Fanzines voltam a ganhar espaço no Brasil


Depois de quase ser extinto com a chegada da internet, publicação vive fase de ouro

Flávia Denise de Magalhães - Ragga
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CARLOS HAUCK/ESP. EM
Escolha cuidadosamente o material que você quer publicar

Você chega em casa, liga o computador e abre o site da sua banda preferida. Lá, você pode conversar com gente do mundo inteiro sobre o quanto vocês adoram a música e como estão animados para a chegada do segundo álbum. Enquanto discute quais serão as influências do artista, entra em um site de esportes e confere como está indo o jogo do seu time em tempo real e comenta com gente do país inteiro. Você abre mais uma aba no navegador e acessa seu Twitter para passar os melhores momentos do jogo e os insights da discussão para seus amigos mais “íntimos”, além de receber links de sites e blogs do mundo inteiro sobre as coisas que você mais gosta.


Viver na era da internet definitivamente tem suas vantagens, mas nem todas as coisas boas começaram online. Em uma época em que as revistas de circulação nacional e a TV eram a principal fonte de informações, grupos de adolescentes dos anos 70, 80 e 90 criaram uma rede para trocar indicações de bandas, filmes, quadrinhos e livros. A base dessa rede era o fanzine, uma espécie de revista, normalmente xerocada, criada, escrita, editada e distribuída entre os aficionados por informação. É essa história que conta o documentário Fanzineiros do século passado: capítulo 1, de Márcio Sno.


A rede social do fanzine não era tão simples quanto o Twitter. “As dificuldades eram muitas, mas, como não tinha internet, a gente não tinha como fazer a comparação”, explica. “Digamos que a gente ia entrevistar uma banda de Goiânia. Eles mandavam a fita demo por correio, a gente escutava e mandava perguntas por carta. Às vezes eles demoravam um mês para responder”, relata Márcio. Para ele, a grande vantagem da época é que “tudo era feito com mais calor”.


Todo mundo que fazia um zine se conhecia. Quando o material era finalmente impresso, o fanzineiro já tinha uma lista de gente que tinha mandado um zine para ele e estava esperando receber o material do cara. Cada cópia virava uma carta social (uma opção do correio, que permite que uma carta de uma página seja enviada por R$ 0,01) e assim elas rodavam o país. Lojas de vinil, fita cassete e CD também participavam no esforço da disseminação da informação. Em cima do balcão ficava o material grátis, mas muitas vezes os vendedores tinham os zines mais elaborados, às vezes impressos na gráfica, para quem tivesse interesse.


E, dessa forma, toda uma geração se comunicava. Bandas underground ganharam notoriedade, filmes que não arrecadaram nada nos cinemas faziam sucesso nas locadoras e livros eram emprestados. Isso até que a internet chegou. “Os anos 90 foram uma década paradoxal. A primeira metade foi a época em que foram produzidos mais fanzines no Brasil. Na segunda metade, os zines migraram para os blogs e os e-zines”, explica Márcio.

CARLOS HAUCK/ESP. EM
Depois da arte, o xerox: nosso fanzine ficando pronto

A VOLTA DOS FANZINES
Márcio conta que a ideia inicial era fazer um documentário para registrar depoimentos dessa geração fanzineira, mas, ao longo das filmagens, acabou extrapolando o projeto original ao perceber que a arte que ele julgava morta está retornando. “No último ano rolou um boom na fabricação de fanzines. Isso rola por três motivos. O primeiro é a nostalgia, o pessoal está querendo publicar no formato impresso para poder pegar no papel, brincar com a diagramação. O segundo é o uso do material em sala de aula. Muito professor usa o fanzine como uma forma de incentivar a escrita, fazer um projeto diferente. O terceiro é que o formato em si é bacana. Eu comparo com a volta do vinil. O prazer de pegar o disco e colocar na vitrola”, explicou Márcio.


Não faltam novos fanzines. Em fevereiro desse ano, os DJs Lola B, Carol Morena e elCabong lançaram um zine, A bolha, que acompanha uma festa mensal que eles discotecam em Salvador, na Bahia. O rocartê também é novidade na cena brasileira. Surgiu no último ano e está na segunda edição. “O problema é que hoje quem faz o zine lança um agora, e outro não sei quando. Existe uma rede, mas ela ainda está se constituindo, não é tão forte como antes. Talvez daqui a seis meses, um ano, ela possa ser comparada com o que tínhamos antes”, completa.

O SEU PRIMEIRO FANZINE
Fazer o seu primeiro fanzine é o mesmo que passar por uma espécie de iniciação. Escolher cuidadosamente o material que você quer publicar, procurar as imagens, e brincar com a diagramação são passos divertidos e importantes para quem quer entrar no meio. Confira o nosso tutorial!

ANTES DE COMEÇAR:
A. Escolha um tema. Sobre o que o seu fanzine vai falar?
B. Decida o número de páginas (8, 12, 16 etc.).
C. Escreva o texto.
D. Faça fotos ou procure imagens em revistas ou na internet.
E. Assim como as fotos, o texto deve ser impresso. Programas de edição de texto, como o Word, dividem em duas ou mais colunas. Corte a página, separando os parágrafos.

1. Dobre as páginas ao meio, como uma revista. Enumere as páginas para não se perder.

2. Com as fotos e o texto já cortados, você começa a montar o zine. Você pode usar cola ou fita crepe. Cada página pode seguir uma orientação (horizontal ou vertical), não se preocupe com regras. Só tome cuidado para não perder a ordem do texto.

3. Quando chegar ao final, lembre-se de escrever o seu contato. Você pode imprimir ou escrever com uma caneta mesmo. Isso é muito importante para que seus leitores e outros fanzineiros possam entrar em contato com você!

4. Na hora de fazer a capa, o importante é ser criativo. Se você souber desenhar, agora é a hora!

5. Desmonte o fanzine e tire xerox das páginas. Depois disso é só grampear e distribuir.

PARA SABER MAIS

ZINESCÓPIO (zinescopio.wordpress.com)
Tudo começou como uma brincadeira, mas acabou virando projeto sério. Seu criador está dedicando o seu 2011 para digitalizar todos os fanzines em sua coleção. Além disso, recebe material de gente do país inteiro e está criando uma biblioteca de zines.

1º ANUÁRIO DE FANZINES, ZINES E PUBLICAÇÕES (ugrapress.wordpress.com)
A ideia é que ele seja um guia completo para editores e leitores de zines. São mais de 120 resenhas, além de entrevistas e matérias sobre o mundo dos zines.


Conheça também o Blog do Eus-R – Uma alternativa para o dialogo dentro da Cultura Hip Hop e do Rap. Acesse: »» http://eusr.wordpress.com/

Mas e aí? Basta ser mulher?


Luka Franca

E passou o 8 de março, passou mostrando novamente que as mulheres do mundo ainda tem muita luta para fazer!


Não apenas pelos seus direitos, mas até mesmo para convencer seus próprios companheiros de que uma real revolução somente será feita com a participação das mulheres trabalhadoras, e que na pauta sejam garantidos nossos direitos. É inegável a retomada das mobilizações nos países árabes e a importância das mulheres trabalhadoras nestas mobilizações, apontando reflexo nas próprias mobilizações do 8 de março pelo mundo.

No maior símbolo de esperança para a mudança social, vimos acontecer uma das mais lamentáveis cenas do Dia Internacional de Luta das Mulheres deste ano: a Praça Tahrir. A manifestação das mulheres egípcias foi marcada para o epicentro da revolução. No Egito, foi recebida por diversos setores como uma tentativa de cindir o movimento revolucionário, mulheres estas que lutaram ao lado dos homens pela derrubada de Mubarak, porém não tiveram suas pautas contempladas pelo governo provisório, - até por que o último comitê formado para escrever uma nova constituição egípcia é formado apenas por homens.

Há muita luta no Egito pela emancipação da mulher, até por que, como já disse, nas instâncias que hoje podem realmente mudar algo na realidade egípcia as mulheres de lá não estão presentes. Diferente, por exemplo, do Brasil o qual passou pelo primeiro 8 de março tendo uma presidenta da república, e este fato inovador teve páginas e minutos de sobra na grande mídia e também na mídia alternativa. No Egito, as mulheres lutam para conquistar direitos que nós já temos. No Brasil, lutamos para não retroceder e poder avançar.

Sim, vivemos no Brasil uma conjuntura de pressão conservadora em cima dos direitos que conquistamos enorme, - tanto que a primeira presidenta do nosso país foi eleita em uma conjuntura de retrocesso para o movimento de mulheres, e isso precisa ficar muito claro para todas nós. As eleições brasileiras conseguiram coroar um processo que já vinha se mostrando há tempos com a tentativa de instaurar a CPI do Aborto, assinatura do Acordo Brasil-Vaticano, recuo de pontos polêmicos do PNDH-3 e tudo isso ainda no governo Lula.

Foi após este vergonhoso cenário que fomos às ruas do centro de São Paulo no dia 12 de março, -não é mais governo Lula, agora é governo Dilma -, e novamente se ouve no movimento feminista que o governo não pode fazer nada sozinho; que é preciso estar na rua e fazer o debate nas nossas bases. Mas, como apontar a necessidade do feminismo na ordem do dia se temos receio em falar que, apesar de estar apenas há 100 dias governando o Brasil, a presidenta da república corta o orçamento em setores importantíssimos para a vida das mulheres brasileiras? Dizem os economistas que foram cortes no orçamento de setores não fundamentais, porém ali encontramos o corte de quase 1/3 na Previdência Social atingindo diretamente pensões e aposentadorias que em grande parte são das mulheres.

É, o machismo não sumiu do país com a eleição de Dilma Rousseff, muito menos o feminismo avançou. Na verdade, entramos na seara da contradição: de um lado a base do governo brada pelo combate a violência contra a mulher e a própria presidenta pede a população que denunciea violência sexista, em contrapartida tem-se o tacão do corte no orçamento - promovido por esta mesma pessoa -, a qual deturpa 22% da verba destinada ao principal programa da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, o Pacto de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher. O mesmo Pacto que Serra assinou como governador, e não implementou no estado de São Paulo, denunciado e pressionado pelas governistas por aqui.

Desculpem, mas pra mim tal corte em programa tão importante do governo não é superficialidade, pois o Brasil elegeu uma presidenta, quando neste país a cada 15 minutos uma mulher é espancada; 10 mulheres morrem por dia; e 40% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência doméstica. Honrar as mulheres é honrar a garantia de nossas vidas, e não os 40% do orçamento para pagar a dívida interna.

Temos escancarada, aqui e agora, a contradição de termos uma mulher no poder, entretanto uma mulher comprometida em não enviar ao congresso projetos de lei que debatam a legalização do aborto ou o casamento civil igualitário. Ora, sabemos muito bem que um projeto apoiado pelo Executivo tem outro peso ao passar pelo legislativo. Dilma já mostrou muito bem quem não intercederá pelos direitos das mulheres ou da classe trabalhadora.

Em momento tão adverso, é tarefa do movimento feminista brasileiro se levantar e dizer que não aceitaremos os cortes no orçamento, pois a esmagadora maioria nos atinge diretamente. Denunciar o aumento abusivo que os deputados e senadores votaram para si mesmos de mais de 60%, enquanto aprovavam uma política vergonhosa de reajuste do salário mínimo de 6%, - e que não irá debater o valor do mesmo nos próximos 4 anos-, é nosso dever. Sem esquecer a sempre polêmica do Haiti: o novo governo tanto falou de ajudar a reconstrução do Haiti no começo do ano, mas nada disse sobre respeito aos direitos humanos e as denúncias de violência sexual sofrida por mulheres, em acampamentos sob a proteção da missão da ONU - chefiada pelo Brasil. É tarefa difícil esta, principalmente se continuarmos enevoadas com a isca de que ter uma mulher no poder basta. O que precisamos mesmo para avançar na nossa luta é independência política e autonomia frente ao governo, sem ilusões e com disposição de fazer o debate de forma global, sem escamotear quem são os atores da política que atingem as mulheres diretamente.

Ainda há muito pelo que lutar. No Egito, por conta da não participação das mulheres nas instâncias que mudariam substancialmente a sua situação. Aqui, por termos como presidenta alguém que mostra dia após dia que veio para aplicar políticas e mais políticas que nos atacam, ajudando a corroborar com o estereótipo de mulher mãe da nação... E, com isso o tempo urge...


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MCs invadem o asfalto em BH



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Barbara Dutra - Divulgação



“Skatista, boy, patricinha, doidinha, punk, músico e produtor, dá de tudo”. É assim que o DJ Jahnú, da festa Original Sundays, define o público que frequenta o Arcadium, onde rola o evento – aos domingos, obviamente. Na Original tem música da Jamaica. De ska a reggae, soul a funk anos 70, e muito rap. Segundo Jahnú, sons inseparáveis, que interagem, se completam e trocam influências: “Veio tudo da África. Não lembra da música ‘Punk Reggae Party’ do Bob Marley? Ele fez quando acompanhou uma turnê do Sex Pistols. Não para cantar, a convite do Sid Vicious, mesmo”.

Tudo junto e misturado. É assim que os MCs invadem o asfalto e que maninho Zona Sul também manda rima. “As visões, em termos de festa, são diferentes. Na periferia, hip hop tem mais essência e vontade. Na Zona Sul, o propósito é mais de festa”, palpita o DJ Xeréu, sócio do Jahnú na Original: “Mas a música é a mesma. Na periferia tem mais gente fazendo. Mas conheço gente da zona sul que rima e faz tão bem quanto o cara da periferia”, conclui.

O hip hop, não se esqueça, é um movimento definido por quatro elementos: bboy, grafite, DJ e MC. O MC Dusares – que é do centro de BH - lembra: “Tenho que pagar um produtor, um DJ, um estúdio para gravar um CD. Nem todo o movimento que acontece no hip hop tem recurso financeiro e se a galera está consumindo, ajuda a levantar a grana para investir na produção”. Mas, afinal, Dusares, porque a Zona Sul está indo para a balada de rap? “A galera que está colando deve estar em busca de um lugar mais alternativo. E tem a batida, que é mais frenética. É uma parada tipo gringa, que nem dos americanos, que botam um batidão e geral vai dançando”, analisa Dusares.

E a pergunta que fica é: se rola a mistura de classes, onde fica a função social da letra do MC, do protesto? “O rap é, justamente, uma forma de protesto. Então, já que tem uma mistura de classes. é bom que todos fiquem sabendo o que pega”, define Dusares. Outro MC, que também é produtor, Gurila Mangani engrossa o coro: “Depende do MC. Eu tento passar, na minha música, muito o lado espiritual. Acredito que a revolução vem de dentro”. Gurila, que é de Santa Luzia e cola com caras como Gutierrez e De Leve garante que a festa é diferente, de acordo com a locação: “Já toquei em balada de favela, festa de traficante e na Zona Sul. O público da Zona Sul está lá mais pela animação. Na favela, o público está pelo hip hop mesmo, é mais sério”, esclarece.

Marcelo Sant'Anna - Estado de Minas



Agora, saiba mais

Com a palavra, a galera que organiza as festas e o rei do rap pop mineiro, Renegado:

Major Groove

Ramiro Maia, proprietário do Major Lock, garante que a onda está rolando e não é só em BH. O hip hop já anda balançando as pistas do Rio de Janeiro e da gringa “Estava em Paris há pouco tempo e toda festa bacana que eu ia, a galera escutava hip hop”, garante.

No Major Lock, casa que bomba há anos na zona sul de BH, aos sábados, rola o Major Groove, há três anos, com o surf music como prata da casa. A pitadinha de hip hop sempre existiu, mas agora, tá mais na cara. No último sábado, rolou show com os rappers De Leve, Speed Freaks e Thales Dusares, além de um live com o trio Butijão Funk filter.

Para Ramiro, uma possível explicação da invasão geral do hip hop é a batida: “Apesar de ser uma música de protesto, teve um pouco essa evolução, de falar mais de cotidiano, de mulher... E a própria batida parece que é um pouco mesclada com o eletrônico. Teve uma mistura do hip hop puro com um pouco de eletrônico que a galera assimilou com força”, define. E ele não está sozinho nessa idéia.

Michelle Soares - Divulgação



Escoladuz

DJ Nel, que também é produtor, engrossa o coro de Ramiro apostando na batida: “Os produtores, quem faz a base e o instrumental, está procurando uma coisa mais dançante. E isso cai em boate, em festa”. Nel se juntou ao MC Papo e Alexandre Maia para fazer o sucesso do YouTube, Escoladuz.

O negócio virou sucesso em BH e no RJ e já tem até comunidade no Orkut e perfil no MySpace. E se você escutar vai rir. De protesto de MC, os Escoladuz não têm nada.

Aliás, talvez esteja mesmo na hora de deixar de lado o preconceito em cair na boca da galera: “Está acabando isso de o cara que é do rap dizer que nunca vai fazer Faustão. O rap também está ficando um pouco pop para poder sobreviver. Não dá para ficar só no underground. Ser mais pop abre a porta pra conhecer o trabalho”, garante Nel.

Renegado

Sair do underground é coisa que Renegado faz com mestria, inclusive ajudando a abrir as portas pra galera. O rapper mineiro acaba de voltar de uma turnê no Nordeste, com direito a shows em Aracaju, João Pessoa, Recife, Porto de Galinhas e Salvador, com o Pelourinho lotado. Agora, em março, o cara vai para o Sul com shows já confirmados em Curitiba e Florianópolis. Para conversar com a Ragga, ele falou de um celular no Rio de Janeiro, onde têm feito diversos shows. Se isso não é invadir a zona sul, então, pode chamar de tomar conta do país. Aliás, país é pouco pro cara que alcançou um feito inédito para os mineiros: um prêmio no Hutuz. Um não, dois. O que é raríssimo na história da premiação. Renegado faturou “revelação do ano” e “melhor site”.

