Um branco é morto para cada dois negros no país


Mapa da Violência mostra que, em 2008, morreram 103% mais negros assassinados no Brasil; crimes contra eles não param de crescer

O Estado de São Paulo
 






No Brasil, em cada três assassinatos, dois são de negros. Em 2008, morreram 103% mais negros que brancos. Dez anos antes, essa diferença já existia, mas era de 20%. Esses números estão no Mapa da Violência 2011, um estudo nacional que será apresentado hoje pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz.
Os números mostram que, enquanto os assassinatos de brancos vêm caindo, os de negros continuam a subir. De 2005 para 2008, houve uma queda de 22,7% nos homicídios de pessoas brancas; entre os negros, as taxas subiram 12,1%.
O cenário é ainda pior entre os jovens (15 a 24 anos). Entre os brancos, o número de homicídios caiu de 6.592 para 4.582 entre 2002 e 2008, uma diferença de 30%. Enquanto isso, os assassinatos entre os jovens negros passaram de 11.308 para 12.749 - aumento de 13%. Em 2008, morriam proporcionalmente mais 127,6% jovens negros que brancos. Dez anos antes, essa diferença era de 39%.
Paraíba. Os dados são mais impressionantes quando se analisam números de alguns Estados. Na Paraíba, em 2008, morreram 1.083% mais negros do que brancos. Em Alagoas, no mesmo ano, foram 974,8% mais mortes de negros. Em 11 Estados, esse índice ultrapassa 200%. As diferenças são pequenas apenas nos Estados onde a população negra também é menor, como no Rio Grande do Sul, onde a diferença é de 12,5%; Santa Catarina, com 14,7%; e Acre, com 4%.
O Mapa da Violência 2011 mostra que apenas no Paraná morrem mais brancos do que negros, com uma diferença de 34,7%. Na população jovem, o campeão é Alagoas. Em 2008, morreram 1.304 % mais negros que brancos. Na Bahia, onde se concentra a maior população preta e parda do País, a diferença foi de 798,5%.
Pobres. "Alguns Estados têm taxas insuportáveis. Não é uma situação premeditada, mas tem as características de um extermínio", disse Waiselfisz, em entrevista ontem ao Estado. "A distância entre brancos e negros cresce muito rápido", ressalta.
O pesquisador credita essa diferença à falta de segurança que envolve a população mais pobre, em que os negros são maioria. "O que acontece com a segurança pública é o que já aconteceu com outros setores, como educação, saúde, previdência social: a privatização. Quem pode paga a segurança privada. Os negros estão entre os mais pobres, moram em zonas de risco e não podem pagar."
Para entender
O Mapa da Violência utiliza o sistema de classificação de cor adotado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para simplificação, negro passou a ser adotado tanto para os que se declaram pretos quanto para os pardos. O sistema só incluiu a informação em 2002, quando 92% dos óbitos já relacionavam a cor da vítima.
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Gravidez na Adolescencia ou Gravidez Precoce


Uma entre cada quatro mulheres que são mães, tem menos de 20 anos de idade.

A gravidez precoce ou a gravidez na adolescência , mais do que um problema para a mãe adolescente e a família, é um problema de saúde pública. Estima-se que no Brasil, uma entre cada quatro mulheres que são mães, tem menos de 20 anos de idade. Essas jovens raramente  estão preparadas fisicamente e muito menos psicologicamente para serem mães.
Hoje em dia não é raro vermos adolescentes com 13 ou 14 anos a espera do seu primeiro filho. Além de essas jovens serem mães muito cedo, elas perdem parte da infância e precisam amadurecer muito cedo. A parte da fantasia e do faz de conta de se brincar com bonecas desaparece na hora do parto e dá lugar ao medo, angústia, solidão e rejeição.
A adolescente precisa ser apoiada pela família e pelo futuro pai da criança. Depois de confirmada a gravidez, não adianta a adolescente se revoltar,e muito menos os pais se revoltarem.Nestes casos não vale a pena chorar pelo ‘leite derramado’.
O apoio e a conversa é a melhor coisa a ser feita neste momento, já que provavelmente antes da gravidez o diálogo entre filha e pais não deve ter existido. A jovem vai sofrer sérias transformações no corpo e precisa de apoio para poder lidar com isso. Mas deixe claro que apoio não significa transferência de problema; ela é a mãe e a responsabilidade maior é dela.
Ou seja, é a adolescente quem tem de cuidar da criança,  bem como tornar-se responsável pelo sustento financeiro dela. O ideal é que seja feito em comum acordo com o pai da criança caso o mesmo assuma a paternidade. Em alguns casos a familia da adolescente pode entrar com uma ação judicial para que o pai da criança assuma a sua parte na criação do bebê.
Os riscos para a saúde da adolescente de uma gravidez precoce também são altos, já que o corpo da menina não está pronto para receber a criança. Por vezes a jovem escolhe esconde  a gravidez até o último estágio e acaba  não fazendo os exames pré-natais e colocando em risco a vida dela e a do feto. Ela escolhe esse caminho por medo do que pode acontecer se ela contar a verdade.
São exatamente por esses fatores que a gravidez precoce deve ser encarada como um problema de saúde pública e não apenas familiar. É por isso mesmo que toda a sociedade, incluindo a escola deve se preocupar e orientar os jovens na prevenção de uma gravidez precoce.
Por vezes essa gravidez precoce acontece pela falta da famosa conversa com os jovens; muitos pais têm vergonha ou acham desnecessário conversar com os jovens e acham que esse papel é da escola. É por isso que os jovens começam muito cedo a vida sexual e de forma errada, sem estarem preparados para as conseqüências dos seus atos.
 Um filho precoce só vai atrapalhar os planos dos jovens. Por vezes eles abandonam os estudos ou adiam os sonhos que acabam nunca se concretizando já que eles têm uma responsabilidade muito maior para lidar nessa fase de planejamento de sonhos.
Isso pode fazer com que o adolescente cresça e seja um adulto frustrado com a sua vida, sentindo que poderia ter feito muito mais, realizado os sonhos se não fosse a gravidez precoce.Não estamos falando só da menina, incluimos  também neste tema os meninos que por vezes terão de assumir a responsabilidade de uma família em plena adolescência.
É por isso que o cuidado, a conversa e o senso de responsabilidade devem estar sempre presentes. Melhor se precaver antes de engravidar, há muitos métodos anticoncepcionais eficientes desde que usados corretamente e com responsabilidade.
Com certeza há exemplos de outros blogs e sites que abordaram este mesmo tema , muitas adolescentes virão aqui dizer que sentem-se discriminadas e que todos ‘atiram pedras’ em vez de ajudar; mas estas mesmas adolescentes infelizmente se esquecem que só elas podem ser responsáveis pelo seu corpo e pelos próprios atos.
Felizmente muitas têm um final muito feliz, têm seus filhos, por vezes até se casam ou os pais ajudam na árdua tarefa de criar um filho sozinha; mas uma grande parcela se vê sozinha e com um bebê nos braços para criar.Não pense que isso ocorre só em classes menos favorecidas, adolescentes de classe média e alta também engravidam; por isso a informação e o diálogo é essencial para que os adolescentes sejam esclarecidos quanto aos riscos de uma  gravidez precoce.
Por isso pense nisso, não custa nada se prevenir.

