift Shakers, Rattleband a Chris Stone-Pamper tomaram os lugares dos já veteranos Tame Impala, Sleigh Bells e Avi Buffalo na preferência da crítica. A efemeridade da música nunca foi tão evidente.

Foi o ano em que os grandes festivais do mundo pararam para repensar. Na Europa e nos Estados Unidos, o número de ingressos vendidos para estes eventos caiu assustadoramente, mostrando que a curva decrescente detectada em 2009 não era fogo de palha. Do quase cancelamento do maior de todos, Glastonbury, à mundialização de marcas como Lollapalooza, Bonnaroo, Coachella e Roskilde (a edição argentina deste último foi considerada pela crítica como o grande festival de 2011), a máxima miltonnascimentiana “todo artista deve ir aonde o povo está” foi lida ao pé da letra pelos organizadores. Os destinos foram os emergentes do showbiz mundial: Brasil, Argentina e Chile. Se os maiores cachês do mundo já eram pagos ali, porque não radicalizar e capitalizar mais ainda em cima destas praças?

NOVOS RUMOS

Também a cena independente brasileira viveu um ano de mudança de paradigmas. Sai o dinheiro público e entra o capital privado. Apostando na diversidade cultural brasileira e se aproveitando do fato de a música estar cada vez mais presente na vida do brasileiro, mais empresas associaram suas marcas com os novos e velhos eventos voltados para a música autoral. As leis de mercado regeram as curadorias e o público, exigente como sempre, deixou de fora artistas engajados que se preocupam apenas com o discurso para demandar por nomes com uma conexão direta com a música, sintonizados nesta nova realidade. Houve espaço para tudo e para todos e a única condição exigida foi a não invenção de artistas.

Para finalizar, aquela que foi considerada por muitos a grande mudança de 2011. Depois de mais de uma década sob o domínio da cultura hip-hop norte-americana, as rádios brasileiras parecem ter acordado e ofereceram aos ouvintes um leque mais amplo de opções. Do afrobeat ao pop psicodélico, houve espaço para tudo no dial brasileiro e os ouvintes, antes culpados por todos como os grandes responsáveis pela baixa qualidade, provaram que suas opiniões são soberanas. As audiências aumentaram, anunciantes ficaram felizes e o veículo, que então patinava, ganhou fôlego extra.


P.S.: Este é um texto de ficção. Mas pode não ser. Vários factóides aqui apresentados podem se transformar em realidades. Outros não. Para o bem ou para o mal. De qualquer maneira, feliz 2011.

Última máquina de revelação do filme Kodachrome será desligada hoje

DE SÃO PAULO

A última máquina de revelação do filme Kodachrome será desligada hoje para ser vendida como sucata, relata o "New York Times".

Lançado em 1935 pela Kodak, o Kodachrome foi o primeiro filme colorido da história e, de acordo com o jornal, ainda é o mais amado.

Fotógrafos consideram a riqueza de cores e o tratamento do filme incomparável, mesmo depois da chegada das câmeras digitais.

David Duprey/AP
Lançado em 1935 pela Kodak, o Kodachrome foi o primeiro filme colorido da história
Lançado em 1935 pela Kodak, o Kodachrome foi o primeiro filme colorido da história

"Faz você pensar que o mundo todo é um dia de sol", cantou Paul Simon em seu hit "Kodachrome", de 1973, lembrou o jornal. A música de Simon carrega ainda o apelo: "mamãe, não leve meu Kodachrome embora".

Mas não tem jeito, o filme vai acabar. O último processador era o laboratório Dwayne's Photo, empresa familiar da pequena cidade de Parsons, Kansas, nos EUA.

Recentemente, dezenas de visitantes e milhares de pacotes chegaram ao Dwayne's. Rolos de filme guardados em freezers e escondidos em armários, por vezes, por décadas, inundaram o local, vindos dos seis continentes, relata o "NYT".

ÚLTIMO ROLO

No auge, cerca de 25 laboratórios em todo o mundo processavam o Kodachrome, mas o último estabelecimento administrado pela Kodak nos Estados Unidos fechou há vários anos, seguido pela unidade do Japão e da Suíça.

Havia restado apenas o Dwayne's. Porém, no ano passado a Kodak parou também de produzir as substâncias químicas necessárias para a revelação do filme, provendo o Dwayne's com material suficiente para continuar o processamento apenas até o fim deste ano.

O mais difícil para o laboratório foi escolher qual seria o último rolo a ser revelado. Por fim,decidiu-se por um filme pertencente a Dwayne Steinle, proprietário do local.

A última foto será uma de todos os funcionários em frente ao Dwayne's vestindo camisetas com o epitáfio: "o melhor slide e filme na história agora está oficialmente aposentado. Kodachrome: 1935-2010".

Preconceito que cala, língua que discrimina



Marcos Bagno, escritor e linguista brasileiro, deixa à mostra a ideologia de exclusão social e de dominação política pela língua

Joana Moncau,

Marcos Bagno, escritor e linguista brasileiro, deixa à mostra a ideologia de exclusão social e de dominação política pela língua, típica das sociedades ocidentais. “Podemos amar e cultivar nossas línguas, mas sem esquecer o preço altíssimo que muita gente pagou para que elas se implantassem como idiomas nacionais e línguas pátrias”.
O preconceito linguístico é um preconceito social. Para isso aponta a afiada análise do escritor e linguista Marcos Bagno, brasileiro de Minas Gerais. Autor de mais de 30 livros, entre obras literárias e de divulgação científica, e professor da Universidade de Brasília, atualmente é reconhecido sobretudo por sua militância contra a discriminação social por meio da linguagem. No Brasil, tornou-se referência na luta pela democratização da linguagem e suas ideias têm exercido importante influência nos cursos de Letras e Pedagogia.
A importância de atingir esse meio, segundo ele, é que o combate ao preconceito linguístico passa principalmente pelas práticas escolares: é preciso que os professores se conscientizem e não sejam eles mesmos perpetuadores do preconceito linguístico e da discriminação. Preconceito mais antigo que o cristianismo, para Bagno, a língua desde longa data é instrumentalizada pelos poderes oficiais como um mecanismo de controle social. Dialeto e língua, fala correta e incorreta: na entrevista concedida a Desinformémonos, ele desnaturaliza esses conceitos e deixa à mostra a ideologia de exclusão e de dominação política pela língua, tão impregnada nas sociedades ocidentais.
A língua é um dialeto com exército e marinha”, Max Weinreich
O controle social é feito oficialmente quando um Estado escolhe uma língua ou uma determinada variedade linguística para se tornar a língua oficial. Evidentemente qualquer processo de seleção implica um processo de exclusão. Quando, em um país, existem várias línguas faladas, e uma delas se torna oficial, as demais línguas passam a ser objeto de repressão.
É muito antiga a tradição de distinguir a língua associada ao símbolo de poder dos dialetos. O uso do termo dialeto sempre foi carregado de preconceito racial ou cultural. Nesse emprego, dialeto é associado a uma maneira errada, feia ou má de se falar uma língua. Também é uma maneira de distinguir a língua dos povos civilizados, brancos, das formas supostamente primitivas de falar dos povos selvagens. Essa forma de classificação é tão poderosa que se erradicou no inconsciente da maioria das pessoas, inclusive as que declaram fazer um trabalho politicamente correto.
De fato, a separação entre língua e dialeto é eminentemente política e escapa aos critérios que os linguistas tentam estabelecer para delimitar dita separação. A eleição de um dialeto, ou de uma língua, para ocupar o cargo de língua oficial, renega, no mesmo gesto político, todas as outras variedades de língua de um mesmo território à terrível escuridão do não-ser. A referência do que vem de cima, do poder, das classes dominantes, cria aos falantes das variedades de língua sem prestígio social e cultural um complexo de inferioridade, uma baixo auto-estima linguística, a qual os sociolinguistas catalães chamam de “auto-ódio”.
Falar de uma língua é sempre mover-se no terreno pantanoso das crenças, superstições, ideologia e representações. A Língua é um objeto criado, normatizado, institucionalizado para garantir a unidade política de um Estado sob o mote tradicional: “um país, um povo, uma língua”. Durante muitos séculos, para conseguir a desejada unidade nacional, muitas línguas foram e são emudecidas, muitas populações foram e são massacradas, povos inteiros foram calados e exterminados. No continente americano, temos uma história tristíssima de colonização construída sobre milhares de cadáveres de indígenas que já estavam aqui quando os europeus invadiram suas terras ancestrais e dos africanos escravizados que foram trazidos para cá contra sua vontade.
Não podemos esquecer que o que chamamos de “língua espanhola”, “língua portuguesa”, ou “língua inglesa” tem um rico histórico, não é algo que nasceu naturalmente. Podemos amar e cultivar essas línguas, mas sem esquecer o preço altíssimo que muita gente pagou para que elas se implantassem como idiomas nacionais e línguas pátrias.
Breve histórico linguístico da América Latina
A história linguística da América Latina foi e é marcada por muita violência contra as populações não-brancas, em todos os sentidos, dos massacres propriamente ditos, passando pela escravização e chegando aos dias de hoje com a exclusão social e o racismo.