Acesse a página de Renegado no MySpace

É com essa bagagem que o cara garante que as coisas não estão rolando por acaso: “O fato de o rap entrar hoje na zona sul não é coincidência. Não estão consumindo porque caiu no povo. Tem uma nova concepção de fazer com que o rap se torne parte da cultura do povo brasileiro. Por isso a gente está levando o trabalho também para a zona sul, mas não só lá. Tem o público das comunidades também. A idéia é o que sempre falo, de quebrar a fronteira entre o morro e o asfalto. A música, seja num baile ou durante um show, tem a função de aproximar as pessoas”, explica.

Renegado também concorda com DJ Nel: “No Brasil, o rap é mais uma música de protesto e reivindicação. Por isso, as pessoas dão ao rap uma cara que não dão mais para o samba hoje, nem para o rock. Ele acaba sendo pré-julgado. Mas hoje, a periferia está emancipada e o rap não pode ficar estagnado no tempo”.

Não pode e, se depender do Renegado, não vai: “O rap tem essa sacada de o pessoal estar se renovando e ocupando outros espaços. Tem uma musicalidade maior, as bases são mais dançantes, mais bem produzidas. Hoje, temos um discurso aliado à música bem feita, bem concebida, com uma verdade forte, ocupando outros espaços”, explica e evoca a galera: “Antes, no rádio, só tocava rap gringo, norte americano. Agora, os meios estão se abrindo para o rap nacional e, cabe a gente, fazer entrar. A mídia e os meios estão aqui pra serem nossos parceiros. Vamos nos aliar para fazer com que os movimentos e tendência tomem corpo e proporções”. Vambora, Renegado.

Michelle Soares - Divulgação



Clube hip hop

Mas também, não é por isso que a galera agora vai ouvir só o batidão da periferia (ou das letras engraçadinhas). O projeto Clube Hip Hop, que é organizado por Henrique Chaves - produtor de eventos e um dos proprietários da SW entretenimento – mescla elementos da música eletrônica e convida DJs internacionais, na festa que rola toda primeira sexta-feira do mês, na boate NaSala, em BH.

Henrique sabe bem o que agrada aos ouvidos da galera: “O rap com apelo social, nada de comercial, não funciona na pista. Mas há exceções. O Rapin Hood, por exemplo, gravou o Rap du bom com o Caetano Veloso e eu já entrei em carro de amiga minha onde rolava esse som no CD”.

Tanto sabe, que já mandou avisar: a day party Get Loose, que rola todo ano, em 2009, promete hip hop.

Álcool: a droga da morte



(Crédito imagem: http://problemasnaadolescencia12a.blogspot.com)

Qual a droga que mais mata no Brasil? O crack, a maconha, a heroína ou o êxtase? Não. O que mais mata no Brasil é o álcool. Segundo o Ministério da Saúde, as maiores causas de morte são problemas cardiovasculares e o câncer, duas doenças relacionadas ao álcool. Mas a perda de vidas não está associada somente às doenças relacionadas ao vício. Metade das mortes no trânsito (em número absolutos, cerca de 17 mil vítimas anuais) envolve motoristas embriagados. Mesmo em pequenas doses, o álcool prejudica a percepção de velocidade e distância; pode causar dupla visão e incapacidade de coordenação. Resultado: milhares de vidas ceifadas no trânsito.


O consumo de álcool no Brasil é quase 50% superior à média mundial e o comportamento de risco no país já supera o padrão da Rússia (considerado um país onde se bebe muito). Levantamento feito pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que os brasileiros com mais de 15 anos bebem o equivalente a 10 litros de álcool puro por ano – a média no mundo é de 6,1 litros. Entre os homens que bebem, a taxa é de 24,4 litros de álcool por ano e entre as mulheres, de 10 litros. O álcool é responsável por 7,2% das mortes – índice quase duas vezes superior à média mundial. Cerca de 30% da população que admite beber frequentemente afirma que se embriaga pelo menos uma vez por semana. Nos EUA, a taxa é de 13%, contra 12%, na Itália. Mesmo na Rússia, o índice daqueles que exageram na bebida é inferior ao do Brasil: 21%. A cerveja é responsável por 54% do consumo de álcool no Brasil. Mas os destilados representam 40%, uma taxa considerada alta. O vinho corresponde a cerca de 5%. Se somarmos as mortes no trânsito derivadas do consumo de álcool àquelas por motivações fúteis, pertinentes a esse vício, e às relacionadas a doenças associadas ao alcoolismo (cardiovasculares e cânceres), teremos o álcool, além de a principal causa de óbitos, também como o maior motivador da violência no país.


Pesquisa realizada pelo sociólogo Guaracy Mingardi, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP), em 14 delegacias dos bairros mais violentos da Zona Sul paulistana, constatou que o álcool é o agente detonador de, pelo menos, 41% dos homicídios. Outra, feita pelo Instituto Médico Legal paulista em 2005, revelou que as 2.007 vítimas de homicídio no estado de São Paulo, 863 tinham consumido álcool, sendo que 785 delas tinham mais de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue. Os dados estão no trabalho “Uso de álcool por vítimas de homicídio no município de São Paulo”, do pesquisador Gabriel Andreuccetti, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), premiado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) em 2007. Outra pesquisa premiada pela Senad, Políticas municipais relacionadas ao álcool: análise da lei de fechamento de bares e outras estratégias comunitárias em Diadema (SP), do médico Sérgio Duailibi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra a forte correlação entre álcool e violência nas mortes por motivos fúteis.


Mas por que no Brasil as políticas de controle e redução das mortes provocadas pelo álcool são quase inexistentes? Porque a indústria do álcool (como a das armas) é poderosíssima: tem bancada nos parlamentos, controla altíssimas verbas publicitárias na mídia e, recentemente, é responsável pela promoção de grandes eventos, inscritos, entre outros, naquilo que se denominou chamar de “paixão popular”. Ademais, com uma propaganda constante e subliminar (que inclusive associa álcool, sexo e prazer), a indústria do álcool captura com facilidade milhões de jovens, que serão reféns desse vício por longos anos (provocando enormes custos de tratamento no sistema de saúde) ou constarão, em breve, das estatísticas das mortes em nosso país.

Qual a sua opinião sobre os efeitos do álcool na vida das pessoas, das famílias e da sociedade?

Crack ou oxi, sinônimos de morte


(*Archimedes Marques)


Em recente pesquisa sobre o presente tema notei que alguns setores da imprensa brasileira identificaram o que seria uma nova droga também proveniente da cocaína: o oxi. Tal droga seria uma espécie de crack piorado, vez que em sua composição química vários outros produtos são adicionados pelos traficantes manipuladores no intuito de aumentar o lucro financeiro do seu comércio, com o barateamento do produto que assim é sempre melhor consumido pela classe mais pobre do nosso país.

É fato científico que para se fabricar o crack, é usada a pasta base da cocaína que adicionada ao bicarbonato de sódio em proporções equivalentes, manipulados com solventes, se transformam em espécie de pedra meio tenra de cor branca caramelizada. Assim, oficialmente o crack é composto basicamente do lixo da cocaína e do bicarbonato de sódio.

Já o oxi vai mais além na sua insanidade. O seu nome de batismo deriva do verbo oxidar, vez que a borra da cocaína ao ser diluída com o ácido sulfúrico e o ácido clorídrico, misturados e manipulados com a cal virgem, querosene ou gasolina, além do próprio bicarbonato de sódio em combinação com o oxigênio, realiza a transformação química, oxidando o produto também em forma de pedra, só que mais amarelo e bem mais nocivo que o crack.

Em todos os artigos que escrevi sobre o crack sempre contestei a sua fórmula química oficial que não existe em sua composição qualquer produto inflamável. Em contra senso, observa-se perfeitamente que há na pedra do crack o cheiro inconfundível de gasolina ou querosene, ademais alguns usuários me disseram que o odor e o gosto da fumaça inalada é semelhante a pneu queimado, razão pela qual, sempre falei que a cal, o querosene ou gasolina, os ácidos sulfúrico e clorídrico e o bicarbonato de sódio, além da pasta base da cocaína, fazem parte da composição química dessa droga, entretanto agora aparece o oxi como sendo o dono de tal fórmula diabólica.

Em assim sendo, fica a dúvida se os viciados brasileiros estariam consumindo o crack ou o oxi, o que, em absoluto não faz muita diferença. Parece no meu ver, apenas uma questão de nomenclatura. Crack ou oxi se confundem e representam a degradação humana, sofrimento e dor nas suas formas mais drásticas possíveis.

Crack e oxi também pode ser uma coisa só e a fórmula que tanto descrevi e combati veementemente pode ser a exata em detrimento à fórmula oficial do crack originada dos EUA, há mais de três décadas atrás. A não ser que o crack dos norte-americanos seja diferente e menos perigoso que o nosso crack. A não ser que o nosso crack seja na verdade o oxi, um crack piorado, falsificado e abrasileirado como tantos outros produtos importados.

