Um blog para discussão de temas pertinentes a Cena do Hip Hop em toda a sua abrangência como forma de Cultura e instrumento de luta e afirmação.
Homens e mulheres estão longe de ter igualdade no trabalho, diz OIT
Estudo divulgado hoje (11) pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) revela que, mesmo com avanços obtidos nos últimos anos, a condição feminina no mercado de trabalho "está longe" da igualdade em relação aos homens.
O relatório O Desafio do Equilíbrio entre Trabalho, Família e Vida Pessoal mostra que a maior participação feminina no mercado de trabalho gera o desafio de se criar condições para que as mulheres possam concorrer de forma mais justa com os homens pelos postos de trabalho.
Elaborado em parceria com a Secretaria Especial de Política para as Mulheres, o documento aponta que, dentre os fatores que contribuem para o quadro de desigualdade, está a maior dificuldade para as mulheres de conciliar trabalho e família.
Isso porque, conforme observa o estudo, há uma mudança em ritmo muito lento da divisão sexual do trabalho doméstico. "O modelo homem-provedor e mulher-cuidadora ainda vigente permite que a mulher continue arcando em forma unilateral, quando não exclusiva, com as atividades de cuidado e assistência aos membros da família e seu engajamento no mercado de trabalho permanece marcado por esse papel", diz trecho da conclusão do estudo.
Para a OIT, essa característica "se evidencia tanto através do exame das carreiras que são tipicamente femininas, quanto pelas dificuldades de conciliar maternidade e profissão". Para mudança desse quadro, a OIT sugere, por exemplo, a ampliação de políticas públicas voltadas para as mulheres, como a construção de creches públicas e pré-escolas.
"Os serviços públicos de cuidado com crianças, como é o caso de creches e pré-escolas, são fundamentais neste aspecto, dada sua possibilidade de também atuar como mecanismos de diminuição do peso e da quantidade de atividades de cuidado realizadas pela família", diz o relatório.
"Como são as mulheres as protagonistas principais dessas atividades, a existência e a ampliação desses serviços também para os homens podem ajudar a reorganizar o modelo homem-provedor e mulher-cuidadora, na medida em que ampliam o tempo que as mulheres podem dedicar ao trabalho remunerado e/ou à sua vida pessoal."
O relatório sugere ainda que as políticas de equilíbrio entre trabalho, família e vida pessoal devem compatibilizar os trabalhos não remunerados com os remunerados, por meio de ações que tornem o exercício do trabalho mais compatível com as responsabilidades familiares, e reconhecer tanto o papel econômico e produtivo das mulheres, quanto o papel dos homens como cuidadores.
O estudo compreende as relações de trabalho na América Latina e no Caribe, onde há mais de 100 milhões de mulheres inseridas no mercado de trabalho.
Grafites de São Paulo se transformam em roteiro turístico
FERNANDA EZABELLA
colaboração para a Folha de S.Paulo
Dégradé, jogos de luz e sombra. A guia turística aponta para as pinturas, chama atenção para assinaturas e técnicas. Não estamos num museu, muito menos vendo quadros. São grafites na avenida Doutor Arnaldo, zona oeste de São Paulo.
| Tuca Vieira/Folha Imagem |
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| Yara Amaral conduz grupo pelo escadão da rua Cardeal Arcoverde com Cristiano Viana |
Entre buzinas e ônibus barulhentos, o grupo de dez turistas atravessa a pé o bairro de Pinheiros, em direção à Vila Madalena, caçando desenhos com ajuda da guia Yara Amaral, 26, mais conhecida como Yá!, grafiteira há seis anos e ex-aluna de artistas famosos do movimento, como Zezão e Boleta.
"A ideia é sensibilizar o olhar para a cidade", explica Leandro Herrera, sócio-fundador da Soul Sampa, agência de turismo que organiza passeios temáticos pela cidade e, desde abril, começou a explorar a fama do grafite paulistano, assim como outras duas empresas.
Pelos 5 km de asfalto, surgem trabalhos de artistas mais conhecidos, como Titi Freak e Rui Amaral, além de nomes da nova geração, como Zito, que mistura grafite e fotografia numa obra localizada sob a ponte da r. João Moura. Yara também fala das gangues de pichadores, como os coletivos Vicio e Sustos, e suas filosofias de rua.
Num "grapicho" --mix de grafite e pichação-- na rua Cardeal Arcoverde, por exemplo, letras em tons de azul e contornos elaborados fazem mistério sobre o que, afinal, estaria escrito ali. "Às vezes nem a gente entende", diz Yara sobre o desenho pintado em 2008, provavelmente de forma ilegal.
"Da mesma forma que os intelectuais criam uma linguagem que ninguém entende, eles [grafiteiros, pichadores] criaram a deles. Eles marginalizam quem os marginaliza."
Beco do Batman
Enquanto a turma caminha com suas câmeras fotográficas, Leandro e um colega ficam de olho para ninguém ficar para atrás. O grupo é composto só de mulheres, todas estrangeiras, que moram ou estudam no país. O passeio dura cinco horas, incluindo um workshop de spray ao final e pausas para almoçar e tirar fotos, especialmente na escadaria da rua Cristiano Viana e no Beco do Batman, uma longa viela de paralelepípedos na Vila Madalena, ambos locais tomados pelos grafiteiros desde os anos 80.
Do grupo de americanas, argentinas e europeias, todas querem ver osgêmeos, dupla formada pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, que expõe em galerias de arte mundo afora e é reconhecida pelos desenhos de bonecos amarelos.
Mas nenhuma delas consegue identificar a assinatura elaborada em amarelo que encontramos pelo caminho, no alto de um muro. O "bomb" -letras sem muitos detalhes, só com contorno e preenchimento-- foi feito neste ano pelo coletivo Vidaloka, do qual os dois participam, e, se olhado com calma, quer dizer "osgêmeos".
"Por mais que eles estejam nas galerias, eles continuam pintando nas ruas", explica Yara. "Sempre passo por aqui e vejo esse negócio, mas nunca imaginei que fosse dos gêmeos", comenta uma turista.
Zezão, famoso pelos tubos azuis que pinta nos subterrâneos da cidade, também surpreende com um mural pintado no Beco do Batman, repleto de nuvens de fumaça colorida em spray e estêncil, coisa que só os mais entendidos, como sua ex-aluna, reconhecem.
"É uma maneira diferente de descobrir o bairro, um passeio divertido e sério", disse a francesa Erwane Kaloudoff, 36.
“Há um racismo insidioso que exige luta dos movimentos sociais de uma maneira que não se pensava antes”, diz Boaventura Santos
Sociólogo português reconhece a atuação do Movimento Negro e do Movimento Quilombola, classificando-os “como fortes e emergentes”. Ele foi o grande nome do seminário Universidade e Sociedade sentenciou: “a sociedade brasileira é racista e acabou”

Por Isabel Clavelin
Aclamado pelos movimentos sociais e partidos de esquerda, Boaventura Sousa Santos apresentou a conferência “A Reinvenção da Emancipação Social a partir das Epistemologias do Sul”, na última quinta-feira (4/6), na Universidade de Brasília. O sociólogo português abordou temas bastante conhecidos pelo movimento social brasileiro, como o distanciamento das universidades dos grandes problemas sociais e o descrédito da ação política dos movimentos sociais pela academia. E mais: conclamou o público para a valorização dos saberes indígenas, afrodescendentes, de mulheres e grupos excluídos como elementos estratégicos para um novo paradigma mundial.
“Há uma discrepância entre a Teoria Crítica e as transformações sociais em curso. Isso sequer foi pensado ou imaginado pelo pensamento crítico. Esse é um momento de revisão do que foi aprendido há tempos para o apontamento de outras realidades, oportunidades e desafios”, iniciou o pesquisador. Sua exposição apontou para um mundo repleto de alternativas, mas ainda não captado pelo pensamento crítico. Mais que alternativas, o pensador português percebe transformações sociais impulsionadas por agentes descredibilizados e, por vezes, desqualificados ou descartados pelas forças hegemônicas da sociedade e pela Teoria Crítica.
Estranheza de toda a gente excluída
Citando os agentes dessa transformação – indígenas, afrodescendentes, mulheres, camponeses, gays, moradores de favelas, grevistas, entre outros -, Boaventura sentenciou: “é gente estranha fazendo transformação social. É essa gente estranha que fala língua estranha, que não fala a língua colonial”. O sociólogo mencionou os casos da da Bolívia e do Equador, países em que os marcos legais passaram a incorporar conceitos culturais indígenas, como exemplos de um processo de inclusão e ressignificação, denominado por ele como “ecologia do saber”.
Ciente da limitação e do longo percurso para essas mudanças, Boaventura ele recomenda a abstração do pensamento ocidental, para que valores e visões dos “grupos descredibilizados” sejam compreendidos. “África e Ásia. Há um mundo não resignado, que está reagindo e trazendo novos elementos. Mas é preciso humildade científica e humildade cultural. Não há justiça social sem justiça cognitiva. Não precisamos de alternativas, e sim de conhecimentos alternativos ao modelo que aí está”, reflete.
Ancestralidade africana e indígena
São bases de sua tese o passado e a energia futurante de indígenas e africanos. “Os movimentos indígenas e afrodescendentes demonstram que é possível inovar a partir do novo e do ancestral. Eles têm a seu dispor um passado pré-capitalista e pré-colonialista, antes de tudo”.
