América Latina: onde floresce o Hip Hop político

Como na metáfora dos modernistas brasileiros, o continente promove uma antropofagia cultural, engolindo, digerindo e transformando a herança da diáspora negra


Spensy Pimentel

do Desinformemonos.org

Vinte anos atrás, o rap político chegava ao seu auge nos EUA. Grupos como Public Enemy, Boogie Down Productions (BDP) e Niggers with Attitude (NWA) expressavam, cada um a seu modo, o descontentamento dos habitantes dos guetos das grandes cidades do país com a falta de oportunidades econômicas para os mais pobres e a violencia policial, especialmente contra negros e latinos. A virulência das letras, recuperando muitas idéias e nomes do movimento negro dos anos 60 e 70, chamava a atenção, e os grupos chegaram a ser alvo de investigações do FBI. Congressistas da direita faziam discursos raivosos e paranóicos.

Causa? Efeito? Sintoma, de qualquer modo. Enquanto ecoavam pelos guetos negros e latinos dos EUA versos virulentos contra a polícia, como “Fuck the police” / “They have the authority to kill a minority”, do NWA, uma insatisfação crescente desembocou em uma série de revoltas em 1992, principalmente a partir de Los Angeles, onde policiais acusados de espancar o taxista negro Rodney King, flagrados por um cinegrafista amador um ano antes, foram absolvidos por um júri formado majoritariamente por brancos.

Logo depois, os ventos mudaram nos EUA. A sucessão de governos republicanos – que costumam cortar os gastos públicos, principalmente destinados à assistência social – foi interrompida em 1993 pela chegada do democrata Bill Clinton. A queda do muro de Berlim, em 1989, deu força ao projeto neoliberal traduzido no decálogo do Consenso de Washington, e os anos 90 foram marcados pela imposição dos padrões econômicos que interessavam aos mercados financeiros. Na América Latina, uma leva de governos francamente alinhados com os EUA produziu abertura dos mercados, privatizações e o desmantelamento da economia. Os rentistas – os que vivem de juros – lucraram como nunca. Em menor ou maior grau, o continente foi à lona e sofre até hoje as consequencias da adoção das famosas lições de casa de organismos como o FMI e o Banco Mundial.

A música dos guetos continuou a refletir o zeitgeist, o espírito do mundo. Favorecida pelas políticas de livre mercado, as privatizações e as novas tecnologias, com o advento da internet, sobretudo, a economia americana viveu um período de grande prosperidade. Em paralelo, o rap ganhou espaço no mainstream (3M: mercado, mídia, moda) ao mesmo tempo em que o protesto político passou a ser uma corrente minoritária. Ganhava espaço, principalmente, o gangsta rap, cada vez mais celebrando um modo de vida consumista de artistas que passavam a ganhar dinheiro com a música. Se os clipes de rap antes denunciavam a violência da polícia contra os jovens negros na rua, agora passavam a mostrar como, mesmo em um automóvel luxuoso de último tipo um negro ainda podia ser parado como suspeito. No fio da navalha entre as duas tendências ficavam figuras como certo filho de Afeni Davis, uma antiga integrante do Black Panthers Party, conhecido como Tupac Shakur, mais tarde 2Pac.

Mas a centelha de consciência política e revolta trazida pelo Hip Hop como herança dos movimentos negros dos anos 60 e 70 não morreu, apenas emigrou. Escondida nos porões das naus da globalização neoliberal, ela se espalhou pelos continentes. Na França, foi trilha sonora das revoltas dos jovens dos bairros pobres contra as políticas liberais e a violência policial. Na Palestina, embala a luta dos jovens na Intifada. À África, o fruto da diáspora negra voltou para semear a desobediência civil contra o autoritarismo.

E foi na América Latina que a semente do Hip Hop encontrou o solo mais fértil. Na região que sofre desde o século XIX com a sombra da presença norte-americana, os ensinamentos sobre o valor da organização comunitária local na produção cultural ganham nova dimensão. Enquanto o Hip Hop se torna parte do cerne da indústria cultural norte-americano no fim dos anos 90, na América Latina, ele se converte em catalisador de núcleos de formação política nas periferias urbanas e voz dos oprimidos.

Milhares de jovens, aos quais não falavam os partidos, os sindicatos ou os movimentos negro e indígena, de repente estão a ler obras de Malcolm X e Martin Luther King, a procurar informações sobre líderes como Zumbi dos Palmares, Che Guevara, Luisa Mahin ou Tupak Katari, ao mesmo tempo em que promovem festas, cursos de dança, desenho e poesia, além de trabalhos sociais nas comunidades onde vivem. A maioria absoluta não vai se tornar campeão de vendas, não vai se tornar milionário, mas terá, certamente, a vida mudada por essa sutil combinação de arte e política em que se converteu o Hip Hop.

Ao sul do Rio Grande também se dança

Os mexicanos, que são quase 30 milhões, entre os nascidos no México ou seus descendentes, vivendo nos Estados Unidos, têm tamanha presença nos guetos americanos que o país poderia ser considerado quase tão importante na composição dos elementos do Hip Hop como a Jamaica – de onde vieram vários dos primeiros envolvidos nas festas de rua (block parties) onde surgiu o movimento, com elementos como o DJing e o Mcing. O rap chicano se impôs nos anos 90, e a arte do lowriding, por exemplo, típica das comunidades mexicanas na região de Los Angeles, foi definitivamente incorporada ao Hip Hop. Não há como ignorar, ainda, a possível influência da arte latino-americana no grafite, particularmente o muralismo centroamericano.

Desde os anos 90, ao mesmo tempo que é um dos mais castigados pelas políticas neoliberais, o país também gerou um movimento que virou referência para a resistência contemporânea ao capitalismo, o zapatismo. Rappers como Olmeca, que mora em Los Angeles, e Boca Floja demonstram a influência do EZLN.

Outro país latino-americano cujos imigrantes estiveram fortemente ligados às raizes do movimento é Porto Rico. Alguns dos primeiros Mcs, Djs, breakers e grafiteiros tinham ascendência portorriquenha – ou cubana, ou ambas. Era portorriquenho, por exemplo, Julio 204, precursor do grafite e do próprio Taki 183, o primeiro praticante das tags a obter fama na mídia, em 1971. Outro descendente de portorriquenhos (e cubanos) era o DJ Disco Wiz, integrante de uma das primeiras crews de Mcs do Bronx.

Hoje, o rap político portorriquenho, conhecido como rap boricua, celebra a soberania do país e ataca os invasores norte-americanos. Em “Mano Dura”, Siete Nueve e Intifada denunciam a execução, por agentes do FBI, em 2005, de Filiberto Ojeda Rios, líder independentista. O vídeo de “Epica del Tiempo”, de Intifada, celebra a resistência à ocupação norte-americana, que já dura 112 anos.

Em 2008, na disputa entre Obama e McCain, o reggaeton, uma derivação latina do Hip Hop de apelo mais comercial, originária de Porto Rico, entrou na política eleitoral. Daddy Yankee declarou voto em McCain, e o rapper Siete Nueve pedia a ele: “Quedate callao!” Situação parecida ocorreu, também no governo Bush, com o sambista brasileiro Alexandre Pires, que chegou a chorar ao encontrar o presidente norte-americano. “Falhou, sujou, a bandeira brasileira / Envergonhando a América Latina inteira / Inocência, oportunismo, ignorância da história / Chorou nos braços de quem tem fama sem glória”, cantou para ele à época o rapper GOG.

No Brasil, o rap tornou-se, rapidamente, uma das principais expressões de um forte movimento de auto-afirmação da população negra e de reivindicação de espaços na política, na economia e na sociedade. Nomes como os dos Racionais MCs e GOG inspiraram milhares de jovens a procurar entender melhor sua história e sua vida. Toda uma geração de rappers obteve destaque no país desde o início dos anos 90, trazendo destaque à problemática da juventude negra nas periferias metropolitanas do país. São nomes como RZO, Sabotage, De Menos Crime, Conexão do Morro, MV Bill, Z'África Brasil, entre outros. Na década atual, os rumos dos trabalhos dos Racionais e de Bill, entre outros, causa debate no movimento, incluindo-se contratos com grandes empresas e aparições na maior rede de TV do país, a Globo, além de posicionar-se a favor de ações polêmicas do governo Lula como a coordenação da missão da ONU no Haiti.

Em tempos de bonança na economia, com um governo que tem aprovação de uma maioria absoluta da população negra e pobre, o rap político perdeu terreno. Ganhou espaço no país o funk carioca, por exemplo, uma derivação de um estilo do rap norte-americano, o miami bass, mais dançante e abordando temáticas mais ligadas à sexualidade. Ainda assim, o funk carioca enfrenta a criminalização, da mesma forma que outras manifestações culturais populares, principalmente devido a letras que abordam (e, do ponto de vista de alguns, exaltam) o crime organizado do Rio de Janeiro. Artistas do funk carioca como Deize Tigrona alçaram fama internacional.

Ao mesmo tempo, a maior consciência sobre os limites da tomada de poder por um partido de esquerda e a necessidade de continuar a luta social fora do âmbito estatal dão destaque a uma nova leva de ativistas-ativistas, como é o caso dos coletivos Lutarmada e Enraizados, ou mesmo do próprio movimento da literatura marginal ou periférica, uma transformação sui generis do Hip Hop, grande novidade dos últimos anos no país (vide, por exemplo, Donde Miras). A falência da indústria da música também enseja a reflexão sobre formas alternativas de distribuição, e novos padrões de comportamento diante da grande mídia e dos partidos políticos, como é o caso dos MCs Emicida, Rashid e Rapadura, ou dos grupos Facção Central e Tr3f – este último, do escritor Ferréz. Nem sempre se trata de uma “nova geração”. Há casos em que se trata de gente com anos de estrada no movimento, mas que representam esse novo momento que chegou para o Hip Hop no Brasil, diante da atual conjuntura política (o link acima é para um clipe do Facção Central que foi censurado pela Justiça em 1998).

Em outros países, como Venezuela e Cuba, onde há um explicito projeto socialista em marcha, os governos locais dão apoio massivo ao Hip Hop como forma de cultura jovem. Em Cuba, existe até mesmo um organismo estatal específico, a Agência Cubana de Rap, para dar suporte ao movimento. Intensa articulação com os afrocubanos nos EUA acontece em torno do evento Agosto Negro, que ocorre desde 1998 e envolve, entre outros elementos, a solidariedade com presos políticos negros nos EUA (como o padrasto de Tupac, preso até hoje) – por iniciativa da ativista Nehanda Abiodun, veterana do Black Power que obteve asilo político em Cuba. Nomes fortes dessa cena do rap político cubano são, entre outros, Anonimo Consejo, Los Aldeanos e Obsesión.

