A complexa gênese do povo judeu



Descobertas arqueológicas e etnográficas recentes revelam: a idéia de que os judeus seriam descendentes diretos de Moisés, Davi e Salomão é uma farsa ideológica. Como tantos outros povos, eles formaram-se num processo histórico rico e contraditório, que envolve múltiplas etnias e não cabe na descrição religiosa e fundamentalista que ainda prevalece

Shlomo Sand, para Le Monde Diplomatique

Qualquer israelense sabe que o povo judeu existe desde a entrega da Torá [1]no monte Sinai e se considera seu descendente direto e exclusivo. Todos estão convencidos de que os judeus saíram do Egito e fixaram-se na Terra Prometida, onde edificaram o glorioso reino de Davi e Salomão, posteriormente dividido entre Judéia e Israel. E ninguém ignora o fato de que esse povo conheceu o exílio em duas ocasiões: depois da destruição do Primeiro Templo, no século 6 a.C., e após o fim do Segundo Templo, em 70 d.C.

Foram quase 2 mil anos de errância desde então. A tribulação levou-os ao Iêmen, ao Marrocos, à Espanha, à Alemanha, à Polônia e até aos confins da Rússia. Felizmente, eles sempre conseguiram preservar os laços de sangue entre as comunidades, tão distantes umas das outras, e mantiveram sua unicidade.

As condições para o retorno à antiga pátria amadureceram apenas no final do século 19. O genocídio nazista, porém, impediu que milhões de judeus repovoassem naturalmente Eretz Israel, a terra de Israel, um sonho de quase vinte séculos.

Virgem, a Palestina esperou que seu povo original regressasse para florescer novamente. A região pertencia aos judeus, e não àquela minoria desprovida de história que chegou lá por acaso. Por isso, as guerras realizadas a partir de 1948 pelo povo errante para recuperar a posse de sua terra foram justas. A oposição da população local é que era criminosa.

De onde vem essa interpretação da história judaica, amplamente difundida e resumida acima?

Trata-se de uma obra do século 19, feita por talentosos reconstrutores do passado, cuja imaginação fértil inventou, sobre a base de pedaços da memória religiosa judaico-cristã, um encadeamento genealógico contínuo para o povo judeu. Claro, a abundante historiografia do judaísmo comporta abordagens plurais, mas as concepções essenciais elaboradas nesse período nunca foram questionadas.

Quando apareciam descobertas capazes de contradizer a imagem do passado linear, elas praticamente não tinham eco. Como um maxilar solidamente fechado, o imperativo nacional bloqueava qualquer espécie de contradição ou desvio em relação ao relato dominante. E as instâncias específicas de produção do conhecimento sobre o passado judeu contribuíram muito para essa curiosa paralisia unilateral: em Israel, os departamentos exclusivamente dedicados ao estudo da “história do povo judeu” são bastante distintos daqueles da chamada “história geral”. Nem o debate de caráter jurídico sobre “quem é judeu” preocupou esses historiadores: para eles, é judeu todo descendente do povo forçado ao exílio há 2 mil anos.

Esses pesquisadores “autorizados” tampouco participaram da controvérsia trazida pela revisão histórica do fim dos anos 1980. A maioria dos atores desse debate público veio de outras disciplinas ou de horizontes extra-universitários, inclusive de fora de Israel: foram sociólogos, orientalistas, lingüistas, geógrafos, especialistas em ciência política, pesquisadores em literatura e arqueólogos que formularam novas reflexões sobre o passado judaico e sionista. Dos “departamentos de história judaica” só surgiram rumores temerosos e conservadores, revestidos por uma retórica apologética baseada em idéias preconcebidas.

Ou seja, após 60 anos recém-completos, a historiografia de Israel amadureceu muito pouco e, aparentemente, não evoluirá em curto prazo. Porém, os fatos revelados pelas novas pesquisas colocam para todo historiador honesto questões fundamentais — ainda que surpreendentes, numa primeira abordagem.

Considerar a Bíblia um livro de história é um dos debates. Os primeiros historiadores judeus modernos, como Isaak Markus Jost e Léopold Zunz, não encaravam o texto bíblico dessa forma, no começo do século 19. A seus olhos, o Antigo Testamento era um livro de teologia constitutivo das comunidades religiosas judaicas depois da destruição do Primeiro Templo. Foi preciso esperar até 1850 para encontrar historiadores como Heinrich Graetz, que teve uma visão “nacional” da Bíblia. A partir daí, a retirada de Abraão para Canaã, a saída do Egito e até o reinado unificado de Davi e Salomão foram transformados em relatos de um passado autenticamente nacional. Desde então, os historiadores sionistas não deixaram de reiterar essas “verdades bíblicas”, que se tornaram o alimento cotidiano da educação israelense.

Mas eis que, ao longo dos anos 1980, a terra treme, abalando os mitos fundadores. Novas descobertas arqueológicas contradizem a possibilidade de um grande êxodo no século 13 antes da nossa era. Da mesma forma, Moisés não poderia ter feito os hebreus saírem do Egito, nem tê-los conduzido à “terra prometida” — pelo simples fato de que, naquela época, a região estava nas mãos dos próprios egípcios! Aliás, não existe nenhum traço de revolta de escravos no reinado dos faraós, nem de uma conquista rápida de Canaã por estrangeiros.

Tampouco há sinal ou lembrança do suntuoso reinado de Davi e Salomão. As descobertas da década passada mostram a existência de dois pequenos reinos: Israel, o mais potente; e a Judéia, cujos habitantes não sofreram exílio no século 6 a.C. Apenas as elites políticas e intelectuais tiveram de se instalar na Babilônia, e foi desse encontro decisivo com os cultos persas que nasceu o monoteísmo judaico.

E o exílio do ano 70 d.C. teria efetivamente acontecido?

Paradoxalmente, esse “evento fundador” da história dos judeus, de onde a “diáspora” tira sua origem, não rendeu sequer um trabalho de pesquisa. E por uma razão bem prosaica: os romanos nunca exilaram povo nenhum em toda a porção oriental do Mediterrâneo. Com exceção dos prisioneiros reduzidos à escravidão, os habitantes da Judéia continuaram a viver em suas terras mesmo após a destruição do Segundo Templo.

Uma parte deles se converteu ao cristianismo no século 4, enquanto a maioria aderiu ao Islã, durante a conquista árabe do século 7. E os pensadores sionistas não ignoravam isso: tanto Yitzhak ben Zvi, que seria presidente de Israel, quanto David ben Gurion, fundador do país, escreveram sobre isso até 1929, ano da grande revolta palestina.

Ambos mencionam, em várias ocasiões, o fato de que os camponeses da Palestina eram os descendentes dos habitantes da antiga Judéia [2].

Mas, na falta de um exílio a partir da Palestina romanizada, de onde vieram os judeus que povoaram o perímetro do Mediterrâneo desde a Antigüidade? Por trás da cortina da historiografia nacional, esconde-se uma surpreendente realidade histórica: do levante dos macabeus, no século 2 a.C., à revolta de Bar Kokhba, no século 2 d.C., o judaísmo foi a primeira religião prosélita. Nesse período, a dinastia dos hasmoneus converteu à força os idumeus do sul da Judéia e os itureus da Galiléia, anexando-os ao “povo de Israel”. Partindo desse reino judeu-helenista, o judaísmo se espalhou por todo o Oriente Médio e pelo perímetro mediterrâneo. No primeiro século de nossa era surgiu o reinado judeu de Adiabena, no território do atual Curdistão, e a ele seguiram-se alguns outros com as mesmas características.

Os escritos de Flávio Josefo são apenas um dos testemunhos do ardor prosélito dos judeus: de Horácio a Sêneca, de Juvenal a Tácito, vários escritores latinos expressaram seu temor sobre a prática da conversão, autorizada pela Mixná e pelo Talmude [3].