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Gravidez na Adolescência





Denomina-se gravidez na adolescência a gestação ocorrida em jovens de até 21 anos que encontram-se, portanto, em pleno desenvolvimento dessa fase da vida – a adolescência. Esse tipo de gravidez em geral não foi planejada nem desejada e acontece em meio a relacionamentos sem estabilidade. No Brasil os números são alarmantes.

Cabe destacar que a gravidez precoce não é um problema exclusivo das meninas. Não se pode esquecer que embora os rapazes não possuam as condições biológicas necessárias para engravidar, um filho não é concebido por uma única pessoa. E se é à menina, que cabe a difícil missão de carregar no ventre, o filho, durante toda a gestação, de enfrentar as dificuldades e dores do parto e de amamentar o rebento após o nascimento, o rapaz não pode se eximir de sua parcela de responsabilidade. Por isso, quando uma adolescente engravida, não é apenas a sua vida que sofre mudanças. O pai, assim como as famílias de ambos também passam pelo difícil processo de adaptação a uma situação imprevista e inesperada.
Diante disso cabe nos perguntar: por que isso acontece? O mundo moderno, sobretudo no decorrer do século vinte e início do século vinte e um vem passando por inúmeras transformações nos mais diversos campos: econômico, político, social.
Essa situação favoreceu o surgimento de uma geração cujos valores éticos e morais encontram-se desgastados. O excesso de informações e liberdade recebida por esses jovens os levam à banalização de assuntos como o sexo, por exemplo. Essa liberação sexual, acompanhada de certa falta de limite e responsabilidade é um dos motivos que favorecem a incidência de gravidez na adolescência.

Outro fator que deve ser ressaltado é o afastamento dos membros da família e a desestruturação familiar. Seja por separação, seja pelo corre-corre do dia-a-dia, os pais estão cada vez mais afastados de seus filhos. Isso além de dificultar o diálogo de pais e filhos, dá ao adolescente uma liberdade sem responsabilidade. Ele passa, muitas vezes, a não ter a quem dar satisfações de sua rotina diária, vindo a procurar os pais ou responsáveis apenas quando o problema já se instalou.

A desinformação e a fragilidade da educação sexual são também questões problemáticas. As escolas e os sistemas de educação estão muito mais preocupados em dar conta das matérias cobradas no vestibular, como: física, química, português, matemática, etc., do que em discutir questões de cunho social Os pais, como já foi dito anteriormente, além do afastamento dos filhos, enfrentam dificuldades para conversar sobre essas questões. Isso se dá devido a uma formação moralista que tiveram. Diante dessa realidade o número de pais e mães adolescentes cresce a cada dia.

A adolescência já é uma fase complexa da vida. Além dos hormônios, que nessa etapa afloram causando as mais diversas mudanças no adolescente, outros assuntos preocupam e permeiam as mentes dos jovens: escola, vestibular, profissão, etc.

Conseqüências


A gravidez, por sua vez, também é uma etapa complexa na vida. Ter um filho requer desejo tanto do pai quanto da mãe, mas não só isso. Atualmente, com problemas como a instabilidade econômica e a crescente violência, são necessários, além de muita consciência e responsabilidade, um amplo planejamento. Quando isso não acontece, a iminência de acontecerem problemas é muito grande.

Os primeiros problemas podem aparecer ainda no início da gravidez e vão desde o risco de aborto espontâneo – ocasionado por desinformação e ausência de acompanhamento médico – até o risco de vida – resultado de atitudes desesperadas e irresponsáveis, como a ingestão de medicamentos abortivos.

O aborto além de ser um crime, em nosso país, é uma das principais causas de morte de gestantes. Por ser uma prática criminosa não há serviços especializados o que obriga as mulheres que optam por essa estratégia, a se submeterem a serviços precários, verdadeiros matadouros de seres humanos, colocando em risco a própria vida.

Um outro problema é a rejeição das famílias. Ainda são muito comuns pais que abandonam seus filhos nesse momento tão difícil, quando deveriam propiciar toda atenção e assistência. Há que se pensar que esse não é o momento de castigar, pelo menos não dessa forma, o filho ou filha.

Em outras situações a solução elaborada pelos pais é o casamento. Embora hoje haja poucos e apenas nas regiões interioranas os casos de casamentos forçados com o objetivo de reparar o mal cometido, os casamentos de improviso, acertados entre as famílias ainda é bastante recorrente. Os adolescentes, nessa situação, são, normalmente, meros observadores e em geral não se opõem a decisão tomada pelos pais. Isso acontece tanto pela inexperiência quanto pela culpa que carregam ou ainda por pura falta de condições de apontar melhor solução. O agravante dessa situação são os conflitos de depois do casamento, que na maioria das vezes acabam em separação, causando uma situação estressante não só para os pais, mas também para o bebê.

A adolescência é o momento de formação escolar e de preparação para o mundo do trabalho. A ocorrência de uma gravidez nessa fase, portanto, significa o atraso ou até mesmo a interrupção desses processos. O que pode comprometer o início da carreira ou o desenvolvimento profissional.

Um assunto muito polêmico que envolve muitos fatores de causas e consequências, a gravidez indesejada pode ser considerada como um problema que se reflete para o resto da vida, um fruto, uma nova vida, uma pessoa que está sendo gerada e que fará parte de você a partir da fertilização. Muitos fatores são considerados como causas da sexualidade precoce de muitas meninas, geralmente meninas mais novas se interessam por garotos mais velhos, acima dos dezoito anos, de fato elas amadurecem mais cedo que os homens, mas não o suficiente para ter conscientização sobre o que é a gravidez e como ela se reflete por toda a vida.
Muitos afirmam que a melhor fase da vida é a adolescência por ser um momento de descobertas e aventuras tudo o que geralmente os pais reprimem os adolescentes é porque já passaram pelo mesmo e se deram conta da experiência então o que eles não querem e proíbem que os filhos façam é porque já tomaram conhecimento ou por experiência própria.

A gravidez pode causar muitas reações e refletir de forma negativa na vida de uma jovem, mas não é um dos piores problemas, com a relação sexual precoce o risco de doenças sexualmente transmissíveis aumentam o que é mais preocupante do que gerar uma vida. As principais consequências que a jovem sofre por conta da gravidez precoce é a falta de oportunidades que deixará de ter, interrupção dos estudos, afastamento de convívio social, o que eu é muito importante nesta época da vida principalmente para o psicológico da jovem, insegurança psicológica e financeira, baixa auto-estima, estresse, ansiedade, aumento de peso, entre outros, mas por outro lado ensina que é uma das coisas mais maravilhosas para a maioria das mulheres é ser mãe, um ensinamento de vida que vão levar por muitos anos.

Problemas na gravidez

As piores complicações do parto tendem a acometer meninas com menos de 15 anos e, serão piores ainda em menores de 13 anos. A mãe adolescente tem maior morbidade e mortalidade por complicações da gravidez, do parto e do puerpério. A taxa de mortalidade é 2 vezes maior que entre gestantes adultas.

A incidência de recém nascidos de mães adolescentes com baixo peso é duas vezes maior que em recém nascidos de mães adultas, e a taxa de morte neonatal é 3 vezes maior. Entre adolescentes com 17 anos ou menos, 14% dos nascidos são prematuros, enquanto entre as mulheres de 25 a 29 anos é de 6%.A mãe adolescente também apresenta com maior freqüência sintomas depressivos no pós-parto.

