A Comissão Especial de Fonogramas e Videogramas Musicais da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira parecer do relator José Otávio Germano (PP-RS) para projeto de lei que isenta de impostos a produção de CDs, DVDs e a comercialização de música. O autor da proposta, deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), assinalou que o projeto permitirá que os CDs e DVDs produzidos no Brasil tenham uma redução de até 25% nos preços para o consumidor. A medida, avaliam os deputados que votaram favoravelmente, poderia ajudar a diminuir a pirataria no país. O texto segue agora para o plenário da Câmara e depois ao Senado. O projeto é apoiado por artistas como Zezé di Camargo & Luciano, Roberto Carlos, Sandra de Sá, Fagner, Leoni, Frejat e Francis Hime, e por gravadoras como Som Livre, Sony Music, EMI Music, Warner Music e Universal Music, além da Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD) e a Associação Brasileira de Musica Independente (ABMI). Na hora da votação, participavam do debate os artistas Gian e Giovani, Eduardo Araújo, Ivo Meirelles (presidente da Mangueira), Jorge Vercilo e representante do grupo musical NX0. Segundo informações da Agência Câmara, a votação teve manifestações contrárias de trabalhadores da Zona Franca de Manaus, que temem perder vantagens na fabricação de discos. Por acordo com a bancada do Amazonas, houve alteração no texto para que as fábricas de CDs e DVDs da Zona Franca de Manaus continuem com imunidade tributária. O deputado Marcelo Serafim (PSB-AM), que liderava a bancada, disse que mesmo com a alteração, a bancada votou contra, porque considera que a proposta coloca em risco os empregos em Manaus e não combate efetivamente a pirataria. |
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Comissão da Câmara aprova isenção para CDs e DVDs
Lei torna mais dura punição contra violência sexual e pedofilia
Para qualquer crime sexual que gere gravidez, a pena aumentará em 50%. Se, no ato, a vítima contrair alguma doença sexual, haverá acréscimo de um sexto à metade do tempo de condenação. Se o estupro resultar em morte, a pena máxima, que atualmente é de 25 anos de prisão, passa para 30 anos. O autor de assédio sexual a menores de 18 anos, que hoje é condenado de um a dois anos de reclusão, terá a pena aumentada de um ano e quatro meses a dois anos e oito meses.
O projeto de lei para tornar mais severas as punições contra esses crimes é de iniciativa da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual, do Senado, e tramitava no Congresso há cinco anos. No dia 16 de julho, o Senado aprovou um substitutivo da Câmara dos Deputados ao projeto, que foi encaminhado para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A nova lei também estabelece que tanto homens quanto mulheres podem ser vítimas de crimes contra a liberdade e o desenvolvimento sexual. Para o tráfico de pessoas no país a pena será de dois a seis anos de reclusão, enquanto a modalidade internacional será condenada com três a oito anos, sendo aumentada em 50% no caso de a vítima ser menor de 18 anos.
Fonte: Agência Brasil
O peso do crack na sociedade
Um caminheiro gaúcho se entrega às autoridades para ser detido pois não consegue controlar o vício. Uma mãe mata o filho viciado antes que esse a assassinasse e ao seu marido. Um jovem troca uma moto por 53 pedras, que são consumidas em menos de cinco horas. Todos esses fatos, e tantos outros que seria literalmente impossível descrevê-los nesse meio, são retratos de uma luta diária contra a droga mais devastadora que já foi criada: o crack. O crack é um subproduto do refino da cocaína que, após receber bicarbonato de sódio, chega às ruas na forma de uma pedra amarela que deve ser fumada. O efeito é imediato: em 12 segundos, ele chega ao cérebro dando a tão procurada sensação de euforia que vai persistir por 5 a 10 minutos. Detalhe, essa droga pode viciar desde a primeira vez que a pessoa usa. Os efeitos no organismo são: Vencer o vício não é fácil. Muito pelo contrário, justamente por não existirem remédios ou tratamentos para o crack, 90% dos usuários recaem no uso da droga. Atualmente, o método dos 12 passos, criado nos Estados Unidos para tratamento de alcóolatras, é o que melhor se adapta aos viciados. O crack