Mais do que atitude, Casa do Hip-Hop e escola de samba ensinam cidadania


MAYRA MALDJIAN
DE SÃO PAULO

João Brito/Folhapress
João Pedro, 14, frequentas as oficinas de DJ por hobby
João Pedro, 14, frequentas as oficinas de DJ por hobby

Quando o hip-hop nasceu, nos guetos norte-americanos da década de 70, deram a ele o sobrenome "atitude".

Cabelo black power, calça larga, tênis Nike, gíria na ponta da língua, pose de mano. O estilo natural de quem vivia essa cultura começou a ser copiado por quem se identificava com ela.

"É natural um jovem assistir a um videoclipe e querer se vestir como o artista. É uma forma de fazer parte daquela tribo", explica Nelson Triunfo, chefe de cultura da Casa do Hip-Hop de Diadema (SP) e um dos fundadores do movimento no Brasil.

Mas nada disso basta se a sua contribuição ao movimento for apenas visual.

"Acho "style" quem se veste assim, mas hip-hop é mais que isso", explica João Pedro, 14, aluno da oficina de DJ do centro cultural.

Fã de Racionais MCs, aprendeu a gostar de rap com os primos. "Mas eu também ouço Black Eyed Peas, David Guetta e Shakira", enumera, sem titubear.

"A ideia é abrir a mente do jovem. Ele pode curtir a Beyoncé, o Luiz Gonzaga... O importante é navegar pela diversidade cultural e não deixar que os outros carimbem você", explica Nelson.

Por isso, o quinto e mais prezado elemento do hip-hop é o conhecimento. Sem ele, dizem, a arte da discotecagem, da dança, da rima e do grafite se tornam vazias.

Há 11 anos, a Casa do Hip-Hop oferece oficinas gratuitas e ainda mantém um centro de estudos sobre essa cultura.

CASA DO HIP-HOP
Centro Cultural Canhema (r. 24 de Maio, 38, Diadema, SP)
Tel.: 0/xx/11/4075-3792
No dia 31 de julho, a Casa do Hip-Hop celebra 11 anos com uma festa em sua sede, com shows de Rappin´ Hood, Emicida e Doctor MCs, DJ Dandan nos toca-discos, Fernandinho Beat Box, batalha de MCs, batalha de break, palestra com King Nino Brown e Cassia Preta. A apresentação será do MC Cérebro. De graça, das 10h às 22h.

-

João Brito/Folhapress
Jorge Raiol, 20, toca surdo na bateria principal da escola de  samba
Jorge Raiol, 20, toca surdo na bateria principal da escola

Jorge Raiol, 20, começou a tocar tamborim na Camisa Verde e Branco em 2002. Treinou, treinou, mas só foi para a avenida em 2004.
Hoje, toca surdo, instrumento que até então era restrito aos mais experientes da escola de samba paulistana.

Consciente de que teria de ralar muito, não se intimidou. Driblou seus limites técnicos e até ajudou a montar a bateria mirim da escola. "Quem tem atitudes como essa é visto com outros olhos pela velha guarda."

Interagir com os membros mais antigos é imprescindível para quem quer entrar para a "família". "Eu chegava na quadra e pedia a bênção. É uma forma de mostrar respeito", explica.

Quem está ali só de passagem no Carnaval também precisa se envolver. "Tem gente na bateria que gosta de rock, outros de Lady Gaga, mas, na hora do batuque, a atitude é a do samba."

"A escola é um espaço de sociabilidade, mas que preserva uma cultura de cem anos de idade", explica Tadeu Augusto Matheus, vice-presidente do Camisa.

Fundada em 1914, como Grupo Carnavalesco da Barra Funda, a instituição tem hoje um departamento jovem que cuida do resgate de seu legado cultural e de atividades como as oficinas gratuitas.

Além disso, a Camisa Verde e Branco tem convênio com universidades que oferecem bolsas de 25% a 75% aos filiados mais ativos. "Nosso papel não é apenas fazer carnaval, mas formar cidadãos", afirma Tadeu.

ESCOLA DE SAMBA CAMISA VERDE E BRANCO
Quadra (r. James Holand, 663, São Paulo)
Tel.: 0/xx/113392-1621
No dia 29 de agosto, a escola promove a terceira feijoada do departamento social, com roda de samba e Tarde das Musas. A partir do meio-dia, por R4 20.


Arte
arte folhateen

Nenhum comentário: