Cidade e seus muros





Escrito por Pe. Alfredo J. Gonçalves

Celebramos o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim. Mais que um muro que dividia em duas uma cidade, representou um mundo bipolarizado entre a União Soviética e os Estados Unidos, cada qual com seus satélites. Representou os tempos da guerra fria e de dois sistemas de produção, economia neoliberal e centralizada. Berlim voltou a ser uma cidade livre? O mundo, a circulação das pessoas e o regime democrático voltaram a ser mais livres?

Desde os primórdios do mundo moderno, novas rotas comerciais faziam florescer cidades prósperas. A partir dos séculos XII e XIII, o capitalismo mercantil opõe ao universo feudal, cerrado e autônomo por natureza, uma rede aberta de centros urbanos e interligados entre si. As mercadorias rompem as fronteiras e estabelecem novas comunicações. Os chamados "descobrimentos", nos séculos seguintes, alargam e aprofundam esses itinerários comerciais, ao mesmo tempo em que conferem maior vitalidade e poder às cidades européias.

Está pavimentado o caminho para a Revolução Industrial e para o capitalismo industrial. Os "novos ricos", ou burgueses, com o acúmulo de capital provindo do comércio, incrementam oficinas, fortalecem a potência das esquadras navais e incentivam os inventos, como a máquina a vapor, por exemplo. Tudo isso exige disponibilidade de braços para uma série de trabalhos. Numerosos servos passam a trocar a "proteção do feudo" pelos ofícios na cidade. Daí o provérbio medieval de que "o ar da cidade torna os homens livres".

Valeria esse provérbio para a urbanização brasileira? A resposta é forçosamente ambígua. Por um lado, é certo que grande parte dos rapazes e moças, como também das famílias, se livram, através da migração, do patriarcalismo e do coronelismo rurais tão arraigados em nossa trajetória histórica. Os olhos de muitos trabalhadores e trabalhadores, na passagem da zona rural para a zona urbana, se abrem para os próprios direitos e para uma série de coisas novas. Muitos fazendeiros não querem saber de contratar pessoas que já tenham passado pela experiência urbana, seja como operário ou empregada doméstica. Muitos jovens do campo também se recusam a casar com mulheres que tenham trabalhado na cidade. Alegam que não são mais virgens. A verdade é que não as conseguem mais dominar a seu gosto. Se a tradição estática é a marca do campo, o dinamismo da novidade é o oxigênio da cidade.

No campo, as pessoas nascem revestidas de uma série de convenções sociais e de obrigações que passam de pai para filho. Há uma herança tácita que passa inclusive pela religião, o que pode levar a um catolicismo infantilizado. Na cidade prevalece a tendência a uma maior liberdade de escolha. As pessoas nascem nuas e devem abrir uma picada na selva de pedra. Daí a predisposição a solidariedades mais autênticas, menos convencionais, mais amadurecidas.

Por outro lado, não raro, a liberdade do mundo urbano contém armadilhas, com freqüência leva aos becos escuros e sem saída. De fato, o conceito de liberdade difundido pela indústria do marketing e da publicidade é a de fazer o que se quer. E liberdade sem regras, sem leis, sem limites, facilmente conduz ao abismo. Que o digam os porões sórdidos da droga, do tráfico, do álcool, da prostituição e da violência! Além disso, os estímulos e apelos das "luzes e sons, cores e sabores, imagens e objetos" do mundo urbano aprisionam a não poucos num consumismo vicioso, cheio de ilusões e modismos, de verdadeira escravidão.

O fato é que as cidades de hoje, especialmente as metrópoles, estão longe de ser territórios sem muros. Estes, ainda que invisivelmente, se estendem por toda mancha urbana. Mosaico ou caleidoscópio, como preferem alguns estudiosos, a cidade reúne e justapõe diferenças que coexistem, mas raramente se integram. As diferenças podem ser de natureza sócio-econômica, como condomínios fechados ao lado de favelas; podem ser marcadas pelo víeis religioso e cultural, em que vários povos exibem seus mais variados costumes e expressões; ou de caráter autodefensivo, dando origem às tribos urbanas, aos guetos ou aos "pedaços" mais ou menos fechados e hostis. Exemplo dessa dicotomia pode ser o trânsito, onde os automóveis mais modernos e equipados trafegam lado a lado com as "carroças" de mais de 30 anos, amassadas e fumarentas, às vezes únicos meios de sobrevivência de bom número de famílias.

Mas os muros invisíveis tornam-se cada vez mais visíveis. Basta constatar os sistemas de segurança, cuja sofisticação cresce na mesma medida do medo e da segregação. Grades, cercas, câmeras, cães, alarmes e guardas noturnos multiplicam-se por toda parte. Prosperam as companhias de vigilância. Pública ou privada, a segurança investe em novos meios e tecnologia de ponta. Do lado extremo, o crime organizado não deixa por menos, investindo também em armamento pesado e no recrutamento de jovens e adolescentes cada vez mais precoces.

O ar da cidade nos torna livres? Além de poluído pelo gás carbônico, parece adensar-se, por um lado, de luzes, novidades, oportunidades mil; por outro, de medos, fobias, angústias e estresse. Fabricamos gaiolas e nos metemos dentro delas como verdadeiros prisioneiros. Enquanto o muro de Berlim dividia capitalismo e comunismo, os muros de hoje dividem pessoas, grupos, classes sociais, tribos urbanas, gangues, bairros, vizinhos. Pelo menos uma coisa parece esclarecer-se: a fronteira entre o bem e o mal passa por dentro de cada pessoa, de cada língua e de cada cultura.

Pe. Alfredo Gonçalves é assessor das pastorais sociais da CNBB.


RACISMO É BOM NEGÓCIO!


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Antes do governo Lula, sabíamos que no Brasil só havia o povo brasileiro como um todo...

Hoje vemos surgirem vergonhosos "territórios quilombolas"; brasileiros índios expulsando brasileiros "não-índios" das terras onde também nasceram; programas de TV para negros, cotas para negros; gente despreparada alegando ao mundo a maldade de "gente branca de olhos azuis". Gente eleita e mal intencionada, gritando em palanque: "O Sul não gosta que eu dê bolsa-família aos Nordestinos! Êlis num gosta di nóis!".
Como se o dinheiro fosse dele, e o Sul ou o Nordeste não fossem do mesmo Brasil e do mesmo povo.

Passamos a ouvir termos absurdos criados, tais como: "etno-desenvolvimento regional" e "educação étnica" (?!). Ora, eu, por exemplo, sou brasileiro e descendente direto de italianos. Deveria eu receber educação com ênfase na cultura itálica? Assim como os demais brasileiros descendentes de outros povos?

Outra tática racista desse governo é a da negação do mestiço, ou seja, a da maioria do povo brasileiro. É claro! Para quem sonha em quebrar o Brasil em etnias, o mestiço não interessa mesmo. Ou seja, eles propõem tudo, menos o que reafirma a identidade única do povo brasileiro. Entenderam?

Inventou-se até um esdrúxulo "Ministério da Igualdade Racial". Ora, quem cria um órgão com esse nome já acredita que as raças são desiguais, inferiores e superiores, sendo portanto, racista. Ou confundiu com igualdade social? Alguém precisa explicar ao analfabeto responsável.

A quem interessa de fato, essas práticas racistas e odiosas desse governo de esquerda?

Primeiro: a nível interno, ao criarem-se divisões e antagonismos num povo, destinam-se verbas e inventam-se cargos para os companheiros militantes cuidarem do "problema". Abre-se assim um novo negócio lucrativo, regado o clientelismo.

Segundo: interessa ao G8 que a população de uma grande Nação homogênea e concorrente em seus Mercados, como o Brasil, se quebre em divisões e conflitos étnicos. Afinal, a máxima romana "Dividir para conquistar" é infalível. Por isso, as ONGs petistas recebem verbas de instituições dos EUA e Europa para essa finalidade.

Terceiro: o próximo passo é o de causar tal rivalidade entre o mesmo povo, com o apoio de um governo traidor, que culmine na divisão regional e futura quebra do nosso território, em pequenas nações independentes e fornecedoras de recursos naturais aos interessados.
Pronto! Assim acaba-se com a grande Nação rica que concorreria com os Mercados do G8. E tudo isso com o apoio de maus brasileiros, eleitos pelo voto direto.

Um exemplo disso: já está em andamento na reserva Raposa-Serra do Sol o projeto de exportação de arroz orgânico apoiado pelo MST (brasileiros "brancos e não-índios"), e a extração de minérios estratégicos, em que a área é riquíssima, para a Inglaterra.

Ué!? Os índios dali não queriam aquela área apenas para viver em suas tradições? Não expulsaram dali os arrozeiros brancos e não-índios que produziam alimento ao Brasil inteiro? Alguém já ouviu falar em índio minerador?

Detalhe: a exportação do arroz e dos minérios não passaria pela Cacex do Brasil, mas seria feita por um "órgão" da reserva, como numa nação independente (!), conforme relatou a presidência do CIMI, aos jornais britânicos Times e London Tribune em 06/2009.

Perceberam a traição em andamento? E o porquê daquele alerta do General Heleno e do Ministro Marco Aurélio do STF ao povo brasileiro?

Outro exemplo de traição pró-EUA: o território quilombola oficializado há pouco por Lula, ao lado da Base de Alcântara no Maranhão, prejudica e inviabiliza o crescimento do programa espacial brasileiro, bem a gosto dos EUA, que sempre fizeram de tudo para prejudicar esse programa, com fortes indícios na sabotagem que explodiu o VLR há alguns anos. Lembram? A ONG petista que apóia esses "quilombolas", recebe dinheiro de duas fontes dos EUA.