Na Venezuela, desde 2005, o governo ajuda a promover a Cúpula Internacional do Hip Hop, que é anual e já está em sua 5a edição. Aí estão grupos como o Hip Hop Revolución, Kultura Santa e Septima Raza. Em parceria com o governo, o movimento está criando a rede de Escolas Populares de Artes e Tradicoes Urbanas (Epatu). Pelas cúpulas venezuelanas já passaram grupos de vários países, como Legua York (Chile), Actitud María Marta (Argentina) e Metaforus (República Dominicana). E há, evidentemente, também, os que cantam contra o governo.

Uma das grandes novidades dos últimos anos, ainda, é o rap indígena. Na Bolivia, onde dois terços da população pertencem a algum dos mais de 35 povos originários do país, destaca-se a producao de El Alto, onde apareceu o grupo Wayna Rap, rimando em aymara (uma das duas principais etnias do país) e onde vivia o ativista Ukamau Y Ke, morto em 2009.

No Chile, os Mapuche, que são o principal grupo indigena do país, enfrentam pesada discriminação racial e violencia policial. A identificação com o Hip Hop é inevitável. Na fronteira do Brasil com o Paraguai, os Guarani-Kaiowa enfrentam situacao semelhante. Nas aldeias do grupo, superlotadas pelo confinamento promovido pelo governo brasileiro ao longo de todo o seculo XX, a fim de liberar as ricas terras da região para o agronegócio, os jovens enfrentam fome, doenças e falta de perspectivas sobre um futuro. O resultado tem sido muita violência, suicídios e, agora, como reação, o Hip Hop, cantado em guarani.

O Hip Hop na América Latina não para de evoluir e transformar-se. Como na metáfora dos modernistas brasileiros, evocando a herança dos índios tupi da costa brasileira, canibais à época da conquista, o continente promove uma antropofagia cultural, engolindo, digerindo e transformando a herança da diáspora negra. Neste momento, não só aparecem projetos que demonstram cada vez mais a consciência dessa realidade, como o recente disco Distant Relatives, do americano Nas e do jamaicano Damian Marley. Para além dos artistas de mais visibilidade, milhares de rappers, breakers, grafiteiros cada vez mais aproveitam oportunidades para viajar e promover encontros e intercâmbios. O resultado explosivo dessa união planetária será percebido em pouco tempo, tenho certeza.

Spensy Pimentel é colunista do Centralhiphop.uol.com.br e autor do Livro Vermelho do Hip Hop (disponível para download em português em

http://centralhiphop.uol.com.br/site/?url=biblioteca_detalhes.php&id=12 )

PS: mesmo não sendo mais a principal corrente do Hip Hop nos EUA, o rap político continua resistindo. Artistas como Dead Prez, Mos Def, Talib Kweli, The Roots, Erikah Badu etc. mantêm a linha de resistência. A presenca de latinos e descendentes como Immortal Technique e Zack de la Rocha continua forte – quem diria que uma banda de rock como o Rage Against the Machine ajudaria a manter a linha de ataque num período em que grande parte dos rappers está mais preocupada em exibir-se com carros, roupas e jóias. Há até mesmo um imigrante haitiano como Wyclef Jean que tentou se candidatar a presidente de seu país natal.

PS2: este texto é um esforço para sistematizar uma enorme quantidade de informação. Agradecemos por quaisquer correções, acréscimos ou apartes com os quais os leitores possam contribuir.

PS3: dou mais destaque ao rap do que aos demais elementos do Hip Hop neste texto pela facilidade que a canção oferece de explicitação de ideais políticos. Não quer dizer, absolutamente, que não haja política no break e no grafite, apenas que, talvez, seja mais difícil para o grande público perceber isso, pelas sutilezas das linguagens não verbais.

“O racismo fica escancarado ao olhar mais superficial”

Ao longo de seus 96 anos, Abdias esteve presente e participou de inúmeras passagens importantes das lutas negras do século 20, não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e na África. Sua vida é ela mesma a própria história da luta negra


Joana Moncau e

Spensy Pimentel

de São Paulo (SP)

Desinformémonos.org

A luta pelo reconhecimento dos direitos, a dignidade e a autonomia da população negra tem heróis de muitos países, entre África e Américas. É uma luta tão antiga quanto a diáspora negra produzida pelo vergonhoso comércio de africanos que vigorou no Atlântico por quase quatro séculos. É por se tratar de uma luta de tantos povos, lugares, tempos e pessoas que impressiona tanto conhecer a vida do ativista brasileiro Abdias do Nascimento.

Ao longo de seus 96 anos, Abdias esteve presente em e participou de inúmeras passagens importantes das lutas negras do século 20, não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e na África. Nasceu em 1914, numa época em que ainda eram extremamente recentes as lembranças da escravidão no país, abolida em 1888. Nos anos 1930, engajou-se numa iniciativa pioneira, a Frente Negra Brasileira, na luta contra a segregação racial nos estabelecimentos comerciais de São Paulo. Por sua militância política, foi preso pela ditadura Vargas.

Nos anos de 1940, viajou pela América Latina como artista – é escritor, ator e artista plástico – com a Santa Hermandad Orquídea, e fundou o Teatro Experimental do Negro, entidade que organizou a Convenção Nacional do Negro em 1945-46. A iniciativa foi responsável pela formulação de diversas sugestões de políticas públicas para a população negra durante a Constituinte de 1946. Abdias ainda organizou o 1° Congresso do Negro Brasileiro em 1950.

Militante do Partido Trabalhista Brasileiro, foi perseguido pela ditadura militar, instalada pelo golpe de 1964. Exilado nos Estados Unidos, travou contato com o movimento negro no país, no auge da efervescência do Black Power. Nos anos 1970, participou do movimento pan-africanista e foi professor universitário na Nigéria. Nesse período, atuou em países como Jamaica, Tanzânia, Colômbia e Panamá, mantendo contato com lideranças como Aimé Césaire, Frantz Fanon, Léon Damas, Richard Wright, Cheikh Anta Diop, Léopold Sédar Senghor e Alioune Diop.

Ajudou a organizar o Movimento Negro Unifi cado (MNU), fundado em 1978, e, na redemocratização dos anos 1980, voltou ao país, foi eleito deputado federal e, depois, chegou a senador pelo PDT, sempre defendendo projetos em benefício da população negra. Junto com a esposa, Elisa Larkin Nascimento, fundou o Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros (Ipeafro), atualmente presidido por ela.

Na entrevista a seguir, respondida por e-mail por sua esposa, Elisa, e subscrita por ele, Abdias dá um recado à nova geração de jovens negros militantes: “O conselho que dou para essa juventude é estudar, aprender, conhecer e se preparar para, então, se engajar: agir, criar, interagir e participar da construção das coisas.”

Qual a importância de se criar o Dia Nacional da Consciência Negra? Por que o senhor lutou para que a data fosse instituída no dia 20 de novembro, dia da morte do líder Zumbi dos Palmares, e não no dia 13 de maio, dia da promulgação da Lei Áurea, data antes escolhida pelo governo?

Abdias do Nascimento – A demanda de se instituir o Dia Nacional da Consciência Negra no dia 20 de novembro surgiu na década dos 1970 a partir do Rio Grande do Sul, onde o saudoso poeta Oliveira Silveira militava no Grupo Negro Palmares. O movimento negro como um todo, organizado em entidades em vários estados do Brasil naquela época, a encampou. Eu já costumava dizer que a Lei Áurea não passava de uma mentira cívica. Sua comemoração todo ano fazia parte do coro de autoelogio que a elite escravocrata fazia em louvor a si mesma no intuito de convencer a si mesma e à população negra desse esbulho conhecido como “democracia racial”. Por isso o movimento negro caracterizou o dia 13 de maio como dia de reflexão sobre a realidade do racismo no Brasil.

O dia 20 de novembro simboliza a resistência dos africanos contra a escravatura. Essa resistência assume diversas expressões táticas e perpassa todo o período colonial. Durante esse período, em todo o território nacional, havia quilombos e outras formas de resistência que, em seu conjunto, desestabilizaram a economia mercantil e levaram à abolição da escravatura. Esse é o verdadeiro sentido da luta abolicionista, cujos protagonistas eram os próprios negros. Eles se aliavam a outras forças, mas, muitas vezes, foram traídos por seus aliados. Mais tarde, entretanto, a visão eurocêntrica da história ergueria os aliados como supostos atores e heróis da abolição. A comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra em 20 de novembro tem como objetivo corrigir esse registro histórico e reafirmar a necessidade de continuarmos, nós, os negros, protagonizando a luta contra o racismo que ainda impera neste país.

O Memorial Zumbi, movimento nacional que agregava entidades do movimento negro de todo o país em torno da demanda da recuperação das terras da República dos Palmares, ergueu essa bandeira na década dos 1980. Tive a honra de participar desse movimento. O Memorial Zumbi instituiu a tradição de se realizarem peregrinações cívicas anuais às terras de Palmares na serra da Barriga, estado de Alagoas. Conseguimos, em 1989, a desapropriação dessas terras. O objetivo era instalar ali um polo de cultura de libertação do negro. Hoje, existe um monumento e assistimos a cerimônias cívicas no dia 20 de novembro em que participam altas autoridades do governo federal e estadual. Mas para nós, negros, o monumento lembra a necessidade de continuarmos lutando pelo fim da discriminação racial.

O senhor esteve no exílio, de 1968 a 1981, por conta da enorme repercussão que teve a sua “carta-declaraçãomanifesto” na qual denunciava a farsa do paraíso racial que se dizia viver na América Latina. Como o senhor avalia a questão da “democracia racial” no Brasil de hoje? Onde é possível dizer que a crítica a ela colheu frutos?