1- toxemia gravídica, que é uma doença hipertensiva da gravidez com fortes possibilidades de convulsões;

2 - maior índice de cesarianas;

3 - desproporção céfalo-pélvica, que é uma desproporção entre o tamanho da cabeça do feto e a pelve da mãe;

4 - síndromes hemorrágicas, chamada de coagulação vascular disseminada;

5 - lacerações perineais, envolvendo vagina e, às vezes do ânus;

6 - amniorrexe prematura, que é ruptura precoce da bolsa e;

Algumas causas

As taxas de gravidez e infecções sexualmente transmissíveis na adolescência são indicativos da freqüência com que a atividade sexual (desprotegida) ocorre nessa faixa etária. Talvez possam ser considerados aspectos sociais (talvez, bio-psíco-sociais) alguns fatores de risco para gravidez na adolescência:

· antecipação da menarca
· educação sexual ausente ou inadequada
· atividade sexual precoce
· desejo de gravidez
· dificuldade para práticas anticoncepcionais
· problemas psicológicos e emocionais
· mudanças dos valores sociais
· migração mal sucedida
· pobreza
· baixa escolaridade
· ausência de projeto de vida

As complicações psicossociais relacionadas à gravidez na adolescência são, em geral, mais importantes que as complicações físicas. Fatos que devem ser levado em pela equipe de pré-natal

Estatísticas

Os transtornos da gravidez na adolescência ganham proporções ainda maiores quando se pensa no crescimento do número de partos feitos no Brasil em meninas com idade entre 10 e 19 anos.
Em 1999, do total de 2,6 milhões de partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 31 mil foram feitos em meninas com idade entre 10 e 14 anos e 673 mil entre 15 e 19 anos.

Causas do Problema

De acordo com Silvana Gomes, são muitos os fatores que contribuem para a alta incidência da maternidade durante a adolescência. O início precoce da vida sexual, falta de uso de métodos anticoncepcionais _ ou uso inadequado deles _, dificuldade de acreditar na própria capacidade de reproduzir e falta de dinheiro para adquirir o método são algumas das causas mais comuns que, normalmente, aparecem associadas. "Também não é difícil perceber que, quanto menor a escolaridade, maior o risco de gravidez na adolescência", argumenta.

Para Virgínia Werneck Marinho, ginecologista infanto-puberal, também deve ser considerado o fato de que, para os adolescentes, mesmo que eles tenham informação sobre os riscos, qualquer planejamento pode tirar o encanto do sexo, o que os leva a praticar o ato sem pensar nas conseqüências. Outro problema é que os postos de saúde não atraem os jovens, eles têm medo de ser repreendidos pela decisão de iniciar a vida sexual e não confiam no SUS. "Cerca de 20% dos casos de gravidez na adolescência ocorrem nos primeiros meses de vida sexual e, entre 40% e 50%, no primeiro ano. Só quando os adolescentes passam por uma situação de risco é que eles vão pensar em se prevenir", explica.

Riscos de uma Gravidez não Planejada

São muitos os riscos de uma gravidez na adolescência. Ela é responsável por um imenso transtorno social para toda a família porque está fora de um contexto de casamento. "Antigamente, as meninas se casavam muito cedo e, consequentemente, também tinham filhos muito novas. Por isso, as implicações hoje em dia são muito mais sociais do que biológicas", diz Silvana Gomes. É dessa gravidez não planejada que vem o abandono da escola, o empobrecimento do núcleo familiar, exclusão da adolescente do mercado, etc.

No período dos 15 aos 19 anos, desde que com o devido acompanhamento médico, as adolescentes apresentam as mesmas características de gestação de uma mulher adulta, razão pela qual é mito dizer que elas sofrem maiores riscos biológicos de ficarem grávidas.

Um aborto inadequado

Entre as complicações precoces mais frequentes do aborto incluem-se a perfuração uterina, outras lesões traumáticas, hemorragias, infecção, e retenção dos produtos de concepção. As perfurações, com uma incidência de 1 em 1000, (de notar que todos os dados estatísticos são muito falíveis) constituem o acidente mais grave. As hemorragias são a complicação mais frequente.As complicações devidas à anestesia são 3 a 5 vezes superiores nos abortos realizados durante o segundo trimestre de gestação.A maioria dos internamentos hospitalares por infecção e hemorragia são resultado de abortos praticados clandestinamente.Comuns a quase todos são os problemas psicológicos causados na mulher que é sujeita ao aborto.
Complicações tardias, a esterilidade pode ser o resultado de um quadro inflamatório pós aborto, por oclusão das trompas de Falópio. A lesão do endométrio pode ser consequência de uma raspagem inadequada e ter como resultado a produção de cicatrizes uterinas.A dilatação traumática pode resultar num colo insuficiente (que não fecha bem) predispondo ao aborto espontâneo ou ao parto prematuro.As complicações psiquiátricas, ca racterizadas por um sentimento obsessivo de arrependimento ou de culpa, constituem uma sequela frequente do aborto. Muitos estudos demonstram um elevado risco de depressão e suicídio entre adolescentes gestantes. 

Pais na adolescência

O pai, também adolescente, geralmente quer "estudar e aproveitar a vida" e muitos acabam "deixando pra trás" a responsabilidade de assumirem o papel de pai. Não raro são as avós que abarcam esse papel. São as conhecidas avós-mães.

E para uma boa parte das adolescentes, após o parto, surge, implacavelmente, a depressão. Com o intuito de minimizar os riscos de depressão pós-parto e auxiliar as adolescentes no processo da maternidade, algumas maternidades desenvolvem durante todo o pré-natal, um trabalho em equipe, ensinando, discutindo, orientando. As taxas durante o primeiro ano após o nascimento de uma criança foram de 13,93% nas mães contra 3,56% nos pais, corroborando os nossos achados de que as mães jovens sofrem mais de depressão do que os pais jovens. Os altos índices de depressão no pós-parto não são surpreendentes, devido ao estresse.

Minha Nota: Um dos maiores problemas é concerteza a banalização do sexo, podem ate me xamar de careta e quadrado (Se bem que eu estou mais para bola,kkkk), mas pra mim um criança de 13 a 16 não sabe o que quer e isso não é naormal isso é apenas fogo e como a maioria dos pais não tem aquela conversa fica diaficil, criança é criança e não faz sexo, enquanto "aceitarmos" aisso como normal, vai continuar a crescer o número de crianças tendo crianças....
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Sexo precoce? Gravidez precoce?

Gravidez Precoce ( do Editorial da Folha de São Paulo )
AS BRASILEIRAS estão fazendo sexo cada vez mais novas. A recém-divulgada Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher, realizada por encomenda do Ministério da Saúde, mostra que, em 2006, 32,6% das jovens diziam ter tido a primeira relação aos 15 anos ou antes. Em 1996, esse índice atingia apenas 11,5%. É um aumento de quase três vezes.
Tal dado, embora possa deixar alguns pais em desassossego, não é motivo para grande preocupação. Comparações internacionais como as periodicamente realizadas pelo instituto Guttmacher mostram que não há uma correlação fatídica entre níveis de atividade sexual e as complicações que se desejam evitar, como a gravidez não-planejada e as doenças venéreas.
Pelo menos nas nações mais desenvolvidas, a idade em que as garotas têm sua primeira relação sexual e a freqüência com que se dedicam à atividade variam pouco. Já as taxas de gravidez precoce e aborto são as mais díspares possíveis. Nos EUA, por exemplo, ocorrem 53 nascimentos anuais por grupo de mil jovens entre 15 e 19 anos, contra 5 na Suíça e na Dinamarca e 4 no Japão.
Nessas estatísticas do Fundo de População da ONU, relativas a 2002, o Brasil aparece com 73 nascimentos por milhar de meninas, bem longe do campeão Níger, que ostenta 233.
São vários os fatores que determinam tais diferenças. O mais poderoso deles, que rasga um fosso entre as nações mais ricas e as em desenvolvimento, são os anos de escolaridade. Mesmo no Brasil, que não é nenhum Níger, meninas com mais de 12 anos de estudo têm seu primeiro filho com 26 anos, contra 19 das que só contam com 3 anos de instrução. A educação ainda é o melhor contraceptivo.
Outro elemento relevante para evitar as complicações do sexo é o fácil acesso a preservativos e outros meios de evitar filhos bem como a serviços de saúde reprodutiva. Em suas análises, o instituto Guttmacher destaca ainda a aceitação social da atividade sexual de jovens. O problema não reside em fazer sexo, mas sim em deixar de fazê-lo de forma responsável.



A adolescência caracteriza-se por ser um período de descoberta do mundo, dos grupos de amigos, de uma vida social mais ampla. Assim, a gravidez pode vir a interromper, na adolescente, esse processo de desenvolvimento próprio da idade, fazendo-a assumir responsabilidades e papéis de adulta antes da hora, já que dentro em pouco se verá obrigada a dedicar-se aos cuidados maternos.
O prejuízo é duplo: nem adolescente plena, nem adulta inteiramente capaz. A adolescência é também uma fase em que a personalidade da jovem está se formando e, por isso mesmo, é naturalmente instável. Hoje, os meninos e meninas entram na adolescência cada vez mais cedo. O início da ejaculação e da menstruação indicam que eles estão começando a sua vida fértil, isto é, que chegaram àquela fase da vida em que são capazes de procriar.

- Repercussões da gravidez na adolescência:
  
Ao engravidar, a jovem tem de enfrentar, paralelamente, tanto os processos de transformação da adolescência como os da gestação. Isto, nesta fase, representa uma sobrecarga de esforços físicos e psicológicos tão grande que para ser bem suportada necessitaria apoiar-se num claro desejo de tornar-se mãe. Porém, geralmente não é o que acontece: as jovens se assustam e angustiam-se ao constatar que lhes aconteceu algo imprevisto e indesejado. Só este fato torna necessário que seja alvo de cuidados materiais e médicos apropriados, de solidariedade humana e amparo afetivo especiais. A questão é que, na maioria dos casos, essas condições também não existem. Muitas vezes, a dificuldade de contar o fato para a família ou até mesmo constatar a gravidez faz com que as adolescentes iniciem tardiamente o pré-natal? O que possibilita a ocorrência de complicações e aumento do risco de terem bebês prematuros e de baixo peso. Além disso, não é raro acontecer, em seqüência, uma segunda gravidez indesejada na jovem mãe. Daí a importância adicional do pré-natal como fonte segura de orientação.
Viver ao mesmo tempo a própria adolescência, cuidar da gestação e, mais tarde, do bebê, não é tarefa fácil. E a vida torna-se ainda mais difícil para a adolescente grávida que estuda e trabalha. Igualmente, essa situação não difere com relação ao jovem adolescente que se torna pai: ele se vê envolvido na dupla tarefa de lidar com as transformações próprias da adolescência e as da paternidade, que requerem trabalho, estudo, educação do filho e cuidados com a esposa ou companheira.
- Orientação sexual e afetiva:
Os programas de educação sexual transmitidos pelas escolas vêm cumprindo papel fundamental, já que permitem o diálogo e a circulação de informações sobre a sexualidade. Os meios de comunicação e as campanhas publicitárias também têm abordado com freqüência esse assunto, particularmente visando a prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e AIDS.
É função dos serviços de saúde implantar programas especiais à disposição dos jovens, para informá-los e cuidar deles, se necessário.
Os adolescentes não precisam sentir vergonha. Além de ser um direito, os profissionais de saúde têm prazer em recebê-los e, através dos serviços oferecidos, possibilitar-lhes informação a respeito dos vários métodos anticoncepcionais existentes. É bom lembrar que, desde a primeira relação, será necessário se proteger. Quem transa sem os cuidados devidos, pode engravidar.
(texto de campanha feito no Pará)
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Gravidez na adolescência causas e consequências



Gravidez na adolescência causas e consequências

Um assunto muito polêmico que envolve muitos fatores de causas e consequências, a gravidez indesejada pode ser considerada como um problema que se reflete para o resto da vida, um fruto, uma nova vida, uma pessoa que está sendo gerada e que fará parte de você a partir da fertilização. Muitos fatores são considerados como causas da sexualidade precoce de muitas meninas, geralmente meninas mais novas se interessam por garotos mais velhos, acima dos dezoito anos, de fato elas amadurecem mais cedo que os homens, mas não o suficiente para ter conscientização sobre o que é a gravidez e como ela se reflete por toda a vida.
Muitos afirmam que a melhor fase da vida é a adolescência por ser um momento de descobertas e aventuras tudo o que geralmente os pais reprimem os adolescentes é porque já passaram pelo mesmo e se deram conta da experiência então o que eles não querem e proíbem que os filhos façam é porque já tomaram conhecimento ou por experiência própria. Nesta fase da vida o risco de gravidez é muito grande, pois a sexualidade é uma das descobertas do adolescente fazendo com que tudo seja uma verdadeira aventura sem limites e consciência. É muito complicado descrever o adolescente, mas é possível afirmar que é neste momento que a conscientização sobre tudo o que a vida nos oferece deve ser incentivada a melhor forma de aprender é sentindo na pele por isso palestras, depoimentos, responsáveis, pessoas que já passaram por alguma experiência mostrem para os jovens de hoje o que é certo e errado para que eles não criem uma idéia própria e acreditem que sabe o que é melhor para eles mesmo sendo algo imoral, ilegal ou ilícito.
A gravidez pode causar muitas reações e refletir de forma negativa na vida de uma jovem, mas não é um dos piores problemas, com a relação sexual precoce o risco de doenças sexualmente transmissíveis aumentam o que é mais preocupante do que gerar uma vida. As principais consequências que a jovem sofre por conta da gravidez precoce é a falta de oportunidades que deixará de ter, interrupção dos estudos, afastamento de convívio social, o que eu é muito importante nesta época da vida principalmente para o psicológico da jovem, insegurança psicológica e financeira, baixa auto-estima, estresse, ansiedade, aumento de peso, entre outros, mas por outro lado ensina que é uma das coisas mais maravilhosas para a maioria das mulheres é ser mãe, um ensinamento de vida que vão levar por muitos anos.
E neste assunto, qual seria a posição do Estado na formação da Cidadania? Neste caso, o indece crescente de jovens gravidas tem relação direta com o descaso dos governantes? será que há politicas públicas para esclarecer e prevenir os jovens no que se refere a Gravidez na Adolescência? Este descaso não é falta de Cidadania? Por que? O que está havendo?

Este espaço foi destinado a você, aluno(a), para colocar aqui sua opinião, suas criticas, seu comentário e quem sabe até uma sugestão para melhor auxiliar o jovem quanto a sua sexualidade. Será que a Escola cumpre seu papel de agente de informação?

Então, participem, você tem a libertdade de expor sua opinião, seja ela qual for Assista ao vídeo. e leia o texto abaixo. Contribua!!

Blog de jovem : (...)ser jovem é viver a vida sim, seja com responsabilidade ou não,mas sempre com muita intensidade, Gravidez na adolescência causas e consequênciasEducar é o ato de provocar nos(as) alunos(as) a busca pelo conhecimento através de uma relação de confiança, carinho e respeito, por isso, vê-las, tão meninas, gravidas causa uma mistura de sentimentos que não sei explicar. O fato é que a escola não pode se omitir quando as jovens alunas tornam-se meninas-mães.
A gravidez na adolescência é uma constante na rotina escolar; e se acreditamos que é reflexo da desinformação, então a escola é que está desinformada pois informadas elas são ou será que não? afinal, estão numa sociedade globalizada onde estes assuntos circulam em vários meios de comunicação. Por que, então, da gravidez prematura? Meninas inteligentes, com potencial para tornarem-se brilhantes profissionais. Este sonho todo é drásticamente interropido.
Chega a preocupação que nos faz refletir, que tipo de mães serão? Terá uma adolescente a estrutura suficiente para educar, ensinar valores, princípios morais, objetivos, regras e até perspectivas?
Lembremos
“…o mundo que nós vamos deixar para os nossos filhos depende muito do tipo de filho que nós vamos deixar para o mundo…” Mário Sergio Cortello
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Gravidez precoce e o monopólio dos alimentos: um crime escondido












A explosão de casos de gravidez precoce nos últimos tempos, em meninas e adolescentes do mundo inteiro, inclusive dos países ricos, tem sido definida como epidemia. Este, porém, é um termo nebuloso que propositalmente dificulta a compreensão das massas sobre a questão. O correto seria chamá-la de crime.


Rosana Bond para "A Nova Democracia"
Durante esses anos de aflição para milhões de jovens, nunca ou quase nunca apontou-se claramente os culpados (possivelmente os maiores) por essa situação de prejuízo extremo individual e coletivo que é a maternidade antecipada: o monopólio dos alimentos.

O monopólio dos meios de comunicação, comprometido até a medula na propagação do erotismo para crianças (ver box), tratou de divulgar explicações diversionistas. Transformando o povo em vilão, a vítima em réu, não cansou de afirmar que as meninas estavam engravidando "por falta de orientação dos pais", ou porque "os adolescentes são rebeldes".

Ou ainda, numa manipulação execrável, diz que os jovens não estão sabendo lidar com a "liberdade" dentro de uma sociedade que "evoluiu" e

Os hormônios e outras substâncias usadas nos últimos anos nos alimentos pelos monopólios, para obter mais lucros, não têm provocado somente puberdade/ gravidez precoce, está afetando gravemente também pessoas mais maduras, de 30 e 40 anos, que num efeito contrário, estão perdendo a fertilidade mais cedo.
que hoje apóia, sem preconceitos, o sexo antes do casamento. Risível, porque sexo pré-casamento ou até sem casamento é coisa velha. Só que antes nunca houve um estouro mundial na estatística de mães adolescentes. Por que só agora?

Numerosos estudos surgiram. Mas não houve estímulo a pesquisas científicas profundas e descompromissadas com o capital, que desvendassem os reais motivos pelos quais estão ocorrendo tão altos índices de puberdade precoce já a partir dos 8 anos (primeira menstruação, capacidade de gestação, aumento dos seios, pelos pubianos, etc) que trazem, como consequência, a elevação da maternidade juvenil.

Nunca há dinheiro para estudos sérios. Eis o que disse um boletim da Cimac do México (Comunicação e Informação da Mulher) de 2002:

"Sem orçamento para pesquisas amplas, empresas e instituições continuarão negando os impactos dos alimentos com modificações químicas e genéticas na saúde reprodutiva.

Cada menina com puberdade precoce relacionada com a ingestão de frangos artificialmente engordados, cada mulher com infecções vaginais por produtos lácteos com antibióticos, etc, estão longe de ser 'evidência contundente'.

Com um ano e meio de idade, uma criança desta cidade (México, DF) apresentou um incipiente crescimento de pelos púbicos. A anomalia parou quando deixaram de alimentá-la com frango. Em apenas um ano, a pediatra Isabel Zurbia Flores Soltero observou dois casos de puberdade precoce em uma menina de seis e outra de 10 anos de idade, também vinculados ao consumo de frangos criados com hormônios sintéticos".

A médica entrevistada, Zurbia, tem uma década de trabalho num hospital infantil mexicano e lamenta que "são escassos os estudos para chegar a evidências conclusivas sobre transgênicos, hormônios e outros aditivos em alimentos". Mas sua experiência clínica diária apresenta indícios que a enchem de preocupação.

Foi também acompanhando o dia-a-dia em consultórios pediátricos franceses que o médico e professor Charles Sultan decidiu escrever o livro Ginecologia pediátrica e adolescente: evidências baseadas na prática clínica. Ele, que é da Unidade de Endocrinologia e Ginecologia Pediátrica da Universidade de Montpellier, França, afirmou agora em 2008 num seminário na Europa, que a puberdade precoce se deve ao uso de hormônios sintéticos, pesticidas, detergentes e outros produtos.

O ginecologista e obstetra mexicano Felipe Lazar Júnior igualmente diz que os alimentos estão interferindo, sim, na menstruação precoce. Declarou ele à repórter Victoria Bensaude: "Em geral, boa parte dos alimentos possuem conservantes que têm efeito hormonal. Recentemente, um pesquisador de meio ambiente fez um estudo em uma represa e constatou que as amostras de água colhidas continham níveis elevados de hormônio feminino, o que com certeza estão associados à menarca precoce, e também ao aumento da incidência de câncer nas mulheres e ginecomastia nos homens (crescimento anormal da glândula mamária)".

Anabolizantes no frango

Em julho do ano passado, uma comissão da Câmara dos Deputados brasileira soltou uma recomendação de proibição do uso de hormônios na avicultura.

Afirmava que tais produtos estavam sendo utilizados pela indústria do frango para acelerar o crescimento e a engorda dos animais, mas que resíduos dos produtos permanecem na carne e nos ovos. Segundo os deputados, o consumo de alimentos com esses resíduos pode ocasionar disfunções no aparelho reprodutor. Além de câncer, distúrbios no sistema imunológico, entre outras doenças. "Os efeitos indesejáveis dos resíduos de hormônios anabolizantes são mais maléficos em crianças e jovens", disse o relator.

Ao que se sabe, foram palavras ao vento. Nada mudou.

Os hormônios e outras substâncias usadas nos últimos anos nos alimentos pelos monopólios, para obter mais lucros, não têm provocado somente puberdade/ gravidez precoce, está afetando gravemente também pessoas mais maduras, de 30 e 40 anos, que num efeito contrário, estão perdendo a fertilidade mais cedo.

"Está havendo um climatério feminino e masculino precoce", advertiu o Dr. Arturo Zárate Treviño, do Hospital de Especialidades do Centro Médico Nacional Século XXI, do México. "E esta modificação não se trata de uma evolução natural da espécie humana, mas sim a fatores como o uso de substâncias químicas na agricultura e nos alimentos, além da obesidade e do sedentarismo".

Complementou que "os fertilizantes e pesticidas que são utilizados na agricultura, assim como os alimentos industrializados, que contêm conservantes, saborizantes, colorantes e muitos elementos artificiais, atuam como estrógenos ou antiestrógenos".

Atualmente, no México, um em cada seis casais tem problema para obter gravidez, pois de acordo com Treviño, "o padrão hormonal em homens e mulheres sofreu uma mudança e agora, entre a terceira e a quarta década de vida, eles produzem menos testosterona e elas menos estrógeno".

