Adolescentes abusam do uso do álcool







O uso abusivo de álcool vem aumentando, assustadoramente, entre os adolescentes brasileiros. Segundo Salles (1998), uma pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) em 1997 com estudantes de escolas de Ensino Fundamental e Médio de dez capitais brasileiras, revela que o álcool e os solventes são as drogas mais consumidas pelos adolescentes. “O álcool, considerando-se o uso pelo menos uma vez na vida, é a droga mais consumida em todas as faixas etárias, começando entre os dez e os doze anos” (SALLES, 1998, p. 128). Podemos verificar um grande número de estudos sobre essa problemática na área da Psicologia, Medicina, Educação e tantas outras que buscam entender o difícil processo do abuso de drogas e, mais especificamente, do álcool.

Violência doméstica é principal motivo que leva crianças e adolescentes às ruas

 

Os dados divulgados pela SDH apontam que 32,2% das crianças e adolescentes tiveram brigas verbais com pais e irmãos, 30,6% foram vítimas de violência física e 8,8% sofreram violência e abuso sexual.

Agência Brasil
A violência doméstica e o uso de drogas são os principais motivos que levam crianças e adolescentes às ruas. De acordo com o censo da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), cerca de 70% das crianças e adolescentes que dormem na rua foram violentados dentro de casa. Além disso, 30,4% são usuários de drogas ou álcool.

Uso de drogas expõe adolescentes a risco de DST e gravidez indesejada


Pesquisa publicada na revista científica da Fiocruz avaliou que o uso de drogas entre adolescentes incentiva cada vez menos a prevenção as DST e aids. O estudo avaliou a correlação entre o uso de substâncias que alteram a consciência e a utilização de preservativos. Confira a matéria a seguir.O consumo de drogas ilícitas ou mesmo lícitas não é bom companheiro na proteção contra doenças transmitidas pelo sexo e pode expor à gravidez indesejada. É o que demonstra estudo de pesquisadores o Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas e do Laboratório de Informações em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica (Icict/Fiocruz). O estudo avaliou a correlação entre o uso de substâncias que alteram a consciência e a utilização de preservativos e foi publicado pela Cadernos de Saúde Pública, uma das revistas.

VIOLêNCIA CONTRA ADOLESCENTES !



Promover o bem comum, eliminar preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e outras formas de discriminação são compromissos de todos os brasileiros para a efetiva conquista de uma sociedade livre, solidária, humana e igualitária onde a cidadania deve ser entendida em seu sentido mais amplo: igualdade de direitos de oportunidade e de participação e co-responsabilidade pela vida social - cujo desenvolvimento tenha como fundamentos básicos o comprometimento com a redução das desigualdades e erradicação da pobreza e marginalização.

DROGAS NA ADOLESCENCIA +_+

Não é um fenômeno único e isolado, o fato do grande aumento do uso de drogas entre os adolescentes, durante a década passada, no Brasil, Estados Unidos e em outros países. Acreditava-se que, na década de 60 os jovens passaram a consumir mais drogas com o advento da cultura e essa crença limitava-se somente aos jovens. Tal crença é uma ilusão e só pode obstruir as tentativas de se colocar o problema em perspectiva dequada.
O emprego e abuso propagado de drogas não se restringem aos adolescentes e não começou com o advento da cultura jovem dos anos 60, como qualquer um que tinha 20 anos na década de 20 pode atestar.

O que é o crack e quais são os seus efeitos no organismo?

Os cachimbos improvisados e largos, geralmente feitos com tubos de PVC, facilitam a aspiração de uma grande quantidade de fumaça de uma vez só. Sem filtro e sem volta, o consumo . É assim, de forma amadora e desmedida, que ocorre o consumo do crack.

Mitos e verdades sobre o crack

selo Rede contra o CrackNa última semana o gazetaonline abriu um fórum para tirar as dúvidas dos internautas sobre o crack. As quatro melhores perguntas foram respondidas pelo médico especialista em dependência química João Chequer. Além das respostas, confira também os mitos e verdades sobre o assunto.

Tatuagem: Maioria dos estúdios de tatuagem está ilegal


Fiscalização é falha, existem poucos profissionais em campo e até os donos de lojas admitem não cumprir legislação
Arrependimento. Para economizar, Leonardo Régis optou por um estúdio improvisado; tatuagem não agradou e ele terá que refazer serviço
Nem sempre quem procura um estúdio de tatuagem sabe dos riscos que está correndo. Estabelecimentos sem licença e que não respeitam as leis podem acabar gerando infecções, doenças e manchas em clientes desavisados. Em Belo Horizonte, mais da metade dos estúdios estão na ilegalidade - apenas 92 têm registro na Secretaria Municipal de Saúde, e os próprios profissionais da área estimam que existam mais de 200 estabelecimentos em atividade. O baixo número de fiscais para a área acaba permitindo que maus profissionais tragam prejuízos para os seus clientes.

Com apenas 127 fiscais para checar os estúdios e fazer todas as inspeções sanitárias da capital, os tatuadores ficam livres para burlar as normas. A portaria 47/99, que estabelece, entre outras normas, que todos os clientes apresentem atestado médico antes da tatuagem é ignorada. Ela prevê que caberia ao estúdio guardar o documento por, no mínimo, cinco anos. "Nós não exigimos o atestado. Não está na lei", disse uma fiscal ouvida e que demonstrou não conhecer a lei que fiscaliza. A obrigatoriedade está clara no artigo 8º da portaria.

A médica Ana Cláudia de Brito Soares, que integra a Sociedade Brasileira de Dermatologia, afirma que a falta de informação dos fiscais é resultado de uma sobrecarga de trabalho. "A fiscalização na cidade é precária porque há um número pequeno de funcionários para fiscalizar muita coisa", diz.

Os próprios tatuadores legalizados reconhecem que a lei não é cumprida não só pelos clandestinos. Segundo eles, isso acontece porque as exigências "estão fora da realidade".