Na verdade, sendo crack ou oxi, o usuário ao fumar toda essa parafernália de produtos altamente nocivos e perigosos, aspira o vapor venenoso para dentro de seus pulmões, entrando em conseqüência na sua corrente sanguínea. Como a droga é inalada na forma de fumaça chega ao cérebro muito mais rápido do que a cocaína ou de qualquer outra droga, causando também malefícios mais abrangentes para o usuário que sempre vicia a partir do seu primeiro experimento.


O usuário do crack ou oxi pode ter convulsão e como conseqüência desse fato, pode levá-lo a uma parada respiratória, coma ou parada cardíaca e enfim, a morte. Além disso, para o debilitado e esquelético sobrevivente seu declínio físico é assolador, como infarto, dano cerebral, doença hepática e pulmonar, hipertensão, acidente vascular cerebral (AVC), câncer de garganta e traquéia, além da perda dos seus dentes, pois o ácido sulfúrico presente na absurda fórmula dessas drogas assim trata de furar, corroer e destruir a sua dentição.

É fácil de concluir que os problemas deixados pelo crack ou oxi em todas as áreas sociais crescem em grandes proporções e atingem em cheio o nosso povo, deixando rastros de lama, miséria, sangue e lágrimas, em destaque, para a classe mais pobre do nosso país, mais de perto, para os jovens menos avisados que se lançam nesse profundo poço de difícil retorno.

(Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Publica pela Universidade Federal de Sergipe) archimedes-marques@bol.com.br



Hip hop tem noite em paz em Taboão da Serra


Por: Guilherme Bryan e Virginia Toledo, da Rede Brasil Atual


Hip hop tem noite em paz em Taboão da Serra

O evento contou com a participação especial de Mano Brow, dos Racionais MC's (Foto: Rede Brasil Atual)

São Paulo – Uma fila de bicicletas em frente ao palco, rapazes e crianças dançando em círculo, casais acompanhando os shows na companhia dos animais de estimação, um artista grafitando o que escuta e presencia. No palco, uma multidão de anônimos e famosos, divertindo-se e transmitindo mensagens de paz. Assim foi a segunda edição do "Projeto Hip Hop Atitude", na noite de domingo (14), em Taboão da Serra (SP).

Segundo a Guarda Civil Metropolitana, 15 mil pessoas compareceram a apresentações de grupos da região e dos Racionais MCs. O evento foi realizado pela Secretaria de Cultura da Prefeitura de Taboão da Serra, em parceria com a Associação Fique ONG Vivo.

A abertura foi do grupo De Loná, expressão que, segundo os integrantes, significa "Chegar no seu caminho", em um dialeto africano. Formado por quatro garotos – Ronaldinho, Dj Neew, Deauto e Rafa –, a atuação do grupo, que se identifica como "família", assim como os demais do hip hop, vai além da apresentação propriamente dita. Os meninos mantêm um trabalho social envolvendo crianças e jovens no bairro de Guaianases, na zona leste de São Paulo, aos quais oferecem oficinas de rap, break e beat box (som que se produz pela boca), que são elementos constituintes da cultura hip hop, assim como o grafite.

Ver os integrantes do grupo posando para fotos com seus aparelhos de microsystem saídos da década de 1980, descontraídos, mas sem perder o ar de responsabilidade de quem representa uma comunidade, é um show a parte. Assim como as letras do grupo, cujo integrante Ronaldinho garante que encontrou no hip hop uma maneira de se interessar pela leitura e ter uma visão mais aberta para outros estilos musicais.

Enquanto o som rolava no palco, o grafiteiro Ricardo Machado, mais conhecido como Sotaq, mandava ver na tinta para reproduzir na tela o desenho de um garoto que representa o hip hop, com todos os seus elementos, incluindo o boné e as correntes. Próximo dali, um grupo de b-boys, como são identificados os dançarinos de break, se apresentava no meio da Praça Luiz Gonzaga.

Entre os mais animados, estava Ronaldo Marques, líder do grupo Família Gangster, que mantém projeto na cidade para expandir a dança de rua. Ronaldo explica que pode ser b-boy quem quer. "De criança a adulto é só querer brincar um pouco na roda que já aprende", garante. Naquele momento, entrava para "brincar" na roda o menino Vitor, de 11 anos. Olhando para as pessoas ao redor, que o aplaudiam, o garoto explicava que pretende seguir carreira como b-boy para se "apresentar na televisão".

"Esse evento é para coroar um movimento que começou há 20 anos com os encontros de hip hop e os bailes", relembra Gaspar, integrante do grupo Hip Hop Atitude, iniciado em 2005, e membro do grupo Z’África Brasil, que se apresentara no sábado. "A praça Luiz Gonzaga sempre foi o berço dessa cultura, que atingiu o auge na década de 1990 com o encontro dos b-boys. Nos anos 2000, nos voltamos mais para o trabalho social para desenvolver o hip hop na prática, implantando oficinas culturais. Hoje, vamos de 15 em 15 dias em comunidades carentes e realizamos oficinas semanais”, comemora.

Outro a ressaltar a importância da praça foi o poeta Sérgio Vaz, que chegou atraindo multidões com distribuição das revistas da Cooperifa e ressaltou: “Fazer poesia para tanta gente é emocionante, assim como esse evento que resgata a cultura hip hop e valoriza a troca de experiências”. Arrepiado, ele acrescentou: “Imagine se Luiz Gonzaga não estaria feliz se também estivesse presente".

No palco, chamava a atenção a apresentação do primeiro grupo brasileiro mulçumano hip hop, Organização Jihad Racional, com todos os integrantes vestidos a caráter, transmitindo mensagens de paz, falando em religião islâmica e trazendo também elementos africanos. “O rap foi apenas uma maneira que encontramos para falar da essência do islã, que é tão distorcida pela televisão”, garantia o MC .

A grande atração de uma noite de paz e cultura hip hop foi Mano Brown e DJ KL Jay, ambos integrantes do grupo Racionais MCs, que receberam dezenas de convidados no palco, das mais diferentes faixas etárias, quase todos de camisas listradas e muita força na voz, e levaram o público ao delírio. “Os caras já desenvolvem um trabalho muito bom aqui. Eu só vim (depois de sete anos sem se apresentar no Taboão da Serra) para acrescentar e somar”, finalizou Mano Brown.

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Drogas e AIDS em trágicos caminhos


(*Archimedes Marques)

É desejo de todo o ser humano viver intensamente por muito tempo, aproveitar os prazeres da vida com alegria e disposição, conviver amistosamente com seus familiares e amigos, ir para onde bem quiser com liberdade e autonomia, e, acima de tudo, ser saudável física e mentalmente, entretanto, nos caminhos da vida muitos descambam para a marginalidade das leis vigentes e para o submundo horripilante das drogas, consciente ou inconscientemente.

Está dentre os malefícios criados do homem para o homem, as drogas ilícitas ou mesmo lícitas, tais como: skunk, maconha, haxixe, ecstasy, morfina, heroína, ópio, LSD, anfetamina, cocaína, merla, crack, oxi, cristal, paco, codeína, rebite, lança-perfume, clorofórmio, peiote, mescalina, psilocibina, demais drogas psicoativas, além do álcool e do tabaco que são as mais comuns.

Tais drogas fazem as suas partes ilusórias de supostas melhoras psicológicas na mente humana em busca de um reino fantástico através de uma imaginação distorcida, com breves momentos estimulantes, entorpecentes e alucinógenos, quando na verdade leva o individuo para uma morte precoce e sofrida com a devastação e doença de vários dos seus órgãos, além de arrastar junto em grande sofrimento e dor os seus entes queridos.

Os efeitos das drogas são avassaladores e devastadores no organismo do ser humano, embora inicialmente possam dar uma sensação de bem-estar ao usuário. Os efeitos nefastos decorrem inicialmente da dependência física e psíquica que elas provocam. A dependência física altera a química do organismo, tornando-se indispensável ao indivíduo e a psíquica, quando o dependente não usa a droga, deixa-o em lastimável estado de depressão, abatimento e desânimo, perdendo o interesse pelo trabalho, pelo estudo e pela vida, passando o mesmo, a partir de certo estágio a não mais considerar os seus entes queridos ou quaisquer pessoas possíveis. O viciado ou dependente químico passa a viver noutro mundo, um mundo só dele, um mundo imaginário e inexistente.

Com a necessidade premente que o dependente da droga sente, possibilita um comércio rendoso, proibido e clandestino para os insanos traficantes, que se impõe à força, de forma abusiva e prepotente. Quadrilhas organizadas e armadas, sem qualquer escrúpulo e sem o menor respeito à vida, aos poderes constituídos, às leis vigentes, cultivam plantas entorpecentes, preparam, fabricam e refinam as drogas ilícitas e distribuem para os demais comparsas traficantes e estes repassam a altos custos para os tristes consumidores.

Irmanadas maleficamente com as drogas também estão as doenças sexualmente transmissíveis. As DST, como o próprio nome diz, são doenças transmitidas por meio das relações sexuais, assim como também acontece com vírus da AIDS, o HIV, especialmente por intermédio do sangue que pode ocorrer quando agulhas e seringas são compartilhadas para o uso de drogas injetáveis.

Mesmo com o advento do crack que vicia ao primeiro experimento, destrói e atinge principalmente a classe mais pobre, em sofrimento, degradação e morte, o uso de drogas injetáveis continua em ascensão no nosso país, em especial na classe média e alta. Com isso o número de pessoas contaminadas pelo vírus da AIDS devido ao uso em comum de agulhas e seringas, também cresce em altas proporções.

As drogas, assim como o sexo, encontram-se profundamente ancoradas na visão como fontes de satisfação, de sensação agradável, de dimensão de prazer, sem as quais seria inexplicável a atração por elas exercida, contudo, das duas opções, somente o sexo é realmente saudável, contanto que seja sexo seguro, ou seja, sexo praticado com preservativo.

Mas, o que geralmente acontece é que na vigência dos efeitos eufóricos das drogas a capacidade de negociar o uso de preservativo pode ficar prejudicada, pois a alerta de usar camisinha parece ser apenas um detalhe insignificante, com isso, a relação sexual acaba acontecendo sem proteção aumentando então o risco de disseminação e contaminação da AIDS tanto para o ativo quanto ao passivo do ato.

Assim, drogas e AIDS passeiam de mãos dadas pelos trágicos caminhos da vida arrastando os menos avisados para suas armadilhas, tal qual a aranha faz na sua invisível teia a caçar a sua indefesa presa.

Autor: Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS) – archimedesmarques@infonet.com.br - archimedes-marques@bol.com.br

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Brasil registra 1º indiciamento por tortura motivada por racismo



Seguranças do Carrefour agrediram o vigilante Januário Alves de Santana em 2009

Jorge Américo
Radioagência NP





Em uma decisão inédita, no início deste mês, a Polícia de São Paulo indiciou seis seguranças da rede de supermercados Carrefour pelo crime de tortura motivada por preconceito racial. Eles agrediram o vigilante Januário Alves de Santana, em agosto de 2009, apontado como suspeito de roubar o próprio carro no estacionamento de uma das lojas em Osasco, na Grande São Paulo.

Também em Osasco, a dona de casa Clécia Maria da Silva, de 56 anos, foi parar no hospital depois de ter sido acusada de furto por seguranças da rede Walmart. Ela havia pagado pelas mercadorias, assim como um garoto de 10 anos, que foi ameaçado com um estilete por um segurança do supermercado Extra – que pertence ao grupo Pão de Açúcar. As ameaças ocorreram em uma salinha nos fundos da loja. Em ambos os casos, as vítimas eram negras.

Carrefour, Walmart e Pão de Açúcar são as três maiores redes de supermercados que atuam no Brasil. Juntas, elas lucraram R$ 71,5 bilhões em 2009. Em entrevista à Radioagência NP, o advogado Dojival Vieira, que acompanha os casos citados, revela os métodos utilizados pelos agentes de segurança dessas empresas para proteger seu patrimônio. Entre outras revelações, ele relata as agressões e humilhações que ocorrem nas chamadas “salinhas de tortura”, para onde são levados os acusados de furto.

Radioagência NP - Os agressores do vigilante Januário foram indiciados por tortura. Qual a importância dessa decisão?

Dojival Vieira - É a primeira vez na história do Brasil que há um enquadramento, um indiciamento, no crime de tortura motivada por discriminação racial. Ou seja, a aplicação da Lei 9455/97 de forma exemplar. É uma decisão histórica, importante, ainda que, obviamente, seja apenas o começo, já que a partir do indiciamento, da conclusão do inquérito, ele será remetido ao Ministério Público. Caberá ao MP oferecer a denúncia e à Justiça aceitá-la, instaurar o processo, passar os indiciados a réus e condená-los de acordo com a lei.

Que argumentos você utilizou para pedir ao delegado que o crime fosse enquadrado como tortura?


Um homem que é suspeito do roubo do próprio carro, que é perseguido, que tenta se evadir para escapar com vida. É dominado, levado a um canto e torturado durante quase 30 minutos com socos, pontapés, tentativa de esganadura, que inclusive lhe provocaram fratura no maxilar, que provocaram a destruição da sua prótese dentária. Não se pode, obviamente, imaginar que isso seja lesão corporal leve.

O que acontece nas chamadas salinhas para onde são levados os suspeitos?


São espécies de salinhas de castigo, ou salinhas de tortura, em que seguranças despreparados, sem qualquer capacitação e importando essa cultura truculenta e autoritária, do “prende e arrebenta” do período militar, se autorizam, se sentem à vontade para assumir o papel que eles efetivamente não têm. Que é o papel de fazedores de justiça com suas próprias mãos.

Eles acabam exercendo um papel de polícia?


Não é só eles que não podem fazer isso. A polícia também não tem autoridade, em um estado democrático de direito, para bater, agredir nem praticar violência contra ninguém.

O que se pode fazer para acabar com esses abusos?

O Ministério da Justiça precisa fazer um acompanhamento mais amiúde, mais frequente, das atividades dessas empresas. Inclusive, o que se sabe, é que essas empresas de segurança têm mais homens trabalhando armados do que o contingente das Forças Armadas. Então, é uma situação de segurança pública, inclusive. O mercado em que operam as empresas de segurança, que é extremamente lucrativo, não pode operar de acordo com suas próprias leis.

Por que tanta truculência?


Essas empresas transportaram para as relações de consumo práticas que não são próprias da democracia, não são compatíveis com o estado democrático de direito. E as empresas que as contratam – os supermercados e shoppings – não tiveram até agora a preocupação de investir no treinamento e na capacitação desses funcionários.

Que critérios definem um suspeito?


No Brasil, por conta da herança de quase 400 anos de escravidão e de mais 122 anos de racismo pós-abolição, o negro é o suspeito padrão. Frequentemente, quase cotidianamente, as pessoas que são alvo dessas violências, dessas humilhações, desses constrangimentos, desses vexames, são pessoas negras de todas as idades.

Isso ocorre inclusive com crianças.


Eu, particularmente, tenho acompanhado alguns desses casos, e o último deles envolve uma criança de dez anos, que ao se dirigir ao supermercado Extra, da Marginal Tietê, na cidade de São Paulo, após passar no caixa e pagar normalmente as mercadorias que pegou ­– biscoitos, salgados, refrigerantes – foi abordado por seguranças, levado a um quartinho e obrigado a se despir sob a ameaça de chicotes, de agressão.

Aclomerado da Serra - Sobre Violência Policial



Mais uma vez, entre outras, estamos estarrecidos com as cenas de violência no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte.

Aproveito este blog para expor algumas opiniões, não com a pretensão de pontificar a verdade, mas com o intento de estimular o debate. Afinal, é através de um debate sereno, democrático e respeitoso que podemos avançar nos entendimentos sobre o tema da relação entre polícia e sociedade.

Para fins didáticos, faço minha exposição (sintética e parcial) dividindo a análise em três partes distintas: a polícia, a comunidade e os governos.

a) A polícia: todas as democracias têm instituições policiais – indispensáveis para a garantia da paz, da segurança e dos direitos de cidadania. Porém, em hipótese alguma, numa sociedade democrática, é permitido às polícias o uso da força de forma desproporcional. Em outras palavras, à polícia não é dado o direito de, salvo em casos excepcionais, usar da violência para quaisquer ações.

No início deste ano, como já comentamos neste blog, uma portaria do Ministério da Justiça e da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, da Presidência da República, determinou que os agentes de segurança pública não deverão disparar armas de fogo, exceto em casos de legítima defesa própria ou de terceiro, contra perigo iminente de morte ou lesão grave. A portaria proíbe que policiais atirem numa pessoa em fuga e que esteja desarmada ou que, mesmo na posse de alguma arma, não represente risco imediato de morte ou de lesão grave a ninguém.

Tudo isso seria desnecessário se as polícias brasileiras não figurassem entre as mais violentas e arbitrárias do mundo. Pesquisas (do próprio Ministério da Justiça) sobre homicídios (no Brasil) têm apontado altos índices de letalidade da ação policial. Por essas e por outras (corrupção, violência, extorsão) podemos afirmar, com tristeza, que, no geral, segmentos de nossas polícias ainda não absorveram em suas práticas os princípios basilares do Estado Democrático e de Direito, entre as quais, a primazia e prevalência da dignidade humana. São instituições autoritárias e arbitrárias que precisam de reformas urgentes. Enquanto as instituições policiais (e de resto, muitas instituições públicas em geral) não extirparem de seus quadros todos os envolvidos com violência, morte e corrupção não teremos um estado verdadeiramente democrático. Teremos nichos democráticos dentro de instituições antidemocráticas.

b) As comunidades têm todo o direito de se manifestarem contra as arbitrariedades e abusos policiais ou quaisquer arbítrios praticados por agentes públicos. Não podem se calar, nem capitular frente ao medo. Erram somente quando usam da força e da violência, justamente para combaterem a mesma força e violência que denunciam serem vítimas.