No começo do século 4, o êxito da religião de Jesus não colocou fim à expansão do judaísmo, mas empurrou seu proselitismo para as margens do mundo cultural cristão. Cem anos depois, surgiu o vigoroso reino judeu de Himiar, onde atualmente está o Iêmen. Seus descendentes mantiveram a fé judaica após a expansão do Islã e preservam-na até os dias de hoje. Da mesma forma, os cronistas árabes nos contam sobre a existência de tribos berberes judaizadas: contra a pressão árabe sobre a África do Norte, no século 7, surgiu a figura lendária da rainha judia Dihya-el-Kahina. Em seguida, esses berberes judaizados participaram da conquista da Península Ibérica e estabeleceram ali os fundamentos da simbiose particular entre judeus e muçulmanos, característica da cultura hispano-arábe.

A conversão em massa mais significativa ocorreu, no entanto, entre o mar Negro e o mar Cáspio, no imenso reino Cazar do século 8. A expansão do judaísmo do Cáucaso até as terras que hoje pertencem à Ucrânia engendrou várias comunidades que seriam expulsas para o Leste europeu pelas invasões mongóis do século 13. Lá, os judeus vindos das regiões eslavas do sul e dos atuais territórios alemães estabeleceram as bases da grande cultura ídiche [4].

Esses relatos sobre as origens plurais dos judeus figuraram, de forma mais ou menos hesitante, na historiografia sionista até o início dos anos 1960. Depois disso, foram progressivamente marginalizados e, por fim, desapareceram totalmente da memória pública israelense. Afinal, os conquistadores de Jerusalém em 1967 deveriam ser os descendentes diretos de seu reinado mítico, e não de guerreiros berberes ou cavaleiros cazares. Com isso, os judeus assumiram a figura de éthnos específico que, depois de 2 mil anos de exílio e errância, voltava para a sua capital.

E os defensores desse relato linear e indivisível não mobilizam apenas o ensino de história: eles convocam igualmente a biologia. Desde os anos 1970, uma sucessão de pesquisas “científicas” israelenses se esforça para demonstrar, por todos os meios, a proximidade genética dos judeus do mundo inteiro. A “pesquisa sobre as origens das populações” representa hoje um campo legítimo e popular da biologia molecular, e o cromossomo Y masculino ganhou um lugar de honra ao lado de uma Clio judia na busca desenfreada pela unicidade do “povo eleito”.

Essa concepção histórica constitui a base da política identitária do estado de Israel e é exatamente seu ponto fraco. Ela se presta efetivamente a uma definição essencialista e etnocentrista do judaísmo, alimentando uma segregação que mantém a distância entre judeus e não-judeus.

Israel, 60 anos depois de sua fundação, não aceita conceber-se como uma república que existe para seus cidadãos. Quase um quarto deles não é considerado judeu e, de acordo com o espírito de suas leis, esse estado não lhes pertence. Ao mesmo tempo, Israel se apresenta como o estado dos judeus do mundo todo, mesmo que não eles não sejam mais refugiados perseguidos, e sim cidadãos com plenos direitos, vivendo como iguais nos países onde residem. Em outras palavras, um etnocentrismo sem fronteiras serve de justificativa para uma severa discriminação ao invocar o mito da nação eterna, reconstituída para se reunir na “terra dos antepassados”.

Escrever uma nova história judaica, para além do prisma sionista, não é tarefa fácil. A luz que se refrata ao passar por esse prisma se transforma, insistentemente, em cores etnocêntricas. Mas, se os judeus sempre formaram comunidades religiosas em diversos lugares e elas foram, com freqüência, constituídas pela conversão, obviamente não existe um éthnos portador de uma mesma origem, de um povo errante que teria se deslocado ao longo de 20 séculos.

Sabemos que o desenvolvimento de toda historiografia — e, de maneira geral, as da modernidade — passa pela invenção do conceito de nação, que ocupou milhões de seres humanos nos séculos 19 e 20.

Recentemente, porém, esses sonhos começaram a ruir. Cada vez mais pesquisadores analisam, dissecam e desconstroem os grandes relatos nacionais e, principalmente, os mitos da origem comum, caros aos cronistas do passado. Certamente os pesadelos identitários de ontem darão espaço, amanhã, a outros sonhos de identidade. Assim como toda personalidade é feita de identidades fluidas e variadas, a história também é uma identidade em movimento.


[1] Texto fundador do judaísmo, a Torá é composta pelos cinco primeiros livros da Bíblia, ou Pentateuco: Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio.

[2] Cf. David ben Gurion e Yitzhak ben Zvi, Eretz Israel no passado e no presente (1918, em ídiche), Jerusalém, Yitzhak ben Zvi, 1980 (em hebraico), e Yitzhak ben Zvi, Nossa população no país (em hebraico), Varsóvia, O Comitê Executivo da União da Juventude e o Fundo Nacional Judeu, 1929.

[3] A Mixná, considerada como a primeira obra de literatura rabínica, foi concluída no século 2 d.C. O Talmude sintetiza o conjunto dos debates rabínicos referindo-se à lei, aos costumes e à história dos judeus. Há dois Talmudes: o da Palestina, escrito entre os séculos 3 e 5, e o da Babilônia, concluído no fim do século 5.

[4] Falado pelos judeus da Europa oriental, o ídiche é uma língua eslavo-germânica, com palavras vindas do hebraico

O Dia a Dia de Uma Família Sem Fé

Como é o dia a dia de uma família sem fé

Em um país onde a religião tem grande importância, como será a rotina de famílias que não acreditam em Deus?

Danielle Nordi, iG São Paulo 

Foto: Arquivo pessoal
Cristina prepara o filho Henrique para possíveis situações de preconceito
O Brasil é um país de população reconhecidamente religiosa. Mas não absolutamente: o grupo dos sem religião cresce cada vez mais e, de acordo com dados do IBGE, levantados pela “Folha de S. Paulo”, já chega a 12,8% da população, formando assim o segundo maior contingente de uma mesma “corrente”.


Neste grupo estão incluídos os ateus e os agnósticos. A diferença entre eles é sutil. Os ateus negam a existência de Deus. Já os agnósticos, apesar de muitos também não acreditarem, acham que a questão da existência ou não de Deus não pode ser definida. De qualquer forma, os dois grupos abrem mão do que há de mais presente na vida de uma enorme parcela de brasileiros: a religiosidade.

Mas afinal, como é a rotina de uma família que não acredita em Deus em um país onde a maioria das pessoas tem crenças em divindades? Como lidam com questões morais, sobre a morte e com a constante vigilância dos que desconfiam do caráter de alguém que não guia sua vida de acordo com doutrinas religiosas?
“Já ouvi algumas vezes uma afirmação que considero preocupante. Muitos me dizem que, porque não tenho religião, posso matar ou roubar. Fico espantada. O pensamento inverso é que, se aquela pessoa não tivesse uma religião, seria capaz destas coisas”, conta a psicóloga Iara Hunnicutt, 58, que é agnóstica. Segundo ela, muitas pessoas não conseguem distinguir caráter e religião. “Sempre respondi que qualquer um pode optar por matar ou roubar e depois arcar com as consequências. Mas eu jamais faria isso por que é simplesmente errado e condenável.”
  


A bióloga e professora universitária Cristina Bertoni, 33, também tem seus momentos de questionamentos por parte da sociedade. “Sou gaúcha e vivo na Bahia, onde a religiosidade é muito presente. Meus alunos se chocam com o fato de eu ser ateia e não entendem como posso ser uma boa pessoa. Ética e educação não têm a ver com crenças. Questões de fé me incomodam”, diz.

Filhos
Se os pais passam por situações difíceis por causa de seus posicionamentos diante do assunto religião, será os filhos também enfrentam esse problema? “Uma mãe nunca deseja que um filho sofra qualquer tipo de preconceito, mas isso acontece com frequência. Seja pela cor da pele, preferência sexual ou escolha religiosa. Temos que prepará-los para lidar com essa realidade da melhor forma possível”, explica Cristina, que tem um filho de dois anos e meio.
Iara, mãe de três filhos – de idades que vão de 33 a 37 anos – conta que sempre os ensinou a não debater preferência religiosa. “A minha filha mais velha é ateia e sofre muito mais que eu. Mas a escolha foi dela. Jamais proibi um filho de se interessar por alguma doutrina.”