O racismo no Brasil se caracteriza pela covardia. Ele não se assume e, por isso, não tem culpa nem autocrítica. Costumam descrevê-lo como sutil, mas isto é um equívoco. Ele não é nada sutil, pelo contrário, para quem não quer se iludir ele fica escancarado ao olhar mais casual e superficial. O olhar aprofundado só confirma a primeira impressão: os negros estão mesmo nos patamares inferiores, ocupam a base da pirâmide social e lá sofrem discriminação e rebaixamento de sua autoestima em razão da cor. No topo da riqueza, eles são rechaçados com uma violência que faz doer. Quando não discrimina o negro, a elite dominante o festeja com um paternalismo hipócrita ao passo que apropria e ganha lucros sobre suas criações culturais sem respeitar ou remunerar com dignidade a sua produção. Os estudos aprofundados dos órgãos ofi ciais e acadêmicos de pesquisa demonstram desigualdades raciais persistentes que acompanham o desenvolvimento econômico ao longo do século 20 e início do 21 com uma fi delidade incrível: à medida que cresce a renda, a educação, o acesso aos bens de consumo, enfim, à medida que aumentam os benefícios econômicos da sociedade em desenvolvimento, a desigualdade racial continua firme.

Pensando o caso de Cuba, em específi co, como o senhor considera o fato de que um governo dito socialista, num país de população negra tão expressiva, aparentemente não mostra avanços na participação política dos negros?

A ideologia racial cubana é irmã gêmea da “democracia racial” brasileira. O ideal da “Cor Cubana” acompanha a constante referência ilusória à suposta cordialidade latina. A história recente envolve os ideais da revolução, o engajamento militar na África durante as guerras de libertação nacional e a atuação internacional de médicos em países como o Haiti. A dinâmica entre o sonho e a realidade do socialismo dá um tom distinto ao questionamento do sistema no que diz respeito à questão racial. Entretanto, não há como negar certos fatos:

(a) Os negros não estão presentes no poder político do regime cubano em número proporcional à sua participação na população.

(b) As desigualdades raciais perduraram ao longo do processo de mudança social implantado após 1959 e continuam sendo constatadas em pesquisas recentes.

(c) Há uma crescente discussão da questão racial em Cuba conduzindo ao reconhecimento de que a revolução não resolveu essa questão.

(d) Hoje, a demanda por uma abertura democrática do regime não é o discurso só de uma minoria elitista, branca, incrustada em Miami e aliada aos interesses do bloqueio. Há uma oposição de origem humilde, composta em parte por negros e mestiços que apontam processos de exclusão e de desigualdades raciais. Não podemos mais rechaçar essa oposição como um bando de criminosos cuja traição se basearia em mentiras fabricadas pela direita fascistoide.

Durante o período em que o senhor esteve exilado, pôde estabelecer o contato entre o movimento social negro norte-americano e o da América Latina, até então, quase desconhecido daquele. Esteve com movimentos inspiradores, como os Panteras Negras. Atualmente, muitos desses lutadores ainda pagam o preço da sua resistência, vários estão presos desde os anos 1970, condenados à pena de morte ou à prisão perpétua nos EUA. Como pode ser possível que se fale tão pouco desses presos políticos?

Como sabemos, a mídia é dominada pelo poder econômico e não lhe interessa divulgar esses casos. Mas não é só o poder econômico, também a ideologia pode contribuir para isso. Não é fato novo para mim. Na década de 1940, quando o Brasil passava por um processo de redemocratização depois do regime do Estado Novo de Getúlio Vargas, eu ajudei a fundar o Comitê Democrático Afro-Brasileiro.

Aguinaldo Camargo e Sebastião Rodrigues Alves participaram, além de outras lideranças, e nós nos reuníamos na sede da União Nacional de Estudantes, a UNE, uma organização de esquerda. O Comitê era aberto e defi niu como prioridade imediata a luta pela libertação dos presos políticos do regime. Entretanto, quando essa libertação foi conquistada e nós negros queríamos tratar das questões específi cas relacionadas à discriminação racial, nossos companheiros brancos de esquerda não aceitaram. Taxaram-nos de racistas e exigiram que fizéssemos autocrítica. Não entramos nessa conversa, evidentemente. O Comitê morreu de morte matada. Depois, na época em que eu voltava do exílio no final dos anos de 1970, havia um movimento pela anistia ampla e irrestrita. Mas a liderança esquerdista desse movimento não reconhecia a prisão dos negros por discriminação racial como uma forma de perseguição política. Morriam trabalhadores negros nas prisões, como continua acontecendo hoje. Nós negros consideramos isso uma questão política. Mas, para as forças de esquerda, presos políticos seriam apenas os fi lhos de classe média e alta, quase todos brancos, que roubavam bancos, jogavam bombas ou sequestravam embaixadores. Esses, em muitos casos, efetivamente haviam cometido atos de violência, enquanto não raro negros são presos e torturados sem terem cometido crime algum.

Qual a importância que o senhor credita ao hip hop, no Brasil, para o movimento negro e para a população negra em geral? É um movimento herdeiro das lutas que pioneiros como o senhor travaram?

Considero o hip hop um movimento muito importante, sobretudo no aspecto da autoestima, pois as letras de muitas músicas e a atuação social de muitos de seus integrantes ajudam os jovens negros e as jovens negras a elevar o conceito que têm de si mesmos e de sua comunidade. Certamente, o hip hop cuida de muitas questões que são as versões atualizadas dos problemas que o movimento negro tem enfrentado desde sempre, e o hip hop oferece para a juventude uma referência, uma esperança e uma visão diferente daquela que a sociedade dominante e os meios de comunicação cultivam e que a juventude reconhece como mentirosa e interesseira. Entretanto, creio que seus protagonistas tenham pouco acesso aos referenciais históricos das lutas anteriores, e, nesse sentido, sua condição de herdeiros seja um pouco simbólica. Por exemplo, me parece que eles conhecem mais a história do movimento negro nos Estados Unidos, o discurso de Malcolm X e Martin Luther King, e os referenciais do reggae da Jamaica do que os fatos e os discursos do movimento negro no Brasil dos séculos 20 e 21. Pode ser que eu esteja equivocado, espero que sim!

Depois de séculos de lutas, hoje vemos uma juventude negra que está conseguindo chegar às universidades, ter mais oportunidades econômicas, formando uma elite intelectual negra. Como o senhor compararia a atual situação da juventude negra com a da época do senhor, com a da Frente Negra? Quais os conselhos que daria a essa juventude?

As entidades negras atualmente promovem muitas iniciativas análogas às da Frente Negra. O Estatuto de Igualdade Racial e todos os outros dispositivos legais, programas governamentais e instituições ou órgãos de governo dedicados às políticas públicas de igualdade racial, por exemplo, são conquistas concretas, frutos da atuação política do movimento negro. Nenhum deles foi uma bênção ou dádiva dos governantes ou políticos, muito ao contrário. Se há uma crítica ao Estatuto, é porque, em razão da ferrenha oposição contra ele nos setores conservadores que dominam a política brasileira, o processo de negociação de sua aprovação no Senado impôs uma série de aparentes retrocessos na letra da lei em relação a programas de governo já implantados como resultado da atuação do movimento negro. Mas foi o movimento negro que conseguiu implantar esses programas, então ele está longe de se limitar a atacar o governo. Foi ele que inseriu na Constituição de 1988, por exemplo, o direito das comunidades quilombos à titulação de suas terras. O conselho que dou para essa juventude é estudar, aprender, conhecer e se preparar para, então, se engajar: agir, criar, interagir e participar da construção das coisas. Cada um tem seu talento e sua área de interesse. O importante é se colocar a serviço do avanço e dedicar-lhe as suas energias.

Muito se fala do movimento negro no âmbito urbano, mas o Brasil assistiu, nos últimos anos, ao crescimento do movimento negro rural, particularmente o movimento quilombola, para o qual também o senhor teve especial importância na garantia do direito fundiário das comunidades quilombos. Qual a importância da questão da terra para o movimento negro, hoje?

Como fruto da mobilização política do movimento negro, a Constituição de 1988 estabeleceu o direito à titulação das terras das comunidades chamadas “remanescentes de quilombos”. Em 1989, como fruto do trabalho do Memorial Zumbi e do movimento negro como um todo, criou-se a Fundação Cultural Palmares, que seria responsável pelo processo de titulação. Entretanto, a Fundação é um órgão do Ministério da Cultura que não dispõe dos recursos humanos ou fi nanceiros para executar o trabalho de titulação. Essa tarefa passou, então, para o Ministério da Reforma Agrária. Entretanto, a Fundação Palmares dá parecer sobre a questão fundamental da condição quilombola, que determina o direito à titulação. O grande argumento para negar o direito de uma comunidade é alegar que ela não tem ou não provou que tem antecedentes históricos que a qualifi quem como remanescente de quilombo. O processo tem sido muito lento. Alguns anos atrás, a Fundação Palmares publicou um levantamento em que identificou a existência de mais de três mil comunidades quilombos em todo o país, ressalvando que certamente não conseguiu realizar um levantamento exaustivo ou defi nitivo. A questão da titulação esbarra, evidentemente, em poderosos interesses contrariados que, no contexto rural, ainda exercem a violência como forma de se impor.

Vale observar, também, que é negra a grande maioria dos sem-terras hoje organizados e conduzindo uma luta que tem sido defi nida como um dos mais importantes fenômenos sociais e políticos do século 21. A importância da terra está fundamentalmente ligada ao fato de que as cidades estão inchadas, inviabilizadas, e não dão conta de oferecer condições de vida dignas à população que já as habita, tendo grande parte dela migrado do interior. A economia rural baseada na agroindústria não tem condições de sustentar a população rural, porque não oferece trabalho em condições dignas. A produção agrícola baseada em unidades pequenas, familiares ou comunitárias, é a única solução para o campo e ela precisa, hoje, de subsídios e políticas de Estado para se viabilizar. As comunidades quilombos fazem parte integral dessa solução e precisam de subsídios específicos e de políticas específi cas para o seu desenvolvimento como unidades comunitárias rurais.

Na América Latina em geral, a questão étnica tem ganhado uma importância fundamental nas lutas políticas dos povos, em países como Bolívia, Equador, México – com diferentes tons, mas sempre realçando o fator étnico sobre o fator classe. No Brasil, o fator étnico de maior potencial é justamente o negro. Qual o papel que o fator étnico ocupa na luta política nacional? Será que ele poderá ocupar papel de semelhante preponderância na luta política?