Quando membros da comunidade destroem o patrimônio público, queimam ônibus ou depredam bens de terceiros, perdem parte da razão e, mais que isso, possibilitam que os conversadores (das polícias, da imprensa e dos governos) utilizem os velhos argumentos da criminalização da pobreza e dos movimentos sociais para justificar todo o tipo de arbitrariedade policial nas manifestações das comunidades.

A comunidade deve usar de estratégias mais eficazes para combater todos os tipos de abusos. Vejam as manifestações populares que têm derrubados governos autoritários mundo afora: mobilização, vocalização das denúncias (ocupando pacificamente espaços públicos e demandando cobertura da mídia, por exemplo) e usando desse maravilhoso recurso, ainda sem censura governamental, a internet. A comunidade deve e pode registrar as imagens de violência, postando-as em sites gratuitos, exibindo-as para a imprensa; ou seja, cortando o cordão de isolamento tradicional que impede a pobreza de se manifestar publicamente. Deve e pode, sim, ocupar os espaços públicos num grito de revolta (a garantia de manifestação é preceito constitucional). É justo e compreensível, além de legal, protestar em frente aos palácios dos governantes, dos tribunais da justiça, dos comandos das polícias, das sedes do Ministério Público, das ouvidorias, das casas legislativas. Os poderosos devem ouvir o clamor dos pobres. Quando os fatos se tornam públicos e inquestionáveis, as mudanças tornam-se inevitáveis.

c) Os governos: enquanto tivermos governantes medrosos e lenientes com a violência policial (e com a corrupção geral que campeia em vários órgãos da administração pública) não poderemos dizer que vivemos numa democracia. Isso vale para os três poderes. Não adianta apontar o dedo somente para o Executivo – que tem grande responsabilidade, principalmente com as reformas policiais. Mas quando não existem leis severas contra a corrupção e a violência institucional, toda ação pública corre o risco da discricionariedade. Então, nossos legisladores, o Judiciário, o Ministério Público – que constitucionalmente deveria controlar as polícias -, deveriam fazer sua parte para a consecução dessas reformas. Portanto, os governos podem atuar no sentido reformar nossas instituições republicanas, incluindo as polícias, para adequá-las aos tempos democráticos.

Infelizmente, o que aconteceu no Aglomerado da Serra não é exceção. Todos os dias, nas vielas das favelas e das comunidades pobres, em vários estados da federação, de variados modos, o cidadão pobre é aviltado em seus direitos básicos. Vejam na internet os inúmeros relatos de violência e abuso policial, de corrupção de agentes públicos, de afronta, por agentes do estado, aos direitos de cidadania (hoje mesmo vi uma reportagem que mostrava crianças pelo Brasil afora estudando no chão e com fome, por deficiências nos prédios escolares). É preciso que o povo ocupe as ruas para que nichos de conservadorismo e autoritarismo que impedem mudanças institucionais sejam destronados e para que, de fato (e não somente de direito) vivamos numa sociedade democrática e justa.

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Viciados em crack ficam mais tempo presos do que em tratamento


Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), inédito na literatura médica internacional, mostra que os usuários de crack ficam mais tempo presos do que em tratamento contra a droga. A pesquisa, que acompanhou, por 12 anos, 107 dependentes, indica que, nesse período, em média, os usuários ficaram presos por um ano e oito meses, e permaneceram em tratamento, em média, por três meses.


“Os usuários passaram mais tempo presos do que em tratamento, o que nos faz questionar a política repressiva voltada para os usuários da droga, quando a questão deveria ser tratada como um problema de saúde pública”, afirma a pesquisadora da Unifesp, Andréa Costa Dias, coordenadora e responsável pelo estudo.
A pesquisa verificou que, após 12 anos, 29% dos usuários estudados estavam abstinentes, sem usar a droga há cinco anos ou mais; 20% relataram períodos de consumo alternados com períodos de abstinência; e 13% mantiveram o consumo de crack por mais de uma década, com uso mais controlado e em menores quantidades e frequência.
Dos 107 pacientes acompanhados, após o período de análise, dois estavam desaparecidos, 13 estavam presos no período da entrevista e 27 tinham morrido, sendo que 59% das mortes foram homicídios. Apesar do alto índice de violência relacionado ao uso da droga, o estudo detectou que os dependentes têm conseguido, com o tempo, evitar situações de risco.
Violência

“É claro que existe todo um contexto de risco e violência em torno do crack, mas foi o usuário que foi aprendendo, aos poucos, a se adaptar a esse contexto, a não se colocar tanto em risco, seja em risco de overdose como em risco de se envolver em situações de violência, como brigas entre companheiros de consumo ou conflito com a polícia ou mesmo contraindo dívida de droga”, explica a pesquisadora.
Dos pacientes acompanhados, 88,5% eram homens e 11,5% mulheres. Dentre eles, 63,3% tinham idade entre 15 e 24 anos. Os solteiros integravam a maioria (67%) da amostra e 27% deles eram casados.
A pesquisa mostra ainda que há fatores comuns que fizeram com que dependentes conseguissem se afastar do consumo do crack. A procura por tratamento, a religião e a inserção no mercado de trabalho ajudaram, de modo geral, os usuários a se distanciarem da droga.
“Foram importantes também 'pontos de virada', como entrar em uma faculdade, a gravidez, encontrar uma namorada ou se casar, enfim, situações que, para aquela pessoa, foram significativas o suficiente para que ela, então, conseguisse ir se desprendendo do consumo”, explica Andréa Costa.

Fonte: Agência Brasil, por Bruno Bocchini

A questão terrível: uma UPP para a Polícia do RJ





Escrito por Leo Lince

O primeiro samba gravado já acusava a existência do problema: "o chefe da polícia pelo telefone mandou me avisar/que na Carioca tem uma roleta para se jogar". "Pelo Telefone" sempre foi objeto de muitas controvérsias (autoria, se era samba ou não, se foi mesmo o primeiro gravado), mas a veracidade do seu refrão atravessou o século e se reafirma agora, vésperas do carnaval, na crise desencadeada pela "Operação Guilhotina".

A questão terrível, a malha de cumplicidade entre o crime e a polícia, é uma fonte inesgotável de violência. Embora não pareça, dela decorre de maneira direta um cortejo de horrores, que vão da brutalidade diária do comportamento policial até as chacinas em seqüência, vazadouros da demência de uma política equivocada. Além dos achaques e "acertos" que liquidam a reputação da polícia. Quando a "dura e muito escura viatura" é um caveirão que vocifera brutalidades, o compositor popular recomenda chamar o ladrão.

Vigário Geral, 1993, 21 mortos e comoção nacional. Os jornais da época estamparam na primeira página a fotografia dos cadáveres enfileirados na beira da linha do trem. Idosos, jovens, mulheres e crianças, chacinados numa única noite por um grupo de extermínio composto por policiais. Naquela ocasião, um líder comunitário local que teve o filho assassinado fez uma declaração de larga repercussão: "eu sei que existem policiais honestos, mas eu não sei onde estão".

No primeiro bombardeio ao Complexo do Alemão, em 2007, o jornal do sistema "Globo" cuidou de exaltar um modelo de policial na "guerra contra o crime organizado". Uma foto enorme na primeira página, relógio de grife, entre baforadas de charuto cubano, mostrou aquele que, segundo o jornal, "tem tudo para se tornar o símbolo da guerra não convencional que já soma 44 mortos, 19 num só dia: o Inspetor Trovão". Vocação de guerreiro que aspira lutar no Iraque, ou em Gaza, e se exercita na prática do "tiro ao pato" nos becos da favela. Vaidoso, tênis de marca, farda diferenciada, capacete e visual de filme americano, ele pousa entre cadáveres espalhados. Um herói da luta contra o crime!

Passado o entrevero, os traficantes continuaram a dominar o Complexo do Alemão. Os barões da droga, seus financistas, os fornecedores de armas, todos ficaram longe da linha de tiro. Uma condição que determina a inevitável reposição de peças no varejo do negócio biliardário. Até se fortaleceram pelo que se viu no segundo bombardeio, aquela operação espetacular do final do ano passado que, a acreditar na grande mídia, foi o dia D, início da vitória definitiva contra o crime organizado. Aliás, o número real de mortos nesta operação ainda é uma incógnita. Muitas vezes, a cobertura espetacular em tempo real manipula mais do que informa.