No caso específico das línguas, as potências coloniais (Portugal e Espanha) se empenharam sistematicamente em impor suas línguas. As situações variam de país a país. Na Argentina, por exemplo, depois da independência, o governo traçou um plano explícito de extermínio dos indígenas, a chamada “Conquista do Deserto”, pagando em dinheiro às pessoas que levassem escalpos como prova do assassinato. Com isso, a população indígena da Argentina, principalmente do centro para o sul, desapareceu quase completamente, e com ela suas línguas.
No Peru e na Bolívia, a língua quéchua, que era uma espécie de idioma internacional do império inca, é muito empregada até hoje, havendo mesmo comunidades mais isoladas cujos falantes não sabem falar espanhol.
No Brasil, o trabalho de imposição do português foi muito bem feito, de maneira que é a língua homogênea da população. O extermínio dos índios fez desaparecer centenas de línguas: hoje sobrevivem cerca de 180, mas faladas por muito pouca gente, algumas já em vias de extinção. Durante boa parte do período colonial, a língua mais usada no Brasil foi a chamada “língua geral”, baseada no tupi antigo, que os jesuítas empregaram para catequizar os índios. Com a expulsão dos jesuítas no século XVIII e a proibição do ensino em qualquer língua que não fosse o português, a língua geral desapareceu. É uma pena que não tenhamos uma riqueza linguística como no México, que possui mais de 50 línguas diferentes, sendo que o nahua é falado por cerca de 1 milhão de pessoas. Ainda assim, essas minorias linguísticas no Brasil estão cada vez mais reconhecendo seus direitos e lutando por eles.
Quanto às línguas africanas no Brasil, elas não puderam sobreviver porque os portugueses tomavam cuidado para separar as famílias em lotes diferentes bem como os falantes de uma mesma língua, de modo que fossem obrigados a aprender o português para se comunicar entre si e com os brancos. Mesmo assim, as línguas africanas, sobretudo as do grupo banto, influíram fortemente na formação do português brasileiro, fazendo com que ele se tornasse o que é hoje, uma língua bem diferente do português europeu.
No Paraguai, como não houve expulsão dos jesuítas, a língua geral empregada por eles, o abanheenga (guarani), permanece até hoje como elemento importante da vida dos paraguaios, que são bilíngues em sua maioria: espanhol e guarani.
Falar errado? Para quem?
Também existe uma ideologia linguística que não é oficializada, mas que ao longo do tempo se instaura na sociedade. Em qualquer tipo de comunidade humana sempre existe um grupo que detém o poder e que considera que seu modo de falar é o mais interessante, o mais bonito, é aquele que deve ser preservado e até imposto aos demais.
Nas sociedades ocidentais as línguas oficiais sempre foram objetos de investimento político. As línguas são codificadas pelas gramáticas, pelos dicionários, elas são objetos de pedagogias, são ensinadas. Claro que essa língua que é normatizada nunca corresponde às formas usuais da língua, sempre há uma distância muito grande entre o que as pessoas realmente falam no seu dia-a-dia, na sua vida íntima e comunitária, e a língua oficializada e padronizada.
A questão da língua é a única que une todo o espectro linguístico, ou seja, a pessoa da mais extrema esquerda e da mais extrema direita geralmente concordam, por exemplo, diante da afirmação de que os brasileiros falam português muito mal. É uma ideologia muito antiga, eu digo que é uma religião mais antiga que o cristianismo, porque surgiu entre os gramáticos gregos 300 anos antes de Cristo e se impregnou na nossa cultura ocidental de maneira muito forte.
Entretanto, ao mesmo tempo em que as classes dominantes diziam que era preciso impor o padrão para todo o mundo, elas não permitiam às classes dominadas o acesso a ele. Havia essa contradição, que na verdade não é uma contradição, mas uma estratégia político-ideológica: “Você tem que se comportar assim, mas não vou te ensinar como”. Isso, para as classes dominantes terem, além de outros instrumentos de controle social, também o controle da língua. É o que Pierre Bourdieu chama de a ‘língua legítima’: as classes dominadas reconhecem a língua legitima, mas não a conhecem. Ou seja, elas sabem que existe um modo de falar que é considerado bonito, importante, mas elas não têm acesso a ele.
O preconceito linguístico nas sociedades ocidentais é derivado principalmente das práticas escolares. A escola sempre foi muito autoritária, muitas vezes as pessoas tinham que esquecer a língua que já sabiam e aprender um modelo de língua. Qualquer manifestação fora desse modelo era considerada erro, e a pessoa era reprimida, censurada, ridicularizada.
Outro grande perpetuador da discriminação linguística são os meio de comunicação. Infelizmente, pois eles poderiam ser instrumentos maravilhosos para a democratização das relações linguísticas da sociedade. No Brasil, por serem estreitamente vinculados às classes dominantes e às oligarquias, assumiram o papel de defensores dessa língua portuguesa que supostamente estaria ameaçada. Não interessa se 190 milhões de brasileiros usam uma determinada forma linguística, eles estão todos errados e o que apregoam como certo é aquela forma que está consolidada há séculos. Isso ficou muito evidente durante todas as campanhas presidenciais de que Lula participou. Uma das principais acusações que seus adversários faziam era essa: como um operário sem curso superior, que não sabe falar, vai saber dirigir o país? Mesmo depois de eleito, não cessaram as acusações de que falava errado. A mídia se portava como a preservadora de um padrão linguístico ameaçado inclusive pelo presidente da República.