Para Boaventura, deve ser estruturada uma base epistemológica (pensar e repensar a ciência) do Sul a partir do conhecimento e da experiência dos povos tradicionais e de grupos historicamente excluídos do poder e da participação social. Ele também sugere que os meios hegemônicos sejam usados de forma contra-hegemônica, sobretudo, para o enfrentamento do racismo e da distribuição de terras. “A epistemologia do Sul tem o desafio de credibilizar os indígenas , afrodescendentes, mulheres e todos os excluídos pelo pensamento ocidental, pela epistemologia do Norte elaborada por cinco países da Europa e pelos Estados Unidos”.
Fracasso do século XX: racismo e apropriação de terras
“Há um racismo insidioso que exige luta dos movimentos sociais de uma maneira que não se pensava antes. O Movimento Negro e o Movimento Quilombola são expressões fortes e emergentes no Brasil. Mas o peso da democracia racial é alto e profundamente ideológico”, apontou. Boaventura pontua que as “duas grandes lutas do século XX - a anti-colonial e a anti-capitalista” fracassaram devido à continuidade do racismo e da apropriação da terra.
Classificando a sociedade brasileira como “racista e não a única no mundo”, o pesquisador citou as manifestações de racismo na Europa através da repressão de imigrantes e na academia, percebida na própria palestra. “A luta do racismo é contra as ausências. Vejam esse auditório. Quem falta nessas cadeiras? O mesmo se aplica ao sexismo. Vejam essa mesa!”, desafiou. Para ele, o questionamento da constitucionalidade das cotas para negros nas universidades brasileiras deve ter reforços: “vamos ver se os estudantes, que gostam tanto de ir às ruas, também irão nesse tema. A resistência está aí”, incentivou.
Grande imprensa e imprensa negra
Um dos lugares da sociedade em que a luta contra o racismo se expressa de forma mais acentuada é na imprensa, por meio do acesso à informação e pluralidade de opiniões. Sabedor da desproporção do debate de ideias para superação do racismo no noticiário da grande imprensa brasileira, Boaventura aposta na produção de outros meios de comunicação.
“São as rádios comunitárias, a imprensa negra e as diferentes possibilidades de comunicação que estão travando a luta contra a hegemonia. O racismo é a combinação mais venenosa e insidiosa entre o capitalismo e o colonialismo”, finalizou.
Foto: Isabela Lyrio/UnB Agência
Liberdade e Direitos Humanos da população negra: 120 anos depois
2008 foi um ano de marcas temporais simbólicas que sinalizam a busca por justiça humanitária e pela efetivação da democracia no Brasil e no mundo

Quem és tú? Qual a origem de vossa família? És herdeiro. De quê? O que comes? Bem? De tudo? E teus lazeres. Dos melhores? Fazes uso fruto do que produz? Tu e os teus, tens acesso ao que constroem? Tua pele tem especial proteção solar? Ou teus olhos sujeitos à dor diante da luz? Teu cabelo lhe protege mais o couro que as orelhas? Teu sotaque arrasta a origem? A riqueza de sua terra fez de tu herdeiro de dádivas? Quem és tu? Douglas E. Belchior
Liberdade e Direitos Humanos da população negra: 120 anos depois 2008 foi um ano de marcas temporais simbólicas que sinalizam a busca por justiça humanitária e pela efetivação da democracia no Brasil e no mundo. Já no início do ano, em 13 de Maio, vivemos no Brasil o aniversário de 120 anos da abolição formal da escravidão de africanos e seus descendentes. Outubro de 2008 marca o aniversário da Constituição Brasileira, promulgada no 5º dia daquele mês do ano de 1988. "Não é a Constituição perfeita, mas será útil, pioneira e desbravadora. Será luz, ainda que de lamparina, na noite dos desgraçados", disse Ulisses Guimarães, presidente da Assembléia Constituinte, no ato de promulgação da nova carta magna. Em pleno século 21, percebe-se ainda apenas a luz de lamparina que não ajuda a sociedade a enxergar diante da efetivação dos direitos garantidos em nossa avançada Constituição. Em 10 de Dezembro, outro importante marco: os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Seis décadas de anseio e busca pela liberdade de expressão, de pensamento e de luta pela igualdade e respeito a todas as pessoas, indiscriminadamente. Neste curto espaço de reflexão, voltaremos o olhar às questões relativas à temática étnico-racial, o que no 120° aniversário de instituição da liberdade formal e generalizada aos cidadãos, independente da origem ou etnia, nos parece extremamente importante. Percebe-se, a partir da leitura dos dados de nossa realidade que, apesar desse longo período de "liberdade", a discriminação étnico-racial, somada à desigualdade e a pobreza que atinge negros e negras no Brasil, permanece como elementos marcantes de nosso dia-a-dia. A busca dos movimentos sociais e do Movimento Negro pela efetivação dos direitos humanos e da justiça direcionada à população negra nos fez avançar e alcançar importantes vitórias no que tange a elaboração de políticas públicas. Uma análise dos resultados dessas políticas públicas é importante para que se possa qualificar e compreender a real situação dos negros no Brasil. Tem importância a lembrança de que a situação social concreta da população negra brasileira e, tanto a ação quanto a inércia do Estado e do grande poderio econômico, sempre encontrou embasamento teórico que justificasse incursões preconceituosas e racistas. As desigualdades econômicas, materiais, educacionais e de acesso efetivo à cidadania sempre mantiveram forte dimensão étnico-racial. Uma simples leitura que tenha como objeto a evolução das condições de vida de negros e brancos nas últimas décadas, a partir de estudos demográficos, educacionais, e no mercado de trabalho evidencia a permanência nas condições de pobreza, além da cristalização das desigualdades étnico raciais.
Pensamento e ideologia racial O processo de construção de "nossa" colônia portuguesa deu-se partir da utilização direta de um princípio subjetivo - de efeito prático -, amplamente reconhecido: o racismo. No entanto, não foi a partir de um pensamento racista sistematizado que a valorização do homem branco e sua cultura se estabeleceram. Donos de uma visão hierárquica e privatista da sociedade, os defensores da escravidão carregavam um conjunto de estereótipos negativos em relação ao negro. A tendência em reconhecer no ser negro uma natural inferioridade contribuía e justificava a defesa da escravidão. A escravidão foi o germe do nascimento do racismo brasileiro, no entanto, é na pós-abolição que tomam forças teses de inferioridade biológica de negros e negras. Esses pensamentos passam a nortear as ações e projetos sob a justificativa do desenvolvimento nacional. O "racismo científico" enquanto tese de diferenciação racial, passa a ser reconhecido pelas elites brasileiras a partir da década de 70 do século XIX. Tornaram-se amplamente aceitas entre as décadas de 1880 e 1920. As desigualdades naturais então defendidas seria o principal elemento diferenciador das raças. A população negra estaria então marcada pelo estereótipo negativo e pelo preconceito étnico. Tais conceitos sociais interfeririam na definição dos potenciais individuais e levariam para os espaços político e social a idéia pré-concebida de que a participação de negros e negras não poderia ser aceita ou entendida sem a existência de restrições. Acentuam-se as dificuldades quanto à participação dos negros e negras nos espaços públicos, bem como se aprimoram os mecanismos discriminatórios. O branqueamento da população, conciliando a crença da superioridade branca com a busca do desaparecimento do "ser negro" transforma-se em elemento subliminar das ações do Estado. A ausência de políticas públicas para negros e negras livres e ex-escravizados é a principal marca desse período. Ao contrário, notam-se iniciativas que foram fundamentais para que a integração de negros e negras se restringisse a espaços desprestigiados pela sociedade. Como exemplo deste tipo de "condenação", podemos lembrar a política de incentivo a imigração européia, prática intensa - não apenas por coincidência - durante o mesmo período em que os ideais racistas tornam-se mais efetivos. A entrada em grande escala de imigrantes europeus em nosso país é elemento explícito, como já amplamente abordado em nossa historiografia, da prática da ideologia do branqueamento, o que alojou a população negra na subdimensão do florescente mercado de trabalho livre e assalariado. Ainda antes, diversas medidas governamentais deixavam clara a opção pela eliminação da população negra do contexto social. A lei nº 601/1850, conhecida como Lei de Terras, aprovada no mesmo ano em que se determinou a proibição do tráfico de escravos (Lei Euzébio de Queiroz), significou importante restrição às possibilidades de acesso à terra por parte da população negra. O período pós-abolição foi marcado pelo desenvolvimento econômico casado à urbanização e às tentativas de desenvolvimento da indústria e do comércio, em especial na região do sudeste brasileiro. No entanto, as oportunidades geradas por esse processo de desenvolvimento ficaram restritas à população não-negra. Os preconceitos enraizados pela sociedade branca após quase 400 anos de escravidão acabaram por construir uma consciência de inferiorização do trabalhador negro, o que ampliava a expectativa relativa à chegada de trabalhadores europeus.