Não recorro ao eufemismo “questão étnica” porque creio que seu uso reforça o equívoco da suposta acepção biológica do termo “raça”. Esta é uma pista falsa cuja manipulação abastece de grande e valiosa munição aqueles que procuram desmoralizar e deslegitimar a nossa luta. A categoria social de “raça” é uma realidade socialmente construída que independe das justifi cações genéticas e biológicas. Estas constituem apenas um pequeno episódio no milenar processo histórico de construção das categorias sociais de “raça”, da subordinação e desumanização ideológica de grupos raciais e da discriminação racial institucionalizada em sociedades capitalistas plurirraciais modernas e contemporâneas. Os grupos discriminados nessas sociedades não correspondem a nenhuma etnia, portanto, é conceitualmente confuso e cientificamente incorreto falar de “discriminação étnica” quando o alvo desse tratamento vem a ser a população negra ou indígena, por exemplo. Um negro no Brasil, na Venezuela ou na Costa Rica não é identifi cado como ibo, acã, zulu, hutu ou ioruba, mas como negro ou afrodescendente. Os indígenas nas Américas não são discriminados na sua condição de maias, incas, quéchuas, aimaras, cheyenne, iroquois, sioux, tupis ou guaranis, mas como indígenas.

Adotar o eufemismo “questão étnica” significa, a meu ver, uma tática defensiva que instaura a confusão conceitual entre nós e entrega os pontos aos adversários que alegam que nós, ao defendermos os nossos direitos, estamos sendo racistas. Ao aceitar a defi nição deles, identificando a categoria social de raça com o critério genético biológico, nós nos submetemos ao discurso hegemônico que desmoraliza nossa própria luta e deslegitima nossa própria experiência histórica de opressão e discriminação. Dito isso, creio que fica evidente que considero o “fator racial” como uma questão eminentemente política e não a separo de uma suposta “outra” luta política “maior”. Considero a luta por justiça social e pela dignidade dos povos como parte integral da luta por nações mais justas e seguras, por uma comunidade internacional mais justa e coesa, e por um futuro de vida humana capaz de sustentar com dignidade nossa população, nossos ambientes e nosso planeta. (Publicado em Desinformémonos. Colaboraram Rafael Gomes e Gabriela Moncau)

Supercomputador chinês faz Pentágono tremer nas bases


Sessenta e um anos após o triunfo da Revolução Chinesa, a República Popular da China criou o mais rápido supercomputador do mundo.

Por Stephen Millies, no Workers World

Conforme o professor da Universidade do Tenessee, Jack Dongarra, o supercomputador Tianhe-1A, da China, é 47 por cento mais rápido que o mais veloz supercomputador dos Estados Unidos. Tianhe, que significa "Via Láctea", é mais rápido que 175 mil laptops reunidos (www.metro.co.uk).

Supercomputadores podem resolver problemas científicos muito complexos, incluindo nisso a pesquisa médica e a previsão do tempo, para ajudar as pessoas.

O Complexo Militar-Industrial dos Estados Unidos usa supercomputadores para simular as detonações de armas nucleares.

O mais rápido supercomputador estadunidense, o XT5 Jaguar, está localizado no Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Tenessee. Essa instalação fez parte do Projeto Manhattan, que fabricou as bombas atômicas que assassinaram milhares de pessoas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki.

Reis Ocidentais tomaram as invenções chinesas como a pólvora e o compasso e as utilizaram para desencadear o Holocausto Africano — o comércio transatlântico de escravos — e para exterminar os povos nativos do continente americano. Karl Marx mostrou como o mercado mundial capitalista nasceu do "sangue e do pó" por meio desses gigantescos crimes.

A monarquia britânica invadiu a China em 1841, porque os chineses pararam de importar o ópio dos capitalistas britânicos. Por mais de um século, os chineses foram humilhados e atirados à miséria, com milhões deles assassinados pelos ingleses. Assim como foram instaladas placas nos Estados Unidos e na África do Sul proibindo a entrada ou permanência de negros, durante a época do Apartheida, o Reino Unido instalou placas em parques chineses nas quais podia-se ler: "Proibida a entrada de cachorros e chineses".

Um triunfo do planejamento socialista

A Revolução Chinesa mudou tudo isso. Mao Tse Tung declarou, em 1º de outubro de 1949, que "a China pôs-se de pé".

Entretanto, nos últimos 30 anos, a China acabou se imiscuindo no mercado capitalista mundial. A corporação taiuanesa Foxconn, o maior fabricante mundial de componentes eletrônicos, emprega sozinha 420 mil operários na região de Shenzhen.

Mas a Foxconn e outros empresários não têm nada a ver com o supercomputador mais rápido do mundo. Foi o estado socialista da China que construiu o Tianhe-1A.

A despeito da introjeção do capitalismo e da reestruturação da indústria estatal, bilhões de dólares foram alocados pelo estado socialista para construir este computador. O planejamento econômico socialista foi o responsável por essa maravilha da tecnologia.

Em comparação, a Índia capitalista de centenas de milhares de talentosos cientistas na área de computação. Bangalores, naquele país, é o quartel-general da Wipro, uma empresa que emprega 120 mil operários. Ainda assim, a Wipro e outras empresas capitalistas da Índia não conseguiram construir o supercomputador mais rápido do mundo.

A União Soviética supreendeu o planeta ao lançar ao espaço o Sputnik (Companheirinho, traduzido do russo), o primeiro satélite artificial da Terra, em 1957, no 40º aniversário da Revolução Russa. Esse exemplo vívido do poder do planejamento socialista centralizado também alarmou os feitores da guerra no Pentágono, que ao mesmo tempo assistiam atônitos seus prosaicos foguetes explodirem nas rampas de lançamento do país.

A China ainda avança no desenvolvimento

Ao mesmo tempo que produziu mais de 500 milhões de toneladas de aço em 2009 e fabricou mais carros que os Estados Unidos, a China ainda é um país em desenvolvimento. Em muitas áreas ainda está atrasada em relação às economias capitalistas desenvolvidas — um dos grandes problemas que revoluções socialistas que triunfaram em países empobrecidos por séculos de colonização e imperialismo enfrentaram.

A resposta dos líderes chineses em relação à necessidade de tecnologia moderna foi convidar o capital estrangeiro, e muitos deles estão hoje profundamente preocupados com a cada vez maior desigualdade social que isso implicou.

Porém, em poucos anos a China deu um salto gigantesco em Ciência e Tecnologia, o que significa que necessitará cada vez menos das forças capitalistas hostis para construir sua economia. Ao mesmo tempo, protestos em massa por melhores salários e condições de trabalho se intensificaram.

Uma série de medidas pró-classe trabalhadora foram adotadas. Foram dadas pensões e aposentadorias a 140 milhões de trabalhadores imigrantes em 2007. No mesmo ano, uma lei sobre a assistência médica foi aprovada, garantindo atendimento na área de saúde a virtualmente toda a população.

Os sindicatos chineses forçaram o McDonald's e o Wal-Mart a assinar contratos. Um exemplo enorme a essas duas corporações monstruosas que empregam cerca de 1,8 milhão de trabalhadores nos Estados Unidos, que são explorados impiedosamente por elas. Os detratores da China não informaram o mundo dessas conquistas sindicais chinesas.

Construir o supercomputador mais rápido do mundo mostra que a China tem o essencial para fortalecer seu desenvolvimento no rumo de uma economia socialista. Como o Sputnik, o Tianhe-1A é uma grande vitória contra Wall Street e o Pentágono.

Fonte: Workers World


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José Guilherme Castro

União e consciência negra


A comemoração da memória do Zumbi é importante em um Brasil que ainda mantém uma herança de forte desigualdade social


Marcelo Barros




No Brasil, esta semana começa pela recordação do dia em que foi implantada a República (15 de novembro) e se encerra com o dia consagrado à União e Consciência Negra. Segundo historiadores recentes, no Brasil, a mudança da Monarquia para a República aconteceu quase por engano ou por acaso. Não era a opção profunda do Marechal Deodoro e de seus companheiros. E não significou uma verdadeira transformação da forma de exercer o poder que continuou com as elites (Cf. Fábio Konder Comparato em Caros Amigos, nov. 2010). O segundo fato recordado nesta semana ocorreu em 20 de novembro de 1696. Neste dia, Zumbi dos Palmares, líder da resistência negra contra a escravidão, foi martirizado. Atualmente, em várias cidades, este dia é feriado e conclui uma semana de comemorações culturais. Uma criança perguntou à mãe se união tem cor e o que significa “consciência negra”. A unidade das raças e a igualdade entre os seres humanos supõem que cada cultura e cada povo tenham consciência de sua dignidade. Chama-se “consciência negra” o fato das pessoas afro-descendentes assumirem sua identidade cultural, conscientes do imenso valor de sua cultura, para contribuir com as outras na riqueza intercultural do Brasil.

A comemoração anual da memória do Zumbi é importante em um Brasil que ainda mantém uma herança de forte desigualdade social. Em inúmeros casos, na realidade brasileira, ser negro é quase sinônimo de ser pobre e ter menos acesso à escolaridade e às condições sociais de outros brasileiros. José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo, afirma: “A cor negra da pele de homens e mulheres, assim como sua raça e cultura própria, foram motivos de crueldade humana e de barbárie que mancharam e continuam manchando a dignidade da humanidade” (Carta Capital, 12/11/2008,p. 60). Por isso, são sempre importantes e oportunos os programas que fomentam a igualdade de condições e a integração social de negros e brancos. Conforme a Constituição Brasileira, devem ser respeitadas e valorizadas as comunidades remanescentes de Quilombos. São grupos que, desde os tempos da escravidão, reúnem negros, seus aliados e descendentes, em uma comunidade com cultura e valores próprios. Eles devem ter direito à terra coletiva e merecem das autoridades públicas a proteção e o apoio necessários. Estas comunidades estão organizadas em quase todos os estados e somam mais de dois mil grupos e comunidades. Algumas delas mantêm elementos de idioma, de danças e costumes ancestrais que são de uma riqueza incalculável para todo o Brasil.