bloqueia a absorção natural da dopamina (neurotransmissor que emite a sensação de prazer). Como ela é o principal regulador do sistema de prazer e recompensa, o crack vicia rapidamente. Com o tempo de uso, como muita dopamina é colocada à disposição, suas reservas vão se esgotando. O cérebro se torna menos sensível à droga e a sensação de prazer é substituída por alucinações. Outra consequência é que o usuário passa a não sentir prazer por outros aspectos da vida, como comida e sexo. Numa comparação simples, é como um elástico que, esticado além do limite, não volta mais ao normal. Essa falta de sensibilidade do sistema de recompensa gera uma insatisfação em relação à vida, distúrbio conhecido como anedonia. Na memória, sobra apenas a sensação de prazer gerada pela droga. Sem sentir prazer por nada, o usuário passa a viver em função da droga, ou fica mais propenso a recair no vício. Além de tudo isso, ainda existe o estigma social gerado pela droga, pois ela não vê cara, sexo, posição social cor. Os viciados vão desde as camadas mais baixas do extrato social até os mais abastados. Talvez o grande problema tenha sido a desinformação sobre o tema. Quando a sociedade acordou para os problemas gerados pelo crack, ela já havia se espalhado tal qual epidemia dentro da nossa sociedade, se entranhando não apenas nas regiões marginais, mas também nas famílias, nas escolas, nas universidades e nos mais diversos setores. Tomar uma atitude contra o crack é mais do que tratar uma necessidade: é um dever dos cidadãos. por Rafael Limberger | |
Pesquisa mostra que Lei Antidrogas não separa claramente usuários de traficantes
Menores que vivem na rua estão entre as vítimas mais vulneráveis do crack
| | Marcello Casal JR/ABr Brasília - Embora o crack esteja disseminado entre todas as classes sociais, para crianças e adolescentes o consumo nem sempre é uma opção, mas um meio de sobrevivência. Para resgatar a juventude desses meninos e meninas, organizações não-governamentais (ONG) investem na educação e ressocialização dos menores.
“A droga faz parte de quem está na cultura da rua. A gente percebe que, na rua, a maior parte das crianças e adolescentes não é dependente, eles fazem uso mais circunstancial”, afirma Cecília Motta, coordenadora do Projeto Quixote, que atua há 13 anos na Estação da Luz, zona central da cidade de São Paulo, conhecida também como Cracolândia. Muitas crianças e adolescentes deixam os bairros de origem e vão em direção ao centro da cidade em busca de aventura. Para a coordenadora, esses “refugiados urbanos” querem se distanciar de situações insuportáveis, como a violência doméstica. Em Brasília, a situação não é diferente. Grande parte das crianças e adolescentes de rua da capital está concentrada na rodoviária, no centro da cidade. Em Curitiba, o consumo de crack também tem crescido entre crianças e jovens. “A região mais crítica é a central. São crianças de muito pouca idade que viraram soldados-zumbis do tráfico. Elas ficam na esquina dia e noite comercializando as pedras para sustentar seu próprio consumo”, afirma o secretário municipal Antidrogas, Fernando Destito Francischini. As ONGs que tratam desses jovens apostam no acompanhamento clínico, pedagógico e social. No Projeto Quixote, o tratamento é feito em três etapas: abordagem, abrigamento e ressocialização familiar. "À medida que eles vão se vinculando e vão participando das oficinas lúdicas e pedagógicas, eles abandonam a droga com muita tranquilidade. Não temos dúvida de que criança quer brincar. Criança que empina pipa não pipa pedra”, diz Cecília. Na capital federal, em uma casa com amplo espaço verde e ambiente tranquilo no Lago Norte, região residencial de classe alta, crianças com problemas de dependência química participam de atividades da ONG Transforme. Em uma tarde, durante visita da Agência Brasil ao local, Alex, 14 anos, e Luís, 12, faziam origami sob a supervisão de uma moça que demonstrava paciência e calma. “Eu já fumei [crack]”. “Eu também, mais de cem vezes”, afirmam. Segundo os meninos, praticamente a metade das crianças e adolescentes que vivem na rodoviária – localizada no início da Esplanada dos Ministérios – usam crack. “ Dos 25 que vivem lá com até 16 anos, 12 fumam”, conta Alex. “Fumei a