"O que eles pedem é inviável. Se fôssemos exigir atestado, imagina quantas pessoas deixariam de se tatuar? Essas regras foram criadas por quem não tem nenhum conhecimento de tatuagem", argumenta o presidente da Associação dos Tatuadores e Piercings de Minas Gerais (Atap-MG), André Matozinhos.

No entanto, a médica Ana Cláudia Brito alerta para o perigo da falta do atestado médico. "O tatuador precisa saber se o cliente é saudável para se precaver em caso de contaminação em um acidente de trabalho".


Barato pode sair caro para os clientes
Sem uma fiscalização que iniba o descumprimento da lei e diante de profissionais que passam por cima das determinações, os maiores prejudicados são os consumidores. É o caso do webdesigner Leonardo Régis, 31, que tatuou o braço. Após buscar vários estúdios, ele optou por fazer a tatuagem com um amigo em uma loja improvisada.

Para ajudar a divulgar o trabalho do tatuador, o serviço saiu de graça. "Fiquei tentado porque não ia pagar", conta. O resultado foi um desenho com linhas irregulares e falhas. "Preciso corrigir isso, o que deve me custar até R$ 500. Fazer experiências com meu próprio corpo? Nunca mais", garante.

Lei

Família de usuário terá R$ 900 de ajuda do governo


Apelidado de ´bolsa-crack´, programa do Estado vai auxiliar na internação de dependentes químicos de baixa renda

Desenho do bem


Carolina Cotta



Aluna de tempo integral na Escola Municipal Maria das Neves, em BH, Júlia tem aulas regulares em parte do dia e, na outra, participa de aulas de grafite (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Aluna de tempo integral na Escola Municipal Maria das Neves, em BH, Júlia tem aulas regulares em parte do dia e, na outra, participa de aulas de grafite

Branquidade Normativa: 'A maioria de nós aqui é racista e nem sabe', a afirmação do designer Taygoara Aguiar

"A maioria de nós aqui é racista e nem sabe", a afirmação do designer Taygoara Aguiar deixou o pessoal um pouco perplexo, sabe quando a gente é criança e ouve alguém falar um palavrão? Foi mais ou menos assim, mas, logo ele listou uma série de argumentos que levou várias cabeças a balançarem naquele gesto de quem concorda.
As novelas, materiais didáticos e produtos reportam a toda hora uma realidade sem a presença do negro, esse foi um dos muitos exemplos que retrata o que Taygoara chamou de "branquidade normativa", que é a ideia de que o normal é ser branco.

A lógica da tolerância com o racismo

Era uma vez um país que acreditava viver uma imensa democracia racial. Afinal, saídos da senzala, negros eram bem tolerados na cozinha, na copa, e até na sala de estar, quando os patrões não tratavam de assuntos mais sérios.
A primeira fase começou a ser ultrapassada a partir dos anos 60, quando este país começou a receber influxos de movimentos civis de um irmão mais ao norte.
Depois esta quase-nação, ao sul do Equador, começou a desconfiar que aquela democracia não era tanta assim.

Em 5 horas a Polícia vai matar um jovem de 15 a 29 anos

POLÍCIA MATA UMA PESSOA NO BRASIL A CADA CINCO HORAS
Renata Mariz e Alana Rizzo
São 141 assassinatos por mês ou 1.693 por ano. Bastariam esses dados para colocar a polícia brasileira como uma das mais violentas do mundo.

Dia do Lamarca

Aconteceu em
17 de setembro
   
   
  Os corpos de Lamarca (acima) e barreto, exibidos p ela ditadura  
  1971 - Dia do Lamarca  
  Após dias de caçada humana no sertão baiano, a repressão encurrala e executa a sangue-frio em Ipupiara o capitão-guerrilheiro Carlos Lamarca. Abatido na mesma ocasião José Campos Barreto, também militante do MR-8.

Vida além da prisão

A quase totalidade da comunidade carcerária não tem formação profissional. A maioria nunca exerceu uma atividade formal e outra parcela vive do produto do crime.

Alcoolismo, problema de saúde pública

 
Com certeza, os graves problemas sociais, doenças e tragédias generalizadas decorrentes do uso abusivo do álcool precisam ser reavaliados para que todas as instituições envolvidas na prevenção, desde a família e escolas, até a regulamentação de políticas públicas rígidas, sejam competente e urgentemente cumpridas para enfrentar o principal problema de saúde pública do Brasil: o alcoolismo.

Pelos quatro cantos

Festival Transborda entra na reta final com as mais interessantes atrações de sua programação. Encerramento será no domingo
Organizador do Festival Transborda, Lucas Mortimer usa o mote do evento para falar do formato de sua segunda edição, que termina domingo: “O número de shows é mais ou menos como do ano passado. A diferença é que o festival descentralizou, ‘transbordou’ a área da Avenida do Contorno”. Isso porque, ao contrário da Praça da Estação, que recebeu os principais shows em 2010, agora a programação vai ocupar uma série de espaços públicos em diferentes regiões de Belo Horizonte.

Ao longo desta semana, debates e mostras tomaram conta da Fafich, no câmpus da UFMG, na Pampulha. Os shows mais importantes rolam a partir de hoje. No Granfino, a noite promete ser quente, já que será ali que o Vanguart lança seu novo álbum, Boa parte de mim vai embora. Amanhã serão seis lugares diferentes, quatro deles centros culturais da prefeitura. “O coletivo Pegada (que realiza o festival) dá suporte a várias bandas. Algumas delas acabaram organizando a programação dos centros culturais”, explica Mortimer.

A banda Aldan, por exemplo, ficou a cargo dos shows na Vila Marçola, enquanto o Festenkois toca no Centro Cultural Lindeia Regina. “Foram selecionadas bandas que tivessem a cara de cada espaço”, continua Mortimer. Vários grupos são locais, mas há também muita gente boa que está vindo de fora: Lurdez da Luz (São Paulo), Mukeka di Rato (Espírito Santo), Violins (Goiás), Cérebro Eletrônico e Criolo, também de São Paulo. Esses dois últimos são as principais atrações do último dia do Transborda. No domingo, uma série de shows vai tomar conta da Praça do Papa.