Uma das mais profundas riquezas das culturas afro-descendentes é a espiritualidade viva e bela das comunidades negras. A Mãe África permanece viva e atuante na memória religiosa dos seus filhos e filhas. Para serem escravas nos diversos países da América, foram sequestradas pessoas de diferentes áreas do continente africano. Para evitar rebeliões, os senhores separavam os escravos vindos do mesmo clã ou região. Misturavam etnias. Proibiam que falassem as suas línguas e praticassem as suas religiões. Mesmo impedidos de saber onde estavam outros membros de sua família, também sequestrados, os afro-descendentes conseguiram manter as línguas, contar a seus filhos as histórias dos seus antepassados, guardar as canções da Mãe-África e reconstituir muitas expressões culturais e religiosas. Só podiam cultuar à noite, enquanto os brancos dormiam. Como objetos de culto, só possuíam seus corpos, suas vozes e os terreiros das senzalas, seus templos. Foram obrigados a adaptar antigos costumes da África às novas condições de clima, ao pouco tempo livre de que dispunham e à sua extrema pobreza. Fundiram costumes religiosos, adaptaram mitos e elaboraram oralmente uma explicação religiosa do mundo e da sua história. Esta teologia narrativa deu origem a religiões novas como o Candomblé, o Batuque, o Tambor de Minas, a Santeria cubana e o Vodu haitiano. Durante séculos, de geração em geração, se transmitiram ritos, cânticos e histórias ancestrais.

Um Cristianismo, testemunha de que Deus é amor e inclusão, não pode deixar de respeitar e valorizar estas religiões que, na história, foram responsáveis pela resistência dos nossos irmãos e irmãs negras em meio a um sofrimento tão intenso e continuado. A base da fé cristã é que a Palavra divina se fez carne e se revelou no meio de nós através da pessoa de Jesus de Nazaré que assumiu toda a condição humana e todas as culturas com seus valores para revelar em tudo o que é humano a presença divina. Nós somos chamados a continuar este caminho de reverência amorosa e delicadeza no diálogo e na colaboração com as outras religiões e culturas.


Marcelo Barros é monge beneditino.

Mais da metade dos jovens mineiros não se interessa pela internet


Por :Luciane Evans


A diversão dos irmãos Elton e Cristiano Pereira Alves, que não seguiram os estudos, é pescar na Lagoa da Pampulha (Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
A diversão dos irmãos Elton e Cristiano Pereira Alves, que não seguiram os estudos, é pescar na Lagoa da Pampulha

Em plena era da informação globalizada e do mundo digital, inédita Pesquisa por Amostra de Domicílios (PAD-MG) da Fundação João Pinheiro escancara uma realidade cruel para as novas gerações mineiras. Dos 3,6 milhões de jovens do estado, entre 14 e 24 anos, 63% declararam não ler livros, 52,7% não praticam esportes, 70% não vão ao cinema e 60,9% não frequentam shoppings. O mais assustador é que a tão popularizada internet está ausente da vida de mais da metade desse público, 55,5%.

Se a cultura e o lazer estão fora do cotidiano dessa parcela da população, a educação vai pelo mesmo caminho. De acordo com o estudo, o analfabetismo atinge 9,2% dos moradores do estado, ou seja, um contingente de 1,478 milhão de pessoas. Na saúde, as mulheres estão adoecendo mais do que os homens. Num universo de 5 milhões de mineiros portadores de doenças crônicas, aquelas que exigem acompanhamento constante atingem 31,8% da população feminina e 22,3% dos homens.

Se houvesse uma aposta para saber onde vivem esses jovens que não abrem livros, não praticam esportes ou que não frequentam shoppings, muitos diriam que eles estão nas áreas rurais, bem longe dos grandes centros ou em condições de extrema pobreza. Mas a PAD visitou 17 mil domicílios, sendo apenas 16,7% deles na zona rural do estado. Os irmãos Elton Júnior Pereira Alves, de 23, e Cristiano, de 21, comprovam os dados. Moradores da Região da Pampulha, em Belo Horizonte, os dois não leem – nunca ouviram falar em Machado de Assis e muito menos em Carlos Drummond de Andrade.

Cristiano nem sequer conhece uma sala de cinema. Já Elton conta, entusiasmado, que este ano foi pela primeira vez assistir a um filme. “O único livro que li ultimamente foi para tirar carteira de moto, era sobre legislação”, confessa o mais velho. Apesar de verem os amigos ligados nas rede sociais, como Orkut e Facebook, eles não acham graça nessa “tal navegação virtual”. “Computador é um negócio que queima os neurônios”, diz Elton. Ele conta que até tentou aprender a mexer na máquina, mas, definitivamente, não gosta dela. Cristiano é mais radical, nunca nem quis chegar perto.
Mas o que faz a juventude de hoje? Segundo a pesquisa, as práticas mais comuns para os jovens são as visitas a amigos e passeios ao ar livre. As cerimônias religiosas também entram no ranking. No entanto, a paixão dos irmãos Elton e Cristiano é pescar na Lagoa da Pampulha. Além disso, confessam que o “barato mesmo” é ver televisão. Eles não fogem à regra. De acordo com a pesquisa, 80% dos jovens mineiros ainda são, como seus pais, viciados em TV. Lazer, somente quando os dois não estão no trabalho. São funcionários da Copasa e contam que largaram a escola na 8ª série. Elton diz que os colégios são bons para quem quer aprender e tem interesse. “Tive que parar com os estudos. A responsabilidade bateu na minha porta cedo, tive filhos e comecei a trabalhar”, lembra Cristiano, que reflete outra realidade da juventude.

Segundo a amostra, entre aqueles de 14 e 17 anos que, em 2009, eram 1,3 milhão, 40% disseram ter abandonado a sala de aula por não gostar ou não querer. Em segundo lugar, aparecem aqueles que precisam trabalhar ou ajudar os pais: 20%. “Mas vale registrar que 27,9% dos jovens acham que a escola não ajuda a resolver problemas do cotidiano”, diz o texto da pesquisa.

Ao fundo do poço pelo crack



(Archimedes Marques)

Não há outra droga que produza um declínio físico e mental maior para o seu usuário quanto o crack. O poder sobrenatural do crack é simplesmente horripilante e avassalador. Crack e desgraça são indissociáveis e quase palavras sinônimas. Relatos dos seus usuários e familiares, fatos policias diários e opiniões de especialistas sobre os efeitos e as conseqüências nefastas da droga podem ser resumidos em três palavras tão básicas quanto contundentes: sofrimento, degradação e morte.

As ocorrências no terreno familiar, social e criminal vão caminhando sempre em largas vertentes para dias piores. A vida vivida pelos envolvidos com o vício do crack parece sempre transpor os inimagináveis pesadelos.

Lançando um olhar no passado, o viciado, vê o rumo errado que tomou, mas dificilmente tem força de voltar atrás. Olhando ao futuro somente se lhe afigura a tumba, no entanto continua caminhando em sua direção. O seu presente é só o crack e, esse mal passa a ser o senhor do seu viver, o seu real transformador do bem para o mal, o destruidor da sua família, o aniquilador do seu bem maior.

O crack trás a morte em vida do seu usuário, arruína a vida dos seus familiares e vai deixando rastros de lágrimas, sangue e crimes de toda espécie na sua trajetória maligna.

O Brasil assistiu recentemente com imensa tristeza e pesar uma reportagem televisiva em que crianças recém nascidas de mães viciadas em crack, são também barbaramente atingidas pelos efeitos nefastos da droga. Nascem como se viciadas fossem, com crises de abstinências, com compulsão à droga, tremores, calafrios e com problemas físicos diversos, principalmente com lesões no cérebro que provavelmente os levarão às demências ou a outros tipos de problemas inerentes, ou seja, uma nova geração de vítimas do crack sem sequer ter consumido a droga por vontade própria. A maioria das mães drogadas também perde o instinto materno e termina doando os seus filhos debilitados.

A dimensão da tragédia do crack é difundida nos diversos Estados da Nação através de reportagens jornalísticas que comprovam o retrato devastador em todos os lugares possíveis e imagináveis aonde chegou o filho mortal da cocaína. O crack invadiu grandes e pequenas cidades, periferias e lugares de baixa a alta classe social, municípios, povoados, zona rural...

Não bastassem os tristes casos sociais, casos de saúde e os casos criminais diversos envolvendo essa droga avassaladora vividos por uma grande parcela da população brasileira, agora apareceu mais um melancólico caso. Um deprimente e desolador caso em que a mãe trocou a virgindade da sua própria filha de pouco mais de 10 anos de idade por algumas pedras de crack. Entregou a sua filhinha para uma monstruosidade sem precedência. Entregou a inocência de uma criança para um estuprador macabro, desalmado e cruel que também era um traficante de crack. O símbolo do amor puro que está no amor de mãe se rendeu ao poderoso crack.

Uma mãe viciada, na histórica cidade de São Cristovão, primeira capital do pequeno, mas bonito e aprazível Estado de Sergipe acabou por ceder a inocência da sua própria filha, uma garotinha que migrava dos 10 para os 11 anos de idade para um desumano estuprador-traficante de drogas no sentido de que o mesmo saciasse a sua frieza sexual animalesca, em troca de algumas pedras de crack.

O crack agora é capaz também de transpor, de matar o amor de mãe, que é o mais precioso, o mais profundo, o mais verdadeiro, o mais ardoroso, o mais fervoroso amor que pode existir.

Este impulso sentimental que é o mais sublime dos amores foi superado pela força sobrenatural do crack e, ao invés de confortar, destruiu, degradou, sobretudo desvirtuou o sentido real do amor que aquela mãe tinha pela sua filha. O amor de mãe que não tem ganância, não tem egoísmo, não tem orgulho, não tem o sentido de posse, não tem o princípio de fomentar a maldade e a ignorância do bem, que busca a simplicidade, a humildade e abnegação acima de todas as coisas da matéria foi de tudo ultrajado pelo crack.

É realmente uma triste, trágica e inconcebível realidade ocorrida naquele município que contrasta com o seu povo pacato e ordeiro. É o fundo do poço pelo crack...

(Delegado de Polícia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública). archimedes-marques@bol.com.br

A questão central do aborto: o aborto como questão central






Escrito por Raymundo Araujo Filho

É simplesmente deplorável e inadmissível, mas não surpreendente, o que se transformaram as campanhas eleitorais no Brasil, notadamente esta presidencial de 2010, sobre a qual me ocuparei neste artigo.

A tragédia do "não assunto" e da não discussão de problemas relevantes E DE FORMA RELEVANTE apenas nos indica o nível do seqüestro que os institutos chamados democráticos sofreram, apontando para a satisfação do Capital e dos donos do mundo (a burguesia, mais propriamente falando, enquanto tem gente que não acredita mais nisso...), com os limites aceitos por aqueles que, por isso mesmo, dominam os noticiários como "candidatos viáveis".

Mas outra tragédia nos foi anunciada já no final do primeiro turno, com esta confusão de atitudes sobre a questão do aborto, tratando o assunto como moeda de troca eleitoral, e não como uma discussão cidadã, como deveria ser.