Infertilidade nos meninos

O consumo de carne bovina tratada com hormônios, além de diversos outros problemas, está causando infertilidade em meninos de pouca idade.

Um estudo da Universidade de Rochester, no USA, publicado na  Human Reproduction, relacionou o uso de substâncias hormonais a danos no espermatozóide humano, ao constatar que os filhos de mulheres que consumiram carne diariamente têm uma possibilidade três vezes maior de ter uma contagem de espermatozóides tão baixa que podem ser classificados como subférteis.

Para ludibriar o povo e as críticas, o USA proibiu alguns produtos no gado em 1979, porém outros, tais como os hormônios sexuais testosterona e progesterona continuaram liberados para uso na pecuária.

A equipe da Rochester descobriu que entre os filhos de mulheres que comiam carne todos os dias, 17,7% tinha uma concentração de espermatozóides abaixo dos 20 milhões por mililitro, o que é considerado subfertilidade pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A porcentagem entre filhos de mulheres que comiam menos carne foi de 5,7%.

Allan Pacey, especialista em Andrologia da Universidade de Sheffield, Grã-Bretanha, considerou os resultados da pesquisa "alarmantes". Informou que, além da carne, "há anos os cientistas estão preocupados que substâncias que imitam o estrógeno, presentes em caixas d’água, plásticos ou maquiagem possam estar afetando as etapas críticas do desenvolvimento do testículos de meninos pequenos."

As transnacionais e o leite

Por outro lado, o hormônio BST, aplicado pela indústria para aumentar a produção de leite, foi proibido na Europa, mas continua liberado no Brasil, desde 1990, pelas gerências coniventes e irresponsáveis do Palácio do Planalto e seus ministérios.

O BST (somatotropina) é um hormônio de crescimento natural secretado por alguns animais. No começo da década de 1980, ainda no nascedouro das experiências transgênicas, cientistas conseguiram produzi-la em laboratório. O "medicamento" começou a ser vendido para produtores para ser injetado em vacas, que passaram a produzir mais leite.

Seu uso prejudica o sistema imunológico humano e também causa câncer.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento mostram que em 2005 os produtores de leite brasileiros compraram 745 mil doses de BST.

No Brasil, a venda do produto foi liberada em 1990, pela gerência Collor. O laboratório Eli Lilly, do qual a Elanco é a divisão para produtos animais, foi autorizado a vender o Lactotropin, hormônio produzido pela Monsanto, a gigante mundial na área de transgênicos. E o Schering Plough Saúde Animal conseguiu licença para comercializar o Boostin, o BST produzido pelo sul-coreano LG.




______________________________ Fonte: www.jornalorebate.com.br

Do estado de direito ao estado marginal


Tudo é feito em nome de um direito "Maio", direito à segurança, à tranquilidade, à paz. A sociedade vê, em geral, com bons olhos essa defesa social. Busca-se a paz por meio da guerra (por meio da força bruta, da violência). Eficientismo é o valor reinante, ainda que pagando preço alto (consistente na flagrante violação da ordem jurídica) 


Luiz Flávio Gomes
Jurista e cientista criminal. Presidente e fundador da Rede de Ensino LFG, diretor-presidente do Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes. Foi promotor de Justiça, juiz de Direito e advogado.  







Estado de direito é o estado regido por regras jurídicas coercitivas (dotadas de força, consoante Derrida). É o Estado limitado pelo próprio direito, que não pode cometer abusos ou excessos impunemente. Estado de exceção, no plano constitucional, é o que permite a suspensão da eficácia de algumas regras gerais (a suspensão da força delas), para se submeter a um regramento jurídico específico, típico de uma situação anormal. Trata-se de uma segunda força, que substitui a primeira.
No estado marginal, a força (violência) acontece fora ou à margem do direito. É um tipo de estado paralelo, regido pela força bruta, pelo voluntarismo dos agentes públicos, especialmente dos encarregados da repressão.

A prática político-criminal afastada das regras limitativas do Estado de direito constitui a essência do estado marginal. Tudo é feito em nome de um direito “maior”, direito à segurança, à tranquilidade, à paz. A sociedade vê, em geral, com bons olhos essa defesa social. Busca-se a paz por meio da guerra (por meio da força bruta, da violência). Eficientismo é o valor reinante, ainda que pagando preço alto (consistente na flagrante violação da ordem jurídica). 


Os abusos cometidos pelos agentes da repressão (busca pessoal em mulher feita por homens, disparos à queima-roupa em jovens negros de todos os rincões – o Brasil é o campeão do mundo em assassinatos de jovens – etc.) são tolerados ou ficam impunes. Existe uma força (oculta) que ampara todas essas ilegalidades (muitas delas praticadas pelos juízes). O discurso populista autoritário sempre encontra adeptos, sobretudo quando bem explorado pela mídia.

A impunidade é a grande companheira do estado marginal, que não teria o sucesso que tem sem o apoio (velado ou ostensivo) de grande parcela da população, de atores políticos, da mídia, de legisladores e de atores jurídicos.

No Brasil, sempre existiu o paralelismo do estado marginal. Aqui, os portugueses chegaram praticando genocídio contra os índios. Em 1822, foi instituído oficialmente o Estado de direito brasileiro, que nunca vigorou isolado, soberano, absoluto. Um país fundado na discriminação étnica e socioeconômica necessita (compulsoriamente) de margens extraoficiais de forças para sua atuação em nome da segurança, do bem-estar geral. 
Os direitos e garantias (tirando períodos declaradamente ditatoriais) sempre estiveram vigentes, porém, com força limitada, porque sempre tiveram que conviver com a força marginal das práticas político-criminais aniquiladoras, expulsivas, torturantes, mortíferas (é só olhar o que está acontecendo nos nossos presídios para se entender o que é o estado marginal).
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1452-55: quando Portugal e a Igreja Católica se uniram para reduzir [praticamente] todos os africanos à escravatura perpétua.

Em 1455, o papa Nicolau V concedeu a Afonso V, entre outros direitos, o de reduzir à escravatura perpétua os habitantes de todos os territórios africanos a sul do Cabo Bojador. A Dum Diversas é uma bula papal dirigida a D. Afonso V de Portugal e publicada em 18 de junho de 1452 pelo Papa Nicolau V. Através desta Bula, o Papa afirma:

{xtypo_quote}(...) nós lhe concedemos, por estes presentes documentos, com nossa Autoridade Apostólica, plena e livre permissão de invadir, buscar, capturar e subjugar os sarracenos e pagãos e quaisquer outros incrédulos e inimigos de Cristo, onde quer que estejam, como também seus reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades (...) e reduzir suas pessoas à perpétua escravidão, e apropriar e converter em seu uso e proveito e de seus sucessores, os reis de Portugal, em perpétuo, os supramencionados reinos, ducados, condados, principados e outras propriedades, possessões e bens semelhantes (...).{/xtypo_quote}

Em 8 de janeiro de 1554, estes poderes foram estendidos aos reis da Espanha.

Em 1455 Nicolau V publicou uma outra bula dirigida a D. Afonso V, a "Romanus Pontifex" que reafirma o texto da bula Dum Diversas ao dizer: "Guinéus e negros tomados pela força, outros legitimamente adquiridos foram trazidos ao reino, o que esperamos progrida até a conversão do povo ou ao menos de muitos mais. Por isso nós, tudo pensando com devida ponderação concedemos ao dito rei Afonso a plena e livre faculdade, entre outras, de invadir, conquistar, subjugar a quaisquer sarracenos e pagãos, inimigos de Cristo, suas terras e bens, a todos reduzir à servidão e tudo praticar em utilidade própria e dos seus aos mesmos D. Afonso e seus sucessores, e ao infante. Se alguém, indivíduo ou colectividade, infringir essas determinações, seja excomungado".
Matéria original: 1452-55: quando Portugal e a Igreja Católica se uniram para reduzir [praticamente] todos os africanos à escravatura perpétua.
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Darwin e a escravidão no Brasil

O elo perdido tropical - Por Carlos Haag -
Brasil foi fundamental para Darwin criar suas teorias, que retornaram ao país, mais tarde, e moldaram nossa nação

Charles Darwin (1809-1882) passou quatro meses no Brasil, em 1832, durante a sua célebre viagem a bordo do Beagle. Voltou impressionado com o que viu: “Delícia é um termo insuficiente para exprimir as emoções sentidas por um naturalista a sós com a natureza no seio de uma floresta brasileira”, escreveu em seu diário científico. O Brasil, porém, aparece de forma bem menos idílica em seus escritos pessoais:{xtypo_quote}Espero nunca mais voltar a um país escravagista. O estado da enorme população escrava deve preocupar todos que chegam ao Brasil. Os senhores de escravos querem ver o negro como outra espécie, mas temos todos a mesma origem num ancestral comum. O meu sangue ferve ao pensar nos ingleses e americanos, com seus ‘gritos’ por liberdade, tão culpados de tudo isso.{/xtypo_quote}

Numa casa em que ficou hospedado no Rio sofreu ao presenciar, “diariamente e a toda hora”, um mulato ser espancado com tal violência que “seria suficiente para quebrar o espírito do mais baixo animal”. Em vez do gorjeio do sabiá, o que ficou no ouvido de Darwin, ao voltar para a Inglaterra, foi um som terrível que o acompanhou por toda a vida: {xtypo_quote}Até hoje, se eu ouço um grito ao longe, lembro-me, com dolorosa e clara memória, de quando passei numa casa em Pernambuco e ouvi os urros mais terríveis. Logo entendi que era algum pobre escravo que estava sendo torturado. Eu me senti impotente como uma criança diante daquilo, incapaz de fazer a mínima objeção.{/xtypo_quote}
“Para Darwin, a viagem do Beagle foi menos importante pelos espécimes coletados do que pela experiência de testemunhar os horrores da escravidão no Brasil. De certa forma, ele escolheu focar na descendência comum do homem justamente para mostrar que todas as raças eram iguais e, dessa forma, enfim, objetar àqueles que insistiam em chamar os negros de espécies diferentes e inferiores aos brancos”, explica o biólogo Adrian Desmond, da University College London, que, ao lado de James Moore, acaba de lançar Darwin’s sacred cause: race, slavery and the quest for human origins, um estudo que mostra uma inusitada paixão abolicionista do cientista, revelada a partir da redescoberta de diários e cartas pessoais. “A grande revelação desses escritos é que a maior parte das pesquisas de Darwin, por muitos anos, foi sobre raça. Para ele, não havia diferença entre ‘raça’ e ‘espécie’ e sua pesquisa sobre a origem das espécies é também sobre a origem das raças, incluindo-se os humanos. A extensão de seu interesse explícito no combate à ciência de cunho racista é surpreendente, e pudemos detectar um ímpeto moral por trás de seu trabalho sobre a evolução humana, uma crença numa ‘irmandade’ racial que tinha raízes em seu ódio ao escravismo que o levou, junto com outros fatores, a pensar numa descendência comum. Sua ciência não era ‘neutra’, como se acreditava, mas impulsionada por paixão moral e preocupações humanitárias”, observa.

Pesquisa FAPESP - Edição Impressa 159 - Maio 2009

matéria original:O elo perdido tropical
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Tatuagem eletrônica promete revolucionar medicina, jogos e segurança


Um adesivo eletrônico da espessura de um fio de cabelo, que adere na pele como uma tatuagem temporária, poderá revolucionar procedimentos médicos, video games e operações de espionagem, revelou um estudo publicado nesta quinta-feira (11/8) na revista Science.

A tecnologia de microeletrônica, denominada sistema eletrônico epidérmico (EES, na sigla em inglês), foi desenvolvida por uma equipe internacional de cientistas de Estados Unidos, China e Cingapura.

"Trata-se de uma tecnologia que reduzirá o abismo entre eletrônica e biologia", disse o co-autor do estudo, John Rogers, professor de ciência de materiais e engenharia da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign. "Nosso objetivo era desenvolver uma tecnologia eletrônica que pudesse se integrar à pele de uma forma que ficasse invisível mecânica e fisiologicamente para o usuário", acrescentou.

O adesivo poderá substituir os eletrodos usados para monitorar a atividade do cérebro, do coração e do tecido muscular e, quando colocado na garganta, permitiu aos usuários operar um video game acionado por voz com precisão superior a 90%.

"Este tipo de dispositivo poderá ser útil para aqueles que sofrem de algumas doenças de laringe", explicou. "Também poderá servir de base para a capacidade de comunicação subvocal, adequada para situações de camuflagem ou outros usos", acrescentou.


O dispositivo sem fio quase não tem peso e exige tão pouca energia para funcionar que pode se reabastecer sozinho usando coletores solares miniaturizados ou capturando radiação eletromagnética dispersa ou transmitida, acrescentou o estudo.

Com espessura inferior a 50 microns, um pouco mais fino do que o cabelo humano, o equipamento pode aderir à pele sem a necessidade de uso de cola.

"Forças denominadas 'van der Waals' dominam a aderência ao nível molecular, portanto as tatuagens eletrônicas aderem à pele sem qualquer cola e fica no lugar por horas", destacou o estudo.

O engenheiro Yonggang Huang, da Northwestern University, afirmou que o adesivo é "tão macio quanto a pele humana".

Rogers e Huang trabalharam juntos nesta tecnologia durante seis anos. Os dispositivos poderão ser usados no futuro em pacientes com apneia noturna, bebês que precisam de cuidado neonatal e para produzir bandagens eletrônicas para ajudar a pele a cicatrizar queimaduras e ferimentos.

AFP - Agence France-Presse
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O Guetto de Gladstone

O grupo Cultura do Guetto começou em 2006, fundado pelo coreógrafo Gladstone Navarro e alguns amigos. “A ideia era ensinar dança a quem não tinha nenhum contato com ela. Nossa missão era social, porque onde vivo rola muita coisa, enquanto jovens não contam com as oportunidades que tive de fazer arte”, afirma Gladstone.

Ele mora na Vila Nossa Senhora do Rosário, na região do Bairro Pompeia, na Zona Leste da capital. No princípio, o grupo reunia apenas rapazes daquela área, mas o trabalho cresceu, chamou a atenção e atraiu gente de vários pontos da cidade, sobretudo da periferia. Em 2007, foi montado o segundo elenco, também com dançarinas.


A turma se vira como pode. Sem patrocínio, seus integrantes se dedicam a outras profissões. O Cultura do Guetto só tem os fins de semana para ensaiar. E o faz sem parar, aos sábados e domingos.

Resultado: só este ano, a moçada venceu três festivais. Um em BH, outro no interior de São Paulo. Recentemente, os dançarinos trouxeram outra vitória para casa: o primeiro lugar no 10º Festival Internacional de Hip-hop, em Curitiba, evento com jurados estrangeiros. Venceram na categoria avançado (para bailarinos com mais de 17 anos). Disputaram com 80 grupos do Brasil, da Argentina e do Paraguai.

