

Por: Sérgio Rodrigo Reis
A informação e técnica adquiridas na universidade dão a Wagner Braccini, Márcio Surto, Carolina Jaued e Michel Testa (acima) outra visão da arte de rua e novas possibilidades de criação. Eles retribuíram deixando suas experiências nos bancos da escola.
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Wagner cursa o quinto período de artes plásticas da Escola Guignard da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). Há outros alunos, como ele, que começaram intuitivamente no grafite, procuraram a academia e não veem a hora de voltar às ruas para se expressar. As paredes da cidade são como tela branca para eles. O trabalho da maioria, que já tinha personalidade forte, ganhou consistência no discurso. Foi o que chamou a atenção da atual direção do Centro de Arte Popular Cemig, de onde partiu recente convite para que parte deles grafitassem as paredes do espaço cultural e participassem da mostra Arte-Grafite. O painel que o grupo realizou divide a atenção do público com exposições de artistas populares mineiros reconhecidos, como o GTO e a Dona Isabel.
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Pichação 


Intervenção
O pouco conhecimento da sociedade em saber como lidar com a arte urbana e a falta de regulamentação de espaços adequados para a realização dos grafites nas grandes cidades acaba gerando situações complicadas. Os autores dos trabalhos veem o que realizam como contribuição à paisagem cinza e, em boa parte das vezes, abandonada e suja das grandes metrópoles. “Nossos trabalhos trazem um novo olhar para os locais. Trazem à tona uma expressão para lugares que, nem sempre, são vistos pelos transeuntes. O grafite tem essa carga expressiva. Qualquer intervenção urbana causa isso, gostem ou não as pessoas”, salienta Surto. Para ele, o que cria pelos muros da cidade ilustra sua própria evolução artística. “O que os espectadores acham é uma consequência do processo. O grafite é uma arte anônima que, de uns tempos para cá, tem ganhado a mídia.” Bom exemplo é o que ocorre com a dupla paulista Os Gêmeos, cujos trabalhos ganharam repercussão internacional. No caso do Surto, a passagem pela universidade foi transformadora.
Além de amadurecer sua proposta estética, Surto entrou em contato com outras técnicas expressivas e aprimorou o discurso. Michel Testa também vê a experiência acadêmica como decisiva. “A escola me mostrou várias técnicas que não sabia, me pôs de frente com artistas da cidade e tive contato com a arte de maneira mais abrangente. Em resumo: ampliou meus horizontes.” Hoje, a maioria dos grafiteiros que passaram pela academia usa o grafite de duas formas: ou para se manifestar livremente ou para realizar trabalhos por encomenda. Michel, por exemplo, acaba de realizar um trabalho comercial, pintou um tema inspirado em safáris, num espaço de 7m x 2m e cobrou R$ 900. Surto também realiza este tipo de obra por encomenda. “É uma arte cara. Os melhores materiais são importados. Uma lata de spray custa até R$ 16 e, como meus desenhos são bem coloridos, tenho cerca de 50 cores”, conta.
O que diferencia e dá valor às criações dos grafiteiros é o amadurecimento estético dado pelo tempo e pelo apuro estético. Hoje, a disputa entre os que cursaram universidades e se mantêm fiéis à proposta do grafite é pela busca de uma identidade autoral para as criações e ainda a melhor forma de exibi-las. “O processo leva anos para amadurecer”, resume Surto. O artista Wagner Braccini pensa de maneira semelhante. Se o início foi inspirado no estilo norte-americano, com o tempo e à medida que adquiriu mais conhecimento, passou a desenvolver uma pesquisa autoral. “Usei linhas, cores, formas geométricas e assim desenvolvi meu trabalho.”
Dois olhares
Em BH, há basicamente dois grupos em busca de identidade para a própria obra, um deles inspirado em personagens, sejam caricaturas, expressões realistas ou infantis; e outro que desenha e ocupa os espaços públicos com letras estilizadas. Para cada um deles, o desafio é o mesmo: diante de tanta interferência visual no espaço urbano, como se destacar na multidão?

Hip-hop visual
Expressão plástica, o grafite é um dos quatro pilares do hip-hop, ao lado da dança, música e poesia, representadas pelos Bboys, DJs e MCs. O aparecimento como fenômeno mundial se dá nos anos 1970, em Nova York, quando jovens de comunidades afro-americanas, jamaicanas e latinas passaram a deixar marcas nas paredes da cidade. Em pouco tempo, a arte das ruas evoluiu para desenhos mais elaborados que expressavam protesto e novas opções estéticas. No Brasil, surgiu no final daquela década em São Paulo e foi se alastrando pelo país, ganhando novas formas, estilos e significados.
Mais detalhes em:http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/musica/2013/07/14/noticia_musica,144281/grafiteiros-de-bh-procuram-universidade-em-busca-de-tecnicas-e-informa.shtml
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