Erraram todos, rebaixando ainda mais o nível das expectativas sobre conteúdos programáticos (aliás, inexistentes) e estimulando o ressurgimento com toda a força de uma discussão aprisionada em um formato ultraconservador, reproduzindo o que aconteceu no longínquo 1989, quando Lulla (ainda Lula...) foi atacado por Collor (hoje seu aliado), com todos os requintes de perversidade que vimos.

Mesmo depois de Lulla se entregar, ou entregar boa parte de seu governo e do desenho ideológico de sua gestão às articulações e articulaçõe$ com a turma que antes o tinha e o apresentava aos fiéis como verdadeiro Diabo e Comedor de Criancinhas, quais sejam, o Bispo Macedo (IURD e TV Record), Casal Hernandes (Igreja Renascer e Penitenciária dos EUA), Bispo Malafaia (o "Chuta Santa"), ente outros, com a perseveração (termo comum no meio) do preconceito religioso, manipulação da fé e leilão eleitoral, com ameaças conservadoras.

E dona Dilma sucumbiu a isso, expondo sua fragilidade, desta vez no campo da sustentação filosófica de seus próprios atos e quereres, preferindo se esconder na falsa religiosidade, até arrastando para este canto obscuro a própria esquerda marxista (e outros istas) do PT, que desavergonhadamente ou silenciam ou justificam como um "golpe" a ressurreição deste assunto. E sucumbiu, pois está na moda sucumbir às próprias convicções para a manutenção e uma ilusão de Poder, afinal restrito a uma pequena elite dirigente, totalmente descolada do real da vida das pessoas comuns, as levando, então, para uma espécie de êxtase microeconômico, muito parecido com o êxtase religioso alienado, imprimido hoje como demonstração de alguma fé.

Assim, dona Dilma, em mais uma patetada do tamanho da Erenice Guerra & Famiglia, tenta desdizer o que é vero, tornando "invero" o verídico, sem conseguir enganar muita gente, mas mantendo alguma aparência que agrade aos conservadores.

E o presidente Lulla a dizer em comício "aquelas que se dizem contra o aborto, no mínimo já fizeram dois ou três", tratando as pessoas com uma falta de respeito inadmissível, escondendo o que tem de ser dito, mas que ele não tem coragem, que seria o fato de muitos de seus apoiadores serem manipuladores da fé, da mente das pessoas menos esclarecidas. Prefere jogar na "turma do Serra" o motivo do "golpe baixo" quando, na verdade, Dilma vem sendo alvo da traição de parte de quem incensou, em abandono do que seria o certo e o progressista. Tudo em nome do Poder, mesmo que seja para obedecer à ordem mundial, e atribuindo a si, como conquistas, as migalhas irrisórias, do escambo que fazem de nossas riquezas.

Termino este artigo colocando em pauta o que deve ser - ao menos aprendi assim - a discussão digna deste grave problema da natalidade, contracepção e interrupção da gravidez, fato EXISTENTE em grande escala no Brasil e no mundo.

Antes, porém, quero afirmar que não conheço uma só pessoa ou texto que preconiza a descriminalização do aborto que tenha em seu ideário uma espécie de farra cirúrgico-obstétrica ou que queiram churrasquinhos de fetos em seus cardápios, embora reconheça que alguns tratam o assunto com certo simplismo, incompatível com a gravidade do problema.

Mas conheço muita gente (não todos), que são veementemente contra a decisão final ser da mulher grávida, pela interrupção da gravidez (e com todos os limites já exaustivamente expostos), como uma espécie de "tirar o sofá da sala", após flagrar sua filha com o namorado...

Assim, coloco a seguinte formulação para que cada um faça a si próprio e, se possível, leve aos candidatos que discutem este tema seriíssimo, como se estivessem vendendo churrasquinho de gato, em feiras e parques de diversão:

"Como pretende solucionar a área de saúde da mulher e natalidade, dentro de um quadro em que, no Brasil, a cada hora 8 meninas de 10 a 17 anos têm um filho e 40% delas terão o segundo em dois anos, além de ocorrerem cerca de 4 milhões de abortos clandestinos no país, 400 mil acidentes, muitas mortes e seqüelas e, finalmente, 3 milhões de curetagens no Sistema Público de Saúde, sendo 80% na classe pobre?"

Dados complementares: as crianças no Brasil, em média, freqüentam as escolas até os 14 anos, apenas 4 horas por dia, em 200 dias de aula, sendo que após esta idade 75% tornam-se desocupadas, muitas analfabetas funcionais e sem perspectivas reais de desenvolvimento humano.

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e desafia o "Durma-se com um barulho destes"!


A Solidariedade Toca Aqui...


Portal GloboRadio e Planeta Voluntários iniciam parceria virtual


Bárbara Ferraz
Agência de Notícias do Terceiro Setor


O Portal GloboRadi o criou uma rádio exclusiva para o site planeta voluntários com músicas de artistas engajados ou com mensagens por um mundo melhor. Na lista estão U2, Gilberto Gil, Michael Jackson entre outros artistas. O objetivo é criar uma trilha sonora temática para quem navega no site entrar no clima das causas sociais. O banner do Portal também vai ter um destaque especial no planeta voluntários e vice-versa.

O Portal GloboRádio reúne as rádios tradicionais Beat98, CBN, BHfm e Rádio Globo, além de outras 40 emissoras temáticas e as online Multishow FM, Globo FM, Rádio GNT e Rádio Zona de Impacto. Assim, os internautas acessam notícias, especiais musicais, promoções e interagem com as emissoras pelas redes sociais.

O Planeta Voluntários é um site não governamental, apartidário e ecumênico, criada em maio de 2009 por iniciativa do empresário Marcio Demari, da empresa Demari & Ferreira, sediada em Londrina, Paraná, no Brasil, com a visão de desenvolver a cultura do trabalho voluntário organizado, que levará o serviço voluntariado a auxiliar milhões de brasileiros e entidades que necessitam de todo tipo de ajuda;a missão é a de conectar pessoas, que, através da transformação pessoal e social, destinam-se a construir uma solução justa, pacífica e sustentável para o mundo, refletindo a unidade de toda a humanidade. O site conta com uma Rede Social que cruza as informações dos voluntários com as instituições cadastradas, sendo um elo entre elas.

Planeta Voluntários

Poque Ajudar Faz bem !!!

A maior Rede Social de ONGs e Voluntários do Brasil.

Bárbara Ferraz
Agência de Notícias do Terceiro Setor

Eternamente Sabotage


Por Fabrício

O lendário Sabotage, nome verdadeiro: Mauro Mateus dos Santos, é um dos rappers mais expressivos da cena nacional e conta com uma enorme quantidade de fãs em todo o Brasil, mesmo seis anos após o seu falecimento. Em suas características físicas, destacavam-se os cabelos dreadlocks eriçados. Já nas habilidades artísticas, o dom para compor e cantar rap era visivelmente constatado.

Sabotage era o próprio compositor e cantor de suas músicas. Em toda sua carreira, compôs dezenas e algumas delas se tornou uma espécie de hino nos guetos do país, fazendo com que vários outros artistas usassem-nas como samples, colagens e scratches de seus trabalhos. Expressões como "respeito é pra quem tem" e "rap é compromisso, não é viagem", constantes de suas letras, viraram jargões adotados por todas as periferias.

Sua carreira no rap foi iniciada com a composição de sua primeira música no ano de 1985. No final da década de 80, ele foi convidado a participar de um concurso de rap no salão Zimbabwe, em São Paulo, mesmo ainda sendo adolescente. Neste concurso, estavam presentes o rapper Mano Brown e Ice Blue, dos Racionais MCs, os quais ficaram entusiasmados com a apresentação e performance de Sabotage.

Foi com o grupo RZO (Realidade Zona Oeste), que, aliás, é conhecido por revelar talentos para o público fora do rap - Negra Li, por exemplo -, que Sabotage viu seu trabalho repercutir no rap nacional especialmente após a gravação de várias músicas e vídeo clipes, bem como a apresentação destes em shows. Na sequência, Sabotage gravou seu primeiro e único disco solo, intitulado "Rap é compromisso", gravado pelo selo Cosa Nostra, o mesmo que lançou o disco "Sobrevivendo no inferno", dos Racionais.

O lançamento do seu primeiro álbum e as participações em shows, sobretudo nos do RZO, renderam ao rapper o convite para atuar em filmes do cinema nacional e, com isso, ter seu trabalho apreciado e reconhecido por um público ainda maior. Ao todo, foram dois os filmes em que Sabotage fez atuações: "O invasor", de Beto Brant; e "Carandiru", de Hector Babenco.

No filme "O invasor", Sabotage fez parte da equipe do filme desempenhando três funções distintas. Participou da trilha sonora com cinco músicas (sendo três inéditas), serviu de consultor de "cultura da periferia" para moldar o personagem Anísio, interpretado pelo titã Paulo Miklos, e ainda por cima atuou no filme, interpretando ele mesmo, em uma cômica cena em que o personagem Anísio o apresenta para seus clientes "pedindo" um dinheiro para ele gravar seu CD. Já no filme "Carandiru", ele encarnou o personagem Fuinha e gravou uma das músicas da trilha sonora.

Em 24 de janeiro de 2003, no auge de sua carreira, quatro tiros puseram fim à vida do rapper. O crime ocorreu no bairro Saúde, situado na cidade de São Paulo, por volta de 05h30 e não teve testemunhas. A polícia, apesar de logo em seguida ter detido alguns suspeitos, nunca solucionou o caso e encontrou os verdadeiros assassinos.

Especulações sobre o assassinato apontam várias causas. Entre elas, o envolvimento do rapper com o mundo do crime como uma possível razão para o ocorrido. Seus amigos e familiares, no entanto, não concordam com essa hipótese, visto que Sabotage desistiu da bandidagem 10 anos antes de sua morte. Sabota, como também era chamado, nunca escondeu de ninguém seu envolvimento com os atos ilícitos no passado de sua vida. Em depoimentos à Revista da MTV de agosto de 2002, o rapper alegou: "Moro na favela desde os 29 anos e, dos 8 aos 19, andei no crime que nem louco. Saí por causa de Deus por que polícia não intimidava, tapa na orelha só deixa a criança mais nervosa".