primeira vez com 11 anos. É fácil conseguir”, lembra Luis. Alex, o mais falante da dupla, afirma que ao terminar o tempo de internação na TransForme pretende concluir os estudos até se formar em medicina. “Eu parei de estudar na 3ª série. Pelas minhas contas, faltam uns 15 anos para eu me formar. Mas não estou com pressa, não vou desistir do meu sonho”, afirma, enquanto monta um cubo de papel alaranjado. A psicóloga Rosimere Nere, que acompanha a aula de origami, diz que as crianças de rua tendem a demonstrar habilidades que não são percebidas por meio da educação formal, já que estão fora da escola. Uma espécie de criatividade desenvolvida pelo ócio. "O traço marcante é a arte, a habilidade. O que precisa é fazer com que eles entendam que essa criatividade pode ser canalizada para coisas importantes e positivas”, afirma. Durante a aula de educação física, o professor Douglas Antunes afirma que o mais difícil é impor regras. Por terem vivido a maior parte da vida na rua, as crianças têm dificuldade em se adequar. “Às vezes, reclamam, dizem que vão embora, que não querem ficar e obedecer. Eu digo 'Você acha que me emociona? Lá você vai dormir no chão e passar frio. Aqui tem piscina, aula de informática e seis refeições por dia. Pode ir se quiser'. A escolha é deles.” Crianças e adolescentes das ruas do Brasil começaram a fumar crack no fim da década de 1980, especialmente nos estados da regiões Sul e Sudeste. Pesquisas do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) apontaram aumento no consumo em sondagens realizadas em 1987, 1989, 1993, 1997 e 2004. |
Sem prevenção e repressão eficiente, crack avança em capitais e cidades médias brasileiras
Avanço do crack pode ter relação direta com aumento de homicídios e crimes
Lucros maiores e preço baixo em relação a outras drogas estimulam vendas do crack
Em Brasília, crack ganhou espaço e seduziu usuários de famílias da classe média
Usuário de crack enfrenta discriminação maior do que outros dependentes
Dependentes de crack enfrentam indefinição de tratamentos e problemas no sistema de saúde
Familiares de usuários podem desenvolver distúrbios psicológicos
Usuários de crack se sentem escravizados pela droga
Hirochima lembra aniversário de bomba atômica
Com o tradicional minuto de silêncio, voo de pombas brancas e uma conclamação à paz, Hirochima relembrou nesta quinta-feira o 64º aniversário de sua destruição nuclear pelos Estados Unidos, no primeiro ataque do tipo no mundo.
A bomba atômica lançada sobre a populosa cidade do oeste japonês, em 6 de agosto de 1945, foi seguida por uma segunda, três dias depois, em Nagasaki, onde morreram 70 mil pessoas.
Mais de 50 mil pessoas estiveram presentes ao ato, inclusive sobreviventes (hibakusha) do holocausto, participando da cerimônia de homenagem realizada a poucos metros da Cúpula de Genbaku, um salão de exposições do qual restou apenas o domo e sua estrutura calcinada, único edifício que se manteve de pé após a explosão da bomba.
O primeiro ministro Taro Aso e integrantes de seu gabinete estavam presentes também, assim como os representantes de cerca de 60 países, ante o monumento de granito dedicado aos 140 mil mortos pelo artefato jogado pelos Estados Unidos, quando os militaristas japoneses já estavam praticamente derrotados, no final da Segunda Guerra Mundial.
Décadas depois desse massacre, milhares de pessoas morrem a cada ano por causa dos efeitos da radiação, que gera enfermidades como a Leucemia ou outros tipos de câncer, cujos nomes são inscritos então no monumento de granito negro.
Em um breve discurso, o prefeito de Hirochima, Tasatoshi Akiba, defendeu a abolição das armas nucleares até o ano de 2020 e assegurou que os "hibakusha" seguem sofrendo um inferno.
Akiba pediu ao governo japonês apoio aos hibakusha, inclusive aos que foram vítimas da chuva negra e aos que vivem no exterior.
Taro Aso reiterou por sua vez a promessa de que o Japão acatará firmemente os três princípios anti-nucleares e liderará a comunidade internacional para conseguir o objetivo de abolir as armas atômicas e conseguir uma paz duradoura.
Entretanto, Aso admitiu em uma coletiva de imprensa que um mundo sem armas nucleares só pode existir se todas as bombas desse tipo desaparecerem "de uma só vez" do planeta.