Nós brasileiros sempre fomos avessos ao racismo de fato. Sempre aprendemos desde cedo, que somos todos brasileiros, independente de raça ou cor da pele. Visão essa que foi muito reforçada nos governos militares, com o objetivo de termos um só povo, numa única e grande Nação.

Isso sempre gerou inveja e cobiça a muitos países; pobres e ricos, mas, igualmente destroçados por conflitos raciais violentos. Afinal, uma enorme Nação como a nossa, falando uma única língua, com um único povo miscigenado e não belicosamente racista, é algo admirável.

Infelizmente essa nossa grande vantagem está sendo hoje sabotada, a partir do primeiro escalão do Palácio do Planalto; e a maioria do povo brasileiro ainda não se apercebeu disso.

Torçamos ainda para que Deus seja mesmo brasileiro, pelo menos de vez em quando.

?O perigo maior não é um exército inimigo, mas os traidores internos.? (Sir Winston Churchill).

Email:: mmassar@gmail.com

Oficina "Hip Hop Quilombola Círculo Palmarino - Universo do Canto Falado"

MC Gaspar - Toda Terça - 19h

quilombola
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Amigos,

No próximo dia 10 de novembro, terça-feira, a partir das 19h, daremos início ao projeto ?Hip Hop Quilombola Círculo Palmarino ? Universo do Canto Falado?, a atividade consistirá em um conjunto de oficinas ministradas pelo MC Gaspar do Z? África Brasil onde serão desenvolvidas técnicas de rima, métrica, ritmos brasileiros, produção musical e muito mais.

As oficinas serão semanais, toda terça-feira, e os interessados devem apenas comparecer na Sede do Círculo Palmarino nos dias das atividades.

O que? ?Hip Hop Quilombola Círculo Palmarino ? Universo do Canto Falado?

Quando? Toda terça-feira ? a partir das 19h

Onde? Sede Nacional do Círculo Palmarino

Endereço: Rua Campos Sales, 12 ? Jardim Presidente Kennedy ? Próximo a Escola Municipal Paulo Freire

Informações: (11) 9840-7244 (11) 9840-7244 ou (11) 7656-8193 (11) 7656-8193

Email:: circulopalmarinoembu@yahoo.com.br

Carta a um jovem internauta





Escrito por Frei Betto

Sei que você passa longas horas no computador navegando a bordo de todas as ferramentas disponíveis. Não lhe invejo a adolescência. Na sua idade, eu me iniciava na militância estudantil e injetava utopia na veia. Já tinha lido todo o Monteiro Lobato e me adentrava pelas obras de Jorge Amado guiado pelos "Capitães de areia".

A TV não me atraía e, após o jantar, eu me juntava à turma de rua, entregue às emoções de flertes juvenis ou sentar com meus amigos à mesa de uma lanchonete para falar de Cinema Novo, bossa nova – porque tudo era novo – ou das obras de Jean Paul Sartre.

Sei que a internet é uma imensa janela para o mundo e a história, e costumo parafrasear que o Google é meu pastor, nada me há de faltar...

O que me preocupa em você é a falta de síntese cognitiva. Ao se postar diante do computador, você recebe uma avalanche de informações e imagens, como as lavas de um vulcão se precipitam sobre uma aldeia. Sem clareza do que realmente suscita o seu interesse, você não consegue transformar informação em conhecimento e entretenimento em cultura. Você borboleteia por inúmeros nichos, enquanto sua mente navega à deriva qual bote sem remos jogado ao sabor das ondas.

Quanto tempo você perde percorrendo nichos de conversa fiada? Sim, é bom trocar mensagens com os amigos. Mas, no mínimo, convém ter o que dizer e perguntar. É excitante enveredar-se pelos corredores virtuais de pessoas anônimas acostumadas ao jogo do esconde-esconde. Cuidado! Aquela garota que o fascina com tanto palavreado picante talvez não passe de um velho pedófilo que, acobertado pelo anonimato, se fantasia de beldade.

Desconfie de quem não tem o que fazer, exceto entrincheirar-se horas seguidas na digitação compulsiva à caça de incautos que se deixam ludibriar por mensagens eróticas.

Faça bom uso da internet. Use-a como ferramenta de pesquisa para aprofundar seus estudos; visite os nichos que emitem cultura; conheça a biografia de pessoas que você admira; saiba a história de seu time preferido; veja as incríveis imagens do Universo captadas pelo telescópio Hubble; ouça sinfonias e música pop.

Mas fique alerta à saúde! O uso prolongado do computador pode causar-lhe, nas mãos, lesão por esforço repetitivo (ler) e torná-lo sedentário, obeso, sobretudo se, ao lado do teclado, você mantém uma garrafa de refrigerante e um pacote de batatas fritas...

Cuide sua vista, aumente o corpo das letras, deixe seus olhos se distraírem periodicamente em alguma paisagem que não seja a que o monitor exibe.

E preste atenção: não existe almoço grátis. Não se iluda com a idéia de que o computador lhe custa apenas a taxa de consumo de energia elétrica, as mensalidades do provedor e do acesso à internet. O que mantém em funcionamento esta máquina na qual redijo este artigo é a publicidade. Repare como há anúncios por todos os cantos! São eles que bancam o Google, as notícias, a wikipédia etc. É a poluição consumista mordiscando o nosso inconsciente.

Não se deixe escravizar pelo computador. Não permita que ele roube seu tempo de lazer, de ler um bom livro (de papel, e não virtual), de convivência com a família e os amigos. Submeta-o à sua qualidade de vida. Saiba fazê-lo funcionar apenas em determinadas horas do dia. Vença a compulsão que ele provoca em muitas pessoas.

E não se deixe iludir. Jamais a máquina será mais inteligente que o ser humano. Ela contém milhares de informações, mas nada sabe. Ela é capaz de vencê-lo no xadrez – porque alguém semelhante a você e a mim a programou para jogar. Ela exibe os melhores filmes e nos permite escutar as mais emocionantes músicas, mas nunca se deliciará com o amplo cardápio que nos oferece.

Se você prefere a máquina às pessoas e a usa como refúgio de sua aversão à sociabilidade, trate de procurar um médico. Porque sua auto-estima está lá embaixo e o computador não haverá de encará-lo como se fosse um verme. Ou sua auto-estima atingiu os píncaros e você acredita que não existem pessoas à sua altura, melhor ficar sozinho.

Nas duas hipóteses você está sendo canibalizado pelo computador. E, aos poucos, se transformará num ser meramente virtual. O que não é uma virtude. Antes, é a comprovação de que já sofre de uma doença grave: a síndrome do onanismo eletrônico.

Frei Betto é escritor, autor do livro de contos "Aquário Negro" (Agir), entre outras obras.

ESPELHO ATLÂNTICO – MOSTRA DE CINEMA DA ÁFRICA E DA DIÁSPORA

Após o furor cinematrográfico provocado pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que neste ano não exibiu nenhum filme africano, a Matilha Cultural e a curadora Lilian Solá Santiago promovem a ESPELHO ATLÂNTICO – MOSTRA DE CINEMA DA ÁFRICA E DA DIÁSPORA, como programação exclusiva para o Mês da Consciência Negra. A primorosa seleção de filmes propõe um olhar contemporâneo da diversidade cultural do vasto continente africano e de seus descendentes dispersos pelo mundo.
A ESPELHO ATLÂNTICO vêm sendo realizada há dois anos na Caixa Cultural do Rio de Janeiro, acompanhada por um público crescente e fiel. O cronograma do evento paulistano inclui a exibição de 11 filmes, africanos, europeus e brasileiros sobre a temática, a maioria deles inéditos em São Paulo.
A abertura da Mostra acontece na terça-feira, 10 de novembro às 19 horas, no Espaço Matilha Cultural, com coquetel e a primeira exibição em 35mm de “Graffiti”, dirigido por Lilian Solá Santiago.

De 10 a 15 de novembro de 2009 (terça a domingo)

Exibições gratuítas, sempre às 19:00h.

ESPAÇO MATILHA CULTURAL
R. Rego Freitas 542 - São Paulo – Brasil (próx. à R. da Consolação)
fone:11 3256.2636

Mais informações sobre a Mostra:

http://liliansantiago.blogspot.com/

http://matilhacultural.com.br/2009/10/espelho-atlantico-mostra-de-cinema-da-africa-e-da-diaspora/


PROGRAMAÇÃO E SINOPSES


Dia 10/11 - terça-feira - abertura com coquetel


Graffiti (ficção / documentário)

Lílian Solá Santiago (Brasil, 2008, 10 min.)
São Paulo é a cidade mais grafitada do mundo. "Graffiti" acompanha o rolê solitário de Alê numa das semanas mais sinistras que essa cidade já viveu – dos ataques do PCC, e a violenta revanche da polícia em 2006. O que o move a enfrentar as ruas nessa noite? Ganhador do Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem. Com Sidney Santiago e Chico Santo.

Sessões: 19:30, 20:00, 21:00 e 21:30 horas.


Dia 11/11 – quarta-feira


O som e o resto (ficção)
André Lavaquial (Brasil, 2007, 23min)
Jahir é um virtuoso baterista carioca que toca numa banda evangélica. Ao se indispor com o pastor da igreja, se vê sozinho na rua com seu instrumento e inicia uma jornada existencial rumo à sua música. Participou de importantes festivais internacionais e, em 2008, foi o único curta-metragem brasileiro a conquistar uma vaga do Festival de Cannes, na seção Cinéfondation.

Cariocas (documentário)
Ariel de Bigault (França, 1989, 57 min.)
“Cariocas” mostra diversas facetas do samba no Rio de Janeiro. Grande Otelo, nos guia ao encontro dos grandes músicos da cidade. Realizado originalmente para a TV francesa, conta com importantes depoimentos de Martinho da Vila, Paulo Moura, Velha Guarda da Portela, Nelson Sargento, Wilson Moreira, e Joel Rufino dos Santos.


Dia 12/11 – quinta-feira


Balé de pé no chão (documentário)
Lilian Solá Santiago e Marianna Monteiro (Brasil, 2006, 17 min.)
Documentário sobre Mercedes Baptista, principal precursora da dança afro-brasileira. Bailarina de formação erudita, cria seu grupo na década de 50, e estuda os movimentos do candomblé e das danças folclóricas. Participou de vários festivais nacionais e internacionais. A versão de 52 minutos para televisão ganhou, entre outros, o Prêmio de Melhor Documentário no I Hollywood Brazilian Film Festival, 2009.


Esperando os homens (documentário)
Katy Lena Ndiaye (Senegal/ Mauritânia/ Bélgica, 2007, 56 min.)
Em Hassania, no abrigo de Oualata, uma cidade vermelha na fronteira distante do deserto de Sahara, três mulheres praticam pintura tradicional decorando as paredes da cidade. Em uma sociedade dominada pela tradição, pela religião e pelos homens, estas mulheres expressam-se livremente, discutindo o relacionamento entre homens e mulheres. Presente em mais de 20 festivais internacionais.

Dia 13/11 – sexta-feira


Ossudo (ficção / animação)
Júlio Alves (Portugal, 2007, 14 min.)
Baseado no conto "Ossos", do famoso escritor moçambicano Mia Couto, este filme é uma história de amor entre duas pessoas desamparadas. Participou de mais de vinte festivais pelo mundo. Recebeu, entre outros, o Troféu de Melhor Filme Português e o Troféu Ouro Animação no 36º Festival Internacional do Algarve.

Kuxa Kanema – O nascimento do cinema (documentário)
Margarida Cardoso (Bélgica / França / Portugal, 2003, 52min.)
O governo Moçambicano cria após a independência, em 1975, o Instituto Nacional de Cinema (INC), pois o presidente, Samora Machel, sabia do poder da imagem para a nação socialista. O filme acompanha a ruína do INC após um incêndio e a desilusão dos moçambicanos com o regime. Vencedor do Festival de Nova York de Filmes Africanos, entre outros.

Dia 14/11 – sábado


Maria sem graça (ficção)
Leandro Godinho ( Brasil, 2007, 14min.)
Maria das Graças, menina negra de 12 anos, moradora da periferia de São Paulo, atormenta a vida de sua mãe para alcançar seu maior sonho: ser a apresentadora Xuxa Meneghel. Selecionado para o Festival Internacional de curta-metragens de São Paulo.

Cabo Verde, meu amor (ficção)
Ana Lisboa (Portugal/ França/ Cabo Verde, 2007, 76 min.)
A condição feminina em Cabo Verde na atualidade é o foco principal deste primeiro longa metragem da cineasta Ana Lisboa. Falado em crioulo cabo-verdiano, foi totalmente rodado na Cidade da Praia com um vasto elenco de atores amadores. Primeiro filme realizado e produzido em Cabo Verde, por cabo-verdianos.


Dia 15/11 – domingo


Black Berlim (ficção)
Sabrina Fidalgo (Alemanha / Brasil, 2009, 15 min.)
Nelson é um jovem baiano estudante de engenharia em Berlim. Na capital alemã, leva uma vida muito distante de suas verdadeiras raízes. Porém tudo muda quando ele frequentemente passa a encontrar Maria, uma imigrante ilegal do Senegal. Apesar de ignora-la ele começa a ter visões de personagens estereotipados, que o remetem a um passado que ele prefereria esquecer. Inédito.

O Herói (ficção)
Zezé Gamboa (Angola / França / Portugal, 2004, 97 min.)
Um soldado mutilado na explosão de uma mina volta à Luanda após 20 anos de combates. No elenco o senegalês Makena Diop, as brasileiras Maria Ceiça e Neuza Borges. Premiado no Festival de Sundance (EUA) e no Festival de Cinema Africano de Milão, entre outros

Os direitos são universais?





Os direitos são universais?

Os direitos humanos são ocidentais e/ou universais? O questionamento é do jurista grego radicado na Inglaterra, Costas Douzinas. Em quatro artigos publicados originalmente no jornal inglês The Guardian, ele debate essa questão. A seguir, os leitores e leitoras conferem o primeiro de seus textos.

A genealogia dos direitos

Em uma recente entrevista concedida a CiF [Comment is Free], Bob Geldof apontou para um aparente paradoxo presente no âmago dos direitos humanos: os direitos são ocidentais, mas o Ocidente os considera universais. O presidente Obama disse algo parecido em seu discurso de posse. Ele insistiu que os Estados Unidos estão voltando para “valores” e isso lhes permitirá liderar de novo o mundo. Mas os direitos humanos podem ser, ao mesmo tempo, ocidentais e universais?

Os direitos humanos são um fato inescapável. A Declaração Universal e os Pactos sobre direitos civis, políticos, sociais e econômicos foram adotados em todo o mundo. Os direitos humanos são a ideologia depois do “fim das ideologias”, os únicos valores depois do “fim da história”. Mas as controvérsias em torno do relativismo cultural, das chamadas guerras humanitárias e da revogação de nossa Lei dos Direitos Humanos indicam que este simples fato não é suficiente. Como observou o filósofo Jacques Maritain, “concordamos quanto aos direitos, contanto que não nos perguntem ‘por quê’. Com o ‘por quê’ começa a controvérsia.” Em vez de compreender as justificativas (e alternativas) subjacentes para os direitos, contudo, um coro forte nos pede para simplesmente agir, aderir, salvar o mundo. Nós repetimos, como um mantra, um número limitado de banalidades e meias verdades tranquilizadoras sobre os direitos, mas não paramos para pensar. Como resultado disso, muitas vezes não conseguimos perceber por que outras pessoas possam discordar de nós. A ação se torna um paliativo para a má consciência. Esse ensaio acompanha brevemente a surpreendente trajetória da lei natural para os direitos naturais e mais tarde humanos, traçando paralelos entre as tradições anteriores e os debates contemporâneos.

A primeira referência a “direitos humanos” aparece em escritos jurídicos da década de 1920. Mas seu pedigree remonta à cosmologia grega e à ideia da lei natural. Para os gregos, o universo e cada ser animado e inanimado têm uma natureza singular que determina seu fim ou propósito. Por exemplo, um soldado é virtuoso se ele se empenha em se tornar o soldado mais corajoso, e uma cidade é justa se ela permite que seus cidadãos alcancem a perfeição de acordo com seu propósito singular. A ideia de uma “natureza” racional foi uma invenção revolucionária da filosofia. Ela permitiu que Sócrates e Aristóteles, os sofistas e os estóicos explorassem o que é “certo de acordo com a natureza” usando a razão contra a opinião tradicional e a autoridade ancestral. A “natureza” era a mais refinada e revolucionária das ideias.

Como tudo está interligado em um cosmo harmonioso, uma concepção comum do bom e uma ética compartilhada uniam o mundo grego. Nenhum muro separava a moralidade da legalidade. De fato, a mesma palavra (dikaion, jus) designava tanto o estado de coisas legítimo, quanto o moralmente certo ou justo. Os filósofos estóicos transformaram a lei natural em uma razão universal, eterna e absoluta que unificava espiritualmente a humanidade. Seu universalismo filosófico foi de grande ajuda na construção do Império Romano. Para o jurista e político Cícero, a universalidade estóica tinha passado para o jus gentium, o direito do Império Romano, que é “eterno e imutável e vincula todos os povos e todas as épocas”. Esta passagem do universalismo filosófico para o imperialismo globalizado acompanhou infalivelmente o Ocidente desde sempre.

Racionalidade clássica e Deus transcendente

Com a cristianização do Império Romano, a lei natural clássica se defrontou com prioridades teológicas. Diferentemente das divindades humanóides clássicas, o Deus bíblico é um legislador onipotente. O sofisticado e altamente nuançado direito romano foi gradualmente transformado em um conjunto de mandamentos dados nas Escrituras. Tomás de Aquino fundiu o universo racional clássico com o Deus transcendente do cristianismo. Foi uma combinação crucial, mas precária. Tomás de Aquino sustentava que a razão divina dita à vontade divina, transformando o conflito entre razão e vontade em uma questão de psicologia divina. É Deus que inscreve a lei eterna na ordem natural, mas ele o faz de uma forma racionalmente inteligível. Dizia-se que esta lei natural divina, interpretada pela Igreja, era superior à lei do Estado. Os poderes seculares deveriam ou seguir a lei de Deus, ou abrir mão de sua reivindicação à lealdade dos cidadãos. Ela era uma arma poderosa nas mãos da Igreja. Mas quando se alcançou a superioridade eclesiástica, a lei natural se tornou uma doutrina que justificava o poder estatal. A grande atração da lei natural era sua flexibilidade e o poder formidável que dava a seus intérpretes. Os direitos humanos não são diferentes.

Enquanto a fonte da lei natural passou do cosmo teleológico para a razão unificadora e, finalmente, para Deus ao longo de dez séculos, o funcionamento da moralidade permaneceu, em linhas gerais, o mesmo. “Certo” significava a resposta correta para uma pergunta moral-jurídica. Chegava-se a ela mediante a observação e contemplação da “grande cadeia do ser”. Até o início da modernidade, não existiam direitos individuais; os deveres eram os componentes da moralidade. Os fortes vínculos sociais de cidades e comunidades criaram um forte senso de dever e virtude moral. Como Hannah Arendt afirmou, de forma controversa, os escravos atenienses tinham uma vida melhor graças aos deveres de seus senhores do que as minorias sem Estado do início do século XX – ou os refugiados de hoje – que usufruem vários “direitos” teóricos, mas não têm proteções reais. O aspecto ressaltado por Arendt é uma réplica útil a Jack Straw e ao Partido Conservador que sustentam que os deveres deveriam ser introduzidos na lei dos direitos humanos. Nosso direito legisla obrigações no direito penal ou civil. Mas os deveres morais não podem ser facilmente objeto de legislação. Os deveres surgem naturalmente em famílias e comunidades a partir de fortes vínculos “naturais”. A lei pode fortalecê-los, mas não pode criá-los.