Assim como o Dj Jam Master Jay, do grupo americano Run DMC, Sabotage estava em uma fase tranquila de sua vida e não possuía inimigos quando de repente foi morto num crime aparentemente sem mais nem menos. Se faz necessária também a comparação com a morte de Chico Science, visto que ambos faleceram numa fase brilhante de suas carreiras, fase esta acontecida logo depois de serem descobertos pela mídia e pelo público - embora ainda pequeno - deixando poucos discos lançados e partindo numa época de grande expectativa com relação a seus trabalhos e projetos futuros.

Prêmios

Pelo filme "O Invasor", Sabotage recebeu o prêmio de melhor trilha nos festivais de Brasília e Recife, ambos no ano de 2002.

Curiosidades

- Ganhou o apelido de Sabotage em 1980, de um irmão mais velho, que teve os documentos roubados por Mauro (o Sabotage), que precisava da identidade para poder frequentar bailes funk. O irmão também acabou morto na chacina dos 111 presos do Carandiru, em 1992.

- Era casado com Dalva e tinha três filhos: Anderson, Tamires e Larissa.

- Faleceu aos 29 anos no dia 24 de Janeiro de 2003, em São Paulo, assassinado na porta de casa.


Três Mitos



Por DJ TyDoZ

Ao longo dos anos a gente se acostuma a ouvir algumas afirmações sobre o hip hop que parecem verdade, mas que não passam de factóides. Eis três desses mitos:

1) "RAP" é uma sigla para "rhythm and poetry" (ritmo e poesia em português). O verbo e o substantivo "rap" fazem parte do vernáculo da língua inglesa há pelo menos sete séculos, sim, setecentos anos.

O vocábulo "rap" tem diversos significados, e o que é atribuído ao canto falado do hip hop data de 1967. É o que nos atesta o prestigiado dicionário Merriam-Webster.

Notem que nos mais influentes filmes sobre o início do hip hop, como Style Wars e Wild Style, não há nenhuma menção à sigla. O termo foi cunhado depois, muito bem sacado, diga-se de passagem. A sigla tem hoje pelo menos 99 significados.

2) O "scratch" (manipulação de um disco de vinil para criação de efeitos percussivos) surgiu por acaso. A genial criação de Grand Wizard Theodore não aconteceu assim ao acaso como muitos pensam.

Acostumado a mixar discos desde pequeno, o que requer que se segure o disco no prato do toca-discos, ele teve a ideia de começar a mover o disco pra frente e pra trás depois de a agulha cair em um ponto da música onde havia um efeito interessante.

Outros DJs da época certamente já tinham, acidentalmente ou não, movido um disco de vinil para frente ou para trás pra poderem mixar, mas sem dar muita atenção.

Foram Grand Wizard Theodore e Grandmaster Flash os idealizadores de um dos traços mais característicos da música do hip hop. Aliás, a primeira gravação de uma música com arranhões foi de Grand Master Flash, na histórica e inesquecível “The Adventures of Grandmaster Flash On The Wheels of Steel”, de 1981.

3) O “gangsta rap” foi criado pelo grupo N.W.A. (Niggaz With Attitude). A primeira música “gangsta” foi gravada por Ice-T. “6 In The Morning” (1986) é o primeiro rap da história a narrar as atribulações de um jovem negro e pobre envolvido com crime e perseguição policial.

No mesmo ano, Schoolly D, rapper da Filadélfia, lançou um álbum com várias músicas consideradas “gangsta”, como “Gucci Time” e “PSK – What does it mean?”.

Boogie Down Productions em 1987 gravou o primeiro disco “gangsta” de Nova Iorque.

O N.W.A., sem dúvida, popularizou o estilo como ninguém no disco “Straight Outta Compton” (1988), um dos maiores clássicos da história do hip hop.

Mais pra frente discutiremos outros. Até lá.

http://www.facebook.com/tydoz


Segundo Encontro do Hip Hop de Salto discute o tabu mulher e preconceito




O espaço — ou a falta de — da mulher no rap sempre foi pauta no hip-hop e na mídia. Mas, afinal, ainda existe preconceito? Esse é um dos assuntos que as MCs Lurdez da Luz e Rúbia vão debater no próximo dia 23 de outubro, a partir das 17h, na Ação Educativa, em São Paulo.

O encontro é o segundo da série de debates promovida pelo projeto Hip Hop de Salto, idealizado pelo coletivo de DJs Applebum.

Antes e depois do debate, as alunas das oficinas vão colocar em prática o que aprenderam nas aulas de mixagem. Enquanto isso, a grafiteira Crica mete bronca no spray.

Passado / Futuro

Em agosto, Rodrigo Brandão (Mamelo/Indie Hip Hop) e Guigo Lima (Chocolate) compartilharam com o público a experiência de trazer ao Brasil artistas gringos do rap, a partir do tema "Intercâmbio Cultural: o Rap de Fora pra Dentro". Em novembro, Nelson Triunfo e Lu Bauer vão contextualizar a história do break no terceiro encontro do projeto.

Hip Hop de salto

Já foi a época de reclamar do espaço restrito da mulher no hip-hop. Fazer o movimento caminhar pra frente é muito mais importante e é esse o lema que a Applebum, crew formada pelas DJs Lisa Bueno, Mayra, Simmone, Tati Laser e Vivian Marques, escreveu em sua bandeira. Uma das ações da Applebum é o projeto Hip-Hop de Salto, projeto aprovado pelo VAI, da prefeitura de São Paulo, que promove oficinas de discotecagem e encontros culturais mensais sobre a cultura hip hop.

Serviço

Ação Educativa
R. General Jardim, 660, próximo ao metrô Santa Cecília
Sábado (23), às 17h
hiphopdesalto.blogspot.com
Apoio: VAI - Valorização de Iniciativas Culturais
http://hiphopdesalto.blogspot.com

Caso Tiririca




Escrito por Paulo Metri

Para poupar o eventual sacrifício da leitura deste texto por aqueles que são bastante preconceituosos, faço a declaração sintética do seu conteúdo: "Abomino os que aproveitam o caso Tiririca para dizer que o povo brasileiro é burro e não há racionalidade no voto dado. Neste povo, podem existir analfabetos, muitos incultos e não politizados, por culpa da manipulação consciente de poderosos, mas ele não é burro".

A grande maioria do povo brasileiro não capta bem como o legislador pode influir para melhorar a sua vida. Não imagina o que é o trabalho legislativo. Partindo para uma hipótese absurda, se o Tiririca se candidatasse a presidente, governador ou prefeito, duvido que o povo o elegeria, pois saberia muito bem que esta escolha iria influenciar sua qualidade de vida. Ele compreende melhor a função dos cargos executivos.

Por sua vez, raros são os legisladores que se dispõem a explicar o que pretendem fazer com o mandato, e mais raro ainda são aqueles que, conseguindo o mandato, procuram explicar o que estão fazendo. Alguns mandam comunicações, de tempos em tempos, explicando o que estão fazendo. Estes são dignos de mérito, pois se esforçam para mostrar que valeu o voto dado pelo eleitor. Se já existisse o "recall" entre nós, no meio do mandato, os eleitos poderiam ser cassados ou ratificados pelo próprio povo.

A grande mídia explica muito mal os projetos de interesse popular que tramitam nos legislativos, com falta de análises isentas. Não divulgam, muitas vezes, nada do que é principal em um projeto, pois, assim, fica mais fácil serem aprovadas leis benéficas para o capital e danosas para a sociedade. Muitos dos candidatos buscam também retirar de foco os itens principais nos seus discursos para merecerem o voto, torcendo para existir uma grande confusão na cabeça do eleitor.

Na sua enorme sapiência, ao votar no Tiririca, o povo está dizendo: "Parem de me iludir. Quero candidatos que expliquem para que servem os legislativos, como vão agir ao receberem o mandato e como vêm agindo desde o passado". Talvez, haja também um recado do tipo: "A demonstração de cultura de um candidato, sem haver honestidade de princípios, não é garantia de que ele irá melhorar minha vida. Tiririca disse, no horário eleitoral, que não sabia o que deputado faz. Pelo menos, ele é sincero".

Não se deve excluir a possibilidade de alguns, querendo ver o circo pegar fogo, apesar de entenderem o deboche que representa a escolha do Tiririca, terem votado nele.

Tenho medo de o povo caminhar, com a ajuda da mídia tendenciosa, para achar que um déspota bom é a solução. Ela fabricou um déspota dos tempos modernos, anos atrás, tendo ele chegado ao poder, mas, felizmente, por razões outras, durou pouco. No processo desta fabricação, busca-se sempre desmerecer o Legislativo e enaltecer o déspota, "salvador da pátria", dono de uma razão iluminada, um verdadeiro ser ungido pelos deuses.

Que tristeza existirem partidos que exploram esta confusão e lançam Tiriricas como seus candidatos, com interesses escusos. Lamentáveis também são os candidatos que buscam usufruir os votos dados aos Tiriricas para se elegerem. Você, que é consciente, anote a sigla destes partidos e os nomes dos beneficiários, para fazer campanha contra eles, que merecem nosso repúdio. Resta torcer para que Tiririca seja iluminado e procure merecer o voto popular recebido, e não siga mais seus "mentores políticos".

Paulo Metri é conselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros.

OS JOVENS, AS DROGAS E OS CRIMES

Robson
  • Robson Sávio
  • Direitos humanos, cidadania, segurança pública, política e religião

Vários estudos feitos no Brasil, por instituições públicas, universidades e organizações não governamentais (inclusive internacionais), têm apontado a relação estreita entre a criminalidade violenta, principalmente os homicídios, e o recrudescimento do tráfico de drogas. Esses estudos apontam, também, que a maior parte das vítimas fatais, nos últimos anos, é de adolescentes e jovens, na faixa etária de 14 a 29 anos, que geralmente residem em locais de grande vulnerabilidade social.

Todos são unânimes em afirmar que políticas públicas para o enfrentamento da criminalidade juvenil devem priorizar a prevenção à criminalidade (chamada por alguns de promoção da segurança cidadã), principalmente com programas sociais de ampliação do capital social das comunidades vitimadas pela violência.

A Organização Mundial da Saúde mapeou uma série de fatores que contribuem para a violência juvenil. Valem destacar alguns: fatores individuais; impulsividade e crenças agressivas (por exemplo, no poder das gangues); fracos resultados escolares; castigos físicos e violência doméstica; falta de supervisão e controle dos pais; associação com amizades de “delinqüentes”; exposição à violência da mídia; exemplos e motivações de vizinhança (crimes e exclusão social) e a falta de políticas de proteção social, devido a alta desigualdade de renda. Outro fator associado a este grupo emergente de agressores e vítimas é o uso crescente de armas de fogo.