A bacharel em direito Eliete de Oliveira, 41, mãe de uma garota de 18 anos e um menino de 12, afirma que o mais novo já se interessou pelo espiritismo. “Minha sogra é espírita e ele seguiu, durante um tempo, a mesma doutrina. Não me incomodei. Acho que só seria contra se fosse uma religião que limitasse a vida dele com muitas proibições. O espiritismo não é assim.”
Amigos
Convites para batizados, casamentos, missas, enterros e tantos outros eventos que demonstram a opção religiosa de quem os promove estão presentes, frequentemente, na vida de quem socializa com família e amigos.
Não é diferente com famílias ateias ou agnósticas. Iara aceita tais convites e ensina os filhos que, quando se está na casa de outra pessoa, devem respeitar seus costumes. “Se todos ficam em pé, também ficamos. Se todos sentam, sentamos. Só não rezamos porque não acreditamos naquelas palavras. Mas respeito é fundamental. Por mais que nem sempre nos respeitem”, explica.



Mas há situações delicadas. Ela conta que seus filhos, quando tinham por volta de seis anos, estavam em uma missa e viram uma fila se formar. Sem saber o que estavam fazendo, acabaram comungando. “Muitos ficaram indignados porque eles não tinham confessado. Mas são crianças. Que pecados tão graves podiam ter?”, indaga Iara.
Já Eliete é um pouco mais rigorosa. “Não vamos a eventos religiosos. Só abrimos uma exceção quando minha irmã, que é testemunha de Jeová, casou. Não gosto muito porque as pessoas ficam tentando nos converter. Preciso ficar reafirmando, a todo momento, minha escolha.”
Além de eventos realizados em igrejas, sinagogas e outros templos religiosos, não há como escapar das datas comemorativas celebradas pela população. Natal, por exemplo.
Apesar de ser um feriado com conotação religiosa, muitas famílias ateias ou agnósticas encaram como uma reunião familiar especial para encerar o ano que finda. “É muito difícil se isolar. Se você for pensar bem, muita gente nem sabe o que a data representa. Nós nos juntamos e celebramos a união da família, com uma ceia ótima, claro”, revela Eliete. A bióloga Cristina compartilha das atitudes de Eliete. “Não comemoramos o nascimento de Jesus. Na minha casa, natal é tempo de união e Papai Noel”, diz.
###################################################################################


A ciência do novo Planeta dos Macacos

Natasha

A princípio, parece uma história plausível: um jovem cientista busca a cura da doença de Alzheimer  usando terapia gênica, acidentalmente criando um primata de inteligência excepcional no processo. “Planeta dos Macacos – A Origem”, novo filme da famosa série de ficção científica que estreia nesta semana, se passa em São Francisco (EUA) nos dias de hoje e levanta uma série de questões éticas e científicas envelopadas em duas horas de ação com efeitos especiais.

Para avaliar o filme do ponto de vista científico, o iG convidou para uma sessão exclusiva para a imprensa Marcelo Morales, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que além de estudar terapias gênicas e com células-tronco para fibrose cística, é coordenador do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia, que regula o uso de animais em experiências científicas no país. Junto a ele esteve a primatóloga Patrícia Izar, professora do departamento de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo, que há 21 anos pesquisa o comportamento de macacos-prego no interior de São Paulo e no sul do Piauí.
Veja abaixo os principais pontos levantados por eles, em uma conversa após a sessão:


James Franco, no papel do cientista Will Rodman: exemplos do que NÃO fazer
“Aquele cientista tinha de ser preso”
Apesar dos dois cientistas deixarem bem claro que adoraram o filme, Will Rodman, o cientista interpretado por James Franco, foi alvo de boa parte das críticas dos dois. Todas as ações do personagem foram questionadas, desde levar um animal usado em uma experiência científica para casa, tratar o próprio pai com o remédio que pesquisa e até guardar um vírus na geladeira de casa. “Ele é completamente antiético, faz tudo que um cientista não pode fazer. Coloca em risco não só a si mesmo, quanto ao pai, a família, a vizinhança e até a humanidade”, diz Morales.

Ele explica que testes clínicos são feitos em várias etapas, primeiro com animais, depois com grupos cada vez maiores de seres humanos, até que se estabeleça com certeza a eficácia de uma terapia e seus possíveis efeitos colaterais. “Tudo ali é uma caricatura. Ele seria inclusive preso pelo que fez”. Patrícia corrobora: “É como se fosse aquela coisa dos quadrinhos de antigamente, o cientista maluco”.
Outro ponto é que tipo de animais os laboratórios na vida real usam. Cientistas caçam animais na natureza para usar em pesquisas? “Legalmente, essa prática não existe mais. Você pode até, com autorização, capturar animais selvagens para pesquisas de reprodução e conservação da espécie. Mas isso já aconteceu, sim,” diz Patrícia. “Mesmo porque o próprio estresse da retirada do animal de seu ambiente vai causar tantos transtornos fisiológicos que não vale a pena”, complementa Morales.


Atualmente, camundongos, cobaias, primatas e outros animais são criados em cativeiro, em biotérios específicos, e não podem ser “reaproveitados”, como acontece com o chimpanzé Koba no filme. “Isso é algo que está na Lei Arouca e em todas as leis que protegem animais de pesquisa: uma vez utilizado o animal para o propósito inicial, ele não pode ser mais usado. O estresse que foi causado no animal pode gerar no próximo experimento um resultado alterado”, diz Morales.
O professor da UFRJ também levantou dois pontos de ciência conceitual que considera estar errados, apesar de serem obviamente pontos importantes na trama: como César teria herdado a inteligência de sua mãe, já que a alteração cerebral foi produto de um remédio? “Duas hipóteses: ou a substância alterou seus óvulos ou ela foi tratada já esperando um filhote,” explica. A primeira é pouco provável com o que se sabe de terapia gênica, e a segunda só reforça as falhas de procedimentos científicos dos filmes.

Comportamento dos chimpanzés é humanizado, mas em partes corresponde à realidade
Macaco é mais humano do que se imagina
O quanto os chimpanzés retratados em “O Planeta dos Macacos” são fiéis a todo o conhecimento que se tem sobre primatas? Tirando a licença poética de todas as alterações causadas pela terapia gênica de Rodman, muito dali é real. E mais: parte do comportamento “humanizado” deles é, na verdade, bem animal, segundo Patrícia.
Isso não quer dizer que não existam inverdades. Um animal social como um chimpanzé, quando criado em cativeiro como o protagonista César, teria dificuldades sérias de viver no meio selvagem sem uma adaptação prévia. “Ele não teria aprendido o repertório necessário para viver nesse ambiente, não saberia reconhecer predadores, encontrar e manipular comida. Talvez ele não conseguisse nem subir em uma árvore”, diz.
A formação de grupos de diferentes espécies, como chimpanzés, orangotangos e gorilas também não é plausível, afirma Patrícia. “Somos a única espécie que adquiriu a capacidade de cooperar para além do seu grupo de parentesco”, explica. Outros primatas se focam dentro do seu grupo, defendendo seus membros contra ameaças externas, como na sequência abaixo:
Outros comportamentos, como estabelecer alianças e controlar seus acessos de violência, já estão mais próximos da realidade. Patrícia cita estudos do americano Marc Bekoff, que afirma que o comportamento brincalhão de cachorros e primatas, com suas regras implícitas de não machucar, é o precursor do comportamento moral de humanos. “Não existe violência gratuita no mundo animal. As disputas ali são legítimas: comida, fêmeas, espaço, posição social”, explica.
Os extensos estudos sobre chimpanzés mostram que eles são capazes de se comunicar em linguagem de sinais (por não possuir a estrutura anatômica que permite a fala em humanos), de discernir quem coopera e quem não coopera com eles, e de fazer alianças estratégicas em busca de poder. “Dois podem se juntar contra um terceiro para depô-lo, há traições, é uma política muito similar à humana” descreve Patrícia. “Chimpanzés são uma das poucas espécies que busca guerra. Os machos saem para brigar com outro grupo e chegam a matar. Não tem nenhuma outra espécie que se pareça tanto com o ser humano, para o bem quanto para o mal”.
A caracterização física dos macacos, feita por tecnologia de captura de movimentos semelhantes à da trilogia O Senhor dos Anéis e Avatar, foi elogiada. “Achei interessante os produtores terem respeitado características de movimento como a braquiação dos orangotangos [o transporte de um galho a outro se pendurando pelos braços], os gestos que os chimpanzés usam para pedir. Acho que foram fiéis dentro daquilo que podiam ser,” explicou a pesquisadora, que depois lembra: “Chimpanzés são muito mais fortes que seres humanos, e isso não aparece”.