Ensaiar, dançar e vencer competições não é problema para o Cultura do Guetto. Difícil é conseguir patrocínio. Além do apoio da Incomodança, escola de dança de salão que cede espaço para os ensaios, os bailarinos usam a criatividade “Fazemos pedágio e dançamos no sinal, no meio da rua. É esse pessoal que contribui e ajuda a gente a viajar”, conta Gladstone.

É dessa maneira que o Cultura paga hotel, comida e transporte para participar de eventos em que possa competir e trocar experiência com outras trupes.

Se você topar com a moçada numa das ruas de BH, pode saber: a causa é justa. Mês que vem, a moçada segue para o 7º Festival Internacional de Dança de Cabo Frio, no Rio de Janeiro.
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No Vietnã, agente laranja faz terceira geração de vítimas

Assolado por um confronto que durou cerca de 20 anos, o Vietnã ainda vê em sua população as marcas de uma das guerras mais impactantes do século passado. O conflito, travado pelos Estados Unidos, deixou 2 milhões de inválidos e 300 mil desaparecidos. Os 83 milhões de litros de agente laranja – herbicidas altamente tóxicos – despejados por Washington sobre milhares de hectares do Sudeste Asiático já faz a terceira geração de atingidos no país.


Por Fabíola Perez

 
Vinte anos após a Guerra do Vietnã, Estado tenta reconstruir o país marcado pelo confronto contra os EUA

Com o objetivo de debater as conseqüências do agente laranja deixadas ao longo de décadas na população do Vietnã, ocorrerá entre os próximos dias 7 e 10 de agosto, a 2ª Conferência Internacional das Vítimas do Agente Laranja, e o Brasil será representado pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e pelo Conselho Mundial da Paz (CMP).

Segundo a presidente do Cebrapaz e do CMP, Socorro Gomes, movimentos de todo o mundo estarão reunidos para reivindicar que a ONU se manifeste a favor da indenização das vítimas. “Queremos uma reparação dos danos causados. Os responsáveis devem ser identificados e punidos pelo crime cometido durante a guerra e que se perpetura até hoje”, afirma ela.

De acordo com as estimativas, Washington lançou o produto em mais de 25 mil quilômetros do Sudeste Asiático. Conhecido como agente laranja, o líquido continha grandes quantidades de dioxina, substância cancerígena que causou doenças e incapacidades tanto em soldados quanto em civis. Atualmente, mais de dois milhões de vietnamitas sofrem os efeitos da contaminação em seu organismo.

Socorro lembra que “famílias inteiras foram afetadas”. “Foi uma atitude criminosa, um genocídio contra o povo vietnamita. Houve uma mutação genética que ocasionou diversos tipos de câncer, doenças de pele e de pulmão, incapacidades mentais, entre outras anomalias”, lembra. “Ainda hoje milhares de pessoas continuam sofrendo essas conseqüências. Filhos e netos das vítimas foram afetados pelas mutações”, recorda ela.

Sem responsabilidade

Movimentos e associações vietnamitas cobram dos Estados Unidos uma reparação e uma indenização pelos danos da guerra. A Casa Branca, no entanto, nega a responsabilidade no caso e atribui os malefícios aos fabricantes do produto. Em 2004, as associações de vítimas do Vietnã e dos Estados Unidos entraram com um processo na Justiça Federal de Nova York contra 36 empresas que forneceram o desfolhante. A petição foi negada, em primeira instância, pelo juiz Jack Weinstein.

Para a presidente do Cebrapaz, “o judiciário americano não deu ganho de causa porque daria precedentes para processos em outros países onde o produto também foi lançado”, com na ex-Iugoslávia, no Afeganistão e no Iraque. “A humanidade não pode se esquecer disso. Esse foi um dos crimes pelos quais os Estados Unidos nunca foram julgados, assim como a bomba em Hiroshima e Nagasaki. E os médicos consideram a atual indenização de US$ 18 oferecida pelos Estados Unidos absolutamente insuficiente para manter as vítimas”, enfatiza.

Muitas associações de vítimas sobrevivem, segundo Socorro, graças ao apoio do Estado. “As famílias não têm como se virar, por isso, as associações mantêm escolas, abrigos e hospitais para crianças”, conta. “O Estado está buscando a reconstrução do país e o grande desafio é atingir o desenvolvimento social e econômico, diminuindo a pobreza no campo”, afirma ela.

Além do debate em torno das conseqüências do produto ainda hoje presentes na vida da população do país, Socorro ressalta que o Cebrapaz deverá aproveitar a Conferência para debater a erradicação do uso de armas químicas em conflitos.

Campo minado até hoje

No último dia 1º de agosto, três pessoas morreram no Vietnã devido à explosão de uma bomba da época da guerra com os Estados Unidos no centro do país. O fato ocorreu no sábado em Binh Chau, na província de Quang Ngai, depois que três camponeses encontraram uma bomba de artilharia de 105 milímetros, disse o chefe local da Polícia, Tieu Viet Thanh.

A bomba explodiu quando os três homens, de entre 51 e 57 anos, tentavam desmantelar a bomba com uma serra para vender o ferro-velho. Dois deles morreram no ato e o terceiro pouco depois enquanto era levado para o hospital, segundo a Polícia.

Desde o final da guerra em 1975, por culpa das bombas abandonadas morreram cerca de 40 mil vietnamitas, uma terceira parte deles sucateiros que procuram e desativam bombas para vender o metal. Cerca de 15 milhões de toneladas de bombas foram jogadas durante a guerra, das quais, 10% falharam ao detonar, segundo a organização Renew, dedicada à desativação de explosivos.
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A cada quatro dias, um idoso é roubado por parente

A cada quatro dias, chega ao conhecimento da Polícia Civil da capital paulista uma queixa de idoso roubado por parente ou conhecido. Os casos de cartão bancário usado indevidamente ou empréstimo contraído por familiares lideram o ranking de crimes contra pessoas da terceira idade na cidade de São Paulo no primeiro semestre. Dos 180 registros policiais feitos por idosos 43 se referiam a esse tipo de crime.

Em segundo lugar nas estatísticas de crimes contra pessoas com mais de 65 anos aparecem discussões e xingamentos, com 41 casos, seguidos de agressões físicas (35). Os demais estão relacionados a abandono, maus-tratos, discriminação e má qualidade no atendimento clínico, hospitalar e de planos de saúde. Os números podem ser ainda maiores, pois há quem prefira não levar a história à polícia.

“A maior parte dos extravios de cartões de banco tem a ver com filhos e netos”, diz o presidente do Conselho Municipal do Idoso Marcel Thomé, de 73. Alguns anos atrás, afirma Thomé, parentes se apoderavam até do cartão de ônibus do idoso. “Agora, a Prefeitura mudou o cartão. Mas tinha parente que andava com o cartão do transporte para lá e para cá.”

Segundo Thomé, muitos idosos evitam fazer queixas, porque temem não receber mais visitas da família. “É difícil denunciar o próprio filho.” O Conselho Municipal registra de 20 a 30 denúncias de maus-tratos por dia, média de uma ligação por hora. No fim do mês, são mais de 800 casos. “Há muitos maus-tratos em asilos. Quando é questão de dinheiro pego indevidamente, encaminhamos para delegacias.”
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