O grande número de crimes envolvendo jovens tem evidenciado a necessidade de políticas públicas adequadas e duradouras para esse segmento social. Se o Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, significou um grande avanço nas políticas de promoção dos direitos das crianças e adolescentes, o mesmo não se verifica em relação aos jovens. Resultado: segundo dados oficiais, do total de pessoas desempregadas no país, quase 40% são jovens entre 16 e 24 anos. Por outro lado, a maioria dos autores e, principalmente, das vítimas de homicídios concentram-se nessa parcela da população. Portanto, torna-se fundamental criar uma base de apoio para que os adolescentes e jovens não continuem à deriva.

O que não podemos concordar é com a simplificação de um problema complexo. Virou lugar comum nas discussões acerca da problemática da violência juvenil reduzir esse dilema social a uma questão moral, como se se tratasse da luta do bem contra o mal. Os jovens do bem seriam aqueles que conseguem suplantar as armadilhas das drogas e do crime; os do mal, aqueles que se envolvem em atividades ilícitas.

Parte da sociedade e dos gestores públicos insiste, hipocritamente, em desconhecer as causas estruturais do problema (fragilidade familiar, deficiências nas políticas públicas, fracasso nos mecanismos tradicionais de controle, entre outros). Enquanto isso, dia após dia o número de vítimas da criminalidade juvenil aumenta, a percepção da insegurança apavora a sociedade e certas soluções milagrosas são apresentadas como eficazes antídotos: redução da idade penal, pena de morte, etc. Violência gerando mais violência...

Programas que combinam a prevenção à criminalidade (ou promoção à segurança cidadã), combate ostensivo às várias modalidades de crime (incluindo o tráfico de drogas), e políticas de promoção da cidadania (escolas de qualidade, atenção às famílias carentes, geração de emprego e acesso aos serviços públicos) têm se mostrado eficientes para reverter a situação.

Qual a sua opinião?


O Crack e os Seus Malefícios Para a Sociedade


(*Archimedes Marques)

Os fatos criminosos em todas as partes e em todos os lugares do país, as desagradáveis conseqüências na área policial, educacional, saúde, social e familiar e o degredo causado pelo crack, comprovam que essa droga trouxe malefícios sem precedências para a nossa sociedade. O crack mata os sonhos das pessoas, aniquila o futuro de tantas outras e aumenta a criminalidade em todo canto que se instala.

De poder sobrenatural, o crack sempre vicia a pessoa quando do seu primeiro experimento e o que vem depois é a tragédia certa. A partir de então a sua nova vítima está condenada a engrossar as fileiras de um gigantesco e crescente exército de dependentes químicos da droga que, em conseqüência passa também a matar e morrer pelo crack.

O crack além de trazer a morte em vida do seu usuário, arruína a vida dos seus familiares e vai deixando rastros de lágrimas, sangue e crimes de toda espécie na sua trajetória maligna.

Faz parte da fórmula absurda do crack que nasceu da borra da cocaína, a amônia, o ácido sulfúrico, o querosene e a cal virgem, produtos altamente nocivos à saúde humana, que ao serem misturados e manipulados se transformam numa pasta endurecida de cor branca caramelizada, que passou a ser conhecida pelos mais entendidos, com toda razão, como sendo a pedra da morte.

Como os efeitos excitantes do crack têm curta duração, o seu usuário faz dele uso com muita freqüência e a sua vida passa a ser somente em função da droga.

Em virtude do dependente do crack pertencer em grande maioria à classe pobre ou média da nossa sociedade e assim não dispor de dinheiro para manter o seu vício, então passa ele a prostituir-se em troca da pedra ou de qualquer migalha em dinheiro, a se desfazer de todos os seus pertences e a cometer furtos em casa dos seus pais, dos seus parentes, dos seus amigos ou noutros lugares quaisquer, para daí logo passar a praticar assaltos, seqüestros e latrocínios, sem contar que também fica nas mãos dos traficantes para cometer homicídios ou demais crimes que lhes for acertado em troca do crack.

Assim, o usuário do crack vende seu corpo, sua alma, seus sonhos para viver em eterno pesadelo.

Na trajetória inglória e desprezível do crack, o seu usuário encontra o desencanto, a dor, a violência, o crime, a cadeia, a desgraça ou o cemitério. O crack traz o ápice da insanidade humana. Alguns que se recuperaram do poder aniquilador do crack disseram que dele sentiram o gosto do inferno.

Concluímos então que o perfil da sociedade se transformou e os problemas da segurança pública mudaram consideravelmente para pior a partir do advento do crack. Aumentaram-se todos os índices de crimes possíveis por conta do crack. Em decorrência do crack também passou a morrer precocemente uma imensidão incontável de pessoas, destarte para os jovens que mais se lançam neste lamaçal. Os seus usuários em grande maioria se transformam em pessoas violentas e, com armas em mãos são responsáveis por mortandade em suicídios, assassinatos dos seus familiares e amigos, homicídios pelo tráfico, para o tráfico ou ainda mortes relacionadas às pessoas inocentes em roubos, nos chamados crimes de latrocínios.

É preciso que as políticas públicas contra o crack, além de promover bons projetos preventivos, repressivos e curativos, considerem os vários aspectos que envolvem os seus dependentes químicos e suas conseqüências, como a conscientização da população voltada para o drama pessoal vivido pelos mesmos e por aqueles que o cercam, as dificuldades de bem vigiar todas as fronteiras como melhor forma de prevenção de evitar a entrada da sua pasta base, as carências das entidades assistenciais e de saúde, assim como da necessidade de recursos para os aparatos policiais, destarte, para a valoração profissional dos seus membros no sentido de melhor combater o trafico, o traficante e o chamado crime organizado que é a fonte de alimentação da droga.

Evidente é que o crack é caso de Polícia, mas é também problema de todos nós e, na medida em que por sua culpa são gerados tantos crimes e disfunções sociais, cresce ainda mais a responsabilidade da própria sociedade e do poder público, principalmente para ser tratado em larga escala como caso de saúde pública.

*(Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br

O cCack e os seus malefícios para a sociedade

O crack e os seus malefícios para a sociedade

(*Archimedes Marques)

Os fatos criminosos em todas as partes e em todos os lugares do país, as desagradáveis conseqüências na área policial, educacional, saúde, social e familiar e o degredo causado pelo crack, comprovam que essa droga trouxe malefícios sem precedências para a nossa sociedade. O crack mata os sonhos das pessoas, aniquila o futuro de tantas outras e aumenta a criminalidade em todo canto que se instala.

De poder sobrenatural, o crack sempre vicia a pessoa quando do seu primeiro experimento e o que vem depois é a tragédia certa. A partir de então a sua nova vítima está condenada a engrossar as fileiras de um gigantesco e crescente exército de dependentes químicos da droga que, em conseqüência passa também a matar e morrer pelo crack.

O crack além de trazer a morte em vida do seu usuário, arruína a vida dos seus familiares e vai deixando rastros de lágrimas, sangue e crimes de toda espécie na sua trajetória maligna.

Faz parte da fórmula absurda do crack que nasceu da borra da cocaína, a amônia, o ácido sulfúrico, o querosene e a cal virgem, produtos altamente nocivos à saúde humana, que ao serem misturados e manipulados se transformam numa pasta endurecida de cor branca caramelizada, que passou a ser conhecida pelos mais entendidos, com toda razão, como sendo a pedra da morte.

Como os efeitos excitantes do crack têm curta duração, o seu usuário faz dele uso com muita freqüência e a sua vida passa a ser somente em função da droga.

Em virtude do dependente do crack pertencer em grande maioria à classe pobre ou média da nossa sociedade e assim não dispor de dinheiro para manter o seu vício, então passa ele a prostituir-se em troca da pedra ou de qualquer migalha em dinheiro, a se desfazer de todos os seus pertences e a cometer furtos em casa dos seus pais, dos seus parentes, dos seus amigos ou noutros lugares quaisquer, para daí logo passar a praticar assaltos, seqüestros e latrocínios, sem contar que também fica nas mãos dos traficantes para cometer homicídios ou demais crimes que lhes for acertado em troca do crack.

Assim, o usuário do crack vende seu corpo, sua alma, seus sonhos para viver em eterno pesadelo.

Na trajetória inglória e desprezível do crack, o seu usuário encontra o desencanto, a dor, a violência, o crime, a cadeia, a desgraça ou o cemitério. O crack traz o ápice da insanidade humana. Alguns que se recuperaram do poder aniquilador do crack disseram que dele sentiram o gosto do inferno.

Concluímos então que o perfil da sociedade se transformou e os problemas da segurança pública mudaram consideravelmente para pior a partir do advento do crack. Aumentaram-se todos os índices de crimes possíveis por conta do crack. Em decorrência do crack também passou a morrer precocemente uma imensidão incontável de pessoas, destarte para os jovens que mais se lançam neste lamaçal. Os seus usuários em grande maioria se transformam em pessoas violentas e, com armas em mãos são responsáveis por mortandade em suicídios, assassinatos dos seus familiares e amigos, homicídios pelo tráfico, para o tráfico ou ainda mortes relacionadas às pessoas inocentes em roubos, nos chamados crimes de latrocínios.

É preciso que as políticas públicas contra o crack, além de promover bons projetos preventivos, repressivos e curativos, considerem os vários aspectos que envolvem os seus dependentes químicos e suas conseqüências, como a conscientização da população voltada para o drama pessoal vivido pelos mesmos e por aqueles que o cercam, as dificuldades de bem vigiar todas as fronteiras como melhor forma de prevenção de evitar a entrada da sua pasta base, as carências das entidades assistenciais e de saúde, assim como da necessidade de recursos para os aparatos policiais, destarte, para a valoração profissional dos seus membros no sentido de melhor combater o trafico, o traficante e o chamado crime organizado que é a fonte de alimentação da droga.

Evidente é que o crack é caso de Polícia, mas é também problema de todos nós e, na medida em que por sua culpa são gerados tantos crimes e disfunções sociais, cresce ainda mais a responsabilidade da própria sociedade e do poder público, principalmente para ser tratado em larga escala como caso de saúde pública.

(Delegado de Policia. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br