Filme levanta a questão de como o ser humano trata os animais
Qual a mensagem do filme?
À primeira vista, “Planeta dos Macacos – A Origem” pode ser interpretado como um alerta aos perigos da pesquisa científica. Mas os cientistas consultados pelo iG viram na história uma outra questão: “A ciência é colocada de forma tão caricata que não é o ponto mais importante”, opina Patrícia Izar. “O ponto é o que a espécie humana faz ou pode fazer com outras espécies, principalmente as próximas ao ser humano. Nós devemos capturá-las, colocá-las em exibição num zoológico, mantê-las em casa como uma caricatura do ser humano? Isso tudo serve para refletirmos”.
“Macaco não é animal de estimação. Quem já teve a oportunidade de ver ao vivo um filhote de chimpanzé, ou qualquer macaco, sabe que é difícil não se comover, então dá para entender a vontade do cientista de levar para casa, de cuidar”, pondera Patrícia. “Mas não importa esse apelo sentimental, é uma atitude equivocada. Você salva o bicho, mas o transforma num pet”.
Patrícia diz que os homens deveriam ter um olhar mais respeitoso em relação a outros animais e seus modos de vida. Menciona, inclusive, que existe um movimento que quer dar status de pessoa a grandes símios, como gorilas, chimpanzés, bonobos e orangotangos, entre outros.
Morales concorda: “Não são só os cientistas, e sim o que nós todos fazemos com os animais. Quantos animais nós extinguimos, quantos colocamos em nossas casas, que já não têm mais seu ambiente natural. Mas o que me tocou em várias cenas é a questão do limite, até onde podemos ir com a ciência ou a medicina. Todos nós precisamos reconhecer que temos um limite. Ele deve ser respeito, inclusive pelos cientistas”.
No fim, como os dois avaliaram o filme? Marcelo coloca da seguinte maneira, e Patrícia concorda: “É um filme fantástico, como ficção científica”.

Veja abaixo algumas cenas do filme. "Planeta dos Macacos - A Origem" estreia em 26 de agosto.
Caso não consiga ver o vídeo, clique para assistir na TV iG:
Click no texto abaixo e veja cenas do filme
Cenas de ação de 'Planeta dos Macacos - A Origem'

Crack deixa multidão de órfãos

Um dos efeitos mais devastadores do crack está crescendo silenciosamente no país e com nenhuma atenção especial por parte do poder público. Crianças e adolescentes retirados da convivência dos pais usuários da droga lotam abrigos e casas de passagem à espera de uma família substituta. Na maioria dos casos, o que resta aos assistentes sociais é trabalhar a autonomia dos menores. Poucos conseguem ser adotados.

Somente em Belo Horizonte, pelo menos três casos de filhos de pais viciados em crack chegam por semana à mesa do juiz da Vara da Infância, Marcos Flávio Lucas Padula, para serem retirados do convívio familiar. "A gente percebe que 90% das perdas da guarda estão relacionadas com o crack", afirmou o magistrado.

O diagnóstico do problema é ignorado por órgãos criados para dar assistência aos menores. A Associação Municipal de Assistência Social (Amas), responsável por assessorar os conselhos tutelares da capital, informou que não há um programa específico para tratar dessas crianças nas nove regionais. O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente informou à reportagem que desconhece o volume de ocorrências relacionadas ao tema.

Bruno*, 11, não integra uma estatística oficial, mas faz parte da legião de abandonados. Desde o fim de junho, o menino vive em uma casa de acolhimento no bairro Santa Mônica, na região de Venda Nova. Ele e sua irmã de 14 anos aguardam uma família substituta. A mãe passa os dias nas ruas consumindo crack. Mas isso não impediu que Bruno fugisse de um abrigo anterior, no início do ano, para voltar a viver com ela. "Ele está fazendo um programa de ressocialização, com atividades como futebol, oficinas de lazer e está na escola. Ainda sabemos pouco da história dele, estamos investigando", contou a técnica social Carla Alves, coordenadora do abrigo. O apoio psicológico, quando é feito, é oferecido por meio de parceria com universidades.
Junto com seis irmãos, Rodrigo*, 14, foi retirado de casa pela Justiça. Na residência, ele convivia com o vício dos pais e assistia à venda de drogas. Morando atualmente em um abrigo, o menino diz que sente falta da família e sofre com a distância dos irmãos, também levados para outros abrigos. Rodrigo diz que busca na leitura uma forma de encarar a solidão. E foi nos livros que ele encontrou um aprendizado. "Aprendi que por mais que a vida coloque dificuldades no seu caminho, você sempre vai conseguir superar".

Os nomes foram trocados para preservar as identidades dos menores
Crítica
Especialista defende políticas diferenciadas
A falta de uma política pública para o tratamento diferenciado de crianças órfãs por causa do uso do crack pelos pais, de acordo com o psicanalista e professor de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Guilherme Massara, traz consequências graves para os menores.

O especialista defende um programa diferenciado de acolhimento para os órfãos, já que os transtornos decorrentes da situação de abandono podem criar problemas psíquicos e de desenvolvimento nas crianças. A retirada dos filhos das famílias, de acordo com Massara, é uma solução necessária. No entanto, um novo problema é criado durante o encaminhamento para locais sem estrutura. "Há cada vez mais crianças nessas condições. As políticas estatais têm que valorizar isso, capacitando profissionais, aparelhando as instituições." (FMM)
Mini entrevista com
Marcos Flávio Padula
"Quando os casos chegam para mim, já estão insustentáveis"
Qual o impacto do crack nas decisões de retirada de guarda?Estamos percebendo que, de seis meses para cá,recebemos 12 casos por mês relacionados ao abandono por parte de pais usuários de crack. Começou a aumentar muito recentemente.

Que tipo de caso chega até o senhor? Quando os casos chegam para mim, já estão insustentáveis. Chegam em tal grau de comprometimento familiar que o próprio tratamento se torna difícil. O prognóstico de uma melhora é improvável. Temos uma junta de psicólogos para avaliar isso.

A melhor solução para os menores é o abrigamento? Evidentemente, havendo o mínimo de possibilidade, tentamos o encaminhamento dos pais para programas de toxicômanos. Se há pelo menos alguma perspectiva positiva, vamos tentar. Mas tem que ter um prazo razoável.A criança não pode ficar um ano esperando, sem oportunidade. (FMM)
&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&&


    

Festa de Nossa Senhora do Rosário (Mocambeiro)






A festa conta com a apresentação da Guarda de Nossa Senhora do Rosário e o Candomblé. Durante a festa ocorrem missas, novenas, procissões, coroação dos Reis Congos, levantamento dos mastros e no adro da igreja localizam-se as barracas. No domingo há apresentação das Guardas convidadas e o cumprimento de promessas, quando as pessoas juntamente com a Guarda circulam a igreja.
A festa de Nossa Senhora do Rosário, tem a duração de três dias, sendo no domingo, o segundo dia da festa, a apoteose do evento.

Na comunidade de Mocambeiro a festa, é muito importante para todos que participam de sua preparação, como reis e rainhas, capitães, dançantes, caixeiros e ajudantes. Durante todo o ano os envolvidos desempenham papéis para colaborar com a preparação da festa, arrecadam dinheiro, alimentos, consertam roupas dos integrantes da guarda, os andores com as imagens dos Santos, e nas proximidades da festa, todas as atenções são concentradas para os ajustes finais.

Durantes os dias em que ocorre a festa, acontecem vários movimentos: O levantamento do mastro, que contém a imagem de Nossa Senhora do Rosário e dos Santos de devoção da Irmandade; vários cortejos, tanto com a guarda anfitriã como com as guardas convidadas; a reza do Rosário; as visitas aos Reis e Rainhas e a realização da Missa Conga.

A Missa Conga é uma manifestação recente. Sempre houve missas nas festas de N.S. do Rosário, mas não existiam manifestações “afro” com tambores dentro das igrejas. Não se trata de uma missa com enfeite de congado e sim “uma celebração da memória da paixão de Cristo unida à memória da escravidão do povo negro”. A celebração impressiona e emociona muito quando, no início da missa, o Congado canta diante da porta fechada da igreja.

