O que você não ouve sobre o Haiti, mas deveria


Prensa Latina


Carl Lindskoog

Nas horas seguintes ao terremoto que devastou o Haiti, CNN, New York Times e outras importantes agências de notícias adotaram a mesma interpretação para a grave destruição: o terremoto de 7 graus foi tão devastador porque atingiu uma zona urbana extremamente povoada e pobre. Casas “construídas umas em cima de outras” e feitas pelo próprio povo pobre fizeram da cidade um local frágil.

Por Carl Lindskoog*, em Opera Mundi

Os muitos anos de subdesenvolvimento e caos político do país fizeram com que o governo haitiano estivesse mal preparado para responder a um desastre desse tipo. É verdade. Mas essa não é toda a história. O que falta é uma explicação do motivo de existirem tantos haitianos vivendo dentro e nos arredores de Porto Príncipe e de tantos deles serem forçados a sobreviver com tão pouco.

Na verdade, até quando uma explicação é dada, muitas vezes é escandalosamente falsa, como o depoimento de um ex-diplomata norte-americano à CNN dizendo que a superpopulação de Porto Príncipe estava prevista pelo fato de que haitianos, como a maioria no Terceiro Mundo, não sabem nada sobre controle de natalidade.

Pode assustar os norte-americanos, famintos por notícias, saber que essas condições que a mídia atribui corretamente ao aumento do impacto deste tremendo desastre foi em grande parte produto da política de Washington e seu modelo de desenvolvimento.

De 1957 a 1971, os haitianos viviam sob à sombra escura de "Papa Doc" Duvalier, um ditador cruel que tinha apoio dos EUA porque era visto pelos norte-americanos como um anti-comunista confiável. Depois de sua morte, o filho de Duvalier, Jean-Claude "Baby Doc", tornou-se presidente vitalício aos 19 anos de idade e governou o Haiti até que finalmente foi derrubado em 1986. Foi nas décadas de 1970 e 1980 que Baby Doc, o governo dos EUA e a comunidade empresarial trabalharam juntos para colocar o Haiti e a capital do país nos trilhos.

Depois da posse de Baby Doc, planejadores norte-americanos dentro e fora do governo iniciaram seus planos de transformar o Haiti na “Taiwan do Caribe”. Este pequeno e pobre país situado convenientemente perto dos EUA foi instruído a abandonar o passado agrícola e a desenvolver um forte setor industrial de exportação orientada. Ao presidente e seus aliados, foi dito que este era o caminho para a modernização e o desenvolvimento econômico.

Planos da Usaid

Do ponto de vista do Banco Mundial e da Agência para Desenvolvimento Internacional dos EUA (Usaid), o Haiti era um candidato perfeito para uma reforma neoliberal. A pobreza enraizada do povo haitiano poderia ser usada para forçá-lo a trabalhar por baixos salários costurando bolas de beisebol e montando outros produtos.

Mas a Usaid também tinha planos para a zona rural. Não eram somente as cidades que se tornariam bases de exportação, mas também o campo, com a agricultura haitiana reformulada com as linhas de exportação orientada e produção baseada no mercado. Para realizar isso, a Usaid, ao lado de industriais urbanos e grandes proprietários, trabalhou para criar instalações de agroprocessamento, mesmo enquanto eles aumentavam a prática de dumping para produtos agrícolas excedentes dos Estados Unidos ao povo haitiano.

Essa “ajuda” dos norte-americanos, juntamente com mudanças estruturais no campo de maneira previsível, forçaram os camponeses haitianos que não poderiam sobreviver ali a migrar para as cidades, especialmente para Porto Príncipe, onde os novos trabalhos na indústria supostamente estariam. No entanto, quando eles chegaram lá, não encontraram emprego suficiente para todos na indústria. A cidade ficou cada vez mais lotada. As favelas se expandiram. E para satisfazer a necessidade de habitação de camponeses desalojados, casas foram sendo erguidas rapidamente e a um preço mais baixo, algumas vezes “umas em cima das outras”.

Muito tempo atrás, porém, planejadores norte-americanos e elites haitianas decidiram que talvez seu modelo de desenvolvimento não funcionaria tão bem no Haiti, e o abandonaram. No entanto, as consequências dessas mudanças lideradas pelos norte-americanos continuam.

Na tarde e noite de 12 de janeiro de 2010, quando o Haiti vivenciou o terrível terremoto, depois do abalo não havia dúvidas que a destruição foi profundamente agravada pela real superpopulação e pobreza de Porto Príncipe e arredores. Mas os norte-americanos chocados podem fazer mais que balançar a cabeça e, com piedade, fazer uma doação. Eles podem confrontar a responsabilidade do seu próprio país pelas condições de Porto Príncipe que aumentaram o impacto do terremoto, e admitir o papel dos EUA de impedir o Haiti de alcançar um desenvolvimento significativo.

Aceitar a história incompleta do Haiti oferecida pela CNN e pelo The New York Times é culpar os haitianos por terem sido vítimas de um esquema que não foi criado por eles. Como John Milton escreveu, “eles, que tiraram os olhos das pessoas, são aqueles que as reprovam por sua cegueira”.

* Carl Lindskoog é ativista da cidade de Nova York e historiador doutorando da City University of New York. Artigo originalmente publicado no site Common Dreams.

Fonte: Brasil de Fato

Eduardo Galeano: O racismo e o assédio contra o Haiti


A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou.

Por Eduardo Galeano, em resistir.info

Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estado-unidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:
– Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:
– Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilómetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objectivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem "uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização". Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: "Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses".

O Haiti fora a pérola da coroa, a colónia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: "O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro".

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino.

Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: "Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos". Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro "pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras".

A humilhação imperdoável

Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolíver, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti.

O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um génio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pénis.

Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indemnização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Fonte: resistir.info

As veias abertas do Haiti


Luciano Rezende *

A terrível catástrofe que abate o Haiti expõe ainda mais suas débeis veias secularmente garroteadas pelas velhas e novas metrópoles que insistem em sugar o seu sangue.

Um país que aparece na mídia de tempos em tempos, quase invariavelmente envolto a infortúnios de todos os tipos, o Haiti é a expressão máxima das consequências da exploração capitalista que desde a época da “sacarocracia” moia o seu povo para produzir o açúcar mais “doce” do mundo. Tão perto dos EUA e da Europa, tão longe do céu.

Em “As veias abertas da América Latina” (aquele mesmo livro que Hugo Chávez presenteou o presidente Obama), Eduardo Galeano faz uma narrativa comovente do país mais pobre do hemisfério ocidental. Escreveu Galeano, no posfácio de 1978, que “Lá existem mais lava-pés que sapateiros: meninos que, em troca de uma moeda, lavam os pés de clientes descalços, que não têm sapatos para engraxar. Os haitianos vivem, em média, pouco mais de trinta anos. De cada dez haitianos, nove não sabem ler nem escrever. Para o consumo interno são cultivadas as ásperas encostas das montanhas. Para a exportação, cultivam os vales férteis: as melhores terras são dedicadas ao café, açúcar, cacau e a outros produtos requeridos pelo mercado norte-americano. Ninguém joga beisebol no Haiti, mas o país é o principal produtor de bolas de beisebol. No país não faltam oficinas onde crianças trabalham a um dólar por dia armando cassetes e peças eletrônicas; são, é claro, produtos de exportação. Também está claro que os lucros são exportados, uma vez deduzida a parte que corresponde aos administradores do terror”. Pouca coisa mudou de lá pra cá.

Hoje, aproveitando-se de mais essa desgraça, os descendentes diretos dos assassinos de Toussaint L’Ouverture aparecem para dar conselhos na “reconstrução” do Haiti. Em 1802, o general Leclerc dava sua opinião sobre o país: “há que suprimir todos os negros das montanhas, homens e mulheres, conservando-se somente as crianças menores de 12 anos, exterminar a metade dos negros nas planícies e não deixar na colônia nem um negro que use jarreteiras”. Os Estados Unidos, que promoveram as piores ditaduras no Haiti, já enviaram ao país um enorme contingente de militares com o claro intento de quebrar a liderança do Brasil à frente das forças de paz da ONU na região. O aeroporto de Porto Príncipe já está sob o controle da força aérea americana.

Por trás do discurso solidário de ajuda humanitária vindo dos mesmos que saquearam o país, soa a hipocrisia assistir os grandes meios de comunicação enfatizar a cada minuto a nacionalidade norte-americana de vários médicos e bombeiros que ajudam nesse momento a população do Haiti (omitindo, por exemplo, a contribuição sistemática e permanente dada por Cuba), sem ao menos mencionar que os Estados Unidos são um dos principais responsáveis pela atual miséria que assola o país. Oferecem ajuda com uma mão para depois roubarem com mil.

O Brasil, liderado pelo governo pacifista do presidente Lula, mais que nunca deve ser o representante da ONU para ajudar a conduzir, juntamente com o governo e o povo haitiano, a reconstrução deste país. Se os EUA assumirem o posto, as forças de paz da ONU, aí sim, se configurarão como força de ocupação. Exemplos pelo mundo afora e no próprio Haiti é o que não faltam.