As distorções e o desequilíbrio na distribuição das oportunidades notadas durante o processo de inclusão econômica foram fundamentais para a cristalização de um quadro desolador na realidade social da população negra. Os efeitos das teses de supremacia racial, reconhecidas até o final dos anos de 1920, seguido da adesão a uma outra grande tese, agora cravada no relacionamento cordial e pacífico entre as etnias européia e africana, consagrada no ideário da democracia racial de Gilberto Freire, acabou - ao contrário, por servir como combustível para a organização da resistência negra, através do teatro experimental do negro, do Rio de Janeiro, da Frente Negra Brasileira e de demais organizações. A resistência negra organizada se mantém até o advento da ditadura dos anos 60, quando os militares passam a proibir e perseguir nossas entidades e manifestações. A questão étnico-racial retorna ao debate público nacional somente a partir da redemocratização e tem seu ponto alto no final da década de 1980, quando em 1988 se comemora os 100 anos da abolição da escravidão. É este também o ano da Constituição Cidadã, que traz entre seus avanços a formalização do direito à titulação de terras às comunidades tradicionais indígenas e quilombolas, além de tornar o racismo crime inafiançável. A partir daí, as discussões acerca da criação de mecanismos de combate efetivo a discriminação racial, acompanhadas da preocupação em alcançar formas reais de inclusão social dessa população toma corpo e ganha força. Brasil: o país do Apartaihd camuflado Aos 120 anos da abolição formal da escravidão no Brasil, o fruto da resistência alimenta a esperança da população negra brasileira. Ao contrário do que planejavam as elites nacionais, em especial a partir da pós-abolição, quando foram implementadas diversas ações no sentido de eliminar ou diminuir a presença negra no Brasil, percebe-se, na projeção do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), divulgada em maio de 2008, que ainda neste mesmo ano a população negra seria mais numerosa que a população branca. A partir do ano de 2010 o Brasil será, portanto, um país de maioria absoluta de negros e negras. No entanto, apesar de constituir importante densidade humana, apesar de representar parcela fundamental da mão-de-obra trabalhadora deste país, responsável em grande parte pela construção de nossa riqueza econômica e cultural, os avanços em relação à situação social da população negra são pouco sentidos. Ainda de acordo com projeções do IPEA, em pesquisa feita com base nos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a renda média da população negra só se equiparará à renda da população branca no ano de 2040, caso haja uma permanência das políticas públicas dirigidas, atualmente em vigor. Assim, as rendas de negros e negras só serão iguais à da população branca daqui a 32 anos. Hoje, negros ganham, em média, 53% da renda do branco. A taxa de desemprego entre os negros é de 9,3%, enquanto que a dos brancos é de 7,5%. Nos setores com menor remuneração a maioria dos trabalhadores é negra, caso da agricultura (60,3%), construção civil (57,9%) e serviços domésticos (59,1%). Aos donos de olhares mais atentos, é comum a percepção de que existe uma seleção étnica na oportunização de empregos de médio e alto prestígio. São raros os casos de ocupação de chefias ou demais cargos importantes por negros e negras. A presença de negros em cargos de nível executivo nas maiores companhias brasileiras é de apenas 3,5%, segundo pesquisa do Ibope/Instituto Ethos. A situação das mulheres negras é ainda pior, uma vez que são vitimadas pelo duplo preconceito. A pesquisa realizada pelo Ibope/Instituto Ethos, de 2005, demonstra que mulheres negras ocupam menos de 0,5% de cargos executivos. Na medida em que pesquisas sérias dirigidas à situação social são divulgadas, confirma-se a importância do racismo e do preconceito étnico como elementos fundamentais na divisão de classes sociais no Brasil. Os 10% mais ricos no Brasil detêm 75% da riqueza, demonstra o IPEA (Folha de SP 15/05/08). Ao mesmo tempo, a pesquisa “Retrato das Desigualdades”, também realizada pelo Ipea e pela Unifem, mostra que entre os 10% mais pobres, 71% são negros. "Há um embranquecimento da população conforme se sobe na pirâmide social", diz Luana Pinheiro, coordenadora da pesquisa no Ipea. A população negra permanece, como vemos, compondo a grande massa precarizada socialmente em nosso país. A conceituação do "racismo institucional", ou "estrutural e sistêmico", cujo qual opera na sociedade a revelia dos indivíduos, traz em sua prática o reforço dos estereótipos preconceituosos. O racismo, o preconceito e a discriminação operam sobre a naturalização da pobreza, ao mesmo tempo em que a pobreza opera sobre a naturalização do racismo, exercendo uma importante influência na situação do negro no Brasil. Negros e negras: proibir estudar, proibir dirigir, impedir o levante Pelas expectativas, voltaremos a ser um país de maioria negra. Como é possível ignorar as discrepâncias e os efeitos do racismo dirigido a uma população potencialmente majoritária em nosso país? Como aceitar que, apesar dos avanços sociais e econômicos vividos por nosso país durante todo o século XX, a população negra não tenha sido atendida em demandas tão essenciais como, por exemplo, no campo da formação educacional? Há 32 anos, 5% dos brancos concluíam a educação superior. Os formados negros pouco passavam de 0%. Em 2006 cerca de 5% dos negros formava-se em cursos superiores. No entanto, mantendo a discrepância, 18% dos brancos atingiam esse nível educacional. Hoje, a falta de acesso dos negros à universidade é um dos principais culpados pela imobilidade social. Não há duvidas de que, no Brasil, apesar dos avanços recentes e notados nas adesões a políticas de ação afirmativa para negros e cotas em algumas universidades, esta instituição ainda cumpre importante tarefa na reprodução das desigualdades raciais ao impedir a formação de uma elite negra e o acesso dos negros à elite intelectual do país. Em nosso país, como demonstra um estudo realizado na Paraíba (onde se observou que praticamente todos os 120 universitários entrevistados afirmam que no Brasil existe preconceito, mas curiosamente a grande maioria não se considera preconceituosa), toda a população brasileira parece ter clara consciência da discriminação racial que se vive, mas não aceita a responsabilidade por esta situação. Sabemos que esse é o resultado de uma profunda ação ideológica sistemática. Mas que devemos combater. É preciso, hoje mais que outrora, quando celebramos 120 anos do fim da escravidão, de uma disciplina ainda mais responsável e militante no combate a um tipo de racismo tão específico, fruto desses mais de 500 anos de construção do Brasil. O Racismo como dimensão da luta de classes na sociedade brasileira A Educafro, em especial nestes últimos 10 anos de organização em São Paulo, trabalha na perspectiva de constituir-se em uma organização de luta concreta do povo negro e não negros pobres. O eixo afro-étnico que norteia nosso olhar e ações, casado à questão da educação e do estudo, a cada dia parece mais eficaz no sentido de mobilizar pessoas de todas as idades, em especial a juventude, para as questões estruturais que sustentam as contradições e desigualdades sociais. No Brasil, etnia, gênero e classe interagem e definem quem são os oprimidos e os opressores. Dentre os oprimidos, não temos dúvidas, os/as negros/as são os/as que mais sofrem. A partir daí, a valorização da identidade étnica e o entendimento do racismo como "a mais perversa dimensão da luta de classes no Brasil", surgem como fatores propulsores da mobilização e da rebeldia na maior parte da população brasileira. "Em algum momento de 2008 a população negra será mais numerosa que a população branca (...) a partir de 2010 o Brasil será um país de maioria absoluta de negros" - IPEA - Disoc - 13.05.08 Neste momento de refluxo dos movimentos populares e do consenso de que devemos nos dedicar aos estudos e ao acúmulo militante no sentido de nos preparar para o levante, faz-se necessário uma releitura de nossa história. O continente africano, subjugado em especial nestes últimos cinco séculos, foi submetido aos interesses dos povos "civilizados" - principalmente europeus. Entre os séculos XVI e XIX não menos que 15 milhões de almas foram arrancadas deste continente para a servidão do trabalho compulsório na América. Desta mão-de-obra escravizada e do próprio comércio de seres humanos negros, decorreu o acúmulo primitivo do capital suficiente ao impulsionamento da 1º Revolução Industrial e do Capitalismo. (Eduardo Galeano - Veias Abertas p. 92-94). No Brasil, por quase quatro séculos, africanos e seus descendentes permaneceram escravizados. Sua natureza humana e índole guerreira fizeram com que resistissem permanentemente e de diversas maneiras à opressão senhorial. Enquanto houve escravidão, houve resistência e guardamos a República de Palmares e seu líder Zumbi como grande marco dessa história de lutas. Mais eficaz que a política racista e higienista do Estado e seus dirigentes foi a resistência guerreira do povo negro e sua volúpia pela liberdade e pela vida. O Censo de 1890 contava 56% de negros no país. Em 1940, o total de negros havia caído para 35,8%. A substituição da mão-de-obra negra pelo trabalho livre assalariado branco foi imposta como necessidade para a modernização e para a purificação do sangue brasileiro, doravante ameaçado pela presença negra. Embora pareça absurdo, a ideologia racista tornou-se regra social. Em que pese o disfarce contemporâneo, nem sempre houve preocupação em esconder tal ideário. Veja a defesa do modelo pós-abolição defendido pelo economista progressista - referência da esquerda -, Celso Furtado: (...) As vantagens que apresentava o trabalhador europeu com respeito ao ex-escravo, são demasiadamente obvias (...) cabe tão somente lembrar que o reduzido desenvolvimento mental da população submetida à escravidão provocará a segregação parcial desta após a