Pois bem, o Inspetor Trovão estava lá. E, pelo que começa a se definir nas escutas da Operação Guilhotina, estava "garimpando" dinheiro, droga e armas para repassar para outros traficantes de áreas mais tranqüilas. Ganhar muito dinheiro e, na certa, exercitar mais uma vez o "tiro ao pato". O herói da luta contra o crime da primeira página de "O Globo" agora está preso, entre outros, como o delegado que foi braço direito do Chefe da Polícia e transitou para o comando do Choque de Ordem da prefeitura do Rio. Afinidades eletivas, atividades afins.

O mito de que a banda podre da polícia é mais eficiente no combate ao crime é uma construção política. Está ancorado na concepção de segurança pública que ainda vigora entre nós, amplamente respaldada pelos interesses dominantes. Daí porque os chamados "homens de ouro", os "justiceiros" e, hoje, os milicianos, buscam na cena pública a condição ostensiva de pilares do choque de ordem.

Não é por acaso que o ex-prefeito Cesar Maia definiu a milícia como autodefesa comunitária. Assim como não é casual que o prefeito Eduardo Paes e o governador Cabral tenham feito campanha ao lado dos milicianos. A truculência contra os tiranetes do varejo do tráfico rende popularidade, e não compromete a malha de cumplicidades que espalha seus tentáculos pelos vários aparatos do poder.

A Operação Guilhotina coloca na ordem do dia, mais uma vez, a questão terrível. Hélio Luz, que combinava a peculiar condição de delegado de polícia e militante de esquerda, tratou do tema com a devida radicalidade. Na condição de chefe da polícia, onde entrou e saiu limpo e respeitado, ele definiu com destemor e para o espanto geral: o cerne do crime organizado está na polícia. Os tiranetes do varejo devem ser combatidos sem tréguas, mas são tiranetes do varejo. Sem a mediação da banda podre da polícia, e os vínculos desta com a banda podre da política, não se articula o varejo e o atacado do negócio biliardário de drogas e armas.

Enfim, só haverá política de segurança pública digna deste nome quando houver condições políticas para atacar de frente a questão terrível.

Léo Lince é sociólogo.

Tambolelê

O grupo mineiro Tambolelê, essencialmente de percussão, com ritmos afro-mineiros, está completando 15 anos de história, arte e solidariedade. Para comemorar a data, o conjunto fará uma apresentação especial no dia 17 de fevereiro, às 21h, no Mercado das Borboletas (Av. Olegário Maciel, 742 | Centro). O show contará com um convidado especial, o multi-músico Maurício Tizumba e a participação do Bloco Oficina Tambolelê. A noite contará também com a discotecagem do DJ César Coelho. Esta apresentação faz parte da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança e de um projeto mantido pela TIM, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Formado pelos percussionistas Santonne Lobato, Geovane Sassá e Sérgio Pererê, o Tambolelê promete agitar a noite com o ritmo forte e vibrante dos tambores que já se apresentaram em diversos países. Tendo como foco central a emoção, o grupo sempre leva ao palco, além de muito entusiasmo, a magia dos elementos das congadas e uma mistura de ritmos ancestrais com pitadas de sons contemporâneos, como blues, rock'n roll, funk e black music. No dia 17/2 o Tambolelê faz um apanhado do que foi mais representativo nesta caminhada de 15 anos e apresenta canções inéditas como, “Velho de Coroa”, "Coração de Marujo” ao lado de outras bastante conhecidas do público, como: “Ondequê”, “Costura da Vida” e “Estrela Natal”

Neste show, além dos tambores e das vozes do trio, estarão no palco Acauan Rane (guitarra), Aloísio Horta (violão) e Daniel Guedes (percussão).

O que se ouvirá é um som novo, que passeia com competência entre claras inspirações de raízes, do pop e, ao mesmo tempo, da música erudita. Paixão, cores e cheiros fazem parte de um show em que o público poderá curtir uma boa música, dançar ao som dos batuques, apreciar um espetáculo cênico-musical e se conectar com o universo da cultura afro-mineira.

Em suas apresentações, o grupo conta com diversos tipos de instrumentos, como caixa de folia e de bateria; pandeiro; bumbo; tacos; atabaque, pandeirão e os inusitados djembés; tama; patangome; xequerê; caxixi e cowbels. E para o Tambolelê vale tudo, até improvisar com panelas e bandeja de inox; latas e até unhas de capivara. Para o público, será um espetáculo emocionante e surpreendente.

Subcomandante Marcos rompe silêncio e questiona guerra ao narcotráfico


AFP - Agence France-Presse


O subcomandante Marcos, líder do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), questionou a chamada guerra ao narcotráfico no México, que, segundo ele, só alimenta o orçamento bélico e favorece a indústria militar dos Estados Unidos, em uma carta pública com a qual rompeu um prolongado silêncio. "Desta guerra não resultam apenas milhares de mortos e importantes ganhos econômicos. Também, e sobretudo, vai resultar uma nação destruída, despovoada, irremediavelmente quebrada", advertiu em carta de nove páginas com a qual inicia uma troca de correspondências com o filósofo mexicano Luis Villoro.

No texto, o chefe do EZLN retoma o tom reflexivo e irônico de suas comunicações, silenciadas desde janeiro de 2009, última ocasião em que apareceu.

O subcomandante apontou, ainda, os Estados Unidos como beneficiário da estratégia militar lançada pelo presidente Felipe Calderón, em dezembro de 2006, para combater os cartéis das drogas com a participação de 50.000 soldados e que desde então deixaram mais de 34.600 mortos.

Marcos questionou, ainda, o número de mortos divulgado pelo governo na ofensiva contra os cartéis. "Destes 34.612 assassinados, quantos eram delinquentes? E os mais de mil meninos e meninas assassinados, também eram pistoleiros do crime organizado? Quando no governo federal se proclama, 'estamos ganhando', a qual cartel das drogas se referem? Quantas dezenas de milhares mais fazem parte desta 'ridícula minoria' que é o inimigo a vencer?", questionou.

Desde 2009, Marcos não publica mensagens e o EZLN só se pronunciou em janeiro passado para expressar suas condolências pela morte do bispo emérito Samuel Ruiz, que por anos foi o titular da diocese de San Cristóbal de las Casas, na região de influência deste movimento no estado de Chiapas (sul).

O EZLN tomou armas neste estado fronteiriço com a Guatemala e de predominante população indígena e camponesa em 1º de janeiro de 1994, justamente quando entrava em vigor o Tratado de Livre Comércio firmado pelo México com os Estados Unidos e o Canadá.

A Ideologia







Brasil De Fato - 100211_ideologia [Leandro Konder] Sem a ideologia, tendemos a atrofiar e empobrecer nossa relação conosco mesmos.
A ideologia, como sabemos, é uma distorção no conhecimento do outro. Minha mente, conforme sustentam pensadores dogmáticos, não distorce nenhuma apreensão da realidade.

O que eu vejo é o que todo mundo devia estar vendo. O que eu ouço é o que os outros deviam estar ouvindo. Não preciso mudar nada no meu conhecimento da realidade.

Os antigos romanos criaram a palavra alter, que em português passou a significar outro. Se formos fiéis à história dessa palavra, veremos que o termo original já nos diz com clareza que só podemos conhecer de fato o outro, alterando-o. Quer dizer: para entender o que é diferente, é necessário ir ao outro. Viver a aventura de se modificar.

Nós, neste valente semanário, que é o Brasil de Fato, reunimos e transformamos realidades empíricas que precisamos usar contra as mentiras contadas pelos nossos inimigos. Evitamos, porém, alimentar a ilusão de que vamos convencê-los.

Não sei da existência de nenhum banqueiro, de nenhum latifundiário, de nenhum milionário, que se ponha realmente à disposição dos grandes movimentos sociais. Eles alegarão que estão sempre sob a pressão plebeia, cercados por adversários implacáveis; dirão que, se não se defenderem, com energia acabarão tendo seus bens confiscados e, eventualmente, suas vidas tolhidas.

A força de Marx está no fato de ele ter mostrado como a história humana tem se realizado através das duas coisas: de um lado, o desenvolvimento econômico, o avanço tecnológico, o “progresso”. De outro, a divisão que os privilegiados mantêm a qualquer custo, reprimindo os movimentos dos de “baixo”.

Nesse segundo sentido, a educação que a burguesia organizou e proporciona ao povo ensina os trabalhadores a repetir velhos preconceitos e acaba desmoralizando a própria ideologia.

Nas discussões a respeito das inevitáveis distorções ideológicas, aparecem sempre alguns “mussolinis” que proclamam desavergonhadamente o assassinato da verdade pela ideologia. Para proteger o caroço de verdade que a ideologia possui (ao lado da mentira), a esquerda teve o mérito de inspirar um poeta/cantor brasileiro – Cazuza – que reivindicou para ele e seus camaradas a liberdade de possuir sua própria ideologia (Ideologia, eu quero uma pra viver...).

Em Marx, a atitude em face da ideologia é afrontosamente negativa. O poeta Cazuza, entretanto, dispõem-se a enfrentar a confusão ideológica dos seus inimigos (e, se for o caso, também de alguns amigos).