Os “benevolentes” norte-americanos ocuparam o Haiti durante vinte anos, e ali, nesse país negro que fora o cenário da primeira revolta vitoriosa dos escravos, introduziram a segregação racial e o regime de trabalhos forçados, como bem lembra Galeano.

Através do big stick ou da “diplomacia do dólar” os EUA farão de tudo para tirar proveito de mais essa desgraça que aflige o povo haitiano. Nessa hora, a verdadeira solidariedade internacionalista de todos os democratas, será fundamental para soerguer esse país caribenho do maior de todos os males: o imperialismo estadunidense.


* Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Da direção estadual do PCdoB - MG

No Haiti, miséria da disputa pelo poder sobre os miseráveis


O terremoto que arrasou a capital do Haiti não pôs abaixo apenas prédios e casas, ceifando a vida de dezenas de milhares de haitianos. Ele ruiu as já frágeis instituições de um Estado em permanente crise, corroído pelas dificuldades históricas de constituição de uma nação que emergiu de uma revolução escrava, com população negra e explorada por países ricos.

As imagens de destruição, dor e revolta que vemos na televisão são o ápice de uma situação que já era deplorável, mas ignorada pelo mundo. A catástrofe que atingiu Porto Príncipe colocou o Haiti, seus problemas e seu povo no centro das atenções deste mundo guiado pelo instantâneo.

Antes da tragédia, poucos tinham interesse no futuro do Haiti. A Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti - Minustah - criada pela ONU em 2004 e comandada pelo Brasil, cumpria importante papel na reconstrução desse Estado, como ficou evidente nas últimas eleições legislativas realizadas no país, em 2009.

Agora, com os holofotes voltados para o desastre, outros países saíram da sombra em busca de maior protagonismo no processo de reconstrução do país. Ajuda humanitária, sensibilização diante do sofrimento e da dor, senso de responsabilidade e solidariedade. Pode ser. Mas há também uma profunda disputa política internacional por poder, visibilidade e ascendência no mundo.

Os Estados Unidos são uma peça chave nesse tabuleiro. Já ocuparam e assumiram o controle sobre o aeroporto da capital haitiana, que neste momento é o centro nervoso do poder no país. Isto porque quem controla o aeroporto, controla quem entra e sai do Haiti. Determina quais ajudas receber e quais não receber. Controla o espaço aéreo, comando estratégico para qualquer nação.

O Ministério da Justiça prontamente se pronunciou sobre essa “intervenção” estadunidense. Nelson Jobim fez sua queixa diretamente à secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Sob a tutela dos EUA, o aeroporto já impediu a aterrissagem de aeronaves brasileiras e francesas.

Nunca é demais lembrar que o plano de constituição de bases militares dos Estados Unidos na América Latina vai de vento e popa e, nessa geografia, o Haiti pode ser mais um estratégico ponto de apoio.

Para não dizer que com uma intervenção mais direta os Estados Unidos lustram sua imagem internacional, desgastada por ocupações de destruição. Em particular, ganha Barack Obama que pode, com a missão no Haiti, criar um contraponto à política de seus antecessores e aparecer como o homem da paz – e, quem sabe, fazer jus ao prêmio Nobel recebido.

No próximo domingo, uma teleconferência no Canadá organizada pela ONU vai debater a situação do Haiti e o papel dos países no processo de ajuda humanitária e reconstrução. Não há como deixar de lado os objetivos políticos que cada nação tem nesse processo; seria inocente pensar assim. Mas esses objetivos não podem, de maneira nenhuma, se sobrepor ao objetivo central e número um que é resgatar a dignidade do povo haitiano.


Precisamos cair fora do Haiti






Não há outra expressão para esclarecer o que as tropas brasileiras estão fazendo no Haiti senão aquela versão popular: "está segurando a vaca para os Estados Unidos mamarem".

Os militares brasileiros que acabam de morrer naquele país, vítimas do terremoto que o assolou recentemente, tiveram, infelizmente, uma morte inglória.

O Haiti é a nação maldita pelos países ricos do mundo. Motivo disso foi a sua guerra de independência – a primeira do continente latino-americano. Em vez de uma rebelião de ricos senhores de terras contra a metrópole, o que se viu no Haiti foi uma rebelião de escravos africanos contra a França.

Transgressão desse tamanho não pode ser esquecida, porque o exemplo tem grande potencial desestabilizador. Por isso, tome repressão!

A versão oficial sobre a pobreza do país faz parte desse processo de repressão: "os negros não conseguem se entender e não foram capazes de tocar uma economia açucareira extremamente produtiva que os franceses haviam estabelecido na ilha, na base das "plantations" coloniais". Mentira rematada. O Haiti teria todas as condições de manter-se como uma economia baseada na pequena agricultura de cultivo do café (o melhor do mundo).

A instabilidade política decorre precisamente das intrigas dos países ricos, interessados em explorar a população. Os Estados Unidos, por exemplo, ocuparam militarmente o país de 1915 a 1934 e novamente de 1991 a 1994.

Para se ter uma idéia a respeito da perseguição ao Haiti, basta dizer que a poderosa França exigiu até o governo de Aristide o pagamento de indenização pelos prejuízos sofridos no começo do século XIX em decorrência da insurreição haitiana!

Como um país assim não há de ser pobre?

Corre solta a versão de que os Estados Unidos não intervêm no Haiti para explorá-lo, mas para manter um mínimo de ordem pública dada a incapacidade de auto-governo dos haitianos. Os que a defendem ou agem por ignorância ou por má fé. O que os norte-americanos exploram no Haiti é a mão-de-obra barata.

Para se ter idéia de como é barata essa mão-de-obra, basta ter presente que é grande o número de jovens haitianos que vivem de vender sangue para abastecer de plasma sanguíneo os hospitais de Miami.

A opinião pública brasileira precisa exigir a retirada das nossas forças armadas daquele país. Não temos nada com esse complô de ricos contra o Haiti e não devemos manchar nossas mãos nesse massacre.


Parte da tragédia do Haiti é "Made in USA"


Parte do sofrimento no Haiti é "Feito nos Estados Unidos". Se um terremoto pode danificar qualquer país, as ações dos Estados Unidos ampliaram os danos do terremoto no Haiti. Como? Na última década, os Estados Unidos cortaram ajuda humanitária ao Haiti, bloquearam empréstimos internacionais, forçaram o governo do Haiti a reduzir serviços, arruinaram dezenas de milhares de pequenos agricultores e trocaram apoio ao governo por apoio às ONGs.

Por Bill Quigley, no Huffington Post

O resultado? Pequenos agricultores fugiram do campo e migraram às dezenas de milhares para as cidades, onde construiram abrigos baratos nas colinas. Os fundos internacionais para estradas e educação e saúde foram suspensos pelos Estados Unidos. O dinheiro que chega ao país não vai para o governo mas para corporações privadas. Assim o governo do Haiti quase não tem poder para dar assistência a seu próprio povo em dias normais -- muito menos quando enfrenta um desastre como esse.

Alguns dados específicos de anos recentes.

Em 2004 os Estados Unidos apoiaram um golpe contra o presidente eleito democraticamente, Jean Bertrand Aristide. Isso manteve a longa tradição de os Estados Unidos decidirem quem governa o país mais pobre do hemisfério. Nenhum governo dura no Haiti sem aprovação dos Estados Unidos.

Em 2001, quando os Estados Unidos estavam contra o presidente do Haiti, conseguiram congelar 148 milhões de dólares em empréstimos já aprovados e muitos outros milhões de empréstimos em potencial do Banco Interamericano de Desenvolvimento para o Haiti. Fundos que seriam dedicados a melhorar a educação, a saúde pública e as estradas.

Entre 2001 e 2004, os Estados Unidos insistiram que quaisquer fundos mandados para o Haiti fossem enviados através de ONGs. Fundos que teriam sido mandados para que o governo oferecesse serviços foram redirecionados, reduzindo assim a habilidade do governo de funcionar.

Os Estados Unidos têm ajudado a arruinar os pequenos proprietários rurais do Haiti ao despejar arroz americano, pesadamente subsidiado, no mercado local, tornando extremamente difícil a sobrevivência dos agricultores locais. Isso foi feito para ajudar os produtores americanos. E os haitianos? Eles não votam nos Estados Unidos.

Aqueles que visitam o Haiti confirmam que os maiores automóveis de Porto Príncipe estão cobertos com os símbolos de ONGs. Os maiores escritórios pertencem a grupos privados que fazem o serviço do governo -- saúde, educação, resposta a desastres. Não são guardados pela polícia, mas por segurança privada pesadamente militarizada.

O governo foi sistematicamente privado de fundos. O setor público encolheu. Os pobres migraram para as cidades. E assim não havia equipes de resgate. Havia poucos serviços públicos de saúde.

Quando o desastre aconteceu, o povo do Haiti teve que se defender por conta própria. Podemos vê-los agindo. Podemos vê-los tentando. Eles são corajosos e generosos e inovadores, mas voluntários não podem substituir o governo. E assim as pessoas sofrem e morrem muito mais.

Os resultados estão à vista de todos. Tragicamente, muito do sofrimento depois do terremoto no Haiti é "Feito nos Estados Unidos".

Fonte: Huffington Post, reproduzido por Vi o Mundo

O povo tem força e só precisa descobrir


O poder na política há anos só se restringe à elite. Como o próprio nome diz – Política – Coligações, alianças, interesses e prostituição.

Todos se vendem em troca de algum benefício próprio ou de seu grupo ou partido. Muitos ao ingressarem na política vêm com intuito de ajudar o povo menos favorecido, mas ao se depararem com tanta falcatrua acabam se contaminando com o vírus da corrupção; que ao meu ver contamina 85% dos políticos.

Logo num país belo, de belezas mil, onde tudo que se planta dá, com petróleo em abundância. Um país auto-sustentá vel, no qual o que temos de melhor é importado.

Temos tudo na mão, na mão de uma minoria que está com a maior renda concentrada em suas mãos. Onde os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. O presidente da nossa nação, Luiz Inácio Lula da Silva, vulgo Lula, homem de família, humilde operário sindicalista, que deveria lutar também, se vendeu para virar presidente da nação. Marionete, fantoche patrocinado por empresários à mercê de seus interesses, os donos de banco nunca lucraram tanto na história do seu país em cima do povo.

Um verdadeiro mar de lama, um governo de homens que fizeram coisas piores que os piores bandidos do Brasil. O filho do presidente enriqueceu absurdamente nos últimos oito anos, por exemplo. Mensalões, desvios de verbas públicas, bolsa esmola, assistencialismo barato…

O povo não tem noção do patrimônio adquirido pelos governantes. Quem ousa investigar, ou morre ou é exonerado. E o povo se ilude com o crédito fácil de celular, dvd, tela de plasma e microondas, em dez vezes nas Casas Bahia. E depois reelegem os mesmos sacanas, os mesmos Fernandos Collor, os mesmos Sarneys, os mesmos, povo de memória curta. Os meios de comunicação abafam o caso e contam versões contraditórias e depois não se fala mais nisso.

Quem matou Tancredo Neves ? Onde foi parar o Ulisses Guimarães ? PC Farias, foi queima de arquivo ? Sim.

Existe uma minoria no Brasil formada por empresários que mandam no país, faz o que quer, manipula o Senado Federal, sempre aprova leis em seu benefício e de suas corporações.

Como pode um país tão grande com milhões e milhões de habitantes se deixar dominar por uma minoria ? Vamos acordar meu povo, estão arrancando nossas calças, estão nos esculachando há anos e anos.

Vamos nós mesmos tomar uma atitude!!!

Parar tudo pacificamente, tomar as ruas e tirar todos os safados do poder. O dinheiro é nosso, o petróleo é nosso, o pré-sal também, assim como todo o país, é tudo nosso. Só vamos pegar de volta o que é nosso e nunca nos foi dado.

Cadê o dinheiro do super-faturamento da Cidade da Música ? Devolva tudo, Sr Cesar Maia. Quem comprou a Varig ? E o dinheiro do Mensalão ? As obras do Pan ? E tem muito mais mesmo, quantos bilhões o povo não foi roubado nessa nossa falsa “democracia” ?

Democracia, só se for empresarial.

O poder passa de pai pra filho e não muda nada, desde o tempo dos escravos.

Vamos pegar nosso dinheiro de volta e investir em escolas, melhores hospitais, melhores salários para médicos e professores, casas populares, saneamento básico, emprego e infra-estrutura.

Chega, basta, abaixo a repressão!!!

Se fosse igual na China, onde político ladrão é fuzilado, muito poucos ainda estariam vivos por aqui.

Somos um povo de muitas raças e várias ideologias, mas a cultura de um povo se faz em não aceitar ser roubado pra início de conversa.

Veja os argentinos, nossos rivais no futebol: quando o governo deles extrapola, eles vão pras ruas, batem panela, fazem barulho, param tudo, quem não se lembra do famoso “panelaço” ?

E nós, o que fazemos ?

Nada.

Temos sangue de barata. Vamos dar um basta nisso tudo, vamos nos unir, independente de raça, credo ou classe social. Vamos parar tudo por um dia. Podemos tirar quem quiser do poder pacificamente. O povo tem a força e só precisa descobrir.

Que Deus nos ajude a reverter esse quadro e que o povo eleja homens do povo, chega de figurinhas marcadas, chega de sacanagem.

É tudo nosso!!!

(*) Alexandre Braga é presidiário, tem 36 anos, está aguardando o seu julgamento na 59º DP, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

“Há uma política de apartação social pela violência”


nilo

Nilo Batista é jurista, foi vice governador e Secretário de Estado do Rio de Janeiro na década de 90, além de ser o fundador do Instituto Carioca de Criminologia. Em entrevista publicada orginalmente na revista Caros Amigos de dezembro deste ano, ele analisa a política de segurança pública carioca. Nilo faz duras críticas às ações policiais, acusa as corporações de mídia de incentivarem a violência e chama a responsabilidade política das ações de extermínio para o governador Sérgio Cabral.

Pode comentar a política de segurança a partir da derrubada do helicóptero e da reação do governo?

Pra ser sincero, eu não reconheço nessas atividades uma política pública na qual eu veja objetivos, métodos, metas. O que eu vejo é uma implacável carnificina no entorno do comércio varejista de drogas. O aproveitamento desse fracasso da política de drogas, cuja única utilidade hoje é facultar as oito bases dos EUA na Colômbia, permitir que o comandante da IV Frota afirme candidamente que o único motivo de sua reativação é o narcotráfico, aí todo mundo fica feliz, não há nenhum olhar crítico sobre isso, não tem nada a ver com o pré-sal, com os acontecimentos econômicos do Atlântico Sul, e sim com o narcotráfico. Então, tá. Aliás, qual é mesmo o narcotráfico entre Brasil e África que tá preocupando?

Qual é o foco, então?

Rosa del Olmo demonstrou como a geopolítica permeia toda a questão das drogas. Internamente, trata-se da contenção da pobreza urbana, que é o problema que a desigualdade obscena da sociedade brasileira coloca. Infelizmente, mesmo entre setores da esquerda, acaba prevalecendo um olhar moral, fruto de um preconceito inercial sobre o lumpesinato, que no capitalismo industrial era completamente explicável, mas no capitalismo sem trabalho, no capitalismo onde predomina o trabalho morto, eu não sei como pode permanecer.

Há uma implacável carnificina no entorno do comércio varejista de drogas

As esquerdas acham que as violências policiais contra os inúteis da economia neoliberal nada tem de político. Os desempregados, os inempregáveis, os irremediavelmente alijados, cujas estratégias de sobrevivência são criminalizadas implacavelmente, seriam eles os vilões da história que não acabou? Atrás das trombetas higienistas do “Choque de Ordem” está a mcdonaldização da orla, a repressão do comércio informal popular, dos cocos, picolés, das quitandeiras do Galo ou do Pavão, que serão substituídas até o grande evento turístico-olímpico por assépticos sanduíches transnacionais.

São políticas apartadoras, isso não acena com nenhum horizonte de integração. Qual a proposta do governo? Privatizar o aeroporto, negócios, empreendimentos… Qual a proposta para o povo pobre?

Como essas propostas privatizantes se ligam com essas políticas repressivas?

No Pan, mataram 60 no Alemão. Aqueles 19 no último dia e antes. Nas Olimpíadas quantos vão ser? O prefeito só fala em “vender o Rio”. Qual a idéia para os favelados? É só essa? Estamos falando de política, do destino da juventude pobre, de um sistema penal que participa intensamente da acumulação capitalista, que descrendencia o debate político pelo tolo debate das representações jurídico-penais do fato político.

Não se discute, por exemplo, toda a economia da pena, que está presente nas penitenciárias privadas (construção e gestão) ou nas tecnologias de segurança – por trás dessa proposta há um precioso nicho de mercado, para usar uma expressão do vocabulário neoliberal. É disso que estamos falando. Então convém que a ficha caia rápido para melhorarmos esse debate.

Eu poderia vir com o argumento técnico, “bom, o helicóptero não tinha que fazer aquilo”. Quando eu tinha responsabilidades de comando sobre as polícias do Rio de Janeiro, delegadas pelo governador Leonel Brizola, ele não fazia isso que hoje se faz: “Eu não tenho nada a ver com isso”. Como não? Como o governador do Estado não tem? Como ele entrega a uma gestão tecnocrática um poder que pode matar 20 pessoas num dia, e que mata pelo menos 1.500 pessoas por ano, da mesma faixa etária e extração social?

Como essa máquina pode não estar sob o controle do primeiro mandatário do Estado, em quem a população confiou? Beltrame é um delegado de polícia. Mas quem votou nele? Não é dele a responsabilidade política por estar um helicóptero a disparar sobre uma população indefesa. Eu aprendi, nos anos que passei na polícia, que, salvo honrosíssimas exceções, a notícia “policiais estavam acuados no morro tal” significa que um entendimento não deu certo. Porque, me explica o que dois, três policiais vão fazer sozinhos numa “boca”?

Já reparou que toda pessoa ferida que a PM leva para um hospital já chega morta? Vai cair a ficha, algum dia, que isto é uma rotina? Ou, estatisticamente, nossa PM seria a instituição mais desafortunada do mundo no campo do socorro a feridos?