Sustentou que, em circunstâncias normais, é inimaginável e não é justo crer que, se alguém as abandonar unilateralmente, os outros as abandonarão também.
Agência Prensa Latina
Câmara discute redução de impostos para música nacional
MARCUS PRETO
da Folha de S.Paulo
Será votado nesta quarta-feira (5) por uma comissão especial da Câmara dos Deputados o relatório da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Música, que propõe a imunidade tributária para gravações de obras desenvolvidas por artistas e compositores brasileiros.
O deputado Otávio Leite (PSDB- RJ), redator da proposta, afirma que, com a imunidade, os preços finais de CDs e DVDs musicais cairão a ponto de levantar o destroçado mercado de música atual.
| Arte/Folha de S.Paulo |
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"Atualmente, na cadeia produtiva de um CD --desde o ato de criação, passando pela gravação, registro, formatação do fonograma, multiplicação, distribuição, até a venda em loja--, incidem, em cascata, cerca de 25% de tributo direto", diz.
O número representa produtos manufaturados na Zona Franca de Manaus, isenta de IPI. Fora dela, eles são ainda mais expressivos. Segundo Paulo Rosa, presidente da ABPD (Associação Brasileira dos Produtores de Discos), chega-se atualmente a cerca de 42% de impostos pagos para CDs e DVDs produzidos fora da Zona Franca.
Segundo cálculos de Leonardo Ganem, presidente da Som Livre, o consumidor vai experimentar uma redução média de 5% a 10% nos preços finais dos produtos. Um CD que hoje custa R$ 25 cairia para R$ 22,50. "Parece pouco, mas é uma redução média muito importante quando multiplicamos isso pelos milhões de unidades vendidas anualmente no Brasil", diz.
Adesões
Alexandre Schiavo, presidente da Sony Music, afirma que o apoio maciço dos artistas pode ser fundamental para que a proposta não caia naquele limbo em que se encontram tantas outras PEC. Além das gravadoras Universal Music, Som Livre, Sony Music, EMI, WarnerMusic e da Associação Brasileira de Música Independente (ABMI), músicos como Zezé Di Camargo & Luciano, Sandra de Sá, Fagner, Leoni, Frejat e Francis Hime ligaram seus nomes à causa.
"Todos sofrem com a pirataria", diz Schiavo. "A Sony, por exemplo, enfrentou forte período de reestruturação em que diversos empregos foram perdidos." Ele diz que a gravadora quer vender a maior quantidade possível de música, já que "com preço alto, não se vende a quantidade necessária para cobrir os investimentos."
Schiavo traça um paralelo entre o mercado de música e o de livros, em que há imunidade tributária. "Não existe diferença entre um livro de um autor nacional e um CD de um artista nacional. Ambos devem gozar do mesmo benefício para criar cada vez mais novos lançamentos e gerar novos empregos."
Marcelo Castello Branco, da EMI, concorda: "Por que uma poesia de Caetano Veloso publicada em livro é cultura e a mesma poesia de Caetano cantada é negócio?".
Agora, os próximos passos são a aprovação na Câmara e no Senado.
MV Bill ataca manipulação midiática: Hip hop é compromisso
Semana retrasada fui surpreendido por denúncias irresponsáveis a meu respeito, numa tentativa de manchar minha imagem. Produziram um espetáculo aparentemente jornalístico que sugeria ser eu testa de ferro de empresas supostamente piratas, insinuando que desviei milhões de reais, quando não tenho sequer a minha própria empresa. E ainda tentaram induzir as pessoas a pensarem que o livro que escrevi era bancado por dinheiro público. O que é comprovadamente falso.
Por MV Bill, no O Globo
O fato de, numa relação comercial privada, eu usar uma mesma produtora que tem projetos com a Petrobras não permite a ninguém concluir que exista alguma triangulação, como não existe! Isso inclusive já foi confirmado pela própria estatal.
Só que miraram num alvo, mas acertaram no próprio pé.
O curioso é que, depois, foi descoberto que a empresa questionada é uma agência da área artística reconhecida no mercado, tanto que boa parte da respeitável mídia — inclusive a “denunciante” — recorre a seus serviços. Que ironia…
Mas para mim o caso não está encerrado, pois o fato de eu não ter absolutamente nada com essa história me motiva, sim, a contribuir para uma grande reflexão, aproveitando essa tentativa de maldade para trazer uma discussão de verdade.
Li muitos questionamentos e defesas de artistas sobre suas dificuldades para se manterem no mercado formal e legal. Li muito sobre o que hoje é quase um câncer que corrói praticamente todo o mercado cultural/artístico no Brasil: a necessidade de boa parte dos artistas e criadores precisarem de empresas que vivem da intermediação entre o patrocinador e a arte. Li sobre artistas que recorreram a essas agências culturais para formalizar seus shows que efetivamente ocorreram.
Para entender melhor esse problema procurei alguns profissionais da área tributária e, entre outras coisas, pude concluir que não existem dados sobre o impacto da cultura brasileira no PIB nacional, ou seja, não existimos formalmente.
Entendi que nós, profissionais autônomos, pagamos sobre o valor do serviço prestado 11% de INSS, 5% de ISS e ainda Imposto de Renda, de acordo com tabela. Além disso, todas as pessoas jurídicas que nos contratarem deverão recolher mais 20% sobre o total do cachê para o INSS, independentemente do valor do serviço, e ainda correr o risco de haver caracterização de vínculo empregatício.
Entretanto, não é vantagem para nenhum trabalhador permanecer no mercado informal, não há auxíliodoença, aposentadoria, e nem são garantidos os benefícios dos contratados com carteira: férias, gratificação de um terço do salário nas férias, descanso remunerado, décimo terceiro, pagamento de hora extra, FGTS etc.
Na verdade, um trabalhador informal acaba ficando à margem das estatísticas e da realidade da classe trabalhadora brasileira, lembrando que a categoria de trabalhadores de “carteira assinada” sempre se destacou como minoria.
No caso de profissionais ligados à cultura, essa situação ainda piora quando observamos que, além do indiscutível excesso de tributos, possuímos algumas características que, de acordo com as regras do jogo, contribuem ainda mais para elevar o custo de uma possível contratação, como, por exemplo, o fato de que a maioria desenvolve suas atividades em horário noturno e aos finais de semana.
Diante dessa realidade, podemos afirmar que, do ponto de vista financeiro, é praticamente impossível contratar um profissional da área cultural através de registro em carteira.
Outra característica é que as funções exercidas pelos profissionais ocorrem em períodos determinados e dificilmente são de ação continuada, inviabilizando sua contratação nesse formato.
Toda essa instabilidade obviamente intimida a abertura de empresas próprias, principalmente se pensarmos nas dificuldades para se abrir uma empresa e mantê-la em funcionamento neste país. E olha que nem estou falando dos artistas iniciantes, que em geral trabalham para divulgar, não por cachê, mas que estão submetidos às mesmas regras, incluindo pagamentos de músicos e todos os encargos inerentes à atividade.
Mas é bom deixar claro que as coisas ditas por mim não são motivos para burlar a legalidade; pelo contrário, ela precisa ser a nossa meta, sempre.
Tenho nítido que, como cidadão, espero sempre que o dinheiro público seja bem aplicado, mas não podemos esconder que quem trabalha no meio artístico acaba meio órfão, sem ter uma regulamentação própria para seguir, tendo que se adaptar a uma realidade que não é sua. Portanto, convido todos os que pensam cultura neste país, em especial os parceiros das secretarias e do Ministério da Cultura, para juntos levarmos essa discussão adiante, sem eleger um bode expiatório, mas sim construir uma nova lógica para a cultura brasileira.
De certa maneira, agradeço o mal que tentaram fazer comigo, pois a conclusão a que chego é que, ao mesmo tempo em que fiquei indignado por meu nome ter surgido num rolo que não me diz respeito, sinto muito orgulho por ser um artista/militante discriminado por sua origem social, mas que está tendo mais uma vez a coragem e a responsabilidade de botar o dedo na verdadeira ferida da cultura brasileira.
PM determina: favelado não tem direito a lazer
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| Escrito por Celso Lungaretti | |
| 18-Jul-2009 | |
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"Podem me prender Podem me bater Podem até deixar-me sem comer Que eu não mudo de opinião Daqui do morro Eu não saio, não" ("Opinião", Zé Keti)
Freqüentemente recebo mensagens me cobrando posicionamento tão incisivo contra a ditadura e as torturas do presente quanto os que eu assumo em relação às dos anos de chumbo.
