Bienal sofre ataques de "coladores" de "stickers

SARA UHELSKI
DA FOLHA ONLINE

O grupoArac, que se define como "um grupo independente de "coladores" de "stickers" [adesivos]", passou quatro horas anteontem no segundo andar do pavilhão da Bienal -que, por decisão da curadoria, foi deixado vazio nesta edição da mostra- fazendo intervenções nas paredes e nos pilares.
Os adesivos foram agrupados em quatro ou cinco e colados em 15 pontos do andar. São caveiras, borboletas e dentaduras, entre outros desenhos, que ficarão camuflados -eles ficarão escondidos sob folhas brancas e tinta até a abertura da mostra, que acontece hoje para convidados e amanhã para o público.
A ação está registrada no blog Bien-Mal 2008, que mostra fotos do procedimento e adianta alguma das imagens coladas.
Em conversa com a Folha Online, o organizador da intervenção, que não quis se identificar, afirmou que não considera o ato uma forma de vandalismo. "Considero uma obra de arte, uma conseqüência à proposta dos curadores de manter o segundo andar vazio."
Em entrevista coletiva realizada anteontem, a Fundação Bienal de São Paulo disse ter preparado um esquema antivandalismo.
"Acho ainda que os responsáveis pela Bienal vão entender e deixar os adesivos onde eles estão", completou o organizador da intervenção. Ele afirma ainda que o fato de a Bienal ser um evento gratuito e sem barreiras na entrada a caracteriza como um espaço urbano, que deve receber também expressões de arte urbanas.
Para continuar com a intervenção e incentivar outras pessoas a irem até a Bienal colar seus "stickers", o grupoArac criou o "Manual para a Invasão da Bienal".

"Sticker"
O "sticker" é um tipo de intervenção urbana, como o grafite, que ganhou as ruas de São Paulo, especialmente a região da rua Augusta, há cerca de quatro anos.
Feito de papel adesivo ou comum, os "stickers" trazem desenhos de seus autores e estão espalhados por outras metrópoles.

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