O secretário José Mariano Beltrame dizia que esse é um problema de médio a longo prazo, que só vai ser resolvido a partir da instalação de mais UPPs.

Quer dizer que ele vai resolver com UPPs. Olha aqui, a coisa precursora das UPPs era chamada PPC – Posto de Policialmente Comunitário. O que a experiência comprovou é que, se você bota o PPC ali, ele vai ter que dialogar, e se estamos falando de uma atividade econômica importante para aquela comunidade, ou o PPC se incorpora ou ele vai ter que fechar o olho, não vai ter jeito.

As dez famílias que no Brasil detêm o monopólio do discurso adoram matadores

Se a idéia é como ocupação colocar permanentemente uma força nessas comunidades, a proposta é completamente autoritária. Você quer acabar com a infância dessas crianças? Elas moram num país, numa cidade ocupada? É uma experiência que não está avaliada, que sempre começa muito mal, sempre de maneira sangrenta, porque a Pacificação começa com os óbitos, e depois fica aquela coisa de fachada, a capitã boazinha…

Até quando vamos apostar em soluções policiais? Quando foi, onde foi que soluções policiais resolveram problemas? Havia, nos anos 1930, nos EUA, uma enorme crise de segurança pública. Foi uma solução policial ou foi a legalização da droga ilícita que deu uma acalmada?

Esse discurso do Beltrame é muito parecido com o do Cabral no início do governo, em 2007, quando dizia que era preciso passar um tempo de estresse, efeitos colaterais, mas só assim pra resolver o problema.

Estamos caminhando para o final do governo e foi assim o tempo todo; ele gosta de dizer estresse, em vez de genocídio, matança, extermínio… Foi muito, muito estresse! Mas estão bem. Porque matadores estão sempre bem com a grande mídia. As dez famílias que no Brasil detêm o monopólio do discurso público adoram matadores. E eu não estou falando isso para o Beltrame, a responsabilidade política não é dele.

Então, essa declaração de que a queda do helicóptero foi nosso 11 de setembro…

Dá uma idéia disso que estou falando. Totalmente despropositada.

Parte da direita costuma usar muito o exemplo o Tolerância Zero, de Nova York.

Quem dá esse exemplo é um ignorante. Nos EUA todos houve estabilização dos indicadores criminais nos anos noventa graças a cinco fatores: pleno emprego, redução demográfica da população de 15 a 24 anos… Os outros estão explicados em Loic Wacquant, quem quiser é só pegar pra ler. Isso foi nos EUA todo, só em Nova York o Giuliani ficava falando em Tolerância Zero. O único efeito comprovadamente ligado a essa bobagem do Tolerância Zero foi o aumento do controle e da violência policial contra os pobres.

Vi uma reportagem na TV Record mostrando uma arma de um policial que falhou, ele pedia ajuda, e a câmera filmando tudo. Quando voltou para os apresentadores, eles comentavam o absurdo de armas obsoletas, que situação a da polícia, e o poder dos traficantes cada vez maior, até derrubaram um helicóptero. Levando a crer que os traficantes varejistas tem um poder muito maior que a polícia.

Esse discurso é tão velho… Eu já ouvi mais de cem vezes. É uma maneira de chamar mais violência contra as classes populares, essa coisa de dizer que os grupos são mais armados que a polícia. Isso não é verdade, nunca foi. O problema é que eles conhecem mais o terreno, eles tem mais a simpatia da população – nem sempre, mas majoritariamente. Mas até no Alemão, se o Bope quiser ele entra. O resultado vai ser um grande número de crianças mortas, velhos mortos, mas entra. Agora, a Constituição, no seu artigo 144, determina o compromisso da polícia com a vida, e não com a morte. Aquele pessoal que se reuniu em 1988: “A segurança pública é exercida para a preservação da ordem pública e para a incolumidade das pessoas”. Não é pra matar, não. É pra salvar. Só que no Rio de Janeiro parece que vigora a Constituição de outro país.

Por que esse debate sobre as facções não está nas corporações de mídia?

Porque esclareceria tudo, ajudaria a análise. É preciso estudar essas organizações populares ilícitas. Em São Paulo, a academia está estudando o PCC, que tem responsabilidade direta no decréscimo dos homicídios. Não é tudo igual. O fato de disputarem o mesmo negócio ilícito não significa que sejam todas a mesma coisa. A coisa que mais me surpreendeu, quando eu tava no governo, foi descobrir quem é o cara que decidia: “agora a polícia vai nesse morro”. Qual o critério? Procurei estabelecer critérios objetivos. Que resistência… Que resistência. Tem que ter critérios objetivos. Caso contrário, sequer compreenderemos os conflitos em curso.


“Eu sou um artista de rua, eu não sou um músico”


rene_perfilTodo dia ele está lá cantando no meio da multidão, em frente à Escola de Música, próximo aos arcos da Lapa, lugar tradicional da cultura carioca. Renê Silva Santana, 26 anos, saiu de casa com 15 anos, no interior de Minas Gerais, passou por São Paulo e hoje mora nas ruas do Rio de Janeiro, onde sobrevive interpretando músicas com seu violão e um amplificador para o microfone. Para ele, muitas pessoas passam e lhe tiram até para maluco, por causa dos preconceitos, mas nem por isso se desconcentra do show que faz diariamente para comprar o seu pão de cada dia.

Como se deu a sua ligação com a música?

As pessoas passam e acham que eu sou músico né, mas não é o meu caso. Eu sou mochileiro, viajo o Brasil. Eu resolvi entrar nesse lance de música para sobreviver, para não ser mais um na rua pedindo às pessoas 1 real. Eu arrumei esse jeito de pedir, mas o meu sonho não é ser músico. Essa é uma coisa totalmente fora, eu não planejei nada, até porque eu não gosto de fazer isso, faço para ganhar dinheiro.

Mas você sabe tocar, aprendeu como?

Sozinho no mundo, fazendo intercâmbio. Eu sempre tive um violão, aí quando eu encontrava alguém que tocava eu perguntava como é que se faz um acorde e fui pegando. Aprendi há uns cinco anos. Eu sou aventureiro, eu sou de Minas, do campo, nem mexia com música, mas de lá comecei a viajar. Passei por São Paulo, alguns lugares em Minas e Rio de Janeiro. Tem uns 10 anos que eu saí de casa, tudo me virando com a música. Sempre gostei de violão, um hobby.

Nesse tempo você só se sustentou com a música?

Não, eu vim fazendo bicos, trabalhando em obra, e depois fiquei totalmente desempregado. Eu ganhava um valor relativo, que se eu trabalhasse para mim era o mesmo valor que eu tirava em qualquer trabalho. Então eu resolvi sobreviver com a música mesmo.

Você só toca aqui na Lapa?

As pessoas às vezes me chamam para tocar, mas eu não vou porque eu sou sincero: eu não sou músico, você tá me vendo aqui e achando que eu estou tocando legal, mas não é, talvez porque você não entende de música. Uma pessoa que entende mais sabe que o que eu estou fazendo não tem nada certo, isso aqui é para sobreviver cara.

rene_ruaRenê cantando e tocando em frente à Escola de Música, na Lapa. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Para ele ser músico mesmo, o cara tem que estudar, fazer uma partitura, saber ler partitura. É lógico que se o cara tiver de ir para o sucesso com isso ele vai, porque hoje em dia quem sabe muito não significa nada. Muitas pessoas falam: o que você faz nem um músico profissional mesmo que toca faz, você mete a cara. Mas isso por quê? Por causa da necessidade. Ele não passa necessidade, então ele jamais vai vir ele sendo um bom músico. Fazer isso que eu estou fazendo, acho que para eles é até um ato de humilhação; os caras são feras na música…

Você já teve interesse de entrar aí na Escola de Música?

Não, não tem nada a ver comigo.

O que você gostaria de fazer profissionalmente?

Nada cara, eu não estudei, tenho só a 4ª série, não tenho sonho nenhum. Essa é a única maneira deu trabalhar, de não ser só mais um auxiliar que é tudo o que eu faço. Minto, eu tenho um sonho: gostaria de fazer turismo, para viajar, ser guia, fazer intercâmbio, mas como eu não estudei fica no ar o sonho.

Para mim o que tem mais valor é o que eu sei fazer, eu toco pouco violão mas é uma coisa que está comigo e eu dou valor. Se eu morresse aqui agora, eu levaria comigo, ninguém teria como usar mais, só eu mesmo

Como você descolou esse equipamento?

Comprei, trabalhando na obra. Tive outro, agora estou vendendo esse, tá vendo? (o amplificador está com anúncio de vende-se)

Você está há quanto tempo parando na Lapa?

Deve ser um ano e meio, todo dia, só não venho quando chove. Eu fico umas 5 horas, de 1 da tarde até as 6 horas. Aqui é um local que passa pouca gente, mas também ninguém implica. A prefeitura andou implicando comigo há uns meses atrás na zona sul, exigindo a licença para tocar em local público. Se você for cadastrado creio que paga alguma coisa por ano, mas é mixaria, compensava se fosse fácil, porque você trabalhava tranquilo.