O rapper Criolo se apresenta domingo, na Praça do Papa (MTV/Divulgação)
O rapper Criolo se apresenta domingo, na Praça do Papa

Programação
Hoje
12h – Tempo Plástico, na Fafich (câmpus UFMG, Av. Antônio Carlos, 6.627, Pampulha). Entrada franca
22h – Vanguart, Graveola e o Lixo Polifônico e DJ Luiz Valente, no Granfino
( Av. Brasil, 326, Sta. Efigênia). R$ 25.
Amanhã
9h – Acidogroove, K2, A Fase Rosa, Abrantes, Djâmbe, no Centro Cultural Lagoa do Nado (Rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, Itapoã). Entrada franca.
10h – Clube de Patifes, Valsa Binária, Monograma, Grafômanos, na Escola de Samba Cidade Jardim (Rua Gentios, 1.415, São Bento). Entrada franca.
14h – Mukeka di Rato, Seu Silva, Festenkois, Absurda, Kingsizebox, no Centro Cultural Lindeia Regina (Rua Aristolino Basílio de Oliveira, 445, Regina). Entrada franca.
14h – Lafusa, 4Instrumental, A Nuvem, !Slama, Kayajhama, no Centro Cultural Vila Marçola (Rua Mangabeira da Serra, 320, Serra). Entrada franca.
14h – Lurdes da Luz, Fleeting Circus, Kontrast, Local-Z, Groove da Esquina, no Centro Cultural São Bernardo ( Rua Edna Quintel, 320, São Bernardo). Entrada franca.
Domingo
14h – Dokttor Bhu e Shabê, Silva Soul, Capim Seco, Quarteto VagaMundo, Zimun, Violins, Chakal, Dibigode, Cérebro Eletrônico, Fritonahora, Criolo, na Praça do Papa.
Entrada franca.
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A bebida alcoólica - quem nos viciou e vicia os nossos filhos?

por Mauro Kwitko - maurokwitko@yahoo.com.br

O consumo de álcool é um hábito antigo que, um dia, vai desaparecer da face da Terra. E aí a bebida alcoólica receberá o mesmo status das drogas hoje consideradas ilícitas, será ilegal. Todas as bebidas alcoólicas, o vinho, a cerveja, o whisky, a vodka, a cachaça, e todas as outras bebidas alcoólicas só tem um objetivo: embebedar as pessoas.

Crack: más soluções para terríveis problemas

Método de internação compulsória, criado pela prefeitura do Rio para jovens usuários, enfrenta a resistência de entidades e conselhos regionais

 
Leandro Uchoas
do Rio de Janeiro (RJ)

Para especialistas, o internato compulsório faz parte de uma política
higienista - Marcello Casal Jr/ABr
Há poucos anos, o crack era visto como uma especificidade paulistana. Imagens de crianças fumando eram assistidas, de longe, pelo país inteiro. A droga nunca chegava ao Rio de Janeiro. As explicações para isso são variadas, mas a mais crível é a de que as organizações criminosas não aceitavam a entrada do crack na cidade, pelo seu potencial de extermínio dos mais pobres. A partir de 2006 e 2007, começa a surgir a droga lentamente na cidade, em grande parte porque os novos “líderes” do tráfico de drogas passam a ser adolescentes muito jovens, violentos, sem os peculiares padrões éticos dos criminosos tradicionais.

Crack e a liberdade


O juiz pode declarar o dependente incapaz e determinar a internação

Caio Boson
Advogado e sócio da Boson & Associados



Assunto que finalmente ganha destaque na mídia são as cracolândias. Emergem o choque visual dos maltrapilhos, entregues ao frenesi do consumo e depressão em ruas cobertas de sujeira e dejetos, e o debate acerca do que se convencionou chamar de internação compulsória: agentes públicos adentrariam nesse gueto dos desesperados e os conduziriam, à força, a tratamento. Segundo estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), estado onde se concentra o maior número desses guetos, 30% dos dependentes de crack morrem antes de completarem cinco anos de uso.

Carmita Abdo: Orientação sexual não se inverte



(por Conceição Lemes)


Independentemente da cultura, quase 10% da população é homossexual, sendo 7% homens e 3% mulheres. Menos de 1% é bissexual. Os 90% restantes são heterossexuais. Isso ocorre em todo o mundo, inclusive no Brasil. “Ninguém se torna homo, bi ou heterossexual por opção ou escolha”, afirma a psiquiatra e especialista em medicina sexual Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (Prosex) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. “O que nos conduz para esta ou aquela orientação sexual é um conjunto de fatores biopsicossocioculturais.” 

Sem lenga-lenga nem maracutaia



050911_candombleRevista Pessoa - [Ataliba T. de Castilho] As influências das culturas banto e sudanesa no português brasileiro.

[Ataliba T. de Castilho] Cerca de quatro milhões de africanos foram trazidos ao Brasil, entre 1538 e 1855, sujeitos a um contato mais intenso com a escassa população branca, se os compararmos aos 6 milhões de indígenas que aqui viviam, no momento da chegada dos portugueses.
Entretanto, a influência africana no português começou muito antes, já no séc. XV, quando os portugueses trouxeram escravos africanos para trabalhar na lavoura e na cidade, substituindo os que partiam para as navegações. Gil Vicente documenta em suas peças teatrais a língua portuguesa falada pelos africanos.

Skatistas 'atropelam' idosos na avenida Paulista

Jovem anda de skate na avenida Paulista, no centro de São Paulo

NATÁLIA CANCIAN


A secretária Helena Maria, 71, passeava na avenida Paulista quando foi atingida em cheio por um rapaz que fazia manobras com um skate.
"Eu só não caí porque sou forte. Se fosse magrinha, ia para o chão com certeza." Ela sentiu dores após o acidente, mas não teve ferimentos graves.
A professora aposentada e advogada Ana Maria Rodrigues Alves, 72, também passou por apuros há duas semanas, ao sair de uma loja, mas por causa de ciclistas.