Marx e Cazuza se dão conta, por diferentes caminhos, do uso da distorção ideológica e tratam de combatê-la. Para o filósofo alemão, ideologia é uma categoria que diminui muito a credibilidade do conceito. Marx sustenta que a chave da ideologia está no fato de que a burguesia explora o trabalhador, deixando oculta a chamada mais valia.

Cazuza é menos “radical”. Seu canto o mostra plenamente inserido na realidade, mas sem se comprometer com as categorias do pensamento teórico-político. Seus heróis “morreram de overdose” e seus inimigos estão no poder. Por isso, ele canta: “ideologia, eu quero uma pra viver”.

Atualmente, o que se vê é a presença do pensamento conservador pragmático que desfaz as críticas que lhe são feitas em nome de critérios exclusivamente utilitários e deixa de lado a análise critica dos fenômenos ideológicos. Para a superação da ideologia, é imprescindível abrir espaço no pensamento para a autocrítica. Não uma lenga-lenga que finge ser autocrítica, contudo é apenas o autoelogio de intelectuais a serviço da burguesia.

Sem autocrítica, é impossível aprofundar nossas ideias a respeito da ideologia. Sem a ideologia, tendemos a atrofiar e empobrecer nossa relação conosco mesmos.

Temos manifestado falhas e deficiências no nosso trabalho teórico. O que nos consola é o fato de a burguesia não ter resolvido nenhum dos problemas que ela vem enfrentando nas últimas décadas.

Leandro Konder é colunista semanal do Brasil de Fato.

Mais Algumas Reflexões sobre as Prisões


Robson Sávio

Dados do Sistema Nacional de Informação Penitenciária do Ministério da Justiça (InfoPen) mostram que de um total de 498 mil presos no Brasil, 26% são jovens entre 18 e 24 anos. Conforme levantamento do Conselho Nacional de Justiça, o CNJ, as forças-tarefa das Defensorias Públicas confirmaram um alto índice de reincidência por parte de egressos do sistema prisional. Os 52 mutirões carcerários feitos no Brasil nos últimos dois anos confirmaram que entre 60% e 70% dos presos voltam a cometer crimes ou delitos após cumprirem pena. Já o custo médio de um preso no Brasil gira em torno de R$ 1.500,00 per capita por mês.

As denúncias de superlotação, maus tratos, tortura e corrupção nas prisões brasileiras são recorrentes. Organizações nacionais e internacionais de defesa de direitos têm registrado todo o tipo de violência e arbitrariedade nas prisões, o que nos remete ao processo de modernização da Justiça brasileira que tem, como grande desafio na área prisional, a expansão da assistência jurídica a todos os presos, sejam eles provisórios ou condenados.

Um exemplo: conforme pode-se ver relatado no site do Ministério da Justiça, "a mobilização da Justiça brasiliense, em julho do ano passado, identificou que cerca de 25% dos detentos do sistema prisional do DF estavam presos ilegalmente. A partir da análise de 8126 processos, 300 presos foram libertados e outros 1734 receberam benefícios como a progressão de regime. Por exemplo, do regime fechado para o semiaberto".

Há uma idéia de que a prisão é o único remédio para o enfrentamento do crime. Mas quem são os presos brasileiros? Além de muito jovens, são geralmente pobres (ricos conseguem bons advogados, que com as artimanhas da legislação atual e caduca, conseguem verdadeiros malabarismos nos processos judiciais). A maioria praticou crimes contra o patrimônio (furto, roubo). Nem sempre, são os homicidas, perigosos, que estão superlotando as prisões.

Com baixíssima eficiência, ou seja, relação de custo e benefício vergonhosa, e baixíssima efetividade, ou seja, o sistema prisional pouco recupera (devido ao alto índice de reincidência), as prisões brasileiras respondem pela terceira maior população de presos do mundo.

Sempre quando há uma comoção social - derivada de algum crime com grande repercussão -, parte da opinião pública, da mídia e muitos políticos recorrem ao argumento do endurecimento das leis e aumento das prisões. Será esta a única solução?

O sistema prisional deveria ser recurso extraordinário, a ser utilizado para criminosos que oferecem risco social. Para outros crimes, penas como a expropriação dos bens do infrator, prestação de serviços comunitários (com rigoroso acompanhamento da Justiça), pagamento de altas multas por danos causados, etc, poderiam ser muito mais efetivas.

Mas as prisões não devem ser um "mal negócio". No Brasil existem tentativas de privatização do sistema prisional. Se isto ocorre, valerá a ótica do mercado: para manterem-se lucrativas, as prisões deverão estar sempre cheias. Como mantê-las assim? Prendendo cada vez mais. Nos Estados Unidos, por exemplo, já existem quase três milhões de presos. Lá a história começou assim: além dos criminosos que oferecem risco social (e devem estar presos), começaram a criar várias legislações criminalizadoras. Então, quem foge a um certo padrão social corre sérios riscos de passar uma temporada nas prisões (negros, pobres, imigrantes, e aqueles catalogados como "os suspeitos", povam as penitenciárias de vários estados americanos).

Quem, na sua opinião, deveria ir para as prisões, no Brasil?

http://www.dzai.com.br/robsonsavio/blog/conversandodireito

Grafiteiro Juneca mostra releitura de suas obras em bar-contêiner


MAYRA MALDJIAN
DE SÃO PAULO

"A primeira coisa que um moleque faz quando entra na escola é aprender a escrever o próprio nome. Não é muito diferente quando se pega um spray na mão pela primeira vez". Foi assim que Oswaldo Campos Junior, 39, mais conhecido como Juneca, começou a pichar os muros da cidade lá nos anos 80.

Artista plástico formado e grafiteiro respeitado, Juneca ganhou uma exposição no projeto n.a.u. (Núcleo de Arte Urbana), idealizado pelos proprietários do nBox, um bar itinerante feito dentro de dois contêineres marítimos em São Paulo.

"A minha marca começou a chamar a atenção e deixar as pessoas curiosas", conta. "Até a Hebe Camargo queria saber quem era o tal Juneca. Mas também fui perseguido pelo Jânio Quadros". Prefeito na época, Jânio chegou a publicar no Diário Oficial do Município a frase "Juneca vai pichar a cadeia".

Apesar da despretensão, Juneca sabia que estava fazendo história. Prova disso é a área da exposição dedicada aos recortes de jornais e vídeos de entrevistas que ele coleciona desde quando ainda era uma lenda urbana. "Não existia essa coisa de cultura urbana na época; o concreto era limpo".

Hoje, o paulistano da zona sul não picha mais. "A pichação poderia ter um direcionamento melhor", avalia. "Tem coisas legais que os adolescentes postam no Twitter, por exemplo, que poderiam ser escritas como picho. Sacadas boas, qualquer coisa que dê o recado".

Quando parou de pichar, ainda na década de 80, passou a fazer releituras de personagens de histórias em quadrinhos, como o Batman.

Na mostra do n.a.u., Juneca resgata uma de suas séries mais famosas, com retratos de rappers como 2Pac e de personalidades como Marilyn Monroe. São oito telas dispostas no segundo andar do bar-contêiner.

Essa retrospectiva também marca um novo começo na vida do grafiteiro. Ele viajou pelo mundo em busca de referências para reciclar sua arte, que já foi parar nas paredes das primeiras mostras de arte urbana do MIS (Museu da Imagem e do Som) e do Masp, em São Paulo. Ele também já expôs na França e na Espanha.

Em breve, pretende retomar o trabalho social com jovens carentes, uma de suas principais atividades desde a década de 90. "Eu procuro ensinar mais do que técnicas do grafite. Nas aulas, falo de cidadania. É uma forma de aquele jovem descobrir e desenvolver qualquer outra aptidão cultural", explica.

Para quem se interessa pelo grafite, Juneca dá as dicas: "Procure pesquisar, o mais importante é o conhecimento. Para evitar contratempos, se você não tem muita experiência, procure conversar com o dono do muro antes, explique que vai deixar o espaço muito mais bonito".

"JUNECA: UM NOME QUE VIROU ARTE"
ONDE: nBox (av. São Gabriel, 600, São Paulo, tel. 0/xx/11/7826-4789)
QUANDO: segunda a sábado, das 20h à 1h (até 5/2).
QUANTO: 1 kg de alimento não perecível ou roupas, que serão doados às vítimas das chuvas no Rio. Se quiser consumir no bar, será cobrada entrada (R$ 30 mulher e R$ 50 homem)
CLASSIFICAÇÃO: 18 anos (menores entram acompanhados dos pais)


Greg Salibian/Divulgação
Grafiteiro Juneca expõe releituras de suas obras no bar-contêiner
Grafiteiro Juneca expõe releituras de suas obras no bar-contêiner

Greg Salibian/Divulgação
Grafiteiro Juneca expõe releituras de suas obras no bar-contêiner
Recortes de jornal e entrevistas à televisão compõem um dos ambientes da mostra