Nessas sociedades e nessas culturas muito centradas na escrita, o padrão sempre se inspira na escrita literária. Falar como os grandes escritores escreveram é o objetivo místico que as culturas letradas propõem. Como ninguém fala como os grandes escritores escrevem, a população inteira em teoria fala errado, porque esse ideal é praticamente inalcançável.
Entretanto, isso é muito contraditório, porque os ensinos tradicionais de língua dizem que temos que imitar os clássicos, mas ao mesmo tempo somos proibidos de fazer o que os grandes autores fazem, que é a licença poética. Como aprendemos nas escolas, ela é permitida àquele que em teoria sabe tão bem a língua que pode se dar ao luxo de desrespeitar as normas. A diferença entre a licença poética e o erro gramatical é, basicamente, de classe social. Uma pessoa pela sua própria origem social se dá ao direito e tem esse direito reconhecido de falar como quiser, outra, também por sua origem social não tem esse direito.
Cria-se um padrão linguístico muito irreal, muito distante da realidade vivida da língua. É a partir desse confronto entre a maneira de falar das pessoas e essa língua codificada, que surgem esses conflitos linguísticos. A pessoa, ao comparar seu modo de falar com aquilo que aprende na escola ou com o que é codificado, vê a distância que existe entre essas duas entidades e passa a achar que seu modo de falar é feio, é errado.
Qualquer tipo de imposição linguística acaba gerando um efeito contrário que é a auto-rejeição linguística ou a promoção de um preconceito linguístico por parte das camadas sociais dominantes.
Luta contra o preconceito linguístico
Acabar com o preconceito linguístico é uma coisa difícil. É preciso sempre que façamos a distinção entre preconceito e discriminação. O que nós temos que combater é a discriminação, ou seja, quando esse preconceito deixa de ser apenas uma atitude ou um modo de pensar das pessoas e se transforma em práticas sociais.
Primeiro é preciso reconhecer a existência do preconceito linguístico, conhecer os modos como ele se manifesta concretamente como atitudes e práticas sociais, denunciar isso e criar modos de combatê-lo.
Justamente pelo fato de o preconceito linguístico nas sociedades ocidentais ser derivado das práticas escolares, na minha opinião, o grande mecanismo para começar a desfazer o preconceito linguístico, a discriminação linguística, está também na pratica escolar. É muito importante que a escola, em sociedades letradas como a nossa, permita ao aluno esse processo do acesso ao letramento a partir de práticas pedagógicas democratizadoras, em que as variações linguísticas sejam reconhecidas como prática da cultura nacional, que não sejam ridicularizadas. E é claro que isso tem um funcionamento político muito importante, não só na escola, mas em toda a sociedade.
Por isso que no Brasil, eu e um conjunto de outros linguistas e educadores estamos sempre atacando muito o preconceito linguístico e propondo práticas pedagógicas democratizadoras. Que a criança, ao chegar na escola falando uma variedade regional menos próxima do padrão, não seja discriminada. Nosso trabalho atualmente se centra muito na escola, nos materiais didáticos e na formação dos professores de português, para que não sejam eles mesmos perpetuadores do preconceito linguístico e da discriminação.
Além disso, vale considerar que, em menos de meio século, a proporção mundial entre a população urbana e a rural ficou muito desigual, com a população mundial muito mais urbanizada. A urbanização implica o contato com formas linguísticas de maior prestigio, na televisão, na escola, na leitura etc. Isso vai implicar também uma espécie de nivelamento linguístico. Embora as variedades linguísticas se mantenham, quanto mais pessoas souberem ler e escrever e tiverem ascensão social, é mais provável que haja um nivelamento linguístico maior.
No caso específico do Brasil, nos últimos oito anos, quase 30 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza e com isso vão impor também sua maneira de falar. Outro dado muito importante é que a grande maioria das pessoas que se formam professores (de português, principalmente) vem dessas camadas sociais. Portanto, o professor que está indo para sala de aula já é falante dessas variedades linguísticas que antigamente eram estigmatizadas. Isso vai provocar um grande movimento de valorização dessas variedades menos prestigiadas. Estamos assistindo a um momento muito importante da história sociolinguística do Brasil.
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