Festa de Nossa Senhora do Rosário (Matozinhos)




Pequena Capela construída na Praça Santa Cruz onde realiza-se a festa de Nossa Senhora do Rosário. É uma construção simples. Seu interior possui um altar e apenas dois bancos laterais.

Sua construção externa retrata uma tentativa de copiar o estilo das igrejinhas coloniais, com traços orientais, um corpo principal e uma torre sineira central, encimada por uma cruz, em sua frente, uma praça com bancos, jardins e canteiros laterais.

Jubileu






No evento acontece uma novena ao Senhor Bom Jesus, padroeiro da cidade, cujo dia é 14 de setembro.

No Domingo mais próximo ao dia 14 são realizadas missas campais e milhares de pessoas de todo o país comparecem para participarem da festa que acontece na Praça Bom Jesus e encerra-se com a Procissão Motorizada retratando quadros bíblicos.

Na Praça do Rosário ficam diversas barracas de roupas, acessórios, objetos, alimentação e parque de diversões.

""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""""



Festa de Nossa Senhora do Rosário, Rugendas


Fête de Ste. Rosalie, Patrone dês Nègres” (Festa de Nossa Senhora do Rosário, Padroeira dos Negros) – Johann Moritz Rugendas – Da obra “Voyage Pittoresque au Brésil”. – “No mês de maio, os negros celebram a festa de Nossa Senhora do Rosário. É nesta ocasião que têm por costume eleger o Rei do Congo, o que acontece quando aquele que estava revestido dessa dignidade morreu durante o ano, quando um motivo qualquer o obrigou a demitir-se, ou ainda, o que ocorre às vezes, quando foi destronado pelos seus súditos. Permitem aos negros do Congo eleger um rei e uma rainha de sua nação, e essa escolha tanto pode recair num escravo como num negro livre. Este príncipe tem, sobre seus súditos, uma espécie de poder que os brancos ridicularizam e que se manifesta principalmente nas festas religiosas dos negros como, por exemplo, na de sua padroeira Nossa Senhora do Rosário…
… Às onze horas fui à igreja com o capelão e, não demorou muito, vimos chegar uma multidão de negros, ao som dos tambores. Homens e mulheres usavam vestimentas das mais vivas cores que haviam encontrado. Quando se aproximaram, distinguimos o Rei, a Rainha, o Ministro de Estado. Os primeiros usavam coroas de papelão, recobertas de papel dourado… As despesas da cerimônia deviam ser pagas pelos negros, por isso haviam colocado na igreja uma pequena mesa à qual estavam sentados o tesoureiro e outros membros da irmandade negra do Rosário, os quais recebiam os donativos dos assistentes dentro de uma espécie de cofre.”

Festa de Nossa Senhora do Rosário em Oliveira


Festa de Nossa Senhora do Rosário em Oliveira - 

por Ana Luzia da Silva (6o Período/História)



Mais um tempo de Rosário, mais um tempo de cumprir missão.
Para nós Congadeiros de Oliveira é tempo de preparação, para viver o momento sublime de fé divina a Zambi, a Nossa Senhora do Rosário e aos nossos Santos padroeiros.
Quero convidar a todos interessados, estudantes e pesquisadores, aqueles que têm fé e também aqueles que gostam da nossa festa (e também aqueles que dela não gostam), para presenciar esse momento em que a nossa cidade se encontrará em festa.
Programação:
02/08- Levantamento dos Mastros e bandeiras de Aviso
05/09- Desfile do Boi do Rosário pelas ruas da cidade
06/09- Missa Conga na Igreja de São Sebastião
07/09 - Reinado de Nossa Senhora do Rosário
08/09- Reinado de Nossa Senhora do Rosário
09/09- Reinado de Nossa Senhora das Mercês
10/09- Reinado de Nossa Senhora das Mercês
11/09- Reinado Duplo de São Benedito
12/09- Reinado Duplo de Santa Efigênia
13/09- Reinado Duplo de Nossa Senhora Aparecida
14/09- Procissão e descimento dos Mastros e bandeiras de Aviso.
A turma do 6º Período de História da Funedi-UEMG está se organizando para participar do Reinado de Nossa Senhora das Mercês no dia 09/09.

OBS1: Saída da Funedi as 18 h e retorno da Matriz de Nossa Senhora de Oliveira as 23h.
Valor: R$17.00
OBS2: De Divinópolis a Oliveira são 70 Km.
Trajeto:
Chegada na casa da Ana Luzia Rainha Conga de Nossa Senhora das Mercês onde nos dias 08 e 09/09 o reinado do dia se reunirá na casa da mesma e seguirá em cortejo pelas ruas da cidade até chegar no Palanque (montado no centro da cidade) onde é feito a entrega de coroas e a coroação de Reis e Rainhas Grande e de Príncipes e Princesas.

Teremos a companhia de alguns professores como Leandro Pena Catão e Ana Mônica H. Lopes e também de alguns alunos do 2º Período que estarão produzindo um documentário para apresentação na semana do ISED – Instituto de Superior de Educação de Divinópolis.
OBS3: Ainda temos 3 (três) vagas para pessoas do curso, simpatizante e interessados.
Ana Luzia da Silva
6º Período de História
Rainha Conga de Nossa Senhora das Mercês

Festa de Nossa Senhora do Rosário


Foto Elias Ramos /Ascom/PMCAcontece nos dias 3, 4 e 5 de outubro de 2009, na Comunidade dos Arturos – Contagem – MG,  A Festa do Rosário, uma homenagem dos negros a sua santa protetora Nossa Senhora do Rosário.
Uma das festividades mais importantes da Comunidade quilombola dos Arturos, a Festa do Rosário, representa as tradições sagradas seculares mantidas fielmente pelos componentes desta Comunidade. 
A programação extensa inclui missas e festejos como a Festa da Matina, que acontece no dia 4 de outubro, às quatro horas da madrugada. A Festa da Matina representa o momento da primeira oração, o primeiro canto dos Arturos.  No tempo em que o Congado foi proibido pelos Senhores, a festa acontecia de madrugada, no anonimato.  Muitos grupos de Congado foram desfeitos pela proibição, mas os Arturos conseguiram manter as tradições dentro do seu território.  Apesar de atualmente os cortejos externos ganharem mais espaços, os Arturos mantem a Festa da Matina, como um ritual sagrado.
Para homenagear a Santa há também a concentração e desfile das Guardas de Congo e Moçambique da Comunidade dos Arturos e de outras cidades do interior de Minas Gerais, num grande ritual que representa uma importante manifestação cultural do estado de Minas Gerais
O conjunto de todas as tradições sagradas e culturais da Comunidade dos Arturos é símbolo da  herança de uma das mais significativas  comunidades negras do país. 
As atividades acontecem dentro da Comunidade dos Arturos e na Igreja Nossa Senhora do Rosário.  A comunidade fica localizada a 2 km do centro da cidade de Contagem.

Todas as atividades são abertas ao público.

 A COMUNIDADE DOS ARTUROS

A comunidade dos Arturos tem sua origem ligada à história do negro Artur Camilo Silvério, filho de escravo, nascido por volta de 1885, cujo nome tornou-se auto-denominação de seus descendentes, que foram criados unidos em torno da família, da terra e da fé em Nossa Senhora do Rosário.  O grupo familiar habita uma propriedade particular situada no município de Contagem – MG, mantendo viva a memória de seus ancestrais e preservando os ensinamentos recebidos.  A Comunidade mantêm, assim, importantes tradições da cultura negra brasileira, transmitidas de pai para filho, desde aspectos da culinária e do cultivo da terra até a organização da vida comunitária. O modo de ser dos Arturos se expressa fundamentalmente nas manifestações artístico-culturais e celebrações do sagrado que o grupo preserva e recria.  Destacam-se o Batuque, a Festa da capina denominada “João do Mato”,  a Folia de Reis, a Festa da Abolição da Escravatura e principalmente o Reinado de Nossa Senhora do Rosário, uma manifestação muito difundida em Minas Gerais , popularmente conhecida como Congado.  São as festas religiosas que fazem do grupo um universo à parte, quando os Arturos se transmutam em filhos do Rosário.

A FESTA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO

Para os Arturos a Festa do Rosário é uma das fases mais importantes para a vida da Comunidade, representando o movimento máximo do amor à Grande Mãe.

Há dois grupos distintos: A Guarda de Congo e a Guarda de Moçambique.  Pela fundamentação mítica, as guardas se formaram na África, quando uma imagem de Nossa Senhora do Rosário apareceu no mar e, com o toque dos instrumentos do Congo e dos tambores – candombes – e cantos de Moçambique, a imagem se encaminhou até a praia, tornando-se a protetora dos negros.  A caracterização das guardas se prende à estrutura do mito: os moçambiqueiros usam as cores de Nossa Senhora – o azul e o branco – e os congos se vestem de rosa e flores coloridas, representando o caminho de galhos e flores para a Senhora passar.  Indo à frente, o Congo anuncia a chegada dos filhos do Rosário com seus ritmos rápidos e movimentos ágeis, preparando a passagem para o Moçambique conduzir reis e rainhas, representantes de Nossa Senhora do Rosário e demais santos de devoção.

PROGRAMAÇÃO

03 de outubro de 2009.
17h –  Carreata de Nossa Senhora do Rosário
19h30 - Celebração Eucarística

04 de outubro de 2009.
04 h – Festa da matina na Comunidade dos Arturos
07 h – Concentração das Guardas de Congo e Moçambique
09 h – Encontro das Guardas visitantes na “Igreja Nossa Senhora do Rosário”
10 h – Missa Conga
11 h – Desfile das Guardas para a Comunidade dos Arturos
12 h – Almoço das Guardas
13 h – Cumprimento de Promessas na Comunidade dos Arturos
17 h – Procissão de São Benedito / Santa Efigênia e Nossa Senhora do Rosário
19 h – Despedida das Guardas Visitantes

05 de outubro de 2009.
08 h – Concentração das Guardas de Congo e Moçambique
11 h – Celebração Eucarística
12 h – Almoço
16 h – Cortejo para a Igreja “Nossa Senhora do Rosário”
21 h – Encerramento das festividades na Comunidade dos Arturos

PARA CHEGAR A COMUNIDADE:

DE CARRO: Ir do Centro de Contagem em direção ao bairro Alvorada
DE ONIBUS : Descer no final do ônibus 1730 ou 1740

Contatos: (31) 3395 - 8373 / (31) 9182 - 4413 - Jorge
###################################################################################

ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO: O ILUSTRE DESCONHECIDO

reprodução
Manto da Apresentação, de Arthur Bispo do Rosário




No ano em que se comemora o centenário de nascimento e vinte anos de sua morte, espera-se que o Brasil promova uma programação digna da obra artística de Arthur Bispo do Rosário. Espera-se, principalmente, que Sergipe, seu estado natal, faça a sua parte.

Este artigo, estruturado em duas partes, cuja primeira você lê agora, é uma pequena contribuição nas iniciativas alusivas à data.

Arthur Bispo do Rosário é considerado pela crítica um dos principais artistas brasileiros do século XX, saudado nacional e internacionalmente, mas apreciado por um público ainda restrito a intelectuais.

Um dos motivos mais significativos para o reconhecimento de sua importância é que Bispo do Rosário foi um artista de vanguarda, de forma absolutamente intuitiva, sem receber qualquer treinamento técnico, conviver com outros artistas, ler livros especializados ou frequentar espaços de arte.

Começou a produzir, de forma praticamente ininterrupta, a partir dos anos 40, e nesse trabalho incluiu elementos pop, movimento estético que só surgiria na Inglaterra por volta da década de 1960.

Sua genialidade expressa-se na forma como trabalha os elementos, os novos suportes utilizados, a configuração contemporânea de sua arte, a harmonia do conjunto das peças.

Arthur Bispo foi redescoberto a partir do trabalho do crítico Frederico Morais na década de 80, que organizou uma exposição e lançou uma possibilidade de compreensão e sistematização do conjunto da obra. Todavia, Rosário é desconhecido pela maioria do público brasileiro e, curiosamente, também em sua terra natal, Sergipe.

Pode-se pensar, afinal, que muitos grandes artistas plásticos são desconhecidos do grande público no Brasil, pelas características da formação e desenvolvimento educacional da população do país. No caso de Rosário, o que surpreende é que sua obra seja fácil de agradar qualquer observador.

Isso se deve a presença de um forte resultado lúdico nas peças, pelo colorido, formas, referências e pelos brinquedos que elaborou. Ademais a utilização de materiais e objetos do cotidiano possibilita que o apreciador se identifique.

Após o impacto inicial das primeiras exposições, foram escritos artigos, ensaios e trabalhos científicos diversos. Bispo do Rosário virou livro, peça de teatro e vai virar filme este ano, pelas mãos do cineasta Geraldo Motta. Muito ainda terá que ser feito para revelar a grandiosidade de sua produção artística.

NEGRO, POBRE, LOUCO

Arthur Bispo do Rosário, nasceu em Japaratuba – SE, no ano de 1909 (ou 1911, não se sabe ao certo), descendente de escravos africanos.

Em 1925, muda-se para o Rio de Janeiro e torna-se marinheiro. Foi campeão brasileiro e sul-americano de boxe na categoria peso leve pela Marinha.

Em seguida, passa a trabalhar na Light, empresa carioca de fornecimento de energia, e como lavador de bonde e borracheiro. Sofre um acidente de trabalho e resolve ajuizar uma ação contra a empresa, ocasião em que conhece o advogado Humberto Leoni, que passa a representá-lo na demanda judicial.

Começa a trabalhar na casa do advogado, como empregado doméstico, fazendo serviços diversos e residindo no local.

Na noite de 22 de dezembro de 1938, procura o patrão motivado por alucinações que lhe diziam que deveria apresentar-se à Igreja da Candelária. Peregrina pelas ruas, dirigindo-se a várias igrejas. Por fim, chega ao Mosteiro de São Bento, onde declara aos monges ser um enviado de Deus, incumbido da tarefa de julgar os vivos e os mortos.

É preso como indigente e demente, sendo conduzido ao Hospital dos Alienados, um hospício situado na Praia Vermelha. Um mês depois, é transferido para a Colônia Juliano Moreira, no bairro de Jacarepaguá, onde permaneceria por cerca de cinqüenta anos.

Foi diagnosticado como portador de esquizofrenia paranóide - que é um dos quatro tipos principais dessa patologia -, caracterizada pela ocorrência de visões, alucinações, sentimentos de perseguição e em que é comum o doente escutar vozes (FRANÇA, 2007).

A partir desse período, começa a produzir seu trabalho artístico, motivado por um pedido de Deus para que reconstruísse o universo e registrasse a passagem divina pela terra.

Aí, começa a história de Bispo do Rosário como artista plástico.
Estima-se que elaborou cerca de 1.000 peças, que permaneceram como propriedade da Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro, hoje desativada comoo instituição manicomial e transformada no Museu Arthur Bispo do Rosário.

Bispo faleceu em 1989.

Veja obras do artista aqui

REFERÊNCIAS


* FRANÇA, Genival Veloso de. Medicina Legal. Rio de Janeiro: Guanabara, 2007.

Arthur Bispo do Rosário: 50 anos para reconstruir o mundo

Arthur Bispo do Rosário criou um universo particular e ao mesmo tempo universal. É íntimo por partir de motivações profundamente enraizadas no seu subconsciente e alcança o outro na medida em que se concretiza na desconstrução e reconstrução de elementos percebidos e incorporados à vida cotidiana da sociedade de consumo, ao mesmo tempo em que se origina em códigos incorporados à civilização judaico-cristã.

A missão de reconstruir o mundo para apresentar a Deus no dia do juízo final não deixa de encontrar ressonância nos medos, nas culpas, na consciência permanente do pecado que aflige a maioria dos cristãos. Cada um a seu modo procura ou deseja reconduzir e transformar sua vida para o momento de encontrar a divindade, em que não haverá segredo ou dissimulação, ou o momento do juízo final, como Bispo acreditava, em que serão definitivamente separados os bons dos maus.

Daí, estandartes e mantos remeterem possivelmente o observador a aspectos ritualísticos da religião, por mais que se busque afastar a influência ou crença nessa opressão do divino.

O crítico Frederico Morais (apud FARIA, 2004) classificou seu trabalho em: 1) o texto: nos estandartes bordados; 2) as roupas: o Manto da Apresentação e os fardões; 3) os objetos: ready-made mumificados (enrolados por linhas) e construídos (barcos, miniaturas); 4) as assemblagens (ou vitrines, como dizia Bispo).

Rosário recolheu e retrabalhou objetos, fragmentos e restos do mundo industrial. Sua reconstrução era precedida do recolhimento de materiais descartados, encostados, inservíveis, simplesmente encontrados no lixo ou da obtenção de linha pelo desfiar de roupas, inclusive dos uniformes dos internos da instituição psiquiátrica em que vivia, para utilizar em bordados. Limpava o mundo, reciclava-o e reedificava-o.

Há uma preocupação de ordem patente em sua obra, a exemplo de trabalhos como Vassoiras, Planeta Paraízo dos Homens, Sandálias e Peneiras ou Canecas. Reconstruir era também organizar as coisas. Dessa idéia de ordenamento, decorre muito da harmonia estética de sua produção.
 
O artista foi vanguardista em muitos dos sentidos em que essa palavra pode ser usada. Ele reciclou e incorporou objetos ao seu trabalho em uma época em que não havia a preocupação ecológica declarada dos dias de hoje, nem as artes plásticas tinham se apropriado desses materiais.

Fazia-o de modo absolutamente pop, muito antes da pop art da década de 60, o que faz com que seja comparado a Marcel Duchamp (BRAGA, 2001). A relação é fácil de ser pensada. Para tanto, pode-se observar A fonte, de Duchamp, e Vaso Sanitário, de Rosário; ou Ready Made, do primeiro, e Roda da Fortuna, do último.

Foge dos suportes tradicionais, cria objetos tridimensionais, é precursor do que se chama hoje de instalação. Fez isso sem freqüentar escola de arte, ir a museus ou exposições, ler livros, aprender a pintar, a desenhar, a esculpir.

O resultado parece simples, decorativo, despretensioso, lúdico, mas é sempre minuciosamente trabalhado e a concepção é sofisticada e elaborada.

O conjunto de objetos produzidos pode ser tomado como uma narrativa. Segundo Silva (2007), narrativas podem ser realizadas com objetos e imagens colocados em relação e não apenas com palavras. Criando códigos muito próprios, Bispo do Rosário cria uma cosmovisão, conta a sua história e percepção do mundo.

Palavras ou pedaços de frases incorporadas às obras ultrapassam a função de signos lingüísticos, transformando-se em aspectos pictóricos, a exemplo da obra Como é que eu devo fazer um muro atrás da minha casa.

Negando-se a tomar os remédios que lhe entregavam para o tratamento, ele mergulhou no delírio como opção de criação. O preconceito criado pela loucura desse artista pode tentar diminuir a dimensão de sua arte.

Huxley (2002) tratou do uso de drogas alucinógenas como instrumento de abertura da percepção humana. Quantas obras não foram criadas sob o efeito de estados alterados de percepção? Nem por isso essa produção artística é questionada.

Discussões à parte, ninguém pode dizer que, com a sua arte, Bispo do Rosário não honrou sua missão.

Múltiplos Olhares

A obra de Arthur Bispo do Rosário pode ser apreciada sob diversos pontos de vista.

Sob a perspectiva psicológica, possibilita a análise de como as imagens da loucura do artista transportaram-se para os objetos.

Na perspectiva estética, é possível discutir e avaliar sua contribuição para a arte brasileira de vanguarda.

Pela ótica mítica, pode-se tentar recompor o seu universo onírico e buscar traduzir sua simbologia e sua cosmovisão, de significados cristãos e profanos.

  
Há outras abordagens possíveis. O leigo, talvez, prefira apreciar as cores, composições, simetrias e os aspectos lúdicos de sua arte.

No entanto, é impossível não ficar curioso e surpreendido pelo recolhimento e aproveitamento de objetos, pelo esforço colecionador e pela disposição ordenada de coisas, pela profusão e riqueza de detalhes, operados com minúcia e cuidado. Não se pode igualmente negar o seu talento, que se expressa de múltiplas formas e em variados suportes.

Referências

BRAGA, Alfredo. Arthur Bispo do Rosário Michel Duchamp: a reinvenção da arte. Site pessoal do autor. 2001. Disponível em: http://www.alfredo-braga.pro.br/ensaios/reinvencao.html. Acesso em: 25 maio 2008.

FARIA, Fabiana Mortosa. Arthur Bispo do Rosário e seu universo representativo. Revista Urutágua. Maringá, PR, n. 5, dez./mar 2004. Disponível em: http://www.urutagua.uem.br/005/12his_faria.htm. Acesso em: 25 maio 2008.

HUXLEY, Aldous. As portas da percepção. Rio de Janeiro: Globo, 2002.

SILVA, Avani Souza. Arthur Bispo do Rosário: narrador benjaminiano de estórias bordadas em diálogo com a literatura infantil e juvenil. Revista Crioula. São Paulo, maio 2007. Disponível em: http://www.fflch.usp.br/dlcv/revistas/crioula/edicao/01/Artigos/02.PDF. Acesso em: 25 maio 2008.

00000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000000
 
 

A árdua luta contra as drogas



Os indicadores mostram que a sociedade está perdendo a luta contra as drogas, que as providências tomadas pelas autoridades, pelos voluntários e pelas famílias têm sido insuficientes diante do tamanho real do problema. É preciso buscar novas opções e não desistir nunca. As esperanças de muitos dependentes estão depositadas em uma atitude de alguém que ele nunca viu, mas que lhe estende a mão no momento certo, até mesmo uma palavra de apoio. Muitas vezes, a escuridão é tanta que uma simples palavra de incentivo é capaz de iluminar a saída.


A Lei Antidrogas, como mostramos em reportagem publicada hoje, instituída para aliviar o sistema carcerário, por meio de penas alternativas aos dependentes químicos, pouco efeito teve no vasto mundo do crime. O número de prisões quase triplicou, mas o tráfico não recuou. Ao contrário, avançou. Neste mês, a lei que alivia para o dependente e torna mais severas as penas ao traficante, completa cinco anos. Resultado: aumento de 286% nas prisões por tráfico em Minas Gerais. Hoje, internos ligados ao tráfico representam 27,7% da população carcerária.


A solução, como se vê, é difícil, muito difícil. Parece até que estão todos enxugando gelo. Não foi a lei a responsável por estas estatísticas negativas. O legislador tentou o caminho correto, de punir o tráfico com um pouco mais de austeridade. Mas o crime organizado tem driblado as políticas públicas e contratado mais ‘mulas’ para transportar entorpecentes, conseguido atrair os mais incautos e agir em regiões urbanas onde o Estado não se faz presente.


O juiz titular da Vara de Tóxicos de Belo Horizonte, Edison Feital Leite, vai direto ao ponto. O aumento das prisões se deve ao crescimento do tráfico, subsidiado pelo elevado consumo interno: “A pessoa não se intimida mais com o uso do entorpecente. Desta forma, vale a lei da oferta e da procura. Como temos cada vez mais gente usando drogas, o mercado para abastecer esses dependentes químicos cresceu junto.”


Os dependentes existem em todas as classes sociais. Pobres e ricos, emergentes ou não, são atraídos pelas drogas. Muitos entram em uma estrada sem retorno. Cabe à sociedade dar a mão aos que se sucumbem, aos que estão tão perdidos que não encontram a porta estreita da saída. A luz que brota do estalar da pedra de crack não consegue iluminar o caminho de volta.


O pouco que se faz é muito pouco, insuficiente. As unidades terapêuticas para tratar a dependência química, cerca de 300 casas de acolhimento em Minas Gerais, oferecem pouco mais de 4 mil vagas em todas as modalidades – ambulatorial, permanência/dia, internação, abrigo temporário, entre outras.


Especialistas apontam a carência de vagas e o acesso limitado ao serviço como os principais entraves na recuperação dos viciados. Restam os serviços alternativos e o apoio da família e dos amigos. A tarefa é árdua. Mas é preciso continuar. O vício não vem só do crack ou de drogas mais pesadas. Ele está incrustado também no cigarro e no álcool. Existem pessoas mais fracas que sequer conseguem parar de fumar ou beber e necessitam de ajuda.
==========================================================================

Idosos – Violência Financeira ou Econômica

A população está mais longeva, vivendo mais e melhor, graças aos avanços da medicina e tecnologia, o que é muito bom.
Mas, não se imagina o quão elevado é o índice de ocorrências dos casos de violência, afronta e desrespeito aos nossos idosos. E se esses números fossem amplamente divulgados, talvez, se recuperasse o respeito a eles devido.
A violência contra o idoso pode acontecer de várias formas, tais quais, física, psicológica, sexual, abandono, negligência, financeira ou econômica, autonegligência, medicamentosa, emocional e social.
Trago hoje um caso de violência financeira contra um idoso que acabou comprometendo toda a sua família.
A nossa sociedade está cada dia mais capitalista e com o advento da internet, e consequentemente, com a facilidade com que se consegue obter os cadastros, supostamente sigilosos das pessoas, estamos todos reféns do agressivo marketing. Tão agressivo, que se consegue convencer até os mais astutos e precavidos, que dirá os incautos ou desprovidos de malícia, aqui incluídos uma boa parte dos idosos.
E este marketing sabe disso. Sabe inclusive, que a grande maioria dessas pessoas sofre de solidão, e com uma boa dose de atenção e simpatia acabam por convencê-los da necessidade de adquirir seus produtos e serviços.
E foi com essa estratégia que o idoso citado, de 89 anos adquiriu, contra sua real vontade – vencido pelo cansaço e falso encantamento – inúmeras assinaturas de revistas e jornais, e pasmem, uma delas,  assinada em duplicidade, comprometendo sua renda, de forma tão grave, que não tinha como comprar seus próprios remédios.
Quando a família descobriu a situação foi orientada a procurar a Delegacia de Proteção ao Idoso, (se não tiver na sua cidade, procure o Ministério Público que dispõe de Promotoria de Defesa do Idoso) recebendo as informações necessárias para a negociação com as editoras.
Infelizmente, algumas delas se negaram a cancelar os contratos e o PROCON foi acionado, sem prejuízo do ajuizamento de ações no Juizado Especial.
A Lei nº 10.741 de 2008 – Estatuto do Idoso traz em seu bojo os direitos que são assegurados a pessoas com idade igual ou superior a 60 anos e determina as medidas de proteção a essa faixa etária, além das situações que são passíveis de  penalidades.
Muito se fala na gratuidade nos transportes coletivos públicos para as pessoas a partir de 60 anos (em alguns municípios a partir dos 65 anos) e da prioridade nas filas, vagas de estacionamento etc, mas há muito mais. Eles têm desconto de pelo menos 50% nas atividades esportivas e culturais, prioridade na tramitação dos processos judiciais, pelo menos 2 lugares gratuitos por ônibus intermunicipal ou interestadual, para os que auferem renda igual ou menor a 2 salários mínimos e se ocupadas, 50% de desconto na passagem. Vale a pena conhecê-las todas.
O art. 3º do Estatuto diz:
“  É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e a convivência familiar e comunitária”.
Então, cuidemos dos nossos idosos, afinal, lá também se chegará.
Katia Dias Freitas

Katia Dias Freitas é advogada em Brasília
Contato: contato@freitastotolipedrosa.adv.br
»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»»

Violência Contra a Juventude Negra Brasileira

Combate à violência contra a juventude negra e de redução da letalidade nas operações realizadas pelos profissionais de segurança pública e privada

- Dados extraídos do Mapa da Violência 2011, Os Jovens do Brasil (Julio Jacobo Waiselfisz, mapa da violência) revelam que, no total da população, o número de vítimas de homicídios de cor ou raça branca diminuiu em 22,3%, entre 2002 e 2008. Entre os negros (pretos e pardos), o percentual de vítimas de homicídio cresceu em 20,2%, no mesmo período.
- Em 2002, foram vítimas de homicídios, proporcionalmente, 45,6% mais negros do que brancos. Em 2005, pelo mesmo motivo, morreram 80,7% mais negros que brancos e, em 2008, morreram 111,2% mais negros que brancos. O Estado do Paraná foi a única unidade da Federação em que houve mais homicídios contra brancos do que contra negros.
- Entre os jovens (de 15 a 25 anos), os números revelam que a vitimização negra é ainda mais intensa do que no total da população. Entre 2002 e 2008, os homicídios contra os jovens brancos caiu em 30%. Já entre os jovens negros, os homicídios cresceram em 13%. As taxas de homicídios contra brancos caíram de 39,3 (2002) para 30,2 (2008), enquanto as taxas de homicídios contra negros cresceram de 13,2%, no mesmo intervalo. Assim, em 2002, morreram, proporcionalmente, 58,8% mais negros do que brancos e, em 2008, esta proporção passou para 134,2%.
- Entre cem países que disponibilizam dados, o Brasil ocupa um constrangedor sexto lugar no índice de 52,9 homicídios entre cada grupo de 100 mil jovens. Dez anos antes, este índice era de 47,7. Com índices maiores do que o do Brasil, em 2008, há apenas El Salvador, Ilhas Virgens (EUA), Venezuela, Colômbia e Guatemala, nesta sequência. Na América Latina, Cuba ostenta o índice mais favorável, com 6,7.
- Em junho deste ano, o Conselho Nacional de Segurança Pública (CNSP), reconhecendo o crescente número de homicídios de jovens negros, “como resultado do racismo histórico a que a sociedade brasileira infligiu a este grupo étnico”, editou a Recomendação 003, dirigida ao Ministério da Justiça, à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, à Secretaria Nacional de Juventude, à Secretaria Nacional de Direitos Humanos e à Secretaria de Políticas para as Mulheres.
- Algumas das observações então recomendadas pelo CNSP referem-se à necessidade de garantir o desenvolvimento de ações sociais e a liberdade de expressão da juventude negra residente em comunidades onde estão sendo implementadas políticas como a das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), do Rio de Janeiro.
- A Recomendação 003 deu prazo de 30 dias, para a instituição da agenda com soluções e definição de responsabilidades setoriais, no combate à violência contra a juventude negra e de redução da letalidade nas operações realizadas pelos profissionais de segurança pública e privada, desenvolvidas tradicionalmente nos territórios pobres e de maioria negra.
- Outras recomendações referem-se à necessidade de que a polícia desenvolva suas ações de maneira compatível com os princípios do Estado Democrático de Direito, primando pela preservação da vida e respeitando o devido processo legal. Referem-se também à necessidade de combater a impunidade dos homicídios de jovens negros, através do fortalecimento da Perícia Criminal, e à necessidade de realização de ações de combate ao racismo institucional no âmbito das instituições de segurança pública.
- A agenda conjunta com soluções e definição de responsabilidades, recomendada pelo CNSP, que deveria estar pronta até o dia 9 de julho, chegará tarde, porém.
- Antes das soluções, no dia 20 de junho, o menino Juan Moraes, de 11 anos, no território pobre e de maioria negra do Danon, em Nova Iguaçu (RJ), foi atingido mortalmente por balas de fuzil, que teriam sido disparadas por um policial militar, sargento, com o retrospecto de 13 mortes, secundado por outro policial, cabo, com retrospecto de oito mortes, chamadas na linguagem oficial de “auto de resistência”.
- Na mesma operação, foi morto o jovem negro Igor de Souza, 17 anos, apontado pelos policiais como traficante, e baleados os jovens negros Wesley, de 14 anos, irmão de Juan Moraes, e Wanderson de Assis, de 19 anos. Em hesitante processo legal, a perícia criminal tornou-se objeto de inquérito, por confundir o corpo do menino com o de uma menina, e o delegado responsável exonerado.
- Recomendação CNSP 003, de 9 de junho, 11 dias antes da tragédia: profecia ou destino?
Fonte:http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/nossas-lutas/questao-racial/violencia-racial/10462-combate-a-violencia-contra-a-juventude-negra-e-de-reducao-da-letalidade-nas-operacoes-realizadas-pelos-profissionais-de-seguranca-publica-e-privada
==========================================================================