Abaixo a criminalização da pobreza no Aglomerado da Serra!


Exigimos punição aos responsáveis pelas mortes e uma nova política de segurança.

Por Bruna Toledo Correa, da juventude do PSTU.

Justamente revoltados, os moradores da comunidade protestaram incendiando dois ônibus.


Desde o último fim de semana, vem se estendendo uma onda de protestos no Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, onde a Polícia Militar matou Renilson Silva e Jéferson da Silva numa suposta troca de tiros.

Duas pessoas foram mortas na madrugada de durante uma ação da PM


Frederico Haikal/Jornal Hoje em Dia 
Frederico Haikal/Jornal Hoje em Dia
A Polícia Militar voltou a ocupar o conjunto de favelas nesta segunda-feira

Ministério Público acompanha investigação
sobre mortes em favela de Belo Horizonte

Duas pessoas foram mortas na madrugada de durante uma ação da PM



PM Invade o Duelo de McS e agride a Juventude e o Hip Hop Mineiro

PM Invade o Duelo de McS e agride a Juventude e o Hip Hop Mineiro


Acabo de chegar do Duelo de MC’s. Um espaço aberto de encontro do Hip Hop de Minas com mundo. Pessoas de todas as idades (principalmente adolescentes e jovens) e de diversos quebradas vem todas as sextas-feiras ao Duelo para curtir os elementos da Cultura Hip Hop pacificamente.

Jovens alcoólatras começam a beber antes dos 11 anos


Pesquisa sobre alcoolismo: jovens começam a beber ainda crianças, geralmente em casa ou na presença de familiares


Pesquisa sobre alcoolismo: jovens começam a beber ainda crianças, geralmente em casa ou na presença de familiares (George Doyle/Thinkstock)


40% dos adolescentes que procuram tratamento estão nesse caso, segundo levantamento da Secretaria de Saúde de São Paulo

"Eram crianças que tinham o consentimento da família para beber, porque o pai ou a mãe bebiam. Eles começaram a ingerir bebidas sem culpa e não se deram conta de que estavam se viciando"
Marta Ezierski, diretora do Cratod

ALCOOLISMO


O álcool etílico é a droga psico-ativa mais utilizada no mundo.
Atualmente, o abuso desta droga vem alcançando proporções massivas, tanto em países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento, e está associado a uma série de conseqüências adversas, das quais o alcoolismo é apenas uma pequena parte, ainda que seja a de maior relevância do ponto de vista clínico. O problema do alcoolismo se transformou, sem dúvida, num dos fenômenos sociais mais generalizados das últimas décadas.

Doenças Causadas pelo Alcoolismo

Aproximadamente um terço dos pacientes com cirrose hepática tem história de infecção pelo vírus da hepatite C, e cerca de 50% terão pedras na vesícula. Pacientes com cirrose tem maior chance desenvolver diabetes, problemas nos rins, úlceras no estômago e duodeno e infecções bacterianas severas.

O que é o Alcoolismo


O Alcoolismo é geralmente definido como o consumo consistente e excessivo e/ou preocupação com bebidas alcoólicas ao ponto que este comportamento interfira com a vida pessoal, familiar, social ou profissional da pessoa.

VIOLÊNCIA URBANA BANALIZADA


Quando até as mãos dos nossos jovens universitários, das classes abastadas, estão repletas de sangue é preciso que a nação reaja. Mataram um índio, espancaram um professor de matemática até quebrar-lhe o braço, bateram numa doméstica, quebraram os dentes de um vigia com chutes. Dois outros assassinaram os próprios pais. Todos esses casos foram manchetes nacionais. Estamos assistindo ainda a ação dos bandidos que arrastaram uma criança pelas ruas e mais outras centenas de atrocidades.
É preciso que a Nação se indigne e promova uma profunda mudança.
Não podemos mais aceitar esse Código de Processo Penal que só faz procrastinar os julgamentos e assegurar a impunidade para os criminosos. Não se pode mais aceitar uma Lei de Execuções Penais tão benevolente com os apenados. É preciso alterar a Constituição Federal para que a violência tenha punição exemplar.

Violência urbana no Brasil

É inegável que vivemos dias difíceis, a violência em toda sua plenitude tem envolvido grande parte da sociedade mundial. No Brasil, a violência tem feito milhares de vítimas, em alguns casos esse ato é praticado pela própria família, além de inúmeros outros ocorridos nas ruas.

Ao observarmos o quadro atual da violência urbana, muitas vezes não nos atentamos para os fatores que conduziram a tal situação, no entanto, podemos exemplificar o crescimento urbano desordenado. Em razão do acelerado processo de êxodo rural, as grandes cidades brasileiras absorveram um número de pessoas elevado, que não foi acompanhado pela infraestrutura urbana (emprego, moradia, saúde, educação, qualificação, entre outros); fato que desencadeou uma série de problemas sociais graves.

POLÍCIA E PRECONCEITO RACIAL


Author: Gidasio Silva.
“Quando a Polícia cai em cima de mim, até parece que eu sou fera…” Edson Gomes
“Todo camburão tem um pouco de navio negreiro…” Marcelo Yuka – O Rappa
O Brasil tem uma dívida incalculável com a questão histórica do preconceito racial e, embora haja algumas ações afirmativas das várias instâncias governamentais, tudo ainda é muito tímido no sentido de reparar uma ferida que permanece aberta, sendo magoada constantemente pelos contornos sociais estigmatizantes.
É certo que os navios negreiros não singram mais os mares, porém, os negros continua sendo tratados como escravos, alijados dos processos sociais, amontoados nos guetos onde o poder público não chega, onde o amparo à saúde é quase nulo e onde cultura, educação e lazer, são artigos de luxo, nem sonhados por aquela parte da população.
Há uma frase do poeta Carlos Drummond de Andrade, a qual tomo emprestada para o meu raciocínio: “As flores não nascem da lei”. Creio que mais do que leis que promovam cotas para os negros nas Universidades, que estabelecem ações afirmativas, precisamos de uma mudança íntima na nossa forma de pensar e agir. O preconceito, não apenas o racial, mas em seus vários prismas, nasce do entendimento deturpado de que “fulano” é superior a “beltrano” por conta de sua cor, de sua opção sexual, de seu status social, e tantos outros parâmetros usados para medir e justificar a opressão e a dor imposta ao outro, ao diferente.
Olhando agora para a instituição Policia Militar, é preciso se perceber que as ações individuais de seus membros, ainda que recorrentes, não são institucionalizadas, ou seja, não são passadas nos cursos de formação, nas regras de conduta interna. Muito pelo contrário, baseado na Constituição Cidadã, os regramentos internos das Policias, estabelecem que todo policial deve “tratar a todos com urbanidade, independente do credo, da cor, da opção sexual…” Então, por que as cenas de violência contra negros praticadas por policiais? Por que esse sentimento de repulsa à Polícia cantada em versos e prosas? Creio que pela natureza cerceadora da atividade policial, ela, a Instituição, acaba sendo identificada como “algoz que domina a chibata”. Esse sentimento histórico é ampliado pelas ações desastrosas e eivadas de preconceitos de alguns de seus integrantes, que, desmerecendo a Corporação e o juramento que realizaram, no qual prometeram “proteger a sociedade (sem discriminações), mesmo com o risco da própria vida…” , maculam o nobre papel de protetora e guardiã da comunidade.
O policial que age com truculência ou leniência diante de um fato, motivado pela cor da pessoa envolvida, não aprendeu essa atitude na Corporação. Ele já alimentava esses sentimentos e, usando uma farda da polícia, encontrou lugar para ampliar, injustificadamente os seus sentimentos e atitudes.
Por isso, creio que não podemos falar de preconceito racial praticado pela Instituição Policial, e sim, por alguns de seus membros, isoladamente. O preconceito racial, assim como um câncer, é um mal que acaba eclodindo em todos os sistemas e instituições da sociedade. Ele ganha lugar no coração e na mente do homem. Como as instituições são formadas por pessoas, são elas as responsáveis por propagar ou debelar os preconceitos de todos os matizes.
Assim, talvez de uma maneira romântica e utópica, creio que o grande desafio da sociedade, no sentido de desarraigar o preconceito racial, é o estabelecimento de um pacto que envolva o processo educativo, cultural, social e econômico, tendo como alvo, o lugar onde nasce o preconceito: o coração e a mente de cada homem e mulher. Em arremate, este é um desafio para a Polícia, a Universidade, a Escola, a Família, a Igreja, em suma, para aqueles que não perderam a capacidade de ouvir os ecos do passado e se aventuram na construção de um mundo novo, a começar pelo seu mundo interior.
- José Carlos Vaz Souza Miranda

Na Paraíba morrem 1.083% mais negros do que brancos, diz Mapa da Violência


O Mapa da Violência divulgou nesta quinta-feira (24) dados estarrecedores sobre número de mortes de negros e brancos no Brasil. Nos números ficou constatado que no Brasil, em cada três assassinatos, dois são de negros.
Em 2008, morreram 103% mais negros que brancos. Dez anos antes, essa diferença já existia, mas era de 20%. Esses números estão no Mapa da Violência 2011, um estudo nacional que será apresentado hoje pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz.
Os números mostram que, enquanto os assassinatos de brancos vêm caindo, os de negros continuam a subir. De 2005 para 2008, houve uma queda de 22,7% nos homicídios de pessoas brancas; entre os negros, as taxas subiram 12,1%.

Treze brasilienses vão contar, como é ser negro e morar na capital do país


Nem todos nascem sabendo que são negros. No país que até hoje renega ou disfarça o preconceito racial, os de pele parda ou preta têm de aprender que pertencem a uma matriz comum, que são herdeiros de 380 anos de escravidão e de mestiçagem com o português e com o índio. Na capital dos brasileiros, os afro-descendentes são tratados de um modo singular e ao mesmo tempo perverso. A segregação é espacial. Enquanto o Plano Piloto é 70% branco, o Itapoã é 79% negro (preto + pardo) ou 64% pardo.
No ano em que se comemora o centenário de nascimento do abolicionista Joaquim Nabuco, o Correio Braziliense vai contar a história de negros brasilienses, homens e mulheres, adolescentes e adultos, moradores de áreas nobres e de cidades-satélites. Relatos em primeira pessoa de quem experimenta o preconceito, as dúvidas, as angústias, os medos, a raiva, as conquistas, a dor e a delícia de ter a identidade negra.

Desigualdade racial no mercado de trabalho diminui pouco no Brasil

Desigualdade racial no mercado de trabalho diminui pouco no Brasil

  A desigualdade racial no mercado de trabalho no Brasil diminuiu, mas os negros continuam recebendo salários menores e as mulheres negras são maioria entre trabalhadores sem carteira e empregados domésticos. ne algumas partes do Brasil os negros recebem metade que os brancos recebem, um preconceito absurdo, só pela cor de sua pele eles são considerados diferentes e mesmo quando tem nível superior o negro tem mais dificuldade em conseguir um emprego. Em Porto Alegre, a taxa de desemprego entre os negros com ensino superior é 2,5 pontos percentuais maior do que entre os brancos.

Movimento Negro e a relação Classe/Raça



Neste início de século, parece não haver dúvidas sobre a consolidação do movimento negro no cenário das lutas sociais do Brasil. Seu combate contra o racismo, chega ao século XXI de modo bastante forte e atuante. Numa demonstração de importância em relação ao conjunto dos movimentos sociais. Graças a isso, a discriminação racial, que é um dos principais problemas estruturais da nação brasileira, ganhou uma ampla visibilidade social. O que, de certa forma, forçou mais uma vez o debate sobre a questão racial no Brasil e a situação subalterna dos negros.

Entretanto, esse avanço não se deu de modo harmônico e consensual internamente. Em muitos momentos o próprio movimento negro demonstra fragilidades em relação à sua unidade. Principalmente sobre a questão que envolve a relação classe/raça. De um lado, existem setores defensores de uma luta anti-racismo desvinculada com a questão de classe, já que para eles, no Brasil o elemento determinante para a situação social de um indivíduo é muito mais racial do que classista. De outro, argumentam que no Brasil, assim como em qualquer outro país capitalista, a situação de classe interfere diretamente nas questões raciais. E neste sentido, a luta anti-racismo deve ser vinculada à luta de classes.

Claro que essas duas posições, que permeiam muitos dos debates internos do movimento negro, não parecem ser simples de solução. Tanto uma quanto a outra, apresentam boas argumentações, com diversos exemplos coerentes e legítimos. Todavia, ao invés de caminharem para uma posição consensual, elas assumem, quase sempre, a forma da polarização-oposição. Demonstrando que classe e raça não são elementos fáceis de conciliação. A pergunta que se pode fazer é: quais são os motivos para a existência dessa polarização interna no movimento negro?

Florestan Fernandes foi um dos principais autores brasileiros a se defrontar com essa questão. Sendo que para ele a união desses dois elementos era fundamental para uma luta eficaz do movimento negro.

Encarregado de fazer um estudo sobre os negros no Brasil para a UNESCO, Florestan, em 1951, passou a pesquisar a relação raça e classe em São Paulo. Nesta ocasião, lançou-se ao confronto da idéia de que no Brasil existia uma “democracia racial”, fundamentada por Gilberto Freire. Para o escritor baiano, a harmonia racial seria a contribuição brasileira para as relações sociais de outros povos.

Por um lado, esse conflito poderia até ser justificado caso os negros da sociedade brasileira estivessem inseridos nas diversas classes sociais de modo equilibrado, sem grandes assimetrias. Pois assim, não haveria como argumentar que o racismo é praticado independentemente da classe social. Isso poderia até acontecer, quer dizer, haver práticas racistas independente da condição de classe dos negros. Talvez, os Estados Unidos seja um bom exemplo disso. Mesmo que a eliminação do fator classe, ainda sim, seja arriscada. Todavia, essa não é a realidade do Brasil. A grande maioria dos negros brasileiros está inserida nas classes subalternas. E isso não é, de maneira alguma, uma novidade. Portanto, como não envolver a classe social na questão do racismo?

Por outro lado, a situação do negro brasileiro foi, por um bom tempo, desmerecida pelo movimento comunista. O próprio Partido Comunista Brasileiro, defendia a tese de que a questão do racismo era uma questão puramente de classe. Tal postura, certamente, acabou distanciando o movimento negro das lutas de cunho classista. Mesmo que em muitos casos essa grande parte da população estivesse inserida na estrutura da classe operária, ela não se sentia representada pelos órgãos comunistas na luta anti-racismo. As privações que o negro sofria eram vistas apenas sob o angulo do interior da fábrica, desconsiderando todo o aspecto repressivo lançado pela cultural racista da sociedade.

De certa maneira, o que acontece nos dias atuais referente à recusa de parte do movimento negro em considerar a questão de classe, assemelha-se ao que o movimento comunista fez tempos antes com a luta do negro. Partindo das reflexões de Florestan, ambos, estiveram ou estão em direções equivocadas.

Para ele, no Brasil classe e raça são dois elementos explosivos e revolucionários e que por isso devem ser unidos. Simbolicamente o 1º de maio dia do trabalho e 20 de novembro dedicado a Zumbi, representam os laços econômicos, morais e políticos que prendem os oprimidos entre si e subordinam todas as suas causas a uma mesma bandeira revolucionária. Assim, os comunistas devem saber que o “preconceito e a discriminação raciais estão presos a uma rede da exploração do homem pelo homem e que o bombardeio da identidade racial é prelúdio ou o requisito da formação de uma população excedente destinada, em massa, ao trabalho sujo e mal pago...” (Florestan, 1989, p.28)

A questão exposta pelo autor, está centrada na idéia de que o operário negro necessita superar dois tipos de ideologias que as classes dominantes do capitalismo criaram. A primeira corresponde à idéia de que o pobre não se torna rico devido tanto à sua vida mundana, quanto à falta de parcimônia com relação aos seus ganhos. A segunda relaciona-se à idéia de que os negros fazem parte de uma raça inferior, não dotada de razão e civilidade, em relação aos brancos. Então o negro operário dos dias atuais carrega nas costas o peso de duas fortes ideologias, produzidas pelo capital, a de que ele é “mundano” e “inferior”.

Assim, os negros possuem uma tarefa dupla, a de desvendar os motivos pelos quais são operários e também pelos quais são submetidos ao racismo pelas elites em geral, mas fundamentalmente a branca. Tais reivindicações fazem parte de um profundo e amplo projeto de nação realmente revolucionário, pois tem como objetivo desmistificar a realidade criada pelas elites do Brasil. Portanto, os negros têm como tarefa “limpar” da nação brasileira parte significativa das formas estranhadas de entender a sua sociabilidade. E neste sentido, um dos primeiros obstáculos a ser superado corresponde à teoria da existência de uma “democracia racial”.

Para Florestan, a desmistificação dessa idéia de convivência pacífica entre as raças no Brasil, deveria ser um dos primeiros passos que o movimento negro deveria dar como forma de fortalecimento. Em seguida, ele deveria construir um movimento de oposição à ideologia dominante, criando assim suas bases político-culturais de combate não apenas ao racismo, mas também ao capitalismo. Na verdade, sua luta deve ser canalizada para a conquista de uma “Segunda Abolição” que parta de baixo para cima, ao contrário da Primeira. Combatendo além da elite branca, também a pequena camada privilegiada negra. Esse pequeno grupo de negros que passou a integrar as camadas médias, que segundo Florestan são os “novos negros”, devem ser combatidos uma vez que, alcançado o conforto da vida burguesa, eles passaram a rejeitar e satanizar o movimento negro perante a sociedade. Tal processo de ida de alguns negros para as classes privilegiadas teve início na década de 1940, aprofundando-se posteriormente. O “novo negro”, na verdade, buscava a igualdade social por meio de um processo pacífico e gradual. Voltando-se para os interesses pequeno-burgueses e prontos a excluir de suas relações os “negros inferiores”. Assim, a luta contra a subordinação do movimento passou a ficar em mãos exclusivas da grande maioria oprimida.

Aqui fica evidente que a chamada “democracia racial” não teve como alvo apenas as classe dominantes, em sua maioria branca, seus propósitos ideológicos também penetraram de modo devastador entre os negros. Em conseqüência, percebe-se o aprisionamento de parte desses indivíduos em certos paradoxos que conduzem à negação de si próprio. Não conseguindo se ver como de fato são vistos pelos brancos.

De modo breve, essas são algumas questões postas por Florestan Fernandes que podem ajudar sobre a questão aqui posta, que é o de ressaltar algumas determinações da relação raça/classe no interior do movimento negro. Mesmo que Florestan tenha feito essas análises no final da década de 1980, suas idéias permanecem instigando e contribuindo para se pensar novas táticas teórico-políticas. De certa forma, suas idéias ainda podem ajudar a entender o papel social e histórico que o movimento negro tem numa sociedade capitalista como a brasileira. Também fornecem elementos que desmistificam a polarização-oposição estrutural entre classe operária/movimentos sociais, deixando clara a existência de equívocos de ambos os lados. Em outras palavras, para o autor, a estrutura da classe operária brasileira é composta não somente pela questão social, mas também pela questão racial, o que concretiza a particularidade da luta de classes no Brasil. E neste sentido, tenta traduzir suas especificidades nacionais em luta radical, buscando a particularidade do processo de inovação social em âmbitos brasileiros.
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Mesmo que o crescimento do movimento negro esteja assentado, fundamentalmente, sobre lutas raciais específicas – ou seja, em equívocos anteriores e bastante caros a ele, graças ao isolamento social provocado – estruturalmente raça e classe no Brasil estão intimamente ligadas.

E as sugestões dadas por Florestan contribuem para se entender os motivos nos quais repousam essa polarização-oposição entre classe/raça presente no interior desse movimento. Primeiro pela recusa dos comunistas em tratarem a questão racial em suas verdadeiras dimensões. Segundo pela “cooptação” de certa parte dos negros ao universo ideológico das elites. Ao que parece, a junção desses dois fatores criaram o que hoje é facilmente percebível nos debates do movimento negro sobre a relação classe/raça.

Portanto, as tarefas desse movimento parecem ser muito mais complexas do que se possa imaginar, à medida que trava uma batalha tanto externa contra as desigualdades sociais e raciais, quanto interna para buscar uma unidade de grupo realmente definido e coeso perante a sociedade. Ao que tudo indica, o solução de uma está intimamente ligada ao caráter da outra. Neste sentido, as formas assumidas pela luta política-ideológica estão ligadas aos rumos teóricos pelos quais a relação raça/classe se desenvolveram.


Por CLAUDIO REIS

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da FFC/Unesp, campus de Marília. Membro do Grupo de Pesquisa Cultura e Política do Mundo do Trabalho

Bibliografia:

FERNANDES, F. Significado do protesto negro . São Paulo, Cortez, 1989.
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Racismo e Preconceito na Sociedade de Classes: Contraposições, iniciativas e quebra da reprodução de conceitos racistas



Existe uma prática cotidiana de taxar o negro de racista às avessas, quando reproduz algum tipo de preconceito a outro segmento racial. Acreditamos que para este debate é fundamental entender dois conceitos. Primeiro, o conceito de racismo. Alguns intelectuais erram quando restringem o racismo ao ódio entre as raças. O segundo ponto é a concepção de preconceito.


"A arma mais poderosa nas mãos do opressor é a mente do oprimido"

(Steve Biko)


O racismo é o preconceito contra um grupo racial distinto, fazendo com que o grupo opressor construa mecanismos de distanciamento e de controle sobre outro grupo racial. O racismo cria mitos, padrões, formatos, critérios, etc. Esses elementos juntos conformam-se em valores morais e estéticos, formalizando o que é certo e o que não é, o que é bonito e o que é feio, o que deve ser aceito e o que deve ser repudiado. Não é necessário entrar no debate já superado sobre o conceito de raça biológica. Todos sabemos que, do ponto de vista biológico, as raças não existem. Reivindicamos a raça negra sob critério político, de um segmento étnico no Brasil, em sua maioria afrodescendentes que sofreram e sofrem preconceito e discriminação.



O racismo constrói leis, regras e mecanismos para manter o poder político e econômico, em detrimento da raça oprimida. Conforme Lênin, “o Estado é a organização especial de um poder: é a organização da violência”. A Universidade, na qual entram os filhos das elites, que são os das melhores escolas particulares, que por uma naturalização perversa são os filhos dos não-negros. A televisão, que prefere “gente bonita” que obedece a um padrão de beleza europeu, que é necessário para aparecer na mídia; logo, o padrão negado – o negro, no caso do Brasil -, não estará na televisão. Obviamente existem exceções, existe um ou outro negro que se adapta ou adéqua ao padrões para adquirir aceitação. Enfim, o racismo é um mecanismo perverso de manutenção de hegemonia, para exercê-lo é fundamental conseguir preponderância, coisa que hoje a população negra não possui. Não existem leis, regras, universidades, política, normas que fortaleçam uma dominação negra contra um segmento dominado.



O preconceito, por sua vez, é um juízo preestabelecido, manifestado geralmente na forma de uma atitude discriminatória perante pessoas, lugares ou culturas consideradas diferentes. O ser humano tenta de forma equivocada estabelecer conceitos sobre coisas das quais desconhece, ou conhece superficialmente. Reproduzir o preconceito é um equívoco irrefletido.



As opressões sempre são geradas a partir de um movimento em cadeia, responsável por sua perpetuação. Três atores são fundamentais na constituição da opressão racial: o ser hegemônico, que organiza a opressão; o emissor da opressão; e o receptor oprimido. Dois dos maiores emissores do racismo, Demétrio Magnoli e o deputado federal Jair Bolsonaro, repetem que todos os avanços das políticas afirmativas criam uma sociedade divida em raças. É bastante cômico, pois não fomos nós quem criamos a sociedade racializada, ela foi construída com tijolos sólidos pelos não-negros. Existindo esta sociedade racializada, utilizamos o conceito político de raça para exigir reparação. No final, percebemos que não debater a divisão racial da economia é manter as estruturas como estão, o que não é nada ruim para a elite hegemônica, que no Brasil é formada por não-negros.



Nesse sentido, a ministra Matilde Ribeiro ousou ao afirmar que “não é racismo quando um negro se insurge contra um branco”. E disse ainda: “A reação de um negro de não querer conviver com um branco, eu acho uma reação natural. Quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou”. Entendemos que a declaração da ministra aponta na direção de desconstruir a ideia de um racismo às avessas, uma vez que a prática racista apóia-se em um tripé político-econômico-étnico, inacessível ao trabalhador negro. O racismo é uma prática eminentemente política, interessante a uma elite branca que oprime política e economicamente. É importante ressaltar essas dimensões política e econômica do ato racista, pois existem os milhões de brancos brasileiros descendentes de imigrantes europeus pobres que vieram trabalhar na lavoura do café no fim do século XIX, após a abolição da escravatura, e que mais tarde, no veloz processo de urbanização e industrialização do país no século XX, com o declínio da economia cafeeira, migraram para as grandes cidades e transformaram-se nos operários oprimidos pela mesma hegemonia racista, que de tão abrangente afeta também o branco pobre. Portanto, é preciso revelar a luta de classes, em que há uma elite branca opressora e uma imensa massa oprimida, em grande maioria negra, mas que também incorpora os não-negros que historicamente sofreram o êxodo rural e os descendentes dos povos indígenas, que tiveram suas terras violentamente roubadas. O brasileiro trabalhador que discrimina seu companheiro negro reproduz irracionalmente o discurso do ser hegemônico, que organiza, legitima e dissemina a opressão racial e a falsa inferioridade do povo negro.



Ainda abordando o “racismo às avessas”, podemos citar o caso do bloco afro ilê aiyê, que sofreu muitas acusações de promover essa atitude. O bloco surgiu em 1974, e desde aqueles dias até hoje tem provocado muita polêmica. Quando surgiu, o jornal “A Tarde” publicou: "Bloco Racista, Nota Destoante", declarando que “não temos, felizmente, problema racial. Esta é uma das grandes felicidades do povo brasileiro”. Naquela época, os blocos de Salvador faziam um criterioso pente-fino com foto, endereço e faixa salarial para acessar ou não um bloco de carnaval pago. De lá para cá algumas coisas mudaram. O Bloco ganhou notoriedade, organizou movimentos, afirmou um povo e propõe a igualdade, a seu modo, empurrando o dedo na ferida. Mesmo com fama e prestígio, o Ilê Aiyê representa as cotas no Carnaval, na festa onde os trabalhadores negros trabalham para os brancos beijarem-se e divertirem-se. Para acessar o Ilê o critério não é meramente econômico, até porque se fosse assim excluiria a população negra. O critério para acessar o ilê aiyê é racial, é político, utiliza um mecanismo de combate ao racismo que se chama “discriminação positiva”: discriminar para dar entrada aos excluídos. O seu principal objetivo é fazer luta. Com certeza, um dia o Ilê se abrirá, mas quando houver igualdade.



O sentido de políticas afirmativas, como a do Ilê, é corrigir as desigualdades historicamente construídas, não criar um novo apartheid. O povo negro não deseja incitar o ódio ou a segregação, como afirmam os servos midiáticos da elite, mas protagonizar o processo de libertação dos trabalhadores oprimidos. “A grande tarefa humanística e histórica dos oprimidos é libertar-se a si e aos opressores,” como anunciou Paulo Freire. Isso só se torna possível quando os oprimidos lutam para libertar-se da situação de opressão em que vivem e modificar as estruturas do sistema opressor, que permite a violência do dominador, para que ninguém mais seja oprimido. Até porque, caso contrário, a luta não teria sentido, pois seria apenas uma troca de elites.



O problema da ação do capital no Brasil se dá principalmente em detrimento da população negra. Para Marx, “a história da sociedade até os nossos dias é a história da luta de classes”. A luta de classes no Brasil está intrinsecamente ligada à luta anti-racista. É necessário organizar uma contra-ofensiva, não orientada pelo ódio – inútil à revolução - , mas norteada pela consciência da luta de classes e pela revolta contra esse modo indigno, desumano e injusto de organização social, promovido pela elite branca contra o trabalhador, especialmente o trabalhador negro. Não perdemos de vista que “o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor”, como afirmou Che.



A tarefa é árdua, mas a vitória virá! Evidentemente, nós, negros e negras organizados, devemos dialogar nossas pautas cotidianamente com os setores que fazem a luta. Existem muitos aliados não-negros, por isso militantes da esquerda, movimentos sociais, dos direitos sexuais e das mulheres devem permanecer unidos.



Tendo em vista os aspectos observados, percebemos que os negros muitas vezes até reproduzem o preconceito que eles sofrem, mas isso não pode ser chamado de racismo. Mesmo assim, qualquer tipo de preconceito é nocivo, perverso e deve ser extirpado das relações humanas. O preconceito racial deve ser denunciado e excluído de toda forma de ação do Estado ou política pública. Para tal, nos organizemos duramente contra esse mal! Recordando o grande Luther King, “devemos aceitar a decepção finita, mas nunca perder a esperança infinita.”



Herlom Miguel é Militante do Coletivo Nacional Enegrecer



Diego Lustosa e Estudante História da Universidade Católica de Salvador, Militante da Kizomba e aliado da Luta Anti-racista
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