Quem viveu aquele período de arbítrio e atrocidades, sabe que a barra pesava muito, muitíssimo mais.
Mesmo assim, é chocante que, depois de tanta luta para trazermos o Brasil de volta para a civilização, o cidadão comum continue tão impotente para influir nos destinos do país, a imprensa tão blindada contra versões/interpretações alternativas e os direitos civis tão impunemente atingidos (ainda mais quando a vítima é a população carente).
Assim, a imprensa na terça-feira, 14, noticiou que a Polícia Militar do Rio de Janeiro vai impedir pela força a realização de bailes funk nas favelas. Alega que não consegue coibir o tráfico de drogas sem pisotear o direito dos favelados ao lazer.
Como motivo imediato, apresenta um episódio que evidencia, isto sim, abuso de autoridade e incompetência criminosa de sua parte: desencadeou uma operação repressiva para prender traficantes em meio a um baile no Morro dos Macacos (lá na Vila Isabel do saudoso Noel) e acabou travando tiroteio com eles, no último sábado. Saldo: três mortos e seis feridos. Quem não tinha culpa no cartório pegou as sobras, como sempre. Caso de uma moradora de 35 anos.
Se o preço para prender traficantes é colocar inocentes em risco, a PM jamais, JAMAIS!, deve fazer tal opção.
A intervenção policial em meio a uma multidão de civis só se justifica quando há violência sendo cometida. Meras detenções podem ser deixadas para depois, pois a vida dos inocentes é SEMPRE o valor supremo a ser respeitado.
Só autoridades extremamente tacanhas e despreparadas para atuar numa democracia podem supor que a proibição do lazer, além de juridicamente aberrante, traga algum benefício concreto.
"O que radicalizou o funk foi a proibição, nos anos 90, de os clubes terem festa. O baile foi para dentro da comunidade, e a favela passou a falar para a favela: as pessoas falam sobre o que vivem. O preconceito é com o funk, como antigamente o sambista era preso. A favela não pode se expressar", queixou-se, com inteira razão, o presidente de uma associação funkeira. E uma ex-vereadora completou: "O que vão fazer 20 mil pessoas que não têm direito a lazer?".
Se depender da PM, ficarão escondidas em seus barracos, pisando em ovos para não despertar a ira dos fardados, exatamente como os judeus viviam nos guetos em que os nazistas os confinavam.
Celso Lungaretti é jornalista e escritor, mantém os blogues http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/ e http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/.
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Lula sanciona lei de presunção da paternidade
30/07/2009 - 19h53 ( - G1)
O presidente Lula sancionou nesta quinta-feira (30) lei que estabelece a presunção de paternidade nos casos em que o suposto pai se recusar a fazer o exame de DNA."A recusa do réu em se submeter ao exame do código genético (DNA) gerará a presunção da paternidade a ser apreciada em conjunto com o contexto probatório", diz o parágrafo que estabelece a presunção.
A nova lei prevê ainda que "na ação de investigação de paternidade, todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, serão hábeis para provar a verdade dos fatos".
A presunção de paternidade em caso de recusa do exame já era praxe em decisões judiciais. Em maio, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) passou a usar o mesmo raciocínio para a mãe que se recusa a submeter o filho ao exame. Na ocasião, o tribunal decidiu que o reconhecimento de paternidade será negado quando a mãe não aceitar colher o material genético da criança.
Baile Black "Olhos Negros" Cachoeira
A cidade histórica de Cachoeira situada no recôncavo baiano a 116Km de Salvador será palco do BAILE BLACK “Olhos Negros” CACHOEIRA.
No dia 15 de Agosto às 21h sábado do ano em curso acontecerá o 1° baile black do recôncavo baiano que tem em seu programático em especial a comemoração do “AGOSTO NEGRO” que surgiu na cidade da Califórnia, Estados Unidos na década de 70, e ficou sendo o mês de grande significado para a cultura negra e suas representações em todo mundo dando abertura para novas vertentes e subvertentes culturais.