Eu escolhi a Lapa por causa da tranquilidade, não tem nada a ver com a região cultural. Eu nunca trabalhei na Carioca (local no centro da cidade, de grande circulação), por exemplo, eu só tô aqui para tirar o meu almoço e a passagem para mim levar as minhas coisas até certo lugar. Eu não estou aqui para ficar rico, por isso que eu não esquento a cabeça. Não penso se vou comprar isso ou aquilo, pra mim o que vale é o que a gente aprende. Para mim o que tem mais valor é o que eu sei fazer, eu toco pouco violão mas é uma coisa que está comigo e eu dou valor. Se eu morresse aqui agora, eu levaria comigo, ninguém teria como usar mais, só eu mesmo.

Você arruma quanto por mês e mora aonde?

Não dá para tirar nada, cara. Tem dia que eu tiro 15 reais, outro que eu tiro 20, é um dia pelo outro. Eu moro na pista, mas eu arrumei um lugar para guardar essas paradas. Antes eu não tinha, me roubaram tudo.

Você não considera uma arte isso que você faz?

Pode até ser uma arte. Sabe uma parada que você é totalmente contra: eu tô aqui, mas não queria estar. As pessoas passam ali, te vêem tocando, acham que o cara tá feliz da vida, viu o passarinho verde hoje, não é. Eu tô aqui, mas já tô doido para ir embora. Tá vendo aqui? (Renê mostra a ponta dos dedos cortadas, por dedilhar as cordas). Isso dói pra caralho, é tudo de violão, fica latejando. Se eu pudesse largava isso aqui agora e ia embora.

rene_criancaRenê tocando e uma criança, que ficou dançando em certo momento, curiosa com o seu trabalho. Foto: Eduardo Sá/Fazendo Media.

Pode até ser imbecilidade minha, acho que tem um preconceito na sociedade para você arrumar um emprego. Se você não chegar num estabelecimento procurando um emprego com alguma indicação eu acho que, em geral, isso não rola. No meu caso eu tenho muita dificuldade de arrumar emprego, por causa da falta de estudo e também não tenho profissão nenhuma. Por mim eu estaria num trabalho legal, mas eu sei que qualquer trabalho que eu arrumar eu não tenho estrutura para ganhar pelo menos 1.500 reais por mês. Qualquer trabalho que eu arrumar vai ser de auxiliar e vou ganhar um salário. Se for para eu me humilhar para os outros, eu me humilho para mim mesmo, no fim do mês se eu juntar a minha prata eu tenho isso.

Você já foi chamado para tocar aonde?

Em festa de aniversário, de final do ano, hoje mesmo passou um cara aqui e quer que eu vá domingo (10/01) tocar num churrasco lá em Botafogo. Mas eu acho que nunca fui, domingo agora se ele me chamar eu acho que vou, até porque estou precisando de dinheiro.

E alguma casa de show, você foi chamado?

Já, mas não rola. As pessoas acham que é legal, mas não é bem assim. Música, o pouco que eu entendo, não é bem assim, é uma coisa complicada.

Qual tipo de música que você mais toca?

Pop Rock, eu escolhi um timbre que cabe na minha voz. As pessoas falam que eu canto bem, não é. Eu escolhi um estilo que pega a minha a voz, eu não vou cantar todo tipo de música. Para mim, ouvir eu ouço tudo, mas para tocar eu procuro sempre as mais fáceis, tipo Jota Quest, Paralamas, Capital Inicial, Reggae também e Cidade Negra.

Como você vê a recepção da sociedade às suas músicas?

Foi o que um amigo meu falou ontem: eu sou um artista de rua, eu não sou um músico. O músico é diferente, eu não tenho nenhum objetivo com a música, é só pra comer mesmo. Se acontecesse para mim era lucro, se chegasse alguém dizendo que me levava e pagava as coisas. Mas eu vou deixar bem claro para ele que não é isso o que eu quero, para ele não perder o tempo dele. Muitas pessoas já quiseram, você canta na banda e tal, eu vi que os caras queriam uma parada séria e eu vou atrapalhar eles porque eu não quero isso.

Prêmio para trabalhos de valorização da cultura afro-brasileira


Estão abertas as inscrições para o 1º Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras. O objetivo da premiação, oferecida pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves (Cadon) e a Fundação Cultural Palmares (FCP), do Ministério da Cultura, é financiar projetos que valorizam a cultura afrodescendente e suas manifestações contemporâneas.

Segundo o diretor da Fundação Palmares, Elias Lopes, o prêmio é resultado da demanda dos próprios artistas que já desenvolvem trabalhos na área. O prêmio vai fazer com que os artistas tenham seu trabalho reconhecido e incentivado.

A banca julgadora, composta de nove especialistas indicados por órgãos públicos e a sociedade civil, foi escolhida por meio de votação aberta ao público.

O prêmio, de R$1,1 milhão, será distribuído igualmente em três segmentos nas cinco regiões do país. Em cada uma, serão contemplados dois projetos de artes visuais, um de teatro e um de dança.

O Prêmio Expressões Culturais Afrobrasileiras foi concebido em 2006, após o 2o Fórum Nacional de Performance Negra, realizado no Teatro Vila Velha, em Salvador (BA), cujo destaque principal de temas debatidos girou em torno da falta de elaboração de editais públicos e das linhas de financiamentos, direcionadas exclusivamente para o desenvolvimento de artistas, grupos e companhias que trabalhem com a produção artística de estética negra, a fim de valorizar a cultura afrodescendente e suas manifestações contemporâneas, potencializando tanto as ações de grupos já estabelecidos no Brasil, quanto as dos grupos emergentes.

Serviço:
As inscrições serão encerradas no dia 5 de março e podem ser feitas apenas no sitewww.premioafro.org

Boris Casoy e Band são processados por caso dos garis



Silvia Dalben - Portal UAI
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Divulgacao/Ag. O Dia

Depois dos comentários "infelizes" de Boris Casoy sobre garis, o apresentador e a Bandeirantes serão processados. A Fenascon - Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação, Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes - está movendo uma ação civil que, de acordo com o Portal Imprensa, foi registrado no Fórum João Mendes, em São Paulo.

O processo é uma resposta a um comentário do jornalista que ganhou repercussão nacional através do Youtube. Numa mensagem de fim de ano com garis, exibida no Jornal da Band, no dia 31 de dezembro, vazou o áudio em que Boris falava:

"Que m... Dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras. Dois lixeiros... o mais baixo da escala de trabalho".

O vídeo ganhou tanta repercussão que o próprio Boris Casoy pediu desculpas ao vivo no Jornal da Band do dia 1º de janeiro.

"É lamentável que isso ocorra contra uma categoria que faz um trabalho essencial para a sociedade, que faz a limpeza, ajudando a evitar enchentes", disse o advogado Francisco Larocca, da Fenascon, ao site O Fuxico. "Foi de uma irresponsabilidade muito grande. Tem que haver reparação".



Assista ao vídeo com a ofensa de Boris Casoy aos garis



Assista ao vídeo com o pedido de desculpas de Boris


Altamiro Borges: Boris Casoy despreza garis e Lula


O preconceito de classe do “jornalista” Boris Casoy não se manifestou apenas contra os garis, que foram humilhados no Jornal da Band na virada do ano. Esse ódio de classe ficou ainda mais explícito na gestão do presidente Lula.

Por Altamiro Borges

O preconceito de classe do “jornalista” Boris Casoy não se manifestou apenas contra os garis, que foram humilhados no Jornal da Band na virada do ano. Na ocasião, um vazamento de áudio permitiu ouvir a sua frase elitista: “Que merda. Dois lixeiros desejando felicidades... do alto das suas vassouras... Dois lixeiros. O mais baixo da escala do trabalho”. Na seqüencia, ele até pediu desculpas, com cara de sonso, pelo “vazamento”, mas não por suas idéias discriminatórias.

Direitista convicto, acusado de ter integrado o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) durante os anos de chumbo da ditadura militar, Boris Casoy sempre teve “nojo de povo” – como o ex-presidente João Batista Figueiredo. Ele sempre atacou os trabalhadores e suas lutas por direitos. Esse ódio de classe ficou ainda mais explícito na gestão do presidente Lula – não por seus erros e limitações, mas sim por seus méritos, como as políticas de inclusão social. Para este capacho das elites, era totalmente inadmissível um operário, ex-sindicalista, ocupar o Palácio do Planalto.

Serviçal dos demos no impeachment

Durante o chamado “escândalo do mensalão”, o banqueiro Jorge Bornhausen, presidente do ex-PFL, atual demo, chegou a cogitar que Boris Casoy liderasse o pedido de impeachment de Lula. A coluna “Painel” da Folha de S.Paulo registrou a tramóia em 9 de abril de 2006: “A oposição já busca na sociedade civil um nome para encabeçar o pedido de impeachment de Lula, assim como Barbosa Lima Sobrinho fez com Fernando Collor... Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça de FHC, e o jornalista Boris Casoy estão cotados para subscrever a peça [do impeachment]”.

Dias antes, em 28 de março, no mesmo veículo golpista, Casoy já havia pregando a derrubada de Lula. O artigo parece ter sido encomendado por políticos mais sujos do que pau de galinheiro, como Bornhausen, o falecido ACM e o governador Arruda. Intitulado “É uma vergonha”, ele era raivoso e mentiroso: “Jamais o Brasil assistiu a tamanho descalabro de um governo... Há, desde o tempo do Brasil colônia, um sem número de episódios graves de corrupção e incompetência. Mas o nível alcançado pelo governo Lula é insuperável... Todos os limites foram ultrapassados; não há como o Congresso postergar um processo de impeachment contra Lula”.