Abolição, retardando sua assimilação e entorpecendo o desenvolvimento econômico do país." (Celso Furtado - Formação Econômica do Brasil.1959 p.166) As elites brasileiras se renderam às teses do racismo-científico. Sequer a embrionária esquerda ficou imune, segundo o trabalho do professor Sidney S.F.Sólis, apresentado no Secneb, em Salvador - 1984: "Tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo a imprensa anarquista não refletia nenhuma simpatia ou desejo de união com os negros, mas, pelo contrário, chegava mesmo a estampar artigos nos quais eram visíveis o preconceito racial(...) do ponto de vista ideológico surgia, já como comportamento da própria classe operária, os elementos de barragem social apoiados no preconceito de cor." (Clóvis Moura, Sociologia do Negro, p.65.) Em meados dos anos 1930, as teorias racistas perdem espaço, em especial a partir da obra Casa Grande e Senzala (best-sealer das elites), de Gilberto Freire. Surge a idéia do senhor bondoso e do escravo passivo e obediente. As relações pacíficas, cordiais e paternalistas, bem como a fácil e saudável miscigenação, alimentadas por mais de 350 anos de escravidão, tornaria impossível uma ação organizada e radical por parte do povo negro em relação ao opressor branco. Toma corpo e vende-se para o mundo a idéia do Brasil como a maior democracia racial do mundo. A Frente Negra Brasileira e o Teatro Experimental do Negro são dois dos poucos instrumentos de onde soam vozes dissonantes a esse ideário. Idéia essa, reformulada por Darcy Ribeiro em sua obra "A Formação do Povo Brasileiro", que valoriza a “morenidade” e a mestiçagem biológica e, por conseguinte, nega a identidade étnica. Esse conceito é tão poderoso que ainda hoje norteia as relações raciais em nosso país. Nos anos 50, 60 e 70, a partir dos estudos de Roger Bastide e Florestan Fernandes, entre outros, o Brasil é denunciado ao se retratar a violência das dimensões sociológicas, políticas e sociais às quais o povo negro brasileiro permaneceu tanto durante o escravismo quanto na pós-abolição: "A sociedade Brasileira largou o negro ao seu próprio destino, deitando sobre seus ombros a responsabilidade de reeducar-se e de responsabilizar-se para corresponder aos novos padrões e ideais de homem, criado pelo advento do trabalho livre, do regime republicano e do capitalismo." "Não só não se processou uma democratização real da renda, do poder e do prestigio social em termos raciais. As oportunidades surgidas foram aproveitadas pelos grupos da ’raça dominante’, o que contribuiu para aumentar a concentração racial da renda, do poder e do prestígio social em beneficio do branco." (Florestan - O negro no mundo dos brancos - p. 46) A ideologia dominante é uma ideologia branca. Um ideário composto por elementos da tradição, da cultura, do ser político, do estereotipo, da mentalidade e da religiosidade ocidental e branca européia. Nas palavras de Clóvis Moura, "um conjunto conceitual branco que foi e ainda é aplicado à realidade do negro brasileiro". E é contra essa ideologia branca (que norteia a elite branca racista brasileira e internacional) que todos/as nós, negros e não-negros pobres, devemos nos voltar. Homens e mulheres, negros/as e brancos/as pobres, pertencem a uma só classe. No entanto, sofrem de maneira diferente as contradições do sistema hegemônico, seja por via do racismo, do machismo ou da exploração econômica. Esse é o olhar necessário e urgente. "Preconceito e discriminação racial estão presos a uma rede de exploração do homem pelo homem e o bombardeiro da identidade racial é prelúdio ou requisito da formação de uma população excedente destinada, em massa, ao trabalho sujo e mal pago(...) (Florestan, 1989, p.28) Este é o momento do encontro, da roda e da palavra, elementos tão caros à cultura africana. Façamos, pois, deste momento, o novo. Ultrapassemos os equívocos, mas aprendamos com eles. Durante anos a questão étnico-racial foi desmerecida e reduzida a uma leitura estreita e classista pelos movimentos de esquerda. Por outro lado, é certo que tal desprezo, somado ao apego apenas à luta específica, acabou por distanciar o Movimento Negro da luta classista. Entendemos que classe e etnia são dois elementos explosivos e revolucionários que devem caminhar juntos. Douglas Elias Belchior / Professor de História / Membro da Coordenação Nacional da Educafro Referências Bibliográficas O Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas - Pesquisa 2005 - FGV-EASP - IPEA - OIT REVISTA PSICOLOGIA POLÍTICA - A Face Oculta do Racismo no Brasil: Uma Análise Psicossociológica - Leoncio Camino, Patrícia da Silva, Aline Machado e CíceroPereira - 2000 Desigualdades raciais, racismo e políticas públicas: 120 anos após a abolição - Diretoria de Estudos Sociais (Disoc) - IPEA - 13/05/08 Info Mensal nº 116 - Educafro O negro no mundo dos brancos - Florentan Fernandes Sociologia do Negro - Clóvis Moura Veias Abertas da América Latina - E. Galeano A Formação do Povo Brasileiro - Darcy Ribeiro Casa Grande e Senzala - Gilberto Freire
Negras Artes - Festa Miscelanea Cultural
por Michelle Amaral da Silva
No encontro, que será realizado no dia 30, manifestações da cultura popular brasileira de origem africana serão representadas através da dança, música, culinária, vestuário, adornos, hip hop entre outras atividades artísticas
Participam deste evento grupos culturais da região da Baixada Santista e São Paulo, capital. Entre os grupos que se apresentarão estão Afroketu, Anca Capoeira, Ilú Oba de Mim, Proeco e Tarja Preta.
O evento começa com um cortejo de Maracatu pelo entorno do mercado municipal (concentração às 11h), e continua até as 21h, fechando com a apresentação do grupo Ilú Obá De Min. Ao longo do dia acontecerão apresentações de capoeira, côco, maculelê, samba de roda, hip hop, desfile de moda afro e oficina de dança afro.
Enquanto isso, na praça de alimentação oferecerá feijoada, bobó de camarão, e outros petiscos da culinária brasileira como o acarajé, bolinho de feijoada, canjica, cocada, além de caipirinha e outros aperitivos afro.
Inscrições para oficina e maiores informações:
Telefones:
+ 55 13 3014 0706
+ 55 13 9743 6569
“Negros e Alvos” apresenta o "monstro" do Racismo
por cristiano
Numa estética artística que mescla dança contemporânea com a dramaturgia, as situações decorrem perpassando pelas relações familiares, religiosas e racista
“È necessário escancarar esse monstro”. A afirmação parte de Monahyr Campos ao definir o que o motivou a escrever a peça “Negros e Alvos” que está em cartaz em São Paulo. O monstro ao qual se refere é o preconceito, que segundo ele eterniza toda a exclusão a que o negro brasileiro está submetido até os dias de hoje, inclusive utilizado pela elite brasileira como estratégia.
Por isso, sensibilizar o público, propor uma reflexão mais aprofundada sobre os aspectos do racismo que geralmente são ignorados pela população em geral é também premissa do espetáculo, abordando “os efeitos psíquicos da exclusão racial e do preconceito internalizado no inconsciente coletivo, além, principalmente de tentar destituir o mito que no Brasil não existe racismo", declara Monahyr.
Numa estética artística que mescla dança contemporânea com a dramaturgia da peça, além do musical presente em vários momentos do ato, as situações decorrem perpassando as relações familiares, religiosas e racista existente no seio da sociedade.
Alienação
No entanto, enganam-se aqueles que pensam que a abordagem da peça traz a imagem do negro na pobreza, miséria e exploração, justamente porque pesquisando ritmos tradicionais brasileiros há uns dez anos, visitando alguns quilombos e convivendo muito com ativistas da causa negra, Monahyr compilou material, entrevistas e observações de campo e chegou a uma conclusão que traça as características do ator principal: um jovem negro, formado em psicologia numa boa universidade, porém alienado do conhecimento de suas origens.
Com esse aspecto almejado para a peça, acompanhada pela reportagem em sua pré-estréia, mostra-se que muitas vezes os negros seguem preceitos e hábitos de vida dos brancos sem perceberam o quão isso afeta negativamente na propagação e preservação de sua cultura e religião.
Fomentando, assim, uma reflexão aos espectadores de que o negro de qualquer classe social pode viver imbuído num preconceito corriqueiro e quase sem notar os acontecimentos do dia-dia. Monahyr explica, “Em nossas pesquisas de campo, percebemos um detalhe impressionante: exceto os negros engajados na causa negra, nenhum dos entrevistados começou a conversa assumindo ter sido vítima de algum exemplo de preconceito racial. Depois de, em média, uns dez minutos, as pessoas iam, gradativamente se lembrando de casos escabrosos”.
Monahyr conclui, “vale a pena assistir, pois, o espetáculo antes de tudo é uma peça de teatro sensível, divertida e emocionante”.
Festa em livraria mistura rap e psicodelia
No próximo sábado, 13 de junho, dia de Santo Antônio, a Livraria da Esquina recebe o arraial alternativo da Noite Alavanca. Alternativo a começar pela mistura: o rap de Slim Rimografia e a psicodelia de Caio Bosco.
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| Filiph Neo, Slim Rimografia e Thiago Beats se apresentam na Noite Alavanca neste sábado |
Ícone do hip hop no Brasil, Slim Rimografia se apresentou recentemente na Europa, tem dois discos lançados na praça e um novo single, "Canto de Vitória". O MC e produtor paulista recorre ao samba, à MPB, à bossa nova e a ritmos regionais e folclóricos para criar suas rimas e "beats". Ao lado de Filiph Neo (teclado e voz) e Thiago Beats (beat box e samplers), Slim mostra músicas conhecidas do público, como "Por Você", "Amigos", "Compre Meu Disco", "Sol" e "Falido".
Caio Bosco, do Guarujá (litoral paulista), se apresenta com DJ Beto (turntable, teclado, sample, tape reel to reel, dub fx), Juca Lopes (bateria), Emerson Tripah (guitarra) e Fabio Peraccini (baixo). Dono de uma melodia psicodélica, que percorre sonoridades que vão do folk ao jazz, do rock a MPB, o músico apresenta seu novo EP, "Diamante".
A discotecagem fica por conta de Daniel Cunha, Eduardo Ribas e Nathalia Leme, do blog Per Raps, responsável pelo lado rap da festa. A seleção do trio contempla clássicos e novidades da música negra: do rap ao jazz, e do afrobeat aos batuques brasileiros.
Livraria da Esquina - Lado A - r. do Bosque, 1.254, Barra Funda, região oeste, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3392-3089. Sáb. (13): 23h. Ingr.: R$ 10. Aceita todos os cartões de crédito. Não recomendado para menores de 18 anos. www.livrariadaesquina.com.br.
Grupo de jovens do RJ usa o teatro contra a discriminação
Um projeto coordenado pela organização não governamental Escola de Gente e criado por alunos de Artes Cênicas da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) está levando a todo o país reflexões sobre a necessidade de inclusão social nos ambientes de trabalho e escola.
Com esse objetivo, o grupo teatral Os Inclusos e os Sisos da Unirio faz em turnê nacional com a peça Ninguém mais vai ser bonzinho, que tem supervisão do dramaturgo Bosco Brasil.
O grupo leva reflexão para todos os espaços por onde passa e mobiliza as pessoas, no sentido de transformarem a cultura em um meio mais acessível para todos, relatou Danielle Basto, a representante da Escola de Gente na Rede Latino-americana de Arte para a Transformação Social (Avina).
“Mostramos para o público que existem formas de garantir a participação de todas as pessoas em um espetáculo teatral. Esse é um tipo de influência direta.”
A ONG garante o acesso para que mesmo as pessoas portadoras de deficiências também assistam ao espetáculo teatral. As apresentações contam com versões impressa, em braile (linguagem para deficientes visuais) e em meio digital, além de tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), legenda eletrônica e audiodescrição. A entrada é franca em todos os espetáculos.
Depois de Recife e Salvador, o grupo se prepara para participar, nos próximos dias 10 e 11, do Festival Internacional de Teatro de Londrina (PR). Em seguida, vai para o Rio de Janeiro, onde fará apresentações no Teatro Mário Lago, na Vila Kennedy; no Sesc de Niterói, no Instituto Benjamin Constant e na Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, a partir do dia 17.
A peça é inspirada no livro Ninguém mais vai ser bonzinho na sociedade inclusiva, da jornalista e fundadora da ONG Escola de Gente - Comunicação em Inclusão, Claudia Werneck, que é também autora de outras 11 obras sobre inclusão, para crianças e adultos.
Para 2010, a Escola de Gente planeja um espetáculo voltado ao público infantil, além de capacitar jovens. Danielle Basto explicou que serão aceitos estudantes de artes cênicas de cursos livres e outras universidades, além da Unirio. “Formam os jovens no conceito de inclusão, contra qualquer tipo de discriminação ou preconceito, mas a partir de uma base teórica que eles já tenham.”
Agência Brasil
Mulheres que amam demais e se esquecem da própria vida
Comportamento. O que leva à perpetuação de relações que geram desrespeito, agressões, dor e sofrimento
Ana Elizabeth Diniz
O Mada é uma irmandade de mulheres que compartilham sua experiência, força e esperança para resolver problemas comuns e ajudar outras mulheres a se recuperarem de sua dependência de pessoas. Para frequentar as reuniões é preciso o desejo de sair da dependência de outra pessoa e manter o grupo no anonimato.
Segundo Zilda Machado, membro da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano, existe uma frase famosa do psicanalista Jacques Lacan que diz que "não há relação sexual". Zilda explica que, com isso, ele quis dizer que não há complementariedade entre os sexos. "Não há nada que conecte o gozo masculino ao gozo feminino. E o amor é justamente aquilo que vem suprir a inexistência da complementariedade entre os sexos. Essa fala, ao contrário, impulsiona-os bem um em direção ao outro."
A psicanalista relata que "na linguagem não há nada que diga o que é ser o homem de uma mulher e principalmente o que é ser a mulher de um homem. Na linguagem o que sempre aparece é a impossibilidade do encontro entre homens e mulheres, ou melhor dizendo, é o desencontro".
Símbolos fálicos. Zilda considera que, culturalmente, o homem se ajeita melhor. "As insígnias fálicas o identificam, ele é aquele que tem. Já a mulher, embora possa também ter garantias nas insígnias fálicas, mesmo que ela seja muito bem-sucedida, mesmo que seja ótima profissional, e até tenha muita satisfação como mãe, isso ainda não responde ao seu ser de mulher. Não há uma resposta clara sobre o que é ser mulher. Não há algo que a referencie, que diga a ela: ser mulher é isso."
E essa situação, prossegue a psicanalista, "coloca-a muito mais necessitada do amor porque é onde ela pode encontrar um paliativo não apenas para sua solidão, mas para a sua falta de referência nela mesma".
Para a especialista, a mulher precisa do homem não só como um companheiro, mas como um referente: eu sou a mulher do fulano! "Isso a identifica. Isso dá a ela uma posição social, mas também algo mais importante: uma ancoragem subjetiva."
Muitas mulheres, diz Zilda, perdem-se no esforço de causar desejo no homem. "Mas não sabem que desejo é falta. Quanto mais se esforça para causar o desejo do outro mais distante se está da via desejante."
Os Tambores de um quilombo
| Bianca Magela Melo, jornalista de Belo Horizonte - MG |
Nove anos. Foi o tempo que a comunidade quilombola dos Luizes, na área urbana de Belo Horizonte (MG) levou para ter coragem de tocar seus tambores de novo. Os ensaios do grupo de cultura afro eram comuns desde que a líder comunitária Maria Luzia Sidônio, hoje com 65 anos, era mocinha. No entanto, o constante estranhamento dos vizinhos dos prédios de classe média, as reclamações e os olhares de condenação silenciaram por um tempo o bonito batuque dos Luizes.No último dia 29 de julho, quando foi comemorada a festa anual de Santana, um grupo de Luizes ousou brincar de tambor ao final da apresentação da guarda de congado de Bom Despacho (interior de Minas). "Fomos reconhecidos pela Fundação Palmares e os tambores são parte de nossa cultura", explica Maria Luzia, referindo-se ao título de comunidade Quilombola, concedido em 25 de novembro de 2004.
A titulação mexeu com a auto-estima dos Luizes. Além dos instrumentos de percussão, eles ganharam da Fundação Palmares máquinas para confecção de roupas. "Pode ser uma alternativa de renda para os jovens", diz. Antes já foi bem diferente, conta a líder: "Todo mundo ria quando eu falava que era quilombola."O grupo que representa os interesses da comunidade agora tem nome: Associação de Quilombos Luizes N´tamimawsi, que significa um só coração na língua Eve Von, da República de Benin, conforme ensina a presidente Maria Luzia. De acordo com ela, os habitantes de Benin têm servido ao Brasil como fonte de danças e cantos de religiões de matriz africana.
O núcleo do quilombo está localizado em uma área de quatro mil metros quadrados no bairro Grajaú, zona nobre da capital mineira. Cerca de 120 pessoas vivem no local de casas simples, chão de terra e grandes árvores. De lá, a vista dos Luizes alcança compridos prédios por todos os lados. "Estão todos na área que um dia foi do quilombo", observa Maria Luzia.
ÁREA INICIAL EM BELO HORIZONTE ERA DE 18 MIL METROS QUADRADOSSegundo consta nos registros dos Luizes, o terreno inicial ocupado pelos escravos fugidos do domínio do senhor de escravos Antônio Luiz Simões, era superior a 18 mil metros quadrados nas proximidades do bairro Grajaú. Considerando todo o espaço encampado na época pelos Luizes, a área, conta Maria Luzia, seria de 624 mil metros quadrados, incluindo uma grande extensão que liga Belo Horizonte ao município vizinho de Nova Lima.Os Luizes já perderam a conta do número de advogados contratados sem que medidas fossem tomadas. "Vimos nosso patrimônio ser ocupado bem próximo às nossas casas." Há outros cerca de 200 descendentes da mesma família espalhados em outras regiões da cidade. Na Secretaria de Regulação Urbana da Prefeitura de Belo Horizonte, a informação é a de que todas as construtoras que deram entrada para obter licença de realização de obras nas imediações, tinham os documentos que comprovavam posse do imóvel.
Maria Luzia revela que a escritura em poder dos Luizes foi ignorada. O documento foi emitido pelo cartório de imóveis da cidade de Sabará em 1895, dois anos antes de Belo Horizonte ser reconhecida como município. "Foi esta luta a vida toda. Diziam (os construtores) que o terreno era deles e ficava aquela história de escritura sobre escritura e a gente sempre procurando a prefeitura sem conseguir nada", desabafa.
Em 2002, a preparação do terreno para erguer mais um prédio no bairro, levou junto o centro cultural da comunidade. "Até hoje não conseguimos reconstruí-lo e ficamos com a sensação de impotência." Vontade de desistir não faltou, mas eles prosseguiram. Mesmo quando a tia de Maria Luzia morreu assassinada dentro da própria casa. "Achei muito desaforo e passei a fazer o que ela fazia."Seppir — Uma vez identificadas as áreas, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial oferece assistência para as comunidades remanescentes de quilombos. "Auxiliamos com apoio jurídico e acompanhamos qualquer ameaça ou dificuldade", explica a diretora de programas da subsecretaria de políticas para a comunidade, ligada à Seppir, Maria Palmira da Silva. Eles têm cadastrados cerca de três mil comunidades quilombolas no país. "A maioria está totalmente isolada do contato urbano, mas, assim como os Luizes, em Belo Horizonte, há exemplos como o da família Silva, no Rio Grande do Sul."
MISSA CONGAAs roupas muito brancas dos congadeiros de Bom Despacho salientam os adornos coloridos e a cor da pele que resplandece com o sol do final do dia. A dona de casa Jorgina Nunes Guimarães, da comunidade dos Luizes, era uma das espectadoras atentas à apresentação. Está feliz com seus dois filhos gêmeos de 13 anos, que estão aprendendo a tocar tambor. "É uma tradição que nunca deveria ter parado. Sem batuque parece que está faltando alguma coisa na vida da gente."A festa dos Luizes tem missa conga com presença de padre e com todo ritual, mas no lugar das músicas tradicionais da igreja católica, entram os cânticos africanos. "Negro sofria. Negro Chorava. Negro Rezava. Lá na Senzala. Ô ô meu senhor ô ô." Tradição trazida pelos escravos africanos e espalhada nas terras do ouro, o Congado é ainda hoje muito presente em praticamente todas as regiões de Minas Gerais. Além das danças e da música, as festas sempre têm muita fartura de comidas características: feijão tropeiro, canjica, arroz doce, pipoca e frutas. "Cada família prepara um prato ou mais e não falta boa comida", explica Luiza Sidônio, irmã da organizadora da festa.
Os arturos e o congado: símbolo de luta e resistência
| Júnia Bertolino, Júnia Bertolino é bailarina afro, jornalista (0011097/MG), antropóloga e pós-graduanda em Estudos africanos e afro-brasileiros juniabertolino@yahoo.com.br | ![]() |
Em Belo Horizonte e Minas Gerais encontramos a forte expressão dos congados, chamados de Reinados e Irmandades de Nossa Senhora do Rosário. Geralmente prestam homenagens aos santos pretos: São Benedito, Santa Efigênia, Santo Antônio, São Jorge, Nossa Senhora Santana e Nossa Senhora das Mercês. Como antropóloga venho transitando em vários grupos culturais e movimentos de matriz africana. A oralidade, ancestralidade, tradição e identidade do povo brasileiro precisam ser discutidas e preservadas sempre. Portanto, eu acredito ser muito importante qualquer iniciativa que divulgue e valorize as diversas manifestações populares, sobretudo os nossos ricos reinados presentes em Belo Horizonte e em Minas Gerais.
A Comunidade dos Arturos vem, há mais de 108 anos, com sua cultura expressiva e forte religiosidade, manifestando culto a Nossa Senhora do Rosário nas festas do Congado. Os Arturos são um grupo familiar que reside em propriedade coletiva no município de Contagem. Durante todo o ano realizam diversas festas, como 13 de Maio - Abolição da Escravatura, Festa de Nossa Senhora do Rosário (outubro), João do Mato e Folia de Reis (dezembro), além do candombe e batuque nas festas de casamento, aniversários e batizados.
A coroação de reis e rainhas tem larga tradição em todo o Brasil. Já em 1674 registrava-se a coroação de reis de Congo na Igreja de Nossa Senhora do Rosário. em Recife. Em Minas, Saul Martins cita em sua tese que André João Antônio, em 1711, já identificara o costume dos negros de criarem reis, juizes e juízas nas festas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Encontram-se também em Minas registros de Irmandades de Nossa Senhora do Rosário datados de 1704 e 1715, nas cidades de Serro e de Ouro Preto.
Os Arturos vêm, cada vez com mais freqüência, atraindo pesquisadores e estudiosos de Minas e de todo o país. A história dos Arturos começou com Camilo Silvério e Felisbina Rita Cândida, em Vila Santa Quitéria, hoje município de Esmeraldas. Dessa união nasceu Arthur Camilo Silvério, que mais tarde constituiu família com Carmelinda Maria da Silva. Os frutos dessa união formam hoje os Arturos, com mais de 50 famílias, tendo atualmente cerca de 400 descendentes instalados em seis hectares de terra no local denominado Domingos Pereira, em Contagem, onde estão radicados desde 1880.
Os filhos de Arthur Camilo são: Geraldo Arthur Camilo (falecido), Maria Gelsa da Silva (falecida), Conceição Natalícia da Silva (Tetane), Juventina Paula de Lima (Intina/falecida), Maria do Rosário da Silva (Induca), José Acácio da Silva (falecido), Antônio Maria da Silva, Mário Braz da Luz, João Batista da Silva (falecido) e Joaquim Bonifácio da Luz (Bill), sendo eles os responsáveis pela bonita e orgulhosa comunidade negra e ainda por transmitir todos os ensinamentos e principalmente a devoção a Nossa Senhora do Rosário, manifestada através do congado, herança deixada pelos seus pais. Atualmente o patriarca é o capitão-mor Mario Braz da Luz, 72 anos, que recebe o carinho e o respeito da comunidade.
A comunidade dos Arturos é representada juridicamente pela Irmandade Nossa Senhora do Rosário de Contagem, que tem como função sobretudo cuidar da organização das festas. Fundada em 1972, compõe-se das guardas de Congo e Moçambique do Reinado. As guardas têm sua representatividade: o congo é responsável por abrir os caminhos, sendo a guarda que segue à frente nos cortejos; o moçambique é responsável por conduzir os reis e rainhas, guardar e proteger o Reinado, sendo portanto os últimos no cortejo, seus capitães também tiram o canto e são autoridades, dentre as quais são consideradas autoridades máximas o Capitão-mor (Mário Braz da Luz) e o capitão-regente (Antônio Maria Silva). José Bonifácio da Luz (bengala), capitão e presidente da Irmandade, diz que ele apenas assina, pois quem decide tudo dentro da comunidade dos Arturos são os mais velhos, assim manda a tradição e o respeito aos mesmos é um valor fundamental na cultura vivenciado pelo grupo.
As festas na comunidade dos Arturos têm início no dia 6 de janeiro, com a Folia dos Santos Reis. Na segunda semana de maio, quando da comemoração da abolição da escravatura, a Irmandade recebe um grande número de visitantes e inúmeras guardas convidadas da capital e do interior de Minas. O mesmo ocorre em 08 de outubro, que é a grande Festa de Nossa Senhora do Rosário. No dia 15 de dezembro tem lugar a festa do João do Mato. O encerramento das festividades ocorre em 25 de dezembro, quando o rei visita os presépios das casas dos Arturos e dos bairros vizinhos.
Nos altares desses grupos, entre coroas, bastões e imagens de santos católicos, se fazem presentes também os pretos velhos, Iemanjá, São Jorge, São Cosme e Damião. Destaca-se o culto de raízes africanas presente principalmente no candombe, onde se evoca a força dos antepassados. Em algumas guardas é um ritual interno e tem a responsabilidade de abrir as festas mais importantes da comunidade.
José Bonifácio (Bengala) explica que toda festa é um momento sagrado: “Além da devoção a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia e outros santos pretos, é também uma oportunidade que temos de estar com nosso reinado nas ruas, mostrando a força, a herança e a riqueza da nossa cultura para os moradores de Contagem”, enfatiza. Também Marília Campos, prefeita de Contagem, ressaltou a importância da Comunidade dos Arturos para o município, sendo exemplo de luta e resistência, aproveitando para reafirmar seu compromisso com a luta pela igualdade racial e as políticas públicas voltadas para a comunidade negra.
Os jovens da Comunidade dos Arturos criaram o grupo “Filhos de Zâmbi”, através do projeto “Criança Negra, Criança Linda” desenvolvido pela Pastoral do Negro, incentivados por Tereza de Fátima Hatem, Anaíse Fortunato e Maria Gorete Heredia, em 1991. Em 1997, por motivos diversos, o grupo interrompeu suas atividades, retornando somente em 2001 com o objetivo de divulgar os trabalhos da comunidade e a riqueza da dança afro-brasileira, valorizando a auto-estima e a herança dos ancestrais. O grupo tem se apresentado em diversos espaços culturais, escolas, seminários e participou, entre outros eventos, da Feira de Artesanato do Minas Centro, VI Encontro Mineiro de Dança, no Big Shopping, do lançamento do livro “Sons do Rosário”, no Palácio das Artes, e do Encontro Latino América Cultural, no Sesc Venda Nova.
Toda a família vivencia a festa. Nos diversos grupos identificamos a importância dos mais velhos juntamente com a força dos mais novos. São crianças de dois anos que já têm reservados seus instrumentos e uma missão de continuidade. São os jovens com seus chapéus e roupas coloridas, penteados exóticos e alegria contagiante que dão o toque jovial ao encontro, seja no ritmo pulsante (congo e moçambique/feminino ou masculino), no canto e na dança saltitante com suas gungas sonoras, tendo eles o compromisso, assumido com seus pais de guardar e dar continuidade ao reinado.
Saiba mais sobre os ARTUROS:
GOMES, Núbia Pereira de Magalhães & PEREIRA, Edmilson de Almeida. Negras Raízes Mineiras: Os Arturos. Juiz de Fora: Universidade Federal de Juiz de Fora, 1988. Apresenta a história completa dos Arturos, observando modo de vida, preparação das festas, contendo receitas, músicas e a importância deste grupo familiar.
SILVA, Rubens Alves da. Negros Católicos ou Catolicismo Negro? – Um estudo sobre a Construção da Identidade Negra no Congado Mineiro. Belo Horizonte: Universidade Federal de Minas Gerais, 1999.
LUCAS, Glaura. Os Sons do Rosário: um estudo etnomusicológico do congado mineiro – Arturos e Jatobá. Escola de Comunicações e Artes da USP: 1999.
MARTINS, Leda M. Afrografia da Memória: O reinado do Rosário do Jatobá. São Paulo: Perspectiva, Belo Horizonte: Mazza, 1997.
SANTOS, Erisvaldo Pereira dos. Religiosidade, identidade negra e educação: o processo de construção da subjetividade dos adolescentes dos Arturos. Dissertação de Mestrado em Educação: Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, 1997. SABARÁ, Romeu. A Comunidade Negra dos Arturos: o drama de um campesinato negro no Brasil. Faculdade de Filosofia, Ciências Sociais e Letras da Universidade de São Paulo, 1997.
SILVA, Júnia Bertolina. O Congado na Comunidade dos Arturos: Catolicismo ou Culto Africano? Monografia para obtenção de bacharel no curso Ciências Sociais:Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, 2002.
Os catadores e sua luta pela inclusão social
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| Escrito por Ana Célia Alves de Azevedo Reveilleau | |
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O gerenciamento e a destinação adequada e eficaz do lixo têm sido alvo de grandes discussões nos setores público e privado, em razão do enorme volume gerado diariamente e a falta de aterros sanitários. A reciclagem tem sido apontada como uma das principais alternativas para redução da quantidade de lixo, uma vez que os materiais que se tornariam lixo são coletados, separados e processados para confecção de novos produtos. Os ganhos com a reciclagem são a diminuição da quantidade de lixo a ser aterrada, preservação dos recursos naturais, diminuição de impactos ambientais, geração de empregos diretos e indiretos.
Os catadores são considerados um dos maiores colaboradores nos programas de reciclagem e segundo o Movimento Nacional dos Catadores de Recicláveis (MNCR) os catadores já chegam a dois milhões, mas somente 60 mil estão organizados em movimentos que lutam por seus direitos e trabalhos mais dignos.
A catação em lixão representa uma opção de vida para milhares de brasileiros, pois devido à crise econômica e falta de empregos muitas pessoas acabaram aderindo à função de catador. Outros, por sua vez, nunca conheceram outra forma de viver, tendo sido criado em barracos em volta do lixo, o que torna um desafio político e social promover o fechamento de um lixão, em virtudes das comunidades que vivem em seu entorno.
Os catadores atuam em determinado trecho da cidade, os quais são chamados de trecheiros. Outros catam diuturnamente em lixões, sendo conhecidos como catadores de lixão. Os que puxam carrinhos pelas ruas e levam para os sucateiros, chamam-se de catadores individuais. E os catadores organizados, trabalham em cooperativas, associações, ONGs ou OSCIPs.
Embora essa categoria tenha conquistado certo reconhecimento da sociedade, o fato é que durante muitos anos foram discriminados pelo próprio poder público, que tinha os catadores como pessoas que apenas provocavam desordem nas ruas da cidade, uma vez que utilizavam os espaços públicos para a guarda de materiais coletados.
A valorização dos serviços prestados pelos catadores vem ocorrendo gradativamente, a exemplo da criação em 1998 do Fórum Nacional Lixo e Cidadania, constituído por várias instituições, que tinham como um dos objetivos principais retirar as crianças do trabalho no lixo e colocá-las na escola, aumentar a renda de famílias que vivem da catação e erradicar os lixões. No ano de 2002 houve o reconhecimento pelo Ministério do Trabalho e Emprego da categoria profissional de Catadores de Matérias Recicláveis.
O desafio, nessa órbita, portanto, é buscar soluções adequadas, nas quais se promova a inclusão social dos catadores e de suas famílias, com melhores salários, dignidade e respeito perante toda a sociedade. O município, enquanto principal gestor dos resíduos sólidos, exerce um papel fundamental que é o acompanhamento das atividades desenvolvidas pelos catadores, pois só com o apoio institucional do poder público essa categoria poderá se organizar e conseguir se manter no mercado de trabalho.
O poder público pode auxiliar as organizações de catadores oferecendo-lhes apoio administrativo e contábil; serviços de assistentes sociais; implantação de programas de recuperação de dependentes químicos, uma vez que entre os catadores há grande incidência de droga e álcool; fornecimento de uniformes e equipamento de proteção individual para evitar o contato direito com o lixo e exposição a agentes nocivos à sua saúde; implantação de cursos de alfabetização para eles e seus filhos; e, ainda, implantação de programas de educação ambiental.
Essas ações e tantas outras são fundamentais para propiciar condições para que os próprios catadores sejam capacitados a formarem organizações, e dentro delas possam exercer todas as funções de forma independente e com autonomia.
Além disso, como os catadores estão acostumados a trabalhar de forma independente, sem horário e subordinação, precisam de um tempo para se acostumar com a idéia de serem associados em grupo. Daí a necessidade de o poder público e outras entidades acompanharem todo o processo de formação do grupo e oferecer os cursos e atividades pertinentes para que a organização possa ter sucesso.
No âmbito federal foi editado o Decreto Federal nº 5.940 de 25/10/2006, que instituiu a separação dos resíduos recicláveis descartes pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, determinando que a sua destinação seja para as associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis.
O estado de São Paulo instituiu sua Política de Resíduos Sólidos através da Lei nº 12.300/2006, a qual dispõe que a coleta seja preferencialmente de forma seletiva e com inclusão social. Nesse sentido, busca contemplar questões sociais, com a inserção de catadores, associação e cooperativas no processo de coleta, separação e comercialização dos resíduos urbanos recicláveis, promovendo a ressocialização dessa categoria, além de gerar empregos.
Assim, o apoio das municipalidades e outras entidades, como as organizações não governamentais e instituições de ensino, é essencial, pois fortalece os catadores e implementa as políticas públicas de inclusão social.
Ana Célia Alves de Azevedo Reveilleau é servidora pública federal, mestre em Direito Ambiental pela PUC/SP e autora do livro ‘Gestão Compartilhada de Resíduos Sólidos e a Proteção Ambiental’, Ed. Habilis, 2008.
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ESCRAVIDÃO, ALCOOLISMO E DESTRUIÇÃO DO POVO PRETO
Por Aidan Foluke, Membro da COPATZION, Tesoureira do CNNC e Acadêmica de Enfermagem.
MSN:vanessasoares13@hotmail.com
Skype: aidanfoluke
O desequilíbrio ecológico da destruição do habitat natural dos povos africanos, a mudança dietética, a negação da farmacopéia oral africana, os traumas da escravidão, o trabalho forçado e insalubre, habitações desprovidas do mínimo saneamento, a demonização cultural e a introdução do álcool da cana-de-açúcar e de outros elementos na dieta foram causas de proliferação de endemias nos escravizados e atualmente afetam os afro-diásporicos.
O uso da fermentação de cereais e frutas existe no histórico das populações africanas e muitos deles usados em rituais religiosos que sofreram transformações profundas com a introdução da fermentação da cana-de-açúcar no Brasil. Aliás, em muitos rituais afro-americanos são veneradas entidades que se embebedam com cachaça. Neste artigo vou discorrer sobre o vício do alcoolismo proveniente da escravidão e sua conseqüência na formação de patologias entre os descendentes de africanos, como um fato inteiramente novo de dominação e perda da identidade ancestral.O alcoolismo afeta a espiritualidade e a psicomorfofisiologia do dependente. A mudança dietética foi fundamental para quebrar a resistência do organismo do escravizado proporcionando-lhe as adaptações desejadas do agressor-escravizador.
É lastimável o uso das bebidas fermentadas de cana-de-açúcar, a conhecida cachaça, pela maioria da população preta brasileira e se torna ainda mais estranho, quando após reuniões da juventude preta com propósitos libertários uma grande parcela continua coabitando com os vícios impostos pelos dominadores. Na escravidão a cachaça fazia parte da dieta para deixar o escravizado lerdo, abestalhado e de fácil dominação no aceitamento de trabalhos desumanos. Nos engenhos do nordeste era costume dar cachaça aos escravizados na primeira refeição do dia, a fim de que pudessem suportar melhor o trabalho árduo dos canaviais, prática de todo o escravismo no Brasil, que obrigava os escravizados a usarem a cachaça diversas vezes ao dia.
Na musicalidade brasileira inúmeras são as músicas relacionadas ao povo preto e a cachaça, entre estas umas das que mais chama a atenção no intuito discriminatório em todos os sentidos relacionados ao homem preto.Uma parte do álcool é absorvida pelo organismo através da parede do
estômago. Outra parte é metabolizada pelas enzimas do fígado. Quando a pessoa bebe muito, o fígado começa a acumular gordura, tornando-se um "fígado gorduroso", cujo tecido se deteriora, levando à hepatite alcoólica ou cirrose, ascite (barriga d'água) e, até, à morte. Entre os homens pretos, a ocorrência de morte devido ao alcoolismo acontece duas vezes mais do que na população branca.Uma das mais nefastas saídas dos traumas impostos na escravidão na população preta tem sido o refugio ao vício maléfico da aguardente, tornando o Brasil o maior consumidor de cachaça do mundo e levando dessa forma ao consumo recorde pelo povo preto. Baseado nisto, observa-se patologias que são facilmente encontradas em nossa população como: alterações no sangue - hepatite; ossos e articulações - degeneração dos ossos; lesão cerebral - síndrome de Wernicke-Korsakoff; câncer - na boca, esôfago, estômago, fígado; pulmão - pneumonia, tuberculose; epilepsia; síndrome fetal; coração - arritmias, cardiopatia, hipertensão e doença coronariana; fígado - cirrose hepática; transtornos sexuais - disfunção testicular e impotência; esôfago e estômago – corrosões que levam a gastrite, úlcera péptica, esofagite. E os mais diversos sintomas - dificuldade na fala e distúrbios da sensação; apatia e inércia geral; vômitos; incontinência urinária e fezes; inconsciência e anestesia. Além de todas essas patologias e sintomas podem-se citar os transtornos na personalidade dos seus consumidores, os quais são visíveis bem, como: a perda de eficiência, diminuição da atenção, julgamento e controle, instabilidade das emoções, menor inibição.