O evento busca o resgate e fortalecimento da black music da década de 70 e 80 pelas cidades do recôncavo baiano com uma nova roupagem do século XXI contando com uma diversidade cultural na cena black com exposição de artesanato, grafite ao vivo, entrevista com figuras locais e muita black music nos estilos (Black’70, Raggaeton, Hip-Hop, Rap - Nacional, Ragtime, Dance hall / Reggae/ Música Brasileira (samba, bossa nova, maracatu, nova MPB, Rhythm and-blues R&B, Funk e soul) nas pick-ups dos DJs. Branco, apresentador do programa Evolução Hip-Hop da Rádio Educadora FM 107,5 / DJ. Leandro, sócio do freedom soul, principal estúdio especializado na música rap em Salvador / Dj. Gug, que fez parte da ONG Eletrocooperativa e hoje comanda nas pick ups do grupo musical Versu 2 e fechando a grade de atrações o DJ. Eletro Sammy, radialista e filho ilustre de Cachoeira estará firmando sua participação especial no melhor estilo cachoerano.
Pensado e organizado pela Uns Negros grupos de amigos amantes e admiradores dos bailes e festas black na Bahia, aposta na interatividade e diversidade cultural do evento para galgar eventos futuros.
DADOS GERAIS DO BAILE:
DATA: 15 DE AGOSTO DE 2009
HORÁRIO: DAS 21 ÀS 05 DA MANHÃ
NOME DO EVENTO: BAILE BLACK “OLHOS NEGROS” CACHOEIRA
ONDE: CLUBE BALNEÁRIO
END: RUA DR° VACAREZA, PITANGA DE CIMA S/N°
PONTO DE REFERÊNCIA: PRÓXIMO A ENTRADA DA CIDADE DE CACHOEIRA
VALOR DE ACESSO: R$ 7, REAIS (antecipado)
PONTO DE VENDAS:
· NÚCLEO UNS NEGROS CACHOEIRA (75) 3425-1296 / 8109-9019 / 8155-0227 / 8112-5002 / (71) 8704-2162
· NÚCLEO UNS NEGROS SALVADOR (71) 3314-9272 / 8202-4367 / 8850-5304
JONNEI MORAES
E-mail: jonneimoraes-unsnegros@hotmail.com
Mulheres negras destacam luta pelo fim do racismo e sexismo
No Dia Internacional da Mulher Afro-latino-americana e Afro-caribenha, comemorado neste 25 de Julho, redes e articulações de mulheres negras apontam as conquistas e os marcos da luta contra o racismo e sexismo. “Vivemos em desigualdade. Nossos desafios como movimento de mulheres negras podem ser considerados pequenos em relação à luta que travamos na vida diária contra o racismo, o sexismo e o processo de exclusão social”, avalia Lúcia Xavier, da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras.
Para ela, a data, que surgiu há 17 anos durante o 1o Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, realizado en San Domingo, na República Dominicana, é um momento de avaliação das condições de vida das mulheres negras. “Temos direito a uma vida plena, a viver numa democracia inclusiva e ter uma agenda de direitos sociais, como expressão e reconhecimento pelo que somos e realizamos. A sociedade precisa mudar”, alerta a ativista.
Para Lúcia Xavier, o 25 de Julho visibiliza as mulheres negras para todos os setores da sociedade e traz à tona identidades e patrimônios diluídos pela ação do racismo e do sexismo. “É uma data política que evidencia a construção coletiva internacional e o patrimônio das mulheres negras na diáspora. Religamos os vínculos e as alianças temporariamente rompidas pela escravidão. Isso nos possibilita um espaço de conforto para nossas aspirações e a valorização das vitórias alcançadas, dos direitos conquistados e da nossa existência como mulheres negras”, reflete.
No mesmo ano de 1992 em que foi criada a data comemorativa, foi constituída a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas, Afro-caribenhas e da Diáspora. A Rede promove o fortalecimento das organizações e movimentos de mulheres negras. Dorotea Wilson, membro da entidade, diz que “visibilizamos a situação das mulheres negras, denunciamos a exclusão e formulamos propostas de políticas públicas que devem ser assumidas por Estados e organismos internacionais.”
Na articulação para o combate ao racismo, a Rede destaca as alianças estratégicas com outros movimentos sociais, a implementação do Plano de Ação de Durban e o aumento da participação da juventude no movimento de mulheres negras. “Estamos impulsionando o processo de articulação para a execução do Plano de Durban, a inclusão da variável étnico-racial nos censos de 2010 e a construção da Convenção Interamericana contra a Discriminação Racial e Toda Forma de Intolerância, na Organização dos Estados Americanos”, complementa Dorotea.
Herança africana
Com as primeiras organizações de mulheres negras formadas nos anos 1980, o movimento conquistou importantes espaços institucionais de interlocução e negociação. “Nós, mulheres negras, colocamos o tema dos afrodescendentes e das mulheres afrodescendentes na agenda regional e nacional. Temos uma articulação sólida que dialoga com diferentes redes e organizações de mulheres, organizações sociais, governos e a institucionalidade intergovernamental”, destaca Epsy Campbell, integrante do Grupo de Trabalho, Técnico e Político Afrodescendente para os Censos de 2010.
A ativista aponta como desafios do movimento de mulheres negras a inserção da luta contra o racismo como eixo estrutural da agenda feminista e o aporte institucional e financeiro para enfrentamento das desigualdades de raça e gênero. “Herdamos a força milenar de nossas guerreiras ancestrais e transformamos os obstáculos em oportunidades e avanços para a humanidade”, considera Epsy Campbell.
De Brasília
Com informações da UNIFEM
Semana dedicada à cultura hip hop
Rachel Sciré
do Agora
De hoje a sexta-feira, a Ação Educativa e diferentes coletivos promovem a 9ª Semana do Hip Hop. A programação inclui campeonato de basquete de rua, oficinas, curso de produção musical, sessões de diálogo, mostra de filmes e apresentações artísticas. As atividades estarão espalhadas pela região central da cidade, entre a sede da Ação Educativa, a biblioteca infantil Monteiro Lobato e o Sesc Consolação.
"Para o movimento hip hop, o evento é importante porque consegue trazer as manifestações de diferentes grupos e criar um diálogo entre os que perpetuam essa cultura", diz Gildean "Panikinho" Silva, curador do evento. O tema "Subjetividades e Suas Resignificações" será abordado nesta edição. "Não falamos mais que a Semana realiza debates porque o nosso interesse não é promover controvérsia, disputa ou divergência entre os participantes", conta o curador.
Programação completa no site www.acaoeducativa.org.br
Shows em Ribeirão Pires
O 5º Festival do Chocolate de Ribeirão Pires continua até o próximo dia 9. Na programação estão Fábio Jr. na quinta; Gian & Giovani na sexta; Falamansa no sábado; e Fernando & Sorocaba no domingo.
De sexta a domingo, a partir das 18h (shows às 20h). No Ribeirão Pires Futebol Clube (av. Brasil, 330, centro, Ribeirão Pires, tel. 0/xx/11 4003-2245). R$ 10. Livre.
Sábado com samba-rock
Sábado é dia de balançar na festa "Let's Groove". As bandas Clube do Balanço, de Marco Mattoli, e Os Opalas animarão a pista do Aldeia Turiassú com sucessos do samba-rock como "Bebel" e "Saudade da Minha Preta".
Sábado, a partir das 22h. No Aldeia Turiassú (r. Turiaçu, 928, Perdizes, tel. 0/xx/11 2935-4770). R$ 20 (mulher) e R$ 25 (homem). 18 anos.
Música brasileira em destaque
Os cantores Andreia Dias e Luiz Melodia participam do show de André Bedurê e Elaine Guimarães nesta quinta. A apresentação é parte do projeto Rota de Lançamento, que reúne novos nomes da música nacional e trabalhos de artistas já consagrados.
Quinta, às 21h. No Sesc Santana (av. Luiz Dumont Villares, 579, Santana, tel. 0/xx/11 2971-8700). De R$ 2,50 a R$ 10. 12 anos.
Os sucessos de Zeca Baleiro
Zeca Baleiro faz uma retrospectiva de sua carreira cantando seus grandes sucessos no HSBC Brasil nesta sexta. O repertório inclui releituras de canções como "Telegrama", "Meu Amor Meu Bem me Ame" e "Quase Nada".
Sexta, às 22h. No HSBC Brasil (r. Bragança Paulista, 1.281, Chácara Santo Antônio, tel. 0/xx/11 2163-2084). De R$ 60 a R$ 200. 18 anos.
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