Conciliação precária

A precária conciliação de Tomás de Aquino entre princípios clássicos e cristãos começou a se desfazer no século XIV. Os chamados teólogos “nominalistas” sustentavam que a vontade de Deus tem primazia sobre sua razão. A lei natural foi imposta por Deus ao mundo – e Ele podia mudá-la radicalmente. Deus podia tornar duas vezes dois igual a cinco ou transformar o mau em bom ou o bom em mau. O nominalista Guilherme de Ockham, famoso por causa de O Nome da Rosa, afirmava que os indivíduos, e não as comunidades, eram os componentes do cosmo, sendo suas relações externas, e não imanentes. Como o expressou a Sra. Thatcher (que poderia ser chamada de uma nominalista contemporânea), não há sociedade, apenas indivíduos e famílias.

Se a lei é imanente e racionalmente compreensiva, ou imposta de fora, é a questão crucial nos debates contemporâneos entre as pessoas que creem que os direitos humanos são sustentados universalmente de formas idênticas e os relativistas que o negam. Neste contexto, os relativistas se parecem com os filósofos gregos clássicos, crendo que um código moral só pode funcionar se corresponde à organização e aos valores internos de uma determinada sociedade. Os valores emergem organicamente; a imposição externa seria tanto errada quanto ineficaz. Em contraposição a isso, os universalistas muitas vezes seguem os nominalistas: leis e valores podem e devem ser impostos a partir de fora. Se existe uma só verdade em questões de moral, seu possuidor tem o direito (se tiver o poder) de impô-la aos outros. Como as relações sociais são externas e artificiais, mesmo as sociedades relutantes em breve concordarão e aceitarão o código universal. Nossas recentes guerras para exportar os direitos humanos e a democracia foram realizadas sob bandeiras universalistas, mas pertencem à tradição nominalista. E, como sabemos, a reconciliação de filosofia e teologia por parte de Tomás de Aquino foi um fracasso.

No início da modernidade, a posição nominalista se tornou dominante e transformou a natureza em um objeto inanimado destituído de espírito ou harmonia. O direito natural foi dividido: de um lado, estavam as leis imutáveis da natureza que descrevem regularidades físicas; do outro lado, as leis humanas da igreja ou do Estado. As extremidades finais que tinham unido o cosmo sob uma concepção do bom foram substituídas pelas causas eficientes da natureza desencantada. As consequências destas mudanças para o direito e a política foram tiradas por Hobbes, Locke, Paine e Rousseau. Rousseau era o autor favorito dos revolucionários franceses cujo primeiro ato foi aprovar uma Declaração dos Direitos do Homem e Cidadão. Os Direitos do Homem de Paine influenciaram muito os revolucionários americanos. A teoria dos diretos naturais anima a Declaração da Independência e a Declaração de Direitos. Depois das revoluções, o que era “certo” de acordo com a natureza e a justiça foi transformado em direitos naturais: um conjunto de poderes e liberdade pessoais, normalmente os direitos à vida, liberdade e propriedade, que pertencem às pessoas porque fazem parte de sua natureza. O método dos filósofos era observar as pessoas e, deduzindo as necessidades e desejos básicos da natureza humana, redigir uma constituição supostamente acordada em um contrato social fictício. Os direitos se tornaram as ferramentas através dos quais os seres humanos modernos, na ausência do bem, perseguem suas concepções antagônicas de uma vida feliz.

A invenção do contrato social

É crucial que a invenção do contrato social tenha aberto a possibilidade para a resistência e revolta se leis do Estado estivessem violando direitos. Mas seu potencial revolucionário era óbvio demais para os revolucionários vitoriosos. Logo depois das revoluções, os direitos naturais atrofiaram. O século XIX foi a época da engenharia social nos países metropolitanos e do colonialismo na periferia. A lei se tornou uma ferramenta nas mãos de governos, construtores de impérios e reformadores. Apelos a princípios morais ou direitos individuais eram vistos como obstáculos reacionários para o progresso. Como o expressou o utilitário Jeremy Bentham, falar sobre direitos naturais é “bobagem, bobagem sobre pernas de pau”. A introdução de explicações abrangentes na sociologia, economia e psicologia, juntamente com o surgimento de partidos políticos de massa, acelerou o declínio dos direitos naturais. A reivindicação de que a sociedade política era criada por meio de um contrato social foi vista como um mito, enquanto a asserção de que certos direitos são naturais e inalienáveis foi refutada por Durkheim, Weber e Marx. A Sociedade para a Prevenção da Crueldade contra os Animais foi criada em 1823, enquanto que a Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra as Crianças apenas em 1889. No século 19, defensores dos direitos das mulheres se referiam repetidamente à proteção dos animais como o modelo a ser imitado. Na primeira metade do século XX, a teoria dos direitos naturais tinha sido descartada como exemplo obsoleto de conservadorismo religioso.

Os direitos naturais só foram reabilitados durante o julgamento dos criminosos de guerra nazistas em Nurembergue – na nova forma dos direitos humanos. Os juízes aliados foram confrontados com uma defesa juridicamente convincente. Os réus alemães tinham seguido as leis nazistas e agido dentro dos limites da lei do Estado – a única lei válida, de acordo com a ortodoxia corrente. Para lidar com este problema, o tribunal argumentou criativamente que os extermínios sistemáticos de judeus e outros tinham violado o direito consuetudinário e os princípios das nações civilizadas. Ao fazer isso, o tribunal redescobriu princípios importantes da lei natural: sua insistência de que existe uma hierarquia de leis e de que, independentemente do estado da lei nacional, os princípios jurídicos universais prevalecem.

Direitos humanos: ocidentais e/ou universais?

Escravidão, extermínio de populações indígenas e atrocidades coloniais tinham sido repetidamente cometidos pelo Ocidente. Agora, porém, que europeus tinham tentado exterminar outros europeus, o conceito de “crimes contra a humanidade” entrou no léxico jurídico. A humanidade foi dividida em vítimas e perpetradores. Depois de 1945, aceitamos com atraso que a humanidade é o anjo exterminador contra si mesma. Nurembergue e a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 deram início a um enorme processo internacional de estabelecimento de padrões como reação a isso. Centenas de declarações, convenções e acordos foram adotados desde então pelas Nações Unidas, organismos regionais e Estados. Os direitos humanos se diversificaram, passando dos direitos civis e políticos de “primeira geração” ou “negativos”, associados com o liberalismo, para direitos de segunda geração – isto é, direitos econômicos, sociais e culturais ou “positivos”, associados com a tradição socialista – e, finalmente, para direitos de “terceira geração” ou direitos de grupo ou soberania nacional, associados com as lutas de descolonização. Seguiram-se rapidamente comissões, tribunais e cortes. O que está por trás desta proliferação aparentemente incontrolável? A humanidade se tornou mais segura em consequência disso?

Os horrores da Segunda Guerra Mundial e o Holocausto deixaram claro que a democracia e tradições constitucionais e jurídicas nacionais não estão em condições de prevenir atrocidades em grande escala. Como o expressou Hannah Arendt, “é perfeitamente concebível que, um belo dia, uma humanidade altamente organizada e mecanizada concluirá de forma inteiramente democrática – a saber, por decisão da maioria – que para a humanidade como um todo seria melhor liquidar certas partes dela”. Os direitos humanos internacionais foram concebidos como um tipo de lei superior que prevalece sobre as políticas nacionais. Neste sentido, os direitos humanos são intrinsecamente antidemocráticos, quando agem em defesa dos vulneráveis e dos oprimidos contra os preconceitos da maioria. Eles tentam impor restrições a governos e legislaturas para impedir que sejam bestiais em relação aos “outros” de cada época e sociedade. Parafraseando Nietzsche, se Deus, a fonte da lei natural, está morto, ele foi substituído pelo direito internacional.

O Deus cristão começou se tornar vulnerável a tendências seculares no final da Idade Média na época em que seu poder absoluto era marcante, mas outros deuses, incluindo o Leviatã ou “deus mortal” de Hobbes, apareceram no cenário mundial. A arrogância e ignorância de alguns entusiastas dos direitos humanos podem estar repetindo o mesmo processo. E então, os direitos humanos são ocidentais e/ou universais? Sem dúvida, sua árvore genealógica é ocidental. O confucionismo, hinduísmo, islã e as religiões africanas têm suas próprias abordagens à ética, dignidade e igualdade, muitas delas semelhantes às ocidentais. Mas as filosofias e religiões não-ocidentais retêm uma base comunitária mais forte e não fizeram parte do desenvolvimento inicial do movimento dos direitos humanos. Solicitaram a John Humphrey, que preparou a primeira redação da Declaração Universal, que estudasse filosofia chinesa antes começar seu trabalho. “Não fui à China”, relatou ele mais tarde, “nem estudei os escritos de Confúcio.” Os direitos humanos são universais? Este breve histórico coloca os parâmetros para uma discussão inteligente da mais importante questão para a filosofia política de nossos tempos.

A tradução é de Luís Marcos Sander.
Fonte: Unisinos

Favelização das metrópoles brasileiras


Com os eventos esportivos internacioanais a acontecerem em 2014 e 2016 o Brasil, infelizmente, não pode ser mais considerado o pais do futuro.

Favelização das Metrópoles

Luiz Domingos de Luna (*)

Com essas políticas públicas que somente funcionam para: via uma mídia crédula, logo, logo, teremos uma pequena metrópole cercada por uma grande favela em todas as regiões do Brasil.
As metrópoles brasileiras não estão crescendo, mas sim, inchando; logo teremos uma grande favela com uma pequena metrópole no centro. Tudo isso se dá, graças à falta de políticas públicas sérias em benefício da sociedade. O Êxodo rural, o desemprego, uma educação caótica, uma saúde em UTI, uma infraestrutura em frangalhos.

Toda solução mágica é puro paliativo. Porém, enquanto não se tiver a consciência plena de que o conjunto estando bem todos estão bem, ou seja, que o patamar da mediana da sociedade é quem define o bem estar coletivo. Todo o corpo social, sofre, se abala e chora.

Praza Deus, agora, com estes eventos esportivos a acontecerem no ano de 2014 ? Copa do mundo e em 2016 -As Olimpíadas, seja o Brasil merecedor de uma política urbanística de infraestrutura que, de fato e de direito, coloque o pais do futuro nos holofotes do presente, como uma fonte geradora de desenvolvimento estrutural, já é chegada a hora de tratar com seriedade, compromisso e vontade de ter um país finalmente no primeiro mundo, estas duas oportunidades históricas são um verdadeiro desafio para nossa capacidade de superar os nossos problemas que vêm se avolumando na infinitude do tempo.

Creio que o momento é oportuno e que o futuro já chegou.
Não podemos tratar temas novos com costumes envelhecidos, nem temas envelhecidos com costumes novos. Assim, urge a necessidade de pensar no bem estar do Brasil. Não podemos nos dispersar em objetivos individuais em detrimento do bem maior que é o desenvolvimento de nosso querido Brasil. -O bem estar do Brasil como um tudo - uma realidade possível, oportuna, difícil, - com certeza, creio porém que, a força que pulsa viva na alma do Povo Brasileiro supere todas as nossas limitações.
Creio que o Brasil seja um país sério
Avante Brasil!!!
O Futuro já Chegou !!!
O Mundo de olho em nós, falta-nos a compreensão da responsabilidade de colocar na mídia internacional, aquilo que sempre sonhamos e que, finalmente chegou à hora. O Futuro como um presente do agora, com tenacidade, luta, determinação, coragem, bravura e a certeza de ser aptos, a mostrar que somos capazes de fazer e fazer bem feito. É a penas uma questão de fé ou otimismo ? Porém não basta somente sonhar, viver este sonho é preciso.

(*) Professor da escola de Ensino Fundamental e médio monsenhor Vicente Bezerra ? Aurora ? Ceará.

A Concentraçãoda Riqueza, a Exclusão Social e a Criminalidade


Quanto mais a riqueza se concentra nas mãos de poucos parasitas sociais mais ocorre exclusão social e quanto maior a exclusão social maior a criminalidade. Uma política de combate à criminalidade que não priorize a redução das desigualdades sociais é inoperante e vã.

Cada dia a riqueza se concetra cada vez mais e com a concentração da riqueza aumenta-se a exclusão social. Quanto maior o número de excluídos, maior a criminalidade.

A política de combate à criminalidade dos parasitas sociais do Brasil, ou seja, da elite, não passa pela redução das desigualdades sociais, mas pelo exterminio físico do criminoso. Um telejornal de uma emissora de TV chegou a veicular uma notícia sobre o BOPE na qual dizia, como se isso fosse uma vantagem, que o BOPE já mata mais de mil bandidos por ano.

Ora, a injusta distribuição da riqueza não deixa opção aos excluídos sociais que não seja o crime contra o patrimônio. O estado nunca aparece para garantir os direitos sociais da população mas quando alguém, sem opção e oportunidades, entra pro mundo do crime, o estado aparece para exterminá-lo.

Será o Brasil, um país tão rico, deixará um dia de ser tão burro e comece a reduzir as desigualdades sociais em vez de sair matando excluídos a três por quatro? Queremos oportunidades, educação, saúde, emprego, alimentação, etc, não balas.

‘Rio virou um laboratório de técnicas genocidas’





Escrito por Rodrigo Mendes

Toda a grande mídia tem dado vasto destaque nas últimas duas semanas à "escalada da violência" no Rio de Janeiro. Mas há sempre o questionamento acerca do quanto isso chega a ser um acontecimento fora do comum

Além do mais, há pouca possibilidade de uma análise mais sóbria, que fuja da idéia de que há um confronto entre as forças da lei e as forças do crime. Muitos especialistas, defensores dos direitos humanos, entidades e militantes apontam que há complicações mais profundas na política de segurança que se acostumou a aplicar no Brasil atual.

É o caso da socióloga Vera Malaguti Batista. Militante acadêmica do Instituto Carioca de Criminologia, ela defende teses muito diferentes, quando não opostas, às que estão implícitas no discurso predominante da grande mídia, que com suas análises apenas colabora em formar um consenso generalizado na população.

Correio da Cidadania: Como você analisa a atual política de segurança pública do Rio de Janeiro? Pode ser classificada como adequada?

Vera Malaguti: Lembrando uma polêmica que aconteceu um tempo atrás entre Marta Suplicy e Joel Rufino dos Santos: a Marta dizia que a esquerda precisava de uma política de segurança pública e o Joel Rufino disse que política de segurança pública é coisa da direita, e que a esquerda precisa mesmo é de política de Direitos Humanos. Há uma grande discussão em torno disso, que redundou em um fracasso, no chamado ‘realismo de esquerda’, na idéia de que a esquerda tinha de praticar uma política de segurança pública mesmo sem ter derrotado o capitalismo. Acabou dando o que deu na Europa, nos Estados Unidos. A esquerda contribuiu para a expansão do sistema prisional neoliberal; a esquerda começou a assimilar, a dar a mesma resposta da mídia, e para a mídia, ao invés de desconstruir o conceito de segurança pública no sentido de lei e ordem. Contribuiu para essa gestão criminal da pobreza, ao discurso que prega o ordenamento dos deserdados da ordem neoliberal.

Hoje, vemos um monte de sociólogo – e eu posso falar porque sou socióloga também – fazendo projetinho de segurança pública. É uma vergonha o que está acontecendo no Rio de Janeiro, eu olho o jornal e não acredito na quantidade de pessoas aplaudindo essa aliança entre o governo do estado do Rio e o governo federal. Eu entendo aliança eleitoral em função da governabilidade, sou muito compreensiva com as dificuldades de governabilidade do governo Lula, mas tudo tem limite ético. Acho que o governo federal apoiar essa política de segurança truculenta do Rio de Janeiro é perder o rumo da História. São muitos equívocos, tem ministro da Justiça pedindo fim da progressão...

A esquerda tem medo do lúmpen e há uma má compreensão da questão criminal pela teoria marxista. É preciso parar de contribuir com a implementação da ordem neoliberal e começar a proteger os pobres do massacre.

Vi um levantamento que aponta que desde o começo de 2007 houve 21 mil homicídios no Rio de Janeiro. A polícia do Rio mata, com aplausos da imprensa, da elite e de parte do mundo acadêmico e da esquerda, 1300 pessoas por ano – e isso são os números oficiais!

Acho que esse governo do estado do Rio de Janeiro trabalha em um tripé de negócios privados, grande mídia e segurança pública. Não tem projetos de política pública.

CC: Há uma ligação entre a propalada escalada da violência e a escolha do Rio para sediar os Jogos Olímpicos?

VM: A mídia fala de explosão de criminalidade porque legitima essas políticas tenebrosas, exterminadoras, truculentas. Com a luta de classes nesse capitalismo de barbárie, a violência não aumenta só no Rio de Janeiro, é o modelo econômico que gera violência, os últimos episódios demonstraram: há uma visão de segurança pública baseada numa ideologia apartadora à la Bush. Há um conflito social, apela-se para a indústria bélica e essa indústria se aquece. Isso produz o discurso jurídico do Inimigo, alguém que pode ser torturado, exterminado, alguém cujas famílias vão pagar também.

Quando o secretário de segurança fala que os últimos eventos foram "nosso 11 de setembro", há também uma tentativa da imprensa de esconder a qualificação desse debate, fica sempre naquele papo da "escalada de violência".

Houve um coronel, além de várias outras pessoas que entendem de polícia, que disse ser um absurdo usar helicóptero da maneira como se vem usando. Ali não tem confronto, é extermínio, homicídio. Nenhuma polícia do mundo usa helicóptero daquele jeito, isso faz parte de uma ideologia de guerra, inspirada nos modelos de apartação mais questionados no mundo contemporâneo. Um sistema que produz o policial matador.

Aí a elite fica espantada quando vê dois policiais passando por cima de um cara agonizando para roubar seu casaco, seu tênis. Ora, para o cara que mata cinco, que mata vinte, o que é roubar para ele? A polícia vai punindo, torturando, roubando, saqueando.

É o que acontece quando você dá todo poder à polícia, não há freios democráticos. O governador disse que a polícia não tem política, pois, para ele, política é só a troca de favores, a barganha e negociação de cargos.

É a naturalização da morte. Isso expõe tremendamente o policial também, afeta muito a vida dele, da família dele, tem muito sofrimento. Precisamos de um grande movimento com as mães dos meninos mortos, dos policiais, contra a naturalização da morte.

CC: Há alguma chance de os problemas serem, pelo menos em parte, resolvidos até as Olimpíadas?

VM: Temos que botar pra correr quem está gerindo a cidade e o estado – e essa mentalidade dos grandes negócios esportivos, da concentração das multinacionais. É preciso fazer das Olimpíadas um grande projeto para o povo.

Veja como foi o Pan-americano, todo dia tinha massacre no Morro do Alemão. Teve dia que chegaram a 20 mortos. E a grande pergunta tinha de ser: estão derrotando o tráfico? Os dirigentes da segurança pública dizem que está tudo no Alemão, então aquela matança não serviu pra nada. O Pan-americano não trouxe nada para o Rio, apenas alguns investimentos milionários, todos concentradíssimos. Proporcionou muitas viagens para governadores, dirigentes, políticos. E o Maracanã hoje não tem mais vendedor ambulante, flanelinha... essas pessoas são presas, a pobreza é tratada como sujeira.

E o Rio virou um laboratório de técnicas genocidas. Daqui até 2016, esperamos derrotar esse pessoal (que está hoje nos governos municipal e estadual).

CC: Ou seja, os conflitos vão se acirrando, a temperatura só tende a subir...

VM: Veja só, a mesma indústria que vai vender o helicóptero blindado vende a arma que derruba o helicóptero blindado. São redes econômicas. As favelas são punidas como um todo, mas vai sobrar para todo mundo, inclusive para os ricos. Uma elite matadora sofre com os efeitos disso também. 

CC: Há alguma ligação ou similaridade entre a atuação das facções criminosas do Rio e do PCC em São Paulo e entre as políticas de segurança dessas duas cidades?

VM: Acho que não. O que há em comum, e não só no Rio e em São Paulo, mas na Bahia e em outros lugares onde isso está começando, é que todas as facções são fruto do sistema penitenciário. A mistura de crimes hediondos, a legislação do direito penal do inimigo e o neoliberalismo produziram essa loucura.

Todos os grandes líderes entraram no sistema prisional por pequenos delitos e foram se barbarizando. Cada vez que eles têm menos expectativa de sair da prisão, de encontrar acolhimento, isso aumenta. A pauta da esquerda tinha de ser prender menos, amparar as redes de familiares de presos, estabelecer mais comunicação de dentro para fora da prisão, para acabar com essa idéia de que quem está fora é o cidadão de bem – essa expressão que a gente ouve tanto – e dentro da prisão está ‘O Mal’.

É preciso romper com essa política estadunidense proibicionista das drogas. Não se pode trabalhar uma questão de saúde pública pela legislação penal. Vários países já começaram a se desgarrar dessa política que começou com o Nixon e foi ao auge com Reagan. Temos que parar de querer resolver a conflitividade através da pena, do sistema penal.

Rodrigo Mendes é jornalista.



Começa nesta terça a quinta edição do Festival de Arte Negra


Evento reúne atividades de dança, literatura, teatro e cinema. Artistas mineiros cobram mais presença na programação

Janaína Cunha Melo - EM Cultura
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A quinta edição do Festival de Arte Negra (FAN) começa nesta terça, em Belo Horizonte, com programação voltada para o Ano da França no Brasil, convidados internacionais, de outros estados brasileiros e artistas locais e com objetivo de descentralização que leva todos os espetáculos e atrações para o entorno da Lagoa da Pampulha. Entre os convidados, estão o coreógrafo franco-senegalês Patrick Acogny, o cantor Jorge Dissonância, de Sergipe, a percussionista Simone Soul, de São Paulo, e o músico, ator e dançarino mineiro Benjamin Abras, entre dezenas de outros convidados. Eles participam de um dos maiores eventos da cultura negra realizado na América Latina, até o próximo domingo, que este ano aborda o tema Os congos daqui recebem os congos de lá, com foco nas relações produzidas pela diáspora africana no mundo.

A proposta, explica o bailarino Rui Moreira, curador do FAN ao lado do ator Adyr Assunção, é revelar a arte negra, em sua unidade e fragmentação, de modo a criar novas formas de pensar o sentido das produções culturais no mundo contemporâneo. Espetáculos de teatro, música, oficinas, sessões de cinema, exposições de artes plásticas, aulas abertas e montagens conjuntas têm entrada franca e são apresentados a partir de diferentes pontos de vista. Desta vez, um único palco concentra as atrações, como forma simbólica de atribuir o mesmo grau de relevância a todas as expressões. Durante o festival, a região que envolve Casa do Baile, Praça da Pampulha e Igreja de São Francisco de Assis será identificada como Mercado de Culturas – Ojá, onde serão instalados espaços de convivência destinados à gastronomia, literatura, exposições, comércio de artesanato, debates, palestras e shows.

Beto Magalhães/EM/D.A Press
Rui Moreira (E) com o coreógrafo franco-senegalês Patrick Acogny e os bailarinos que participam de espetáculo Retour au pays, na quinta-feira

A prioridade da curadoria é estabelecer conexões que representem início de intercâmbios que possam ser mais duradouros que o encontro ocasional entre os artistas. “Pensamos em ações que não se esgotem neste momento, a partir da diretriz política de realizar um festival voltado para o Ano da França no Brasil”, afirma Rui Moreira. Nesta perspectiva, ele já comemora os resultados do Coletivo FAN da Dança, que começou a trabalhar antes mesmo do início do festival. Foram selecionados em audição sete dançarinos mineiros que constroem espetáculo com direção do coreógrafo franco-senegalês Patrick Acogny. “O resultado promete ser muito bom. Está sendo proposto um confronto por meio dos corpos dos bailarinos, com gestual de danças africanas e movimentos do repertório brasileiro. Tudo isso embalado pela música de Paulinho Santos. Este trabalho deixa explícitas as inúmeras possibilidades de intercâmbio entre os países”, diz o curador.


O deslocamento do Festival de Arte Negra para a Região da Pampulha visa a valorizar um dos mais significativos cartões-postais da cidade, ao mesmo tempo em que promete a ocupação temporária de espaço que ainda não havia acolhido o evento. “Estamos trabalhando a ideia de empoderamento de outros lugares. A arte negra precisa circular pela cidade e não ficar limitada ao Centro. Queremos que esta edição do FAN seja a marca da mobilização descentralizada, para ganharmos mais um território.” Rui Moreira lembra que a Pampulha recebe pelo menos duas grandes celebrações populares – a Festa de Iemanjá e as comemorações do ano-novo. O local será sinalizado por exposição ao ar livre de painéis de grande porte, com fotos de Eustáquio Neves. Para garantir o acesso de moradores de outras regiões da cidade, a organização do evento discute alternativas com a BHTrans, com relação ao transporte público, como aumento no número de ônibus em circulação no horário do festival.

Mobilização e espaço

Apesar do porte da realização, artistas locais atuantes no movimento negro elogiam o formato do festival, mas criticam os critérios que definem a programação. Eles argumentam que não se sentem representados como artistas mineiros e reivindicam mais espaço para os grupos locais. “Não que seja desmerecida a participação dos convidados, mas este é um espaço que também precisa ser nosso. Há muitas atrações internacionais e brasileiros consagrados, quando há inúmeros artistas em Belo Horizonte com trabalho de muita qualidade que a própria cidade não conhece”, avalia Thelma Gomes, produtora do grupo Fala Tambor. Para ela, uma das alternativas para o problema seria a realização de reuniões periódicas, para participação de grupos, artistas e comunidade, para colaborar com a curadoria.
Meibe Rodrigues, atriz e fundadora do coletivo Negraria, acrescenta que o número reduzido de artistas mineiros pode gerar a falsa impressão de que a produção local é pequena ou irrelevante. “Isso seria um erro porque é justamente o contrário. Temos grandes artistas, que inclusive estão no mercado, realizando trabalhos muito bacanas e representativos. Não sou contra o festival, que é um evento que realmente coloca o artista e o corpo negro em cena. O que falta é apenas encontrarmos uma forma de dar mais vazão à produção local”, diz. A atriz não atribui responsabilidade unicamente à curadoria. Para Meibe, é necessário que os artistas se mobilizem e que o poder público também esteja atento à necessidade de equilíbrio.


Rui Moreira, que participa do FAN desde a primeira edição – quando foi convidado como artista –, passou a atuar como integrante da curadoria já no biênio seguinte. Ele lembra que a cada dois anos o evento é gestado de acordo com as condições de logística e orçamentárias definidas pelo poder público, por meio da Fundação Municipal de Cultura, e que diversas estratégias de gestão já foram experimentadas. “No atual momento de democracia, as pessoas têm encontrado uma forma melhor de reivindicar seus espaços e isso é bom, demonstra amadurecimento. Mas é preciso que todos se apropriem destes lugares e que comecem a influenciar por meio de mais interlocução. A cultura negra não vive só de produção, mas do resultado da mobilização que ela gera”, responde o curador. Ele lamenta que as discussões sejam propostas apenas poucos dias antes do início do festival e se encerrem ao final do evento. “Temos dois anos para discutir e as pessoas só se manifestam na véspera”, afirma.

PROGRAMAÇÃO

TERÇA-FEIRA

Na Casa do Baile
Cinema para escolas: Mostra Fespaço 40 anos
Às 9h, 14h e 16h

Vernissage da exposição Jovens artistas negros, com curadoria de Emanoel Araujo
Às 20h

QUARTA-FEIRA

Na Casa do Baile
Cinema para escolas: Mostra Fespaço 40 Anos
Às 9h e 14h

Palestra Literatura negro-brasileira, com Luis Cuti
Às 16h


QUINTA-FEIRA

Na Casa do Baile
Cinema para escolas: Mostra Fespaço 40 Anos
Às 9h e 14h

Palestra da cineasta Raquel Gerber e exibição do filme Ori
Às 15h30

Na Praça da Pampulha
Estreia do espetáculo Retour au pays, do Coletivo FAN da Dança
Às 19h



Toda a programação tem entrada franca

Rede Felco, informa


Informe importante!
Estão abertas as inscrições para o processo de Distribuição do Acervo “Memórias do Subdesenvolvimento” – Festival Latino Americano da Classe Obrera – Rede Felco Minas.

Poderão se inscrever espaços exibidores, cineclubes, pontos de cultura, escolas, pessoas e coletivos interessados em promover o acesso público e gratuito ao Acervo do FELCO, promovendo a formação de público, a valorização e a democratização das obras audiovisuais de cunho social e político realizadas no Brasil e na América Latina.
Inscreva-se!

Realização:

Rede Felco Minas

Coletivo Cineclube Movimenta.art

Mais informações no site www.redefelcominas.ning.com

ou pelo email cineclubemovimenta@gmail.com .

"Estatuto da Igualdade Racial é avanço democrático"


O Estatuto da Igualdade Racial surge em defesa dos que sofrem preconceito e discriminação em função de sua etnia, raça e/ou cor. Para defender o principio de igualdade e responsabilizar o Estado por esta tarefa é que foi formulado, amplamente discutido e agora aprovado o estatuto da igualdade racial.

Por Clédisson Júnior*, no Estudantenet

O documento reúne um conjunto de ações e medidas especiais que, se adotadas pelo Governo Federal, irão garantir direitos fundamentais à população afro-brasileira, assegurando entre outros direitos, por exemplo:

O ensino da disciplina “História Geral da África e do Negro no Brasil” integrará obrigatoriamente o currículo do ensino fundamental e médio, público e privado. O reconhecimento do direito à liberdade de consciência e de crença dos afros brasileiros e da dignidade dos cultos e religiões de matriz africana praticadas no Brasil; entre outros. A aprovação do estatuto pelos deputados foi em caráter conclusivo, isto é, não haverá necessidade de enviá-lo a plenária. É importante apresentar que o projeto do estatuto tramitou durante 10 anos no parlamento.

Um dos principais avanços obtidos com a aprovação do estatuto da igualdade racial é de desmistificação da igualdade racial no Brasil. A partir de agora o Estado Brasileiro reconhece as desigualdades existentes nas relações raciais entre brancos e negros e cria dispositivos legais para tratar tais distorções, garantindo assim o processo de inclusão. Para muitos militantes do movimento negro a aprovação do estatuto tende a ser o coroamento de uma luta que vem se construindo por um longo período de tempo na busca por políticas públicas que anseiam pela superação do racismo no Brasil.

Por outro lado, existem aqueles que estão descontentes com “recuos” que foram dadas para que o estatuto fosse aprovado sob consenso pelos legisladores. No texto final, bandeiras históricas do movimento negro ficaram de fora, tal qual uma política objetiva que reserve vagas para afro-descendentes nas universidades públicas e a questão das demarcações e titulações de terras para remanescentes de quilombo e outras mais.

O processo de condução entre aqueles que queriam a aprovação do projeto e aqueles que defendiam interesses contrários ao estatuto, foi muito tenso, as forças existentes no congresso contrarias ao estatuto tencionaram para que pontos importantes fossem debatidos em separado, aleijando assim o estatuto a vista do que era o projeto inicial.

Avaliamos que as reservas de vagas com recortes raciais deveriam ser contempladas pelo estatuto. Não avançaremos no processo de democratização do ensino superior se essa disposição não tiver um caráter legal, um marco regulador, não nos é suficiente aprovar incentivos para contratação de negras e negros para o mercado de trabalho, entendendo que não serão alterado os postos de trabalhos que historicamente foram reservados a população negra, como porteiros, motoristas, seguranças e serviços domésticos.

Precisamos sim, é alterar a posição social, empoderar a população negra. Garantir o direito a uma disputa digna e justa a diversos postos do mercado de trabalho inclusive os de direção.

O estatuto agora será enviado ao Senado e esperamos que de lá siga direto para a sanção do Presidente da República, embora o estatuto tenha sido alterado em suas proposições objetivas, sua aprovação é um avanço democrático e o debate sobre a igualdade racial foi colocado na ordem do dia das discussões em toda a sociedade brasileira. O marco legal instituído pelo estatuto da igualdade racial nos permitirá avançar, por entendermos que o combate ao racismo é um processo e estamos inseridos nessa linha do tempo que vem se estendendo desde o século XVI com a chegada do primeiro africano escravizado.

Clédisson "Jacaré" Júnior é diretor de Combate ao Racismo da UNE

Programa federal quer aumentar número de leitos para tratamento de viciados

Especialista alerta para importância de curar também a família
Jair Amaral/EM/D.A Press
Depois de enfrentar o vício, R. hoje estuda e espera conquistar uma vaga na universidade, mas ainda sofre com as sequelas causadas pelo abuso de crack
O Ministério da Saúde anunciou que estão sendo investidos R$ 110 milhões em atendimento a usuários de crack em todo o Brasil. Segundo o ministro José Gomes Temporão, o número de leitos será ampliado em 2,5 mil hospitais gerais, com capacidade para atender até 12 mil dependentes químicos. O investimento faz parte do Plano Emergencial de Ampliação do Acesso ao Tratamento e Prevenção em Álcool e outras Drogas (Pead 2009-2010), lançado em junho, com investimentos de R$ 117,3 milhões. As ações são direcionadas aos cem maiores municípios brasileiros.

De acordo com a psicóloga especialista em dependência química Heliana Fonseca Veiga Sales, é importante também investir não apenas no tratamento de dependentes químicos, mas também na recuperação da família. “Não existe uma cura para a dependência e a possibilidade de cair em tentação é muito grande.” Segundo ela, o entorpecente é considerado devastador por causar uma dependência mais rápida. “O efeito vem em quatro segundos. Mas em no máximo 20 minutos ele passa. O dependente quer aquela sensação de volta e isso se torna uma bola de neve.”

Ela acrescenta que o crack, diferentemente de outros entorpecentes, é uma droga democrática. “Está em todas as classe sociais. O dependente químico quer saber qual é o barato, quer descobrir novos prazeres e ter nova adrenalina”, explica. Ela acredita que o consumo desenfreado da droga é reflexo da ausência de referência familiar. “Falta referência espiritual, todos estão mais materialistas. Está faltando implantar valores e isso vem de berço, de família”, destaca Heliana.

R.M.M.conta que foi criado pela irmã mais velha, pois a mãe trabalhava o dia inteiro. “Quando descobri o crack, queria ficar na rua e não voltar mais para casa. Quando eu voltava, roubava tudo para poder comprar a droga. Minha irmã chegou até a chamar a polícia”, conta.

Sintomas que durante quatro anos fizeram a cabeça de R.M.M. até o dia em que ele decidiu não fumar mais o crack. “Eu vivia em função da droga. Fazia muitas besteiras e resolvi dizer basta.” Atualmente, o rapaz se prepara para o vestibular da Universidade Federal de Minas Gerais, na qual pretende cursar engenharia civil. “Mas, mesmo longe da droga há seis anos, ainda trago sequelas. O meu pensamento muitas vezes é lento, me esqueço das coisas e, ainda, não consegui ser afetivo com o próximo”, desabafa.

Escalada do vício: Número de usuários de crack em busca por tratamento supera os de álcool em Minas

Jair Amaral/EM/D.A Press
R. experimentou a droga aos 11 anos, em favela de Belo Horizonte, e chegou a roubar para não ficar sem a substância
“Quando comecei a consumir crack, a droga era mais fácil de se comprar do que pão”, conta R.M.M., que experimentou a droga em 1999, aos 11 anos, em uma favela de Belo Horizonte. Dez anos se passaram e o consumo do entorpecente não parou de crescer. Pela primeira vez, em 25 anos da história do Centro Mineiro de Toxicomania (CMT) da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), a procura por tratamento por usuários do crack é maior do que a por consumidores de álcool e já corresponde a 38% do total de atendimentos no centro até este mês.

"Quando achávamos que tínhamos todas as respostas para as drogas, veio o crack e nos apontou outras perguntas. Preparamos-nos para atendimentos humanizados, envolvendo familiares. Mas como lidar com isso, se a substância compromete toda a capacidade de opção do usuário, acaba com as relações sociais e familiares? Por isso, estamos investindo na repressão, capacitação e no tratamento”, revela o subsecretário da Subsecretaria de Políticas Antidrogas, Cloves Benevides.
Na próxima semana, a subsecretaria vai lançar edital para que dez instituições sejam parceiras do estado na oferta de tratamento exclusivo ao usuário do crack, o que ainda não existe no país. Além disso, um batalhão de 300 agentes estaduais, da área de educação, saúde e do sistema penitenciário, está sendo capacitado pela Universidade Federal de São João del-Rei, na Região Central, para lidar com esse tipo de dependente químico.

De acordo com dados do Centro de Referência em Álcool e outras Drogas de Minas Gerais (Cread-MG) , de março de 2004 a setembro de 2009, 3.353 usuários de crack que também usavam outras drogas procuraram por atendimento. Desses, 1.215 combinam até quatros tipos de entorpecentes. Somente em Belo Horizonte, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, desde a abertura do Centro de Referência em Saúde Mental para usuários de Álcool e Drogas, em novembro de 2008, já passaram pelo serviço 1.132 pacientes, sendo um fluxo mensal de 115 usuários. Desses, 57% são alcoolistas e 26% são viciados em crack.

De acordo com dados da Fhemig, até a última terça-feira, 886 dependentes haviam procurado o CMT e, desse total, 342 eram usuários do crack. Em 1997, as pessoas com problema de alcoolismo representavam 47% da procura por ajuda e aqueles que fumavam a pedra feita com sobra de cocaína e outras substâncias chegavam a apenas 20%.

Dos usuários de crack que procuram tratamento, 80% são homens com o 1º grau incompleto, idade entre os 18 e 35 anos e, na maioria dos casos, viúvos, solteiros e desempregados. “Essa droga é da solidão”, define a diretora da unidade e especialista em Drogas Dependentes, Raquel Martins Pinheiro. De acordo com ela, o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de um viciado deveria começar na saúde básica.

Distante do crack há seis anos, R.M.M, hoje com 21 anos, confirma que a droga faz estragos na vida dos viciados. “A pessoa fica disposta a tudo. Por isso, rouba e fica agressiva”, recorda, mostrando no peito um colar que significa a primeira letra do alfabeto grego e a última do hebraico. “A minha dependência não tem mais cura, pelo resto da vida farei tratamento, por isso, esse cordão significa para mim duas coisas: o início e o fim."

Polícia mata, omite seus mortos e fica impune


Números de mortes de civis provocadas pela polícia não são reais na maioria dos estados brasileiros

Números de mortes de civis provocadas pela polícia não são reais na maioria dos estados brasileiros

A polícia brasileira é cada vez mais letal. Segundo a historiadora Ângela Mendes de Almeida, coordenadora do Observatório das Violências Policias de São Paulo (OVP- SP), no entanto, o número de mortos por agentes do Estado é ocultado e embaralhado. “Nenhum órgão oficial quer contar, com métodos científicos, os mortos”, completa.


Nesse sentido, o OVP-SP contabiliza as mortes cometidas por policiais no Estado de São Paulo, que não entram nas estatísticas oficiais da Secretaria de Segurança Pública, através de um levantamento diário de notícias veiculadas em aproximadamente 100 jornais. Assim, aos 272 civis mortos por policiais divulgados pelo Governo do Estado no primeiro semestre, um levantamento da OVP- SP acrescenta mais 149 óbitos provocados por agentes do Estado.


As formas de execução, segundo Ângela, são variadas: “temos a ‘morte em confronto’, que é o homicídio frequentemente praticado por agentes do Estado fora de serviço, quando estão em bicos irregulares e em atividades privadas; a morte por bala perdida, casos que só acontecem em bairros pobres e favelas; as chacinas executadas por encapuzados ou homens de negro que nada mais são do que grupos de extermínio formados por policiais; e a perseguição tresloucada a um suspeito, quando não hesitam em colocar em risco a vida dos habitantes dos territórios da pobreza”.


Não contabilizados

Porém, dentre todas as circunstâncias apontadas por Angela, muitas não entram nos números oficiais das secretarias, já que ela não contabiliza as mortes provocadas por outros agentes do Estado, tais como: guardas civis metropolitanos, policiais rodoviários federais e todos os assassinatos cometidos por policiais encapuzados, organizados em grupos de extermínio.


Nesse sentido, a adolescente de 17 anos, Ana Cristina Macedo, vitimada por bala perdida durante uma perseguição da polícia civil no dia 31 de setembro, na Favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, não teve sua morte atribuída a um agente do Estado, mesmo comprovado que o disparo foi efetivado por um. A morte de Ana Cristina é contabilizada junto aos homicídios culposos.


É o que explica a advogada do Programa de Justiça da Conectas Direitos Humanos, Marcela Fogaça Vieira. “Esses números não englobam os casos de homicídios dolosos ou culposos cometidos por policiais, que são diluídos no número geral de homicídios. Ou seja, o número de homicídios cometidos por policiais é mais elevado do que aqueles oficialmente divulgados”.

Procurada, a Ouvidoria da Policia Militar de São Paulo, não quis dar explicações sobre as maneiras da contagem de civis vitimados pela Polícia.


Dossiê preparado por diversas organizações sociais, entre elas o OVP- SP, sobre execuções extrajudiciais e mortes pela omissão do Estado de São Paulo, lançado no dia 9 de outubro, dia mundial contra a pena de morte, traz observação do relator da ONU para execuções sumárias, Philip Alston, constatando “que as polícias de São Paulo utilizam a força letal e não a inteligência para controlar o crime. Mais do que isso, esta força letal é utilizada para a proteção do patrimônio e não da vida”.


Caatinga mata!”

Na Bahia, a situação não é diferente. Segundo Carla Akotirene, assistente social e coordenadora do Fórum Nacional de Juventude Negra, a frase “Pai faz, Mãe cria e Caatinga Mata!” vem exposta nas viaturas da Polícia da Caatinga, “uma divisão policial assassina, conhecida por abordagem violenta”.


Segundo o Centro de Documentação e Estatística Policial, em 2008, pelo menos 2.237 pessoas foram assassinadas em Salvador e região metropolitana. Números, divulgados de maneira generalizada, e que segundo Carla esconde os dados reais da repressão policial na Bahia. “Dentre estes números cabíveis institucionalmente, escondem-se milhares de homicídios praticados pelos aparelhos de repressão em seus diversos departamentos, não computados à ação policial”, denuncia.


Na ação da Polícia da Caatinga está a maior prova, segundo ela, da mentirosa divulgação dos números pelo governo baiano. “Sobre a Polícia da Caatinga, não há sequer dados estatísticos, uma vez que a totalidade das notícias enaltece a corporação e o alto índice de letalidade, cada vez mais assustador produzido contra os corpos negros e jovens”, aponta.


À frente da Campanha contra o Extermínio da Juventude Negra, lançada na primeira semana de outubro na Bahia, Carla aponta um viés ideológico acintoso que se tornou jargão na Bahia. “A afirmação de que aqui morre mais negros por conta do contingente populacional ser majoritariamente de afrodescendentes pode ser encontrado em documentos oficiais e em declarações dos gestores e agentes da segurança pública do Estado baiano, independente da conjuntura política ideológica”, declara.


Carla diz que a afirmação é uma falácia e apresenta outra premissa: “é uma tentativa de classificar a seletividade do sistema de justiça criminal como uma mera coincidência, escondendo a gênese desse sistema que foi formado para oprimir a população negra e pobre”.

A anemia que atinge negros

Conhecida como falciforme, a doença hereditária é detectada em uma criança a cada 1,4 mil nascidas na PB


Lucilene Meireles //lucilenemeireles.pb@diariosassociados.com.br

Uma em cada 1,4 mil crianças que nascem na Paraíba tem anemia falciforme, doença hereditária com maior incidência na população negra, que causa a má-formação das hemáceas e se caracteriza por provocar fortes dores nos pacientes. Os números fazem parte de uma estimativa da Associação Paraibana de Portadores de Anemias Hereditárias. De acordo com o presidente da Associação dos Portadores de Anemias Hereditárias na Paraíba, Dalmo Oliveira, existem hoje cem pessoas em tratamento no Hospital Universitário Lauro Wanderley, enquanto no Hemocentro da Paraíba este número salta para 300. Na Bahia, onde a população negra é maior, a proporção é de um caso em cada 700 nascimentos.

Há cerca de uma semana, um jovem de 16 anos, morador do bairro Valentina Figueiredo e portador da deficiência falciforme, morreu em conseqüência de uma pneumonia. Para Dalmo, que considera a taxa de incidência alta, a doença representa o maior problema de saúde da população negra daParaíba. “Fico me perguntando até quando esse tipo fatalidade ainda vai se repetir até que tomemos providências efetivas para evitar que fatos como esse se repitam”, disse.

A anemia falciforme foi tema, ontem (Dia Nacional da Doença Falciforme), de uma sessão especial na Assembleia Legislativa proposta pelo deputado Rodrigo Soares (PT). O objetivo foi aprofundar uma agenda de saúde para a população negra no Estado e trabalhar para melhorar a situação destas pessoas. Hoje, como lembrou Dalmo Oliveira, é o Dia Nacional da Saúde da População Negra, e uma das metas é também unificar a data.

Para a representante do movimento negro, mãe Renilda, que participou da audiência, além dos problemas de saúde que as pessoas negras sofrem, elas são tratadas com preconceito e discriminação. “É preciso que algo seja feito para que a saúde de negros e negras tenha maior visibilidade”, observou.

A associação, no entanto, quer mais benefícios. Por isso, foi protocolado um ofício para que sejam criados programas de atenção integral, com o treinamento de médicos e enfermeiros para realizar atendimento específico. “Queremos também que a fase dois do teste do pezinho seja implantada na Paraíba e estamos cobrando isso das três esferas do poder”, ressaltou Dalmo. Uma das conquistas é que a doença passou a ser de notificação compulsória, ou seja, os casos, internações e óbitos serão computados pela Secretaria Estadual de Saúde, o que ajudará a fazer um balanço da doença e saber como está sua evolução.

Triagem da doença é desafio

Na Paraíba, de acordo com a hematologista pediátrica Joacilda Nunes, houve avanços, mas ainda há muito para ser feito. “O serviço público de saúde precisa dar maior atenção a este problema, cuidando do bem estar e saúde destas pessoas”, ressaltou.

A médica afirmou que há um esforço da Secretaria Estadual de Saúde para implantar a segunda fase do teste do pezinho, e lembrou que em vários Estados ele já existe. “Aqui, por enquanto, contamos apenas com a fase um”. A fase dois tem como objetivo implementar a triagem para a doença falciforme, e quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais chances o paciente terá de ter uma vida normal. “É possível conviver com a doença se o paciente contar com os cuidados de saúde necessários”, declarou a médica.

Até os seis meses de idade, a criança com anemia falciforme não apresenta nenhuma manifestação. Somente após este período é que surgem os primeiros sintomas observados no exame de sangue. As hemáceas adquirem o formato de uma foice, têm vida mais curta e vão sendo destruídas, gerando anemia crônica e obstruindo a circulação.

A doença é marcada por dores intensas, infartos, causando também a destruição do baço, o que acaba gerando problemas de imunodeficiência. O paciente necessita de vacinas especiais para fazer o controle da anemia.

Um simpósio realizado no Brasil este mês reuniu representantes de 9 países africanos. Durante o encontro, uma das informações que mais chamou a atenção foi que na África a prevalência da anemia falciforme é de 98% entre crianças com menos de 5 anos.