é predominante, principalmente nos homens pretos. Segundo especialistas, filhos de pais que consomem álcool em grandes quantidades desenvolvem a chamada síndrome do alcoolismo fetal, que se manifesta em atrasos no crescimento, tendência a ataques epilépticos, anormalidades faciais e problemas de aprendizagem e comportamento, retardamento mental.
Dois graves problemas do vício de álcool na mulher preta são a predisposição da Síndrome de Down - atraso mental em seus bebês e os grandes índices de aborto. Os danos são produzidos, porque a gestante elimina duas vezes mais rápido o álcool do seu sangue que o bebê, forçando-o a realizar uma tarefa para quais seus órgãos não estão preparados.As mulheres pretas quando grávidas e são viciadas os seus fetos adquirirem defeitos que varia de leve a grave, os quais poderão ser evitados se elas aprenderem a se amar e ao seu povo preto.
É necessário que a mulher preta ame a si própria e ao seu povo preto
O uso do álcool tem aumentado o número de agressões na família, principalmente nas companheiras e nos filhos e filhas. Há inúmeros casos de mulheres pretas dominadas pelo vício da bebida abandonar e até mesmo mutilar as suas crianças. Nas nossas famílias temos históricos de familiares dependentes e sabemos quão mal faz ao equilíbrio familiar e da comunidade preta.
Muito dos delitos cometidos está na violência no transito. A quantidade de presos pretos que cometeram delitos após o uso do álcool, isto é, furtos, agressões, homicídios o fizeram depois de ingerirem bebidas. É necessário que os homens pretos se livrem da maldição da branquinha e da lourinha, as quais trazem males irremediáveis à família afro-diasporica e as mulheres pretas não concordem com a bebedeira de seus companheiros.
Há uma predisposição genética dos descendentes de escravizados a usarem a cachaça, isto explica o projeto do escravizador em longo prazo de dominar uma população através da bebida. Este é um fato que merece melhores discussões em reuniões da juventude preta. Imaginemos uma reunião da juventude com o tema: A dominação racial através da cachaça. Você participaria? Qual seria a sua opinião de acordo com os fatos e observando a sua árvore genealógica?
Quem sabe um dia iremos cantar:
Na minha casa todo mundo é bamba
Ninguém bebe
E todo mundo samba.
Festival de vídeo tela digital
Ana Loiola
Está chegando o primeiro Festival de Video Tela Digital. Você inscreve o seu vídeo pela internet e ele pode ser selecionado, através de votação, para exibição no programa de televisão Festival Tela Digital, que será veiculado pela TV Brasil em 2009. São R$ 500 para cada vídeo exibido na TV, e R$60 mil em prêmios para os melhores vídeos.
Os filmes podem ser realizados com qualquer tipo de equipamento: câmeras de vídeos, câmeras fotográficas digitais, celulares ou animações feitas em computador. Devem ter de 3 a 8 minutos de duração, com os créditos inclusos.
O tema é livre. É necessário apenas que os vídeos sejam inéditos na TV e que não contenham material pornográfico, preconceituoso, não violem a privacidade de outras pessoas, nem tenham caráter institucional, promocional ou publicitário. O programa é para todos os públicos e a classificação indicativa dos vídeos deve ser livre.
Serão selecionados no mínimo 60 (sessenta) e no máximo 100 (cem) vídeos para exibição na série de programas Festiva de Vídeo Tela Digital.
Todos os vídeos inscritos serão incorporados ao acervo permanente do Festival Tela Digital, podendo ser acessados gratuitamente pelo público na internet.
O Festival Tela Digital une a TV Brasil, autora e financiadora da idéia e a Kinoforum, organizadora e produtora do festival, promovendo a descoberta de novos olhares e uma troca maior entre a Televisão, a Internet e os produtores audiovisuais independentes.
Premiação
A decisão da Comissão de Premiação será anunciada no último programa da série, quando serão exibidos os vídeos finalistas e apresentados os seus respectivos realizadores. Serão concedidos dois prêmios no valor de R$15mil para o Melhor Vídeo Tela Digital (pelo Júri) e para o Melhor Vídeo Tela Digital (pelo Público) e três prêmios no valor de R$ 10 mil cada, para trabalhos que se destacarem durante o festival e que serão incorporados na programação da TV Brasil e Rede Pública de Televisão. Os valores divulgados dos prêmios são valores brutos, dos quais serão descontados os impostos e demais obrigações.
Dúvidas
As dúvidas mais freqüentes podem ser respondidas através da Tela Digital e, quem não tiver sua dúvida respondida no site poderá entrar em contato com a equipe do concurso através de ferramentas gratuitas da web:
GoogleTalk: teladigital@kinoforum.org
Email: teladigital@kinoforum.org
Inscrições
Os interessados podem inscrever seus vídeos até 31 de Maio de 2009, no site: www.teladigital.org.br
Inscreva-se no Projeto Agente Comunitário de Comunicação
Catraca Livre
Até o dia 3 de junho estão abertas as inscrições para os jovens que queriam participar do projeto “Agente Comunitário de Comunicação“, que irá promover a capacitação de jovens em jornalismo comunitário.
Serão 30 jovens selecionados pela Coordenadoria da Juventude que depois de capacitados irão atuar com produtores de conteúdo dos assuntos de interesse da comunidade em 120 Telecentros.
A iniciativa é da Experimentar, empresa sem fins lucrativos e que tem como diretor o jornalista Gilberto Dimenstein idealizador, também do site Catraca Livre.
O projeto é inédito na cidade e num primeiro momento atingirá cerca de 120 unidades de Telecentros. A expectativa é de que no próximo ano, o programa alcance todos os telecentros implantados em São Paulo (hoje são 320).
Podem se inscrever jovens com idades entre 16 e 21 anos, que estejam cursando o Ensino Médio, preferencialmente a segunda série, (durante o segundo semestre), ou a terceira série (durante o primeiro semestre); não haver concluído ou estar cursando nenhum Curso Superior de graduação; ou Tecnológico e cuja renda per capita familiar não seja superior a 2 salários mínimos.
Além disso, para ser considerado inscrito, os candidatos devem ser aprovados em prova técnica, promovida pela Coordenadoria da Juventude, composta por análise de texto, questões de gramática e conhecimentos gerais.
As inscrições devem ser feitas na sede da Coordenadoria da Juventude, que se localiza à rua Líbero Badaró, 119 – 7º andar, onde também será feita a seleção dos inscritos, ou pelo e-mail juventude@prefeitura.sp.gov.br.
A inscrição feita por e-mail deverá conter, impreterivelmente, os seguintes dados: nome, endereço completo (logradouro, número, CEP, bairro), telefone(s) para contato, data de nascimento, nº do R.G., grau de escolaridade, informação da renda familiar e quantidade de pessoas na família.
O curso ocorrerá na Rua Padre João Gonçalves 168 – Vila Madalena e terá a carga horária de 28 horas. As aulas, que serão ministradas pela equipe da Experimentar, vão treinar um novo olhar sobre a cidade e a comunidade, fonte de notícias futuras.
Dimenstein, que é idealizador do site “Catraca Livre”, salienta que as pessoas precisam redescobrir São Paulo e a grande gama de serviços e atividades que ela disponibiliza para o público, muitas vezes sem custo, e que nem sempre é do conhecimento de todos.
Para executar o trabalho, cada jovem que participar do curso e torna-se um multiplicador, receberá uma ajuda de custo. A estimativa é que a ação nos Telecentros tenha início no mês de agosto.
Para o secretário Ricardo Montoro, o projeto inovador sugere um avanço no trabalho que vem sendo feito nos Telecentros. “Estamos promovendo a inclusão digital de uma parcela significativa da população e agora damos um passo além, usando o computador e a internet como ferramentas de inclusão e também da informação”, afirma o Secretário.
O projeto também visa fomentar o interesse dos jovens por comunicação social. “A ideia é fomentar na juventude paulistana o interesse profissional e investigativo do jornalismo comunitário. Criando através do curso uma rede jovem conectada com todos os cantos da cidade e com a Prefeitura”, destaca o coordenador de juventude.
Antes de realizar a inscrição, leia aqui o edital do projeto.
As informações são da Prefeitura de São Paulo.
João Wainer lança documentário sobre pichadores
Tendo como vertente principal a vida do ex-pichador Djan Ivson, 24, o fotógrafo do jornal Folha de S.Paulo João Wainer e seu irmão Roberto T. Oliveira produzem um documentário sobre os pichadores de São Paulo.
O documentário discute justamente se a pichação é uma expressão artística ou um crime contra o patrimônio. A produção registra diversas ações de pichadores e desvenda alguns dos códigos de conduta desta tribo.
Enquanto isso em Paris, a Fundação Cartier convidou Djan para participar, no próximo mês, da exposição sobre o grafite no mundo. A ocasião servirá também para a divulgação do documentário. Djan foi condenado por uma pichação que fez em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo.
Leia mais sobre Djan: “O sonho de pichar em Paris”
Veja as fotos de João Wainer registrando a ação dos pichadores:













