Muros que separam favelas e vias são realidade na cidade do Rio de Janeiro


Segundo o prefeito Eduardo Paes (PMDB), placas diminuem riscos de atropelamentos e isolam as comunidades do barulho dos carros. Mas, para a população das favelas, é mais uma forma de discriminação

Aline Scarso,

Radioagência NP




Começaram as polêmicas obras de instalações de muros que devem isolar treze favelas na zona sul da cidade do Rio de Janeiro (RJ) das Linhas Vermelha e Amarela, as principais vias expressas do estado. Segundo o prefeito Eduardo Paes (PMDB), as placas diminuem os riscos de atropelamentos nas vias e isolam as favelas do barulho dos carros. Mas, para a população das favelas, esta é mais uma forma de discriminação.

O presidente da Federação de Favelas do estado do Rio de Janeiro (Faferj), Rossino Castro, afirma que a obra atende aos interesses dos organizadores das Olimpíadas, prevista para acontecer na cidade em 2016.

“Porque o governo [estadual e municipal] vende uma imagem de que as favelas são urbanizadas e organizadas. O [ex-] prefeito César Maia (DEM) pegou muito dinheiro para fazer as favelas-bairro, [ou seja] para transformar as favelas em bairro, e não fez isso. Então, estão fazendo os muros para esconder as favelas dos turistas porque eles irão passar muito pelas linhas Amarela e Vermelha.”

O projeto já foi questionado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que pediu explicações ao governo do estado. Na época foi dito que o objetivo era impedir o avanço das favelas sobre a mata atlântica, preservando assim o bioma.

“Essa de separar a favela do asfalto é discriminação. Enquanto tratar a cidade como cidade partida, a tendência da violência é crescer dia-a-dia.“

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