Lula não caiu; e Casoy?

Metido a mentor da oposição de direita, Casoy ainda tentou pautar os políticos, exigindo pressa na ação golpista. “O argumento para não afastar Lula, de que sua gestão vive os últimos meses, é um auto-engano”. Serviçal dos barões da mídia, ele também explica uma das razões do seu ódio. “Lula passará à história como alguém que procurou amordaçar a imprensa”. E insistia: “Neste momento grave, o Congresso não pode abdicar de suas responsabilidades, sob o perigo de passar à história como cúmplice do comprometimento irreversível do futuro do país. As determinantes legais invocadas para o processo de impeachment encontram, todas elas, respaldo nos fatos”.

A escalada golpista não obteve sucesso. Lula foi reeleito e hoje goza de popularidade recorde. Já o “jornalista” Boris Casoy, que gritou pelo impeachment, corre o risco de ser defenestrado. Alguns setores da sociedade já exigem o “impeachment” do âncora do Jornal da Band! Outros propõem, com base nos artigos da Constituição que condenam qualquer tipo de discriminação, que ele seja obrigado a prestar serviços comunitários, varrendo ruas, como forma de se redimir pela agressão aos garis. O seu preconceito de classe não diminuiria. Mas, ao menos, seria muito divertido!

Entidades dos Garis movem três ações contra Boris Casoy e Band


Jornalista será processado criminalmente e Band também terá que responder na justiça; garis que apareceram no noticiário passaram dias escondidos, com vergonha


Divulgação/Band

Boris Casoy e Band terão que responder na Justiça

O Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores de Empresa de Prestação de Serviço de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo) e a Fenascon (Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes) informaram ao R7, por meio de sua assessoria, que entraram com três ações judiciais nesta quarta (6/1) contra o jornalista Boris Casoy e a Band.

As ações foram motivadas pelos comentários feitos pelo jornalista no Jornal da Band do último dia 31, quando ele ofendeu em rede nacional toda a categoria de trabalhadores.

Francisco Larocca, advogado dos dois órgãos de representação responsáveis pelas ações, ambos presididos por José Moacir, afirmou que deu entrada aos processos nesta quarta (6/1), no fórum João Mendes, na Sé, região central de São Paulo. Ele explicou as ações: "nós vamos propor uma ação civil pública para indenização por danos morais em favor de toda categoria em âmbito nacional contra a Band e o Boris Casoy, já que o comentário do âncora foi ouvido por todo o Brasil. Também vamos entrar com uma ação de reparação civil contra o Boris e a Band em nome dos dois garis que apareceram na reportagem e que foram ofendidos, Francisco Gabriel e José Domingos de Melo, ambos trabalhadores de São Paulo. E também vamos mover uma ação criminal contra o jornalista Boris Casoy por crime de preconceito".

O advogado informou que prefere não estipular o valor da indenização e deixará isso nas mãos do juiz. Ele informou que há cerca de 360 mil trabalhadores da limpeza urbana em todo o Brasil, que ganham um piso em torno de R$ 800. " Prefiro esperar que os juízes analisem e mencionem qual seria o valor cabível. Vamos deixar essa questão para os magistrados".

Dr. Francisco Larocca ainda afirmou que os garis brasileiros não se deram por satisfeitos com o “tímido pedido de desculpas feito pelo jornalista no dia seguinte”. "O pedido de desculpas só não basta. De jeito nenhum. Ele faz uma ofensa daquelas de depois faz uma desculpa burocrática e de forma tão tímida? Não estamos preocupado só em valor financeiro, que será destinado ao fundo dos trabalhadores. Nós queremos uma retratação judicial. É muito simples ofender e depois pedir desculpas".

Ainda segundo o advogado, os garis Francisco Gabriel e José Domingos de Melo passaram o primeiro fim de semana de 2010 recolhidos em suas casas, com vergonha da humilhação pública a que foram expostos.

A assessoria de imprensa da Band informou que não comentará o caso até que seja notificada judicialmente. O portal R7 realiza uma enquete sobre a justeza da ação que o sindicato e a federação dos garis pretendem mover.

Da redação, com R7

Nação Hip-Hop Brasil realiza seu 3º Encontro Nacional


Jovens de todo o país iniciam os preparativos para o 3º Encontro Nacional da Nação Hip Hop de São Victe (SP). O evento será realizado entre os dias 28 a 31 de janeiro de 2010, mas as reuniões preparatórias já estão acontecendo.

Oficinas e workshops ensinarão ao público novas formas e jeitos de dançar break, grafitar, manipular os toca-discos e a arte de rimar

O encontro está sendo construído por DJs, MCs, Breaking, Grafiteiros, Imprensa, Beat Boxing, Pichadores, Bikering, Skating e Rolering. Segundo André Cardoso, um dos articuladores e membro do site www.derua.com.br, qualquer pessoa que vê no Movimento Hip Hop, uma forma de dialogar com a juventude e transformar a sociedade é bem-vinda.

Encontro da Nação Hip Hop

A Nação Hip-Hop Brasil, entidade conceituada do hip hop, foi quem escolheu São Vicente como sede do 3º encontro nacional. Segundo os organizadores do evento, a cidade reúne as melhores condições para a atividade, que ocorrerá na cidade praiana durante o verão. Além disso São Vicente é um patrimônio histórico nacional, pois é a primeira cidade do país, no qual o encontro terá como tema: "Hip-Hop um mergulho na historia".

"A partir de São Vicente que foi construído a nação brasileira e será aqui que construiremos com mais de mil manos e minas do hip-hop do Brasil todo e artistas internacionais as ações da Nação Hip-Hop Brasil. A cidade não poderia ser outra." Fala confiante Aliado G, presidente nacional da entidade. O evento deve contar com parcerias como Ministério da Cultura, Prefeitura de São Vicente, Secretaria de Cultura dentre outras.

Show com Rappin Hood agita o encontro

O cantor e apresentador Rappin Hood se apresenta no dia 29 de janeiro nas areias de São Vicente, com muito rap do bom, dentro das atividades do encontro. O show é um dos destaques entre as atrações do 3° Encontro Nacional de Hip-Hop que vai sacudir o litoral, entre os dias 28 a 31 deste mês.

Diversas atividades entre oficinas e workshops vão interagir e ensinar ao público novas formas e jeitos de dançar break, grafitar, manipular os toca-discos e a um pouco da arte de rimar. Haverá também diversas palestras, debates e muita integração, que trará os integrantes do movimento de todos os cantos do país para se apresentarem nas areias da praia do Gonzaguinha em São Vicente.

Entretanto, nem só de shows vive o hip-hop. "A Nação Hip Hop entende o movimento como instrumento de transformação da juventude e, apesar de ser um encontro focado em Hip Hop, também serão discutidos temas transversais como educação, segurança, trabalho, meio ambiente, juventude carcerária, entre outros”, explica Danilo Otto, diretor da Juventude da prefeitura de São Vicente.

Todas as ações e atrações gratuitas e aberta ao público.

Por Luana Bonone, com www.juventude.gov.br e www.juventude.sp.gov.br

Sindicato vai entrar com ação civil pública contra Boris Casoy


O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo (Siemaco), José Moacyr Malvino Pereira, afirmou que irá entrar com uma ação civil pública contra o jornalista Boris Casoy, por sua declaração sobre o trabalho dos garis no Jornal da Band. “Vamos entrar com uma ação civil pública para que ele se retrate na Justiça. Já assinei a procuração”, declarou o presidente da entidade.

O apresentador do Jornal da Band tem sido criticado desde o dia 31/12, quando saiu no ar o áudio de uma declaração sobre os garis que desejavam feliz ano novo. Ainda na vinheta do jornal, sem saber que seu microfone estava aberto, Casoy declarou: "Que m... dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. Dois lixeiros... O mais baixo da escala de trabalho".

No dia seguinte, no mesmo jornal, o apresentador pediu desculpas pela atitude. “Ontem durante o intervalo do Jornal da Band, num vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, por isso quero pedir profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do Jornal da Band”, disse.

Nesta segunda-feira (4), o Siemaco entregou na TV Bandeirantes uma carta de repúdio a Boris Casoy. “Não aceitamos as desculpas do apresentador, que foram meramente formais ao ser pego ao manifestar o que pensa e que, infelizmente, reforça o preconceito de vários setores da sociedade contra os trabalhadores garis e varredores..."

Em uma nota oficial no site do sindicato, a entidade também criticou o desmerecimento dado ao trabalho dos garis. “Lamentavelmente Casoy demonstrou não dar valor ao importante serviço prestado por nossos trabalhadores, humilhando-os publicamente. Ele esqueceu-se que limpeza significa saúde pública e, se nossos 'lixeiros no alto de suas vassouras' não cuidassem da nossa cidade, certamente viveríamos no caos. Com certeza, podemos viver sem notícias, mas não sem limpeza", diz a nota.

A assessoria de imprensa da Band informou que o apresentador já pediu desculpas em público. A direção de jornalismo da emissora ainda não se manifestou sobre o caso.

Fonte: Comunique-se

Miro Borges: Boris Casoy é “uma vergonha”


Primeiro vídeo: ao encerrar o Jornal da Band da noite de 31 de dezembro de 2009, dois garis de São Paulo aparecem desejando feliz ano novo ao povo brasileiro. Na sequência, sem perceber o vazamento de áudio, o fascistóide Boris Casoy, âncora da TV Bandeirantes, faz um comentário asqueroso: “Que merda... Dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... Dois lixeiros... O mais baixo da escala do trabalho”.

Segundo vídeo: na noite seguinte, o jornalista preconceituoso pede desculpas meio a contragosto: “Ontem durante o programa eu disse uma frase infeliz que ofendeu os garis. Eu peço profundas desculpas aos garis e a todos os telespectadores”. Numa entrevista à Folha, porém, Boris Casoy mostra que não se arrependeu da frase e do seu pensamento elitista, mas sim do vazamento. “Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados”.

Do CCC à assessoria dos golpistas

Este fato lastimável, que lembra a antena parabólica do ex-ministro de FHC, Rubens Ricupero – outras centenas de comentários de colunistas elitistas da mídia hegemônica infelizmente nunca vieram ao ar –, revela como a imprensa brasileira “é uma vergonha”, para citar o bordão de Boris Casoy, com seu biquinho e seus cacoetes. O episódio também serve para desmascarar de vez este repugnante apresentador, que gosta de posar de jornalista crítico e independente.

A história de Boris Casoy é das mais sombrias. Ele sempre esteve vinculado a grupos de direita e manteve relações com políticos reacionários. Segundo artigo bombástico da revista Cruzeiro, em 1968, o então estudante do Mackenzie teria sido membro do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), o grupo fascista que promoveu inúmeros atos terroristas durante a ditadura militar. Casoy nega a sua militância, mas vários historiadores e personagens do período confirmam a denúncia.

Âncora da oposição de direita

Ainda de 1968, o direitista foi nomeado secretário de imprensa de Herbert Levy, então secretário de Agricultura do governo biônico de Abreu Sodré – em plena ditadura. Também foi assessor do ministro da Agricultura do general Garrastazu Médici na fase mais dura das torturas e mortes do regime militar. Em 1974, Casoy ingressou na Folha de S.Paulo e, numa ascensão meteórica, foi promovido a editor-chefe do jornal de Octávio Frias, outro partidário do setor “linha dura” dos generais golpistas. Como âncora de televisão, a sua carreira teve início no SBT, em 1988.

Na seqüência, Casoy foi apresentador do Jornal da Record durante oito anos, até ser demitido em dezembro de 2005. Ressentido, ele declarou à revista IstoÉ que “o governo pressionou a Record [para me demitir]... Foram várias pressões e a final foi do Zé Dirceu”. Na prática, a emissora não teve como sustentar seu discurso raivoso, que transformou o telejornal em palanque da oposição de direita, bombardeando sem piedade o presidente Lula no chamado “escândalo do mensalão”.

Nos bastidores da TV Bandeirantes

Em 2008, Casoy foi contratado pela TV Bandeirantes e manteve suas posições direitistas. Ele é um inimigo declarado dos movimentos grevistas e detesta o MST. Não esconde sua visão elitista contra as políticas sociais do governo Lula e alinha-se sempre com as posições imperialistas dos EUA nas questões da política externa. O vazamento do vídeo em que ofende os garis confirma seu arraigado preconceito contra os trabalhadores e tumultuou os bastidores da TV Bandeirantes.

Entidades sindicais e populares já analisam a possibilidade de ingressar com representação junto à Procuradoria Geral da República. Como ironiza Beto Almeida, presidente da TV Cidade Livre de Brasília, seria saudável o “Boris prestar serviços comunitários por um tempo, varrendo ruas, para ter a oportunidade de fazer algo de útil aos seus semelhantes”. Também é possível acionar o Ministério Público Federal, que tem a função de defender os direitos constitucionais do cidadão junto “aos concessionários e permissionários de serviço público” – como é o caso das TVs.

Na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro, Walter Ceneviva, Antonio Teles e Frederico Nogueira, entre outros dirigentes da Rede Bandeirantes, participaram de forma democrática dos debates. Bem diferente da postura autoritária das emissoras afiliadas à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), teleguiadas pela Rede Globo. Apesar das divergências, essa participação foi saudada pelos outros setores sociais presentes ao evento. Um dos pontos polêmicos foi sobre a chamada “liberdade de expressão”. A pergunta que fica é se a deprimente declaração de Boris Casoy faz parte deste “direito absoluto”, quase divino.

Boris Casoy é ?uma vergonha?

Grande Miro e Miranda

Em que o diploma de jornalista ou sua falta influencia no exercício da profissão de pessoas como o judeu nazista Boris e tantos outros mercenários a serviço do oligopólio da mídia?
Onde fica a ética e qualidade da informação preconizada pela Fenaj, como vinculada à obrigatoriedade do diploma? Não é uma vergonha?
Quando os jornalistas vão assumir que não existe ética em sua profissão, onde sempre predomina a ética do patrâo? Idem para qualquer outra, mas é na comunicação que se forma a "opinião pública"...
Sugiro a leitura de:
"A sociedade quer informação com ética e qualidade?": http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=529DAC001


Dialeticamente

Heitor
Boris Casoy é ?uma vergonha?

Por Altamiro Borges - de São Paulo


Primeiro vídeo: ao encerrar o Jornal da Band da noite de 31 de dezembro de 2009, dois garis de São Paulo aparecem desejando feliz ano novo ao povo brasileiro. Na sequência, sem perceber o vazamento de áudio, o fascistóide Boris Casoy, âncora da TV Bandeirantes, faz um comentário asqueroso: ?Que merda... Dois lixeiros desejando felicidades... do alto de suas vassouras... Dois lixeiros... O mais baixo da escala do trabalho?.

Segundo vídeo: na noite seguinte, o jornalista preconceituoso pede desculpas meio a contragosto: ?Ontem, durante o programa, eu disse uma frase infeliz que ofendeu os garis. Eu peço profundas desculpas aos garis e a todos os telespectadores?. Numa entrevista à Folha, porém, Boris Casoy mostra que não se arrependeu da frase e do seu pensamento elitista, mas sim do vazamento. ?Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados?.

Do CCC à assessoria dos golpistas

Este fato lastimável, que lembra a antena parabólica do ex-ministro de FHC, Rubens Ricupero ? outras centenas de comentários de colunistas elitistas da mídia hegemônica infelizmente nunca vieram ao ar ?, revela como a imprensa brasileira ?é uma vergonha?, para citar o bordão de Boris Casoy, com seu biquinho e seus cacoetes. O episódio também serve para desmascarar de vez este repugnante apresentador, q ue gosta de posar de jornalista crítico e independente.

A história de Boris Casoy é das mais sombrias. Ele sempre esteve vinculado a grupos de direita e manteve relações com políticos reacionários. Segundo artigo bombástico da revista Cruzeiro, em 1968, o então estudante do Mackenzie teria sido membro do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), o grupo fascista que promoveu inúmeros atos terroristas durantea ditadura militar. Casoy nega a sua militância, mas vários historiadores e personagens do período confirmam a denúncia.

Âncora da oposição dedireita

Ainda de 1968, o direitista foi nomeado secretário de imprensa de Herbert Levy, então secretário de Agricultura do governo biônico de Abreu Sodré ? em plena ditadura. Também foi assessor do ministro da Agricultura do general Garrastazu Médici na fase mais dura das torturas e mortes do regime militar. Em 1974, Casoy ingressou na Folha de S.Paulo e, numa ascensão meteórica, foi promovido a editor-chefe do jornal de Octávio Frias, outro partidário do setor ?linha dura? dos generais golpistas. Como âncora de televisão, a sua carreira teve início no SBT, em 1988.

Na seqüência, Casoy foi apresentador dJornal da Record durante oito anos, até ser demitido em dezembro de 2005. Ressentido, ele declarou à revista IstoÉ que ?o governo pressionou a Record [para me demitir]... Foram várias pressões e a final foi do Zé Dirceu?. Na prática, a emissora não teve como sustentar seu discurso raivoso, que transformou o telejornal em palanque da oposição de direita, bombardeando sem piedade o presidente Lula no chamado ?escândalo do mensalão?.

Nos bastidores da TV Bandeirantes

Em 2008, Casoy foi contratado pela TV Bandeirantes e manteve suas posiç� �es direitistas. Ele é um inimigo declarado dos movimentos grevistas e detesta o MST. Não esconde sua visão elitista contra as políticas sociais do governo Lula e alinha-se sempre com as posições imperialistas dos EUA nas questões da política externa. O vazamento do vídeo em que ofende os garis confirma seu arraigado preconceito contra os trabalhadores e tumultuou os bastidores da TV Bandeirantes.

Entidades sindicais e populares já analisam a possibilidade de ingressar com representação junto à Procuradoria Geral da República. Como ironiza Beto Almeida, presidente da TV Cidade Livre/em> de Brasília, seria saudável o ?Boris prestar serviços comunitários por um tempo, varrendo ruas, para ter a oportunidade de fazer algo de útil aos seus semelhantes?. Tabém é possível acionar o Ministério Público Federal, que tem a função de defender os direitos onstitucionais do cidadão junto ?aos concessionários e permissionários de serv iço público? ?como é o caso das TVs.

Na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro, Walter Ceneviva, Antonio Teles e Frederico Nogueira, entre outros dirigentes da Rede Bandeirantes, participaram de forma democrática dos debates. Bem diferente da postura autoritária das emissoras afiliadas à Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), teleguiadas pela Rede Globo. Apesar das divergências, essa participação foi saudada pelos outros setores sociais presentes ao evento. Um dos pontos polêmicos foi sobre a chamada ?liberdade de expressão?. A pergunta que fica é se a deprimente declaração de Boris Casoy faz parte deste ?direito absoluto?, quase divino.
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB - Partido Comunista do Brasil, autor do livro Sindicalismo, resistência e alternativas (Editora Anita Garibaldi)

Conheça o ranking das torcidas


Emerson Vicente
do Agora


O título do Campeonato Brasileiro deu uma injeção de ânimo nos torcedores do Flamengo. Em pesquisa realizada pelo Datafolha, entre os dias 14 e 18 de dezembro, o rubro-negro mostra uma evolução em sua torcida. O clube, que na última pesquisa, realizada em novembro de 2008, contava com 17% de torcedores, hoje aparece com 19%.

O Corinthians se manteve com 13%, o mesmo número da pesquisa anterior. Porém, a subida do Flamengo ultrapassa a margem de erro, que é de dois pontos percentuais.

O Datafolha ouviu 11.258 pessoas no Brasil, com idade acima dos 16 anos.

Evolução do tamanho das torcidas segundo pesquisa do Datafolha

Popularidade dos times por região


"Não morro antes dos 92", diz Milton Nascimento

MARCUS PRETO
da Folha de S.Paulo

Não seria um mergulho qualquer. Antes de pular na água, de paletó, para a foto que estampa esta reportagem, Milton Nascimento, 68, esclareceu que atenderia ao pedido impremeditado do fotógrafo para, mais uma vez, provar que não é "esquisito, bravo e fechado" como as pessoas que só o conhecem de longe costumam imaginar.

Dá para arriscar que o "estranhamento" a que ele se refere esteja ligado, em grande parte, exatamente à complexidade de sua música. Cerebral e primitiva ao mesmo tempo, ainda não foi devidamente assimilada nem mesmo aqui no Brasil.

Por outro lado, pode-se supor que são justamente essas características "estranhas" que a mantêm tão viva, e imune aos desgastes que vampirizaram forças de outros gêneros --da bossa nova, por exemplo.
Milton está em movimentação, sua música o leva. Grava agora um álbum, a ser lançado no primeiro semestre. Quem o acompanha são jovens músicos de Três Pontas --cidade mineira onde ele cresceu e que, por causa dele, entrou no mapa mundial da música.


Daryan Dornelles/Folha Imagem
O cantor Milton Nascimento na piscina de sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro; novo disco sai no 1º semestre
Milton Nascimento na piscina de sua casa, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro; novo disco sai no 1º semestre

"Quando a gente organizou a coisa, há uns dois ou três anos, os meninos eram todos bem novos, não saíam de Três Pontas", diz o cantor. "Agora, todo mundo resolveu passar em vestibular. Entraram nas faculdades e se espalharam por São Paulo, pelo Rio. O difícil é reunir todos para gravações."

"Pietá" (2002), último álbum de canções inéditas lançado por Milton, tinha esse mesmo espírito. Revelou três novas cantoras: as pouco conhecidas Marina Machado e Simone Guimarães e a estreante Maria Rita.

Tumulto

Diferentemente de, podemos chutar, todos os outros artistas do mundo, Milton não precisa de ambiente silencioso para compor. Nem da meia-luz do quarto ou do isolamento acústico do estúdio. Ao contrário. Quanto mais bagunçado e barulhento estiver o recinto, mais as ideias lhe vêm à cabeça.

Talvez seja esse um dos motivos por que sua casa, em um condomínio fechado na Barra da Tijuca, está sempre cheia de gente. Mensalmente, Milton convida amigos, músicos ou não, para saraus.

Começam no meio da tarde e, se assim permitirem os vizinhos reclamões, podem atravessar a noite e não terminar antes do meio da madrugada.

O elenco é sempre variado. Jorge Drexler, Lenine, Esperanza Spalding, Mart'nália, João Suplicy, Paulinho Moska, Maria Gadú. Todos já passaram por aquele quintal.

"A gente chama esse sarauzinho de jam session. Quando ainda não tinha saído de Belo Horizonte para o mundo, eu participava de muitos encontros assim", diz o anfitrião. "Sempre foi muito importante para mim esse negócio de juntar. Isso me alimenta."

Longe do Brasil, mantém ativas as relações com os colegas. Em meados do ano passado, fez apresentação comemorativa no emblemático palco do Carnegie Hall, lembrando os 25 anos de sua primeira passagem pelos Estados Unidos.

Na mesma viagem, gravou no novo álbum da americana Esperanza Spalding e inaugurou parceria com Paul Simon.

"Ele começou a mostrar as músicas novas, perguntou se eu tinha gostado", conta. "Uma delas mexeu comigo por várias coisas. Ele foi lá, botou ela de novo e perguntou: 'Faz uma letra em português?'. Claro!"

Encontrou ainda o brasileiro Sérgio Mendes, que está criando um arranjo para "Caxangá" (Milton/Fernando Brant) aos moldes do que fez para "Mas que Nada", de Jorge Ben Jor. Deve estar em seu próximo CD.

Terreiro

Depois do mergulho, Milton sai da piscina e senta-se na borda. A entrevista acontece ali. "Vou viver muito tempo", crava. "Não morro antes dos 92."

A frase sai dos lábios molhados de Coca-Cola light com o tom incontestável de quem já confrontou essa questão bem de perto. Milton esbarrou com a morte no final dos anos 1990, quando a diabetes o fez ter menos da metade do peso atual.

Agora, cuida bem da saúde, mantendo índices glicêmicos sempre sob controle por meio de medidor conectado à pele.

Mas não foi no visor do aparelhinho que descobriu o tal prazo de 92 anos. Quem lhe soprou o número foi uma mãe de santo, daquelas que lhe vêm dando conselhos e dicas durante toda a carreira.

Tudo começou tempos antes de ficar famoso, ainda na primeira metade dos anos 1960. Milton foi ajudar uma pessoa a entregar doces para a criançada em dia de São Cosme e Damião.

"Recebi de uma senhora espírita a seguinte mensagem: 'Não adianta fugir, você vai ter um centro, um terreiro seu'", conta. "Mas eu era católico, nem conhecia o candomblé, como poderia ter um centro?"

Chegou à conclusão depois: "Encostei a cabeça na parede do palco e falei: 'Puxa, como é que eu posso ser tão burro? Meu terreiro é isso aqui!' A partir daquele dia, estar em cima do palco virou a coisa mais importante da minha vida."

Faxineiros são mais valiosos para a sociedade do que banqueiros, diz estudo





Martin Shankleman

Da BBC News

Faxineiros em hospitais gerariam mais valor que banqueiros

Pessoas que trabalham fazendo faxina em hospitais têm mais valor para a sociedade do que os funcionários de alto escalão de um banco, concluiu um estudo britânico.

A pesquisa, feita pelo instituto de pesquisas New Economics Foundation, concluiu que o faxineiro de um hospital gera cerca de R$ 30 de valor para cada R$ 3 que recebe.

Já o funcionário do banco (aquele com salário anual a partir de RS$ 1,5 milhão) é um peso para a sociedade por conta dos danos que a categoria causou para a economia global, diz o estudo.

Os especialistas envolvidos no trabalho calculam que este trabalhador destrói cerca de R$ 21 para cada R$ 3 que ganham.

Recomendações

Altos executivos de agências de publicidade, por outro lado, "criam estresse", porque são responsáveis por campanhas que geram insatisfação e infelicidade, além de encorajar consumo excessivo.

E contadores prejudicam o país ao criar esquemas para diminuir a quantidade de dinheiro disponível para o governo, diz a pesquisa.

Já os profissionais em atividades como cuidar de crianças ou reciclar lixo estão fazendo trabalhos que geram riqueza para o país.

A equipe da New Economics Foundation usou uma nova fórmula para avaliar diferentes profissões e calcular a contribuição total que cada uma oferece à sociedade, incluindo, pela primeira vez, seu impacto sobre a comunidade e o meio ambiente.

A porta-voz da fundação, Eilis Lawlor, disse: "Faixas salariais com frequência não refletem o valor real que está sendo gerado. Enquanto sociedades, precisamos de uma estrutura de pagamentos que recompense os trabalhos que geram mais benefícios para a sociedade, não aqueles que geram lucro às custas da sociedade e do meio ambiente".

"Deveria haver uma relação entre o que recebemos e o valor que o nosso trabalho gera para a sociedade. Encontramos uma forma de calcular isso", completa.

O estudo da New Economics Foundation também faz recomendações para uma política de maior alinhamento dos salários com o valor do trabalho.